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Senses Syrah, Adega Cooperativa de Borba, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Continuamos no Alentejo e continuamos bem, porque hoje vamos falar do syrah feito pela Adega Cooperativa de Borba: Senses Syrah de seu nome, do ano de 2011, em nossa opinião superior à safra anterior de 2010.

Este syrah é apresentado da seguinte maneira: “Aspecto límpido, cor granada com profundidade. Boa intensidade aromática, evidenciando frutos pretos, bolo inglês e chocolate. Sabor macio, com acídulo a bombom de ginja, taninos encorpados com ligeira tosta e grande untuosidade no longo final de boca. “ A graduação alcoólica é de 14%.

Depois de lermos isto e de termos degustado o syrah em causa -que é sempre o mais importante – como é possível não concordarmos com aquele que é justamente considerado o pai da moderna medicina, Pasteur, quando diz que “O syrah (dizemos nós) é a mais sã e higiénica das bebidas”?

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Não é a primeira vez que apresentamos syrah feitos por adegas cooperativas. Já aqui apresentámos o syrah da Adega de Pegões, os dois syrah da Adega de Reguengos de Monsaraz aqui, e agora este Senses Syrah, que não fica atrás dos anteriores em qualidade. A adaptação e a reconversão privilegiando mais a qualidade do que a quantidade que algumas das mais importantes adegas cooperativas fizeram nestas duas últimas décadas marcam indelevelmente uma parte importante da revolução vitivinícola de que somos testemunhas.

A área vitícola da Adega de Borba são 2.200 ha, dos quais, 70% são castas tintas e 30% castas brancas, com um aumento nos últimos anos da introdução de novas castas de qualidade: Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Tinta Caiada / Arinto,  Antão Vaz, Roupeiro e a nossa Syrah.

O Alentejo é uma extensa área, essencialmente rural, e com uma baixa densidade demográfica, oferecendo uma qualidade ambiental excepcional e uma paisagem preservada: imensas planícies ondulantes povoadas de vastos olivais e vinhedos, extensos montados de sobro e azinho, parques naturais, zonas de caça e albufeiras.

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O Alentejo é a principal região agrícola de Portugal, representando quase metade da superfície agrícola utilizada do continente, tendo como grande aptidão vinhos de qualidade e tipicidade. Em termos de mercado nacional de vinho de qualidade engarrafado, com Denominação de Origem Controlada ou Vinho Regional, o Alentejo representa uma cota de 42%.

Fundada em 1955, a Adega de Borba foi a primeira de uma série de Adegas constituídas no Alentejo, com o incentivo da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o sector não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional. De facto, não fosse esse empurrão decisivo dado pelo referido organismo estatal, que assim permitiu uma organização comercial e de transformação para os vinhos do Alentejo, a cultura da vinha teria desaparecido completamente da região, pois todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do País era uma política mais que consolidada para a época.

Após 3 décadas de resistência, em que só o grande valor das castas regionais e a excelência das condições naturais permitiram que a produção de vinho no Alentejo se mantivesse, chegou-se finalmente aos anos oitenta, em que todo o potencial da região para a produção de vinho pode ser avaliado e confirmado pelo Consumidor. Beneficiou a região do facto da produção estar associada a Adegas de grande dimensão, e desta forma mais rapidamente se apetrechou em termos tecnológicos que outras regiões do País, dando o salto para os vinhos engarrafados de qualidade, numa altura em que o consumidor passou a ser mais exigente e a privilegiar mais a qualidade que a quantidade. É verdade que a constituição da região demarcada do Alentejo e a criação de estruturas técnicas associativas que rapidamente divulgaram novas tecnologias junto do viticultor foram essenciais em todo o processo.

A euforia que os vinhos do Alentejo têm vivido nestes últimos anos, resulta, pois, de um longo trabalho quer na vinha, com a selecção das melhores castas e dos melhores solos para a sua produção, quer na Adega com o aperfeiçoamento de técnicas e apetrechamento de equipamentos, muitas vezes sem grande visibilidade, numa época em que o pulsar da região se fazia mais noutras direcções que não a produção de vinho.

Hoje a Adega de Borba reúne 300 viticultores associados que cultivam cerca de 2.000 hectares de vinha, distribuindo por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.

