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Quinta dos Plátanos, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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Esta é infelizmente uma história diferente de todas aquelas que já aqui relatamos. É a história de um Syrah que depois de o ser já não o é! Vamos lá explicar a charada!

O ano passado tivemos conhecimento de que a Quinta dos Plátanos, de Alenquer, iria, pela primeira vez, lançar no mercado um monocasta Syrah. Ficamos naturalmente agradados! A seguir soubemos que esse dito Syrah iria participar da Prova Cega de Syrah que aconteceu no passado 3 de Outubro e que aqui amplamente divulgámos. E em vinte e seis Syrah em disputa, obteve o oitavo lugar, o que prova bem das suas potencialidades! Na altura faltava tratar dos rótulos. O que aqui apresentamos é apenas o rótulo provisório.

Ora acontece que passado todo este tempo o nosso muito desejado Syrah ainda não está no mercado e palpita-nos que nunca estará! Não nos parece que possa ser ainda a questão dos rótulos que está a atrasar a sua saída.

Uma semana antes da prova cega, o Blogue do Syrah, juntamente com alguns elementos dos Cegos por Provas e Tiago Paulo da Garrafeira Estado d´Alma tinham degustado este Syrah num final de tarde bem apelativo que nos deixou bem impressionados. Na prova cega também degustamos pela segunda vez este Syrah e contribuímos para o positivo resultado alcançado.

Mesmo estando a falar do que não existe, o lugar onde tão efémero Syrah nasceu merece o seu destaque.

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A Quinta dos Plátanos insere-se na Região Vitivinícola de Lisboa, com Denominação de Origem de Alenquer.
Cabeça de um vinculo instituído no século  XVII mantém-se desde então na família que sempre se dedicou à vitivinicultura. Uma das Quintas mais antigas do concelho de Alenquer, pertence, à freguesia de Aldeia Galega da Merceana. Pergaminhos não faltam e são de exaltar.

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Mesmo assim, apesar de toda esta longa e rica história, a vocação desta quinta tem sido a de fazer vinho a granel, aliás como era apanágio destas quintas de Alenquer e arredores de Lisboa. Muita da produção vinícola da quinta é embalada e despachada em caixas, com torneirinha, de cinco litros. Será que foi isso que aconteceu, ou seja, que o nosso tão desejado Syrah, que só daria para umas duas mil garrafas, foi aproveitado para vinhos de corte, embalado em boxes de cinco litros?

Há alguém que possa confirmar esta história ou pelo contrário dizer que estamos enganados e que dentro de dias o Syrah da Quinta dos Plátanos vai estar aí para mostrar o que vale? Ficamos à espera…

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8 a 10,00€?


 

Syrah e o Vale do Rhône

Neste vídeo verdadeiramente espectacular, apresentado em três partes, Michael Fagan leva o enófilo, e o público em geral, por uma viagem inesquecível a um dos paraísos dos amantes de Syrah: o Vale do Rhône.

As margens deste famoso rio são a casa-mãe de muitas das variedades de uvas que são plantadas em todo o mundo. Syrah, Grenache e Mourvèdre têm crescido aqui por gerações. No abraço do sol radiante, vento mistral implacável e solos rochosos, produzem-se vinhos que são tão saborosos quanto generosos.

Não vamos discutir por agora se a casta Syrah tem aqui a sua origem, Vale do Rhône, ou se veio de outra parte do mundo, aqui se sedentarizou e se espalhou por todo o mundo. O que é importante saber e ter presente, é que todo o Syrah que existe no mundo moderno veio daqui, veio do Vale do Rhône, tal como o Syrah português que tanto admiramos e teimamos a dar a conhecer.

São assim mais de 140 mil hectares em todo o mundo quando ainda nos anos oitenta era menos de 10 mil. A casta Syrah é pois considerada uma verdadeira casta internacional e para nós Blogue do Syrah a casta mais significativa da Vitis Vinífera. Que alguém nos venha contradizer!

 


 

Ainda a questão da moderação: como é que uma mulher fica após 3 taças de Syrah?

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Já vários blogues de vinhos falaram neste projecto original e no entanto bem simples, do fotógrafo brasileiro Marcos Alberti, chamado “3 Taças Depois“, em que amigos e desconhecidos foram fotografados após a primeira, a segunda e a terceira taça de vinho e o resultado ficou tão irreverente que a sua divulgação tem sido massiva, não só no Brasil como na Europa.

