Monthly Archives: August 2015

Casa da Atela, Quinta da Atela, 100% Syrah, Tejo, 2007

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Na região vitivinícola do Tejo estamos mais uma vez para conhecer o Syrah da Quinta da Atela.

Um Syrah que se bebe razoavelmente bem, mas que não encanta, e com um preço algo exorbitante para a qualidade apresentada. Por esta quantia é possível encontrar Syrah bem superior, em aromas presentes, corpo, enfim, em complexidade, ao do Syrah Casa da Atela.

Feito pelo enólogo António Ventura e com 13,5% de graduação alcoólica, este Syrah apresenta-se com as seguintes notas de prova: “Cor rubi, aromas elegantes de frutos negros e chocolate, com um toque de baunilha discreto. Estrutura de boca bastante elegante com taninos muito sólidos de excelente qualidade e final de persistência longa.”

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Situada no Ribatejo, concelho de Alpiarça, a cerca de 100km de Lisboa, a Quinta da Atela pertence à mesma família à várias gerações. Descobertas feitas pelo Instituto Arqueológico Alemão indiciam que o cultivo da vinha nesta Quinta remonta à época romana.

Nos anos noventa teve lugar a última reconversão da vinha e recentemente procedeu-se a uma profunda reestruturação na adega. Actualmente a Quina da Atela é uma das referências da região Tejo, reconhecida com diversos prémios ganhos em concursos cá dentro e lá fora.

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Implantados em solos arenosos, os 130 hectares de vinha gozam de uma localização e exposição solar privilegiadas. A vinha é constituída por uma parte em idade nobre, cerca de 50 anos, e por outra mais recente, cerca de 10 anos.

Com 85% de castas tintas e 15% de castas brancas, as tradicionais e históricas castas nacionais ocupam 60% da área da vinha sendo a restante área ocupada por castas estrangeiras criteriosamente seleccionadas.

A adega perfaz uma área total de 4000 m2, divididos em zona de vinificação, zona de armazenagem, zona de estágio em barricas de madeira, linha de engarrafamento, zona de estágio em barricas de madeira, linha de engarrafamento, zona de estágio de garrafas e laboratórios. Em 2003 foi construída uma nova zona vinificação, equipada com a mais moderna tecnologia, totalmente em aço inox e com controlo de temperatura.

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A ampla zona de armazenagem tem uma capacidade superior a 2 milhões de litros.

O poeta Mário Quintana escreveu: “Por mais raro que seja, ou mais antigo, só um Syrah é deveras excelente… Aquele que tu bebes, calmamente, com teu mais velho e silencioso amigo.”

Talvez o Syrah da Quinta da Atela se aproxime da excelência se bebido com um grande amigo, mesmo assim temos as nossas dúvidas!

 

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,80€

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Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Estamos em Évora, ao lado da Quinta da Cartuxa, um terroir abençoado por Deus e bonito por natureza, que nos trouxe o fantástico “Scala Coeli” já por nós analisado, para apresentar ao mundo português um Syrah a 100%, e ainda por cima biológico, que nos deixou em completo êxtase, pela maravilha do conjunto que representa: aroma, cor, e aquela simplicidade complexa de paladar, que nos leva para além do mensurável. Mas atenção: é preciso algum tempo e pelo menos duas garrafas bebidas com amigos, para chegarmos à conclusão de que estamos perante o culminar da perfeição em termos de um vinho tinto.

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E agora, antes de contarmos a história do Dona Dorinda, deixem-nos cumprir um desabafo: estamos prestes a concluir que o concelho de Évora poderá muito bem ser o lugar cimeiro dos Syrah portugueses. Vejam bem: Grande Comenda, de que falaremos brevemente, Scala Coeli, que já referimos, Humanitas, que sairá brevemente e agora este transcendente e elegante Dona Dorinda. Muitos Syrah topo de gama num único concelho, é obra!

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Continuemos. Tudo começa quando um casal constituído por um holandês, Winkelman, e uma norte-americana, Dorinda, nome de origem indígena, decidem há mais ou menos uma década vir passar férias à nossa Lusitânia. Conhecem, entre outros lugares, Évora, e ele, já com uma grande paixão pelos vinhos do Vale du Rhône, decide comprar um terreno, que liga com a cidade, para plantar uma vinha. Conhecem um alentejano de quatro costados, Vítor Conceição de seu nome, “um bom moço” como só os alentejanos costumam dizer, que mete mãos à obra e realiza o sonho do ecléctico par: dar vida a uma vinha com 85% de Syrah e 15% de Viognier, como manda a tradição francesa.

