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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Cortello, Martim Joannes Gradil, 100% Syrah, Lisboa, 2010

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Mais um Syrah que ficou perdido no passado, desta vez da região vitivinícola de Lisboa, pois quando se esgotou não teve continuidade em novas safras. Não tivemos assim oportunidade de o conhecer.

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A empresa Martim Joannes Gradil foi criada em 2002, perto do Cadaval, no coração da região de Lisboa. Nesse mesmo ano, a empresa foi integrada na GlobalWines, com vista a relançar a produção vitivinícola da quinta com moldes modernos. A empresa possui 100 hectares de vinha plantada com uma grande diversidade de castas, produzindo vinhos de qualidade superior, reconhecidos nacional e internacionalmente.

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As notas de prova do produtor, falam de um Syrah que apresenta “cor média de granada e revela a tipicidade da casta francesa, com a evidência de pimentas e aromas de matos rasteiros antes da fruta vermelha madura e de ligeira nota fumada. Volumoso na boca, força tânica que libertará no futuro a complexidade de taninos macios e envolventes. Final levemente agridoce.” Tem uma graduação alcoólica de 13%.

Napoleão Bonaparte dizia que:
“Nada faz o futuro parecer tão cor-de-rosa quanto contemplá-lo através de uma garrafa de vinho”.

Não poderemos fazer tal contemplação com este Cortello Syrah, o futuro através dele apresenta-se na sua cor natural: a cor do olvido!

 

Classificação:                                                  Preço: 3,60€


 

Reserva dos Amigos e Casa do Cónego, Lisboa; Vidigal, Tejo; Vidigal Wines, 100% Syrah, Lisboa, 2004, 2008

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Hoje falaremos de três Syrah, todos esgotados, todos com origem no mesmo produtor, a Vidigal Wines.

Começamos pelo Reserva dos Amigos, um Syrah de Lisboa que foi produzido na respectiva região vitivinícola. As notas de prova diziam que era um vinho com “muito vegetal seco, aroma um pouco afastado da casta, fruto preto e alguma pimenta. Já macio e acessível na boca, mesmo um pouco plano, mas está tudo no sítio e por isso deverá ser bebido agora.” Tinha uma graduação alcoólica de 14%. Para além da safra de 2008 também tinha havido a de 2004.

A história destes desaparecidos néctares começa com uma empresa familiar produtora e engarrafadora de vinhos de qualidade, de origem portuguesa, a Caves Vidigal, SA, fundada no ano de 1958. Foi comprada em 1994 por um português que emigrou do seu país e viveu 27 anos na Dinamarca, onde até hoje possui uma empresa importadora, principalmente de produtos portugueses para este país escandinavo. Com a volta ao país de origem, em 2001, retoma a Vidigal e casa-se com a brasileira Maria Luiza. A família veio junto: Rodrigo, o irmão Ricardo e as respectivas esposas, Luciana e Andréa.

Em 2005 uma grande empresa norueguesa distribuidora de bebidas, a Red&White, adquiriu a parte das caves dando origem à Vidigal Wines, SA. Moderniza-se e melhora-se a infra-estrutura da empresa sempre com a preocupação com a higiene e o bem-estar dos funcionários. Como 95% da produção destina-se à exportação, os vinhos mais vendidos são o Vidigal Reserva na Noruega e o Reserva dos Amigos em Angola. Alemanha, Dinamarca, Suíça, Suécia, Bélgica, Andorra, Polónia, França, Itália, Espanha, Inglaterra, América do Norte (Canadá e Estados Unidos), América do Sul (Brasil) e recentemente a Ásia (China e Índia) são também mercados da nossa empresa. O portefólio conta com mais de 33 vinhos oriundos da Estremadura, Ribatejo, Alentejo, Douro, Dão, Beiras e Minho. Há vinhos jovens, maduros, varietais, verdes, rosés e espumantes.

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A produção total da Vidigal Wines é de aproximadamente 4.500.000 garrafas, mais 500.000 para o mercado interno.