De acordo com o fotógrafo, o projecto teve início com uma brincadeira. Ao longo das fotos, é possível perceber que as pessoas se vão soltando com o “tomar das taças”. Um sorriso tímido surge entre a primeira e a segunda taça de vinho e, na terceira, geralmente, o fotografado aparece totalmente entregue.

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Falamos nisso porque esta situação mostra bem, indo ao encontro do que foi dito num texto anterior, onde escrevermos sobre vinhos e especificamente sobre Syrah, a importância de valorizar a qualidade em detrimento da quantidade. Interessa mais beber um Syrah extraordinário do que beber em excesso!

Por isso é que é importante apelar à moderação no consumo de Syrah, beber pouco mas bem, com subtileza, eventualmente fazer a sua harmonização com a comida enfatizando o lado gastronómico. Portanto de forma alguma apelamos ao abuso. Beber e apreciar Syrah está longe de ser o motivo para o problema da alcoolemia.

Vários estudos médicos sugerem que beber moderadamente, para os homens, significa duas taças de vinho ao dia. Já para as mulheres, o consumo moderado limita-se a uma taça diária. Mas vale ressaltar que essa definição de duas taças diárias para o homem, e uma para as mulheres, nem sempre foi assim, apesar de hoje parecer um razoável consenso.

Ora, é justamente isso que está aqui em causa! Vejam que todas as fotos femininas mostram bem que a foto tirada após a terceira taça a fotografada dificilmente pode ser considerada como estando numa situação completamente controlável.

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Em contrapartida a foto masculina, após a terceira taça, mostra claramente uma postura e um domínio de controlo. É verdade que nem todos os homens são iguais e o mesmo se pode dizer das mulheres. Mas o que é verdadeiramente importante ter presente é a moderação no consumo de bebidas alcoólicas e isso inclui o melhor dos Syrah!


 

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Foi no já longínquo mês de Novembro de 2014 que apresentamos aqui o Syrah topo de gama da Quinta da Lagoalva de Cima. Este texto hoje é uma revisão do que foi na altura publicado por nós.

Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”

Não se sabe quando será realizada a próxima colheita, mas esta de 2010, enquanto durar, preencherá todos os nossos critérios de qualidade e exigência. Na verdade, neste ano e meio de estágio em garrafa muito evoluiu este Syrah. Se já era excelente agora atingiu o nível que só alguns, diríamos mais, só mesmo os melhores, conseguem atingir! E olhem que não são muitos!

Foi exportado ao longo destes anos para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau.

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Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, (verificação que o Blogue do Syrah ainda está à espera de concretizar) provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.

As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

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A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

Este é um Syrah que vale mesmo a pena apreciar intensamente, e ao qual ciclicamente voltamos, porque se trata, à falta de melhor adjectivo, de um Syrah fabuloso!

 

Classificação: 20/20                                                                     Preço: 28,50€

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O que são as lágrimas de Syrah?

Possivelmente já ouviu alguém dizer que o Syrah tem “lágrimas”, ou até mesmo que o “Syrah chora”, e se achou que essa pessoa já tinha bebido além da conta, então está enganado.

As lágrimas de Syrah, também chamadas de pernas, arcos, abóbadas, ou ainda tecnicamente designadas por arquetes, são as gotas, ou filetes, que se formam na superfície da taça, quando agitamos um Syrah.

É comum ouvir que elas significam qualidade, doçura ou ainda que representam a viscosidade de um Syrah. Porém essas afirmações não passam de mitos equivocados. O facto é que elas são o resultado do efeito de Marangoni, nome dado em homenagem ás investigações do físico italiano Carlo Marangoni na década de 1870.

O fenómeno ocorre porque o Syrah integra dois componentes principais – água e álcool (etanol) – e estes dois componentes têm uma velocidade de evaporação e uma tensão superficial bem diferentes. Resumidamente, quando agitamos Syrah o efeito de capilaridade faz com que ele suba nas paredes da taça. Como o álcool evapora mais rapidamente que a água, a película de Syrah presa nas paredes torna-se cada vez mais aquosa, e como a tensão superficial da água é mais elevada que a do álcool, cria-se uma diferença de tensão que atira o Syrah para cima, formando um anel. Como as moléculas da água tendem a se agrupar, o anel “rompe-se”, formando gotas, que devido a força da gravidade vão escorrer e criar o efeito de lágrimas.

