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Grandes ‘terroir’ para grandes vinhos… e grande Syrah!

Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2015

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É com entusiasmo que damos conta do primeiro Syrah de 2015!
Já desde Agosto do ano passado que estamos a repetir para quem nos quiser ouvir que o ano de 2015 para o Syrah vai ser o melhor do século, muito superior ao de 2011!
Por isso quando tivemos conhecimento deste primeiro Syrah de 2015 quisemos tentar perceber se algo de substancialmente superior seria possível adivinhar. Esta linguagem rebuscada limita-se a querer dizer que foi também com espanto que tivemos conhecimento que já poderia estar no mercado e ao fim de tão pouco tempo um Syrah de 2015. Essa é a história que vamos já de seguida contar!

Não esquecer que por detrás de um grande Syrah há sempre uma história empolgante!
A história começa quando o Blogue do Syrah recebe um mail no dia 7 do corrente mês a dizer o seguinte:

“Vinha Pegões Shyrah 2015
Boa tarde. Tendo sido posto à venda no Pingo Doce esta semana o vinho referido em epígrafe (penso que tenha sido o primeiro lançamento deste vinho), vinha saber se já haviam provado e qual a vossa apreciação.
Com os melhores cumprimentos
Manuel Duarte”

Ainda no mesmo dia o Blogue do Syrah respondeu desta maneira:

“Caro Manuel Duarte,
em primeiro lugar obrigado pelo seu contacto.
Não estará o meu amigo enganado?
Syrah de Pegões só há este:
Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões, 100% Syrah, Setúbal, 2012
não é novo já existe no mercado há vários anos e para além disso a colheita disponível não é a de 2015 mas sim a de 2013.

Confirme na próxima vez que for ao supermercado…certo?
Um bom fim de semana
e até breve!
Pelo Blogue do Syrah
Francisco Trindade”

No mesmo dia obtivemos resposta do leitor Manuel Duarte:

“Boa noite.
Peço desculpa, mas comprei esta semana no Pingo Doce!
Com os melhores cumprimentos e desejo igualmente um bom fim de semana.”

foto enviada pelo leitor
No dia seguinte dia 8 o Blogue do Syrah respondeu:

“Manuel,
costuma dizer-se e com razão que “contra factos não há argumentos”!
Com a sua foto convenceu-me totalmente! Já hoje andei à procura nalguns Pingo Doces mas não havia…
Diga-me, em que Pingo Doce é que encontrou este syrah?
O que posso já dizer é que sendo de 2015 é muito novo, demasiado jovem o que não quer dizer que não tenha potencialidades! Mas o mais importante é descobri-lo!
Até breve
e obrigado.”

No mesmo dia o leitor Manuel Duarte disse:

“Boa tarde.
Como vivo em Rio Maior, comprei no Pingo Doce de aqui.
Mas penso que existirá em todo o país, uma vez que está referenciado no Folheto de esta semana (a 2,49€ !).
Cumprimentos.”

Poucas horas depois a resposta do Blogue do Syrah:

“Manuel, obrigado pela dica!
Estou a falar do concelho de Oeiras e por aqui ainda não encontrei!
Mas amanhã vou a Lisboa e vamos ver se tenho mais sorte!
Quando o encontrar, é uma questão de tempo, irei depois escrever o texto que se impõe no Blogue do Syrah!
Obrigado Manuel e boa semana!”

O Blogue do Syrah acabou por encontrar um supermercado com várias garrafas e após degustar a primeira falou com o enólogo da Adega Cooperativa de Pegões, Jaime Quendera, que nos disse ter sido uma proposta do Pingo Doce que desencadeou por parte da Cooperativa a produção deste Syrah, até porque o ano de 2015 foi fantástico para Pegões, não só na qualidade mas também na quantidade de Syrah produzido!

A Cooperativa tinha recebido novos produtores de Syrah que fizeram com que o ano de 2015 fosse mais rico em termos de produção de Syrah. Esta iniciativa conjunta entre o Pingo Doce e a Cooperativa de Pegões durou uma semana, durante a qual foram colocadas no mercado através da cadeia de supermercados cerca de 20000 garrafas deste Syrah. A iniciativa acabou, o Syrah também, mas ficou um cheirinho da enorme capacidade qualitativa quer do ano de 2015 para o Syrah quer da Cooperativa de Pegões!

Este Syrah saiu com uma imagem muito diferente da habitual na Adega de Pegões, como se pode ver pela que está no mercado com a ano de 2013. Ainda este ano sairá o Syrah de 2014 e só para o ano é que sairá o Syrah com madeira, que este em causa não teve, do ano de 2015. Quando isso acontecer o Blogue do Syrah estará aqui a referir a evolução que este Syrah terá demonstrado… para melhor não temos dúvidas!

