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Planura, Unicer Vinhos S.A., 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Hoje apresentamos o Syrah Planura, produzido pela Unicer Vinhos, que é simplesmente a maior empresa portuguesa de bebidas, com uma estratégia multimarca e multimercado, cuja actividade assenta sobretudo nos negócios das Cervejas e das Águas engarrafadas. Estão, igualmente, presentes nos segmentos dos refrigerantes, dos vinhos, e bem, como aqui se vai perceber, na produção e comercialização de malte e no negócio do turismo, detendo dois activos de referência na região de Trás-os-Montes: os Parques Lúdico-Termais de Vidago e Pedras Salgadas.

A Unicer está presente de Norte a Sul do país, conta com 1350 colaboradores, possui 13 estabelecimentos que incluem centros de produção de cerveja, de sumos e refrigerantes, e de vinhos, assim como centros de captação e engarrafamento de água, além de vendas e operações. A Unicer exporta 150 milhões de litros, tem 90.000 camiões de transporte para 50 países.

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Planura é um vinho Regional Alentejano que resulta de um rigoroso controlo de qualidade vitícola e enológico, dando origem a vinhos harmoniosos e equilibrados. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5%. As notas de prova dizem que tem “aroma frutos negros maduros e notas ligeiras de especiarias. Madeira ligeira. Na boca alguma acidez e taninos ainda presentes. Fruta negra madura, quase em compota. Especiarias ligeiras e madeira intensa de sabor mas equilibrada em proporção. Enche meia boca. Final médio.”

O Syrah veio encontrar no clima quente e seco da região alentejana, condições óptimas para o desenvolvimento de vinhos de perfil ímpar, simultaneamente maduros e frescos, muito diferentes nas suas características dos obtidos desta mesma casta noutros locais como na região francesa do Ródano, onde inicialmente teve maior expansão. Apresenta cor intensa, grande distinção aromática, com predominância de aromas a chocolate, compotas e algumas notas fumadas. A sua estrutura de taninos confere uma prova cheia, frutada e elegante.

Região de ondulantes planícies, o Alentejo apresenta uma paisagem relativamente suave e plana que se estende por quase um terço de Portugal continental.

Só a Serra de São Mamede, a norte da denominação, se diferencia do padrão. Os solos alternam entre o xisto, argila, mármore, granito e calcário, numa diversidade pouco comum. O clima é claramente mediterrânico, quente e seco, com forte influência continental.

O Alentejo encontra-se dividido em oito sub-regiões, Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira, agrupadas em três grupos distintos. Portalegre é a sub-região mais original, com solos predominantemente graníticos, influenciada pela frescura da Serra de São Mamede. A paisagem oferece inúmeras parcelas de vinhas velhas, plantadas nas encostas íngremes da serra, beneficiando de um microclima único que confere frescura e complexidade.

Borba, Évora, Redondo e Reguengos personificam a identidade alentejana, terra de equilíbrio e harmonia, na proporção certa entre frescura e fruta, energia e suavidade. As sub-regiões de Granja-Amareleja, Moura e Vidigueira, no Sul da denominação, oferecem vinhos mais quentes e suaves, com terras pobres e secas, onde a vinha sofre com a dureza do clima e a pobreza dos solos.

Terminamos citando o grande poeta, dramaturgo, novelista, cientista, homem de estado e encenador, considerado a maior figura literária da cultura alemã, Johann Wolfgang von Goethe:
“O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes.”

O Syrah nomeado Planura pode muito bem conduzir por esse alegre caminho de probidade!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,99€

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Vale dos Barris, Adega Cooperativa de Palmela, 100% Syrah, Setúbal, 2011

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Estamos em Setúbal uma vez mais para conhecer o Syrah da Adega Cooperativa de Palmela, denominado Vale dos Barris.

Vamos ser claros e objectivos: durante muito tempo o Blogue do Syrah considerou este Syrah como o mais fraco Syrah feito em terras lusitanas! No entanto ganhou uma medalha de ouro no concurso internacional Syrah du Monde, onde apenas são avaliados vinhos feitos a partir da casta Syrah. É claro que podíamos avançar com várias teses para justificar esta medalha de ouro. O júri não estava nos seus melhores dias quando atribui esta medalha, ou isto é prova de que os Syrah portugueses são de facto espectaculares, pois basta ir um Syrah “fraquinho” a um concurso internacional para ganhar logo uma medalha de ouro. E outras teses se poderiam aqui apresentar. Mas isso não é o mais importante. O que é importante dizer é que apesar da qualidade de gama mais baixa, em nosso entender, deste Syrah, assim mesmo tem uma boa relação qualidade-preço. Infelizmente depois de o Blogue do Syrah considerar durante algum tempo este Syrah como o menos conseguido dos Syrah portugueses, descobrimos outros bem mais fracos que o Vale dos Barris, alguns dos quais mesmo intragáveis, que não merecem a designação de “monovarietal Syrah”. Falaremos deles a seu tempo.

