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Cortes de Cima Syrah, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Costuma-se dizer que não há duas sem três! E no caso dos Syrah de Cortes de Cima é mesmo verdade.

Hoje vamos apresentar o terceiro Syrah na sequência que escolhemos para Cortes de Cima. Já falamos do Homenagem a Hans Christian Andersen e do Incógnito. Hoje é a vez do Syrah gama de entrada, simplesmente chamado Cortes de Cima Syrah. Dos três é o menos empolgante mas nem por isso desce do patamar electivo. Há quem diga que é pouco interessante, e aqui discordamos. Tudo o que vem daquela região mítica não pode deixar de ser acima da média. O que lhe está por detrás já foi por nós contado nos textos anteriormente referidos.

Há aqui sim um aspecto que queremos enfatizar: o preço elevado para a gama que representa. Respondem os representantes da propriedade com a história, com a procura e com as vendas que esgotam os stocks. Outros Syrah de qualidade têm preços bem mais simpáticos porque não se chamam “Cortes de Cima” e não carregam o fardo de terem sido o motor da implementação da casta Syrah no Alentejo e daí a projecção que ganhou no resto do país. Temos de aceitar a argumentação. Adiante.

Este Syrah de 2012 é a 17º vindima. Depois de um inverno frio e seco e de uma primavera também fria e seca, chegou um verão excepcional. Todos conduziram a uma apanha de qualidade! Este vinho foi produzido exclusivamente a partir da casta Syrah. As uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, e alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano até altura do engarrafamento em Julho de 2013. A data de lançamento foi Julho de 2014.

As notas de prova que escolhemos dizem que tem “aromas a fruta com caroço e de bago preto, com notas de baunilha e especiarias. No paladar é sumarento e bem equilibrado por taninos densos que proporcionam uma excelente estrutura.” A graduação alcoólica é de 14%.

A colheita, produção e engarrafamento foram feitos na propriedade familiar. A produção total foi de 50.220 garrafas.

Neste último ano o Blogue do Syrah teve a possibilidade de apreciar, sempre com enlevo, várias garrafas deste Syrah, mas do ano 2002, e que está ainda impecável de nariz e de boca, com possibilidade de evolução positiva. Constantemente somos de confirmar que a nossa casta de eleição envelhece mesmo muito bem!

Ainda sobre a questão do preço dos Syrah em Cortes de Cima, e para terminarmos por hoje será bom lembrar Thomas Jefferson quando diz: “Não há nenhum país bêbado onde o vinho é barato”!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 13,00€

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Em grande na Grande Prova Mediterrânica

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É sempre com enorme prazer que nos deslocamos a estes acontecimentos para sentirmos o pulsar dos que com paixão e entrega fazem o néctar de Baco, por nós tão apreciado.

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Mais ainda porque, como não nos cansamos de repetir, as amostras presentes nos chegam da região portuguesa, Alentejo, com mais e melhor Syrah de Portugal, diríamos mesmo sem qualquer pudor, e do mundo. Um dia vamos tirar isso a limpo!

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Falámos com produtores que já conhecíamos, fizemos novos contactos, insistimos na nossa predilecção junto dos mais renitentes, recolhemos opiniões e ideias, provámos do bom e do melhor, para nosso imenso deleite.

A organização estava perfeita e está de parabéns, todos os produtores devidamente identificados em igualdade de circunstâncias, gostámos da ideia de colocar imagens de qualidade para caracterizar com ritmo os diversos expositores presentes.