O enólogo deste Syrah, como já foi dito, é Jaime Quendera, responsável por estas notas de prova: ”Notas de frutos vermelhos/pretos muito maduros , notas de compota , volumoso na boca , final muito prolongado.” A cor é granada, a fermentação foi realizada em cubas de lagar inox com temperatura controlada seguida de maceração pelicular prolongada. Não teve madeira e a graduação alcoólica é de 14%.

O final prolongado tem um forte gosto a cravinho o que torna este Syrah muito especial.
O preço, para quem teve conhecimento, foi arrasador para toda a concorrência tendo em conta a qualidade desmedida deste Syrah!

Ramon Gomez de La Serna, o homem das Greguerias, disse uma vez: “Para aquele que encomendou meia garrafa de vinho, faltar-lhe-á sempre a outra metade.”
Não faz ideia de como isso é verdade em relação a este Syrah!

P.S. Devido à atenção e sobretudo ao empenho demonstrado pelo leitor Manuel Duarte em relação a esta situação, foi decidido por unanimidade pelos responsáveis do Blogue do Syrah atribuir a título de agradecimento uma garrafa de Syrah de mestre Jaime Quendera. A escolha irá recair sobre o Syrah da Casa Ermelinda Freitas Reserva 2013.
É este tipo de leitores que o Blogue do Syrah deseja e privilegia! Mas claro, todos são bem-vindos.

 

Classificação: 18/20                                   Preço: 2,49€


 

Lobo Novo, Casa Agrícola Assis Lobo, Lda, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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Em Setúbal temos hoje este Syrah Lobo Novo, da Casa Agrícola Assis Lobo Lda, safra única de 2013, avisando desde já que não vale a pena procurar de sua existência porque foi uma encomenda exclusivamente para o mercado externo, e nem sequer está mencionado no site da empresa.

Por intermédio da Garrafeira d´Estado de Alma, quem mais, tivemos oportunidade de degustar este Syrah mais do que uma vez, e, como tal, estamos em condições de emitir um parecer sobre este Lobo Novo.

As notas de prova dizem este Syrah “Com aromas a groselhas, mirtilhos, amoras, algumas notas florais de violetas envoltos num paladar aveludado e com um toque de especiarias.” Graduação alcoólica de 13%. A vindima foi realizada na terceira semana de Setembro, em clima seco. Colheita manual. A vinificação foi feita com desengaçe e esmagamento total, seguido de fermentação com temperatura controlada em cuba-lagares e com macerações longas. Estágio de 4 meses em madeira de carvalho francês e americano.

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A Casa Agrícola Assis Lobo, Lda, foi estabelecida recentemente, em Maio de 2002. No entanto, a vitivinicultura está profundamente enraizada na nossa família desde tempos muito recuados. De geração em geração, esta tão nobre arte tem sido aperfeiçoada e adaptada às exigências daqueles que a apreciam e julgam. Tendo como máxima prioridade a elevada qualidade dos nossos vinhos, apenas uvas provenientes dos nossos vinhedos, situados nas zonas mais privilegiadas da região de Palmela (como são o Lau, Fonte da Barreira, Poceirão e Fernando Pó) são utilizadas.

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Sede e escritório funcionam na adega antiga, situada no centro histórico da vila de Palmela, onde são armazenados e promovidos os vinhos. O centro de vinificação (adega nova) fica em Fernando Pó, uma área privilegiada para a produção de vinhos da Península de Setúbal.

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O romancista francês Claude Tillier escreveu:
“Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”

Se tivéssemos Lobo Novo como bebida, essa seria uma boa solução, tanto para a alma como para carteira, tendo presente aqui a relação preço/qualidade.
Como não está disponível no mercado interno teremos sempre possibilidade de o substituir por outro Syrah da mesma classe!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 5,50€

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EMME, Cachamoa – Companhia de Vinhos e Azeites, Lda, 100% Syrah, Setúbal, 2007

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Eis um dos últimos Syrah de Setúbal que nos falta apresentar, e que se encontra esgotado. Safra única, de 2007, o produtor é de Azeitão, Cachamoa –Companhia de Vinhos e Azeites, Lda e é daqueles produtores portugueses que gosta de apostar na “clandestinidade”. Não tem site, não tem blogue, não tem Facebook, enfim já sabemos onde é que isto vai dar! É pena porque se trata de um Syrah do qual tivemos oportunidade de degustar uma única garrafa, já em 2013, e podemos considerar de qualidade acima da média. Mas como diz o outro: “Não se pode ter tudo”! Ou seja, temos um bom Syrah, mas pouca informação para dar. Aqui vai o possível.

