Category Archives: Setúbal

Grandes ‘terroir’ para grandes vinhos… e grande Syrah!

Ermelinda Freitas, 100% Syrah, Casa Ermelinda Freitas, Península de Setúbal, 2014

Acabou de sair mais um Syrah da Casa Ermelinda Freitas, com o ano de 2014!
As vinhas estão situadas em Fernando Pó no concelho de Palmela. O solo é arenoso e o clima é mediterrânico. A fermentação deu-se em cubas-lagares de inox com temperatura controlada, e maceração pelicular prolongada. Estágio de 12 meses em meias pipas de carvalho americano e francês. As notas de prova dizem-nos que se trata dum vinho de “cor granada, concentrado. Aroma confitado a lembrar fruta preta muito madura, alguma especiaria, com toque balsâmico da casta. Na boca é muito cheio, aveludado com taninos presentes muito bem integrados. Final longo e persistente.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo é o nosso bem conhecido Jaime Quendera!

Não é preciso falar muito da casa Ermelinda Freitas, sobejamente conhecida no mundo dos vinhos, empresa familiar localizada em Fernando Pó, no concelho de Palmela. Nasceu em 1920 pelas mãos de Deonilde Freitas e neste momento, com Leonor Freitas, vai já na sua quarta geração. Esta assumiu o comando da sua mãe, que deu o nome aos vinhos da casa. Foi com a actual proprietária que surgiu o grande impulso dado à empresa pois foi ela que ampliou as vinhas que herdou, de sessenta hectares para os actuais trezentos e quinze hectares. A quinta inicialmente só tinha duas castas, Castelão (conhecida na península de Setúbal por piriquita – que acabou por dar o nome a um vinho da empresa concorrente, a José Maria da Fonseca) e a Fernão Pires, branca, também muito usada na região. Foi Leonor Freitas que introduziu todas as castas que a Casa Ermelinda tem actualmente e naturalmente o Syrah.

De referir que nas três gerações anteriores os vinhos não eram engarrafados e não tinham marca própria. Eram vendidos a granel e com uma qualidade que muitas vezes deixava a desejar. Sob a liderança da quarta geração tudo mudou! Percebe-se que Leonor Freitas não estava satisfeita com a herança recebida e munida de uma equipa onde se destaca o enólogo Jaime Quendera, mudou todo o “savoir faire” da Casa.

Aubert de Villaine, proprietário do Domínio de Romaneé-Conti, vinho da Borgonha, disse o seguinte:
“Não fico surpreso que as pessoas não identifiquem estes aromas todos nos vinhos que compram. Eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho isso muito aborrecido. Não estou interessado nisso, e sim na personalidade do vinho.”
E personalidade é coisa que este Syrah tem desde a primeira colheita de 2004!
Também concordamos que a personalidade é o mais importante: no Syrah assim como nas pessoas!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 9,99€


 

Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2016

Em Maio do ano passado apresentávamos o primeiro Syrah de 2015, justamente a primeira colheita deste Syrah Vinhas de Pegões!
Hoje estamos aqui para apresentar a segunda colheita!
E que enorme diferença existe entre uma e outra. Se a de 2015 nos tinha empolgado pela qualidade e pelo preço, sendo a escolha no final do ano para o prémio de melhor Syrah na categoria qualidade/preço, já esta colheita de 2016 é o oposto da anterior. Os aromas, a fruta e o gosto a cravinho estão lá mas em dose exagerada…Tão exagerada que o conjunto se torna enjoativo. Não, este Vinhas de Pegões  Syrah 2016 não convence…e abrimos várias garrafas ao longo de um mês. O resultado foi sempre o mesmo! Algo correu mal na elaboração/fermentação deste Syrah. Talvez a ânsia de o colocar tão depressa no mercado possa ter provocado desleixo e o resultado é este.