A Vidigal Wines também produziu um outro Syrah na mesma altura em 2004 e também 2008 da região vitivinícola de Lisboa a 100% syrah de nome Casa do Cónego e que também se encontra esgotado.

E produziu ainda um terceiro Syrah a 100%, também nos anos de 2004 e de 2008, de nome Vidigal Syrah, este não de Lisboa mas do Tejo, com uma graduação alcoólica de 14%. Três euros seria o preço deste vinho na época.

Pode e deve-se perguntar: como é possível que a mesma empresa lance no mercado por mais de uma vez três monocasta Syrah e ao fim de poucos anos nenhum resistiu à passagem do tempo? Essa pergunta foi feita pelo Blogue do Syrah a um quadro da Vidigal Wines que deu uma resposta pela qual não estávamos à espera. E a resposta foi esta:
no início de actividade a Vidigal Wines queria apostar em força no mercado externo e plantou algumas das castas internacionais mais reconhecidas para ter um êxito mais rápido, visto que as castas portuguesas não eram tão conhecidas e seriam bem mais difícil penetrar no mercado externo produzindo vinhos de castas nacionais. Daí a aposta em força no Syrah, entre outras castas internacionais. Quando a Vidigal Wines se tornou uma grande empresa exportadora de vinhos e as suas marcas eram já conhecidas nos mercados que importavam o vinho português apostou de vez nas castas autóctones e abandonou as castas internacionais inicialmente responsáveis pelo início pujante de actividade comercial.

Quem defende esta tese não devia sequer merecer este espaço de considerações, mas no fim de tudo quem se fica a rir é quem está solidamente no mercado continuando a produzir vinhos de monocasta Syrah!

A actriz Joan Collins dizia que “a idade é apenas um número irrelevante. Excepto se for uma garrafa de Syrah.“ Mas é preciso que esse dito cujo exista! Se esgotou e não se renovou numa nova safra, não é mais que um nome e uma data. É isso que acontece com estes 3 Syrah da Vidigal Wines, fica a memória de quem teve o privilégio de com eles conviver e este nosso texto para que conste!

 

Classificação:                                                Preço: 4,00€


 

Quinta de Pancas, 100% Syrah, Lisboa, 2000

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Já nos vamos aproximando do fim, neste nosso propósito de falar de todos os Syrah portugueses.

Eis pois um dos últimos Syrah de Lisboa, mas que, para nosso descontentamento, se encontra já esgotado, da Quinta de Pancas, ano de 2000. Segundo um dos responsáveis da empresa trata-se de um Syrah que pura e simplesmente nunca existiu, como se pudesse acontecer. Histórias só possíveis nesta nossa subtil e estranha Lusitânia. Mas vamos primeiro falar deste Syrah, que podemos garantir existiu mesmo, foi por nós degustado, e neste momento temos na mão a garrafa vazia.

Um vinho regional da responsabilidade dos enólogos Rui Reguinga e Ana Varandas, elaborado exclusivamente a partir da casta Syrah. Foi vinificado com uvas parcialmente desengaçadas, fermentadas em cubas de aço inox sendo, de seguida, o vinho submetido a uma maceração prolongada pós-fermentativa à temperatura controlada de 26/27º C. Estagiou 12 meses em carvalho francês. As notas de prova dizem falam de “cor granada escuro, forte concentração com bom brilho e viscosidade média. É um vinho muito aromático com um nariz fortemente balsâmico com muitos frutos vermelhos, notas canforadas e breves sugestões de café num conjunto onde coexistem algumas notas campestres. Secundariamente surge um agradável lado vegetal, onde subsiste a cânfora e se insinuam leves sugestões animais. Termina com assinalável bouquet emadeirado. Na boca, encorpada, avilta uma acidez viva, a pedir comida, e forte adstringência, se bem que os taninos se apresentem algo domesticados. A fruta é agora silvestre (amoras, framboesas), com ligeiríssimo amargor. Finaliza com persistência, com a acidez a reforçar a sua aptidão gastronómica, mas desta feita com agradável suavidade. Um vinho cheio de carácter, apesar da idade, e embora denote evidente qualidade e concentração, peca por escassa complexidade.”

