All posts by Raul PC

Dom Hermano, Quinta do Casal Monteiro, 100% Syrah, Tejo, 2006

hermano_garrafa

Mais um Syrah do Tejo, faz muito esgotado.
Não o conhecemos e a informação disponível é também já muito escassa.

A Quinta do Casal Monteiro, S.A., antiga Casa Agrícola Herdeiros de Dom Luís de Margaride, S.A.,  em Almeirim, foi fundada pelos herdeiros de Luís José Braamcamp de Mello Breyner Cardoso de Menezes, mais conhecido por Dom Luís de Margaride, descendente paterno dos Condes de Margaride e materno dos Condes de Sobral, nascido em Santarém no ano de 1903. Em 1928, Dom Luís assumiu a direcção das actividades agro-vinícolas nas propriedades familiares, por si herdadas, às quais dedicou mais de cinquenta anos de estudo, trabalho de investigação e prática no cultivo da vinha e nas técnicas enológicas, deixando-nos uma vasta obra e escritos, mercê dos quais foi galardoado com vários prémios e consagrações nacionais e internacionais.

hermano_logo

Sobre o Syrah propriamente dito, acedermos a algumas notas de prova dizem que falam de “boa cor, notas vegetais abundantes, flores, feno fresco, algum eucalipto. Medianamente encorpado, fresco mas de acidez elevada, é um tinto ainda à procura do melhor perfil.” Tem uma graduação alcoólica de 13% e o enólogo de serviço foi João Sardinha Cruz.

Tendo em conta a pouca informação que existe é um vinho que desapareceu com a mesma velocidade em que apareceu sem deixar rasto ou continuidade.

Há um brinde inglês que reza da seguinte maneira: “Que o nosso amor seja como o vinho, crescendo conforme envelhece.” Vamos repetir em inglês, que gostamos mais da musicalidade original:
“May our love be like good wine, grow stronger as it grows older.”

Concluindo por hoje, seja qual for o idioma, eis pois um brinde que não será possível fazer com este desparecido Syrah!

 

Classificação:                                                    Preço: 4,70€


 

Quinta do Carvalhinho,100% Syrah, Bairrada, 2005

carvalhinho_garrafa

Este é o quinto Syrah da Bairrada e o único que não tivemos oportunidade de conhecer, por isso ficou para o fim. Em conversa com o produtor, que por acaso é professor também, ficámos a saber que efectivamente está totalmente esgotado… Paciência!

A Quinta do Carvalhinho é uma bela propriedade vitivinícola situada na aldeia de Ventosa do Bairro, concelho de Mealhada. Uma inscrição na frontaria da capela privativa da casa remete para o ano de 1698, dando-nos assim uma indicação inestimável sobre as origens desta propriedade. Adquirida por Serafim Navega em 1890, a Quinta do Carvalhinho está desde então na posse da mesma família. A vinha e o vinho fizeram sempre parte do seu dia-a-dia. Para além do vinho, a Quinta do Carvalhinho é igualmente conhecida pelo seu Turismo de Habitação. As vinhas estão plantadas em solo argiloso-calcário. Em 1988, António Afonso Navega, dando seguimento a um desejo de mostrar ao grande público os bons vinhos que se produziam na Quinta, passou a partir daí a engarrafar o vinho produzido. A produção de vinhos iniciou-se em 1989, com um vinho Tinto e um vinho Branco. Logo no ano de estreia, o vinho Branco ganhou o 1º Prémio da Confraria dos Enófilos da Bairrada. Nessa altura as castas predominantes eram o Bical, Rabo de Ovelha e Maria Gomes no caso das brancas e a Baga nas tintas.

carvalhinho_herdade

A Quinta do Carvalhinho tem uma extensão de 12 hectares de vinhas tintas e 2 hectares de vinhas brancas, plantadas em solos Argilo-Calcários. O encepamento foi pensado para tirar o melhor partido das condições locais. As castas tintas Shiraz, Merlot, Cabernet Sauvignon e Caladoc são as eleitas na Quinta do Carvalhinho. Quanto às castas brancas, destaca-se o Sauvignon Blanc e o Arinto. Produz Vinhos Tintos, Espumantes Branco e Tinto. No passado, produziu Vinhos Brancos, mas actualmente toda a produção de uvas brancas é dirigida para o Espumante. Todos os vinhos têm Denominação de Origem Controlada.

