All posts by Raul PC

Comenda Grande, Monte da Comenda Grande, 100% Syrah, Alentejo, 2009

comenda_garrafa

Do concelho de Évora surgiu este enorme Syrah, Comenda Grande, que só é pena termos usufruído apenas de duas garrafas, já na altura muito difícil de encontrar. Hoje podemos dizer com precisão e tristeza que está esgotado. O nome “Comenda” significa um antigo benefício honorífico concedido a eclesiásticos ou a cavaleiros de ordens militares. Este Syrah é uma grande comenda para quem teve a oportunidade de o degustar.

As notas de prova dizem que tem uma “cor granada densa e viva, aroma intenso e complexo onde sobressai a fruta madura e passas de ameixa, mas também um ligeiro floral e a sensação das madeiras de estágio. Ao sabor, revela-se macio, com grande estrutura, onde se destacam os taninos marcantes, sendo contudo fresco num final de boca prolongado e persistente.”

Tem uma graduação alcoólica de 15%, e o enólogo foi o engenheiro Francisco Pimenta. Foram feitas 4100 garrafas de 0,75 litros. Teve um estágio de 12 meses em barricas novas de 225 litros de carvalho Allier e de 8 meses em garrafa.

comenda_herdade

O Monte da Comenda Grande é constituído por 43 hectares de vinha entre brancos, tintos, rosés e espumantes. A exploração agrícola da Comenda Grande foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugénio de Almeida (hoje Fundação Eugénio de Almeida) e filha de Gertrudes de Almeida Margiochi e de Francisco Simões Margiochi.

Herdada por Maria Madalena de Noronha e seu marido João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes de Noronha Lopes, pelo seu marido António Lopes e pelos filhos. Compreendendo uma área de 750 hectares, a exploração tem vindo a acompanhar a reconversão da agricultura alentejana, tendo realizado diversos investimentos de vulto nesse sentido. Assim, a par da reconversão de parte do sequeiro em regadio, não só reforçou as áreas de floresta, privilegiando o sobreiro (Quercus Suber), como plantou um moderno olival em cerca de 30 hectares para além de 43 hectares de vinha já referidos.

comenda_adega

Na vinha instalada, em que cerca de 36 hectares existem castas tintas e em 7 hectares castas brancas. São privilegiadas as castas mais marcantes do Alentejo – Trincadeira e Aragonez nas tintas e Arinto e Antão Vaz nos brancos – a par de outras em menor proporção mas que se consideraram poder constituir uma mais-valia em termos diferenciadores: Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah e Baga nas tintas, bem como Verdelho, Sauvignon Blanc e Roupeiro nas brancas.

Já dizia Fleming, Nobel da Medicina: “A penicilina curas os homens, mas é o Syrah que os torna felizes!”

Então imagine-se que o Syrah de Fleming seja este grande Comenda Grande e logo teremos a medida na nossa felicidade, e mais ainda com esta boa notícia que guardamos para o fim, acabando em beleza: é que ainda durante o ano presente, o novo Syrah Comenda Grande verá a luz do dia. Quando isso acontecer aqui estaremos para o apresentar com emoção multiplicada por sabe-se lá por quanto!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 18,00€

comenda_ft


 

Mundus, Adega Cooperativa da Vermelha, 100% Syrah, Lisboa, 2012

mundus_garrafa

Na região vitivinícola de Lisboa para dar a conhecer um Syrah que, infelizmente, diga-se desde já, peca pela falta de qualidade. É um Syrah produzido pela Adega Cooperativa da Vermelha, de 2012 e, tanto quanto se sabe, é a primeira safra.

Infelizmente não é o primeiro Syrah a merecer uma crítica tão negativa por parte do Blogue do Syrah. E mais uma vez não o fazemos de ânimo leve. Mais uma vez insistimos na nossa isenção, estando apenas ao serviço do grupo dos consumidores ao qual pertencemos. Já o dissemos e repetimos: se um Syrah nos espanta e encontramos características extraordinárias não temos problema nenhum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo com isso algo que ganhar a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico, e se for possível em primeira mão. Mas o que nunca desejamos que aconteça voltou a acontecer, pela segunda vez.

