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Que bem que o nosso Syrah se dá por aqui…

Monte do Roseiral, Reserva, 100% Syrah, Lisboa, 2012

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Eis-nos perante a primeira safra deste Syrah de Lisboa, Monte do Roseiral de seu nome, reserva de 2012 e, como nós preferimos, a 100% da nossa casta de eleição.

Estamos em Bucelas, região vitivinícola bem mais conhecida por outro tipo de vinhos. Mas a estrela aqui e agora é este Syrah, cujo engarrafamento se efectuou em Outubro de 2013 e com uma produção de 3600 garrafas de tipo bordalesa.

O processo deu-se a partir da fermentação em cubas de inox com temperatura controlada a 28ºC e breve estágio em madeira. O enólogo foi o engenheiro Carlos Canário.

As notas de prova deste Syrah apontam “uma cor granada concentrada com um aroma intenso a cereja e especiarias com os taninos bem integrados. O paladar mostra um corpo cheio, aveludado com final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

Em termos de conservação as garrafas devem estar deitadas em local arejado e escuro, entre 12 e 13ºC e 60% de humidade relativa. O consumo pode ser imediato ou nos próximos oito anos. Diz-nos o produtor que este Syrah deve ser servido a uma temperatura de 15ºC, e é ideal com pratos de carne vermelha, caça, assados no forno, queijos fortes e Foie gras.

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As informações que conseguimos reunir são escassas mas dizem-nos que este Reserva só será produzido apenas nos melhores anos, a partir de uvas da casta seleccionadas, de vinhas plantadas em encostas suaves e soalheiras, em solo argilo-calcário e beneficiando da influência atlântica. Com surge de um curto estágio em madeira, é um vinho de charme bastante equilibrado.

E a propósito da módica informação disponível nos canais habituais sobre esta herdade e respectiva produção, já referimos,  vamos citar o escritor e negociante de vinhos Alexis Lichine, que disse uma vez:
“No que se refere a vinho, recomendo sempre que se joguem fora tabelas de safras e manuais e se invista num saca rolhas. Só se conhece o vinho bebendo!”

Bebamos pois este nosso Syrah do Monte do Roseiral, que certamente muito esclarecimento haveremos de encontrar por entre os seus eflúvios subtis!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 6,60€

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Cortém, Vinhos Cortém, 100% Syrah, Lisboa, 2010

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Hoje estamos na região vitivinícola de Lisboa, para falar de uma aventura migratória, a de dois ingleses que a dada altura da vida decidem mudar de vida. Estamos a falar do casal Christopher Price e da sua mulher Helga Wagner. Como é que um engenheiro de som britânico e uma editora de som germânica chegam a Portugal para produzir Syrah, e ainda por cima biológico? É essa história que vamos contar!

A vontade de alterar o ritmo de vida surge quando menos se espera, por motivos a maior parte das vezes sem explicação aparente. Mesmo quando a vida profissional parece estável, com sucesso, por vezes debaixo de grande ansiedade. Talvez aqui a motivação primeira tenha sido o amor pelo vinho, e também pela fama tranquila deste nosso Portugal, marginal e aprazível. Eis então que dois profissionais do som para cinema decidem abandonar um certo modo de viver e comprar uma pequena parcela de terra com 4,5 hectares perto de Caldas da Rainha, uma zona predominantemente virada para a fruticultura, e começar a plantar videiras com o objectivo de produzir vinho, criando assim o Vinhos Cortém, numa atitude de verdadeira paixão por esta arte tradicional.

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E o que assim começou foi continuando a crescer, até à produção actual de 15 mil garrafas por ano. Foi um processo auto-didacta e de estudo, de partilha de informação e de leitura de livros. Todo o trabalho é feito pelo próprio casal com a ajuda de amigos, tirando o melhor partido do terroir de Cortém, a aldeia que dá o nome ao vinho, de clima frio mas temperado pela brisa do Atlântico.

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A variedade de castas plantadas leva à produção de 7 vinhos diferentes em pequenos lotes, utilizando-se as técnicas ancestrais de vinificação. O facto de não ser uma região muito quente, leva a que as vindimas sejam atrasadas em comparação com outras zonas, geralmente para Outubro. Existem assim as castas tintas portuguesas tradicionais  Jaen, Touriga Nacional, Touriga Franca, Aragonez e Tinto Cão; as castas tintas mais internacionais, como a nossa Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Cabernet Franc, Tannat, Pinot Noir, Syrah, Carmenere; e as castas brancas: Sauvignon Blanc, Viognier.

