Em Arraiolos, Alentejo, acabou de sair a segunda colheita deste Syrah Monte da Ravasqueira. A primeira tinha o ano imediatamente anterior e já mostrava potencialidades. Esta de 2013 reforça essa mesmo qualidade. Na recente prova cega de Outubro de Syrah portugueses contra Syrah estrangeiros ficou num honroso sexto lugar entre vinte Syrah participantes!
97% Syrah, 3% Viognier, é o rácio, logo é um monocasta Syrah, que acontece sempre que há na sua composição pelo menos 85% da casta maioritária. As uvas de Viognier foram vindimadas tardiamente e congeladas à espera da vindima de Syrah. Foram deixados apenas dois cachos por cepa de forma que as uvas de Viognier ganhassem concentração aromática. O Syrah é originário da parcela Vinha das Romãs, mas de zonas distintas, e seleccionadas para o perfil deste vinho. As notas de prova dizem-nos que possui ”Cor negra e densa. Nariz com mescla de pimentas, frutos vermelhos maduros, alcatrão e leve pêssego e damasco. Mineral, cheio de volume, taninos em constante equilíbrio com a acidez viva e vibrante. Complexo com notas de moca, café e bolacha. Taninos finos constantes com prolongamento mineral e mentolado.” O teor alcoólico é de 13,5%.
A herdade dispõe de uma área total de vinha de 45 hectares, a maioria dos quais plantados em solos argilo-calcários com afloramentos graníticos. Este tipo de solos tem médio poder de retenção de água em profundidade, sendo extremamente necessário, mesmo nos meses de maturação, efectuar rega gota-a-gota de forma a garantir um adequado fornecimento de água e sais minerais, o que constitui um factor essencial e crítico para a qualidade das uvas do Monte da Ravasqueira. Faz parte da Rota dos Vinhos do Alentejo.Com uma produção anual de cerca de um milhão de garrafas, o Monte da Ravasqueira realizou a sua primeira vindima em 2001, comercializando actualmente no mercado nacional e de exportação as marcas Prova, Calantica, Fonte da Serrana e Monte da Ravasqueira. As vinhas, com uma média de idade de dez anos, são conduzidas em cordão bilateral com o objectivo de optimizar a exposição solar, a maturação e a qualidade das uvas. Toda a vinha está plantada em encostas com declive variável, o que proporciona uma variabilidade de equilíbrios e que permite, todos os anos, seleccionar as melhores zonas para cada vinho que se pretende produzir.
Ovídio escreveu:“O vinho dá coragem ao amor, se não se bebe em excesso.”
O Syrah do Monte da Ravasqueira pode ser perfeitamente uma boa opção quer para o sexo masculino como feminino. E assim nos vamos por hoje, acompanhados de uma reconfortante taça de Ravasqueira formato Syrah, ainda que não integral… mesmo assim sumo prazer!
Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal.
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas.
Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação e divulgação.
Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar Pedro Baptista, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com duas colheitas. Não parece ser muito para mais de duas décadas como “fazedor de vinhos” (winemaker), mas trata-se de dois topo de gama e daí o nosso imenso interesse e admiração!
Aqui vão eles:
Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo (2006 e 2010)
Classificação: 19/20
Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo (2013 e 2014)
Classificação: 18/20
Vejamos cada um em pormenor.
Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo
E regressamos de novo ao Alentejo para apresentar um Syrah que nos leva directamente ao céu, quase literalmente. Scala Coeli é o nome, que em latim significa “escada para o céu” . Este é justamente um daqueles syrah que nos faz dizer que os melhores Syrah do mundo se encontram em Portugal. Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.
Scala Coeli surge no cume deste nosso mito, e é um nome desde há muito ligado a Eugénio de Almeida. Trata-se de um convento, mesmo à saída de Évora, abandonado no início do século. Vasco Eugénio de Almeida recuperou-o e devolveu-o à Ordem dos Monges da Cartuxa, sendo hoje um convento de clausura e silêncio. Na sua história conta-se ainda ter sido em tempos a Escola Agrária e Agrícola. Este bonito convento serviu de inspiração para um grande vinho, que tem sido feito todos os anos com castas diferentes: o famoso Scala Coeli, da Cartuxa.
Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli foi feito por duas vezes: em 2006 com 14,5 de graduação alcoólica e em 2010 com 15,5 de graduação alcoólica. Por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”
Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo
O Syrah Humanitas nasceu predestinado para vencer!
Ainda antes de ir para o mercado já tinha conquistado duas medalhas: uma nacional, outra internacional (no concurso Syrah du Monde, o mais importante para um monocasta Syrah). É verdade que as medalhas valem o que valem mas também é verdade que não podem ser menosprezadas. O Humanitas – mas que nome bem inspirado! – de 2013 é ainda um vinho jovem mas com uma grande capacidade de evolução. O Blogue do Syrah já o provou por três vezes nestes últimos meses sempre com efeitos ascendentes. Imaginem bebê-lo daqui a meia dúzia de anos?
O nome, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.
Só foram feitas 2100 garrafas, com um grau alcoólico de 14,5%. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”
A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. As produções serão sempre baixas e orientadas unicamente para a qualidade até porque a vinha só tem 2,5 hectares.
O proprietário, o muito simpático José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora.
Essência do Vinho TV – Um Dia de Vindimas com Pedro Baptista
Pedro Baptista estudou Enologia na École Supérieure d’Oenologie de Montpellier, França.
Iniciou os seus trabalhos na Fundação Eugénio de Almeida na vindima de 1994 e em 2002 no Monte dos Perdigões.
