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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Pactus, Quinta do Carneiro, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Sob o calor ameno deste Verão luminoso, deleitados ante a paisagem serena da Extremadura a escorregar para o Tejo, temos ante nós o Pactus, Syrah da Quinta do Carneiro, situada em Alenquer. Há grandes Syrah em Alenquer, como o nosso leitor assíduo haverá de recordar, mas este Pactus, apesar do nome sonante que possui não é mais que um Syrah razoável, que pode muito bem cumprir a sua missão no dia a dia mas nada mais que isso. Bebe-se, é um Syrah, mas falta-lhe a tenacidade que encontramos em outros “irmãos” da mesma região.

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As terras de Alenquer estendem-se entre a linha sinuosa das elevações argilo-calcárias da cadeia montanhosa de Montejunto e os campos aluviais da margem direita do rio Tejo. Quase um quadrilátero, medindo ligeiramente mais de 300 quilómetros quadrados, desdobrando-se numa paisagem inconstante de montanhas, montes, vales e passagens estreitas, coberta em grande extensão por uma carpete de vinhas, que todos os anos regressa à vida numa mistura fresca de mil e uma cores de verde primaveril e se tinge com a melancolia dos amarelos e vermelhos durante a estação outonal da apanha da uva. É nesta paisagem, olhando o enorme maciço do Montejunto e a calma das águas do Tejo, que está situada a Quinta do Carneiro, trabalho de muitas gerações dedicadas à administração avisada das generosas ofertas da natureza.

De acordo com Guilherme Carlos Henriques em “In Alenquer e o seu Concelho”, 1873, “Quinta do Carneiro deriva do sobrenome do seu actual proprietário, Sua Excelência o Conde de Lumiares; Carneiro e Sousa”.

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A Sociedade Agrícola do Carneiro desenvolve a sua actividade no sector da vinha e do vinho, assumindo a condição de produtor e engarrafador. Possui uma área de cerca de 50 hectares de terrenos argilo-calcários, dispostos em encostas de declive suave, com exposição a Sul, que anualmente produzem, em média, 3.000 hectolitros de vinho das várias castas. A adega está equipada com a mais recente tecnologia sendo possível efectuar todas as operações desde o cacho até à garrafa. Faz parte da adega um pequeno laboratório para análises básicas de forma a se obterem rápidas respostas quanto ao estado dos vinhos/mostos.

A Quinta do Carneiro é beneficiada por um clima influenciado pela transição de um Atlântico temperado para um Mediterrâneo árido. De uma forma lata, o clima da Quinta, decisivamente condicionado pela barreira montanhosa que se estende desde a Serra de Montejunto (600 m), que rodeia a região de Alenquer a Norte e Leste, e que da aos seus vinhos a sua característica única. Estas montanhas constituem uma barreira natural que quebra a influência dos ventos atlânticos dominantes, carregados de humidade e transportando baixas temperaturas. Por outro lado, permitem a penetração do clima mediterrânico, caracterizado por altas temperaturas, baixa humidade e acumulação rápida de calor de verão.

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Voltando ao nosso Syrah, sabemos que estagiou em barricas de carvalho Francês e/ou Americano durante 6 meses, tem uma graduação de 14%, e o enólogo de serviço é Ricardo Santos. As notas de prova dizem que “apresenta uma cor rubi de concentração média e um nariz bem preenchido por aromas de fruta vermelha madura aliados a delicadas notas florais e um leve toque especiado e tostado, na boca é um vinho suave e equilibrado, com taninos polidos e um paladar agradável, cheio de fruta e delicadas notas de especiarias, o final de boca é mediano.”

O grande Aubert de Villaine, erudito proprietário do Domaine de Romaneé-Conti na Borgonha, que produz um dos vinhos mais caros do mundo, disse: “Não fico surpreso que as pessoas não identifiquem estes aromas todos nos vinhos que compram. Eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho isso muito fastidioso. Não estou interessado nisso, e sim na personalidade do vinho.”

Até podemos concordar com Aubert de Villaine, mas este Pactus também não tem uma personalidade que se possa destacar, mesmo que os aromas sejam os que cada um consiga identificar!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 7,50€

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A Quinta do Gradil tem um novo Syrah!!!