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Regressando ao Barris, as notas de prova referem que “Apresenta uma cor granada intenso, um aroma a frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira. O sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados, termina com um final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” Assim seja.

Situado em plena área metropolitana de Lisboa, o concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, ficando uma parte do território concelhio inserido na Reserva Natural do Estuário do Sado e, uma outra, no Parque Natural da Arrábida.

O concelho de Palmela está situado numa zona de clima temperado, embora com influências mediterrânicas e atlânticas. As temperaturas médias oscilam entre os 11º, em Janeiro, e os 30º, em Agosto. Fundada em 1955 com a designação de Adega Cooperativa da Região do Moscatel de Setúbal, iniciou a sua actividade em 1958.

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A Adega Cooperativa de Palmela é um dos principais pólos de desenvolvimento do Concelho que é marcadamente agrícola e onde a vinha e o vinho têm por razões históricas um peso bastante grande. A principal zona vitícola situa-se na planície arenosa que constitui grande parte do Concelho de Palmela.

A Adega Cooperativa de Palmela iniciou a sua actividade com 50 associados e com uma produção que não excedia os 1,5 milhões de litros. Nos dias de hoje a produção ultrapassa os 8 milhões de litros, e a Adega dispõe de capacidade para atingir os 10 milhões , sendo 75% Vinho Tinto, 15% Vinho Branco e 10% Moscatel de Setúbal.

Tem actualmente 300 associados que possuem uma área combinada de 1000 hectares. Uma parte substancial da sua produção é engarrafada através de 5 linhas automáticas com capacidade para 10.000 garrafas/hora. A Adega Cooperativa de Palmela tem vindo ao longo dos anos a actualizar a sua tecnologia, quer de fabrico quer de engarrafamento e hoje é uma unidade certificada desde 2003.

A história deixou-nos esta máxima de um anónimo – só podia ser- que diz: “Vinho é a vingança masculina em relação ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!“

Essa garrafa pode bem ser ciclicamente o Syrah do Vale dos Barris, apesar de tudo!

 

Classificação: 14/20                                                  Preço: 3,84€

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QP., Marcolino Sebo, 100% Syrah, Alentejo, 2011

De regresso ao Alentejo, zona onde a nossa casta preferida brota em toda a sua pujança, para ir ao encontro da casa Marcolino Sebo, que produz um Syrah de classe, como se vai ler, o Quinta da Pinheira.

O grande enólogo francês Émile Peynaud, autor do clássico livro sobre a arte da degustação Le Goût du Vin, que já morreu neste século em que estamos, dizia “beber vinho não é um prazer solitário, mas comunicativo.”

O Syrah da Quinta da Pinheira pode muito bem fazer as honras de apresentação da casta Syrah, entre outros, naturalmente, na defesa da qualidade da casta em Portugal.

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A casa Marcolino Sebo é uma empresa familiar que está ligada à área da viticultura há mais de 30 anos, sendo a sua constituição oficial datada de 1975.

Ao longo deste tempo e espaço houve uma dedicação em pleno à viticultura, sendo as uvas entregues na Adega Cooperativa de Borba, mas com o crescente aumento da área de vinha e o sonho do proprietário da empresa – Marcolino Sebo – de produzir o seu próprio vinho surgiu o projecto de criar uma adega própria.

Foi no virar do século XX, no ano 2000, que Marcolino Sebo, contando com 130 hectares divididos por sete parcelas de vinha situadas entre Borba e Estremoz, caracterizadas pelos solos argilo-calcários e argilo-xistosos, começou a vinificação das suas uvas, tendo o engarrafamento e comercialização do seu vinho ocorrido no ano de 2001. A área encontra-se dividida por cinco parcelas, entre as quais: a Quinta da Pinheira, Monte da Vaqueira, Monte do Estevalinho, Herdade da Cerca e Herdade do Olival.

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E é precisamente na Quinta da Pinheira, como já se percebeu, que encontramos este nosso bem amado Syrah, sendo a partir daí que todas as acções são coordenadas. A freguesia é Arcos e o concelho é Estremoz. Esta quinta para além de Syrah tem também Verdelho.