A ligação de Pedro Baptista a Granadeiro já data dos tempo da Fundação, visto que Henrique Granadeiro, desde 2001 na liderança do projecto Granadeiro Vinhos, esteve antes à frente da Eugénio de Almeida no lançamento de vinhos muito celebrados, casos dos Cartuxa ou Pêra-Manca. Actualmente é o responsável máximo pelos vinhos de ambas as empresas. E como não há duas sem três é também desde há uns quantos anos o enólogo da Vinha das Virtudes de Évora.
Em Janeiro de 2010 a revista “Wine – A Essência do Vinho”, atribui ao Enólogo da Fundação Eugénio de Almeida – Pedro Baptista – o prémio “Enólogo do Ano”.
Conhecemos Pedro Baptista na última edição do Vinho e Sabores, na antiga FIL, no mês passado, onde percebemos ser um homem simpático, um tanto ou quanto introvertido, mas que revela uma sageza muito subtil. É não só um dos grandes enólogos de Syrah como do vinho em geral, especialmente de um dos dois vinhos portugueses mais carismáticos dentro e fora de portas, o Pêra Manca!
Estamos ansiosos, mas tranquilos, aguardando o próximo Scala Coeli, assim como o Humanitas de 2015.
Estamos seguros de que valerá a espera!
Parece ser um Syrah novo, mas não é! Este Syrah que agora se chama Pinhal da Torre, já se chamou Quinta de S. João e antes disso chamava-se Quinta do Alqueve. É a terceira vez que muda de formato e garrafa, assim como de rótulos. Será esta a melhor estratégia para dar a conhecer um Syrah e fidelizar consumidores? Temos muitas dúvidas! Só alguém do ramo e com atenção percebe que Quinta do Alqueve Syrah ou Quinta de S. João Syrah ou ainda Pinhal da Torre Syrah são na realidade Syrah provenientes da mesma casa que se chama Pinhal da Torre. Mas convenhamos: a grande maioria dos consumidores não sabe isto!
Mas vamos falar do mais importante que é o que está dentro da garrafa. Este Syrah da Pinhal da Torre 2013 tem uma graduação alcoólica de 14% e tem uma “cor vermelho rubi, intenso, concentrado, aspecto limpo. No nariz aparece elegante, fruta preta madura, notas de cacau, balsâmico e fresco, com notas tostadas leves e bem integradas. Na boca grande estrutura, cheio, com equilíbrio notável, cheio de fruta fresca, com elegância.”
A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.
Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.
O poeta, matemático e astrónomo iraniano do século XII, Omar Khayan, escreveu: “Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, o paraíso deve estar vazio.”
Apesar dos nomes sempre diferentes assim como garrafas e rótulos, o Syrah da Pinhal da Torre pode muito bem ser um dos responsáveis do paraíso estar vazio. Viva o inferno!
Só uma nota breve, sobretudo de agradecimento a todos os que nos acompanham nesta aventura pelos caminhos do Syrah que se faz em Portugal, pois, segundo o contador oficial do Blogue, atingimos e ultrapassámos o Milhão de visitas! Não é o Milhão do Euromilhões mas estamos muito orgulhosos do percurso trilhado até este momento.
Muito obrigado a todos, leitores e produtores, e até ao próximo Milhão!
Este que hoje aqui nos trás, o Syrah 2012 da Herdade do Esporão, ficou em terceiro lugar na prova cega realizada em parceria entre o Blogue do Syrah e os Cegos por Provas no passado mês de Outubro em Lisboa. Nessa prova cega estavam presentes Syrah Franceses, Austríacos, Australianos, Sul Africanos, Chilenos e Argentinos para além dos Portugueses, naturalmente. Entre 20 Syrah presentes na prova o Syrah da Herdade do Esporão 2012 ficou em terceiro lugar. Isto atesta bem da qualidade intrínseca deste Syrah que já tinha sido atestado por nós aqui em relação ao seu irmão do ano anterior.
O Syrah da Herdade do Esporão é feito com vinhas entre 10 e 20 anos. Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho americano, seguidos de mais 18 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Fez-se uma pequena produção de cinco mil litros, o que deu qualquer coisa como 6600 garrafas. As notas de prova dizem-nos: “Nariz compacto, com notas evidentes de tosta, e ligeiras notas de café torrado. Revela fruta negra madura com taninos musculados e acidez que conduz a um final bastante persistente.”
A Herdade do Esporão beneficia de um clima mediterrânico-continental, com exposição solar intensa, com uma média anual de 300 dias de sol. O clima é também caracterizado por grandes amplitudes térmicas anuais, com Verões muito quentes e secos e Invernos curtos e chuvosos, com consideráveis amplitudes térmicas diárias. Estas características definem profundamente, a fauna, a flora, a paisagem, a arquitectura e as gentes do Alentejo. A Herdade do Esporão apresenta todas as características de uma paisagem tipicamente mediterrânica.
Se as vinhas são o pulmão da Herdade do Esporão, a adega é o coração que palpita ao ritmo da vindima e da sequência dos trabalhos definidos pelo calendário e pela equipa de enologia. A equipa de enologia do Esporão é liderada pelo Luso-Australiano David Baverstock, uma referência na enologia portuguesa, que tem dado um contributo decisivo para a afirmação nacional e internacional dos vinhos do Alentejo. A equipa de enologia completa-se com os enólogos Luís Patrão, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos tintos, e a Sandra Alves, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos brancos e rosés.
João Fillipe Clemente pensador brasileiro escreveu: “Você não pediu para nascer e, salvo raríssimas excepções, morrerá contra a sua vontade. Então, trate de aproveitar o intervalo entre esses dois momentos da melhor maneira possível, beba bons vinhos com bons amigos.”
O Syrah 2012 da Herdade do Esporão pode muito bem, entre outros Syrah, desempenhar com excelência esse papel!