Monthly Archives: September 2015

Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Havia muito que era devido começarmos a falar de Cortes de Cima e, claro, dos seus Syrah. Até que chegou a sua hora, que tudo acontece quando tem de ser.

Antes disto houve questões importantes que quisemos colocar a quem de direito e que não estavam respondidas no site oficial da herdade ou em qualquer dos outros lugares habituais. Já em 2013 tentámos um primeiro contacto telefónico. Nessa altura não havia ainda Blogue do Syrah e as tentativas foram infrutíferas. Em Agosto de 2015 estávamos a 50 km de Cortes de Cima e voltámos a telefonar. O simpático José Eduardo, que atendeu o telefone, o homem da informática de Cortes de Cima entre outras coisas, já conhecia o Blogue do Syrah e conseguiu que fossemos recebidos nesse mesmo dia com a dinâmica e empenhada assistente de enologia Helena Sardinha. Aos dois um obrigado especial do Blogue do Syrah, ainda mais porque na véspera de sermos recebidos tinham começado as vindimas em Cortes de Cima, e sabemos bem de como a vida de uma propriedade agrícola é bem complicada na época das vindimas, seguramente a altura mais importante do ano!

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Falar de Syrah no Baixo Alentejo é falar obrigatoriamente de Cortes de Cima. Quando ainda por cima lá existem três Syrah! Se exceptuarmos a Quinta do Monte d`Oiro, de que iremos falar brevemente, Cortes de Cima é a propriedade agrícola que tem mais Syrah em simultâneo. E que igualmente apresenta maior continuidade durante mais safras de todo o país. Só isso chegaria para marcar a diferença. Mas há uma outra questão ainda mais importante: são todos de classe superior, diríamos mesmo mais, são todos especiais e empolgantes!

Hoje não iremos falar do Syrah da gama de entrada, também não falaremos ainda do topo de gama da casa e que foi o primeiro Syrah que Cortes de Cima produziu e que tem uma história incrível que iremos contar outro dia, mas do Syrah do meio, digamos assim, que foi o primeiro dos três que conhecemos.

A história conta-se desta forma singela: quando começou a nossa aventura de descobrir e divulgar os Syrah portugueses, este Homenagem foi dos primeiros a surgir na nossa investigação, mesmo também por se encontra largamente disponível em cadeias de hipermercados, e desde logo o nome suscitou enorme surpresa e curiosidade. Conhecíamos o escritor de contos para crianças Hans Christian Andersen mas não compreendíamos o porquê de um vinho alentejano ter o nome de um escritor dinamarquês. Como se diz em bom vernáculo: “Não batia a bota com a perdigota”. E isso levou-nos a investigar a história por detrás deste nome. Aí ficámos a saber que o produtor de Cortes de Cima, Hans Kristian Jorgensen, reparem na similitude dos nomes, é originário da Dinamarca e que se estabeleceu em Portugal com a mulher Carrie Jorgensen nesse ano já longínquo de 1988, e mudou o mapa dos vinhos alentejanos para sempre. Este Syrah foi na altura um desafio lançado pela embaixada da Dinamarca em Portugal para comemorar o 2º centenário do nascimento do supracitado escritor de contos infantis, Hans Christian Andersen (1805-1875). Três Dinamarqueses, Hans Kristian Jorgensen, o viticultor e enólogo de Cortes de Cima, juntamente com a sua prima, a artista gráfica Karen Blincoe, e a sua filha, a artista Anna, uniram-se para criar um vinho muito especial, e logo 100% Syrah, como nós gostamos que seja!

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No ano de 1866, Hans Christian Andersen viveu três meses em Portugal, país ao qual chamou o “paraíso terrestre”, vá-se lá hoje compreender porquê. O texto contido na parte da frente da etiqueta que costuma acompanhar o Homenagem foi retirado do conto “O Sapo”, escrito durante a sua estadia em Portugal. Para assinalar este evento, foi criada a Fundação “HCA-abc”, instituída em nome de H. C. Andersen, com a finalidade de permitir que crianças e jovens de todo o mundo, tenham a oportunidade de aprender a ler e escrever. Para ajudar o objectivo humanitário desta Fundação, a Cortes de Cima faz uma doação por cada garrafa vendida. Beber este Syrah é também um acto filantrópico!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas.

O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo,  mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida ficarão apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 30,00€

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O Blogue do Syrah na rota dos Syrah do Alto Alentejo!

Foi uma sortida muito proveitosa, esta que o Blogue do Syrah realizou ao Alto Alentejo, na demanda de alguns Syrah que daqui saíram durante 2015!