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Como em todos os Quinta de Pancas Special Edition, a designação aplica-se aqui aos melhores vinhos da colheita. Este Syrah tem um estágio mais longo, em meias pipas, com maior percentagem de carvalho novo. Foram engarrafadas 9800 garrafas e 150 magnuns cabendo a esta o número 50. E deixou marca indelével.

E agora vamos à história que ficou anunciada: Arlindo Santos é o dono e gerente da Garrafeira de Campo de Ourique. É um homem que está no mundo dos vinhos há mais de 50 anos. Acerca deles tem um conhecimento enciclopédico. Quando o conhecemos ficámos de tal modo fascinados com o que ele contava sobre os seu espólio vitivinícola que chegávamos a ir lá só para ver se ele estava para poder conversar e aprender um pouco mais. Um belo dia, sabendo do nosso interesse pelo Syrah, diz-nos que tinha uma única garrafa de um Syrah que desconhecíamos mas que estava no armazém de Almada. Essa garrafa era o nosso bendito Quinta de Pancas, Syrah, 2000! Era preciso lá ir com um funcionário, pois a idade não lhe permitia subir pelas escadas acima, que parece que são muito altas. Ficou com o nosso contacto para logo que tivesse a garrafa em seu poder nos avisar. Quinze dias passaram sem notícias. Tomámos entretanto a iniciativa de telefonar para a Quinta de Pancas para nos inteirarmos da veracidade da existência do dito Syrah. Após colocar a questão à telefonista, foi-nos passada a chamada para alguém apto a responder ao nosso problema. Falámos então com um dos responsáveis da quinta, que desde logo assegurou estarmos enganados, a Quinta de Pancas nunca tinha feito um monocasta Syrah, nem em 2000 nem em que ano fosse. Pedimos desculpa, não insistindo mais, mesmo sem ficar convencidos. Passado uns dias decidimos regressar à garrafeira de Campo de Ourique para esclarecer o nosso amigo Arlindo do seu erro. E eis como acabam as grandes histórias. Imediatamente, sem mais palavras, tirou uma garrafa guardada debaixo do balcão e disse:

“Então o que é isto?”

Era a garrafa nº 50 do Syrah Quinta de Pancas do ano 2000.

Hoje temos essa garrafa guardada religiosamente como testemunho da ignorância e incompetência profissional.

Como dizia D. H. Lawrence “Ao provar um Syrah vislumbramos, na iminência da noite, os nossos sonhos.”

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 31,00€


 

Mundus, Adega Cooperativa da Vermelha, 100% Syrah, Lisboa, 2012

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Na região vitivinícola de Lisboa para dar a conhecer um Syrah que, infelizmente, diga-se desde já, peca pela falta de qualidade. É um Syrah produzido pela Adega Cooperativa da Vermelha, de 2012 e, tanto quanto se sabe, é a primeira safra.

Infelizmente não é o primeiro Syrah a merecer uma crítica tão negativa por parte do Blogue do Syrah. E mais uma vez não o fazemos de ânimo leve. Mais uma vez insistimos na nossa isenção, estando apenas ao serviço do grupo dos consumidores ao qual pertencemos. Já o dissemos e repetimos: se um Syrah nos espanta e encontramos características extraordinárias não temos problema nenhum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo com isso algo que ganhar a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico, e se for possível em primeira mão. Mas o que nunca desejamos que aconteça voltou a acontecer, pela segunda vez.

O Syrah Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha só tem uma coisa a seu favor, o nome, Mundus, uma designação forte do ponto de vista do marketing, mas isso só não chega! O Syrah Mundus é elaborado sem brio, de Syrah como o entendemos nada tem, e como tal é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola 14 a 20, e portanto nada mais nos resta que atribuir-lhe, não sem tristeza, um 0!

Segundo as notas de prova este Syrah “é um vinho estruturado, com aromas a frutos vermelhos sobremaduros conjugados com a madeira. Na boca apresenta-se macio e estruturado.”

Ao beber este Syrah tudo isto se revela falso! É uma coisa de mau gosto, no sentido literal, que chega a dar engulhos de estômago. Não fomos capazes de beber mais do que uma taça em dois dias distintos.

