All posts by Raul PC

Herdade da Figueirinha, Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2006

garrafa_figueirinha

“O Syrah dá coragem e torna os homens mais aptos à paixão.” Ovídio, um dos grandes poetas romanos do período imperial, chama-nos a atenção para esta relação entre sentimentos, sempre presente, quando se trata desta bebida corajosa e apaixonada. E assim apresentamos um syrah alentejano que obedece a esta relação. Um vinho corajoso e apaixonante, da Herdade da Figueirinha, perto de Beja.

O Syrah da Herdade da Figueirinha de 2006 é um vinho Regional Alentejano monovarietal, de uvas provenientes da Herdade da Figueirinha.

quinta_figueirinha

Apresenta cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos, madeira bem integrada, taninos redondos e acidez equilibrada. Notas de prova falam-nos de um “aroma intenso, nota de queimado/aborrachado, algum anis mentolado, fruto doce, taninos redondos, tom morno e sobremaduro, final com nota capitosa.” Possui graduação alcoólica de 14,5%.

No Alentejo há notícias da cultura da vinha e da produção de vinho desde épocas pré-romanas. A Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Lda., mantém hoje viva a tradição milenar de uma região internacionalmente reconhecida, como já aqui demos notícia, pelos seus vinhos de qualidade e carácter distinto.

A empresa dispõe no total, de cerca de 70 hectares de vinhas próprias. Na Herdade do Monte Novo e Figueirinha, foram plantados 40 hectares de vinha, exclusivamente de uva tinta, com castas de excelente qualidade, com destaque para Trincadeira, Aragonêz, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Boushet.

vinha_figueirinha

Dispõe ainda de 30 hectares de vinha, principalmente de uva branca, na Herdade das Fontes, situada na região da Vidigueira, onde se destaca a variedade Antão Vaz. As castas foram seleccionadas criteriosamente, no sentido de darem corpo a vinhos de qualidade.

Na Herdade da Figueirinha todo o trabalho é realizado com envolvimento e paixão. A qualidade do produto final depende muito de todo o trabalho de campo, efectuado ao longo do ano. Um cuidado e uma atenção especial são dedicados a todo o processo vitícola, para que as vinhas tenham as melhores condições e se desenvolvam saudavelmente.

A empresa Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Lda., existe desde 1998. O fundador é o Comendador Leonel Cameirinha, e a gestão da empresa está a cargo do fundador e do seu neto Filipe Cameirinha Ramos.  A Herdade do Monte Novo e Figueirinha tem uma área de 300 hectares de terra plana e boa qualidade, perto de S. Brissos, a cerca de 5 km de Beja. As principais produções são a vinha e o olival. As variedades de uvas e azeitonas são cuidadosamente selecionadas para dar corpo ao vinho de alta qualidade e ao azeite, com todas as características distintivas da região do Alentejo. A Adega da Figueirinha foi construída em 2003 e é uma estrutura moderna  com a mais recente tecnologia, para atender a uma capacidade de produção anual de 800 mil litros de vinho, com uvas provenientes de 70 hectares de produção própria e de outros produtores locais. O enólogo é Filipe Sevinate Pinto. Com uma área de 170 hectares de olival, em 2006, a empresa decidiu construir o Lagar da Figueirinha, com capacidade de transformação de 8 milhões de toneladas de azeitonas, e que produz um azeite de alta qualidade. O consultor técnico para a produção de azeite é João Gomes.

adega_figueirinha

O processo de amadurecimento da uva é cuidadosamente monitorizado e a vindima é  planeada e executada no tempo ideal de maturação, sem tempos de espera até á laboração, conseguindo dos frutos todo o sabor genuíno.

Vale mesmo a pena partir em demanda deste apaixonante, e que nos enche de coragem à maneira de Ovídio, duplo S: é um Soberbo Syrah!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 12,50€


 

Quinta da Lapa,100% Syrah, Tejo, 2012

garrafa_lapa

“Deixe-nos celebrar a ocasião com Syrah e palavras doces”, dizia Plauto, dramaturgo romano, no século II antes de Cristo. Assim damos início a mais um texto sobre a nossa bebida de eleição.