Depois de uma reestruturação bem sucedida das suas vinhas tintas começada em 1995 e terminada em 2009 – com a introdução de novas castas até então não utilizadas na região, entre as quais as castas tintas Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon e Caladoc – a Quinta do Carvalhinho diversificou e enriqueceu a sua produção de vinhos tintos mantendo toda a qualidade a que sempre habituou os seus clientes. Cerca de 30.000 garrafas tintas são produzidas anualmente.

carvalhinho_vinha

Como em outras partes da Bairrada, encontram-se aqui pérolas desconhecidas, como este nosso Syrah de hoje, nascido em ano difícil por causa de um verão húmido que obrigou a um grande trabalho na vinha para conseguir uma boa maturação e uma grande selecção das uvas expostas à decomposição. Algumas notas de prova a que tivemos acesso dizem de um “vinho com bela complexidade aromática, misturando fruta vermelha, toques minerais a giz, e aromas de bosque. Os taninos são suaves e tornam o vinho delicado.” Tem 13% de graduação alcoólica.

Oscar Wilde dizia que “Para conhecer a colheita e a qualidade de um Syrah não é necessário beber toda a pipa.” Pois não, uma parte de uma garrafa, acrescentaríamos, seria suficiente,  não sendo o caso que hoje aqui nos trouxe!

 

Classificação:                            Preço: 6,00€


 

Reserva dos Amigos e Casa do Cónego, Lisboa; Vidigal, Tejo; Vidigal Wines, 100% Syrah, Lisboa, 2004, 2008

vidigal_garrafa_1vidigal_garrafa_3vidigal_garrafa_2

Hoje falaremos de três Syrah, todos esgotados, todos com origem no mesmo produtor, a Vidigal Wines.

Começamos pelo Reserva dos Amigos, um Syrah de Lisboa que foi produzido na respectiva região vitivinícola. As notas de prova diziam que era um vinho com “muito vegetal seco, aroma um pouco afastado da casta, fruto preto e alguma pimenta. Já macio e acessível na boca, mesmo um pouco plano, mas está tudo no sítio e por isso deverá ser bebido agora.” Tinha uma graduação alcoólica de 14%. Para além da safra de 2008 também tinha havido a de 2004.

A história destes desaparecidos néctares começa com uma empresa familiar produtora e engarrafadora de vinhos de qualidade, de origem portuguesa, a Caves Vidigal, SA, fundada no ano de 1958. Foi comprada em 1994 por um português que emigrou do seu país e viveu 27 anos na Dinamarca, onde até hoje possui uma empresa importadora, principalmente de produtos portugueses para este país escandinavo. Com a volta ao país de origem, em 2001, retoma a Vidigal e casa-se com a brasileira Maria Luiza. A família veio junto: Rodrigo, o irmão Ricardo e as respectivas esposas, Luciana e Andréa.

Em 2005 uma grande empresa norueguesa distribuidora de bebidas, a Red&White, adquiriu a parte das caves dando origem à Vidigal Wines, SA. Moderniza-se e melhora-se a infra-estrutura da empresa sempre com a preocupação com a higiene e o bem-estar dos funcionários. Como 95% da produção destina-se à exportação, os vinhos mais vendidos são o Vidigal Reserva na Noruega e o Reserva dos Amigos em Angola. Alemanha, Dinamarca, Suíça, Suécia, Bélgica, Andorra, Polónia, França, Itália, Espanha, Inglaterra, América do Norte (Canadá e Estados Unidos), América do Sul (Brasil) e recentemente a Ásia (China e Índia) são também mercados da nossa empresa. O portefólio conta com mais de 33 vinhos oriundos da Estremadura, Ribatejo, Alentejo, Douro, Dão, Beiras e Minho. Há vinhos jovens, maduros, varietais, verdes, rosés e espumantes.

vidigal_logo

A produção total da Vidigal Wines é de aproximadamente 4.500.000 garrafas, mais 500.000 para o mercado interno.

A Vidigal Wines também produziu um outro Syrah na mesma altura em 2004 e também 2008 da região vitivinícola de Lisboa a 100% syrah de nome Casa do Cónego e que também se encontra esgotado.