Terras D'Ervideira, foi por onde começámos o périplo. Simpatia e saber!
Terras D’Ervideira, foi por onde começámos o périplo. Simpatia e saber!
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Com José Rodrigues, Vinha das Virtudes, que nos presenteou generosamente com uma garrafa do novíssimo e premiado Humanitas Reserva Syrah… calorosamente agradecemos!
Malhadinha Nova, pedindo mais...
Malhadinha Nova, pedindo mais…
Classe, distinção e sabedoria. Margarida Cabaço... está tudo dito!
Classe, distinção e sabedoria. Margarida Cabaço… está tudo dito!
Comenda Grande, falando com quem sabe fazer um grande Syrah! Comenda
Comenda Grande, falando com quem sabe fazer um grande Syrah!
Dona Dorinda, chegando ainda mais acima na escala dos superlativos... e que enorme felicidade conhecer quem sabe fazer tal arte!
Dona Dorinda, chegando ainda mais acima na escala dos superlativos… e que enorme felicidade conhecer quem sabe de tal arte!
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Eis a grande novidade, tão ansiosamente aguardada, já nas nossas mãos: o Mil Reis!!!
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Falando e justificando o valor e um preço de Mil Reis… aceitámos, não temos mais remédio!
Os génios por detrás de um dos nossos favoritos: Brett Edition Syrah!!!
Os génios por detrás de um dos nossos favoritos: Brett Edition Syrah!!!
Cortes de Cima... e fica tudo dito!
Cortes de Cima… que mais se pode dizer?!
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E com uma generosa oferta, que muito agradecemos, nos despedimos com amizade até ao próximo programa, dizemos, Syrah!

 

 

“Grande Prova Mediterrânica” – Os Syrah do Alentejo em Lisboa

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O Blogue do Syrah vai estar presente, em peso e força, nesta Grande Prova Mediterrânica, mais precisamente procurando o contacto informativo com os produtores alentejanos de Syrah, alguns dos quais consideramos dos melhores do país e do mundo!

A iniciativa da CVR Alentejana pretende constituir-se como um veículo de divulgação e promoção dos vinhos da região do Alentejo, num espaço privilegiado e de grande prestígio.

O programa desta edição inclui, ao longo de dois dias, quatro provas comentadas, seis conversas sobre o vinho e dois workshops de harmonizações gastronómicas.

O acontecimento irá ter a presença de 79 produtores da região alentejana, que vão apresentar mais de 400 vinhos, embora a nós apenas interesse Syrah.

Local e datas das provas:

Lisboa, CCB / Centro Cultural de Belém

16 de Outubro – das 16:00 às 21:00.

17 de Outubro – das 15:00 às 21:00.

As provas irão contar com a presença dos seguintes produtores de syrah:

Vinhos:

  • Adega de Borba
  • Bacalhôa / Aliança
  • CARMIM
  • Comenda Grande
  • Cortes de Cima
  • Ervideira
  • Esporão
  • Fundação Eugénio de Almeida
  • Herdade da Calada
  • Herdade da Malhadinha Nova
  • Herdade da Maroteira
  • Herdade da Mingorra – Henrique Uva
  • Herdade das Aldeias de Juromenha
  • Herdade do Arrepiado Velho
  • Herdade dos Coelheiros
  • Herdade Monte da Cal
  • Herdade São Miguel
  • João M. Barbosa Vinhos
  • João Portugal Ramos Vinhos
  • José Maria da Fonseca
  • Monte da Ravasqueira
  • Monte dos Cabaços, Lda.
  • Monte Novo e Figueirinha
  • Rui-Reguinga – Terrenus
  • Solar dos Lobos
  • Terras de Alter
  • Tiago Cabaço
  • Vinha das Virtudes

O Alentejo é a região líder no mercado nacional – quer na quota de mercado em volume (44,7%) quer em valor (45,5%), segundo os dados ACNielsen, na categoria de vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG, quer na quantidade de Syrah produzidos.

Os Vinhos do Alentejo juntam 263 produtores e 97 comerciantes numa área total de vinha de 20 670,68 hectares, sendo que a área total de vinha aprovada para DOC Alentejano é de 14 437,15 hectares.

Lá nos encontraremos!


 

Pynga, Vale da Capucha, 97% Syrah, 3% Viognier, Lisboa, 2012

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Fazia já algum tempo que tínhamos conhecimento da eminente chegada deste novo Syrah, de Lisboa, produção biológica, concelho de Torres Vedras, do produtor e enólogo Pedro Marques. Foram várias as vicissitudes na obtenção deste Syrah, que agora já nada importam, interessa sim dizer que quando tal foi conseguido ficámos muito surpreendidos, pela positiva. O primeiro Syrah de Pedro Marques foi uma aposta ganha.