As notas de prova dizem-nos que se trata dum vinho “de cor vermelha púrpura e aroma complexo de frutos pretos madutos, especiarias, cacau e baunilha. Após um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês, sobressai um vinho denso com forte estrutura e taninos suaves, com final de prova prolongado.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.

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De referir ainda que o Syrah da Quinta da Pinheira é exportado para a China com o nome de   Infinitae Syrah, nome eloquente de que gostamos, mas ao contrário do que inicialmente chegamos a pensar, trata-se do mesmo Syrah numa outra garrafa e com outro rótulo.

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A adega Marcolino Sebo conta com um edifício moderno com traça Alentejana bem marcada, onde se utiliza a tecnologia moderna baseada em métodos tradicionais antigos, onde se produz o vinho. Em termos materiais tem cerca de 60 cubas das mais diversas capacidades, perfazendo uma capacidade total de 1.400.000 litros. Em termos humanos conta com uma vasta equipa de trabalho, desde o trabalho de campo até à comercialização do produto final, passando pela enologia com o apoio do enólogo: Engenheiro Jorge Santos. A cave da adega encontra-se semi-soterrada, o que lhe confere uma temperatura ambiente e humidade constantes durante todo o ano e proporcionando um ambiente ideal para o envelhecimento de vinhos.

Estamos pois conversados sobre o Syrah Quinta da Pinheira, que é pouco conhecido mas com uma grande garra e uma qualidade de se lhe tirar o chapéu, para nosso comunicativo prazer… é para isso que cá estamos!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 12,90€


 

Quinta dos Penegrais, Reserva, 100% Syrah, Tejo, 2011

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No Tejo, Quinta dos Penegrais, para apresentar mais um Syrah! Este difícil de encontrar em Lisboa mas não impossível! O respectivo site é muito básico, com muito pouca informação, infelizmente. Esta Quinta enquadra-se na região dos Vinhos do Tejo e na sub-região de Santarém.

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A safra provada é a de 2011, e possui uma graduação alcoólica de 14%, sendo produzido a partir de uvas cuidadosamente selecionadas, vindimadas manualmente durante a primeira semana de Setembro. Fermentação e curtimenta clássicos à temperatura de 26ºC em pequenas cubas de inox, com maceração prolongada. Segui-se um ligeiro estágio em madeira de carvalho francês durante quatro meses, resultando assim este Syrah, que segundo as notas de prova se apresenta “de cor rubi escuro com tons violáceos, aroma com frutos negros nomeadamente amoras e toque fresco de eucalipto e menta, complexadas com notas de frutos secos e especiarias oriunda do estágio de madeira. Boca volumosa e cheia, redonda, com taninos de qualidade e final longo.”

Há mais de 50 anos que a família Machado, proprietária desta quinta, se dedica à actividade vinícola. A Quinta dos Penegrais e os seus vinhos são fruto do empenho das várias gerações desta família que se dedicam com paixão ao seu trabalho para partilhar consigo os prazeres que um bom vinho pode oferecer.

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Em 1998 decide-se pela conversão de uma extensa área de pomares em vinha, marcando-se assim o início de uma nova fase desta quinta do sector dos vinhos.

Em 2004 entra no mercado o primeiro vinho regional produzido por António Carvalho Machado com a marca Quinta dos Penegrais.

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Actualmente, contam com cerca de 38 hectares de vinha distribuída por 2 propriedades, uma em Arruda dos Pisões – Rio Maior e outra em Manique do Intendente – Azambuja. Nestas vinhas cultivam-se as castas tintas Alicant Bouschet, Castelão, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Caladoc, e a nossa Syrah, naturalmente, mas também as castas brancas Moscatel, Arinto e Fernão Pires.

Há uma frase que os enófilos costumam referir e que é a seguinte: “Colecciono vinhos ruins…porque os bons bebo todos!…”

Este Syrah da Quinta dos Penegrais, com uma garrafa de desenho muito bem conseguido e sedutor, é daqueles que não ficará na garrafeira para além do tempo devido. Vamos pois em sua demanda!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50€

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Monte Alegre, Quinta do Monte Alegre, 100% Syrah, Setúbal, 2012

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De volta à península de Setúbal, mais precisamente em Fernando Pó, terra visitámos não faz muito, onde está localizada a Quinta do Monte Alegre, para darmos a conhecer um Syrah da adega Xavier Santana, detentora da Quinta do Monte Alegre. Syrah este cujas notas de prova nos dizem possuir “fruta preta densa, notas químicas de alcatrão, cacau tostado, num todo intenso e imponente. Encorpado e texturado, com acidez alta bem integrada, taninos finos bem envolvidos, tudo franco, bem feito, directo.” Syrah do ano de 2012, tem uma graduação alcoólica de 14%.