No entanto as indicações que possuímos indicam que a fermentação alcoólica deu-se em cubas lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento de 4 meses em madeira americana e francesa, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado. Tem prevista em termos de longevidade uma evolução positiva pelo menos nos primeiros 7 anos. As notas de prova falam “de frutos vermelhos e pretos bem maduros típicos da casta, bem integrado com a madeira, compota, cheio de taninos macios, final longo.” A graduação alcoólica é de 14%.

A Adega Cooperativa de Pegões regista uma diversidade de marcas para a sua gama de produtos, que vai desde os vinhos de mesa passando pelos regionais, DOC, Garrafeira, Colheita Selecionada, Moscatel, Aguardentes, Espumantes, etc. Vende a totalidade da sua produção engarrafada ( mais de 9.000.000 de litros) 65% para o mercado nacional e 35% para o internacional. Talvez por ser este colosso vitivinícola é que às vezes algo pode correr mal! Mas tem que existir controlo de qualidade. Este Syrah assim não dá mesmo para beber! Uma solução que o Blogue do Syrah experimentou foi decantar uma garrafa e deixar o decanter em repouso durante três dias! Estava melhor, mas mesmo assim longe, muito longe da colheita anterior!

O escritor e prémio Nóbel da Literatura Hermann Hesse escreveu:
“Muitas vezes procurei essa alegria, esse sonho, esse esquecimento, numa garrafa de Syrah. E não raramente isso me ajudou. Fique-lhe registado o meu agradecimento. Mas o Syrah não me bastava.”
O Syrah Vinhas de Pegões 2016 não tem essa alegria, esse sonho!

 

Classificação: 14/20                                   Preço: 2,49€


 

Quinta do Monte Alegre, Xavier Santana, 100% Syrah, Setúbal, 2014

O Syrah 2014 da Quinta do Monte Alegre aparece pouco tempo depois de termos apresentado o seu irmão de 2013. A colheita continua a ser como a anterior, de qualidade superior. Ficamos todos a ganhar. O produtor mas também, como é óbvio, o consumidor.

A Quinta do Monte Alegre está localizada em Fernando Pó, terra de vinho por excelência. Em termos de notas de prova, podemos falar de “fruta preta densa, notas químicas de alcatrão, cacau tostado, num todo intenso e imponente. Encorpado e texturado, com acidez alta bem integrada, taninos finos bem envolvidos, tudo franco, bem feito, directo.” Tem uma graduação alcoólica de 14,5%, ao contrário do Syrah do ano anterior que tinha 14%.

A Adega Xavier Santana foi fundada em 1926 por Xavier Santana precisamente, empresa que permaneceu em seu nome próprio até à década de 70, quando foi constituída em Sociedade Familiar com a designação actual de XAVIER SANTANA SUCESSORES, LDA. A actividade comercial da empresa centrou-se inicialmente na produção e comercialização de vinhos em barril e na preparação de azeitonas de mesa, na sua adega localizada na vila de Palmela, até aos dias de hoje. Em 1990, a conjuntura de mercado proporcionou o investimento da empresa no engarrafamento dos vinhos como aposta na sua expansão a vários níveis, sustentada pela relação superior de qualidade/preço dos seus produtos. Com o engarrafamento dos seus vinhos, a Xavier Santana apresentou-se ao consumidor com a marca de vinho de mesa Casta Rica, à qual se seguiu a marca Xavier Santana para vinho generoso, e mais recentemente, as marcas Terras da Vinha e Quinta do Monte Alegre, vinhos de Indicação Geográfica ‘Península de Setúbal’ e ‘Palmela D.O.’ respectivamente – os quais vieram a assinalar um novo patamar evolutivo na história da empresa.

