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Santa Vitória, Casa de Santa Vitória, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Bebo o vinho do teu corpo
Devagar como se a boca
Fosse uma flor onde o tempo
Desenha um mapa da vida

Corre o vinho do teu corpo
Nos lençóis da madrugada
E há carícias debruçadas
À janela do silêncio

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede

E provo o vinho do teu corpo
Gota a gota e beijo a beijo
Como quem recolhe o sonho
De entre os dedos de um sorriso

Corre o vinho do teu corpo
Nos regatos do luar
Que hão-de vir desaguar
Mansamente nos meus braços

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo
Devagar e quase a medo
Na surpresa dos segredos
Copos cheios de prazer

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede

Gota a gota beijo a beijo

Pablo Neruda, e a sua poesia, é um dos nossos companheiros de andanças aqui no Blogue do Syrah.
Syrah rima com poesia!
Bebo o vinho do teu corpo, Santa Vitória… poderia ser este o mote para falarmos sobre mais um syrah alentejano, de qualidade acima da média.

Os Syrah por estas bandas são densos, corpulentos, de cor carregada e duradouros, plenos de poesia, poderíamos acrescentar. Um clima quente e seco é indispensável ao florescimento e frutificação desta uva tinta. Ao contrário de outras castas, há nela uma estreita relação entre a sua poda severa e a eventual qualidade do vinho.

O Santa Vitória Syrah é de safra única, com uma tiragem de 3300 garrafas, e tem  graduação alcoólica de 15%. Estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado sem filtração. As notas de prova apontam “aromas frutados, notas de ameixas pretas, cassis, chocolate preto e especiarias.”

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Os vinhos da Casa Santa Vitoria são produzidos a partir de 3 vinhas: Encosta, Albernôa e Juliana. Situam-se na Herdade da Malhada, em Santa Vitória, no concelho de Beja. No encepamento as castas tintas são: Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet e Baga. As castas brancas são: Verdejo, Sauvignon Blanc, Viozinho, Antão Vaz, Arinto e Chardonnay.

As vinhas giram à volta da adega, permitindo que as uvas aí cheguem rapidamente sem sofrer alterações durante o percurso, sendo processadas logo após a sua chegada. A plantação da vinha teve início no ano 2000. Com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas, sempre que necessário são feitas mondas de cachos, operação que na práctica significa retirarem-se cachos da videira para melhorar a qualidade dos cachos que ficam.

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Numa área total de vinha de cerca de 127 hectares, as castas tintas compreendem cerca de 105 hectares e as brancas 22 hectares. Foram escolhidas as mais nobres castas nacionais e estrangeiras, que melhor se adaptam ao “terroir“. O estágio em barricas de carvalho de elevada qualidade, promove a passagem de alguns componentes da madeira (taninos e compostos aromáticos) para o vinho, conferindo-lhe complexidade e elegância.

Combinando características únicas e claramente diferenciadas dos restantes parceiros neste sector, a Casa de Santa Vitória oferece grandes vinhos e uma cuidada oferta de gastronomia regional.
Aprecie-se a sua apresentação em vídeo.

A vinha foi plantada nos solos mais pobres, com declives suaves e uma exposição dominante a Sul. O clima é caracterizado por Primaveras temperadas e Verões quentes mas com noites frias. Estas amplitudes térmicas diárias permitem atingir um ponto óptimo de maturação mantendo, no entanto, a elegância na justa medida.

Os valores relativos à insolação são muito elevados, aproximadamente 3000 horas/ano, particularmente no trimestre que antecede as vindimas, contribuindo para a perfeita maturação das uvas e qualidade dos vinhos. São de facto condições marcadamente favoráveis à síntese e acumulação dos açúcares e à concentração de matérias corantes na película dos bagos, originando vinhos macios, com muito corpo e cor.

Os melhores vinhos estagiam em barricas de carvalho francês numa cave com controlo de humidade e temperatura, possibilitando uma maturação adequada. Na Adega é onde tudo acontece: a vinificação, o controlo de qualidade, o estágio, o engarrafamento e o armazenamento.

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A Casa de Santa Vitória é uma empresa, propriedade do Grupo Vila Galé, focada na produção e comercialização de vinhos e azeites alentejanos de qualidade superior. Fundada em 2002, e fruto de uma paixão pelos produtos ligados à terra, esta empresa representa um investimento que pretende proporcionar um contacto directo com o que de melhor se produz no Alentejo.

Acabamos como começámos, acariciando os sentidos sorvendo este Santa Vitória gota a gota, como se fossem beijos…

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Gota a gota beijo a beijo!