E produziu ainda um terceiro Syrah a 100%, também nos anos de 2004 e de 2008, de nome Vidigal Syrah, este não de Lisboa mas do Tejo, com uma graduação alcoólica de 14%. Três euros seria o preço deste vinho na época.

Pode e deve-se perguntar: como é possível que a mesma empresa lance no mercado por mais de uma vez três monocasta Syrah e ao fim de poucos anos nenhum resistiu à passagem do tempo? Essa pergunta foi feita pelo Blogue do Syrah a um quadro da Vidigal Wines que deu uma resposta pela qual não estávamos à espera. E a resposta foi esta:
no início de actividade a Vidigal Wines queria apostar em força no mercado externo e plantou algumas das castas internacionais mais reconhecidas para ter um êxito mais rápido, visto que as castas portuguesas não eram tão conhecidas e seriam bem mais difícil penetrar no mercado externo produzindo vinhos de castas nacionais. Daí a aposta em força no Syrah, entre outras castas internacionais. Quando a Vidigal Wines se tornou uma grande empresa exportadora de vinhos e as suas marcas eram já conhecidas nos mercados que importavam o vinho português apostou de vez nas castas autóctones e abandonou as castas internacionais inicialmente responsáveis pelo início pujante de actividade comercial.

Quem defende esta tese não devia sequer merecer este espaço de considerações, mas no fim de tudo quem se fica a rir é quem está solidamente no mercado continuando a produzir vinhos de monocasta Syrah!

A actriz Joan Collins dizia que “a idade é apenas um número irrelevante. Excepto se for uma garrafa de Syrah.“ Mas é preciso que esse dito cujo exista! Se esgotou e não se renovou numa nova safra, não é mais que um nome e uma data. É isso que acontece com estes 3 Syrah da Vidigal Wines, fica a memória de quem teve o privilégio de com eles conviver e este nosso texto para que conste!

 

Classificação:                                                Preço: 4,00€


 

Lapa dos Gaivões, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Alentejo, 2005 Ninfa, João M. Barbosa vinhos , 100% Syrah, Tejo, 2003

gaivoes_garrafaninfa_garrafa

Hoje vamos falar de dois Syrah, diferentes no terroir, mas ligados à mesma empresa. Porém, ambos estão esgotados faz muito, para nossa sempre grande tristeza!

A história da empresa familiar João M. Barbosa é recente, se a compararmos com algumas empresas portuguesas, mas a experiência pessoal adquirida já é muita. Nela colaboram todos os membros da família, sendo total a dedicação para produzir o melhor e o mais original que a terra dá, tanto no Alentejo como no Tejo. Duas unidades modernas criadas para produzir vinhos autênticos e diferentes.

herdade_ninfa

Desde pequeno que João Teodósio Matos Barbosa passeava com o seu avô, fundador da empresa Caves Dom Teodósio, observava as vinhas e o trabalho que lá se desenvolvia. É desta vivência que nasce a sua paixão pelo vinho e vontade de pertencer ao projecto familiar. Aprendeu e desenvolveu conhecimentos nas Caves Dom Teodósio, onde acabou por crescer com a empresa, caso de sucesso Português e marca referência no panorama vitivinícola nacional.

Em 1997, decidiu fundar a sua própria empresa, com produção a partir de uvas exclusivamente próprias, em produção integrada e biológica – vinhos de autor onde se expressa com inteira liberdade criativa, tirando sempre o melhor partido dos terroirs das duas regiões escolhidas. Cada uma dela, Tejo e Alto Alentejo, têm as suas adegas e respectivas marcas: Ninfa no Tejo (Adega Porta de Teira em Rio Maior) e Lapa dos Gaivões no Alto Alentejo (Adega Valle de Junco em Esperança, Portalegre).

João Barbosa não aceitou o desafio do Blogue do Syrah: fazer novas safras, do Lapa dos Gaivões e/ou do Ninfa! Até porque já passou um década sobre a realização dos dois Syrah que estamos aqui a relembrar… mas cada um sabe de si.

