Category Archives: Algarve

Onde existe o melhor Syrah, em nossa opinião!

Quinta da Tôr, 100% Syrah, Algarve, 2014

tor_17_garrafa

No final do ano passado saiu um Syrah diferente!
E que diferente é este Syrah!
O novo Quinta da Tôr, 100% Syrah, vem com o ano de 2014!
O seu irmão do ano anterior já tinha sido por nós apresentado aqui.

tor_17

O Quinta da Tôr 2014 é o mais alcoólico Syrah português e provavelmente o mais alcoólico de todos os Syrah do mundo, daí a diferença! Não temos a certeza deste facto, mas é fácil de entender que será muito difícil lançar para o mercado um Syrah com uma maior graduação alcoólica. São 17%!!

Com veemência afirmamos: este não é um Syrah fácil! É um Syrah que tem que ser consumido com uma moderação redobrada e com cuidados extras. Muito alcoólico e muito doce, como de facto é, pode ser a conjugação explosiva para afastar muitos consumidores de palato menos arrojado. É de facto um Syrah sui generis, onde não há lugar para meias tintas, ou se gosta, como é o nosso caso, ou não! Se a safra anterior já tinha mostrado potencialidades, esta superou as nossas expectativas. Partam em sua demanda, confirmem e comentem de sua justiça.

Este Syrah é da região de Loulé, mais precisamente a 7 kms da capital do concelho.
Quinta de 11 hectares, foi em 2010 adquirida pelo casal Mário e Elsa Santos, que possui igualmente uma empresa de equipamentos hoteleiros – a Turinox.  A quinta já possuía vinha antiga, que foi recuperada. Com os investimentos apropriados em termos de maquinaria os novos proprietários lançaram-se no mercado e produziram até agora duas safras do nosso monocasta favorito.

logogd_qttor

Temos de referir uma vez mais que este produtor não possui presença digital, pelo que é difícil adquirir informação sobre o mesmo e seus produtos mas tendo em conta o que está aqui em análise trata-se de uma questão menor!

A nossa convicção exprime-se desta forma: apenas uma taça de Syrah é sempre melhor que a garrafa inteira de uma outra bebida qualquer, vinho incluído.

É o caso!

 

Classificação: 18/20                                           Preço: 8,95€


 

Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda, 100% Syrah, Algarve, 2012

frances_2_garrafa

Poderíamos começar esta nossa análise ao Syrah da Quinta do Francês 2012 fazendo uma analogia com a célebre frase de Bertold Brecht que diz: “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são os imprescindíveis.” Com o Syrah poderíamos dizer qualquer coisa parecida, por exemplo: “Há Syrah que se bebe uma vez e sabe bem, há outros que se bebem algumas vezes e são melhores, mas há aquele Syrah que é muito bom e deve ser bebido e lembrado por muito tempo, tornando-se imprescindível”.

Quando no dia 10 de Março do corrente ano demos a novidade do novíssimo Syrah Quinta do Francês 2012 escrevemos o seguinte: “Um Syrah maior que a terra que o viu nascer!” Falávamos da segunda safra deste Syrah de Silves.

Quando foi publicada a análise do seu “irmão” de 2011, a 12 de Maio, que pode ser lida aqui, dissemos no post scriptum que em relação à safra de 2012: “Não o provámos! Ainda não tivemos coragem para isso! No fundo, temos receio de que a nova safra por muito boa que, eventualmente, possa ser, seja inferior à de 2011.“

frances_2_quinta

Mas agora já o degustamos. Chegou a hora de fazer a respectiva análise.
E as diferenças são as seguintes: em primeiro lugar o ano. O anterior era de 2011 e este é de 2012. A graduação alcoólica é também diferente. O de 2011 tinha 16% e este de 2012 tem “somente” 14,5%. Mas se no texto do Syrah de 2011 dizia-se a dado passo: “Tem uma graduação alcoólica de 16%, mas, não se assustem, nem se nota!” Hoje podemos dizer o mesmo em relação ao Syrah de 2012 mas de modo inverso, ou seja, se em relação ao de 2011 o significado de “…mas, não se assustem, nem se nota!” era de que ao degustá-lo parecia ter menor graduação devido à interpenetração de todos os elementos compostos que constituem o vinho, no Syrah de 2012 também podemos dizer “…mas, não se assustem, nem se nota!”, ou seja, ao degustá-lo não parece ter uma graduação inferior à safra de 2011, o que é extraordinário e a explicação é a mesma que demos anteriormente!

