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Um copo de vinho a mais custa-lhe meia hora de vida?

Um novo estudo vem contrariar os efeitos benéficos do consumo moderado de álcool. Em Portugal, bebe-se quase o dobro do recomendado. Beber mais do que um copo de álcool por dia é tão nocivo quanto fumar. Esta é a conclusão de um novo estudo, publicado na revista científica The Lancet, que diz ainda que um copo extra de vinho (ou de outra bebida alcoólica) pode retirar-lhe meia hora de vida.

O artigo defende que não se deve ingerir mais do que os cinco copos de vinho padrão de 175 ml (ou 2,5 litros de cerveja), uma vez que este é mesmo o limite máximo de segurança. Beber mais do que a dose recomendada aumenta o risco de acidente vascular cerebral, aneurisma, insuficiência cardíaca e morte. Os riscos são maiores em função da idade: para uma pessoa de 40 anos beber acima do limite diário recomendado é o mesmo que ser viciado em nicotina, defende um dos cientistas que participou no estudo.
“Acima de duas unidades por dia, as taxas de mortalidade aumentam”, disse David Spiegelhalter, da Universidade de Cambridge, citado pelo The Guardian.
Ou seja, se uma pessoa de 40 anos beber mais do que quatro unidades por dia – o equivalente a beber três copos de vinho – tem aproximadamente menos dois anos de expectativa de vida, o que representa cerca de 20% da sua vida restante. “É como se cada unidade acima das directrizes tirasse, em média, cerca de 15 minutos de vida, quase o mesmo [tempo de vida que é retirado por] um cigarro”, explicou o cientista.
A recomendação é para que os países com consumos de álcool mais altos (quase o dobro) – como Portugal, Espanha e Itália – reduzam o consumo diário para três copos de vinho diários, no máximo.

O estudo baseou-se em dados de cerca de 600 mil consumidores actuais incluídos em 83 estudos realizados em 19 países. Cerca de metade dos participantes revelaram que bebem mais de 175 ml de álcool por semana e 8,4% admitiram consumir mais do que o triplo dessa quantidade – que é de cinco a seis copos de vinho. “Este estudo deixa claro que, no geral, não há benefícios para a saúde com o consumo de álcool, o que geralmente acontece quando as coisas parecem boas demais para serem verdadeiras”, sublinha David Spiegelhalter.

O professor Jeremy Pearson, diretor médico associado da Fundação Britânica do Coração, que financiou parcialmente o estudo, chamou-o de “um grave alerta para muitos países”.
Tony Rao, professor convidadono King’s College, em Londres, afirmou que o estudo “destaca a necessidade de reduzir os danos relacionados ao álcool em baby boomers, uma faixa etária atualmente em maior risco de aumento do uso indevido de álcool”. Num comentário na revista The Lancet, os professores Jason Connor e Wayne Hall, do Centro de Pesquisas sobre Abuso de Substâncias Juvenis da Universidade de Queensland, na Austrália, preveem que a sugestão de reduzir os limites de consumo recomendado irá enfrentar a oposição da indústria.
Indústria do álcool vai dizer que consumo recomendado é “impraticável”, vaticinam cientistas
“Os níveis de bebida recomendados neste estudo serão, sem dúvida, descritos como implausíveis e impraticáveis pela indústria do álcool e outros opositores das advertências de saúde pública sobre o álcool. No entanto, os resultados devem ser amplamente divulgados e devem provocar um debate público e profissional informado”, disseram.
A BBC, cita o mesmo estudo, e faz as contas em termos de meses de vida, revelando que a ingestão de cinco a dez bebidas alcoólicas por semana pode reduzir o tempo de vida em até seis meses.
Por cada 12,5 unidades de álcool semanais, aumenta o risco de:
Acidente vascular cerebral em 14%
Doença hipertensiva fatal em 24%
Insuficiência cardíaca em 9%
Aneurisma da aorta fatal em 15%
O consumo de álcool tem sido associado a um risco menor de doença cardíaca, mas os cientistas alegam que esse benefício foi “inundado” pelo aumento do risco de outras formas da doença cardíaca.

Portanto já sabemos que é difícil beber Syrah com moderação, mas esse é de facto o caminho certo!

Mais uma cifra para recordar!

O discurso continua a ser o mesmo, o milhão da dita Santa Casa continua a passar-nos ao lado, mas os visitantes deste vosso Blogue continuam a vir cá sem parar.

Este triplo Milhão hoje em efeméride tem a ver mais uma vez com a nossa alegria por termos atingido três milhões de entradas no Blogue do Syrah, segundo o nosso singelo contador que regista todos os cliques feito nas nossas páginas de artigos e novidades.

Portanto um enorme e sentido agradecimento a todos os leitores e simpatizantes que, com regularidade, nos visitam.