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E tem vindo a crescer e a modernizar-se constantemente ao longo de mais de 5 décadas, ocupando 2 áreas distintas, a original de 12.000 m2 e a mais recente com 140.000 m2 onde está localizada a nova Adega.

Em 2011 foi feito um investimento de 12 milhões de Euros na construção de um novo centro de vinificação para vinhos tintos e armazenagem de granel, e armazenagem e expedição de produto acabado, depois de em 2004 já se ter investido num processo de modernização que ascendeu a 8 milhões de Euros.

A capacidade de vinificação ascende assim a 1.200 Toneladas/ dia de uva, com uma capacidade total de fermentação de 6.000 Toneladas. Em termos de armazenagem de vinhos a granel, a capacidade da Adega de Borba é neste momento de 350.000 hl. Com o novo armazém de produto acabado e expedição a capacidade de armazenagem ascende a 7.000 paletes.

O centro de vinificação possui tecnologia de ponta tanto na área de software de gestão como nos equipamentos. Dispõe de cubas com diferentes tecnologias de fermentação: verticais com e sem pisa mecânica, horizontais rotativas, lagares, etc. Possui igualmente um espaço especial para estágio de vinhos de qualidade em barricas e em garrafas, um local privilegiado com escavação em rocha de mármore tão tradicional da região de Borba. O repouso e descanso reforçam o afinamento dos futuros vinhos Premium com designativo de qualidade Reserva e Garrafeira, tais como os vinhos engarrafados nas marcas Adega de Borba, Montes Claros, Adega de Borba Reserva “Rótulo de Cortiça” e Senses, antes de serem colocados no mercado.

A Adega de Borba possui 3 linhas de engarrafamento, instaladas em ambiente de sala limpa com controlo ambiental, completamente automatizadas e com capacidades e características muito amplas que permitem dar resposta às solicitações dos diferentes mercados em termos de qualidade e diversidade de produtos.

As matérias-primas mais sensíveis, como as rolhas e rótulos são armazenados num espaço com humidade controlada. Quanto aos produtos acabados, são armazenados por secção em função do tipo de vinho e do seu destino.

Partimos deixando o convite à descoberta de mais este superlativo syrah, assim como da sua região de origem, sempre um deleite!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,00€

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Carmim Syrah e Monsaraz Syrah, CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Estamos no Alentejo profundo, não para falar de um syrah, mas de dois. E não fazemos a coisa por menos! Estando nós no Alentejo obviamente que os syrah que vos vamos apresentar não são de fraca qualidade, na realidade nenhum é, muito pelo contrário!

São os dois da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, uma terra genial que nos deu, nestas duas décadas de syrah em Portugal, vários syrah verdadeiramente exuberantes. São os dois do mesmo ano mas são diferentes. Apesar da qualidade do Monsaraz syrah, a nossa preferência foi para o Carmim syrah apesar deste até ser mais barato (boa notícia para o consumidor!)

As notas de prova do Monsaraz Syrah dizem-nos que se “apresenta-se com uma cor rubi, com aromas de fruta preta madura e algumas notas de baunilha, coco e chocolate, em boca é amplo, fresco com taninos firmes e um final de prova prolongado.”  Tem 14% de graduação alcoólica.

As notas de prova do Carmim Syrah dizem-nos que “se apresenta de cor rubi carregado, aroma de frutos vermelhos, com notas de especiarias e café. Na boca é encorpado, macio, equilibrado com um final de prova prolongado.” Tem 14,5% de graduação alcoólica.

A CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz – foi criada em 1971 por um grupo de 60 viticultores. Trinta e sete anos depois, a qualidade dos vinhos CARMIM impõe-se aos apreciadores.

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A CARMIM possui actualmente cerca de mil associados e produz 24 referências de vinhos dos brancos aos tintos, dos jovens aos reservas, passando pelos licorosos, rosé ou espumantes. A CARMIM também produz aguardente e azeites de reconhecida qualidade.

Os vinhos da CARMIM já foram distinguidos com mais de duzentos e cinquenta prémios em vários concursos nacionais e internacionais. Recentemente o Espumante Monsaraz, uma das novidades mais recentes da empresa, foi galardoado com o Prémio Nacional Embalagem Alimentar e Bebidas 2007, atribuído pela Alimentaria Lisboa 2007 pela sua incorporação de linguagem Braille no rótulo.