E há uma outra diferença e esta mais importante. Havendo alguém que perguntasse, por hipótese, ao Blogue do Syrah se perante duas garrafas de Syrah do Quinta do Francês, uma de 2011 e a outra de 2012 e se só pudesse escolher uma, qual das duas é que o Blogue do Syrah escolheria, a nossa decisão tombaria para o lado de 2011, porque tem mais 2 anos de evolução em garrafa em relação à actual, que veio para o mercado somente este ano! Mas dêem mais dois anos de evolução em garrafa ao Syrah Quinta do Francês 2012 e verão nessa altura as potencialidades demonstradas!

frances_2_vinha

Em suma, se é difícil obter a mais alta nota num vinho, ou seja no que for, muito mais difícil é conseguir apesar de tudo e todos, manter esse patamar de excelência, e o Syrah Quinta do Francês consegue-o na totalidade! Continuamos a sustentar tudo o que foi dito no texto sobre a safra de 2011 do Syrah da Quinta do Francês e somos de o reafirmar inequivocamente em relação à safra de 2012.

Experimentem e confirmem que não estamos a exagerar mas, caros leitores do Blogue do Syrah, se chegarem à conclusão que todas as palavras que acabam de ler são a pura das verdades, por favor, sim por favor, não comprem todas as garrafas porque nós aqui no Blogue do Syrah gostaríamos, até à próxima safra, de degustar mais algumas!

Mais uma vez não hesitámos: 20 valores, é assim o estofo dos imprescindíveis!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 25,00€

frances_2_ft


 

Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda. 100% Syrah, Algarve, 2011

frances_garrafa

É com desmedida emoção que hoje fazemos este texto.

Vamos falar de um Syrah que obteve a mais alta classificação atribuída até agora pelo Blogue do Syrah: 20 valores!

Robert Parker, o mais conhecido e, provavelmente, o mais influente crítico de vinhos, disse, não há muito tempo, numa recente entrevista à publicação “The Drinks Business“ que os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Concordamos com Robert Parker e é por isso que damos a nota mais alta ao Syrah 2011 da Quinta do Francês! Como a nossa tabela vai de 14 a 20, damos os 20 valores a este Syrah que corresponde aos 100 pontos de Parker!

frances_logo_quinta

A história deste Syrah é impressionante a todos os níveis! É isso que iremos contar a seguir. Se entretanto, pelo meio da leitura, acharem desejos de o irem logo degustando, na zona de Lisboa pode ser encontrado na loja El Corte Inglés ou no Centro Comercial Amoreiras, ou ainda e sempre na Garrafeira Estado D’Alma.

E como vai ser bem empregue o tempo que dedicarmos à reflexão sobre este néctar em particular, pois já dizia o grande Pasteur: “Existe mais filosofia numa garrafa de vinho do que em todos os livros”!

É pois um Syrah que espanta, em primeiro lugar, porque é algarvio. Os vinhos algarvios, ao contrário de outras regiões vitivinícolas, nunca tiveram grande projecção nacional ou outra. Situação esta que também está a mudar e não é só por causa deste Syrah, como é óbvio!

Seria mais fácil de entender esta nossa pontuação se este Syrah fosse alentejano ou da região do Tejo ou mesmo da região vitivinícola de Lisboa! Depois, é a primeira safra de Syrah da Quinta do Francês! Como é possível que, logo na primeira vez, se consiga um vinho com esta soberba qualidade? Seria mais fácil de compreender se estivéssemos perante um produtor com larga experiência e conseguisse à décima safra um Syrah fantástico! Não é o caso deste nosso francês, Patrick Agostini, médico especialista no activo, que não se dedica em exclusividade à vinha. Como pôde ele fazer um Syrah que nos leva aos céus? São as mãos de médico que ajudam?