O Syrah Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha só tem uma coisa a seu favor, o nome, Mundus, uma designação forte do ponto de vista do marketing, mas isso só não chega! O Syrah Mundus é elaborado sem brio, de Syrah como o entendemos nada tem, e como tal é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola 14 a 20, e portanto nada mais nos resta que atribuir-lhe, não sem tristeza, um 0!

Segundo as notas de prova este Syrah “é um vinho estruturado, com aromas a frutos vermelhos sobremaduros conjugados com a madeira. Na boca apresenta-se macio e estruturado.”

Ao beber este Syrah tudo isto se revela falso! É uma coisa de mau gosto, no sentido literal, que chega a dar engulhos de estômago. Não fomos capazes de beber mais do que uma taça em dois dias distintos.

Mesmo assim ainda chegamos a dizer que foi fermentado à temperatura de 26ºC em cuba de inox e em sistema de curtimenta. Após o processo fermentativo foi estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho Americano.

mundus_adega

Fundada em 1962 por um grupo de vinicultores da região, liderados pelo Engenheiro Carvalho Cardoso, a Adega Cooperativa de Vermelha começou por ser um espaço para vinificar a produção dos viticultores da região, que devido a várias condicionantes não podiam vinificar “per si” as suas uvas.

Desde a sua fundação até aos nossos dias, muitas foram as alterações e evoluções que se registaram na Adega. Efectivamente a sua génese inicial assentava na recepção e vinificação das uvas dos associados e posterior armazenagem e comercialização a granel dos vinhos obtidos (venda de grandes quantidades de vinho em vasilhas de madeira “cascos” para a região da estremadura e Lisboa).

Com a evolução dos mercados e com as novas tendências dos consumidores a ACV adoptou as melhores e mais recentes tecnologias, nomeadamente no que concerne a engarrafamento, vinificação e métodos laboratoriais, permitindo o engarrafamento dos seus vinhos, sendo os mesmos distribuídos para diversos mercados.

Já dizem as Escrituras: “O bom Syrah alegra o coração dos Homens.”

Mas com este Mundus é que não ficámos nada alegres… apesar de ser Syrah!

 

Classificação: 0                                                  Preço: 4,50€

mundus_ft


 

Herdade das Mouras, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2014

mouras_garrafa

No Alentejo mais uma vez, e sempre com todo o prazer, para conhecer este novíssimo Syrah de 2014, da Herdade das Mouras, vila de Arraiolos.

As notas de prova dizem que é “um Syrah de cor vermelho rubi. O aroma é de compota de frutas silvestres e especiarias. O paladar é encorpado e com final de boca elegante.” O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 5 anos. A graduação alcoólica é de 13,5% e o enólogo de serviço é Jaime Quendera, homem com vasta experiência no mundo dos vinhos e muito especificamente no mundo dos Syrah.

O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000, com a compra das terras por parte de um empresário de Lisboa.

A herdade tem na totalidade mais de 300 hectares, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226 hectares, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras , de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas.

A casta Trincadeira, a nossa Alentejaninha representa 45% da vinha, mas há ainda Aragonez, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah naturalmente, Tinta Caiada, Pinot Noir, Tinta Caiada, Tempranillo e Alicante Bouschet como castas tintas. Como castas brancas foram escolhidas 4 exclusivamente Portuguesas: Verdelho, Perrum, Antão Vaz e Arinto.

mouras_herdade

A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições.

mouras_adega

O enólogo desta casa é Jaime Quendera, responsável por fenómenos de popularidade como os vinhos da Adega de Pegões e da Casa Ermelinda Freitas, que aliam a qualidade a um preço muito competitivo. Apesar de ser uma empresa ainda pouco conhecida no mercado, inclui as referências Castelo de Arraiolos, Conde de Arraiolos, Mouras de Arraiolos, Moira´s, Monte das Parreiras, Maria da Penha, Talha Real, Vinha da Mouras, Adegas das Mouras, entre outras. A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