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O enólogo desta raridade é Martim d`Avillez e a graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova dizem que tem “Cor granada intensa e rebordo ligeiramente avermelhado, no nariz destaque para a duo, frutos vermelhos maduros e notas vegetais, bem misturados com delicadas sensações de especiarias e ainda um fino toque químico, na boca surpreende pela sua garra e ao mesmo tempo suavidade dos taninos, contando ainda com uma boa acidez e onde a fruta está bem presente e muito equilibrada com as notas de barrica, o final tem um comprimento e persistência médios/longos.“

O rótulo reza o seguinte:
As uvas da casta Syrah, que deram origem a este vinho, provêm das encostas da Serra da Arrábida, na zona de Azeitão, onde a minha família produz vinho há mais de sete gerações. Este vinho conjuga a elegância e mineralidade dos vinhos produzidos em zonas de influência Marítima, com a pujança e fruta madura que se conseguem quando se pratica uma viticultura moderna e cuidada, em climas mediterrânicos. Apresenta-se por isso redondo, concentrado, de taninos suaves e com uma acidez que lhe garantirá uma enorme longevidade. Irá revelar todo o seu potencial durante os próximos 5 anos, apresentando sempre características de excepção que irão evoluindo ao longo desse período. O Enólogo: Martim d’Avillez. Servir à temperatura de 16/17ºC, 30 minutos após decantação. Esta colheita produziu 9.904 garrafas numeradas de 750ml, cabendo à sua o nº 9400.”

O grande poeta, novelista e dramaturgo, já por nós citado anteriormente, Goethe, dizia que: “Um bom alemão não se pode oferecer aos franceses, mas ele bebe com bom gosto os vinhos da França.

Não somos da região vitivinícola de Setúbal, mas bebemos com gosto os seus Syrah! É uma pena que este produtor não tenha continuado uma intenção que ia no caminho certo.
Hoje poderia ser uma aposta ganha na Península de Setúbal. E por aqui nos ficamos!

Classificação: 16/20                                              Preço: 15,00€


 

Talego, iVin – Vinhos Com Nome, 100% Syrah, Setúbal, 2013

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O Talego, Syrah de Palmela, é um dos recentes Syrah a surgir no mercado vinícola português. E é dele que vamos falar hoje, com vagar, usando a informação disponível, que não é muita, apesar de existir um site bem estruturado mas ainda algo incompleto.

Patrocinado pela Ivin, Vinhos com Nome, e produzido pela Adega Cooperativa de Palmela, é bem superior ao Syrah igualmente elaborado por esta adega, e cuja análise já aqui foi feita.

Não é a primeira vez que a Ivin patrocina vinhos em parceria com diversos produtores. Já o ano passado tínhamos tido a oportunidade de provar o Severa Syrah/Touriga Nacional produzido pela Herdade das Mouras e disponibilizado pelo dinâmico Roger Duarte, o distribuidor da Ivin para a grande Lisboa. Apesar de ser um blend, logo está fora do nosso enlevo, mas assim mesmo entusiasmou devido à qualidade do Syrah envolvido, de que logo se percebeu a presença marcante. No entanto, é a primeira vez que a Ivin se junta a um produtor regional para a realização de um monocasta Syrah. E isto é importante salientar, e fazemos votos que continue, dados os bons resultados aqui alcançados!

As notas de prova dizem que é um vinho “de côr granada intenso. Aroma: Frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira, Paladar: Sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados Final de Prova: Final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” O enólogo é Luís Silva e a graduação alcoólica é de 15%.

A Adega Cooperativa de Palmela, com 300 associados, é uma área de vinha de excepcional qualidade, com aproximadamente 1000 hectares. Produz anualmente mais de 8 milhões de litros de vinho, 75% tintos, 15% brancos, e 10% Moscatel de Setúbal. A produção é depois engarrafada em linhas automáticas com capacidade para 10 mil garrafas/hora.
É desta cooperativa que saiu o Talego Syrah.

A iVin é uma empresa de distribuição de vinhos que gosta de interagir com os diferentes intervenientes do sector de vinhos. Colabora com produtores e enólogos nacionais e internacionais de valor.

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Desde que surgiu, em 2009, a iVin especializou-se na comercialização de vinhos de qualidade reconhecida com origem em mais de cinco países, para os mais diversos pontos de venda, lojas e entrepostos, supermercados e hipermercados, hotéis e restaurantes. O seu fundador, Miguel Grijó, está ligado há mais de quinze anos ao sector de distribuição de vinhos. Uma experiência acumulada em conceituadas empresas do sector permitiu-lhe formar uma relação privilegiada com clientes e produtores. Distribuição eficiente é a chave em mercados que estão em constante evolução. Para além de tratar de todos os aspectos ligados à comercialização dos seus produtos, a iVin disponibiliza aos seus clientes serviços de apoio à gestão de marcas. É caso para dizer que a iVin tem o melhor de dois mundos, entre a distribuição e a consultoria.