Vamos então aprofundar esta história extraordinária!

A quinta é mesmo de um francês que por isso tomou o nome que está no título. Patrick Agostini é oriundo de uma família do Piemonte, na Itália, com tradições na vinha e no vinho. Médico patologista mas com formação em viticultura e enologia em Bordéus, Patrick com 33 anos  e a mulher Fátima, de origem portuguesa, decidiram abandonar a França há alguns anos e vir para Portugal. Escolheram a região de Odelouca, no Algarve, onde Patrick vislumbrou um terroir compatível com o seu sonho de “fazer um grande vinho”.

frances_vinhas

Estamos em plena serra de Monchique e o solo de xisto, em zona colinosa, e a exposição a sul foram para este médico as características ideais. O plantio da vinha obrigou a fazer previamente uma desmatação, a drenagem dos solos mais húmidos, correcções de acidez e nutrientes, e a instalação da rega. Em 2002 foram instaladas as vides, numa área de 8,5 hectares, com as castas Aragonês, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e, claro, Syrah. A adega ficou terminada em 2008 e os enólogos Cláudia Favinha e António Maçanita começaram a dar a consultoria necessária.

Este magnífico Syrah esteve 17 meses em barricas novas de carvalho francês. Tem uma graduação alcoólica de 16%, mas, não se assustem, nem se nota!

frances_pipas

As notas de prova dizem-nos que se trata dum “vinho de cor rubi escura com aromas exuberantes a frutos pretos silvestres, com especiarias, pimenta, tabaco, chocolate. Na boca revela-se um vinho com enorme estrutura, taninos suaves, de uma grande elegância. Longo final na boca.” Estas palavras lembram-nos a máxima de um anónimo que dizia: “Quem não ama as mulheres, o vinho e a música permanece um tolo por toda a vida.” Só acrescentaríamos “não necessariamente por esta ordem.”

Com o seu clima excepcional, o Algarve não só atrai os turistas à procura de sol e praias de águas cálidas, mas também é um óptimo terroir para as vinhas, que crescem numa variedade de solos como argila, calcário, grés e mesmo em zonas com xisto, produzindo uvas de alta qualidade.

Durante muitos anos o comércio de vinhos no Algarve foi muito importante, mas em meados do século XX, a produção de vinho diminuiu, pois os seus benefícios não podiam competir com os lucros que o turismo trazia à região. No entanto, na década de 80, o Algarve ganhou o estatuto de região demarcada para Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira.

Nos últimos 10 anos, houve o renascer da tradição de produção de vinhos no Algarve, aparecendo novas adegas que produzem vinhos de qualidade. De uma delas já aqui falámos, pois possui igualmente um Syrah: a Adega do Cantor! Outra história memorável que nos deu muito prazer contar.

Voltando ao que hoje nos traz aqui, o terreno que o nosso produtor escolheu, no vale da ribeira de Odelouca, com encostas viradas a sul, com um solo xistoso e com as castas plantadas, Trincadeira (Tinta Amarela), Aragonês (Tinta Roriz), Cabernet Sauvignon e Syrah, fazem deste vinhedo um “terroir” ideal com condições perfeitas para produzir grandes vinhos.

frances_agostini

Patrick Agostini produz um vinho topo de gama “Quinta do Francês”, e o segundo vinho, “Odelouca”. Ambos foram muito bem aceites, ganhando medalhas em  famosos concursos internacionais, como Bruxelas, e atraindo críticas muito favoráveis na imprensa nacional e internacional.

A vinha encontra-se distribuída em dois tipos de solos:
– 6,5 hectares  nas encostas e terraços, com solos xistosos, onde temos as 4 variedades plantadas;
– 1,5 hectares de Cabernet Sauvignon em solo de aluvião, muito perto da ribeira de Odelouca.