Reparem que basicamente andamos pé cá pé lá, ou seja, Aquém Tejo ou Além Tejo. Estivemos no Alentejo da última vez, agora voltamos ao Tejo. E que enorme prazer é este ziguezague constante, porque aqui nestas duas regiões encontra-se a grande maioria dos Syrah que conhecemos.
E quando se fala em Syrah nós dizemos: presente!

Hoje estamos na Quinta da Lapa, para falarmos do respectivo Syrah, a 100%, como gostamos e preferimos.

casa_lapa

A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O grande e caprichoso rio Tejo assume nesta região particular esplendor histórico, tanto por ser elo de ligação com Lisboa, como por ter sido ele próprio via de comunicação e comércio com toda a Europa. Os castelos templários e as grandes planícies de cultivo são disso testemunho.

As cheias e a força do rio fizeram com que ao longo dos tempos as terras essencialmente argilo-calcárias coleccionassem elementos raros como conchas e seixo rolado. Este aspecto define, quase só por si, a assinatura da Quinta da Lapa, havendo contudo ainda que lhe acrescentar a alternância dos dias tórridos e manhãs muito frescas no Verão, quando as uvas estão a robustecer-se para a vindima.

O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, por isso, a um tempo mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

vinha_lapa

A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos.

A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

Conhecemos duas safras. A de 2010, e a actual de 2012. A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é Jaime Quendera.

Falemos agora um pouco da Quinta da Lapa. O lugar existe há mais de 300 anos e tem uma história condizente com esta temporalidade.

D. Lourenço de Almeida, governador de Pernambuco, filho do Conde de Avintes e oficiante na Ordem de Cristo, personifica grande parte da alma deste lugar único.

A casa da Quinta da Lapa acrescentou em 2011 uma nova página à sua história tricentenária ao assumir uma orientação mais voltada para públicos exteriores.
Eventos de empresa, casamentos e festas, e ainda a actividade do enoturismo criaram porta franca na propriedade. No processo de recuperação e restauro, tentou manter-se intacta a zona nobre do edifício principal – salas e capela -, enquanto nas áreas envolventes do pátio central se procurou criar zonas de grande conforto e flexibilidade.
O resultado foi a criação de onze suites, uma grande sala de eventos, e a preservação de um património de matriz espiritual de antiguidade considerável, que ultrapassa a própria capela. Falamos por exemplo de um painel de azulejos evocativo de Nossa Senhora da Lapa, datado de 1733, de características únicas.

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, refletindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

adega_lapa

As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

As palavras doces de Plauto já foram referidas e glosadas, vamos agora celebrar a ocasião sorvendo o néctar divino da nossa Lapa de hoje!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 8,50€

ft_lapa


 

Telhas, 95% Syrah, 5% Viognier, 2011, e Terras D`Alter, 85% Syrah, 15% Viognier, 2006 (esgotado), Terras D’ Alter Companhia de Vinhos, Lda, Alentejo

garrafa_telhas

Eduardo Galeano, escritor uruguaio que faleceu faz agora uns dias, dizia que “Todos somos mortais, até ao primeiro beijo e à segunda taça de syrah.”

Assim começados, ouve-se dizer com frequência que o Alentejo é uma região produtora de vinhos de elevada qualidade. E é verdade, obviamente o mesmo se aplicando aos syrah alentejanos!

Alter do Chão e Fronteira é por onde hoje estamos, para conhecer, além do nosso néctar preferido, a envolvência histórica e geográfica que deu origem a dois syrah, um dos quais infelizmente já esgotado! Mas se algum dos nossos leitores souber ainda onde o encontrar, ou o tenha provado, que nos diga de sua justiça…

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., é constituída pelas Sociedade Agrícola das Antas, Sociedade Agrícola do Monte Barrão (empresas com enorme tradição agrícola no Alto Alentejo, distrito de Portalegre) e pela Sociedade Pink Living, pertencente ao enólogo Peter Bright. Aquelas duas Sociedades decidiram aliar-se e, para complementarem o seu projecto, criaram uma forte ligação a Peter Bright, que tem um vasto curriculum no mundo da produção e comercialização internacional de vinhos.