Classificação: 18/20                                                     Preço: 18,00€

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Vila Santa, João Portugal Ramos, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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No Alentejo, mais precisamente em Estremoz, de novo, para conhecermos um Syrah de superior qualidade, e que nos vai ficar na vinícola memória: o Vila Santa Syrah, do enólogo João Portugal Ramos.

Em pleno coração do Alto Alentejo, os solos derivados de xisto e argilo-calcários, bem como o clima de influência continental, permitem obter reduzidas oscilações qualitativas e vindimas sem chuva, condições ideais para uma cultura vitivinícola de excepção.

Foi este o local eleito por João Portugal Ramos para fazer os seus próprios vinhos, após a longa carreira como enólogo de sucesso, consultor de algumas das principais regiões vitivinícolas de Portugal.

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Foi em Estremoz que João Portugal Ramos criou a sua empresa e fez o seu primeiro Syrah, que vai na sua quarta edição, a melhor de todas, afiançamos nós! A primeira safra foi em 2008. A segunda em 2009. A terceira em 2011 e a quarta em 2013, esta que está hoje aqui em escrutínio.

É desta maneira que o enólogo apresenta a nossa menina: “Casta tinta de qualidade, apresenta cachos e bagos pequenos, uniformes e com bons taninos, que dá origem a vinhos densos, encorpados, de cor carregada, com boa capacidade de envelhecimento, potenciando o desenvolvimento do aroma.” E o que nos é dito sobre as notas de prova? Pois o seguinte: “Uma grande concentração aromática destacando-se notas minerais, especiarias e ainda algumas sugestões a chocolate amargo e fruta madura. É um tinto potente, elegante e macio, com taninos compactos e grande persistência final.” Tem uma graduação alcoólica de 14%. O estágio foi de  6 meses em pipas novas de carvalho americano e francês.

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Depois de um longo percurso por todas as principais zonas vitivinícolas do país, em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros hectares de vinha em Estremoz, onde reside, dando início ao seu projecto pessoal. Foi este o local eleito por João Portugal Ramos para fazer os seus próprios vinhos. A primeira vindima realizou-se em 1992, sendo 1997 o primeiro ano em que foi vinificada nas novas instalações. Dado o sucesso do projecto, foram sucessivamente ampliadas.

Para os tintos foram escolhidas as castas Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Castelão, Alicante Bouschet e, ainda, Cabernet Sauvignon, Syrah, Petit Verdot e Merlot, embora em menores quantidades.

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Os brancos, nascem das castas Antão Vaz, Arinto, Roupeiro, Verdelho, Sauvignon Blanc, Alvarinho e ainda Viognier.

João Portugal Ramos elabora a sua arte a partir de uvas provenientes de 600 hectares de vinhas, entre próprias e arrendadas, sendo os técnicos de viticultura responsáveis por toda a sua orientação programática: escolha das parcelas, selecção das castas, acompanhamento das vinhas e marcação da data da vindima. As parcelas de vinhas estendem-se de sul a norte do Alentejo, com altitudes compreendidas entre as cotas 150 e os 400 metros, sendo a grande maioria ao redor de Estremoz. Os tipos de solos dominantes são predominantemente de origem xistosa, pardos mediterrânicos, argilocalcários e uma pequena área de argilosos.

E como já é habitual temos uma citação de alguém do mundo da cultura que nos deixa um pensamento ou uma breve reflexão que tem a ver com Syrah. Hoje estamos para citar a escritora de ‘Bonjour Tristesse’, Françoise Sagan: “Devemos celebrar o fim de um caso de amor da mesma maneira que celebramos a morte em New Orleans, com música, riso, dança e muito Syrah.” Se por lá houver, dizemos nós, que haverá, muito e igualmente bom, embora o nosso seja melhor, assim o achamos.

Esse Syrah poderia muito bem ser o Vila Santa, mesmo sem a morte à espreita ou amores à beira do fim!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 9,90€

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Analisar e degustar vinhos não é matéria científica!

Hoje queremos abordar uma questão importante, embora bem vistas as coisas não seja um assunto determinante.

Aquilo que fazemos aqui no Blogue do Syrah desde há vários meses, sempre com muito gosto, e assim pretendemos continuar durante muito tempo, é degustar e analisar vinhos a 100% da casta Syrah. E para o nosso assunto de hoje o facto de ser syrah não é relevante, pois vamos falar de algo subjectivo que não podemos considerar,  nem queremos, matéria de ordem científica, estando ligado ao mundo dos vinhos em geral.