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Já sabíamos que a Quinta do Gradil tinha um Syrah, e de qualidade, que oportunamente foi apresentado aqui, produzido em condições especiais e fazendo apelo a uma comunidade de amigos. Foi uma história que nos deu muito prazer contar e que convidamos todos a relerem.

Hoje damos em primeira mão a informação de que a Quinta do Gradil está neste momento a lançar no mercado um novo Syrah, que irá substituir o anterior, e feito em moldes diferentes, com uma produção de 4200 garrafas, ano 2013.

Os enólogos são os da casa, António Ventura e Vera Moreira.

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Estas e outras informações foram gentilmente fornecidas pelo responsável na Quinta do Gradil para o mercado interno, Joaquim Coelho, que, através de um discurso muito claro, nos fez compreender que apesar de este Syrah ser da mesma vinha de 120 hectares existente na Quinta, os processos utilizados não são exactamente os mesmos, nomeadamente o tempo de estágio, que no caso anterior era de 8 meses e neste syrah de 2013 é de 14 meses, e isso faz muita diferença.

A graduação alcoólica é também distinta. O Syrah de 2012 tem 14,5% e o presente tem 14%!

Isto leva-nos a concluir que estamos perante dois Syrah diferenciados, o que leva o texto do rótulo a dizer que se trata de “Um syrah muito expressivo, de cor retinta e aromas intensos de bagas do bosque, pontuados com notas químicas e um toque de mineralidade. Elegante na boca, revela harmonia entre a fruta e os taninos evidentes mas bem integrados, num conjunto enriquecido por 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês. O seu final é prolongado e distinto.”

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Vamos ainda referir um aspecto importante para o consumidor, a que geralmente aqui no Blogue do Syrah damos muita importância: a relação qualidade/preço. E aqui temos mais uma novidade fantástica! O Syrah de 2012 custa 11,50 euros nos poucos sítios onde ainda é possível encontrá-lo, mas claro, na garrafeira Estado d`Alma, sempre à procura do melhor preço, o seu preço é de 9,95 euros. Pois bem, este novo Syrah, que hoje aqui nos traz, vai estar à venda por 5,72 euros, o que representa uma diminuição muito significativa a que não podemos deixar de ser sensíveis.

A Quinta do Gradil está pois de parabéns por esta óptima notícia, agora que o Verão está de vento em popa!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 7,00€


 

Quinta de S. Jerónimo, Sartal, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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A Quinta de S. Jerónimo, por onde perambulamos hoje, é uma quinta na região de Alenquer, situada às portas de Lisboa, que tem por detrás de si uma longa história, da qual iremos dar um pequeno resumo, mas que está nas nossas bocas devido ao facto de ter um monocasta Syrah, de 2013, e que já ganhou alguns prémios. Vamos pois saber mais.

As notas de prova dizem que é um vinho “muito concentrado, austero e químico, fechado, a precisar de tempo. Boa textura, quase se mastiga, o álcool é evidente mas o vinho mostra garra. Com contenção, pode ser bom parceiro de mesa.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.

Conhecem-se quatro safras, 2007, 2009, 2011 e esta aqui em destaque, de 2013. Apesar da simpatia, quer do produtor, José Aniceto, quer do enólogo, Julião Baptista, que possibilitaram a chegada ao Blogue do Syrah de uma garrafa de cada uma das safras mencionadas, não podemos deixar de lamentar o facto de estarmos em presença de mais uma empresa vitivinícola que descura totalmente o mundo digital e respectivo marketing. A Quinta de S. Jerónimo não tem site, não tem blogue, não tem página de facebook, ou de qualquer outra presença nas ditas redes sociais, ou seja, apesar deste ser um Syrah bastante interessante e ser produzido às portas da capital, o consumidor não tem acesso a qualquer informação relevante. O nosso papel como divulgadores dos Syrah portugueses também sai muito dificultado e a informação recolhida é sempre escassa, apesar de ser a possível. Avancemos pois.

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A Quinta de S. Jerónimo, anteriormente conhecida por Quinta do Mato, deve o seu nome ao antigo Convento de São Jerónimo. Na obra ‘Alenquer e o Seu Concelho’, de 1873, Guilherme João Carlos Henriques informa que a Casa que pertenceu à Ordem de S. Jerónimo foi fundada por Frei Vasco, em 1354. Com o terramoto de 1755 o Convento sofreu danos consideráveis, em especial a capela.