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., utiliza as uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora também se abasteça nas produções do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

vinha_telhas

O plantio da vinha nesta região remonta ao período romano, como atestam vestígios datados dessa época, nomeadamente grainhas de uvas descobertas nas ruínas de São Cucufate, perto da Vidigueira, e alguns lagares romanos. A utilização de talhas, destinadas à fermentação do mosto e ao armazenamento do vinho, é ainda visível em algumas das suas adegas.

Situado na zona sul do país, o Alentejo é uma região essencialmente plana, evidenciando alguns acidentes de relevo, não muito elevados, mas que o influenciam de forma marcante. Caracteriza-se por condições climáticas acentuadamente mediterrânicas, apresentando, no entanto, várias zonas de microclima continental.

Terras de Alter tem como objectivo lançar no mercado internacional um vinho alentejano de qualidade. Os mercados alvo são essencialmente Europa e Estados Unidos.

A sua missão é ser uma empresa de cariz familiar com vinhos de qualidade e presença internacional, reconhecida pela sua excelência e focada no desenvolvimento de marcas premium portuguesas, como é o caso do nosso Syrah.

Os solos caracterizam-se pela sua diversidade, variando entre os graníticos de “Portalegre”, os derivados de calcários cristalinos de “Borba”, os mediterrânicos pardos e vermelhos de “Évora”, “Granja/Amareleja” e “Moura”, e os xistosos de “Redondo”, “Reguengos” e “Vidigueira”. Tendo em consideração a especificidade da cultura, a qual está circunscrita a pequenas áreas geográficas bem definidas, a vinicultura no Alentejo é, em termos económicos, um sector da agricultura de primordial importância para os cerca de 3.000 viticultores da região, sendo a sua principal fonte de rendimento.

No Alentejo, a área média de vinha por exploração, é superior à média nacional. Aos 0,9 ha de vinha/exploração no Continente, correspondem 5,4 ha de vinha/exploração no Alentejo.

A vinha Terras de Alter é estruturada segundo o conceito novo mundo e desenhada com o contributo da Universidade de Fresno na Califórnia. As vinhas são plantadas utilizando modernos sistemas de condução e irrigação, facilitando o seu tratamento e garantindo a sua qualidade.

adega_telhas

A adega está localizada muito perto dos produtores de uva, o que permite um tempo mínimo entre a vindima e o inicio da laboração. A escolha de todo o equipamento foi feita segundo os princípios mais modernos, com o objectivo de se conseguir produzir de acordo com os conceitos do novo mundo já mencionados.

A adega tem a possibilidade e versatilidade para poder laborar segundo processos de alta qualidade, com vindima manual, selecção de uvas à entrada, controlo altamente rigoroso de temperatura e outros aspectos que possibilitam a produção de excepção. Tanto pode trabalhar em cubas de quantidades consideráveis para os nossos vinhos mais correntes, como pode trabalhar em cubas de fermentação muito pequenas, que permitem o tratamento de lotes reduzidos mas de elevadíssima qualidade. É esta versatilidade que permite conseguir lotes de tempero que afinam ou complementam os vinhos de topo.

Peter Bright é o Enólogo dos vinhos Terra de Alter. Com origem Australiana, a viver em Portugal desde 1982, é dinâmico, empreendedor e o seu lema é “experimentar mas não misturar estilos”.

As castas Terras de Alter tintas, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah e Cabernet Sauvignon, conferem aos vinhos um tom rubi e um aroma frutado e persistente, num conjunto muito equilibrado. Por seu lado, as castas brancas, Arinto, Roupeiro, Antão Vaz, Alvarinho, Verdelho e Viognier, surpreendem pela sua cor citrina e pelo frutado fino e fresco, num conjunto muito apetecível.

Falando sobre o syrah principal aqui em causa, a composição do Telhas é de 95% Syrah e 5% Viognier. A Vinha situa-se na Herdade das Antas. O Telhas provém do sector mais elevado da vinha, o qual se caracteriza pelo austero solo granítico e o seu terroir único.

zona_telhas

E como sempre o Blogue do Syrah não pode deixar de enfatizar a sua posição declarando que preferirmos os syrah a 100%, apesar de compreendermos e aceitarmos a escolha de cada enólogo, que no caso deste Telhas consideramos uma escolha feliz, e que deu excelentes resultados. Mas o convite fica feito em forma de manifesto, segundo o nosso lema:

100% Syrah, sempre!

