
Com cerca de 4000 hectares (3925,29 segundo os últimos números do Instituto do Vinho e da Vinha, o que representa 1,8% do total), a casta Syrah é a décima casta mais plantada em Portugal, e uma das que regista mais rápido crescimento. Este é um dado irrefutável, dada a fonte idónea de onde provém, e para nós motivo de orgulho, pois vem provar que vamos no bom sentido.
A nível mundial, estima-se em 140.000 hectares a área de vinha desta casta, quase metade dela em França, estando a seguir a Austrália (36.500 ha), depois a Argentina (12.000 ha), África do Sul (9.800 ha), Califórnia (6600 ha).
Como temos vindo a demonstrar, a importância de Portugal da nossa casta de eleição não se prende tanto pela quantidade de vinha presente mas mais pela qualidade do vinho que essas vinhas dão a Portugal e ao mundo. Portugal é portanto um local de privilegiado para uma casta que gosta de calor e tem uma enorme capacidade de adaptação. Existe praticamente em todo o território nacional, segundo carta já por nós publicada, mas é no Alentejo que tem o seu lugar de afirmação e plenitude. Isto não significa, como aliás o Blogue do Syrah já demonstrou, que não existam Syrah espectaculares fora do Alentejo!
De entre as castas estrangeiras presentes em solo nacional, a Syrah é a variedade que melhor se adaptou ao clima rigoroso do Alentejo, ajustando-se facilmente aos calores de Verão, às infindáveis horas de insolação e à severidade das temperaturas estivais. Nos solos quentes e pobres do Alentejo, a nossa casta presta-se a uma consagração de vinhos enormes na dimensão e entrega, com muita fruta, alguma pimenta, outras especiarias igualmente, corpo avantajado e robusto, por vezes poderosos e alcoólicos.
Vinhos temporões na maturação, abordáveis desde muito cedo, vinhos macios e convidativos, com elevado potencial de guarda são outras das características que podemos encontrar nos vinhos desta nossa casta.
Como características gerais da casta Syrah destacamos:
- Rendimento:
Casta muito produtiva, mas para obter vinhos de qualidade, os rendimentos devem permanecer baixos (30 a 40 hectolitros por hectare – 5 a 6 toneladas por hectare
- Maturação:
Tardia, muito semelhante à Cabernet Sauvignon.
- Sensibilidade a doenças:
É bastante sensível aos ácaros e à podridão cinzenta, sobretudo no fim da maturação.
- Cacho:
Médio, compacto e cilíndrico.
- Bago:
Pequeno e elíptico a ovóide.
- Película:
Negra-azul, fina, mas resistente.
- Cor:
Não corada.
- Consistência:
Mole.
- Interesse enológico:
Em condições de produção satisfatórias, os vinhos obtidos são muito corados, de um vermelho intenso com matizes violetas durante a juventude. A intensidade corante é sempre muito persistente e marcante.
O potencial aromático é muito complexo, pleno de compostos florais, frutados, especiarias e animais. A Syrah origina vinhos muito ricos em taninos. A riqueza tanínica, a pujança e a amplitude do néctar fazem dele vinhos de guarda.

Segundo o quadro que apresentamos, da responsabilidade do Instituto do Vinho e da Vinha, a casta Syrah é a 10ª mais plantada em Portugal. São em números redondos 4000 hectares o que não deixa de ser expressivo para um país tão pequeno, com uma diversidade vitivinícola tão grande e onde só há pouco mais de 20 anos a Syrah começou paulatinamente a revelar-se.
Repare-se por exemplo no Alicante Bouschet, que existe em Portugal, mais especificamente no Alentejo, há mais de um século e que só aparece em décimo segundo lugar. Mas muitas outras comparações se podem fazer e só iremos fazer mais uma, porque os leitores do Blogue do Syrah poderão entreter-se a tirar outras ilações deste ranking das castas em Portugal. A Alvarinho, a casta mãe dos vinhos verdes, só aparece na lista em décimo quinto lugar!
A casta Syrah em Portugal veio para ficar, e desse modo alterou radicalmente a essência dos vinhos tintos feitos em Portugal.
E ainda bem, porque é a razão da nossa existência e um dos grandes prazeres da nossa vida!