A qualidade da matéria-prima, oriunda de uma região de denominação de origem, é uma das mais-valias desta Cooperativa; a par do capital humano e de um complexo agro-industrial de 80.000m2 dotado da mais alta tecnologia. Existe uma capacidade de recepção de um milhão e duzentos mil quilos de uva por dia, engarrafamento de quinze mil garrafas por hora e armazenamento até trinta e dois milhões de litros, o que transforma a CARMIM na maior adega do Alentejo e numa das maiores do País!

As fortíssimas taxas de investimento verificadas nos últimos anos traduzem o grande esforço de investimento efectuado na CARMIM, nomeadamente em termos de modernização tecnológica da adega, mostrando claramente que esta tem sido uma prioridade estratégica nas políticas seguidas pelas últimas Direcções. Com um dos mais modernos parques agro-industriais do país, localizado no coração de uma importante sub-região vitivinícola do Alentejo, esta empresa representa não só uma contribuição efectiva para o Produto Interno Bruto do País, através de uma elevada taxa de Valor Acrescentado Bruto, como também um dos principais motores de desenvolvimento sócio-económico da região, potenciando o aproveitamento e atracção de novas possibilidades no domínio do turismo.

Por outro lado, a produção de azeite, o enoturismo e a internacionalização dos seus vinhos são áreas prioritárias e nas quais a empresa tem investido e vai continuar a investir.

A CARMIM detém 7 marcas, todas elas já bem conhecidas do grande público, de onde se destacam Terras D’El Rei, Reguengos DOC e Monsaraz DOC.

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O vinho Monsaraz tinto passou, aliás, a estar incluído na oferta a bordo dos aviões da TAP e nos lounges e salas VIP dos aeroportos nacionais. Fruto de uma parceria entre a companhia aérea nacional e a Cooperativa, a marca Monsaraz tinto está presente em todos os percursos TAP, na sua classe turística. Em terra ou no ar, o vinho Monsaraz é mais um cartão de visita da transportadora aérea nacional, levando os sabores e aromas do Alentejo aos milhares de passageiros da TAP.

CARMIM é a principal empresa do concelho de Reguengos de Monsaraz e um dos principais motores de desenvolvimento económico-social da região, assegurando o bem estar e a qualidade de vida dos associados e respectivas famílias.

O sucesso da CARMIM é, acima de tudo, o sucesso dos seus associados e é desta relação que resulta a forte dimensão social que a empresa representa para a região. Com o advento de Alqueva, o concelho de Reguengos de Monsaraz tem sido alvo de uma reestruturação profunda a nível de infra-estruturas turísticas, com o aparecimento de empresas de agro-turismo e operadores turísticos.

A área geográfica da sub-região vitivinícola de Reguengos abrange todas as freguesias do município de Reguengos de Monsaraz, que são, Reguengos, Corval, Monsaraz, Campo e Campinho e ainda parte das freguesias de Montoito e S. Vicente do Pigeiro de municípios limítrofes. A topografia de uma maneira geral é de encosta ligeira e planície e a exposição dominante das vinhas é sul.

Quanto às castas tintas a Carmim produz a Trincadeira e a Aragonez;  A Castelão, a Moreto, a Alicante Bouschet, a Carignan, a Syrah naturalmente, a Tinta Caiada, a Cabernet Sauvignon, a Alfrocheiro e a Touriga Nacional.

Nas castas brancas a Síria, a Rabo de Ovelha, a Diagalves, a Manteúdo, a Perrum, a Antão Vaz, a Arinto, o Alvarinho, o Gouveio e a Fernão Pires.

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Dos cerca de 3.600 ha de vinha cadastrada, mais de 85% são em cultura extreme, havendo o cuidado de distribuir as castas por talhões, o que permite a optimização das vindimas no que respeita à maturação. A área existente é constituída por 79% de castas tintas e 21% de castas brancas.

A exportação representa 7% do volume de vendas total, em quantidade e em valor, e existem acordos de parceria celebrados com 34 distribuidores internacionais, espalhados por países como Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia, República Checa, Suiça, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Canadá, E.U.A., Brasil, Venezuela, Índia, Japão, Macau, Austrália.