De Lisboa, fomos directamente para Estremoz, onde o Syrah tem grande presença e onde existe um número considerável de monovarietais da casta que nos interessa e encanta.

Mas antes disso uma paragem pelo castelo de Évora-Monte para olharmos a imensidão quase infinita do Alto Alentejo.

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Já em Estremoz as vinhas por onde passámos estavam lindas, viçosas de se ver.

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Na hora de almoço… onde deveríamos almoçar? Obviamente no restaurante “São Rosas” da produtora e cozinheira afamada Margarida Cabaço. Duplamente afamada! Pela cozinha e pelos Syrah.

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E aqui destacamos o topo de gama Margarida Syrah 2008, do qual já demos conta aqui. Pela cozinha, reparem o que foi o almoço: Sopa de tomate alentejana, bochechas de porco preto acompanhadas por migas de espargos e lombo de porco com ameixas e puré de maçã. O vinho tinha que ser da casa até por simpatia, naturalmente um Monte dos Cabaços. Uma nota curiosa a realçar: O Blogue do Syrah não conhecia o Monte dos Cabaços, nem tinha que conhecer até porque se trata de um blend, mas ao primeiro golo dissemos: este blend tem Syrah! Perguntamos ao empregado dos vinhos quais eram as castas que compunham este vinho e ele limitou-se a dizer o que estava escrito no rótulo: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet!, mas também dizia no rótulo “e outras castas”. Quando perguntei à Margarida, confirmou efectivamente que o Blend Monte dos Cabaços tinha uma percentagem, que não quis partilhar, de Syrah!

Syrah, tu já não me enganas!!

Deixando Estremoz para trás, zarpámos para Elvas, onde pernoitamos, não sem antes termos admirado as inúmeras vinhas que pontuam o caminho.

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No dia seguinte a portuguesa Olivença era o destino.

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Após a visita cultural que se impunha ao único baluarte não resgatado ao Império Castelhano, o regresso a Elvas onde a preparação psicológica para o outro dia se fez com Bacalhau dourado à moda de Elvas e plumas de porco preto, no restaurante “O Lagar”. Blends típicos alentejanos, a acompanhar, para contento de todos os participantes.

No dia seguinte após a visita demorada ao centro histórico saímos rapidamente de Elvas pois o destino era Ebora Liberalitas Júlia hoje em dia com o nome de Évora, o grande destino que suscitou toda esta movimentação e ao fim e ao cabo a escrita deste texto. O Blogue do Syrah faz aqui uma pausa para fazer uma premonição:

Atenção aos tambores!…

Aqui vai: Évora poderá muito bem tornar-se num futuro próximo a grande capital do Syrah português. O número de Syrah classificados pelo Blogue do Syrah com notas de nível superior no concelho de Évora é o mais elevado do país, comparativamente a outras zonas.

Quando estes pergaminhos estiverem bem firmados, Évora como capital do Syrah poderá lançar-se para ao mundo, com gravidade rejubilante o dizemos!

O restaurante Mr. Pickwick recebeu-nos pois de braços abertos e presenteou-nos com Borrego assado no forno com Batata assada. A acompanhar mais Blends típicos alentejanos, sempre com toques de Syrah aqui e ali. Que não passe pela cabeça de ninguém tentar listar analiticamente os blends alentejanos que contenham uma percentagem de Syrah. Se alguém pouco ajuizado tentar a façanha não terá hipótese de fazer mais nada o resto da vida, e temos muitas dúvidas que consiga concluir o empreendimento. É que são milhares! Mas adiante.

O momento alto desta visita, na perspectiva do Blogue do Syrah, era a visita à Quinta de Nossa Senhora da Conceição, mesmo à saída de Évora, no caminho de Arraiolos, logo a seguir à Herdade da Cartuxa.

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O grande objectivo era conhecer o espaço físico, social e mental da Quinta, sem mais rodeios, até porque os franceses há muito tempo que numa só palavra explicaram tudo isto e chamaram-lhe “terroir”, do território que produz um Syrah a 100%, o Dona Dorinda, que obteve a mais alta classificação atribuída pelo Blogue do Syrah, como se pode confirmar aqui.

Na ausência de Victor Conceição, a passar umas merecidas férias em ilhas portuguesas, fomos recebidos por Luís Caeiro, que não deixou por mãos alheias os pergaminhos da Quinta. Foi uma visita de luxo, com um anfitrião sabedor, que respondeu a todas as questões sobre Syrah, sobre a quinta e até sobre energias positivas, como já antes tínhamos contado. A Quinta de Nossa Senhora da Conceição tem no total 27 hectares e uma produção de raiz orgânica e com bastante água, aqui indispensável.