O clima algarvio, quente e seco, juntamente com a frescura da brisa marítima do Atlântico, permitem controlar o processo de maturação. Por outro lado, o solo pobre xisto-argiloso que limita a ingestão de água, pode criar tensão suficiente para concentrar as uvas, produzindo assim um vinho excepcional, neste vinhedo.

frances_adega

A adega, num estilo tipicamente algarvio, foi acabada de ser construída em 2008, tem 800m2 de construção moderna (conforme as últimas normas) com áreas separadas para as cubas de inox, as barricas de carvalho francês e a zona de armazenamento das garrafas prontas para serem comercializadas.

A Quinta do Francês exporta para a Bélgica, a França o Reino Unido e a Suíça e, muito em breve, vai começar a exportar para Angola e Ásia.

Patrick Agostini, com quem tivemos oportunidade de conversar, tem ideias muito claras sobre o que o motiva em termos vitivinícolas, e sabia ao que vinha quando decidiu fixar-se no Algarve. Ouçamos o que ele tem para dizer:

“Eu sabia desde logo que o Algarve não estava no “mapa” dos “grandes vinhos”, mas esse foi precisamente um dos meus grandes desafios: tornar esse posicionamento uma realidade.”

frances_quinta

E sobre os vinhos, Agostini diz-nos:

“Acreditamos que os vinhos devem ser de longa duração, de grande degustação e, acima de tudo, inesquecíveis. Com grandes vinhos, os nossos sentidos, principalmente o olfato e o paladar, devem ser chamados à atenção com excitação, antecipação e estimulação. Entendemos que os grandes vinhos reflectem o seu terroir, o ano da colheita e a personalidade e que a sua qualidade depende de um domínio profundo das técnicas de vinificação, conjuntamente com a qualidade das uvas.”

Os franceses que conhecem os vinhos de Patrick Agostini dizem que na Quinta do Francês  “c’est le vin portugais au charme français

Pela nossa parte só podemos entender isso como irónico e prestigiante, não para o algarvio de adopção, mas sim para os franceses e os seus vinhos.

E, citando de novo Pasteur: “O vinho pode ser de direito considerado como a mais higiénica das bebidas”. Este Syrah é higiénico, porque é perfeito!

frances_turismo

No Blogue do Syrah já premiámos vários vinhos com a nota de 19. Pode-se questionar: O que aconteceu para que este Syrah não tivesse também 19 e “arriscássemos” a nota 20?

A diferença, para além de tudo o que ficou dito é que, tratando-se de um vinho feito em 2011, foi para o mercado em 2013, e foi por nós degustado precisamente nessa ocasião, ou seja, para todos os efeitos tratando-se de um Syrah novo, na boca parecia ter uma década! Não nos perguntem como é que isto foi feito, mas a verdade é que foi a única vez que tal aconteceu em toda a nossa experiência vinícola! E esta foi uma das muitas sensações subjectivas que pesou na nossa apreciação, entre muitas outras objectivas, das quais a principal é o puro deleite físico sensorial que se experimenta durante todo o percurso degustativo, desde a apreciação da cor, bouquet, passando pelas diversas fragrâncias que navegam pelo palato em sublime sinfonia harmónica que se alonga e não se esquece!

Agora imaginem, por momentos, a degustação deste Syrah quando passar uma década da data em que foi feito!

Não hesitámos: 20 valores!

P.S. Já temos em nosso poder, desde Março, a nova safra de 2012. Tem, objectivamente, uma diferença visível. No contra-rótulo diz-se que tem 14,5% de graduação alcoólica em vez dos 16% da safra de 2011. Não o provámos! Ainda não tivemos coragem para isso! No fundo, temos receio de que a nova safra por muito boa que, eventualmente, possa ser, seja inferior à de 2011. Mas isso não altera nada do que foi dito anteriormente!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 25,00€

frances_ft


 

Onda Nova, Adega do Cantor, 100% Syrah, Algarve, 2009

garrafa_onda_nova

Hoje tivemos necessidade de vir ao Algarve, e com todo o gosto o fizemos, para dar a conhecer mais um syrah destas bandas. Estamos em Albufeira, para conhecer a Adega do Cantor. O Cantor em causa é inglês, e teve a sua época áurea nos idos de 60 do século passado, começando a sua carreira associado ao famoso grupo The Shadows. Estamos a referir-nos a Sir Cliff Richard. Conheceu e apaixonou-se pelo Algarve faz mais de 40 anos. O sonho de plantar uma vinha nesta sua propriedade, chamada Quinta do Moinho, foi a inspiração para os vinhos Vida Nova e Onda Nova, em cuja produção ele próprio faz questão de estar envolvido integralmente.

pessoas

A Adega do Cantor fica situada na Guia, a escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras.

adega_do_cantor

A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising.