Sobre o Ninfa Syrah muito pouco podemos dizer. Não o chegámos a conhecer! Já estava esgotado aquando do nascimento do Blogue do Syrah. Em conversa com o produtor numa feira de vinhos alentejanos perdemos de vez a esperança de o poder ainda vir a encontrar. Se algum dos nossos leitores dele se recordar que venha aqui comentar de sua justiça!

ninfa_adega

Em relação ao Lapa dos Gaivões, conseguimos ainda uma garrafa, que muito nos agradou, o que fica demonstrado na nota que lhe atribuímos. O enólogo foi António Ventura, e as notas de prova dizem que tem uma “cor avioletada e aromas florais, frutados e ligeiramente abaunilhados, está ainda muito presente toda a sua juventude, com os taninos a mostrarem toda a sua força e as notas de madeira ainda bem vincadas na prova de boca, é complexo e encorpado e melhorará certamente com o tempo em garrafa, o final é prolongado.” O estágio decorreu em barricas de carvalho Francês “Allier” e Americano durante 12 meses. Tem 14% de graduação alcoólica.

Se Victor Hugo disse que “Deus criou a água, mas foi o homem fez o Vinho” então a João Barbosa Vinhos tem a obrigação moral de retomar o caminho já traçado e lançar-se na aventura da produção de um novo monocasta Syrah! Fica o repto…

 

Lapa dos Gaivões
Classificação: 17/20                                                     Preço: 29,00€

Ninfa
Classificação:                                                                 Preço:


 

Quinta do Caldeireiro, 100% Syrah, Alentejo, 2009

caldeireiro_garrafa

É com alguma emoção que falamos hoje de um Syrah que foi dos primeiros que bebemos, e foi igualmente o primeiro a que demos a nota de muito bom. Andávamos ainda a tactear o terreno e na altura pensámos: “Tem que ser pelo menos um 18”. Não sabemos, com toda a sinceridade, hoje que conhecemos 98% dos Syrah portugueses, se essa nota não seria superior!

Também não vale a pena estar a insistir muito nesta questão, principalmente porque é um Syrah que esgotou em 2013 e podemos dizer que ajudámos a acabar com as últimas garrafas, nós mais e uns noivos que no seu casamento encomendaram 50 caixas deste Syrah. Safra única portanto, infelizmente, do qual se produziram aproximadamente 3 mil garrafas!

O Quinta do Caldeireiro Syrah é um néctar bastante rico e forte, sem perder o toque clássico. Tem um teor alcoólico de 14,5% e o enólogo foi Manuel Ferreira. As notas de prova, em termos de aroma e paladar, dizem que tem “um sabor apimentado, apresenta notas aromáticas silvestres, como a cereja preta, a groselha, a amora preta, a ameixa e o damasco.” Syrah da região de Évora, com pouca produção e por isso mesmo pouco conhecido, frutado e muito agradável de beber!

caldeireiro_logo

Sobre a herdade propriamente dita, sabe-se que a área plantada se resume a 3 hectares. A colheita e selecção foram manuais. É pois um Syrah artesanal feito com fermentação tradicional e maturação passando por carvalho.

Dizia Richelieu, o todo poderoso cardeal da França setecentista:
“Se Deus proibisse a bebida, teria ele feito o vinho tão bom?”

Em conversa na altura com o produtor, Sr. António, fomos de lhe perguntar para quando uma nova safra, ao que nos confidenciou: “Fiz este Syrah por dois motivos. Primeiro, porque o ano de 2009 foi excepcional para a casta e segundo queria ver se conseguia fazer um monocasta Syrah. Estou na casa dos setenta. Será muito difícil surgir um ano tão excepcional como o de 2009 por estes tempos mais próximos!”

Talvez seja difícil mas não impossível! Tenhamos paciência e esperemos o porvir!

Parafraseando Thomas Jefferson, na segunda citação do dia:
“O bom Syrah é uma necessidade diária para mim!”

 

 

Classificação: 18/20                                                    Preço: 10,00€


 

Já este texto estava concluído e publicado e eis-nos  a receber esta notícia de última hora.

Tivemos oportunidade de falar hoje de manhã com o enólogo Manuel Ferreira, que nos confidenciou ter sido acabado de confeccionar um novo Syrah, que deu cerca de 3000 litros, o que dará origem a 4000 garrafas de nova safra Quinta do Caldeireiro!
A colocação no mercado, salvo mudança de planos, está prevista para o final de 2016, entre Novembro e Dezembro. Nessa altura daremos conta de todos os pormenores!


 

Quinta de Pancas, 100% Syrah, Lisboa, 2000

pancas_garrafa

Já nos vamos aproximando do fim, neste nosso propósito de falar de todos os Syrah portugueses.