Já Rabelais, no século XV, escrevia que “O syrah alegra o coração do homem. Jamais homem nobre odiou o syrah”.
Estes exemplos de syrah servem este propósito com toda a nobreza… dissemos, tendo dito!

Carmim Syrah

Classificação: 16/20                            Preço: 8,99€

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Monsaraz Syrah

Classificação: 15/20                       Preço: 12,00€

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Produtores de Syrah franceses estão felizes com a safra de 2014

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Produtores do Vale do Rhône, em França, anunciaram recentemente que a safra de 2014 mostrou óptimos resultados em relação aos anos anteriores. Neste ano, a região produziu um total de 3 milhões de hectolitros de vinho (400 milhões de garrafas) sendo que no ano passado o total foi de 2.5 milhões de hectolitros (330 milhões de garrafas).

Thierry Vaute, produtor da região, declarou em entrevista: “Conseguimos a colheita que estávamos à espera. Tivemos colheitas irregulares nos últimos anos e tivemos que lidar com a escassez”. Ainda acrescentou: “Todos os meus colegas estão optimistas”. Outro produtor, Michel Chapoutier, também comentou os resultados: “A diversidade no solo e na colheita aumentou esse ano. Teremos óptimos vinhos brancos”.

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Relatórios da colheita indicam que são esperados vinhos “bem coloridos, com níveis equilibrados de acidez e açúcar, elegantes e com óptima concentração”. Cobrindo 70,014 hectares de área agricultável, o Vale do Rhône tem 5500 parcelas vinícolas que empregam cerca de 46000 funcionários. As sub-regiões de Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages representam quase 65% da produção de vinho do Vale do Rhône inteiro.

O rio Ródano nasce nas regiões glaciais dos Alpes da Suíça e dirige-se para Oeste, atravessando vales e vinhedos suíços, e espraiando-se no belo lago Léman, na fronteira da Suíça com a França.

Penetrando o território francês, forma uma grande curva no sentido contrário aos ponteiros do relógio até que, passando a cidade de Lyon, dirige-se para o sul da França, desembocando cerca de duzentos quilómetros depois, no Mediterrâneo, próximo a Marselha. Nas encostas desse trecho francês do rio – as Côtes du Rhône – encontram-se os melhores vinhedos do sudeste da França e os vinhos mais afamados. Trata-se da mais antiga região vitivinícola da França. O cultivo das vinhas e a elaboração de vinhos tiveram lugar efectivo e sistemático no local, após a conquista do vale pelos romanos, um século antes da era cristã. Mas, antes disso, os gregos já haviam desenvolvido ali uma incipiente cultura enológica.

No século XIII o vinho Hermitage, do Rhône norte, tornou-se famoso nas cortes europeias. O desenvolvimento, organização e reconhecimento da vinicultura local, entretanto, datam do século XIV, quando o Papado, fugindo de Roma, se estabeleceu em Avignon, onde permaneceu por décadas, construindo palácios imponentes, igrejas e castelos. Um deles, hoje em ruínas, dá nome à aldeia medieval de Châteauneuf-du-Pape – o novo castelo do papa – sede de uma centena de tintos famosos e muito procurados.

Também no Rhône nasceu o sistema de Denominação de Origem Controlada. Foram necessários 30 anos para que os viticultores do Rhône meridional se recuperassem da praga que devastara os vinhedos por volta de 1870. Mas a recuperação foi tão veloz que a produção no início do século XX tornou-se volumosa a ponto de surgirem todo o tipo de fraudes.

A reacção deu-se com a formação de uma sociedade de vinhateiros que estabeleceu regras para o cultivo e para a vinificação no local. Somente com a obediência a tais regras seria autorizada a colocação da denominação da origem no rótulo. O movimento teve tanto sucesso que o sistema de “appelation d’origine” passou a ser utilizado em toda a França a partir de 1936. As denominações do Rhône, cerca de vinte, foram oficializadas entre 1936 e 1971.

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E em Portugal? Nas regiões dominantes do syrah como o Alentejo, o Tejo, Lisboa e Setúbal? Como foi a safra de 2014?