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Um pomar, um olival, uma horta onde se produz um pouco de tudo, até beldroegas, que no final trouxemos para Lisboa, com as quais fizemos uma sopa com esse mesmo nome, mais um queijo de cabra curado, e a acompanhar, Syrah, obviamente. A vinha tem 2,2 hectares em forma de meia lua e foi plantada em Abril deste ano uma nova vinha que será enxertada para syrah no próximo ano com 1,8 hectares.

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Daqui a 3 anos teremos um total de 4 hectares a produzir em pleno e aí a produção já poderá alcançar valores ainda hoje distantes.

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Tivemos oportunidade de provar vários bagos de uva Syrah em sítios diferentes da vinha e o nosso espanto foi total porque estando nos princípios de Agosto a uva estava doce como nunca pensámos que pudesse estar, quando ainda faltavam várias semanas para o tempo nobre das vindimas.

A seguir seguiu-se uma prova do Dona Dorinda Syrah 2012 que apesar de o conhecermos bastante bem é sempre “um momento alto” bebermos uma nova garrafa, cuja safra, ainda por cima está quase a acabar.

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A visita ao Alto Alentejo estava na sua ponta final. Faltava o regresso a casa e a convicção de que o concelho de Évora tem um futuro glorioso como produtor de Syrah de altíssima estirpe!…

O enólogo americano Robert Noecker escreveu:
“O meu único arrependimento na vida é não ter bebido champanhe suficiente.”
Parafraseando poderíamos dizer que a vida será excepcional se no fim pudermos dizer:
“O meu único arrependimento na vida é não ter bebido Syrah suficiente.”
Mas estamos a fazer um esforço para contrariar esta afirmação, todos os dias da nossa vida!


 

Herdade do Meio, 100% Syrah, Alentejo, 2004

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Mais um Syrah alentejano, mais um infelizmente esgotado. É de mestre António Saramago, mas que já não tivemos oportunidade de conhecer, daí que não tenha classificação.

Bem no coração do Alentejo, junto a Portel e a 25 quilómetros da Barragem do Alqueva, estende-se a Herdade do Meio, onde hoje se produzem, os três mais reconhecidos produtos tradicionais da região: o vinho, o azeite e o porco preto.

A área total da Herdade do Meio é de 69 hectares, dos quais 25 hectares são de vinha – 80% de castas tintas e 20% de castas brancas. Existem ainda 12 hectares de olival. O restante terreno está dedicado ao montado, com cerca de 200 porcos pretos, alimentados à base de bolota e em total liberdade.

As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor escura e aromas algo escondidos ainda, mas muito vivo, com leves notas frutadas e especiaria, no paladar está muito jovem mas já mostra complexidade e estrutura, madeira de qualidade e ligeiro couro, taninos marcantes e fruta mais vistosa, cheio de elegância, grande capacidade de longevidade e final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5%. O rótulo diz-nos que este Syrah foi produzido numa quantidade limitada de 6.200 garrafas. Teve um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês.

Uma das coisas verdadeiras que Mussolini disse, e por analogia nossa, foi que: “Os que bebem Syrah, vivem mais do que os médicos que o proíbem” O Syrah Herdade do Meio está esgotado, mas há outros tão bons e mesmo melhores!

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P.S. Depois deste texto estar escrito e pronto para publicar recebemos para nosso gaudio o email de um leitor do Blogue do Syrah, Gonçalo Jesus, a chamar-nos a atenção para a existência de uma garrafa deste Syrah bem escondida na loja gourmet do El Corte Inglês, de Lisboa. Zarpamos para lá com uma escolta de motociclos da GNR para mandar parar o trânsito à nossa passagem (não foi bem assim…mas podia ter sido) e lá conseguimos ao fim de tanto tempo de procura uma garrafa deste Syrah do mestre Saramago! Valeu a pena pois em prova cega com um Syrah australiano de 2002, o Fighting Flat da Redbank, de King Valley, o Syrah de Portel ganhou por KO! Um obrigado muito especial ao leitor Gonçalo Jesus e só é mesmo pena que este Syrah não tenha tido continuidade. Mas nunca se sabe!