Voltando à nossa região de hoje, este é o local onde outrora terá existido uma Vila Romana, facto sugerido pelos diversos fragmentos em terracota e telhas aí encontradas.

As duas castas presentes no syrah de hoje co-fermentaram com leveduras autóctones em pequenos reservatórios abertos e com manta submersa. A fermentação foi concluída em barricas novas de carvalho americano acompanhada de battonage. Seguiu-se a fermentação maloláctica e estágio em barrica durante 24 meses.

As notas de prova dizem-nos que na “cor é vermelho intenso com centro púrpura.O aroma tem nariz perfumado com notas de violetas, pimenta moída, carne assada e alcatrão.O paladar mostra sabores exóticos de madeiras e especiarias orientais com uma envolvente de frutos vermelhos maduros. Final muito saboroso com notas de cedro e baunilha.”

As safras foram até agora quatro: A primeira em 2008 (a última safra do Terras d`Alter tinha sido em 2006) seguiu-se a safra de 2009, em seguida em 2010 e a actual que ainda está no mercado de 2011.

A grande diferença do Terras D`Alter de 2006,  esgotado há muito, é que de syrah tinha só 85% e os outros 15% eram de Alicante Bouschet (aos olhos da lei é um monocasta, apesar de discordarmos), bem diferente da composição do actual Telhas como se pode ver e degustar.

Vamos pois beber em direcção à imortalidade um Telhas Syrah 2011, à memória de Eduardo Galeano!

 

Telhas Syrah

Classificação: 17/20                                                                                            Preço: 20,00€

 

Terras D`Alter Syrah

Classificação: Esgotado (O Blogue do syrah não o conheceu)              Preço: 8,00€

ft_telhas


 

Onda Nova, Adega do Cantor, 100% Syrah, Algarve, 2009

garrafa_onda_nova

Hoje tivemos necessidade de vir ao Algarve, e com todo o gosto o fizemos, para dar a conhecer mais um syrah destas bandas. Estamos em Albufeira, para conhecer a Adega do Cantor. O Cantor em causa é inglês, e teve a sua época áurea nos idos de 60 do século passado, começando a sua carreira associado ao famoso grupo The Shadows. Estamos a referir-nos a Sir Cliff Richard. Conheceu e apaixonou-se pelo Algarve faz mais de 40 anos. O sonho de plantar uma vinha nesta sua propriedade, chamada Quinta do Moinho, foi a inspiração para os vinhos Vida Nova e Onda Nova, em cuja produção ele próprio faz questão de estar envolvido integralmente.

pessoas

A Adega do Cantor fica situada na Guia, a escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras.

adega_do_cantor

A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising.

Deste nosso Syrah fizeram-se três safras: a primeira, de 2006, a de 2007 e esta de 2009 francamente melhor do que a anterior. Fizeram-se 20000 garrafas a partir de 10 hectares de vinha.

As notas de prova dizem-nos que em termos de  “Visual: cereja preta e escarlate; Cor: consistente da borda ao centro, boa viscosidade; Olfactivo: perfume elegante a violetas, groselha e mirtilo elevado por notas profundas a canela, pimenta branca e anis; Gustativo: paladar intenso com nuances a frutos vermelhos e pretos, acentuado por especiarias e pimenta, acrescentando ainda taninos domesticados que conduzem a um final suave. Pode ser consumido já, mas irá evoluir e melhorar significativamente em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo responsável pelo projecto é Ruben Pinto.

O objectivo na Adega do Cantor é produzir vinhos que consigam reflectir o calor, cor e diversidade da região; vinhos que possam acompanhar a fantástica cozinha local. Este vinho é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

adega

A Adega do Cantor tem capacidade para 200 toneladas e foi construída em colaboração com a Castle Rock Logistics, uma empresa Australiana especializada em projectos e gestão de adegas. O projecto levou 18 meses a ser desenhado em computador e 10 meses a construir. A Adega foi concebida modularmente, de forma a ser facilmente ampliada para albergar 300 toneladas.