Deste nosso Syrah fizeram-se três safras: a primeira, de 2006, a de 2007 e esta de 2009 francamente melhor do que a anterior. Fizeram-se 20000 garrafas a partir de 10 hectares de vinha.

As notas de prova dizem-nos que em termos de  “Visual: cereja preta e escarlate; Cor: consistente da borda ao centro, boa viscosidade; Olfactivo: perfume elegante a violetas, groselha e mirtilo elevado por notas profundas a canela, pimenta branca e anis; Gustativo: paladar intenso com nuances a frutos vermelhos e pretos, acentuado por especiarias e pimenta, acrescentando ainda taninos domesticados que conduzem a um final suave. Pode ser consumido já, mas irá evoluir e melhorar significativamente em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo responsável pelo projecto é Ruben Pinto.

O objectivo na Adega do Cantor é produzir vinhos que consigam reflectir o calor, cor e diversidade da região; vinhos que possam acompanhar a fantástica cozinha local. Este vinho é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

adega

A Adega do Cantor tem capacidade para 200 toneladas e foi construída em colaboração com a Castle Rock Logistics, uma empresa Australiana especializada em projectos e gestão de adegas. O projecto levou 18 meses a ser desenhado em computador e 10 meses a construir. A Adega foi concebida modularmente, de forma a ser facilmente ampliada para albergar 300 toneladas.

O ano de 2009 aqui em causa foi repleto de actividade quer nas vinhas quer no processo de vinificação, dando origem a uma colheita com a qualidade e o equilíbrio desejado. A poda de Inverno terminou no final de Fevereiro, surgindo quase de imediato os primeiros rebentos nas videiras de Verdelho e Alicante Bouschet.

A floração foi contínua, sem qualquer percalço, resultando em copas bem formadas pela altura da frutificação. O crescimento e maturação da fruta foi equilibrada até à altura da vindima. Esta iniciou-se com a casta Verdelho na 2ª semana de Agosto. Pela 3ª semana verificou-se um pico de altas temperaturas o que provocou um amadurecimento precoce da uva, levando a  que o processo de apanha fosse acelerado para posterior vinificação imediata, evitando assim uma concentração elevada de açúcares que se traduziriam em valores elevados de álcool.

A combinação desta rápida acção e a proximidade da costa, que de alguma forma neutralizou a vaga de calor, levaram a que não tivéssemos sido tão afectados como outras regiões. A qualidade da fruta foi elevada, tendo-se conseguido níveis de açúcar e a maturação dos taninos pretendida, sem grande significância a nível de doenças. O processo de vinificação prolongou-se até ao final de Outubro. Foi a partir desta conjuntura que se obteve este Syrah que convidamos todos a degustar.

vinhas

O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.

A seguir se especificam algumas características e histórias das três quintas  do Sir de Sua Majestade.

Quinta do Moinho
A plantação da vinha de Sir Cliff Richard, na Quinta do Moinho, iniciou-se entre 1997 e 1998, tendo sido alvo de intensos estudos pelo eminente viticultor australiano Richard Smart. A plantação consiste de 3,5 ha da casta Syrah, oriunda de Vale de Rhône, França, 2,5 ha de Aragonês, proveniente da Península Ibérica e conhecida em Espanha como Tempranillo, 1,4 ha de Trincadeira, do sul de Portugal e 0,5 ha de Monvedro, também do sul de França. A Quinta do Moinho utiliza os mais modernos sistemas vinícolas, que incluem gestão de área foliar, um sistema de posicionamento vertical das varas e rega gota-a-gota. As videiras fixaram-se rapidamente e o resultado é uma vinha auspiciosa e sadia.

