Monthly Archives: September 2015

Quinta de Pancas, 100% Syrah, Lisboa, 2000

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Já nos vamos aproximando do fim, neste nosso propósito de falar de todos os Syrah portugueses.

Eis pois um dos últimos Syrah de Lisboa, mas que, para nosso descontentamento, se encontra já esgotado, da Quinta de Pancas, ano de 2000. Segundo um dos responsáveis da empresa trata-se de um Syrah que pura e simplesmente nunca existiu, como se pudesse acontecer. Histórias só possíveis nesta nossa subtil e estranha Lusitânia. Mas vamos primeiro falar deste Syrah, que podemos garantir existiu mesmo, foi por nós degustado, e neste momento temos na mão a garrafa vazia.

Um vinho regional da responsabilidade dos enólogos Rui Reguinga e Ana Varandas, elaborado exclusivamente a partir da casta Syrah. Foi vinificado com uvas parcialmente desengaçadas, fermentadas em cubas de aço inox sendo, de seguida, o vinho submetido a uma maceração prolongada pós-fermentativa à temperatura controlada de 26/27º C. Estagiou 12 meses em carvalho francês. As notas de prova dizem falam de “cor granada escuro, forte concentração com bom brilho e viscosidade média. É um vinho muito aromático com um nariz fortemente balsâmico com muitos frutos vermelhos, notas canforadas e breves sugestões de café num conjunto onde coexistem algumas notas campestres. Secundariamente surge um agradável lado vegetal, onde subsiste a cânfora e se insinuam leves sugestões animais. Termina com assinalável bouquet emadeirado. Na boca, encorpada, avilta uma acidez viva, a pedir comida, e forte adstringência, se bem que os taninos se apresentem algo domesticados. A fruta é agora silvestre (amoras, framboesas), com ligeiríssimo amargor. Finaliza com persistência, com a acidez a reforçar a sua aptidão gastronómica, mas desta feita com agradável suavidade. Um vinho cheio de carácter, apesar da idade, e embora denote evidente qualidade e concentração, peca por escassa complexidade.”

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Como em todos os Quinta de Pancas Special Edition, a designação aplica-se aqui aos melhores vinhos da colheita. Este Syrah tem um estágio mais longo, em meias pipas, com maior percentagem de carvalho novo. Foram engarrafadas 9800 garrafas e 150 magnuns cabendo a esta o número 50. E deixou marca indelével.

E agora vamos à história que ficou anunciada: Arlindo Santos é o dono e gerente da Garrafeira de Campo de Ourique. É um homem que está no mundo dos vinhos há mais de 50 anos. Acerca deles tem um conhecimento enciclopédico. Quando o conhecemos ficámos de tal modo fascinados com o que ele contava sobre os seu espólio vitivinícola que chegávamos a ir lá só para ver se ele estava para poder conversar e aprender um pouco mais. Um belo dia, sabendo do nosso interesse pelo Syrah, diz-nos que tinha uma única garrafa de um Syrah que desconhecíamos mas que estava no armazém de Almada. Essa garrafa era o nosso bendito Quinta de Pancas, Syrah, 2000! Era preciso lá ir com um funcionário, pois a idade não lhe permitia subir pelas escadas acima, que parece que são muito altas. Ficou com o nosso contacto para logo que tivesse a garrafa em seu poder nos avisar. Quinze dias passaram sem notícias. Tomámos entretanto a iniciativa de telefonar para a Quinta de Pancas para nos inteirarmos da veracidade da existência do dito Syrah. Após colocar a questão à telefonista, foi-nos passada a chamada para alguém apto a responder ao nosso problema. Falámos então com um dos responsáveis da quinta, que desde logo assegurou estarmos enganados, a Quinta de Pancas nunca tinha feito um monocasta Syrah, nem em 2000 nem em que ano fosse. Pedimos desculpa, não insistindo mais, mesmo sem ficar convencidos. Passado uns dias decidimos regressar à garrafeira de Campo de Ourique para esclarecer o nosso amigo Arlindo do seu erro. E eis como acabam as grandes histórias. Imediatamente, sem mais palavras, tirou uma garrafa guardada debaixo do balcão e disse:

“Então o que é isto?”

Era a garrafa nº 50 do Syrah Quinta de Pancas do ano 2000.

Hoje temos essa garrafa guardada religiosamente como testemunho da ignorância e incompetência profissional.

Como dizia D. H. Lawrence “Ao provar um Syrah vislumbramos, na iminência da noite, os nossos sonhos.”

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 31,00€


 

Comenda Grande, Monte da Comenda Grande, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Do concelho de Évora surgiu este enorme Syrah, Comenda Grande, que só é pena termos usufruído apenas de duas garrafas, já na altura muito difícil de encontrar. Hoje podemos dizer com precisão e tristeza que está esgotado. O nome “Comenda” significa um antigo benefício honorífico concedido a eclesiásticos ou a cavaleiros de ordens militares. Este Syrah é uma grande comenda para quem teve a oportunidade de o degustar.

As notas de prova dizem que tem uma “cor granada densa e viva, aroma intenso e complexo onde sobressai a fruta madura e passas de ameixa, mas também um ligeiro floral e a sensação das madeiras de estágio. Ao sabor, revela-se macio, com grande estrutura, onde se destacam os taninos marcantes, sendo contudo fresco num final de boca prolongado e persistente.”