Como curiosidade, referimos que foram precisos cerca de 2 anos para atingirmos o primeiro milhão de visitantes, 1 ano para chegarmos aos dois milhões…
e agora, em pouco mais de 6 meses depois, estamos nos três milhões!

Vamos continuar com o mesmo entusiasmo a fazer esta caminhada pelo mundo maravilhoso do Syrah português em direcção ao quarto milhão!

Bem hajam todos!

Grand´Arte, 100% Shiraz, DFJ Vinhos, Lisboa, 2012

Esta é uma revisitação do Syrah Grand´Arte de 2012, a segunda colheita, que por acaso se escreve Shiraz, já iremos falar disso, da DFJ Vinhos, liderada por José Neiva Correia, é dela que vamos falar hoje! E porquê? Bom, porque este Shiraz evoluiu muito bem e quem arranjar algumas garrafas agora ou tiver guardado vai ficar bem contente, porque está bem melhor, do que há anos atrás!

Mas vamos falar deste Shiraz “Grand D’Arte”, da Quinta Fonte Bela em Vila Chã de Ourique, no concelho de Santarém, ou seja, um regional de Lisboa, que possui uma graduação alcoólica de 13,5% e teve um estágio de três meses em barricas de carvalho francês.
Diz-nos o produtor que se trata de um Shiraz “…equilibrado, com taninos macios e um toque de baunilha e especiarias. Muito suave, fácil de beber e ao mesmo tempo, intenso, persistente e saboroso.” As várias garrafas que bebemos, ao longo deste último ano, vêm confirmar estas palavras!

Já Ernest Hemingway dizia que:
“Uma pessoa com o aumento do conhecimento e da educação sensorial pode obter prazer infinito no vinho.”

Em conversa com o Director Comercial e de Marketing da DFJ Vinhos, Luís Gouveia, homem simpático e muito disponível para prestar todos os esclarecimentos, ficámos a saber que com esta colheita foi feito um número maior de garrafas da colheita de 2011 que tinha sido vinte e quatro mil garrafas, embora a grande maioria tenha sido destinada ao mercado externo. E uma palavra de apreço quanto à informação prestada no site oficial da empresa, que está devidamente actualizado, permitindo assim a quem escreve e divulga prestar um bom serviço. Um exemplo a seguir.

O médico do Canadá William Oster disse: “O vinho não faz as pessoas fazerem as coisas melhor. Ele faz com que elas fiquem menos envergonhadas de fazê-las mal.” Então sem dizermos mais nada vamos lá beber uma taça de Shiraz  Grand`Arte e sem receio de fazer as coisas mal!

 

Classificação: 17/20                            Preço: 7,95€

Fraude no Rhône

Segundo um relatório da DGCCRF (Direção Geral da Política de Concorrência, Defesa do Consumidor e Controle da Fraude) em França, entre Outubro de 2013 e Junho de 2016, Raphaël Michel, um comerciante de vinhos a granel no Vale do Rhône, vendeu o equivalente a 13 piscinas olímpicas de vinho de mesa como se fossem de denominações clássicas dessa região do sul da França. Entre elas 108.000 caixas de Châteauneuf-du-Pape.

De acordo com o relatório da DGCCRF, entre 2013 e 2016, o comerciante vendeu cerca de 20 milhões de litros de vinho de mesa – o equivalente a 2,23 milhões de caixas – como vinhos de denominações famosas, como Côtes du Rhône, Côtes du Rhône-Villages e Châteauneuf-du-Pape. “No total, a fraude atingiu mais de 48 milhões de litros de vinho, o equivalente a 5,33 milhões de caixas de vinho falso, 15% da produção da Côtes du Rhône durante esses anos”, afirmou o relatório.

Em 27 de Junho de 2017, o presidente da Raphaël Michel, Guillaume Ryckwaert, e outros directores foram levados sob custódia. Dois dias depois, Ryckwaert foi acusado de fraude, mas libertado sob fiança e proibido de trabalhar na empresa. Ele nega as acusações.

Ryckwaert era considerado um prodígio do mundo do vinho a granel. Raphaël Michel possui operações significativas em Provence, Languedoc- Roussillon, na Argentina e no Chile.
A empresa também é dona de uma enorme plataforma de vinhos na Itália chamada Oenotria-Cluster, que armazena vinhos a granel de diferentes variedades e qualidades de nações do Novo Mundo, como Chile, Austrália e África do Sul, e actua como um balcão único para compradores internacionais. No ano passado, após a prisão de Ryckwaert, a empresa registou dívidas de 20 milhões de euros e buscou protecção dos tribunais de falências.

Mas em Portugal todo o Syrah é genuíno e verdadeiro, portanto vamos beber com orgulho e confiança o que é nosso!