Vejamos. É possível determinar se um vinho é superior tendo em conta as sua qualidade e potencialidades demonstradas a vários níveis. Mas a partir desse ponto, o que verdadeiramente impera, é o gosto pessoal daquele que degusta o vinho. Desse modo não é possível dizer que a degustação de um vinho é matéria de ordem científica.

Já nos temos cruzado com muitas pessoas altamente qualificadas que dizem convictamente que a sua casta preferida é a célebre Touriga Nacional. E quando nos dizem isso respondemos que ainda bem que há pessoas que gostam dessa casta porque senão os vinhos do Douro mais cedo ou mais tarde desapareceriam.

Na mesma linha de pensamento também é possível dizer que o vinho mais caro não quer dizer que seja obrigatoriamente aquele que mais apreciamos. É possível, e um enófilo encontrará vários exemplos para dar, encontrar um vinho a um preço mais moderado e ser, para o nosso gosto pessoal, superior a um outro vinho de um preço bem mais elevado.

Mas nesta análise, também há limites. Que ninguém tenha a pretensão de apresentar um vinho corrente de supermercado que custa um euro e pouco e ter o descaramento de defender o argumento de que é de qualidade superior a um vinho de, por exemplo, oito ou dez euros. Uma certa flexibilidade é possível, mas milagres é que não. Convidamos pois os nossos leitores a verem atentamente o vídeo que a seguir apresentamos.

É precisamente do nosso tema de hoje que trata este vídeo. Como se pode ver, apresenta uma degustação muito especial, porque reúne 15 dos maiores provadores de âmbito internacional sobre uma prova às cegas sobre alguns dos melhores Bordeaux da altura, isto em 2001.

Num conjunto de 11 vinhos degustados, o mais caro, um Pétrus, que custa mais de 1500 euros, ficou em oitavo lugar, enquanto que o vinho mais barato de 14 euros ficou classificado em segundo. Em primeiro lugar ficou um vinho que em termos de preço era o terceiro mais barato, custando um pouco mais de 150 euros, enquanto que o segundo vinho mais caro de mais de 740 euros só conseguiu o quinto lugar.

Por aqui se vê bem que a relação preço qualidade não é uma relação directa e isto leva-nos naturalmente a salientar o que dissemos no princípio deste texto:
analisar e degustar vinhos não é, de modo algum, uma matéria de natureza científica!

Fica desde já a deixa para uma próxima reflexão: o que determina o preço dos vinhos, ou seja, o que leva alguém a pedir 1500 euros por uma garrafa de vinho?


 

Bonifácio, António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda., 100% Syrah, Lisboa, 2009

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Na região vitivinícola de Lisboa estamos hoje em presença de um syrah elegante e aromático, que pode servir muito bem de aperitivo para uma longa refeição. Eis então o Bonifácio, 100% syrah, da António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda.,  que, como se percebe, é uma empresa familiar.

Elegância parece ser a palavra chave para designar este syrah que tem uma relação qualidade-preço deveras memorável.

Duas safras viram a luz do dia. A de 2007, já esgotada, e a de 2009, que ainda está disponível no mercado. Com 13,5% de graduação alcoólica, este syrah foi feito, garante-nos o produtor e nós acreditamos, lá está, devido aos seus aromas e elegância, a partir de uma cuidadosa selecção de uvas, provenientes exclusivamente da casta Syrah, como deve de ser. “De cor vermelha-violeta profunda e intensa, possui um forte aroma e sabor a frutos silvestres e ameixas, sendo bem equilibrado em estrutura e acidez. Este vinho é excelente para carnes grelhadas, mas também pratos de peixe bastante elaborados e condimentados.” Deve ser consumido a uma temperatura entre 16º e 18º C.

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Situada a Norte do Rio Tejo, a região vitivinícola de Lisboa, é a segunda maior produtora de vinho em Portugal sendo esta composta por dez sub-regiões: Encostas de Aire, Alcobaça, Lourinhã, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Bucelas, Colares e Carcavelos.

As cidades de Torres Vedras, Alenquer e Óbidos são os principais pólos da Região, contendo a maior área de plantação de vinhas, ao longo de verdes encostas. Torres Vedras, é o concelho que tem a maior produção de vinho do país.

Aqui, encontram-se solos argilo-calcários e solos argilo-arenosos, muito férteis, que melhoram o cultivo e qualidade das uvas. O clima é ameno, com uma precipitação média de 700 mm por ano e não há alterações importantes de temperatura. Estas são as características que tornam únicos os vinhos desta região.