Eis pois um dos últimos Syrah de Lisboa, mas que, para nosso descontentamento, se encontra já esgotado, da Quinta de Pancas, ano de 2000. Segundo um dos responsáveis da empresa trata-se de um Syrah que pura e simplesmente nunca existiu, como se pudesse acontecer. Histórias só possíveis nesta nossa subtil e estranha Lusitânia. Mas vamos primeiro falar deste Syrah, que podemos garantir existiu mesmo, foi por nós degustado, e neste momento temos na mão a garrafa vazia.

Um vinho regional da responsabilidade dos enólogos Rui Reguinga e Ana Varandas, elaborado exclusivamente a partir da casta Syrah. Foi vinificado com uvas parcialmente desengaçadas, fermentadas em cubas de aço inox sendo, de seguida, o vinho submetido a uma maceração prolongada pós-fermentativa à temperatura controlada de 26/27º C. Estagiou 12 meses em carvalho francês. As notas de prova dizem falam de “cor granada escuro, forte concentração com bom brilho e viscosidade média. É um vinho muito aromático com um nariz fortemente balsâmico com muitos frutos vermelhos, notas canforadas e breves sugestões de café num conjunto onde coexistem algumas notas campestres. Secundariamente surge um agradável lado vegetal, onde subsiste a cânfora e se insinuam leves sugestões animais. Termina com assinalável bouquet emadeirado. Na boca, encorpada, avilta uma acidez viva, a pedir comida, e forte adstringência, se bem que os taninos se apresentem algo domesticados. A fruta é agora silvestre (amoras, framboesas), com ligeiríssimo amargor. Finaliza com persistência, com a acidez a reforçar a sua aptidão gastronómica, mas desta feita com agradável suavidade. Um vinho cheio de carácter, apesar da idade, e embora denote evidente qualidade e concentração, peca por escassa complexidade.”

pancas_quinta

Como em todos os Quinta de Pancas Special Edition, a designação aplica-se aqui aos melhores vinhos da colheita. Este Syrah tem um estágio mais longo, em meias pipas, com maior percentagem de carvalho novo. Foram engarrafadas 9800 garrafas e 150 magnuns cabendo a esta o número 50. E deixou marca indelével.

E agora vamos à história que ficou anunciada: Arlindo Santos é o dono e gerente da Garrafeira de Campo de Ourique. É um homem que está no mundo dos vinhos há mais de 50 anos. Acerca deles tem um conhecimento enciclopédico. Quando o conhecemos ficámos de tal modo fascinados com o que ele contava sobre os seu espólio vitivinícola que chegávamos a ir lá só para ver se ele estava para poder conversar e aprender um pouco mais. Um belo dia, sabendo do nosso interesse pelo Syrah, diz-nos que tinha uma única garrafa de um Syrah que desconhecíamos mas que estava no armazém de Almada. Essa garrafa era o nosso bendito Quinta de Pancas, Syrah, 2000! Era preciso lá ir com um funcionário, pois a idade não lhe permitia subir pelas escadas acima, que parece que são muito altas. Ficou com o nosso contacto para logo que tivesse a garrafa em seu poder nos avisar. Quinze dias passaram sem notícias. Tomámos entretanto a iniciativa de telefonar para a Quinta de Pancas para nos inteirarmos da veracidade da existência do dito Syrah. Após colocar a questão à telefonista, foi-nos passada a chamada para alguém apto a responder ao nosso problema. Falámos então com um dos responsáveis da quinta, que desde logo assegurou estarmos enganados, a Quinta de Pancas nunca tinha feito um monocasta Syrah, nem em 2000 nem em que ano fosse. Pedimos desculpa, não insistindo mais, mesmo sem ficar convencidos. Passado uns dias decidimos regressar à garrafeira de Campo de Ourique para esclarecer o nosso amigo Arlindo do seu erro. E eis como acabam as grandes histórias. Imediatamente, sem mais palavras, tirou uma garrafa guardada debaixo do balcão e disse:

“Então o que é isto?”

Era a garrafa nº 50 do Syrah Quinta de Pancas do ano 2000.

Hoje temos essa garrafa guardada religiosamente como testemunho da ignorância e incompetência profissional.

Como dizia D. H. Lawrence “Ao provar um Syrah vislumbramos, na iminência da noite, os nossos sonhos.”

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 31,00€