 

Classificação: 18                                                 Preço: 22,50€


 

ACL, Adega Cooperativa da Labrugeira CRL, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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A nossa descoberta do Syrah Adega Cooperativa da Labrugeira é recente. E foi uma agradável surpresa. Somos de o considerar o melhor Syrah produzido por uma adega cooperativa nas regiões vitivinícolas de Lisboa e do Tejo.

A Adega Cooperativa da Labrugeira, situada no concelho de Alenquer, é actualmente a única adega cooperativa deste concelho, representando assim todos os viticultores cooperantes desta área, congregando desde 1973 as produções de mais de 400 sócios-cooperantes, produtores da zona norte do concelho. Com uma forte tradição na produção de vinhos de qualidade, a adega tem vindo a melhorar gradualmente as suas estruturas, sendo neste momento uma das adegas com melhor resposta às exigências enológicas. Em 2010 e 2011 as exportações estão próximas de 50% no total de facturação, salientando-se como relevantes neste contexto, os mercados emergentes da China, Rússia e Brasil e os mercados tradicionais como os EUA, Angola, Alemanha, França, Dinamarca e Suécia.

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Trata-se de uma região com forte tradição na produção vitivinícola e boas características de solo e de clima para a produção de vinhos de qualidade. A Adega tem vindo, desde 1992, a melhorar as suas estruturas de produção nomeadamente na vertente da qualidade e infraestruturas, dando resposta às atuais exigências enológicas e dos mercados consumidores. A sua produção média anual de mais de 4 milhões de litros permite-lhe engarrafamentos de escala, com bons binómios preço-qualidade, e tem vindo a alargar a sua oferta, que se estende actualmente a diversos vinhos certificados “DOC Alenquer” e “Regional Lisboa”, tendo como objectivo oferecer ao consumidor o que de melhor se produz na região de Alenquer e levando esses néctares aos quatro cantos do Mundo.

Sobre o nosso Syrah citamos as seguintes notas de prova: “Vinho tinto cor granada escura. Possui um aroma varietal muito intenso, macio, com um sabor ligeiro a baunilha. O vinho tem um longo final a frutos silvestres.” As uvas provenientes das encostas calcárias da Serra de Montejunto, são vinificadas no processo clássico com curtimenta. A fermentação alcoólica decorre em cubas de inox, com remontagem automática, com controlo de temperatura entre os 26º C e os 28ºC e são usadas leveduras seleccionadas. Após a fermentação malolática, decorre estágio em madeira. Depois de engarrafado tem um período de estágio de cerca de 3 meses. O enólogo responsável é o Eng. Vasco Miguel e o enólogo residente é o Nuno Pimentel.

O Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira teve três engarrafamentos durante o ano de 2009. O primeiro de 4500 garrafas e com uma graduação alcoólica de 13%. O segundo e a terceiro com 5000 garrafas cada e com uma graduação alcoólica de 14%, apesar do vinho ter sido feito todo na mesma altura. A safra no total deu origem a 14500 garrafas.

O Syrah da Adega Cooperativa da Labrugeira pode muito bem ser, segundo um dos nossos poetas maiores, Luiz Vaz de Camões, aquele “Ardente licor que dá alegria!”

 

Classificação: 15/20                                                   Preço: 4,90€

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Artefacto, Luís Duarte Vinhos, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Este é o único Syrah português que existe no mercado e que o Blogue do Syrah desconhece. E porquê? Não é por falta de tentativas da nossa parte! Vamos saber desta história.

Luís Duarte é um enólogo premiado em Portugal. Galardoado sucessivamente com o título de Enólogo do Ano em 1997, 2007 e 2014 pela WINE – Revista de Vinhos. Com mais de 25 anos de carreira, sempre no Alentejo, fundou em 2007 a Luís Duarte Vinhos, em Reguengos de Monsaraz, e hoje trabalha na produção, comércio e exportação de vinhos.

E foi aqui que começaram os nossos problemas. Há dois anos que tentamos de alguma maneira adquirir pelo menos uma garrafa deste Artefacto, sem sucesso. Isto porque simplesmente este Syrah não se encontra disponível em território nacional. Mesmo as várias vezes, e foram várias nestes dois anos, que chegamos telefonicamente à fala com o produtor, não houve grande interesse da parte dele em libertar algumas garrafas. Até mesmo a intervenção da garrafeira Estado d`Alma, com o interesse reforçado, foi infrutífera.