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Os Vinhos Cortém possuem ainda a particularidade de serem produzidos segundo a certificação orgânica, como já referimos, não se utilizando qualquer aditivo ou agentes químicos, com excepção do sulfito, em baixa concentração, para estabilizar o vinho. O nosso casal declara também não usar o carvalho no processo de envelhecimento. A fermentação decorre durante 2 a 3 semanas em banheiras cobertas parcialmente e agitação manual duas vezes por dia. O estágio final dá-se em tanques de aço inoxidável durante 2 a 3 anos.

Já foram vários os prémios obtidos pelos Cortém, e já houve quem os achasse semelhantes aos Bordeaux, pela relativa semelhança entre o clima.

O que nos regozija sim é que estes nossos amigos decidiram, e muito bem, fazer um Syrah. Dizem as notas de prova que é “encorpado, proveniente do clima marítimo e fresco da nossa região, que apesar de intenso é fresco e agradável ao palato e exibe o toque fino e profundo da casta“. Tem 14.5% de graduação alcoólica, e em 2014 ganhou uma medalha de ouro no Berlin Wine Trophy. Bebe-se com alma e paixão, sorvendo aromas e histórias.

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Outra particularidade interessante diz respeito ao design das garrafas. Cada ano é pedido a um artista que exponha o seu trabalho nos rótulos dos vinhos produzidos, e no caso do Syrah 2010 o escolhido foi George Farmer, um pintor e músico inglês que reside na Alemanha.

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Na quinta existe uma sala de degustação localizada no edifício mais antigo do local, de atmosfera tradicional, com comida preparada a preceito pela anfitriã Helga Wagner, que geralmente inclui iguarias locais, assim complementando os vinhos servidos, em sintonia harmoniosa com a região. Há ainda a possibilidade de acomodação em regime de turismo rural com pensão completa. Existe muito para ver e desfrutar nesta região, desde Óbidos até zonas balneares como a Foz do Arelho.

Já tivemos oportunidade de encontrar em pessoa estes nossos imigrantes produtores de Syrah, que com toda a generosidade nos deram a provar o fruto do seu trabalho, para nosso imenso deleite. Tanto que nos lembrámos de citar Baudelaire: “É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com Syrah, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.”
Assim foi e continuará a ser!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,50€


 

Bonifácio, António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda., 100% Syrah, Lisboa, 2009

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Na região vitivinícola de Lisboa estamos hoje em presença de um syrah elegante e aromático, que pode servir muito bem de aperitivo para uma longa refeição. Eis então o Bonifácio, 100% syrah, da António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda.,  que, como se percebe, é uma empresa familiar.

Elegância parece ser a palavra chave para designar este syrah que tem uma relação qualidade-preço deveras memorável.

Duas safras viram a luz do dia. A de 2007, já esgotada, e a de 2009, que ainda está disponível no mercado. Com 13,5% de graduação alcoólica, este syrah foi feito, garante-nos o produtor e nós acreditamos, lá está, devido aos seus aromas e elegância, a partir de uma cuidadosa selecção de uvas, provenientes exclusivamente da casta Syrah, como deve de ser. “De cor vermelha-violeta profunda e intensa, possui um forte aroma e sabor a frutos silvestres e ameixas, sendo bem equilibrado em estrutura e acidez. Este vinho é excelente para carnes grelhadas, mas também pratos de peixe bastante elaborados e condimentados.” Deve ser consumido a uma temperatura entre 16º e 18º C.

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Situada a Norte do Rio Tejo, a região vitivinícola de Lisboa, é a segunda maior produtora de vinho em Portugal sendo esta composta por dez sub-regiões: Encostas de Aire, Alcobaça, Lourinhã, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Bucelas, Colares e Carcavelos.

As cidades de Torres Vedras, Alenquer e Óbidos são os principais pólos da Região, contendo a maior área de plantação de vinhas, ao longo de verdes encostas. Torres Vedras, é o concelho que tem a maior produção de vinho do país.

Aqui, encontram-se solos argilo-calcários e solos argilo-arenosos, muito férteis, que melhoram o cultivo e qualidade das uvas. O clima é ameno, com uma precipitação média de 700 mm por ano e não há alterações importantes de temperatura. Estas são as características que tornam únicos os vinhos desta região.

