Monthly Archives: January 2018

Monte Barbo, Produções Vinícolas Da Beira Interior Lda, Reserva, 90% Syrah, 10% Cabernet Sauvignon, Beira Interior, 2012

Este é um daqueles momentos em que no Blogue do Syrah pensamos “vale a pena o trabalho de divulgação dos Syrah portugueses que andamos a fazer há mais de três anos”!
É um gosto desmesurado dar conhecimento de um novo Syrah e que tem imensos aspectos positivos a destacar.
Para além de ser um topo de gama trata-se da primeira colheita do Monte Barbo, propriedade de dez hectares, localizada no concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco. É portanto um Syrah da Beira Interior. O ano é de 2012.
Já está no mercado desde 2016 embora só agora é que o Blogue do Syrah teve conhecimento da sua existência.

No primeiro contacto com ele ficamos logo deslumbrados com a riqueza artística do rótulo, retro mas elegante, de uma beleza dificilmente igualável! Depois segue-se a grande surpresa de ser um Syrah com dez por cento de Cabernet Sauvignon. Em Portugal é a primeira vez que um produtor arrisca tal combinação. Se tal chegar ao conhecimentos dos Franceses, sem degustarem o néctar, dá-lhes um ataque cardíaco! O importante é que os franceses não são para aqui chamados, e o resultado final é que interessa.

O Monte Barbo é uma pequena propriedade, como já foi dito, que produz 70000 garrafas divididas por quatro tipos de vinho. Do Reserva Syrah 2012 foram feitas 10000 garrafas. E temos a garantia de que para o princípio de 2018 teremos uma nova colheita do Syrah/Cabernet Sauvignon. As notas de prova oficiais dizem-nos que “Apresenta cor violeta profunda, com notas de frutos silvestres (amora) bem maduros conjugadas com nuances tostadas do estágio em carvalho francês. Na boca é fresco, agradável, elegante mas estruturado com taninos equilibrados. Muito persistente.” Nós acrescentamos, se faz favor, “e complexidade aromática”. Tem 15% de graduação alcoólica. No que respeita à vinificação a vindima manual foi feita em caixas de 20 kg de castas com selecção prévia na vinha. A recepção na adega em mesa de escolha com eliminação de matéria prima defeituosa. Desengaçe total e esmagamento directo para a cuba de fermentação onde se procedeu a uma maceração a frio pré fermentativa. Fermentação alcoólica durante 6 a 8 dias a 30ºC. Maceração final durante 4 dias. Estágio em cascos de 300 litros de carvalho francês durante 12 meses.

Falemos agora um pouco sobre a história desta propriedade. Um dos responsáveis pela produção de Monte Barbo é Tiago Cristóvão com quem tivemos oportunidade de conversar para a elaboração deste texto. O Monte Barbo, como acontece muito em Portugal, é um vinho de família, fruto de uma produção muito seleccionada e de técnicas vitícolas e enológicas que aliam a tradição à modernidade. Tiago Cristóvão acredita que a qualidade e a essência do vinho Monte Barbo estão presentes, desde logo, na riqueza dos solos, na selecção das castas e na escolha minuciosa das uvas. Eis o que está na base da excelência deste Syrah. No que diz respeito ao Reserva 2012 só podemos confirmar o que está dito! A máxima desta casa, carregada de sentido é “A força do interior”! Durante quarenta anos Monte Barbo teve que fazer, como se costuma dizer, “das tripas coração”. Hoje o futuro apresenta-se radioso! Monte Barbo vai começar a exportar para o Luxemburgo e vai estar presente na próxima ProWein 2018 feira de vinhos e bebidas alcoólicas em Düsseldorf,  Alemanha que é considerada uma das feiras mais importantes da Europa!

O poeta persa dos séculos XI e XII Omar Khayyan no seu poema Rubaiyat, por nós citado até à exaustão, disse o seguinte:
“Quando Deus me criou sabia que eu beberia Syrah. Se me tornasse abstémio, a sua ciência estaria errada.”
Para o Enófilo o Monte Barbo Reserva 2012 poderá não ser ciência que é para o Enólogo, mas seguramente é uma obra de arte, por dentro mas também por fora!