Quinta do Miradouro
Existe desde o princípio de 2001, com as mesmas características da Quinta do Moinho. A vinha consiste de 5ha de Shiraz, 4ha de Aragonês e 1ha de Alicante Bouschet, Teinturier (uma uva vermelha viva) do sul de França, que produz vinhos especialmente bons nas condições certas, como é o caso de Mouchão, no Alentejo. A vinha da Quinta do Miradouro é também a primeira no Algarve a aplicar o Smart-Dyson, o sistema de latada inovador do Dr Richard Smart, que divide verticalmente a área foliar, permitindo um substancial aumento da área total da superfície da parra e melhorando as condições de luz na zona de frutação.

Vale do Sobreiro
A nossa mais recente vinha, existe desde 2004 e, mais uma vez, tem as mesmas características das outras duas vinhas. Abrange 3 ha de Syrah, cuja selecção foi, pela primeira vez, feita através de clonagem, de forma a obter-se a melhor fruta nesta envolvente. Os restantes 2 ha foram plantados com Verdelho, as nossas primeiras uvas brancas oriundas de Portugal e que está a ser vinificado, com grande sucesso na Austrália.

A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E já que é de cantores e canções que também estamos a falar, acabemos este texto citando um tema dos The Beatles, grupo contemporâneo de Cliff Richard, We Can Work it Out: “A vida é muito curta e não há tempo/Para agitação e luta meu amigo – Life is very short, and there’s no time/For fussing and fighting, my friend.”

Vamos lá então beber tranquilamente e em paz, ao sol do Algarve, o nosso Syrah da Adega do Cantor, este Onda Nova, que se quer mesmo uma boa onda!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 8,50€

ft_onda_nova


 

Quinta da Tôr, 100% Syrah, Algarve, 2013

garrafa

E é sempre com muita alegria que rumamos ao Algarve para apresentar mais um syrah de safra única, da Quinta da Tôr, ano de 2013, região de Loulé, mais precisamente a 7 kms da capital do concelho.

Quinta de 11 hectares, que foi há 3 anos adquirida pelo casal Mário e Elsa Santos, que possui igualmente uma empresa de equipamentos hoteleiros – a Turinox. A quinta já possuía vinha antiga, que foi recuperada. Com os investimentos apropriados em termos de maquinaria produziu-se um syrah com um total de 3200 garrafas. Os enólogos foram Pedro Mendes e Joachim Roque. A graduação alcoólica é de 14,5%.

Lá mais para o fim do ano está garantido novo syrah com mais ou menos o mesmo número de garrafas. No Algarve e na quinta é vendido a 5 euros. O preço que foi pago em Lisboa foi superior a esse valor, como indicamos no final.

Temos sim de referir que este produtor não possui presença digital, pelo que é difícil adquirir informação sobre o mesmo e seus produtos.  O que soubemos foi de viva voz em conversa telefónica.

logogd_qttor

Este syrah apresenta “boa concentração no cor, ruby intenso. No aroma estão presentes as frutas vermelhas e especiarias onde sobressaem notas de cassis e pimenta. Tinto muito dinâmico e concentrado. Com carácter e clara aptidão gastronómica.”

No extremo Sul de Portugal Continental, o Algarve é uma zona bem definida, um compartimento com feições características, conferidas pela proximidade do mar, pelo clima, pela vegetação natural e pela cultura marcada pela longa ocupação árabe.
A região demarcada do Algarve data de 1980, produzindo vinhos tinto, branco, rosado e licorosos.
Os vinhos brancos e tintos caracterizam-se pelos aromas a frutos bem maduros e sabor aveludado e quente.
Os vinhos regionais da região Algarvia caracterizam-se por serem macios, pouco acídulos e ligeiramente alcoólicos, sendo os tintos de cor definida ou granada e os brancos de cor palha.
Incluído no Vinho Regional Algarve produz-se também nesta região um vinho licoroso, de grande tradição, com a indicação geográfica Algarve.