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A empresa António Francisco Bonifácio e Filhos, Lda. iniciou a sua actividade em Janeiro de 1964, prosseguindo o trabalho de seu fundador, António Francisco Bonifácio, que desde muito jovem concentrou os seus esforços no cultivo e crescimento da vinha e na produção de vinho. Conseguiu com sucesso gerir o seu negócio por mais de 40 anos e sempre com uma preocupação: fazer vinhos de qualidade! As gerações seguintes, quiseram manter a fasquia nesse ponto alto, tendo sido desenvolvido um trabalho conjunto em que os valores de inovação e exigência se encontram sempre presentes.

A produção dos vinhos, nasce de uma cuidadosa selecção das uvas, como já referimos. Após serem colhidas estas são descarregadas em tegões, o ponto inicial de duas linhas paralelas de produção – uma para uvas brancas e outra para uvas tintas.

No caso das uvas brancas, o vinho é produzido sob o processo de “Bica Aberta” sendo as uvas encaminhadas para uma prensa pneumática onde os mostos são separados e as massas prensadas. Após este procedimento o mosto é submetido a choque térmico a frio, desenvolvendo-se a fermentação a temperatura controlada.

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As uvas tintas, após desengace e esmagamento, são encaminhadas para cubas de fermentação, passando por um processo de maceração a frio, decorrendo posteriormente a fermentação a temperatura controlada efectuando-se um processo de remontagem por lixiviação de massas.

O estágio dos vinhos tintos processa-se em depósitos de inox e numa segunda fase em garrafas.

Para acompanhar a evolução dos tempos, foram criadas novas instalações, dispondo de modernas condições para a produção e engarrafamento, com grande capacidade de resposta, respeitando todas as exigências do mercado actual : uma linha automática de enchimento de garrafas e duas linhas de Bag-In-Box.

Nas vinhas encontram-se, entre outras, as castas Castelão, Tinta Miúda e Alicante Bouschet.

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Estas são amadurecidas em solos argilo-calcários, à luz do sol e com uma baixa precipitação.

As vinhas crescem em solos superficiais, de baixa fertilidade e não são regadas em qualquer altura do ano para evitar a diminuição de taninos, elementos básicos para um excelente envelhecimento.

A poda das videiras durante o Inverno e o Verão é executada conscienciosamente e com extremo cuidado: antes da vindima, já após o aparecimento do fruto, quando necessário, são removidos alguns ramos de forma a aumentar a qualidade das uvas que ficam na planta.

Todos estes processos reduzem o rendimento das vinhas, mas mantém a quantidade e qualidade adequadas para obter as melhores uvas, com as melhores notas de acidez e estrutura tânica, necessárias para a produção e envelhecimento dos vinhos.

O poeta persa Rumi, do século XIII, dizia que  “Através do amor todo amargo será doce, através do amor todo cobre será ouro, através do amor toda borra será vinho, através do amor toda a dor será remédio.”

Esta é uma boa maneira de terminar a nossa reflexão sobre o Bonifácio syrah, um vinho a ter presente independentemente das condições não vinícolas que possamos considerar!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 3,85€

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SYRAH, Casa Santos Lima, 100% Syrah, Lisboa, 2011

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A Casa Santos Lima é o maior produtor de “Vinho Regional Lisboa” e “DOC Alenquer”, e um dos produtores portugueses mais premiados em concursos internacionais.

As propriedades da empresa pertencem à família Santos Lima há mais de um século sendo, desde há várias gerações, grandes produtores de vinho. No entanto, só em 1996, quando José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandona a sua carreira de mais de 20 anos no sector financeiro, teve início o engarrafamento e comercialização dos seus vinhos.

Como tal a Casa Santos Lima teria que ter o seu syrah, para nosso regozijo.

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A Casa Santos Lima é uma empresa familiar, fundada por Joaquim Santos Lima, que, no final do século XIX, era já um grande produtor e exportador de vinhos. Maria João Santos Lima e José Luís Santos Lima Oliveira da Silva, neta e bisneto do fundador, gerem a empresa desde 1990, tendo procedido à replantação de grande parte das vinhas e modernizado toda a infra-estrutura produtiva.

As vinhas  distribuem-se por várias Quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo, que cobrem uma área total de aproximadamente 290 hectares.

O syrah da Casa Santos Lima teve as seguintes safras: a primeira em 2001, a segunda em 2003 e depois todos os anos até 2009. A actual  é de 2011.