Com a extinção das Ordens Religiosas, os conventos e bens patrimoniais dos mosteiros foram confiscados pelo Estado, que depois foram vendidos e leiloados a entidades particulares. O Convento de S.Jerónimo, integrado numa imensa quinta, foi reconvertido em residência particular e a sua exploração agrícola passou a reger-se pela lógica da iniciativa privada dos meios de produção. Esta Quinta foi em 1876 distinguida, na pessoa dos seus proprietários, com um prémio na exposição de Filadelfia, como produtor de cereja, considerada a maior produtora em Portugal nessa época. Em 1934 era seu proprietário José António Tavares.

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As festas anuais, em honra de São Jerónimo, realizam-se no último fim de semana de junho. São atualmente organizadas pelo Rancho Folclórico “Primavera em Flor” do Mato, fundado em 1985.

E já que esta quinta tem uma história tão ligada a uma ordem religiosa, vem a propósito relembrar o que Frei Rafael dizia com sabedoria:

“O Vinho é a chave que, sem dar a volta, abre o coração e solta os pensamentos.”

Era bom que o atual proprietário soltasse o pensamento e se abrisse aos novos tempos, que de abrir o coração para este Syrah tratámos nos aqui, divulgando a sua quinta de modo a que o consumidor tivesse um conhecimento mais preciso e informado sobre a sua produção vinícola!

Classificação: 15/20                                                  Preço: 7,50€


 

Confraria, Adega Cooperativa do Cadaval, 100% Syrah, Lisboa, 2012

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Hoje vamos deambular pela zona de Lisboa, mais exactamente para os lados de Cadaval e sua Adega Cooperativa, para conhecer o Syrah Confraria. O ano é 2012. O preço é bastante acessível mas a qualidade deste Syrah pode ser considerada abaixo da média, embora se beba bem. Trata-se de um Syrah a 100%, mas, infelizmente, não possui chama nem garra.

Tem graduação alcoólica de 13,5%, e o produtor diz que foi “Elaborado cuidadosamente a partir de uvas vindimadas no seu ponto óptimo de maturação, orgulhamo-nos de apresentar este vinho, complexo, equilibrado e aromático, onde a madeira se casa de forma harmoniosa como taninos, proporcionando um longo prazer a quem o consome.” Isto pode ou não ser verdade, logo, como rapidamente entramos no campo da subjectividade, convidamos o leitor a fazer o seu próprio julgamento, e depois venha aqui fazer os comentários que forem devidos da sua parte!

O objectivo supremo do Blogue do Syrah, desde a primeira hora, é dar a conhecer todos os Syrah portugueses,  independentemente da qualidade ou de estarem ou não ainda disponíveis. Claro que temos de os ter provado e degustado, só assim podemos falar em primeira mão. Se já demos notas de 18, 19 e até 20, isso não quer dizer que todos os Syrah sejam de qualidade superior só pelo simples facto de serem Syrah, para nosso grande pesar!

Este Confraria Syrah é o terceiro de uma série, felizmente pequena, de Syrahs que não merecem grandes qualificativos para além do que já ficou dito. Vale 14, porque é um Syrah, até se bebe sem grande pretensiosismo, e o preço é muito interessante. Mas não podemos esperar mais do que isso. Não impressiona mesmo. Não o recomendamos para quem quer dar a conhecer a casta Syrah, porque assim quem o beber não ficará minimamente impressionado.

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É um Syrah produzido pela Adega Cooperativa do Cadaval, que fica na região vitivinícola de Lisboa. Ora as adegas cooperativas da região de Lisboa não sabem fazer Syrah de qualidade, é a conclusão que tiramos até agora. Este é mais um a juntar à lista!

A Adega Cooperativa do Cadaval, existente desde 1969, dedica-se à recepção e transformação por vinificação de uvas dos seus associados, criadas nos vinhedos que cobrem as encostas soalheiras da Serra do Montejunto e que, em declive suave, se estendem pelo vale.

A Adega Cooperativa do Cadaval comercializa vinhos por grosso e embalado.

As marcas já implantadas no mercado são: os regionais AGUIEIRA e CONFRARIA, e os vinhos correntes com a marca DACEPA.

Situada na costa Atlântica de Portugal, e inserida na Região Vitivinícola de Lisboa, esta Adega é uma cooperativa de produtores com 40 anos de história na produção de vinhos. Os associados da Adega no activo ultrapassam o meio milhar e distribuem-se por uma área de influência que vai desde zonas mais próximas do Litoral até às encostas da Serra do Montejunto.