Como dizia o cantor de Les Copains D’Abord, Georges Brassens, o homem de Sète:
“O melhor vinho não é necessariamente o mais caro, mas o que nós compartilhamos”

O Syrah da Herdade das Mouras é um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito apreciável. Está aprovado!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,70€

mouras_ft


 

Prova Cega de Syrah, Sábado, 3 de Outubro, 15:00, Garrafeira Estado D’Alma, Lisboa

É com desmesurada alegria e incontido entusiasmo que estamos hoje aqui a comunicar esta iniciativa do grupo Facebook Cegos por Provas!

cegos

Uma prova cega exclusivamente de Syrah, que, obviamente, conta com todo o nosso apoio, e que desde já agradecemos na pessoa do seu mentor, Carlos Ramos. Igualmente a contribuir para a festa, com todo o seu saber e paladar apurado, está a vasta comunidade, liderada por Jorge Cipriano, Clube de Vinhos Portugueses. Vai ser memorável.

portugal

Nas palavras dos próprios: “Temos o prazer de anunciar mais uma “Cegada” que, achamos, será marcante. Desta feita iremos a Lisboa, à Garrafeira Estado D’Alma, pôr à prova a casta Syrah. Estarão 20 produtores presentes que nos levarão alguns dos melhores Syrah nacionais. Todas as regiões que têm produtores a vinificar esta casta como monovarietal estarão representadas.”

Sobretudo estamos curiosos de saber como cumprem os nossos Syrah preferidos, ou seja, saber da unanimidade à volta das nossas classificações que rondam os máximos, ou vice-versa.

Vai de ser de sumo, ou melhor, de Syrah interesse!


 

Rosa Brava, Campolargo, 100% Syrah, Bairrada, 2004

brava_garrafa

Vamos hoje falar de um Syrah da Bairrada, mais precisamente da Mealhada, de que conhecíamos a existência, elaborado pela empresa Campolargo, mas que sabíamos já indisponível. Isto foi em 2013, pelo que logo pensámos nunca iríamos conseguir sorver tal néctar. Tentámos um contacto telefónico com o produtor, que na altura confirmou o sabido, e mais nos disse que tinha sido safra única, de apenas 700 garrafas.

Mas a história ainda não tinha acabado. No passado Julho, na feira de vinhos biológicos de Lisboa, que decorreu na esplanada do restaurante “À Margem”, em Belém, eis que nos apercebemos da presença dos vinhos Campolargo, ali mesmo à nossa frente. Foi aquele frémito de esperança, havia que voltar a convocar o não olvidado Rosa Brava Syrah!

brava_herdade

E qual não foi o nosso espanto quando o amável produtor ali presente, Carlos Campolargo, nos confidenciou que tinha ainda em seu poder algumas caixas desse Syrah, que nunca antes nem depois a Campolargo se tinha abalançado fazer! Logo os contactos foram estabelecidos e hoje estamos em condições de podermos falar com conhecimento do Rosa Brava, e com toda a propriedade.

Em conversa com Pedro Cunha Martins, do Clube de Vinhos Winept, e que esteve ligado à ideia do Rosa Brava Syrah, foi-nos então contada a história do nome e do Rosa Brava. O nome é derivado de um romance histórico do escritor e jornalista José Manuel Saraiva, exactamente com o nome “Rosa Brava”. Para o lançamento do livro a editora teve a ideia de desafiar a Campolargo a produzir uma edição limitada de um vinho que teria o mesmo nome e que teria que ser algo de distinto! Daí surgiu o Syrah Rosa Brava, que foi divulgado juntamente com o livro no restaurante lisboeta “A Vírgula”.

No entender de João Paulo Martins, trata-se de um Syrah de “cor fechada, aroma especiado a pimenta preta, terra e pedreneira. Na boca mostra todo um lado austero de forte personalidade, muito mineral. A precisar de ser consumido com calma pois tem uma longa vida à sua frente. É pena que haja tão poucas garrafas.” Estamos de acordo, sobretudo com a última frase! E tem uma graduação alcoólica de 13,5%.