Pelas conversas que o Blogue do Syrah tem tido com diversos produtores destas regiões, o ano de 2014 tem possibilidades de ser um bom ano, mas provavelmente não será excepcional, embora seja ainda um pouco cedo para o afirmar.

O que o Blogue do Syrah espera e deseja é mais qualidade assim como também mais diversidade.
Apostamos nisso!


 

Herdade do Esporão, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Estamos em Reguengos de Monsaraz: terra de vinhos mas sobretudo uma terra de Syrah. E são vários os Syrah que nasceram aqui. Hoje falaremos de um deles, associado a uma marca bem conhecida: a Herdade do Esporão.

2011 é um ano reconhecido como memorável para todas as regiões vinícolas Portuguesas. A Primavera e o Verão com temperaturas mais amenas que o habitual trouxeram intensidade, equilíbrio e frescura aos vinhos.

O Syrah da Herdade do Esporão é feito com vinhas de 13 anos. Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho americano, seguidos de mais 18 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Fez-se uma pequena produção de cinco mil litros, o que deu qualquer coisa como 6600 garrafas. As notas de prova dizem-nos: “Nariz compacto, com notas evidentes de tosta, e ligeiras notas de café torrado. Revela fruta negra madura com taninos musculados e acidez que conduz a um final bastante persistente.” Várias foram as safras deste syrah anteriores: houve a de 2010, 2009, 2008.Conhece-se igualmente a de 2004.

A Herdade do Esporão começa uma nova vida a partir de 1973, como vamos explicar. Tem actualmente uma produção global de 9 milhões de litros de vinho anual. Vende-se por todo o mundo. É um dos empórios do vinho português. A herdade possui um total de 194 castas, embora só 37 estejam em plena produção. Estas 37 variedades fundamentais correspondem às castas que melhor se adaptaram à região do Alentejo, muita das quais se encontram na região desde tempos longínquos.

A Herdade do Esporão alberga um terroir único, fruto da aliança entre um clima muito particular, regulado e amenizado pelo grande lago central, com os diferentes tipos de solo, e um vasto património vitícola constituído por castas autóctones, castas oriundas de outras regiões e castas internacionais. A paisagem tipicamente mediterrânica é composta por suaves planícies ondulantes que ocupam um pouco mais de 1.800 hectares de área total, 450 hectares dos quais ocupados com vinha e cerca de 80 hectares ocupados com olivais. O clima é particularizado pelas grandes amplitudes térmicas anuais características dos climas mediterrânico-continentais, suavizados pela grande massa de água do lago central. Beneficiando de muitas horas de sol, os solos muito pobres dividem-se em derivados de xistos argilosos e granitos derivados de rochas eruptivas. A Herdade do Esporão decidiu inovar, ensaiando um número elevado de castas pouco conhecidas em Portugal. A lista é extensa, e inclui nomes como Uva Salsa, Tinta do Bragão, Arinto do Interior, Larião, Amor-não-me-deixes, Carrasquenho ou Rabigato Francês, bem como castas internacionais de nome pouco vulgar como Ahmeur bou Ahmeur, Chasselas, Feteasca Alba ou Müller-Thurgau.