O terroir da região e a sua componente Atlântica, aliados aos conceitos aplicados na criação de vinhos, proporcionam condições de excelência para a produção de espumantes e vinhos brancos de qualidade, frescos, intensos e aromáticos.

Saliente-se a natural aptidão da região para a produção de vinhos de teor alcoólico moderado “Vinho Branco Leve” e “Vinho Rosé Leve”, num bom estilo internacional e adequados à actual procura dos mercados, mas de qualidade duvidosa, dizemos nós…

A sua produção é portanto maioritariamente dedicada aos vinhos brancos, numa percentagem de 65%, tendo a produção de tintos, devido à reestruturação da vinha, vindo a aumentar percentualmente para um valor de 27%. Os vinhos rosados, também em crescimento, ainda não ultrapassam os 8%.

A Adega Cooperativa do Cadaval, tem vindo a desenvolver progressivamente a sua implantação no mercado nacional, onde abastece algumas das principais cadeias de supermercados. Os mercados externos são o seu grande objectivo actual, razão pela qual se encontra neste momento a reformular a sua gama de produtos, com a introdução de novas marcas, imagens de rótulos e caixas.

Vem, para terminarmos, a propósito citar Eurípedes, o grande poeta grego, que dizia
“Onde não há vinho, não há amor.”
 Como este não é um grande vinho, a paixão só pode ser fugidia!

Classificação: 14/20                                                     Preço: 3,80€


 

Cepa Pura, Quinta do Montalto, 100% Syrah, Lisboa, 2013

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Na região vinícola de Lisboa, em atitude ecológica, estamos hoje aqui para apresentar um Syrah biológico, na sua primeira safra, de 2013. Cepa Pura! – o nome é atraente- um Syrah de 14,5% de graduação alcoólica, elaborado pela Quinta do Montalto. Obtido a partir de uvas seleccionadas, teve um estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. É um Syrah fresco, de bom aroma, com fruta madura e um perfil arredondado. Apreciámos o bom equilíbrio de boca, com taninos suaves e uma boa vocação gastronómica, certamente adequada em elevado grau para acompanhar um bom repasto de ingredientes igualmente biológicos.

Ressalva tem de ser feita desde já, pois apesar de existir um site bem documentado em termos da história da quinta e alguns dos vinhos produzidos, sobre o nosso Syrah não tem absolutamente o que seja que nos oriente no nosso trabalho de divulgação sobre o mesmo! Trata-se de um autêntico incógnito, no sentido literal da palavra. Não há foto, não há ficha técnica, notas de prova, nada! Incompreensível! Como dar a conhecer então este Syrah? Felizmente existe o Blogue do Syrah para tirar o Cepa Pura da clandestinidade!
Adiante.

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A Quinta do Montalto, pertencente à mesma família há 5 gerações, possui na sua totalidade cerca de 50ha, entre vinhas, olivais, pomares e florestas, formando um magnífico mosaico na paisagem.

Inserida na grande região vitivinícola de Lisboa, os cerca de 15,5 ha de vinhas implantadas em encostas de solos argilo-calcários com excelente exposição solar, produzem vinhos com direito à Denominação de Origem Encostas D’Aire.

Localizada no centro do país na região de Ourém, perto de Fátima, e com uma longa tradição vitivinícola, a Quinta do Montalto possui uma grande variedade de castas, sendo a Aragonez e a Fernão Pires as mais representativas das uvas tintas e brancas, respectivamente. Existem também encepamentos de Touriga Nacional, Trincadeira, Baga, Alicante Bouchet, Castelão, Moreto, Cabernet Souvignon, Arinto, Rabo de Ovelha e Olho de Lebre.

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Não descurando as preocupações ambientais, todas as culturas na Quinta do Montalto são, desde 1997, conduzidas e tratadas obedecendo às normas de Agricultura Biológica com o controlo da ECOCERT-PORTUGAL, ou seja, não são utilizados adubos químicos, herbicidas, insecticidas, fungicidas e outros produtos químicos de síntese.

A Quinta do Montalto já ultrapassou em décadas a idade centenária. Mantendo-se ao longo dos tempos sempre ligada à família Gomes Pereira, as diferentes gerações que a cuidaram souberam, como veremos adiante, marcá-la ao longo do tempo com um cunho próprio, cada uma delas por si só introduzindo benefícios em toda a propriedade que muito contribuíram para a valorizar.