Agora é preciso divulgá-lo, como merece, e o Blogue do Syrah está aqui para dar a sua contribuição. Não é Syrah a cem por cento, como gostamos, mas adiante.

As notas de prova que escolhemos falam de um “vinho com caracter e personalidade vincada. As vinhas gozam de influência marítima o que confere às uvas uma frescura e equilíbrio singulares.” A graduação alcoólica é de 14 %.

Para criar este e os outros vinhos no Vale da Capucha, as videiras foram plantadas em solos calcários de origem oceânica. A expressão da influência marítima é assegurada por uma intervenção humana máxima na vinha e mínima na adega.

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A Vale da Capucha, Agricultura e Turismo Rural, Lda, iniciou a sua actividade vitivinícola em 2006 na Quinta de S. José em Carvalhal, Torres Vedras.

A empresa, herdeira de gerações de produtores/armazenistas de vinho desde 1858 alterou profundamente a sua vitivinicultura em 2006, com o arranque de todas as vinhas existentes e a instalação maioritária de castas brancas portuguesas. Apenas a 10 km da faixa costeira e da influência marítima, os solos fossilíferos argilo-calcários de origem oceânica, juntamente com as pequenas amplitudes térmicas que permitem o lento amadurecimento dos brancos sem os escaldões do verão, são duas das variáveis que dão corpo a um terroir único para a produção de vinhos brancos do segmento premium. Uvas como o Alvarinho, o Gouveio, o Viosinho, o Arinto, o Fernão Pires e o Antão Vaz (primeira produção na Região) são a matéria-prima que tem produzido vinhos reconhecidos nos mercados mais exigentes do Reino-Unido, Alemanha, Suíça, Bélgica, Brasil, Polónia e brevemente o Japão, Estados Unidos, Noruega e Canadá. Nos tintos seleccionou-se a Touriga Nacional e a Tinta Roriz para produzir vinhos tintos encorpados e com boa capacidade de envelhecimento. Duas castas francesas completam as variedades de uva com que se criam os vinhos, a Viognier e naturalmente a nossa bem amada Syrah.

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Iniciado em 2012 o caminho da Certificação em Modo de Produção Biológico, foi a partir de 2015 que os primeiros vinhos com essa chancela no rótulo.

A vertente do enoturismo conta com a utilização da Adega original, rara representante, ainda de pé, da construção agrícola em madeira do séc. XIX. Aí, para além de provas temáticas, a gastronomia regional tem expressão nas variadas ementas produzidas para eventos, refeições a pequenos grupos e provas de vinhos.

A Quinta Pedagógica e as actividades de formação básica nas áreas de Enologia e da Ecologia, criam um interessante ambiente de proximidade entre os visitantes e a agricultura sustentável.

Para finalizar teremos que concluir como dizia Ana Luísa Calem que “Um Syrah Bom, é Sempre Bom em qualquer parte do Mundo”.
E este Pynga, como bom que é, está de se beber onde quer que seja… vamos a isso!

 

Classificação: 16/20                                                   Preço: 7,65€


 

GELADO DE SYRAH

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Uma receita simples e deliciosa de gelado de Syrah para fazer quando quiser impressionar os seus amigos apreciadores do sumo de uva fermentado.

Veja só como é fácil.

 

Ingredientes:

  • 450 ml de Syrah
  • 200 ml de leite
  • 150 ml de leite condensado
  • 2 gemas de ovos
  • 80g de açúcar
  • Canela em pau a gosto
  • Cravo-da-índia a gosto

 

Preparação:

Numa panela, faça a redução do Syrah, do açúcar, da canela e do cravo até a metade do líquido. Arrefeça no frigorífico.