O ano de 2009 aqui em causa foi repleto de actividade quer nas vinhas quer no processo de vinificação, dando origem a uma colheita com a qualidade e o equilíbrio desejado. A poda de Inverno terminou no final de Fevereiro, surgindo quase de imediato os primeiros rebentos nas videiras de Verdelho e Alicante Bouschet.

A floração foi contínua, sem qualquer percalço, resultando em copas bem formadas pela altura da frutificação. O crescimento e maturação da fruta foi equilibrada até à altura da vindima. Esta iniciou-se com a casta Verdelho na 2ª semana de Agosto. Pela 3ª semana verificou-se um pico de altas temperaturas o que provocou um amadurecimento precoce da uva, levando a  que o processo de apanha fosse acelerado para posterior vinificação imediata, evitando assim uma concentração elevada de açúcares que se traduziriam em valores elevados de álcool.

A combinação desta rápida acção e a proximidade da costa, que de alguma forma neutralizou a vaga de calor, levaram a que não tivéssemos sido tão afectados como outras regiões. A qualidade da fruta foi elevada, tendo-se conseguido níveis de açúcar e a maturação dos taninos pretendida, sem grande significância a nível de doenças. O processo de vinificação prolongou-se até ao final de Outubro. Foi a partir desta conjuntura que se obteve este Syrah que convidamos todos a degustar.

vinhas

O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.

A seguir se especificam algumas características e histórias das três quintas  do Sir de Sua Majestade.

Quinta do Moinho
A plantação da vinha de Sir Cliff Richard, na Quinta do Moinho, iniciou-se entre 1997 e 1998, tendo sido alvo de intensos estudos pelo eminente viticultor australiano Richard Smart. A plantação consiste de 3,5 ha da casta Syrah, oriunda de Vale de Rhône, França, 2,5 ha de Aragonês, proveniente da Península Ibérica e conhecida em Espanha como Tempranillo, 1,4 ha de Trincadeira, do sul de Portugal e 0,5 ha de Monvedro, também do sul de França. A Quinta do Moinho utiliza os mais modernos sistemas vinícolas, que incluem gestão de área foliar, um sistema de posicionamento vertical das varas e rega gota-a-gota. As videiras fixaram-se rapidamente e o resultado é uma vinha auspiciosa e sadia.

Quinta do Miradouro
Existe desde o princípio de 2001, com as mesmas características da Quinta do Moinho. A vinha consiste de 5ha de Shiraz, 4ha de Aragonês e 1ha de Alicante Bouschet, Teinturier (uma uva vermelha viva) do sul de França, que produz vinhos especialmente bons nas condições certas, como é o caso de Mouchão, no Alentejo. A vinha da Quinta do Miradouro é também a primeira no Algarve a aplicar o Smart-Dyson, o sistema de latada inovador do Dr Richard Smart, que divide verticalmente a área foliar, permitindo um substancial aumento da área total da superfície da parra e melhorando as condições de luz na zona de frutação.

Vale do Sobreiro
A nossa mais recente vinha, existe desde 2004 e, mais uma vez, tem as mesmas características das outras duas vinhas. Abrange 3 ha de Syrah, cuja selecção foi, pela primeira vez, feita através de clonagem, de forma a obter-se a melhor fruta nesta envolvente. Os restantes 2 ha foram plantados com Verdelho, as nossas primeiras uvas brancas oriundas de Portugal e que está a ser vinificado, com grande sucesso na Austrália.

A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E já que é de cantores e canções que também estamos a falar, acabemos este texto citando um tema dos The Beatles, grupo contemporâneo de Cliff Richard, We Can Work it Out: “A vida é muito curta e não há tempo/Para agitação e luta meu amigo – Life is very short, and there’s no time/For fussing and fighting, my friend.”

