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Que tal um vinho das uvas da tapada lá de casa?

Hoje a ideia em modo desvairado é fazer vinho de forma artesanal com as uvas cá de casa, por exemplo a latada na varanda que produz uvas de mesa mesmo docinhas, ou aquelas da tapada lá de trás, que também não são de se deitar fora. Como será pois este vinho?

latada

Portanto estamos a falar de plantar, colher, esmagar, fermentar… será assim tão fácil?
Fácil até pode ser, mas e os solos, e o clima, e os cuidados a ter, como obter mosto de qualidade para fazer vinho a sério? Cada tipo de solo, mesmo com uvas iguais, e até mesmo na mesma região, produzirá vinhos completamente diferentes. E as uvas precisam de sofrer, mesmo, solo pouco fértil, clima inclemente, pouca água na altura certa, etc. E se não houver frio a noite e calor durante o dia, a uva não terá boa acidez, e a concentração de taninos, no caso dos tintos, também fica ameaçada.

Bem, mas dá ou não para fazer vinho em casa!?
Claro que dá, mas para garantir uma qualidade mínima, apesar de todo prazer que isso possa dar, talvez seja mais fácil e barato ir até uma garrafeira, falar com quem sabe, e comprar uma garrafa de Syrah à séria, e degustar uns quantos mais que houver por lá, e que enorme enlevo que isso é. Acredite!


 

Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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Apresentamos aqui o ano passado o Lybra de 2011. Hoje vamos falar do Lybra 2013. O Lybra tem uma graduação alcoólica de 13,5%, e do qual são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por colheita. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.” O Lybra surgiu pela primeira vez em 2006 em substituição do Vinha da Nora.

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A Quinta do Monte d’Oiro é uma quinta de 20 hectares mas que faz uma gestão parcelar num conjunto total de 10 parcelas que possuem características muito particulares e diferenciadas em termos de solo. A própria vindima é feita parcela a parcela. Ora, se temos 10 parcelas e se os vários Syrah que existiram e existem da Quinta do Monte d`Oiro são de uma ou mais parcelas da quinta, lançamos uma questão: qual será, em termos teóricos, o número possível de combinações de modo a termos Syrah sempre diferentes? O Blogue do Syrah pediu ajuda a um professor de matemática que rapidamente deu a resposta: 1023 possibilidades de combinações entre as 10 parcelas de Syrah que a  Quinta do Monte d`Oiro possui. A família Bento dos Santos pode continuar a fazer Syrah sempre diferentes e sempre de qualidade.

Platão colocou na boca de Sócrates o seguinte texto sobre o vinho: “O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente…ele reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga. Se você bebe moderadamente em pequenos goles de cada vez, o vinho gotejará em seus pulmões como o mais doce orvalho da manhã… Assim,  então, o vinho não viola a razão, mas sim nos convida gentilmente à uma agradável alegria.”
O Lybra Syrah 2013 pode muito bem aspirar a esse desejo!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 8,95€


 

O Blogue do Syrah no Algés com Sabores

Foi um final de tarde bem passado em Algés, no Algés com Sabores, de Jorge Antunes, que ultimamente tem levado a cabo uma série de acontecimentos vínicos relevantes, e que na última sexta feira dia 2 de Dezembro recebeu os vinhos da Vinha das Virtudes, de Évora.

O motivo principal da nossa presença foi o Humanitas Syrah 2014, que já conhecíamos há uma semana, e que foi apresentado pelos dois principais responsáveis da Vinha das Vitudes: o produtor José Rodrigues e o director comercial e relações públicas Jorge Eusébio.

Ficam as imagens, feitas pelo Jorge Antunes.


 

Tributo, Rui Reguinga, 85% Syrah, 10% Grenache, 5% Viognier, Tejo, 2014

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Esta colheita atingiu o estrelato, sem dúvida. Temos mais um topo de gama do Tejo!
E se houvesse dúvidas bastaria lembrar o espectacular segundo lugar que obteve na prova cega que aconteceu no passado mês de Outubro e que colocou frente a frente Syrah português e Syrah estrangeiros, tendo este Tributo de 2014 obtido o segundo lugar, unicamente destronado pelo mítico Incógnito 2012!

Este vinho regional do Tejo, produzido a partir das castas Syrah (85%), Grenache (10%) e Viognier (5%), é feito bem à maneira dos franceses do Vale do Rhône, assumidamente. As notas de prova apresentam este Syrah da seguinte maneira: “De cor rubi, apresenta um aroma de grande intensidade, complexo, com notas de fruto vermelho maduro e amoras e um toque balsâmico da barrica. Paladar equilibrado, muito elegante, com uma boa acidez. Final longo, com uma agradável persistência. As características que melhor defendem este néctar são a elegância, equilíbrio e complexidade, apresentando-se com grande potencial de envelhecimento.” Tem graduação de 15%.