Ferva o leite com o leite condensado, e adicione as gemas em lume brando. Mexa até encorpar – NÃO deixe ferver. Arrefeça numa bacia com gelo.

Misture os dois conjuntos de ingredientes até ficarem uniformes. Leve ao congelador e espere, no mínimo, 4 horas antes de servir. Se tiver uma sorveteira, melhor, a textura ficará mais suave e macia.

Por fim vejamos. Que Syrah escolher? Bem, o que quiser, mas naturalmente que quanto melhor for o Syrah… pensamos que não é preciso dizer mais nada, certo?
Em caso de dúvida podem ser consultar as classificações aqui no Blogue do Syrah, e escolher em conformidade.

Bom proveito!


 

Incógnito, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Chegámos hoje a um momento alto no Blogue do Syrah, porque se há um Syrah capaz de atingir o espaço sideral mitológico, esse Syrah só pode ser o Incógnito! Mesmo estando a falar de acontecimentos que ocorreram nos últimos vinte anos, que quando falamos de Syrah em Portugal é tudo muito recente, este Syrah é já um mito vivo!

Vamos explicar como foi que tudo isto aconteceu, justificando o preço exorbitante que o Incógnito atinge, embora o seu produtor pouco se preocupe com isso, pois é um Syrah que se esgota safra após safra, e já lá vão onze, até esta que aqui nos traz, de 2011.

As notas de prova incluídas na garrafa dizem-nos que possui uma “mistura de frutos selvagens de bago vermelho, tosta de madeira, carne e notas de alcatrão. No paladar é complexo, com um forte paladar de fruta silvestre madura e um equilíbrio cativante. Suave no início, mostrando-se firme ao longo da prova, excelente estrutura de taninos e uma agradável frescura, com boa acidez a contribuir para um longo e persistente final.” Segundo o seu produtor vai manter-se grandioso pelo menos 10 anos. Safras anteriores do Incógnito já mostraram que a longevidade deste néctar está muito acima da média. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. O estágio foi feito em barricas de carvalho francês. A colheita, produção e engarrafamento é feito na propriedade familiar. Foi engarrafado sem filtração nem colagem em Julho de 2012. A produção total foi de 14.400 garrafas.

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Mas vamos então à história fantástica por detrás deste Syrah. E vamos dizer mesmo mais: não temos dúvidas ao afirmar que se esta história tivesse acontecido em outro lugar mais mediático, Estados Unidos, por exemplo, Hollywood já se teria encarregado de fazer um longa metragem… e que grande filme seria!

Vamos começar. Era uma vez um açoriano, da ilha Graciosa, Francisco Correia, que um belo dia de 1888, emigrou para os Estados Unidos, onde foi barbeiro e cortou o cabelo a muitos cowboys famosos, como Wyatt e Virgil Earp. Teve dois filhos e duas filhas e o mais velho dos quatro teve mais filhos e netos. Uma das netas chamava-se Carrie, que se veio a casar com um dinamarquês, Hans Jorgensen.

Engenheiro mecânico, Hans fez fortuna na Malásia, onde conheceu Carrie e, um dia, quis tornar-se viticultor, coisas do destino. Compraram um barco e começaram a viajar pelo mundo à procura do local ideal para plantar a sua vinha. Depois de terem visitado várias regiões do mundo, nomeadamente França (Vale do Rhône) e Espanha, de que não gostaram particularmente, chegaram a Portugal. Foi aí, aqui, cá, que os Jorgensen descobriram o que procuravam, perto da Vidigueira, sul de Portugal. Carrie achou a paisagem muito parecida com a da sua Califórnia natal, e o clima mediterrâneo bem diferente da fria Dinamarca de Hans.

Tinham chegado a Cortes de Cima, onde, em 365 hectares de terra, não havia uma só videira e onde apenas se produziam cereais, e com uma bela área coberta de oliveiras centenárias. Mas o clima e a simpatia das pessoas foram suficientes para decidirem concretizar ali o sonho de uma vida. Estávamos em 1988. Cem anos depois de Francisco Correia ter ido à procura do sonho americano, o destino colocava Carrie no país de origem do seu bisavô à procura do seu sonho lusitano!