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A empresa António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda. iniciou a sua actividade em Janeiro de 1964, prosseguindo o trabalho de seu fundador, António Francisco Bonifácio, que desde muito jovem concentrou os seus esforços no cultivo e crescimento da vinha e na produção de vinho. Conseguiu com sucesso gerir o seu negócio por mais de 40 anos e sempre com uma preocupação: fazer vinhos de qualidade! As gerações seguintes, quiseram manter a fasquia nesse ponto alto, tendo sido desenvolvido um trabalho conjunto em que os valores de inovação e exigência se encontram sempre presentes.

A produção dos vinhos, nasce de uma cuidadosa selecção das uvas, como já referimos. Após serem colhidas estas são descarregadas em tegões, o ponto inicial de duas linhas paralelas de produção – uma para uvas brancas e outra para uvas tintas.

No caso das uvas brancas, o vinho é produzido sob o processo de “Bica Aberta” sendo as uvas encaminhadas para uma prensa pneumática onde os mostos são separados e as massas prensadas. Após este procedimento o mosto é submetido a choque térmico a frio, desenvolvendo-se a fermentação a temperatura controlada.

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As uvas tintas, após desengace e esmagamento, são encaminhadas para cubas de fermentação, passando por um processo de maceração a frio, decorrendo posteriormente a fermentação a temperatura controlada efectuando-se um processo de remontagem por lixiviação de massas.

O estágio dos vinhos tintos processa-se em depósitos de inox e numa segunda fase em garrafas.

Para acompanhar a evolução dos tempos, foram criadas novas instalações, dispondo de modernas condições para a produção e engarrafamento, com grande capacidade de resposta, respeitando todas as exigências do mercado actual : uma linha automática de enchimento de garrafas e duas linhas de Bag-In-Box.

Nas vinhas encontram-se, entre outras, as castas Castelão, Tinta Miúda e Alicante Bouschet.

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Estas são amadurecidas em solos argilo-calcários, à luz do sol e com uma baixa precipitação.

As vinhas crescem em solos superficiais, de baixa fertilidade e não são regadas em qualquer altura do ano para evitar a diminuição de taninos, elementos básicos para um excelente envelhecimento.

A poda das videiras durante o Inverno e o Verão é executada conscienciosamente e com extremo cuidado: antes da vindima, já após o aparecimento do fruto, quando necessário, são removidos alguns ramos de forma a aumentar a qualidade das uvas que ficam na planta.

Todos estes processos reduzem o rendimento das vinhas, mas mantém a quantidade e qualidade adequadas para obter as melhores uvas, com as melhores notas de acidez e estrutura tânica, necessárias para a produção e envelhecimento dos vinhos.

O poeta persa Rumi, do século XIII, dizia que  “Através do amor todo amargo será doce, através do amor todo cobre será ouro, através do amor toda borra será vinho, através do amor toda a dor será remédio.”

Esta é uma boa maneira de terminar a nossa reflexão sobre o Bonifácio syrah, um vinho a ter presente independentemente das condições não vinícolas que possamos considerar!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,85€

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Solar dos Lobos, Silveira e Outro, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Continuamos hoje pelo Alentejo, com a garantia de estarmos bem acompanhados, como é costume!

Estamos entre Redondo e Arraiolos, para conhecer o syrah do Solar dos Lobos, safra de 2011. Syrah de qualidade e para ter sempre presente em todas as ocasiões. Tem 14% de graduação alcoólica e é 100% syrah, como deve de ser. A enóloga é Susana Esteban, sim, que as mulheres também sabem fazer bons syrah, como aqui se vai provar e comprovar!

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O syrah é apresentado da seguinte maneira: “Vinho de corpo inteiro, com personalidade vincada e dentro da linha dos varietais de Solar dos Lobos. Este varietal Syrah de cor viva com notas azuis profundas, é de aroma muito intenso a fruta e chocolates negros que não tapam as notas de madeira de carvalho francês bem presentes. Dentro da harmonia do sabor denota-se volume, consistência e final de gosto profundo. É um vinho que traduz um equilíbrio perfeito na relação dos taninos com o álcool (índice de “souplesse”). O apogeu acontece aos 2 a 5 anos. Quando consumido a 18º deve maridar com iguarias de confecção prolongada mas com condimentação acentuada.”

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O vinho Solar dos Lobos é resultado de uma tripla selecção de cachos e apenas provêm dos 75 hectares de vinha. A primeira selecção inicia-se perto do pintor em que se faz uma monda de cachos, seleccionando apenas os cachos que irão permitir o máximo de qualidade.

A segunda selecção acontece na vindima, em que as pessoas que vindimam estão sensibilizadas a apenas apanhar os cachos que se apresentem com um estado sanitário perfeito.