Vamos lá então beber tranquilamente e em paz, ao sol do Algarve, o nosso Syrah da Adega do Cantor, este Onda Nova, que se quer mesmo uma boa onda!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 8,50€

ft_onda_nova


 

Ameias, Sivipa, 100% Syrah, Setúbal, 2013

ameias_rot

Desta vez em Setúbal, para falar de um syrah que tem vindo paulatinamente a melhorar ao longo dos anos. O melhor é mesmo este de 2013. Estamos a falar do Ameias da Sivipa – Sociedade Vinícola de Palmela, S.A.

Um syrah que bebemos ciclicamente, com uma boa relação qualidade-preço, e que de ano para ano nos tem agradado cada vez mais.

É um syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%. É feito de vinhas com 12 anos de idade, na pujança da vida portanto, provindo de solos arenosos típicos daquela zona da península de Setúbal.

Podemos caracterizar este syrah em termos visuais como possuindo grande intensidade corante de tons rubi escuro e as notas de prova dizem-nos que tem “aroma a frutos vermelhos maduros, e é macio, redondo e equilibrado.”

Tem ganho vários prémios nacionais e internacionais e foi produzido em 2009, 2010 e a presente safra de 2013.

Nos últimos anos os monocasta da SIVIPA têm sido premiados em todo o mundo. Nesta nova colheita de 2013 destaca-se o Syrah, que acaba de obter também 90 pontos da AEP – Associação de Escanções de Portugal, recebendo a prestigiada Tambuladeira de Ouro. Os prémios são tanto mais extraordinários quanto o posicionamento da SIVIPA é partilhar o melhor da região de Palmela a preços acessíveis.

Nós aqui no blogue do syrah não nos deixamos deslumbrar com os prémios. Degustamos o vinho e damos o nosso parecer, subjectivo, mas sempre o mais imparcial possível , na nossa qualidade de consumidores e amantes desta bebida…  e nada mais do que isso!

E agora é relevante dar aos nossos leitores falarmos sobre alguns dados sobre a Sivipa.

sivipa

A SIVIPA – Sociedade Vinícola de Palmela, SA foi criada no ano de 1964 por um grupo de vitivinicultores que se uniram para formarem esta sociedade com o objectivo de engarrafar os vinhos das suas produções e de os colocarem no mercado.

O objectivo seria conseguir obter uma mais valia através do mercado de vinhos engarrafados, pois nesta altura pretendia-se acabar com a comercialização de vinhos a granel e vinhos em barril.

Entretanto na década de 90 entrou para o capital da sociedade uma das famílias com maiores tradições na produção de vinhos da região de Palmela, a família Cardoso, que através dos seus 400 ha de vinhas e com produções na ordem de 2 milhões de litros anuais assegurava uma maior homogeneidade na qualidade dos vinhos. Nesta altura começou-se a apostar nos vinhos certificados e de maior qualidade.

publi

Hoje em dia a Sivipa é uma sociedade com grande reputação na produção de vinhos e moscatéis.

Somente três dados importantes a considerar e a reter:

Volume de vendas no primeiro ano – 1 012 000 litros.

Inicio da produção de Moscatel de Setúbal – ano de 1979.

Construção da actual linha de engarrafamento – ano de 1999.

Alexandre Santucci disse que “Abrir um bom syrah e saborear a vida é tão bom quanto sempre encontrar um motivo para sorrir, e isso é tão parecido com o amor! “

Ora aí está! O Ameias syrah pode ser o primeiro passo para isso mesmo!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 6,50€

ft


 

SYRAH, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Lisboa, 2011

garrafa_sl

A Casa Santos Lima é o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, e um dos produtores portugueses mais premiados em concursos internacionais.

As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.

Como tal a Casa Santos Lima teria que ter o seu syrah, para nosso regozijo.

quinta

A Casa Santos Lima é uma empresa familiar, fundada por Joaquim Santos Lima, que, no final do século XIX, era já um grande produtor e exportador de vinhos. Maria João Santos Lima e José Luís Santos Lima Oliveira da Silva, neta e bisneto do fundador, gerem a empresa desde 1990, tendo procedido à replantação de grande parte das vinhas e modernizado toda a infra-estrutura produtiva.

As vinhas  distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 290 hectares.

O syrah da Casa Santos Lima teve as seguintes safras: a primeira em 2001, a segunda em 2003 e depois todos os anos até 2009. A actual  é de 2011.