No Algarve existem quatro Denominações de Origem (Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira), ainda que a maior parte do vinho seja vendido sob a designação de Indicação Geográfica.

Para além das castas tradicionais, principalmente as tintas Castelão e Negra Mole e as brancas Arinto e Síria, nos últimos tempos têm obtido grande sucesso as variedades da Touriga Nacional e principalmente a nossa Syrah, uma casta de renome internacional, que se adaptou muito bem às condições climáticas particulares do Algarve.

Os novos projectos, todos em vinha ao alto, apostam na tinta Aragonez, na Touriga Nacional e na branca Verdelho, juntamente às castas internacionais mais prestigiadas como Chardonnay, e a já referenciada Syrah.

———-
A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Lagos” abrange os concelhos de Aljezur (parte das freguesias do mesmo nome, Bordeira e Odeceixe), Vila do Bispo (as freguesias de Raposeira, Sagres e Vila do Bispo e parte das freguesias de Barão de São Miguel e Budens) e Lagos (freguesias de Luz, Santa Maria e São Sebastião e parte das freguesias de Barão de São João, Bensafrim e Odiáxere).

Os vinhos tintos são aveludados, pouco encorpados, com aroma frutado e pouco acídulos e quentes. São abertos de cor, apresentando um tom rubi que, com o envelhecimento, adquire o tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Trincadeira e Castelão, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante Bouschet, Aragonez, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Monvedro e Touriga Nacional.

———-
A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Portimão” abrange o concelho de Portimão (freguesia de Alvar e parte das freguesias da Mexilhoeira Grande e Portimão).

Os vinhos tintos são aveludados, encorpados, com aroma frutado e pouco acídulo, notando-se o álcool. Apresentam cor rubi definida que, com o envelhecimento, adquire um tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Trincadeira e Castelão, no conjunto ou separadamente, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Monvedro, Syrah e Touriga Nacional.

———-
A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Lagoa” abrange os concelho de Albufeira, Lagoa e Loulé (freguesias de Almansil, Boliqueime, Quarteira, São Clemente e São Sebastião e parte das freguesias de Alte, Querença e Salir) e Silves, as (freguesias de Alcantarilha, Armação de Pêra e parte das freguesias de São Bartolomeu de Messines e Silves).

Os vinhos tintos apresentam uma cor rubi que, com o envelhecimento, adquire um tom topázio. São aveludados, encorpados, frutados, pouco acídulos e quentes. Fáceis de beber, evoluem muito bem e têm grande longevidade.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole e Trincadeira, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% do encepamento. Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Castelão, Monvedro, Moreto, Syrah, Touriga-Franca e Touriga Nacional.

———-
A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Tavira” abrange os concelhos de Faro, Olhão, São Brás de Alportel (parte da freguesia do mesmo nome), Castro Marim (parte da freguesia do mesmo nome), Tavira (freguesias da Luz e Santiago e parte das freguesias de Conceição, Santa Catarina, Santa Marta e Santo Estêvão) e Vila Real de Santo António (a freguesia de Vila Nova da Cacela).

Os vinhos tintos são aveludados, encorpados, com aroma frutado e pouco acídulo. Apresentam tom rubi definido que, com o envelhecimento, adquire o tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Castelão e Trincadeira, em conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional.

———-
Voltemos por fim ao nosso syrah somente para dizer que a continuidade está garantida e lembrando o que dizia Fernando Pessoa:
“Boa é a vida, mas melhor é o vinho”
E nós dizemos:
“Boa é a vida quando acompanhada de syrah!”

Classificação:16/20                                           Preço: 8,50€


 

Quinta do Barranco Longo, 100% Syrah, Algarve, 2010

front

E chegamos finalmente ao Algarve, pois claro! Era inevitável… Se alguém pensou que por aquelas bandas não haveria syrah, aqui estamos nós para o desmentir categoricamente! É verdade que não há muitos, mas os que existem são suficientes para não ficarem esquecidos. E por isso vamos hoje falar do syrah da Quinta do Barranco Longo.

Quinta esta que está localizada no coração do Algarve. O terroir, com solo argilo‑calcário, e as mais de 3000 horas de sol por ano, potenciam o atributo das uvas que, depois de transformadas, resultam em syrah de elevada qualidade.