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Desde a sua fundação em 1267, os limites geográficos da Herdade do Esporão têm-se mantido praticamente inalterados, apesar de este ter sido um lugar de sangrentas batalhas e de feitos heróicos, ao longo de quase nove séculos de existência. Soeiro Rodrigues, juiz da cidade de Évora, terá sido o primeiro dos muitos proprietários, entre os quais se incluem o mestre de Santiago Rodrigues de Vasconcelos, o Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos, que terá erigido a Torre do Esporão, e dos condes de Alcáçovas, que mantiveram a propriedade na família até 1973, ano em que venderam a Herdade do Esporão a José Roquette e Joaquim Bandeira. No centro da Herdade do Esporão erguem-se os três monumentos históricos da propriedade: a Torre do Esporão, o Arco do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, esta última ligada a um intenso e devoto culto popular na região que leva as gentes da terra em procissão sempre que a chuva tarda em chegar. A Torre do Esporão, símbolo de afirmação na sociedade e exibição de poder militar, é uma das torres mais importantes na ilustração da transição da Idade Medieval para a Idade Moderna em Portugal. Terá sido edificada pelo Morgado já referido antes, entre os anos 1457 e 1490, datas que correspondem, respectivamente, ao momento da posse do morgado e ao seu falecimento. Esta atribuição é do historiador José Pires Gonçalves, que teve em conta o projecto arquitectónico de implantação da Torre. Álvaro Mendes de Vasconcelos vinha de uma família nobre em ascensão ligada à poderosa Casa de Bragança – era cavaleiro da casa do Duque de Bragança e regedor da cidade de Évora. Entende-se, assim, a construção da Torre do Esporão como um sinal visível de erupção da pretensão aristocrática. Esta era uma necessidade de afirmação da nova linhagem que, entre outros sinais, tinha por hábito erguer uma torre ou casa forte como verdadeiros símbolos da sua afirmação na sociedade. A função primeira deste tipo de torres era a de habitação, mas nos finais do século XV as torres que existiam em Portugal dificilmente serviriam de morada permanente, uma vez que as suas dimensões eram muito reduzidas. Podiam também ter sido refúgios seguros para pessoas e bens, em caso de extrema necessidade. Mas, antes de tudo, eram um símbolo de senhorio e poder militar. A importância que as torres medievais voltaram a adquirir no final da Idade Média verifica-se essencialmente na existência da referida Ermida de Nossa Senhora dos Remédios: a sua presença indica não só que os seus possuidores tinham começado a fazer mais uso das torres espaçosas, mas também que existia uma certa sacralização do espaço em que se erguiam. Desenhando um quadrilátero de 14,40m por 10,9m, a planta da Torre do Esporão apresenta dimensões pouco usuais – é relativamente mais larga, quando comparada com construções antecedentes ou mesmo contemporâneas. No entanto, mais tarde, acabou por servir de modelo a outras torres, o que demonstra bem a influência que teve em posteriores construções de torres no Alentejo.

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Devido ao passar do tempo, a Torre do Esporão perdeu o seu esplendor. Tratando-se de um monumento marcante do património português, o Esporão tomou a iniciativa de lhe restituir a dignidade perdida. A autorização do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) para a sua reabilitação foi obtida, e o Esporão, por sua conta e risco, iniciou o processo de reabilitação deste monumento nacional em 2003, tendo recuperado a sua antiga grandeza e importância. É o edifício mais importante e representativo de todo o conjunto que compõe a Herdade. No rés-do-chão da Torre pode visitar-se um Museu Arqueológico, onde estão expostos diversos achados arqueológicos da região.

Isto tudo se conta também porque no logotipo da Herdade a torre aparece com todo o destaque, servindo com toda a relevância a divulgação da marca.

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A Herdade do Esporão beneficia de um clima mediterrânico-continental, com exposição solar intensa, com uma média anual de 300 dias de sol. O clima é também caracterizado por grandes amplitudes térmicas anuais, com Verões muito quentes e secos e Invernos curtos e chuvosos, com consideráveis amplitudes térmicas diárias. Estas características definem profundamente, a fauna, a flora, a paisagem, a arquitectura e as gentes do Alentejo. A Herdade do Esporão apresenta todas as características de uma paisagem tipicamente mediterrânica. São vários os hectares de montado de azinho que aqui estão presentes. A azinheira, espécie com distribuição mais alargada na zona mediterrânica, domina a paisagem do Esporão, fazendo parte de um ecossistema que alberga espécies tão importantes como a cegonha-negra ou a lontra que vagueia pela ribeira da Caridade, uma ribeira importantíssima para anfíbios e mamíferos desta Herdade. A albufeira existente na propriedade, com 120 hectares, construída para servir as necessidades típicas de um clima deste tipo, é hoje em dia, um ecossistema totalmente natural, já visitada por cerca de 90% das aves de todo o Alentejo e a “casa” de patos, mergulhões, galinhas-de-água, lontras, entre muitas outras espécies. É aqui, entre montados, olivais e vinhas que se podem encontrar todas as características de uma paisagem mediterrânica.