A primeira safra ainda se consegue encontrar por aí, já na sua ponta final, pois quase toda ela, à excepção da cidade de Évora, foi para o mercado externo principalmente para a cidade de Nova York para abastecer dois restaurantes de luxo em que a Dona Dorinda é vendido a 90 dólares a garrafa. Agora, e durante sabe-se lá quanto tempo, também se vende na garrafeira Estado de Alma. Quem ficar com água na boca de nos ler, pode correr para lá em busca de um néctar para lá do imaginável.

E agora alguns dados sobre a vinificação. Vindima manual nocturna. Maceração carbónica a frio cerca de 12 meses. O envelhecimento esse foi feito em carvalho francês, pois claro, durante 12 meses. As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.”

As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um todo sustentável. Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, (embora entretanto mais hectares tenham sido plantados) encontra-se instalada em forma de “meia-lua”, chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer. Notável!

O produtor indica na ficha técnica que o prazo de evolução do Dona Dorinda é de 10 anos. Neste momento não conseguimos imaginar o que será por essa altura, mas há uma coisa que por experiência sabemos: este Syrah vai ter seguramente uma longevidade muito superior a 10 anos. Não temos dúvidas sobre isso!

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Com uma tiragem maior, este Syrah poderia tornar-se um verdadeiro ícone nos Syrah do mundo. Para nós é já uma referência que não podemos dispensar!

Umas palavras também para o design da garrafa, de um cuidado extremo, que, segundo os produtores, demorou muitos meses a conceber, até chegar a este requinte de graça e estilo muito próprios. Gostamos imensamente.

Duas pequenas notas são necessárias ainda.
A primeira, um agradecimento público ao José Pombinho, de Évora, leitor assíduo do Blogue do Syrah, que nos alertou em primeira mão para a excelência do Dona Dorinda, um muito obrigado.
A segunda para dizer que a Quinta de Nossa Senhora da Conceição não se vai ficar por aqui. A segunda metade do ano promete ser de bom augúrio! É que está previsto a saída de duas safras do Dona Dorinda: a de 2011,ou seja, a anterior a esta que analisamos e a novíssima de 2013. A concretizar-se esta intenção, podemos ter de concluir que este pode ficar para a história como o “ano Dorinda”!

Este é de facto um texto pleno de pontos de exclamação, pelos melhores motivos.
E mais um: reparem na relação qualidade-preço!

Habitualmente o Blogue do Syrah apresenta uma citação dum autor minimamente consagrado para acompanhar o Syrah analisado. Hoje apresentamos a nossa própria reflexão pessoal, influenciada pela degustação de um Dona Dorinda celestial, que deixa marca indelével e sagrada:

“O Syrah é o único objecto religioso!”

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 16,95€

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Quatro truques para se livrar das nódoas de Syrah

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Apresentamos hoje algumas maneiras de acabar com as difíceis e persistentes nódoas do nosso bem amado Syrah. E que resultam mesmo. Porque há manchas e nódoas que, mesmo perante o batalhão de produtos existentes no mercado, insistem em atormentar a roupa e seus proprietários. O monocasta Syrah, por exemplo,  dito por nós, é um dos alimentos que leva a sua teimosia ao máximo nível.

Mas damos aqui uma boa notícia. Não precisa de comprar nenhum produto específico e a preço exorbitante para resolver o seu problema! Afinal, a resposta contra estas manchas está nos armários da cozinha, ou facilmente acessível no seu restaurante favorito.

Eis então que, para retirar as nódoas de Syrah, pode optar por usar os seguintes procedimentos:

 

Água gaseificada

Despeje algum conteúdo de água com gás sobre a mancha até que a sua cor se desvaneça. Deixe a peça secar ou retire o excesso com papel de cozinha.

 

Sal

Mas apenas funciona para manchas acabadas de criar: deite sal de mesa na nódoa e se disponível também algumas gotas de sumo de limão. Ao fim de uma hora, lave a peça de roupa com água e sabão.

 

Leite

Mas também apenas em manchas recentes. Em primeiro lugar, retire o excesso de vinho com papel de cozinha sem que a nódoa se espalhe na peça de roupa. Logo a seguir, despeje algum leite na mancha e espere que a roupa absorva a maior quantidade possível deste produto. Uma hora depois, a nódoa desaparece.

 

Creme de barbear

Desta vez para nódoas que já tenham secado. Coloque o creme sobre a mancha e meta-a na máquina de lavar roupa com água quente.

 

Fez sentido?
Então não se esqueça, acima de tudo tente prevenir os actos que levam às nódoas, até porque assim evita o desperdício de Syrah!