Apresentamos de seguida a sinopse que acompanhava o lançamento do livro Rosa Brava:

“Em 1368, D. Leonor Teles de Menezes, a mulher mais desejada do Reino, casa com o morgado de Pombeiro, D. João Lourenço da Cunha. O matrimónio é imposto por seu tio, D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mulher fora do tempo, aceita contrariada o casamento, que a melancolia da vida do campo não ajuda a ultrapassar. Por isso, decide abandonar o marido e parte para Lisboa, para gozar a vida de riqueza e luxúria que a Corte proporciona. Perversa e ambiciosa, não tem dificuldade em seduzir o jovem monarca, D. Fernando, alcançando, desse modo, o poder que sempre desejou. Mas a nobreza, o clero e o povo não veêm com bons olhos esta aliança de adultério com o Rei. E menos ainda quando a formosa Leonor Teles se envolve com o conde Andeiro… “Rosa Brava” é um romance baseado na investigação histórica que, por entre intrigas palacianas, traições, assassínios e guerras com Castela, reinventa, numa linguagem cativante, uma das personagens mais fascinantes da História de Portugal.”

Louis Pasteur, mais uma vez ele, o cientista e poeta do divino néctar, e aliterado ao nosso modo, dizia que:
“O sabor de um Syrah é como uma poesia delicada.”
Depois de termos deambulado por este Rosa Brava Syrah, poderíamos dizer, por analogia, que o talante de um bom Syrah é como um romance histórico: fica na História!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 16,95€


 

Castas D´Ervideira, Ervideira, 100% Syrah, Alentejo, 2006

ervideira_garrafa

Apesar da Ervideira ser uma empresa com algum impacto não só em termos de Alentejo mas também de toda a região sul, somente fez uma safra de Syrah, no já longínquo ano de 2006. O produtor, Duarte Leal da Costa, homem de grande simpatia e boa disposição, quando em 2013 o abordamos por causa da impossibilidade de encontrar o Syrah Ervideira no mercado, rapidamente se disponibilizou para nos conseguir umas quantas garrafas.

É um Syrah diferente, a nosso ver, em termos do que consideramos o paradigma para o Alentejo. As notas de prova escritas pelo produtor no contra rótulo da garrafa dizem-nos que é “de cor intensa e aromas de compota de frutas negras, especiarias e algum fumo. Na boca é aveludado e bem estruturado, elegante e persistente, deixando uma agradável sensação de prazer.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. No entanto, a nossa opinião é que é ligeiro de cor, o aroma é bastante neutro, com muito pouca expressão, e é bastante diluído na boca, o que faz sobressair os taninos e certa acidez que não apreciámos.

Apesar de ser um Syrah correcto, está longe de expressar o que a casta pode dar, embora mostre alguma personalidade. Nos tempos que correm, isso é uma característica a ter em conta. Como já foi dito é safra única de 2006, o produtor tem ainda algumas caixas, mas em termos práticos podemos considerar que se trata de um Syrah esgotado, pois já foi retirado do mercado.

evideira_vinhas

As propriedades de Monte da Ribeira e Herdadinha ambos pertencem à família Leal da Costa, que pode ser rastreada até ao Conde de Ervideira, um fazendeiro bem sucedido que viveu entre séculos 19 e 20. O conde, que recebeu seu título do Rei D. Carlos, em reconhecimento por seu trabalho social na região, começou a produzir vinho em 1880, como se pode ver nas garrafas que a empresa exibe com orgulho na sua sala de degustação de vinhos. Com 160 hectares de vinhedos, divididos entre as fazendas Vidigueira e Reguengos, a administração da Ervideira é realizada pela matriarca da família D. Maria Isabel e seus seis filhos, sendo Duarte Leal da Costa o director executivo. A enologia está sob direcção de Nelson Rolo.

evideira_equipa

A nossa citação de hoje é do actor e escritor americano W.C. Fields, que dizia com característica graça “Eu cozinho com Syrah, às vezes até o adiciono à comida.”

Apesar de tudo este Castas não chegou a tanto!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50