Desta forma concluímos que as “lágrimas”, nada têm a ver com a qualidade, ou viscosidade do Syrah. Elas são o resultado da diferença de velocidade de evaporação e de tensão superficial entre a água e o álcool, logo quanto mais elevado for o teor alcoólico, mais lágrimas o Syrah terá e mais lentamente irão descer pela taça. A humidade e temperatura da sala, também influenciam e se, por exemplo, estiver a beber um Syrah em frente à lareira, vai reparar que o efeito de Marangoni é mais acentuado.


 

A questão da moderação

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“A embriaguez não provoca os vícios: limita-se a pô-los em evidência” Séneca

Nós, que escrevemos sobre vinhos e especificamente sobre Syrah, salientamos, sempre que temos oportunidade, a importância de valorizar a qualidade em detrimento da quantidade. Interessa mais beber um Syrah extraordinário do que beber em excesso!

Por isso é que é importante apelar à moderação no consumo de Syrah, beber pouco mas bem, com subtileza, eventualmente fazer a sua harmonização com a comida enfatizando o lado gastronómico. Portanto de forma alguma apelamos ao abuso. Beber e apreciar Syrah está longe de ser o motivo para o problema da alcoolemia.

Vários estudos médicos sugerem que beber moderadamente, para os homens, significa duas taças de vinho ao dia. Já para as mulheres, o consumo moderado limita-se a uma taça diária. Mas vale ressaltar que essa definição de duas taças diárias para o homem, e uma para as mulheres, nem sempre foi assim, apesar de hoje parecer um razoável consenso.

No século XIX, por exemplo, o médio inglês Francis Anstie ficou famoso por propor qual seria o limite de consumo diário de álcool sem prejuízo para  a saúde: a recomendação era que as pessoas não excedessem o equivalente a “três ou quatro copos de vinho do Porto por dia”, sem fazer distinção entre homens e mulheres.

Já em 1979, o Colégio Real de Psiquiatria do Reino Unido considerou que “uma garrafa de tamanho padrão de vinho constituía uma directriz razoável de consumo diário”.
Em 1987, na Austrália, o Conselho Nacional de Pesquisa Médica e de Saúde recomendou limites de 4 taças de vinho diárias aos homens, e duas taças às mulheres. Mas, em 2001, ajustando as suas directrizes, a recomendação foi alterada para duas taças diárias, independente do sexo.

Assim como a margarina e os ovos, que ora são homenageados, ora são incriminados, o que se entende por consumo moderado também varia de acordo com a cultura e o conhecimento científico que se tem, à determinada época, e em determinado local.
De qualquer maneira, o conceito de consumo moderado está baseado no equilíbrio da relação entre maiores benefícios para a saúde, e menores riscos. Quem consome Syrah, moderadamente e com responsabilidade, desfruta sempre de todos os prazeres que ele proporciona.

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A moderação no consumo de álcool não é uma ideia nova. Essa preocupação sempre esteve presente na história da humanidade, e do vinho. Segundo a Bíblia, Noé teria sido o primeiro homem a plantar uma vinha. E também o primeiro homem a beber vinho. Mas infelizmente, também, o primeiro homem a embriagar-se. Aí entra uma outra história, presente no Midrash, literatura judaica que explica a Tora Escrita (ou Pentateuco, que são os cinco primeiros livros bíblicos, de autoria atribuída principalmente a Moisés). Quando Noé plantou a vinha, o diabo teria  aproveitado a situação, matando quatro animais (um cordeiro, um leão, um porco e um macaco), e teria derramado o sangue deles nas raízes da vinha.O efeito do álcool no nosso cérebro, seria, segundo o Midrash, resultado disso.
Um pouco de vinho deixa-nos como um cordeiro: mais inocentes, mais dóceis, mais amistosos. Ao bebermos um pouco mais, nos sentimos fortes como um leão, mais audaciosos e orgulhosos. Se formos um pouco além da conta, agimos como porcos, caindo para o chão. O exagero, em compensação, faz com que nos comportemos como macacos, fazendo macaquices sem nenhum juízo.

O Midrash utiliza o episódio da embriaguez de Noé para discorrer a respeito dos riscos do consumo de álcool em demasia. E não pense que isso acontece só com os outros. Precisamos sempre estar atentos quanto à moderação. Vale a pena lembrar que Noé não era um homem qualquer, ele era um homem extremamente virtuoso, e por isso mesmo, o escolhido e poupado do dilúvio, por Deus, o que quer dizer que numa pequena falta de atenção o deslize pode acontecer!