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A Adega Xavier Santana foi fundada em 1926 por Xavier Santana precisamente, empresa que permaneceu em seu nome próprio até à década de 70, quando foi constituída em Sociedade Familiar com a designação actual de XAVIER SANTANA SUCESSORES, LDA. A actividade comercial da empresa centrou-se inicialmente na produção e comercialização de vinhos em barril e na preparação de azeitonas de mesa, na sua adega localizada na vila de Palmela, até aos dias de hoje. Em 1990, a conjuntura de mercado proporcionou o investimento da empresa no engarrafamento dos vinhos como aposta na sua expansão a vários níveis, sustentada pela relação superior de qualidade/preço dos seus produtos. Com o engarrafamento dos seus vinhos, a Xavier Santana apresentou-se ao consumidor com a marca de vinho de mesa Casta Rica, à qual se seguiu a marca Xavier Santana para vinho generoso, e mais recentemente, as marcas Terras da Vinha e Quinta do Monte Alegre, vinhos de Indicação Geográfica ‘Península de Setúbal’ e ‘Palmela D.O.’ respectivamente – os quais vieram a assinalar um novo patamar evolutivo na história da empresa.

Infelizmente por aqui nos ficamos de informação disponível sobre este produtor. Resta o principal, que se as Escrituras já diziam “O bom vinho alegra o coração dos homens”, não nos podemos esquecer que Petrónio, escritor da antiga Roma, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável e autor de Satíricon, dizia igualmente, e com toda a sabedoria, que “O bom vinho deve ser apreciado aos goles”, e isso basta!

Então olhem, mais um gole de Syrah da Quinta do Monte Alegre, para ser apreciado e alegrar o coração de quem lê e de quem não lê as Escrituras, mas sabe o que bebe!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 4,40€

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Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. E que bem que se anda por aqui.

Trata-se de uma zona privilegiada não só pela riqueza do seu vasto património natural, paisagístico, arquitectónico, cultural, com também religioso e gastronómico, o que a torna numa região de grande apetência turística.

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O Monte do João Martins, inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, como se referiu, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias.

Temos a Silvicultura: depois do grande incêndio de 2003 na Serra de S. Mamede, que devastou toda a herdade foram plantados 80.000 sobreiros em sistema intensivo, o que em termos ecológicos e do meio ambiente é um investimento fundamental para a região.

Temos a Agro-Pecuária: com um efectivo de 600 ovelhas merinas do Norte Alentejano que pastoreiam em prados permanentes que cobrem toda a herdade, contribuindo uma vez mais para a melhoria do meio ambiente, e para a produção de carne de borrego.

E temos naturalmente a Vitivinicultura: com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?

João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV.

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E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada a 1200 garrafas, cabendo ao Blogue do Syrah a garrafa número 989. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.”  Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2011 é justamente a nossa casta Syrah!

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A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas  de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

A especificidade do clima, os solos graníticos, definidores de um distinto terroir, e a altitude, propiciam uma maturação das uvas equilibrada, originando vinhos frescos, aromáticos e com taninos longos. Tendo em vista assegurar a homogeneidade e a elevada qualidade de todas as uvas destinadas à produção do vinho, a vinha é monitorizada e gerida com extremo cuidado.

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A Região vitivinícola da “Rota de S. Mamede” coincide em parte com a área abrangida pelo Parque Natural da Serra de S. Mamede. É uma região de alguma altitude, sendo que possui um microclima específico. O coberto vegetal é factor de diferenciação para com as outras zonas do Alentejo. A vinha em solos na sua maioria de origem granítica, proporcionam vinhos com características bem definidas, diferenciados dos provenientes das outras regiões alentejanas. Aqui, predominam os vinhos tintos, carregados de cor, com intensidade aromática, na boca frescos com taninos longos do qual este Syrah é modelo!

“Um bom vinho é poesia engarrafada” dizia o escritor escocês Robert Louis Stevenson, e o presente Syrah é um bom exemplo disso mesmo, que se prova e degusta como se de um poema se tratasse, métrica e rimas perfeitamente conjugadas!

Classificação: 18/20                                                     Preço: 17,00€

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