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Se as vinhas são o pulmão da Herdade do Esporão, a adega é o coração que palpita ao ritmo da vindima e da sequência dos trabalhos definidos pelo calendário e pela equipa de enologia. A equipa de enologia do Esporão é liderada pelo Luso-Australiano David Baverstock, uma referência na enologia portuguesa, que tem dado um contributo decisivo para a afirmação nacional e internacional dos vinhos do Alentejo. A equipa de enologia completa-se com os enólogos Luis Patrão, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos tintos, e a Sandra Alves, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos brancos e rosés. A mesma equipa é responsável pelos vinhos da Quinta dos Murças no Douro, a que se junta o Australiano Michael Wren durante os meses de Julho a Outubro.

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O grande túnel de barricas do Esporão, por si só uma das atracções turísticas da Herdade do Esporão, ao assemelhar-se na sua estrutura a um túnel de metro com os seus quinze metros de largura, está firmemente enterrado a doze metros de profundidade, permitindo assim que se mantenham as melhores condições de temperatura e humidade de forma natural, sem necessidade de regulação de temperatura de forma artificial e sem custos energéticos e ambientais. Neste longo túnel de descanso repousam aproximadamente 1.500 barricas bordalesas de 225 litros cada, das quais cerca de 70% são de carvalho americano e as restantes de carvalho francês. Cerca de 30% do parque de barricas é renovado periodicamente a cada três ou quatro anos. Para além do grande túnel de barricas existem ainda nichos laterais onde se guarda e estagia o vinho já depois de engarrafado, para além de uma garrafeira onde se guarda um acervo o histórico das nossas melhores colheitas.

Nada melhor para acabar esta digressão do que citar o filósofo grego Heráclito quando dizia: “É melhor esconder a ignorância, mas é difícil fazê-lo quando nos descontraímos em redor do Syrah!”

Classificação: 18/20                                           Preço: 24,50€

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Companhia das Lezírias, 100% Syrah, Tejo, 2008

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Do Tejo, mais um syrah, desta vez da Companhia da Lezírias. Tínhamos de chegar aqui algum dia!  A Companhia das Lezírias, fundada em 1836, sendo a maior exploração agroflorestal do País teria que ter o seu syrah!

Com 18 mil hectares não tem comparação com nenhum nenhuma empresa do ramo, herdade ou quinta. A Companhia das Lezírias é a maior exploração agro-pecuária e florestal existente em Portugal, compreendendo a Lezíria de Vila Franca de Xira, a Charneca do Infantado, o Catapereiro e os Pauis (Magos, Belmonte e Lavouras).

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A Lezíria está compreendida entre os rios Tejo e Sorraia e é dividida pela Recta do Cabo (E.N. 10 entre Vila Franca de Xira e Porto Alto) em Lezíria Norte e Lezíria Sul.

A Lezíria Norte é constituída por cerca de 1.300 hectares explorados indirectamente (rendeiros). A Lezíria Sul ocupa perto de 5.000 hectares, dos quais cerca de 2600 ha estão arrendados e 2.200 ha são explorados directamente pela CL, sendo quase 1900 ha para pastagens e cerca de 320 ha de arroz.

No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz, em Catapereiro, uma média de 330 ha de milho, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. O arroz cultiva-se igualmente nos Pauis de Magos, Belmonte e Lavouras, mas só este último, com uma área de 240 ha, é explorado directamente. No total, a área destinada ao cultivo de arroz em solo da CL ronda os 1500 ha. No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz ainda, em Catapereiro, uma média de 250 ha de milho, 140 ha de vinha e 70 de olival, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. A Charneca do Infantado e os Pauis perfazem uma área de cerca de 11.500 hectares.

A Companhia das Lezírias passou por várias transformações ao longo da sua existência, sendo nacionalizada em 1975 e tendo passado, em 1989, a Sociedade Anónima de capitais exclusivamente públicos. Desde 1997, a Companhia das Lezírias vem consolidando a sua situação, quer sob o ponto de vista tecnológico, quer financeiro, baseada numa filosofia de desenvolvimento sustentado. A partir do dia 2 de Agosto de 2013, a Companhia das Lezírias passou a gerir a Coudelaria de Alter e a Coudelaria Nacional.