Deixem-nos contar os factos com mais detalhe. Numa consulta que fizemos ao blogue O Enófilo Principiante, surgiu-nos uma crítica justamente ao nosso arredio Artefacto Syrah. Através da caixa do correio mantivemos o seguinte diálogo com o blogger Sérgio Lopes:

Sérgio Lopes, seria possível dizer-me onde encontrou este artefacto Syrah que andamos à procura dele faz mais de um ano e tem sido impossível, inclusivamente junto do próprio Luís Duarte…
Obrigado pela atenção!

O Blogue do Syrah

Exacto, trata-se de um vinho bem feito. Apenas isso. Em Portugal não sei onde encontrar. Eu bebo-o aqui directamente do distribuidor, o irmão do Luís Duarte.

Melhores Cumprimentos / Best Regards,

Sérgio Lopes

Sérgio Lopes, obrigado pela resposta rápida e precisa! Para nós trata-se dos poucos Syrah que não conhecemos. Já agora e só por curiosidade quando diz “Eu bebo-o aqui directamente do distribuidor, o irmão do Luís Duarte.” … este “aqui” penso que se refere a alguma zona do Alentejo…não?
E já agora…o irmão não seria capaz de nos arranjar uma ou duas garrafas? Ou é pedir muito?

Um abraço vinícola

Obrigado!

Eu estou a morar em Luanda…

Estávamos longe de imaginar tal coisa!… obrigado na mesma!…

O Blogue do Syrah

Em registo muito pessoal pensamos que é um erro um produtor português só se preocupar com o mercado externo e descurar totalmente o mercado interno. Mais cedo ou mais tarde irá arrepender-se, dizemos nós.

Vamos pois falar citando sobre o que não conhecemos. As notas de prova –não confirmadas por nós – dizem que possui “cor ruby intensa. Aroma a fruta preta madura, especiarias, algum cacau e um toque balsâmico / mentolado. Boca redonda e fresca, focado na fruta, com taninos domados. A madeira confere-lhe uma boa estrutura estando perfeitamente integrada no conjunto. Apresenta um final sumarento e de boa persistência.” Estagiou durante 9 meses em barricas de carvalho americano. A graduação alcoólica é de 14%. Fica o vídeo, assim mesmo!

Acabamos com uma citação de Oscar Wilde:
“Quando se trata de vinho eu tenho gostos muito simples: sempre escolho o que é melhor”

Infelizmente neste caso é coisa que não podemos dizer, temos gostos simples, e tentamos sempre escolher o melhor, desde que esteja a nosso alcance!

 

Classificação:                                                  Preço: 8,00€


 

Quinta do Sampayo, Agroseber S.A., 100% Syrah, Tejo, 2004

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Este é um Syrah do Tejo que, mais uma vez, está esgotado sem mais agravo. Não o conhecemos e a informação disponível é escassa.

Produzido pela Agroseber, empresa sediada no Cartaxo, tanto quanto se sabe é safra única, do ano de 2004. Produziram-se 13 mil garrafas.

De origem relativamente recente, destaca-se na produção de vinhos de reconhecida qualidade e já várias vezes premiados, a empresa Agroseber, S.A., com centro de vinificação na Quinta Nova – Cartaxo, que oferece vinhos tintos, oriundos das suas quintas, com garantia de qualidade e à altura do gosto do apreciador. Como filhos do Ribatejo que são, os vinhos da Agroseber apresentam-se joviais, bravios, cheios de vida, mas nunca perdendo a postura. São carregados na cor e têm aromas muito intensos, onde dominam os frutos vermelhos muito maduros, lembrando compotas de fruta, complexados com os abaunilhados da madeira. Na boca têm a força taurina dos taninos, num conjunto cheio de estrutura e elegância que fazem lembrar o “bailado” dos cavalos na praça de touros.

As notas de prova dizem que tem “Cor granada clássica, tal como o nariz, mostra uma fruta levemente confitada, cassis, cereja, mas especialmente balsâmico, com notas de farmácia e licor e ervas, um tanto de exótico. Muito interessante, com um leve sentimento de falta de maturação que no conjunto não destoa. Na boca mostra boa garra, com menor envolvimento e mais componentes fenólicas, que conferem aresta e ângulo à passagem do vinho. Termina curto, algo amargo. Pode no entanto ter bom papel com a comida adequada.”

Dum autor desconhecido conhecemos esta citação: “O vinho melhora com a idade. Quanto mais velho eu fico, mais eu gosto de vinhos.“. Ora este Syrah tal apareceu com a mesma velocidade com que desapareceu. Não deu para ficarmos velhos, nós e ele. Há coisas assim na vida!

 

Classificação:                                                     Preço: 13,50€