Tem uma graduação alcoólica de 15%, e o enólogo foi o engenheiro Francisco Pimenta. Foram feitas 4100 garrafas de 0,75 litros. Teve um estágio de 12 meses em barricas novas de 225 litros de carvalho Allier e de 8 meses em garrafa.

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O Monte da Comenda Grande é constituído por 43 hectares de vinha entre brancos, tintos, rosés e espumantes. A exploração agrícola da Comenda Grande foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugénio de Almeida (hoje Fundação Eugénio de Almeida) e filha de Gertrudes de Almeida Margiochi e de Francisco Simões Margiochi.

Herdada por Maria Madalena de Noronha e seu marido João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes de Noronha Lopes, pelo seu marido António Lopes e pelos filhos. Compreendendo uma área de 750 hectares, a exploração tem vindo a acompanhar a reconversão da agricultura alentejana, tendo realizado diversos investimentos de vulto nesse sentido. Assim, a par da reconversão de parte do sequeiro em regadio, não só reforçou as áreas de floresta, privilegiando o sobreiro (Quercus Suber), como plantou um moderno olival em cerca de 30 hectares para além de 43 hectares de vinha já referidos.

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Na vinha instalada, em que cerca de 36 hectares existem castas tintas e em 7 hectares castas brancas. São privilegiadas as castas mais marcantes do Alentejo – Trincadeira e Aragonez nas tintas e Arinto e Antão Vaz nos brancos – a par de outras em menor proporção mas que se consideraram poder constituir uma mais-valia em termos diferenciadores: Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah e Baga nas tintas, bem como Verdelho, Sauvignon Blanc e Roupeiro nas brancas.

Já dizia Fleming, Nobel da Medicina: “A penicilina curas os homens, mas é o Syrah que os torna felizes!”

Então imagine-se que o Syrah de Fleming seja este grande Comenda Grande e logo teremos a medida na nossa felicidade, e mais ainda com esta boa notícia que guardamos para o fim, acabando em beleza: é que ainda durante o ano presente, o novo Syrah Comenda Grande verá a luz do dia. Quando isso acontecer aqui estaremos para o apresentar com emoção multiplicada por sabe-se lá por quanto!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 18,00€

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Mundus, Adega Cooperativa da Vermelha, 100% Syrah, Lisboa, 2012

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Na região vitivinícola de Lisboa para dar a conhecer um Syrah que, infelizmente, diga-se desde já, peca pela falta de qualidade. É um Syrah produzido pela Adega Cooperativa da Vermelha, de 2012 e, tanto quanto se sabe, é a primeira safra.

Infelizmente não é o primeiro Syrah a merecer uma crítica tão negativa por parte do Blogue do Syrah. E mais uma vez não o fazemos de ânimo leve. Mais uma vez insistimos na nossa isenção, estando apenas ao serviço do grupo dos consumidores ao qual pertencemos. Já o dissemos e repetimos: se um Syrah nos espanta e encontramos características extraordinárias não temos problema nenhum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo com isso algo que ganhar a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico, e se for possível em primeira mão. Mas o que nunca desejamos que aconteça voltou a acontecer, pela segunda vez.

O Syrah Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha só tem uma coisa a seu favor, o nome, Mundus, uma designação forte do ponto de vista do marketing, mas isso só não chega! O Syrah Mundus é elaborado sem brio, de Syrah como o entendemos nada tem, e como tal é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola 14 a 20, e portanto nada mais nos resta que atribuir-lhe, não sem tristeza, um 0!

Segundo as notas de prova este Syrah “é um vinho estruturado, com aromas a frutos vermelhos sobremaduros conjugados com a madeira. Na boca apresenta-se macio e estruturado.”

Ao beber este Syrah tudo isto se revela falso! É uma coisa de mau gosto, no sentido literal, que chega a dar engulhos de estômago. Não fomos capazes de beber mais do que uma taça em dois dias distintos.

Mesmo assim ainda chegamos a dizer que foi fermentado à temperatura de 26ºC em cuba de inox e em sistema de curtimenta. Após o processo fermentativo foi estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho Americano.

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Fundada em 1962 por um grupo de vinicultores da região, liderados pelo Engenheiro Carvalho Cardoso, a Adega Cooperativa de Vermelha começou por ser um espaço para vinificar a produção dos viticultores da região, que devido a várias condicionantes não podiam vinificar “per si” as suas uvas.

Desde a sua fundação até aos nossos dias, muitas foram as alterações e evoluções que se registaram na Adega. Efectivamente a sua génese inicial assentava na recepção e vinificação das uvas dos associados e posterior armazenagem e comercialização a granel dos vinhos obtidos (venda de grandes quantidades de vinho em vasilhas de madeira “cascos” para a região da estremadura e Lisboa).

Com a evolução dos mercados e com as novas tendências dos consumidores a ACV adoptou as melhores e mais recentes tecnologias, nomeadamente no que concerne a engarrafamento, vinificação e métodos laboratoriais, permitindo o engarrafamento dos seus vinhos, sendo os mesmos distribuídos para diversos mercados.

Já dizem as Escrituras: “O bom Syrah alegra o coração dos Homens.”

Mas com este Mundus é que não ficámos nada alegres… apesar de ser Syrah!

 

Classificação: 0                                                  Preço: 4,50€

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