As notas de prova dizem-nos que em termos de cor temos um rubi definido. Este é “um vinho seco e delicado com aromas agradáveis de frutos vermelhos. No palato é fresco e frutado, novamente com notas de frutos vermelhos, framboesas, cerejas e ervas. Bom corpo e estrutura, com uma longa persistência a fruta no final de boca.” Tem uma graduação alcoólica de 14%.

As propriedades da Casa Santos Lima estão situadas no concelho de Alenquer, 45 km a norte de Lisboa, numa região onde a tradição vitivinícola é secular e as típicas paisagens rurais aparecem com enorme beleza. As vinhas estendem-se por encostas suaves em altitudes compreendidas entre 100 e 220 m, com excelente exposição solar e um clima temperado pela suave brisa marítima do oceano Atlântico, que se encontra a cerca de 26 km para oeste.

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O tipo de solo predominante é o argilo-calcário, do período do Jurássico Superior, tendo sido encontrados numerosos exemplos de fósseis de vida marinha, e inclusivamente vestígios dedinossáuros (Apatosaurus alenquerensis). A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único e também, em menor escala, com as melhores castas internacionais. É possível encontrar na Casa Santos Lima cerca de 50 variedades de castas diferentes (algumas com carácter experimental). Brancas: Arinto, Fernão Pires, Moscatel, Rabo-de-Ovelha, Seara Nova e Vital, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Tintas: Alfrocheiro, Camarate, Castelão, Preto Martinho, Sousão, Tinta Barroca, Tinta Miúda, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante-Bouschet, Cabernet Sauvignon, Caladoc, Merlot, Pinot Noir e a nossa Syrah, obviamente.

Podemos pois aqui encontrar uma enorme diversidade de castas, como ficou mencionado. Visando a prevenção da erosão dos solos, a redução natural da produção média e a antecipação das maturações (factores importantes na produção de uvas de qualidade), adoptou-se uma política de enrelvamento natural, que consiste em manter o solo revestido com vegetação espontânea (flora natural ou residente) e/ou semeada.

A precipitação anual média é de cerca de 700mm e ocorre na sua maioria entre os meses de Outubro e Abril, fornecendo ao solo, que tem grande capacidade de retenção, a água necessária para um óptimo desenvolvimento vegetativo das plantas. A secura dos meses de Verão (Junho, Julho, Agosto e Setembro) e temperaturas médias de cerca de 21/22 ºC, que resultam da alternância de temperaturas máximas diurnas de 27/28ºC com temperaturas mínimas nocturnas de 15/16ºC, proporcionam uma amplitude térmica adequada para a obtenção de maturações equilibradas e a produção de uvas de grande qualidade.

A replantação da vinha tem sido feita a um ritmo regular desde 1990 e mais de 120 ha foram já plantados desde então, com as mais nobres castas Portuguesas, que aqui apresentam um carácter regional único, e também, em menor escala com as melhores castas internacionais.

O sistema de Protecção Integrada é aplicado nas vinhas e pomares. O enrelvamento, já referido, é também uma prática adoptada por esta empresa, e tem contribuído para a prevenção da erosão dos solos, redução natural da produção por hectare e antecipação das maturações, factores importantes na produção de uvas de qualidade.

Em 1996 iniciou-se a comercialização dos primeiros vinhos engarrafados – Quinta da Espiga, Quinta das Setencostas, Palha-Canas e alguns varietais, que imediatamente tiveram grande sucesso nos mercados nacional e internacional. Actualmente, cerca de 90% da produção total é exportada para 40 países nos cinco continentes.

A Adega foi construída no final da década de 30 do século XX  tendo beneficiado, ao longo dos últimos anos, de inúmeros melhoramentos e introdução das mais avançadas tecnologias.

Durante o processo produtivo, conjugam-se práticas tradicionais com a mais moderna tecnologia. A vindima é feita por via manual e mecânica, tendo início na segunda quinzena de Agosto e prolongando-se até inicio de Outubro.

A política de plantar castas inovadoras na região e de manter algumas tradicionais que se encontravam em vias de extinção, teve como efeito a produção de uma das mais vastas colecções de vinhos mono – varietais em Portugal, alguns deles únicos, como o caso das castas Camarate e Preto Martinho. Mais recentemente, esta colecção tem sido complementada por vinhos bi-varietais, resultando em combinações bem sucedidas entre castas nacionais e internacionais.

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Produzidos a partir de uvas seleccionadas e de excelente qualidade os vinhos são frutados, com um bom equilíbrio, concentração e acidez. Fica o nosso convite para experimentarem o syrah de que aqui vos falamos.