 

Classificação: 19/20                                                            Preço: 18,98€

Grand´Arte, 100% Shiraz, DFJ Vinhos, Lisboa, 2014

Estamos perante a terceira colheita deste Shiraz, desta forma designado porque nos foi confidenciado que com a grafia do novo mundo, em vez de Syrah, vende muito mais em terras anglo-saxónicas! A primeira colheita foi em 2011 e a segunda foi em 2012. Esta é de 2014 e a qualidade mantêm-se!

O Shiraz Grand´Arte, da DFJ Vinhos, liderada por José Neiva Correia, nasce na Quinta Fonte Bela, em Vila Chã de Ourique, no concelho de Santarém, ou seja, é um regional de Lisboa. Possui uma graduação alcoólica de 13,5% e teve um estágio de três meses em barricas de carvalho francês. Diz-nos o produtor que se trata de um Shiraz “…equilibrado, com taninos macios e um toque de baunilha e especiarias. Muito suave, fácil de beber e ao mesmo tempo, intenso, persistente e saboroso.”

A DFJ Vinhos, uma casa que produz uma média anual de seis milhões de garrafas, distribuídas por 33 marcas e 77 vinhos diferentes, oriundos de quase todas as regiões vinícolas portuguesas. Tendo em conta o panorama português, poderíamos chamar à empresa do Eng.º Neiva um potentado vinícola.

A produção no nosso caso faz-se por método clássico de fermentação com desengace e contacto pelicular pré fermentativo seguido de aplicação de leveduras secas activas. Fermentação a 30ºC nos primeiros 2/3, e baixando para 20ºC durante o último 1/3. Durante todo o processo fermentativo são feitas 2 remontagens diárias utilizando em cada uma delas metade do volume contido na cuba. Após a fermentação alcoólica é mergulhada a manta durante 30 dias, durante os quais se procede à extracção dos taninos suaves, à fermentação maloláctica e estabilização natural do vinho. Estágio de 3 meses em barricas de 225Lt de carvalho francês da Seguin Moreau. Feito a partir de uvas seleccionadas da casta Shiraz, este vinho de cor granada mostra alta concentração de frutos com aromas de ameixas, amoras e chocolate. O estágio em madeira deu-lhe um equilíbrio perfeito e um final de boca deliciosamente macio. No total, já representa mais de 60 000 garrafas, com cerca de 35 000 garrafas vendidas para uma cadeia de restaurantes em Inglaterra.

O poeta romano Ovídio escreveu:
“Aquece o sangue, acrescenta brilho aos olhos, Shiraz e amor sempre foram aliados!”
Portanto vamos aquecer este Inverno com um brilhozinho nos olhos e este Shiraz Grand´Arte 2014!

 

Classificação: 16/20                                                         Preço: 7,95€

Quinta das Camélias, 100% Syrah, Jaime de Almeida Barros, Lda., Terras do Dão, 2015

O Syrah Quinta das Camélias foi o primeiro Syrah a aparecer no Dão!
Daí merecer só por este facto um carinho e uma atenção especial da nossa parte.
Apresentámos aqui a colheita de 2010.
Esta de 2015 está bem melhor!

Este Syrah, com 14,5 % de teor alcoólico, é de cor granada e tons violeta escuro. Segundo o produtor “apresenta aromas de framboesa, groselha, amora, tostado e defumado. Na boca é aveludado, com taninos bem integrados, com boa concentração de fenóis, complexo e encorpado”. Uma das perguntas que relembramos aqui, e que fizemos há anos ao produtor Jaime de Almeida Barros, era saber o que o tinha levado a plantar Syrah no Dão, quando nunca ninguém o tinha feito. A resposta foi simples e cristalina: “Tentativa de fazer vinhos diferentes.” E não há dúvida que o Syrah da Quinta das Camélias é diferente de todos os vinhos que se produzem nesta região demarcada.

A Quinta das Camélias situa-se na região demarcada do Dão, na aldeia de Sabugosa, a catorze quilómetros de Viseu. É uma propriedade com vinte e três hectares dos quais quinze estão ocupados com vinha. Foi adquirida em 2002 por Jaime de Almeida Barros, (que deve o gosto pela vinha ao pai, que também tinha sido produtor) tendo sido necessário proceder à reconversão total das vinhas existentes, devido à situação de semi-abandono em que a Quinta se encontrava. Em conversa com o proprietário ficamos a saber que a Quinta inicialmente tinha somente oito hectares e meio e foi aumentando sucessivamente para actuais vinte e três com a compra de treze parcelas de terreno.
Mas é verdade, e é preciso que se diga, houve muito boa gente que logo teceu críticas fortes ao facto da casta Syrah nada ter a ver com o Dão. A isso Jaime de Almeida Barros respondia que o mais importante era a produção de bons vinhos, e que fossem ao encontro do que o mercado pedia.