A terceira selecção é feita na entrada da uva na adega, pois esta é descarregada das caixas de 20Kg para o tapete de escolha onde se encontram 2 a 4 pessoas a retirar todas as folhas, ramos, e cachos que não possuam qualidade, por estarem verdes ou em passa.

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A Herdade Vale D’Anta (25ha) fundada pelos Avós Julieta Pereira Gancho e João Rafael Coelho Gancho, situa-se junto à harmoniosa e inspiradora Serra D’Ossa (Redondo), onde o seu microclima mais fresco é tão característico. Produz essencialmente castas tintas como a rainha Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonez, Castelão, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet.

A vinha de Arraiolos (50ha), zona quente e reconhecida pelo seu potencial em fazer grandes vinhos, produz além das castas tintas, algumas castas brancas como o Arinto, Sauvignon Blanc, Antão Vaz e Chardonnay.

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Eis pois a história de uma família alentejana, com os seus antepassados ligados às terras de Alvito (Beja), tem os seus segredos e tradições encerrados no seu Brasão de Armas dos Lobo da Silveira, com origem no 1º Barão e Marquês de Alvito no séc. XV, primeiro título de barão concedido em Portugal por D. Afonso V. Cinco lobos tem este Brasão de Armas, e cinco são hoje curiosamente os seus descendentes. Cinco jovens primos que se comprometeram a levar a mensagem das suas raízes aos quatro cantos do mundo, hoje guiada pelas mãos dos irmãos Filipa e Miguel Lobo da Silveira.

E uma referência ainda à garrafa, de design muito original, como aliás são todas as que a casa produz, com um cartoon exibindo o dilema da escolha entre duas paixões… a mulher ou o syrah… Mas porquê escolher? Porque não ficar com os dois!

Então que depois de escolhido este feminino Solar dos Lobos, fica-nos para declamar a nossa alma vinícola Florbela Espanca (de seu nome de baptismo precisamente Flor Bela Lobo) e o seu soneto Errante:

Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.

Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura…

Meu coração não chega lá decerto…
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto…

Eu tecerei uns sonhos irreais…
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!

Para concluir, e somente como mera curiosidade, há quatro syrah portugueses onde o nome “Lobo” está presente. O Solar dos Lobos aqui apresentado, o Pulo do Lobo também do Alentejo a apresentar brevemente, o Vale de Lobos, do Tejo, já por nós apresentado, e finalmente o Lobo Novo de Setúbal.

Tudo lobos distintos, mas este de hoje foi o que nos obteve melhor pontuação!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 11,00€

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O engarrafamento, um choque que maltrata o vinho!

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Nenhum vinho deve ser bebido imediatamente após ter sido engarrafado!
Deve-se  deixá-lo repousar de um a três meses, conforme o tipo e a casta,  para readquirir o equilíbrio.

O engarrafamento, por mais cuidadoso que tenha sido, causa um choque no vinho. A aeração vigorosa atenua momentaneamente o seu frutado e aquilo a que os especialistas chamam o seu buquê. Quando cessa o efeito oxidante do ar, o vinho reencontra o equilíbrio.

O engarrafamento, é uma operação traumática. Dependendo da safra, o vinho deverá de seguida ser colocado em repouso mais ou menos tempo para reencontrar as suas qualidades.

Todos nós já ouvimos o aviso de produtores durante a degustação do seu néctar: “Atenção, o vinho acabou de ser engarrafado” subentendendo-se que não está no seu estado normal. Na verdade, imediatamente após o engarrafamento o vinho sofre o tal choque que pode ser traumático. Chama-se a isso a “doença da garrafa”. Durante este período, a maioria dos vinhos são dificilmente bebíveis e muitas vezes sabem mal.

Esta “indisposição” felizmente é temporária, e os vinhos reencontram o essencial das suas qualidades depois de algumas semanas ou menos, de repouso total.

O engarrafamento ocorre após a elaboração do vinho quando o produtor acredita que o vinho está feito. A operação tem lugar no mês de Novembro para vinhos jovens, no caso francês, por exemplo o beaujolais, e até ao mês de Janeiro para os vinhos rosados a beber rapidamente. Para os tintos vários meses, ou até mesmo anos para os chamados vinhos de guarda.

Muitas vezes, os produtores de vinho fazem várias “actualizações” duma mesma safra. Várias quintas socorrem-se de empresas de engarrafamento que possuem a tecnologia que as pequenas produções não detêm.

O enólogo sabe que é preferível realizar a operação nos dias anticiclónicos pois realizar o engarrafamento num dia de forte depressão, irá provocar no vinho a perda de gás e de aromas.