O escanção Daniel Santos, com muita piada, disse:
“Syrah é a vingança masculina ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!”
Então olhem, mais uma garrafa da Quinta do Monte Alegre para a minha garrafeira, para na altura devida ser apreciado e alegrar o coração de quem bebe com sabedoria, nem que seja beber por um sapato… de mulher!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 5,50€


 

Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2013

Apresentamos aqui mais um Syrah de Pegões, desta vez de 2013. Este Syrah existe desde 2004, ano da primeira colheita. Daí para cá tem havido Syrah  novo todos os anos, e assim esperamos que continue. O presente é o que se encontra no mercado!
A partir de 2011 o volume de garrafas produzidas fixou-se nas 20000. É um bom indicativo, quer da qualidade do produto em relação ao preço, quer da reacção positiva do consumidor português em relação ao Syrah. Reacção esta que por nós haverá de ser cada vez mais entusiasta e total. Estamos aqui para isso!

O enólogo é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. O envelhecimento foi de 12 meses em pipas de carvalho americano e francês, seguido de 4 meses em garrafa, antes de ser lançado no mercado.

A Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, é o seu nome completo, é um verdadeiro colosso no panorama vitivinícola português! Produz 12 milhões de garrafas de vinho por ano, distribuídas por 48 referências, que é assimilado em 75% pelo mercado nacional. Os outros 25% são para exportar, praticamente para todo o lado. Apresentar aqui a lista de países nos diversos continentes em que os vinhos da  Cooperativa de Pegões estão representados seria fastidioso, mas interessante, porque são algumas dezenas!
A Península de Setúbal, região onde estão situadas as vinhas da Cooperativa de Pegões, assim como outras grandes herdades de que já aqui falámos e continuaremos a falar, é caracterizada por um microclima com óptimas condições climáticas, únicas onde se destaca os solos arenosos ricos em água e o clima Mediterrâneo com influência marítima devido à proximidade do mar. A perfeita harmonia destes elementos favorecem o desenvolvimento de castas nobres perfeitamente adaptadas originando vinhos de qualidade.

Eis portanto um bom Syrah, com uma boa relação qualidade/preço e que pode muito bem fazer justiça à frase de Jean Gabin, actor francês:
“Eu beberei leite no dia que as vacas comerem uvas.”
O que interessa que fique para a história é o seguinte: quem beber Syrah da Adega de Pegões faz uma óptima escolha, tenham ou não as vacas comido uvas.
É isso mesmo!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 4,99€


 

Vinha do Rosário, 100% Syrah, Casa Ermelinda Freitas, Península de Setúbal, 2015

Se na Península de Setúbal há casas vinícolas que apesar de terem um bom monocasta Syrah decidem parar com a sua produção, há outras bem mais inteligentes que tendo já um mono varietal de Syrah apostam num segundo. Viva!

É o caso presente da casa Ermelinda Freitas, que lançou, com o ano de 2015, este Syrah a 100%, com a marca da gama de entrada Vinha do Rosário. Conhecendo muito bem o outro Syrah da casa, feito pela mestria de Jaime Quendera, e por ser gama de entrada, assim como pelo preço, mesmo muito acessível, a qualidade demonstrada foi uma surpresa. Mas este hoje aqui também é um Syrah Jaime Quendera e quando temos um mestre a fazer Syrah, as nossas expectativas não devem ser baixas!

Não é preciso falar muito da casa Ermelinda Freitas, sobejamente conhecida no mundo dos vinhos, empresa familiar localizada em Fernando Pó, no concelho de Palmela. Nasceu em 1920 pelas mãos de Deonilde Freitas e neste momento, com Leonor Freitas, vai já na sua quarta geração. Esta assumiu o comando da sua mãe, que deu o nome aos vinhos da casa. Foi com a actual proprietária que surgiu o grande impulso dado à empresa pois foi ela que ampliou as vinhas que herdou, de sessenta hectares para os actuais trezentos e quinze hectares. A quinta inicialmente só tinha duas castas, Castelão (conhecida na península de Setúbal por piriquita – que acabou por dar o nome a um vinho da empresa concorrente, a José Maria da Fonseca) e a Fernão Pires, branca, também muito usada na região. Foi Leonor Freitas que introduziu todas as castas que a Casa Ermelinda tem actualmente e naturalmente o Syrah. De referir que nas três gerações anteriores os vinhos não eram engarrafados e não tinham marca própria. Eram vendidos a granel e com uma qualidade que muitas vezes deixava a desejar. Sob a liderança da quarta geração tudo mudou! Percebe-se que Leonor Freitas não estava satisfeita com a herança recebida e munida de uma equipa onde se destaca o enólogo Jaime Quendera, mudou todo o “savoir faire” da Casa.