O início da actividade vitícola da Companhia das Lezírias remonta ao ano de 1881, ano em que se instalou a vinha na charneca de Catapereiro. Essa área foi crescendo até 1934, ano em que a vinha atingiu o seu máximo expoente – cerca de 400 ha. As castas dominantes na altura eram o Periquita (Castelão) e o Bastardo.

Com o passar dos anos, a vinha foi sendo reestruturada, tendo a Companhia das Lezírias actualmente cerca de 130 ha de vinha, dos quais 65% da área é composta por castas tintas e os restantes 35% por castas brancas.

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Entre as castas tintas, a variedade Alicante-Bouschet é maioritária, seguida pelas castas Castelão, Trincadeira, Aragonez, Touriga-Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Touriga-Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão. As castas brancas instaladas são o Fernão Pires, Trincadeira das Pratas, Arinto, Roupeiro, Tália, Verdelho e Vital.

Na vinha, tem-se vindo a efectuar uma grande reestruturação, sem menosprezar as castas nacionais, mas instalando também outras castas que tão bem se adaptam na região vitícola.

Quanto aos vinhos, a gama está organizada da seguinte forma: os vinhos com a denominação “Companhia das Lezírias” são englobados na Denominação Do Tejo e elaborados essencialmente a partir das castas Castelão, no caso do tinto, e Fernão Pires, no caso do vinho branco. Os vinhos tintos desta gama são estagiados em madeira nova de carvalho americano e francês, reunindo um conjunto único de tipicidade dentro da região Tejo em que se insere.

Os vinhos regionais possuem a designação “Catapereiro”, sendo um lote das várias castas regionais instaladas na nossa vinha. No caso do regional tinto, e em anos em que tal se justifique, é seleccionado um pequeno lote de vinho que vai estagiar em pequenas barricas de carvalho francês, sendo depois engarrafado à parte, dando origem ao “Catapereiro Escolha”. Estes vinhos são mais encorpados possuindo um potencial de guarda superior aos outros tintos produzidos na Companhia das Lezírias.

Os vinhos de mesa são vendidos sob a denominação “Senhora de Alcamé” sendo elaborados a partir de lotes de vinhos produzidos pela CL que não entram nas restantes marcas comerciais.

A Companhia das Lezírias, membro fundador da Rota da Vinha e do Vinho do Ribatejo, goza de uma localização excelente, que se repercute na qualidade dos vinhos.

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Este syrah vindo directamente da safra de 2008 com 7000 garrafas produzidas e com uma graduação alcoólica de 14,5%, visualmente  tem um aspecto límpido e cor grenada escuro. ”Possui um aroma muito intenso e complexo, com notas de café e chocolate bem combinadas com a fruta madura da casta. O sabor é rico, frutado, encorpado e com grande final.”

O escritor Hubrecht Duijker, e grande especialista em vinhos, escreveu:
“A vida é curta demais para se beber maus vinhos!”

O syrah da Companhia das Lezírias vale a pena ser bebido!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 12,50€

 

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Quantos copos de syrah se deve beber para parecer mais atraente?

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Parece uma pergunta despropositada, mas não é. Segundo um estudo desenvolvido pela Escola de Psicologia da Universidade de Bristol, e publicado no Science Daily, basta beber um copo de syrah para o sexo oposto nos achar mais atraente.

A investigação, citada pelo site da revista Time, teve como base a observação de 40 homens e mulher heterossexuais. Os voluntários tinham que observar três imagens da mesma pessoa – uma tirada enquanto estava sóbria, outra após ter ingerido 250 mililitros de vinho (o equivalente a um copo grande) e uma outra depois de beber 500 mililitros de vinho (dois terços de uma garrafa).

A fotografia que mostrava o indivíduo após ter bebido 250 ml de vinho foi considerada a mais atraente. Em segundo lugar ficou a imagem do mesmo indivíduo sóbrio.

Os investigadores afirmam que em causa está a cor rosada que surge no rosto após termos bebido um pouco de álcool, bem como o relaxamento dos músculos e os sorrisos espontâneos – que mostram uma atitude positiva.

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A conclusão deste estudo pode gerar alguma discussão entre os leitores, assim esperamos, mas uma coisa é certa: os investigadores concordam que se deve beber um copo por dia, e apenas um, pois além do assunto principal deste nosso texto, o consumo de álcool deve ser feito de uma forma moderada!