Mesmo assim ainda chegamos a dizer que foi fermentado à temperatura de 26ºC em cuba de inox e em sistema de curtimenta. Após o processo fermentativo foi estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho Americano.

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Fundada em 1962 por um grupo de vinicultores da região, liderados pelo Engenheiro Carvalho Cardoso, a Adega Cooperativa de Vermelha começou por ser um espaço para vinificar a produção dos viticultores da região, que devido a várias condicionantes não podiam vinificar “per si” as suas uvas.

Desde a sua fundação até aos nossos dias, muitas foram as alterações e evoluções que se registaram na Adega. Efectivamente a sua génese inicial assentava na recepção e vinificação das uvas dos associados e posterior armazenagem e comercialização a granel dos vinhos obtidos (venda de grandes quantidades de vinho em vasilhas de madeira “cascos” para a região da estremadura e Lisboa).

Com a evolução dos mercados e com as novas tendências dos consumidores a ACV adoptou as melhores e mais recentes tecnologias, nomeadamente no que concerne a engarrafamento, vinificação e métodos laboratoriais, permitindo o engarrafamento dos seus vinhos, sendo os mesmos distribuídos para diversos mercados.

Já dizem as Escrituras: “O bom Syrah alegra o coração dos Homens.”

Mas com este Mundus é que não ficámos nada alegres… apesar de ser Syrah!

 

Classificação: 0                                                  Preço: 4,50€

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D´Arada, Sociedade Agrícola Quinta Margem D´Arada, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Até à região vitivinícola de Lisboa rumamos hoje e mais uma vez para conhecer um Syrah de Alenquer, Quinta Margem D´Arada.

É mais um Syrah que enquadramos na categoria de “fraquinhos”, no sentido de caminharem para o exangue, combalido, sem chama, de aromas pouco pautados, pouco encorpados, aguados mesmo, e por aí adiante. É um Syrah com graduação alcoólica de 13,5%, do qual conhecemos esta safra de 2007, tendo já havido uma anterior em 2005, que já não conhecemos e por isso não falamos. Dá para beber no dia a dia, desde que não se tenha o pretensiosismo de querer algo acima da média, e com uma razoável relação qualidade-preço.

Apenas pelas directorias que falam dos percursos pela Rota da Vinha e do Vinho do Oeste se ouve falar desta Sociedade Agrícola Quinta Margem d’Arada, que integra três propriedades – Quinta da Margem D’Arada, Quinta da Bichinha e Quinta da Boavista. Propriedade muito antiga, com existência comprovada na época romana, a Quinta da Margem D’Arada recebe os visitantes que a ela se dirigem numa visita guiada, numa magnífica sala decorada com elementos que não deixam esquecer que se está numa propriedade agrícola dedicada à produção vinícola.

Fernanda Filipe faz as «honras da casa» e não deixa de recordar a antiguidade da propriedade explicando que está documentada nos inúmeros objectos arqueológicos ali encontrados. Outros documentos ancestrais ligam-na ao episódio da morte de D. Inês de Castro: pertenceu a Lopo de Pacheco, pai do «carrasco» da aia da rainha.

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Actualmente tem 50 hectares em produção plena, a Sociedade Agrícola Quinta Margem d’Arada aposta ainda maioritariamente no mercado nacional. Entretanto, 20 por cento da sua produção já é destinada ao estrangeiro, nomeadamente a Alemanha, França, Suécia, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe, Estados Unidos, Goa e China.

Mas os responsáveis da Sociedade não se ficaram pelos vinhos, apesar dessa ser a sua actividade primordial. A estes, junta-se a produção de doces e compotas caseiros, de que o «Doce de Vinho» é o ex-libris. “Esta é uma das poucas especialidades gastronómicas da região e caiu de laboração”, explica Fernanda Filipe, recordando ainda que a iguaria era conhecida como «Doce dos Pobres». Feito a partir do mosto da uva, antes da fermentação, e com uma larga variedade de frutas, é um doce «natural», já que o único açúcar que apresenta é o das frutas.