O Syrah Vinha do Rosário, com 14,5% de teor alcoólico, teve fermentação em cubas-lagares de inox com temperatura controlada, e maceração pelicular prolongada. Estágio de 4 meses em madeira francesa 50% e americana 50%. Isto deu origem a um Syrah “de cor granada /rubi, concentrado, rico em taninos de boa qualidade, muito complexo e cheio no boca , com aromas a lembrar frutos pretos muito maduros, compota e especiarias , bem conjugado com a madeira que lhe dá um toque de baunilha. Final de boca persistente e prolongado“.

O provérbio popular diz que:
“Enquanto o vinho desce, as palavras sobem.”
As palavras já subiram, como se pode ver, só com o abrir da garrafa.
Falta o Syrah descer.
Vamos a isso!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 2,99€


 

Cascalheira, ASL Tomé, 100% Syrah, Setúbal, 2015

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Mais um Syrah de 2015, e de Setúbal!
A península de Setúbal tem sido pródiga em lançar Syrah de 2015, o que nos deixa sempre contentes, porque o que tem acontecido é os Syrah da última colheita serem de qualidade superior aos anteriores. E mais uma vez isso acontece aqui!

Este Syrah do Pinhal Novo, cujas instalações foram visitadas por nós como aqui se documenta, é um vinho de qualidade, mas a um preço muito acessível, abaixo dos quatro euros, o que é sempre de louvar! Este Syrah é feito desde 2008, e com grande sucesso. Todo ele comercializado na zona e arredores, em termos de restauração, sem nunca considerar o resto do país ou a exportação.

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O Cascalheira Syrah é um vinho de taninos envolventes, macios e maduros, com fruta bem madura, de que resulta um vinho suave e encorpado. A vinificação foi feita em cubas de inox após um desengace completo, onde terminou a fermentação alcoólica com temperatura controlada, depois de maceração prolongada. Seguiu-se um curto estágio de 3 meses em carvalho francês. Apresenta cor intensa, notas de fruta preta, acidez marcante e final longo. Aroma limpo. Na boca apresenta boa estrutura e boa persistência. Possui uma graduação alcoólica de 14,5%.

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Cada garrafa é vendida à porta da adega a 3,5 euros, preço que sobe quando o Syrah é vendido na restauração da zona. A este tema disse-nos o produtor Carlos Branco: “A nossa preocupação sempre foi a de produzir um Syrah ao nível dos Syrah de topo que se fazem na Península de Setúbal, mas a um preço muito mais contido, com o intuito de obter uma relação Qualidade/Preço benéfica para o consumidor. Conseguimos fixar o preço final em 3,50€ cada garrafa e não pensamos alterar o preço nos próximos anos.” A venda traduz-se principalmente em vinho engarrafado, embora ainda subsista a venda de vinho em barril (a granel) em muitas das tabernas do distrito de Setúbal.

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Recentemente, a firma ASL Tomé passou a fazer parte da Rota das Adegas da Península de Setúbal, tendo para o efeito recuperado uma casa de lagares antiga, onde decorrem com frequência eventos de cariz cultural (concertos, workshops), provas de vinhos, festas temáticas e conferências, havendo ainda uma galeria para exposição de pintura e fotografia.

O escritor Roland Betsch escreveu:
“No vinho estão a verdade, a vida e a morte. No vinho estão a aurora e o crepúsculo, a juventude e a transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo. No vinho espelha-se a vida.”
Assim mesmo!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 3,50€