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Rui Reguinga acredita que é o terroir que está na raiz de tudo. Como ele diz: “Acredito que qualquer casta no terroir ideal pode produzir grandes vinhos…”
Não estamos em presença de um Syrah a 100%, como exigimos e apreciamos, mas reconhecemos e aceitamos a herança cultural importada da nobre região onde foi beber a sua génese. Nas palavras do enólogo:  “Um projecto sentimental, plantado em 1 hectare dado pelo meu pai, para “experimentar”. Este é um pequeno projecto pessoal, de apenas 2.000 garrafas. O vinho que idealizei fazer para mostrar um “caminho” diferente aos vinhos tintos ribatejanos: complexos, frescos, suaves e elegantes. Iniciado em 2001 com a plantação da vinha na Charneca de Almeirim, em solos muito pobres com calhau rolado. Com castas inspiradas na Cotes de Rhône: Syrah, Grenache, Mourvèdre e Viognier, pouca tecnologia e barricas “premium” de carvalho francês. Em todo o processo de selecção dos solos, preparação do terreno, plantação da vinha, o meu pai, vitivinicultor toda a sua vida, teve um papel fundamental. Infelizmente não viveria o suficiente para ver este sonho realizado. Por isso este vinho ganhou um significado diferente, e o seu nome: Tributo.”

O escritor Farnoux-Reynaud disse que:
“ Dado que o homem é o único animal que bebe sem sede, convém que o faça com discernimento.”
Maior discernimento não há se estivermos acompanhados duma taça de Syrah Tributo e o ano de 2014 está realmente muito bom!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 22,00€


 

Uvas orgânicas

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Continuando no reino dos estudos Universitários, neste caso a UCLA, Califórnia, e no que a Syrah diz respeito, neste caso falamos de Syrah biológico, ou orgânico, como é conhecido no resto do mundo, lemos que as uvas produzidas sob processos biológico produzem Syrah com gosto mais apurado.

Estudadas que foram 74.000 garrafas de vinho da Califórnia, todos os que tinham certificação biológica ficaram quase sempre acima da média em relação aos demais.

Magali Delmas, da UCLA, que dirigiu o estudo, afirma que a agricultura biológica tem ‘pequenos, mas significativos efeitos positivos sobre a qualidade do vinho’. Como na Califórnia se produz 90% do vinho que se vende nos Estados Unidos, a amostragem é pois muito significativa. Estudos semelhantes também apontam para estes resultados em França, por exemplo.

Foram consideradas não só a produção biológica como também a adega, em que a adição de sulfitos é reduzida ao mínimo.

No caso de Portugal, já várias vezes referimos a superior qualidade de alguns Syrah biológicos aqui produzidos. A listagem completa pode ser consultada neste nosso artigo anterior.


 

Syrah da Peceguina, Herdade da Malhadinha Nova, 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Mais uma revisitação deste Syrah alentejano, após termos descoberto uma garrafa perdida que estava mesmo à nossa espera!

A análise inicial tinha sido feita há 22 meses, em Janeiro de 2015. Hoje voltamos à carga para perceber como é que está este Syrah de 2010. E não é que continua muito bom e até melhorou desde então. E mais uma vez o problema é que já não há mais e não se sabe quando é que haverá!

O Syrah da Herdade da Malhadinha Nova é produzido em 27 hectares de vinha, resultando daí um Syrah poderoso! O teor alcoólico é de 15,5%. Foram feitas 6195 garrafas de 0,75l e 100 garrafas de 1,5l.

Em conversa com o enólogo da casa, Nuno Gonzalez, ficamos a saber que esta safra é somente a segunda que a Herdade da Malhadinha Nova fez de monocasta Syrah. O Syrah foi envelhecido em barrica. As uvas foram colhidas manualmente para caixas de 12 Kg e seleccionadas na mesa de escolha. A fermentação ocorreu em lagar a temperatura controlada com várias pisas durante todo o processo. Estágio de 18 meses, e não de 12 meses como diz na ficha técnica, em barricas novas de carvalho francês. Na ficha é dito, e nós confirmamos, que “espere pois no seu copo um vinho impetuoso, viril e carnudo, que nos deleita com o seu fruto maduro e que impressiona pelo seu corpo.” Também é dito que poderá ser guardado nas condições adequadas durante os próximos 10 anos. Temos pena que isso não possa acontecer!

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A Malhadinha Nova é uma típica herdade familiar alentejana, situada em Albernoa, no coração do Baixo Alentejo. Desde 1998, a paixão e empenho da família levaram à transformação de terras havia muito abandonadas em solos capazes de dar vida a produtos genuinamente alentejanos e de elevada qualidade, dedicando-se à produção de vinhos e à criação de animais de raça autóctones em total harmonia com a Natureza e rigoroso regime de protecção com denominação de origem protegida.

A Adega da Malhadinha Nova, tradicional mas sofisticada, reúne um conjunto de características muito favoráveis à obtenção de vinhos distintos. Situada a escassos metros da vinha, a adega aproveita a inclinação do terreno, permitindo que todo o processo de vinificação se faça por gravidade. Como já referido, a uva é recebida em pequenas caixas de 12kg e descarregada directamente para os modernos lagares refrigerados, onde a pisa a pé conjuga na perfeição métodos tradicionais de vinificação e utilização de tecnologia por forma a obter da uva todo o potencial que a Natureza lhe deu na vinha. A cave de barricas, escavada na encosta a vários metros de profundidade, confere ao vinho excelentes condições para o envelhecimento. A vinificação ocorre de forma tradicional em lagares, graças à estrutura da adega em vários níveis, todo o processo é feito por gravidade, evitando a utilização de bombas susceptíveis de retirar muita da qualidade pretendida.

Do poeta francês Charles Beaudelaire lembramos o poema A Alma do Vinho, e o excerto que diz: “A Alma do vinho assim cantava na garrafa: Homem, ó deserdado amigo, eu te compus, Nesta prisão de vidro e lacre em que te abafas, Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
Um topo de gama do qual vamos ter muitas saudades!

 

Classificação: 19/20                                              Preço: 20,00€

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