Herdade dos Pimenteis, 100% Syrah, Algarve, 2015

Estamos perante a segunda colheita do Syrah da Herdade dos Pimenteis! E que Syrah! O anterior, de 2013, que tinha sido apresentado há precisamente dois anos para além de ter sido uma surpresa o seu aparecimento, a qualidade demonstrada  deixou-nos também bastante entusiasmados na altura! Hoje estamos perante algo de diferente para melhor! Este Syrah é um genuíno topo de gama com capacidade de evolução!

As notas de prova do produtor e enólogo Paulo Fonseca dizem-nos que tem “um aspecto límpido, com uma cor rubi intensa. O aroma é fino, elegante, sugerindo frutos vermelhos bem maduros e algumas especiarias. Equilibrado de taninos suaves mas estruturados.” Final prolongado, acrescentamos nós, e com o tempo esse alongamento irá sendo mais acentuado. Tem uma graduação alcoólica de 15%. A colheita anterior era de 14,5% de graduação alcoólica.Foram feitas 4000 garrafas! Número bem inferior ao da colheita anterior de 7000 garrafas, mas como diz o outro não se pode ter tudo! Tem-se menos quantidade mas a qualidade é superior! Costuma dizer-se e muitas vezes com razão como é o caso, que por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Se é verdade que é o Paulo Fonseca que manda na adega, quem controla e orienta todo o projecto que tem o seu nome é a Ana Pimentel.

A Herdade dos Pimenteis é um projecto com mais ou menos uma dúzia de anos, situa-se em Portimão, a 5 km do centro da cidade e ocupa 40 hectares do Morgado da Torre, na Penina. Os solos argilo-calcários têm grande tradição na cultura da vinha que se faz aqui há várias gerações. Os vinhos que produz apresentam-se aos seus consumidores sob o slogan “Após gerações perdidas renascem as vinhas do Algarve!”. É verdade que os vinhos do Algarve durante muito tempo, demasiado tempo diríamos nós, andaram um tanto ou quanto perdidos e a qualidade deixava a desejar. Hoje a realidade é totalmente diferente e em relação aos Syrah, que é o que nos interessa, o consumidor não deve ter qualquer receio no confronto de qualidade entre um Syrah algarvio e o de uma outra qualquer região do país!

Os hectares de vinha existentes agora encontram-se em produção integrada compondo-se de castas seleccionadas tais como: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Tinto Cão e Moscatel Branco e claro Syrah que dão o vinho de excelência que aqui se produz. Os vinhos Herdade dos Pimenteis são o resultado de uma vindima manual. Na adega a fermentação ocorre mediante um controle de temperatura rigoroso, que cria os vinhos finais concebidos por Paulo Fonseca.

O enólogo e produtor Robert Mondavi disse que “Fazer um bom vinho requer habilidade e conhecimento. Fazer um grande vinho requer arte.”

Há habilidade e conhecimento neste Syrah, mas há também arte! O tempo dar-nos-à razão. Só é preciso que este Syrah resista minimamente à passagem do tempo! As garrafas não são muitas e a relação qualidade – preço é mais um aspecto a beneficiar este Syrah! Nós não vamos perder tempo!

 

Classificação:18/20                                           Preço: 9,00€

Luta de Classes e Syrah

Estudo publicado pela PLOS Medicine examinou mais profundamente a relação entre vinho e saúde através de uma visão sócio-económica. Os dados foram analisados com base na população da Noruega. Os investigadores analisaram os hábitos de consumo e o status de mais de 207.000 adultos de 1987 a 2003, categorizando os dados pela frequência de consumo de álcool, e criaram três classificações de posição: baixa, média ou alta. Em seguida, calcularam o risco de doença cardiovascular para cada grupo, descobrindo assim que o consumo moderado e frequente (beber álcool duas a três vezes por semana) foi associado a um risco menor de doença cardiovascular do que o consumo pouco frequente (definido neste estudo como menos de uma vez por mês). Esse benefício foi significativamente mais pronunciado entre aqueles com melhor condição social.

A análise também mostrou que o consumo muito frequente (quatro a sete vezes por semana) está associado a um maior risco de morte por doença cardiovascular, mas apenas entre os participantes com baixa posição socio-económica. Aqueles nas categorias média e alta não apresentaram maior risco.

O estudo norueguês discute as diferenças de estilo de vida entre classes como uma possível explicação. Diz-se, por exemplo, que as pessoas de posição mais alta podem ser mais propensas a consumir álcool durante a refeição, o que é considerado mais saudável do que beber sem a companhia de alimentos. Outras explicações comuns incluem mais conhecimento sobre vida saudável e acesso a melhores cuidados de saúde. “O consumo compulsivo foi associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares em todos os grupos de posição sócio-económica. Portanto, independentemente da posição social, os bebedores compulsivos têm maior risco em comparação com aqueles que não bebem compulsivamente”, disse Eirik Degerud, do Instituto Norueguês de Saúde Pública.

Em relação ao nosso Syrah, há para todas as bolsas, ricos e pobres só ficam a ganhar, saúde, inclusive, com o seu consumo. Vamos a isso!