As notas de prova dizem-nos que em termos de cor temos um rubi definido. Este é “um vinho seco e delicado com aromas agradáveis de frutos vermelhos. No palato é fresco e frutado, novamente com notas de frutos vermelhos, framboesas, cerejas e ervas. Bom corpo e estrutura, com uma longa persistência a fruta no final de boca.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

vinhas_1

O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período do Jurássico Superior, tendo sido encontrados numerosos exemplos de fósseis de vida marinha, e inclusivamente vestígios dedinossáuros (Apatosaurus alenquerensis). A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único e também, em menor escala, com as melhores castas internacionais. É possível encontrar na Casa Santos Lima cerca de 50 variedades de castas diferentes (algumas com carácter experimental). Brancas: Arinto, Fernão Pires, Moscatel, Rabo-de-Ovelha, Seara Nova e Vital, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Tintas: Alfrocheiro, Camarate, Castelão, Preto Martinho, Sousão, Tinta Barroca, Tinta Miúda, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante-Bouschet, Cabernet Sauvignon, Caladoc, Merlot, Pinot Noir e a nossa Syrah, obviamente.

Podemos pois aqui encontrar uma enorme diversidade de castas, como ficou mencionado. Visando a prevenção da erosão dos solos, a redução natural da produção média e a antecipação das maturações (factores importantes na produção de uvas de qualidade), adoptou-se uma política de enrelvamento natural, que consiste em manter o solo revestido com vegetação espontânea (flora natural ou residente) e/ou semeada.

A precipitação anual média é de cerca de 700mm e ocorre na sua maioria entre os meses de Outubro e Abril, fornecendo ao solo, que tem grande capacidade de retenção, a água necessária para um óptimo desenvolvimento vegetativo das plantas. A secura dos meses de Verão (Junho, Julho, Agosto e Setembro) e temperaturas médias de cerca de 21/22 ºC, que resultam da alternância de temperaturas máximas diurnas de 27/28ºC com temperaturas mínimas nocturnas de 15/16ºC, proporcionam uma amplitude térmica adequada para a obtenção de maturações equilibradas e a produção de uvas de grande qualidade.

A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990 e mais de 120 ha foram já plantados desde então, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único, e também, em menor escala com as melhores castas internacionais.

O sistema de Protecção Integrada é aplicado nas vinhas e pomares. O enrelvamento, já referido, é também uma prática adoptada por esta empresa, e tem contribuído para a prevenção da erosão dos solos, redução natural da produção por hectare e antecipação das maturações, factores importantes na produção de uvas de qualidade.

Em 1996 iniciou-se a comercialização dos primeiros vinhos engarrafados – Quinta da Espiga, Quinta das Setencostas, Palha-Canas e alguns varietais, que imediatamente tiveram grande sucesso nos mercados nacional e internacional. Actualmente, cerca de 90% da produção total é exportada para 40 países nos cinco continentes.

A Adega foi construída no final da década de 30 do século XX  tendo beneficiado, ao longo dos últimos anos, de inúmeros melhoramentos e introdução das mais avançadas tecnologias.

Durante o processo produtivo, conjugam-se práticas tradicionais com a mais moderna tecnologia. A vindima é feita por via manual e mecânica, tendo início na segunda quinzena de Agosto e prolongando-se até inicio de Outubro.

A política de plantar castas inovadoras na região e de manter algumas tradicionais que se encontravam em vias de extinção, teve como efeito a produção de uma das mais vastas colecções de vinhos mono – varietais em Portugal, alguns deles únicos, como o caso das castas Camarate e Preto Martinho. Mais recentemente, esta colecção tem sido complementada por vinhos bi-varietais, resultando em combinações bem sucedidas entre castas nacionais e internacionais.

adega

Produzidos a partir de uvas seleccionadas e de excelente qualidade os vinhos são frutados, com um bom equilíbrio, concentração e acidez. Fica o nosso convite para experimentarem o syrah de que aqui vos falamos.

Termina-se, citando o grande romancista francês Victor Hugo que afirmou com toda a propriedade: “Deus apenas criou a água, mas foi o homem que fez o syrah”.

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 4,99€

ft_sl