A Quinta do Barranco Longo, situada na freguesia de Algoz, concelho de Silves, dedica-se, entre outras actividades, à produção e comercialização de vinhos de mesa e de vinhos espumantes. O projecto nasce em 2001, com a realização dos primeiros ensaios de “microvinificação”, tendo em vista a obtenção de produtos de alto calibre. Em 2003 são produzidos os primeiros vinhos “Barranco Longo Rosé”, “Barranco Longo Tinto” e “Barranco Longo Reserva”.

Em 2004 produzem-se 10000 litros e também o primeiro monocasta: “Barranco Longo Touriga nacional”. A produção triplica em 2005, ano em que surge o primeiro vinho “Barranco Longo Branco” e o monocasta “Barranco Longo Syrah”. A partir de então, e porque os vinhos foram bem posicionados e reconhecidos no mercado, esta actividade não parou de crescer. Em 2008 chegaram mais novidades.

A gama de vinhos é alargada ao primeiro espumante da região algarvia e ao primeiro vinho rosé português 100% fermentado em barricas de carvalho. A quinta está nas mãos de Rui Virgínia, que continua a aperfeiçoar o ciclo do vinho com os métodos enológicos mais inovadores.

Os vinhos estão orientados para a cadeia hoteleira e restauração, estando o seu negócio centralizado na marca “Barranco Longo”, destinada aos mercados Nacional e Internacional.

Actualmente a Quinta do Barranco Longo produz cerca de 150000 garrafas por ano e conta com uma vasta gama de vinhos tintos, rosés, brancos e espumantes.

barranco

No que diz respeito ao nosso syrah, que é sempre o motivo maior que nos leva a falar do produtor, da quinta e das suas produções, é um vinho com 14,5% de graduação alcoólica, e uma parte importante da produção vai para o mercado externo. Bélgica em primeiro lugar, Dinamarca a seguir, e também Holanda. Foram feitas cinco safras, de 2005 a 2010. Das que conhecemos, a melhor é a de 2007, a que atribuímos a classificação de 17, e da qual terão sido feitas 7000 garrafas. Segundo a ficha técnica, que após uma conversa telefónica com a Vera Franco, assistente administrativa da Quinta do Barranco Longo, muito simpaticamente nos enviou, ficamos a saber que se trata de um syrah com “Intensa cor rubi/violácea. Maceração de 15 dias em cubas de inox, fermentação controlada com duas repisas diárias, fermentação maloláctica. Estagiou um ano em cascos de carvalho americano e francês.Com reflexos da casta, da madeira onde estagiou e do terroir, tem excelentes aromas muito intensos a frutos vermelhos maduros e boas notas a especiarias e chocolate. Com sabor varietal intenso. Está muito arredondado, fresco, charmoso, persistente, com taninos sedosos.Termina em longo e belo final.”

A este propósito desejo aqui relembrar um grande texto do escritor brasileiro Luiz Fernando Veríssimo que se intitula “Degustação de syrah em Minas” e que diz assim:
– Hummm…
– Hummm…
– Eca!!!
– Eca?! Quem falou Eca?
– Fui eu, sô! O senhor num acha que esse syrah tá com um gostim estranho?
– Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas…
– Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?!
– Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
– Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
– Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
– O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é ?
– Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então…
– E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
– O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no…
– Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
– Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens…
– Hã-hã… Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta…
– O senhor poderia começar com um Beaujolais!
– Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
– Então, que tal um mais encorpado?
– Óia lá, ocê tá brincano com fogo…
– Ou, então, um suave fresco!
– Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
– Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
– Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta…
– Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
– E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
– Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
– Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
– Mole e redondo, com bouquet forte?
– Agora, ocê pulô o corguim! E é um… e é dois… e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!…

Estamos em presença de um syrah de qualidade, como não podia deixar de ser, que por ser do Algarve impressiona ainda mais do que seria expectável, mas a realidade consegue sempre ultrapassar a ideia…!

Classificação: 16/20                            Preço: 15,50€

ft