O encepamento da Quinta é constituído maioritariamente por Touriga –Nacional a sessenta por cento (apesar de ser dominante no Douro e estar distribuída por todo o país ela é originária do Dão) sendo os restantes quarenta por cento constituídos por Alfrocheiro, Tinta-Roriz, Jaen, (outra casta autóctone) e Syrah, que só ocupa dois hectares do total. Jaime de Almeida Barros pensa ainda plantar mais vinha devido ao aumento da procura.
E isso é óptimo porque parafraseando o desportista do mundo automóvel Kimmi Raikonen:
“Não se deve deitar fora aquilo que foi feito para se beber.”
Ora aí está, eis um Syrah para se degustar e sorver até à última gota!

 

Classificação: 17/20                                                                         Preço: 5,75€

Mundus, Adega Cooperativa da Vermelha, 100% Syrah, Lisboa, 2015

Ao longo da sua existência por duas vezes o Blogue do Syrah deu a nota impossível a um Syrah: a nota 0!
Explicamos desta forma a classificação 0: significa aquele Syrah mesmo intragável, que não é bebível, e mais, não é sequer digno de ser considerado vinho, quanto mais Syrah!
O texto completo pode ser lido aqui.

O primeiro Syrah que recebeu tal nota, o Syrah Encosta de Mouros 2009, da Bairrada, da Adega Cooperativa da Mealhada, já não existe, felizmente, porque a própria Adega foi encerrada permanentemente. O primeiro caso está resolvido!

O segundo caso foi o Mundus 2012, de Lisboa, da Adega Cooperativa da Vermelha, que lançou o mês passado a nova colheita deste Syrah e do ano de 2015. O receio era imenso devido ao passado. Mas o exame teve nota positiva, felizmente. Tudo mudou neste Syrah e para bem melhor. A garrafa, os rótulos e o mais importante a bebida de Baco que se encontra dentro desta nova garrafa! O Syrah Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha teve desde o princípio uma coisa a seu favor, o nome, Mundus, uma designação forte do ponto de vista do marketing, mas isso só não chegava. Segundo as notas de prova este Syrah “é um vinho estruturado, com aromas a frutos vermelhos sobremaduros conjugados com a madeira. Na boca apresenta-se macio e estruturado.” Foi fermentado à temperatura de 26ºC em cuba de inox e em sistema de curtimenta. Após o processo fermentativo foi estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho Americano.

Fundada em 1962 por um grupo de vinicultores da região, liderados pelo Engenheiro Carvalho Cardoso, a Adega Cooperativa de Vermelha começou por ser um espaço para vinificar a produção dos viticultores da região, que devido a várias condicionantes não podiam vinificar “per si” as suas uvas. Desde a sua fundação até aos nossos dias, muitas foram as alterações e evoluções que se registaram na Adega. Efectivamente a sua génese inicial assentava na recepção e vinificação das uvas dos associados e posterior armazenagem e comercialização a granel dos vinhos obtidos (venda de grandes quantidades de vinho em vasilhas de madeira “cascos” para a região da estremadura e Lisboa). Com a evolução dos mercados e com as novas tendências dos consumidores a ACV adoptou as melhores e mais recentes tecnologias, nomeadamente no que concerne a engarrafamento, vinificação e métodos laboratoriais, permitindo o engarrafamento dos seus vinhos, sendo os mesmos distribuídos para diversos mercados.

A citação de hoje é o ditado popular “Nunca digas desta água não beberei.”
Pensávamos o pior do Mundus, mas eis que se deu a redenção em 2015.
Agora finalmente bebe-se com alegria e alívio quando houve tempos que dizíamos “nem pensar!”
Bem vistas as coisas, a questão é a água mudar, para melhor!

O Blogue do Syrah aproveita esta oportunidade e deseja a todos os seus leitores um óptimo ano de 2018 com muitos e bons Syrahs!

 

Classificação: 15/20                                                                  Preço: 5,50€