A história rica que esta propriedade documenta não retira uma vírgula ao que dissemos anteriormente em relação ao Syrah que produz!

Numa expressão curta e de tipo popular poderíamos dizer que se trata de um Syrah que não aquece nem arrefece. É no entanto, como já ficou sublinhado, bebível, ao contrário de outros do mesmo calibre!

O mestre português da casta baga, típica da Bairrada, o engenheiro Luís Pato, disse uma vez: “Não se pode fazer vinho ao acaso – a Qualidade é o que o consumidor gosta e paga.”


Neste caso paga-se e não se gosta por aí além… e por vezes é assim!

Classificação: 14/20                                                    Preço: 4,80€


 

Arruda dos Vinhos, Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, hoje em destaque, fez uma única safra de monocasta Syrah, no ano de 2009, que se encontra já esgotada. Ao Blogue do Syrah foi muito gentilmente cedida pelo produtor uma garrafa, quando soube que não conhecíamos o seu Syrah. Ficámos muito agradecidos.

A fermentação deu-se em cuba de inox com sistema de pisa automático e controlo de temperatura de fermentação. Estagiou durante 5 meses em barricas de carvalho francês e carvalho americano e 2 meses em garrafa na cave. As notas de prova dizem que tem uma “cor granada intensa e aroma a frutos vermelhos, sendo na boca equilibrado e suave devido à excelência da qualidade da casta.”

Começado o embate, imediatamente entrámos em discordância com o supra dito, não podemos deixar de o afirmar. Nem a cor granada é intensa, nem nos parece ser equilibrado e suave. A excelência da casta não se discute, tal como a pátria ou a autoridade, mas é preciso saber urdir com sabedoria as suas subtilezas. Foi safra única e francamente não vai deixar saudades. Em nosso parecer é preferível a Adega de Arruda dos Vinhos utilizar a uva Syrah para fazer os famosos blends de agrado geral, como aliás tem feito desde essa altura. Ou então que parta de novo para uma aventura Syrahniana, mas com um espírito completamente diferente, de modo a conseguir alcançar novos de subtileza. Cá estaremos para o avaliar, se for o caso.

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A Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos foi fundada em 1954, numa altura em que se assistiu em Portugal ao aparecimento de muitas adegas que foram criadas como ferramentas imprescindíveis para garantir o escoamento da uva, a qualidade do vinho e a estabilidade do preço conseguido pelos produtores das várias regiões. Foram 25 os produtores agricultores que, na altura, se resolveram organizar, levando a cabo a constituição da Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos.

Em Arruda dos Vinhos a qualidade da produção vitivinícola foi, desde sempre, uma imagem de marca da região. Quando a Adega é criada, agregando vários produtores da região, torna-se no maior produtor de vinho de Arruda, realidade, aliás, que se mantém até hoje.

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Actualmente a Adega de Arruda tem cerca de 300 associados ativos e uma área de vinha com várias centenas de hectares. Destas vinhas, predominantemente implantadas em terrenos argilo-calcários, provêm os melhores vinhos da região. As instalações ocupam uma área total de mais ou menos 32 mil m2, sendo 4.760 m2 de área coberta, onde se encontram os serviços administrativos, os laboratórios, as linhas de engarrafamento, os armazéns de material subsidiário, matéria-prima e material acabado, bem como a loja da Adega de Arruda.

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A Adega dispõe de todo o equipamento de recepção das uvas, vinificação, estabilização e armazenagem e possui uma capacidade de engarrafamento que permite dar resposta aos compromissos comerciais e expectativas de mercado, bem como cumprir os requisitos exigidos pelas normas de Higiene e Segurança Alimentar.

O escritor romântico Stendhal, que nos deixou para ler eternamente A Cartuxa de Parma e o O Vermelho e o Negro, escreveu:
“Os homens que encontro nas estradas, perto de Dijon, são pequenos, secos, alegres, coloridos, é claro que o bom vinho governa todas esses temperamentos”

Quando o vinho não é bom… subentenda-se o restante que por hoje terminámos!

 

Classificação: 14/20                                                    Preço: 4,80€