Na evolução das três últimas décadas, face a implicações de políticas agrícolas bem como às progressivas carestia e carência do pessoal rural, surgem várias tentativas de rendibilizar estes 50 ha. Se a opção lógica apontava a pecuária, foi esse o sentido enveredado na busca de algum provento.

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É precisamente na alvorada do milénio que surge a quarta geração constituída segundo o nome “Herdeiros de Filipe Gomes Pereira”. Englobada também nessa designação desponta já uma quinta linhagem, plenamente vocacionada para novos desafios.

Convertidos à Agricultura Biológica, com investimento em novas castas, apostou-se na quantidade e qualidade do plantio e replantio da vinha. A horticultura dá os primeiros passos na busca da excelência dos produtos. Apesar dos vinhos, já devidamente premiados, serem ao momento uma realidade adquirida, ainda é cedo para futurologias. No entanto a Quinta do Montalto em termos de vinhos está bem encaminhada não podendo continuar a descurar aspectos que parecem ser de somenos importância mas que no conjunto ajudam a fazer a diferença.

Daí também a citação que hoje apresentamos do historiador Arnold Toynbee:
“Qualquer um que conheça a sua própria história certamente conhece os seus vinhos.”
Daí a necessidade de os divulgar!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50€


 

Casal Castelão, 100% Syrah, Lisboa, 2007

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Das vinhas a norte de Lisboa, na antiga região vitivinícola da Estremadura, nasceu este Syrah, para assim estarmos aqui a contar a sua história. Única safra desta quinta familiar, o Syrah encontrou nas vinhas do Casal Castelão todas as condições ideais  à sua produção.

Na família desde 1907, o Casal do Castelão é uma propriedade familiar que tem como única actividade a vitivinicultura.

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Aliando tecnologias enológicas de vanguarda ao saber e tradição de gerações, a herdade cria vinhos de qualidade respeitando a pureza das castas.

Localizado junto à costa atlântica a norte de Lisboa, o Casal Castelão apresenta-se no mercado como um defensor das características particulares de cada casta.

Através de uma vinificação tradicional em que o vinho fica em contacto com a película durante, no mínimo, dois meses, extraindo assim da uva todo o seu potencial.

Os vinhos dão a conhecer todas as características de algumas das mais prestigiadas castas nacionais e internacionais.

Já agora, é preciso dizê-lo, não deixa de ser simpático que esta quinta de pequena dimensão fundada em 1907  tenha comemorado os 100 anos de existência precisamente com este nosso Syrah de 2007.

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Os vinhos do Casal Castelão são vendidos para o mercado externo nomeadamente para Pernambuco no Brasil, a Estónia, o Luxemburgo, a China e a Polónia.

Este Syrah, de cor rubi e aroma frutado, surge-nos, segundo as notas de prova, “cheio de corpo, bem estruturado, sofisticado com um final de boca persistente e prolongado. Podem ainda ler-se tons de fruta preta discreta, pimenta e outras especiarias. Na boca um pouco ligeiro, com acidez viva, final saboroso.” Tem uma graduação alcoólica de 13%. Sozinho ou acompanhado é ideal para pratos de caça, carnes vermelhas e queijos, como aliás qualquer Syrah.

Um vinho simples mas bem feito, para o dia a dia.

Como o leitor já percebeu há muito, e é fácil de entender, nós aqui no Blogue do Syrah só tratamos de vinhos de monocasta Syrah e é nessa qualidade de enófilos que nos apresentamos. Ninguém poderá dizer, como Leon Adams, jornalista americano e co-fundador do Wine Institute, que “Qualquer um que tente fazer você acreditar que sabe tudo sobre vinhos é, obviamente, um farsante”.
Nós sabemos do que sabemos, bebemos e apreciamos, e mais não nos é pedido!

E assim nos vamos, que mais uma vez, como se pode constatar, a informação disponível sobre este Syrah não é muita. Aqui fica pois o ensejo de que os nossos estimadíssimos produtores de Syrah se empenhem mais na partilha de informação sobre os seus produtos, sobretudo através das respectivas páginas web devidamente actualizadas. Se não for possível, também não se preocupem muito: o importante mesmo é o Syrah!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,70€