Termina-se, citando o grande romancista francês Victor Hugo que afirmou com toda a propriedade: “Deus apenas criou a água, mas foi o homem que fez o syrah”.

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 4,99€

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Quinta das Hortênsias, 100% Syrah, Lisboa, 2009

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Desta vez estamos na região vinícola de Lisboa, para visitarmos o syrah da Quinta das Hortências. É uma quinta situada em Castanheira do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira. Tem como um dos seus objectos mais importantes o ramo vitivinícola. É uma zona onde foram encontrados os mais remotos vestígios do cultivo da vinha na Península Ibérica, cerca do século III depois de Cristo.

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Com cerca de 70 hectares, dedicou-se no início da sua actividade, principalmente, à produção de uva de mesa. Contudo, há mais de 9 anos que fez a reconversão e reestruturação das suas vinhas para produção de uva para vinhos de alta qualidade.

A exploração vitivinícola comporta actualmente cerca de 45 hectares de vinhas, situadas em encostas soalheiras acima dos 200 metros de altitude, que separam a bacia do Tejo das colinas da região de Lisboa. Como é uma zona de transição os solos são especialmente heterogéneos, apresentando composições que variam entre as areias e os solos argilosos.

Falamos o ano passado com o seu proprietário e produtor, Rogério Simões, e ficamos a conhecer as duas safras deste syrah, a de 2008 já esgotado e a de 2009 ainda disponível e a que está em análise e classificação nesta análise.

As castas da Quinta das Hortências são tintas a Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca, Tinta Barroca, Castelão, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Caladoc. Nas castas brancas existe o Verdelho, Arinto e Alvarinho.

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A Quinta das Hortências exporta os seus vinhos para a Alemanha, Reino Unido e Suíça.

O poeta Charles Baudelaire certamente assim falaria perante um syrah como o da Quinta das Hortências:

A alma do vinho assim cantava nas garrafas:
“Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas,
Um cântico em que há só fraternidade e luz!

Bem sei quanto custa, na colina incendiada,
De causticante sol, de suor e de labor,
Para fazer minha alma e engendrar minha vida;
Mas eu não hei de ser ingrato e corruptor,

Porque eu sinto um prazer imenso quando baixo
À conta do homem que já trabalhou demais,
E seu peito abrasante é doce tumba que acho
Mais propícia ao prazer que as adegas glaciais.

Não ouves retinir a domingueira toada
E esperanças chalrear em meu seio, febris?
Cotovelos na mesa e manga arregaçada,
Tu me hás de bendizer e tu serás feliz.

Hei de acender-te o olhar da esposa embevecida;
A teu filho farei voltar a força e a cor
E serei para tão tenro atleta da vida
Como o óleo que os tendões enrija ao lutador.

Sobre ti tombarei, vegetal ambrósia,
Grão precioso que lança o eterno Semeador,
Para que enfim do nosso amor nasça a poesia
Que até Deus subirá como uma rara flor!”

É um syrah que se distingue sensorialmente, sendo encorpado e redondo, com taninos presentes, final de boca prolongado e agradável. Boa concentração aromática em que sobressai os aromas da fruta vermelha madura, especiarias e algumas notas minerais. As notas de prova do syrah da Quinta das Hortências dizem-nos ainda que “os frutos vermelhos silvestres estão presentes no aroma, assim como notas gulosas de cacau. Continua frutado no paladar, apresenta boa firmeza, é muito agradável, volumoso e envolvente. Muito consistente, termina com agradável e razoável persistência”.

Vale a pena experimentá-lo!

Classificação: 16/20                                           Preço: 10,00€

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Humus, Quinta do Paço, 90% Syrah, Lisboa, 2010, 2011

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Estamos hoje na região vinícola de Lisboa para apresentar um syrah biológico. O Humus, Herdade do Paço, do produtor Rodrigo Filipe.

Já conhecíamos o Rodrigo, mais precisamente da última Feira de Vinhos do Campo Pequeno, que se disponibilizou a prestar-nos várias informações, agora que decidimos falar de uma criação sua.

O Humus de 2010 é um reserva, feito com syrah e tinta barroca na proporção de 80% e de 20%, logo não é um monocasta syrah, e isso à partida sempre nos coloca algumas objecções, pois estamos aqui para defender acima de tudo os 100% Syrah, que são a nossa predilecção. E apenas soubemos desta “anomalia” quando conversámos com o produtor. Estávamos convencidos depois de o ter degustado que a percentagem seria de 85% – 15%.