Antes de plantar as vinhas, em 1991, o seu real objectivo quando comprou as terras, Jorgensen fez-se valer dos conhecimentos de engenheiro mecânico, que havia desenvolvido durante os 21 anos em que trabalhou numa fábrica de processamento de óleo de palma na Malásia, para dotar a futura vinha de uma infra-estrutura apropriada, de uma rede eléctrica e uma barragem para irrigação do vinhedo. Ao mesmo tempo, preciso e obsessivamente preocupado com os pormenores, Hans Jorgensen foi atrás dos conselhos de técnicos locais e de especialistas estrangeiros, para saber quais as castas a plantar. Ao contrário de toda a tradição vinícola daquela zona, que só tinha variedades brancas, plantou 50 hectares de castas tintas como aragonês, trincadeira, além de, seguindo as recomendações do viticultor australiano Richard Smart, e indo contra a regulamentação estabelecida, Syrah.

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Por isso é que se trata de um vinho histórico, porque foi o primeiro Syrah a ser produzido no Alentejo. Estávamos em 1998, quando a casta ainda não era permitida na região. Daí o nome provocador dado ao vinho, era um Syrah incógnito.

Na época, a casta Syrah não fazia parte das variedades autorizadas na designação Vinho Regional Alentejano (o que só veio a acontecer em 2002), obrigando Jorgensen a comercializar o vinho sem explicitar a casta no rótulo. Contudo, apesar de a casta Syrah não ser identificada, no contra-rótulo era dada uma pista, mais precisamente um acróstico, para quem soubesse ler na vertical e decifrar o enigma:

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Young vines, well
Ripened,
And hand
Harvested.

Literalmente: “frutas seleccionadas de vinhas jovens, bem maduras, e colhidas à mão”. Dessa colheita inicial de ‘Incógnito’, em Cortes de Cima, consta que só há… 4 garrafas! Para reforçar, Jorgensen ainda colocou a frase atribuída a Bob Dylan “To live outside the law, you must be honest”, que em tradução livre significa “Para viver à margem da lei, tem que se ser honesto”. Ou num tom ainda mais ético: “Só se pode viver à margem da lei se formos honestos”.

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A utilização de castas autóctones, verdadeiro património vitivinícola de Portugal e factor importante para se diferenciar no concorrido e estereotipado mercado internacional, foi, contudo, no princípio, um impedimento para o país ter a sua qualidade reconhecida pelos consumidores dos grandes centros urbanos, até pela dificuldade de conseguirem pronunciar os nomes – imaginem um americano tentando dizer “touriga nacional”, “trincadeira”, “alicante bouschet”. Jorgensen havia de comentar sobre as feiras internacionais em que participava no início da sua aventura vitivinícola, em que o público chegava a passar diante de seus vinhos e muitos voltavam atrás ao perceberem que existia um Syrah. Não foi com essa intenção que ele concebeu o Incógnito, mas não há dúvida que ajudou a divulgar as outras marcas que Cortes de Cima possui.

O sucesso alcançado pelo vinho “fora da lei” provou que a nossa casta Syrah se adaptou espectacularmente bem ao clima alentejano, fazendo com que o próprio Jorgensen ampliasse a área plantada por essa variedade em Cortes de Cima. O Incógnito, no entanto, continuou a ser produzido a partir apenas da vinha original, o talhão 9C, que ocupa parte do topo de uma colina e tem um solo particularmente calcário, formando uma mancha branca no terreno. Isso faz toda a diferença, ao conferir uma frescura particular que equilibra a maturação que o clima local instila na alma de um Syrah que habita no Olimpo dos néctares de culto.

Terminando por onde começámos, seria fantasioso desejar outro preço que não o sabido para uma garrafa que nos chega, não de uma montanha, mas de uma tão sagrada planície!

 

Classificação: 19/20                                                     Preço: 65,00€

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