No entanto, o syrah presente na garrafa é de qualidade superior, e “abafa” completamente a tinta barroca, como geralmente acontece. Esta safra que está esgotada e será brevemente substituída pela safra de 2011, e tem uma percentagem diferente de syrah e tinta barroca: 90% de syrah contra somente 10% de tinta barroca. Daí no nosso título estar o Humus de 2011 e não o anterior. Prevê-se um melhor desempenho, logo uma melhor classificação.

De cada safra foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. As notas de prova dizem-nos que possui ”toques de amora e groselha, complementadas por fumados e mineral. O paladar tem uma boa estrutura, frescura e vigor. Taninos firmes e integrados.”

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A Quinta do Paço é uma propriedade familiar, com um total de vinte hectares, dez dos quais dedicados à vinha. Situada na região demarcada de Óbidos, entre o Oceano Atlântico e a Serra dos Candeeiros, a Quinta do Paço desfruta de condições de solo e clima especiais que dão aos seus vinhos carácter e personalidade.

Trata-se de uma pequena propriedade. Por isso as vinhas não se estendem a perder de vista. São pequenas, delicadas e recebem toda a atenção devida. Cada garrafa resulta do esforço conjunto de pessoas que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas a estas terras. São os laços afectivos e familiares que as unem no desejo de produzir um syrah cada vez melhor!

Os vinhos da Quinta do Paço são de agricultura biológica. Sem adubos, sem químicos, o que obriga a trabalho redobrado na lide diária, com enormes compensações a todos os níveis. Por isso há a vontade sempre presente de produzir vinhos autênticos, da forma o mais natural possível, respeitando sempre a Natureza e o Meio Ambiente.

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A principal preocupação do produtor é a vinha e a qualidade das suas uvas. Para tal escolheram-se as castas que melhor se adaptam às condições de solo e clima, apostando-se em rendimentos inferiores aos normalmente praticados. Deu-se especial atenção ao solo, pois acredita-se que só um solo vivo é capaz de potenciar ao máximo a  expressão do ‘terroir’.

Na adega a intervenção é reduzida ao mínimo, de forma a preservar e respeitar a identidade de cada vinho. A Quinta do Paço está inserida na Rota do Vinho do Oeste e recebe, sob marcação, quem quiser conhecer as vinhas, a adega ou provar o syrah.

O Humus Reserva é um tinto de nome pouco vulgar que exterioriza uma personalidade forte, exposta num estilo francamente original que entrelaça dois mundos que se encontram profundamente divididos entre nariz e boca. O estilo é discretamente atordoante, entrecruzando um nariz floral e perfumado altamente apelativo, com uma boca muito mais masculina e dura, férrea nos taninos e tensa no final de boca. Um tinto de qualidade que merece ser conhecido em toda a sua extensão.

Num artigo intitulado “A diferença como uma virtude”, o jornalista Rui Falcão referia o Humus Reserva como um dos exemplos de “vinhos diferentes, de castas raras, regiões esquecidas ou produtores menos mediáticos”. Nós também estamos de acordo. É um syrah com grandes capacidades de evolução, tanto que nos trouxe até este poema, que aqui deixamos em versão bilingue.

CANÇÃO AO VINHO
Juan Ponçe

Ave, color vini clari,
Ave, sapor sine pari,
Tua nos inebriari,
Digneris potencia.

O quam felix creatura!
Quam perduxi vitis pura.
Omnis mensa sit secura.
In tua prescencia

O quam placens in colore,
O quam fragans in odore,
O quam sapidum in ore,
Dulce linguis vinculum.

Felix venter quem intrabis
Felix gutur quod rigabis.
O felix os quod lababis
O beata labia!

Ergo vinum colaudemus
Non potantes confundemos
In eterna sécula
Amen.

(TRADUÇÃO)

Ave, cor do claro vinho.
Ave, sabor sem igual.
Seu poder nos embriaga!
Digne-se esse poder.

Ó quão feliz criação,
produzido pela pura vinha.
Toda mesa está segura
em sua presença.

Ó quão agradável em cor,
quão fragrante em odor,
quão gostoso na boca,
a doce prisão da língua!

Feliz a barriga na que você entra,
feliz a garganta que você humedece,
feliz a boca que você lava.
Ó lábios santificados!

Louvemos o vinho
e que os abstémios sejam confundidos
pela eternidade dos séculos.
Amém!

Assim nos vamos!

Classificação: 16/20                                           Preço: 10,00€

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