A nível nacional, surgem duas abordagens: os Projectos Pessoais e os Vinhos de Quinta. Nos Projectos Pessoais, enólogos com experiência em diferentes terroirs e regiões produzem em vinhas próprias, apoiados pela empresa. Nos Vinhos de Quinta, o terroir é o principal diferenciador do seu produto. A nível internacional, a iVin disponibiliza uma amostra representativa do que melhor é feito no novo mundo. O portefólio inclui ainda vinhos de mesa, icewines, espumantes e champagnes de casas europeias.

E a propósito de o Talego ser um jovem Syrah, vem a propósito esta citação do escritor Theophile Malvezin, autor francês, contemporâneo de Montaigne, de quem escreveu uma biografia:
“O vinho é feito para ser bebido assim como a mulher é feita para ser amada. Ambos possuem a frescura da juventude ou o esplendor da maturidade, mas não espere pela decrepitude.”

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 6,20€

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Vale dos Barris, Adega Cooperativa de Palmela, 100% Syrah, Setúbal, 2011

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Estamos em Setúbal uma vez mais para conhecer o Syrah da Adega Cooperativa de Palmela, denominado Vale dos Barris.

Vamos ser claros e objectivos: durante muito tempo o Blogue do Syrah considerou este Syrah como o mais fraco Syrah feito em terras lusitanas! No entanto ganhou uma medalha de ouro no concurso internacional Syrah du Monde, onde apenas são avaliados vinhos feitos a partir da casta Syrah. É claro que podíamos avançar com várias teses para justificar esta medalha de ouro. O júri não estava nos seus melhores dias quando atribui esta medalha, ou isto é prova de que os Syrah portugueses são de facto espectaculares, pois basta ir um Syrah “fraquinho” a um concurso internacional para ganhar logo uma medalha de ouro. E outras teses se poderiam aqui apresentar. Mas isso não é o mais importante. O que é importante dizer é que apesar da qualidade de gama mais baixa, em nosso entender, deste Syrah, assim mesmo tem uma boa relação qualidade-preço. Infelizmente depois de o Blogue do Syrah considerar durante algum tempo este Syrah como o menos conseguido dos Syrah portugueses, descobrimos outros bem mais fracos que o Vale dos Barris, alguns dos quais mesmo intragáveis, que não merecem a designação de “monovarietal Syrah”. Falaremos deles a seu tempo.

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Regressando ao Barris, as notas de prova referem que “Apresenta uma cor granada intenso, um aroma a frutos silvestres maduros, compota, complexado com notas de madeira. O sabor macio, com boa estrutura e taninos aveludados, termina com um final de boca prolongado com sugestões de baunilha, café e algumas notas de chocolate.” Assim seja.

Situado em plena área metropolitana de Lisboa, o concelho de Palmela está integrado na Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul, ficando uma parte do território concelhio inserido na Reserva Natural do Estuário do Sado e, uma outra, no Parque Natural da Arrábida.

O concelho de Palmela está situado numa zona de clima temperado, embora com influências mediterrânicas e atlânticas. As temperaturas médias oscilam entre os 11º, em Janeiro, e os 30º, em Agosto. Fundada em 1955 com a designação de Adega Cooperativa da Região do Moscatel de Setúbal, iniciou a sua actividade em 1958.

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A Adega Cooperativa de Palmela é um dos principais pólos de desenvolvimento do Concelho que é marcadamente agrícola e onde a vinha e o vinho têm por razões históricas um peso bastante grande. A principal zona vitícola situa-se na planície arenosa que constitui grande parte do Concelho de Palmela.

A Adega Cooperativa de Palmela iniciou a sua actividade com 50 associados e com uma produção que não excedia os 1,5 milhões de litros. Nos dias de hoje a produção ultrapassa os 8 milhões de litros, e a Adega dispõe de capacidade para atingir os 10 milhões , sendo 75% Vinho Tinto, 15% Vinho Branco e 10% Moscatel de Setúbal.

Tem actualmente 300 associados que possuem uma área combinada de 1000 hectares. Uma parte substancial da sua produção é engarrafada através de 5 linhas automáticas com capacidade para 10.000 garrafas/hora. A Adega Cooperativa de Palmela tem vindo ao longo dos anos a actualizar a sua tecnologia, quer de fabrico quer de engarrafamento e hoje é uma unidade certificada desde 2003.

A história deixou-nos esta máxima de um anónimo – só podia ser- que diz: “Vinho é a vingança masculina em relação ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!“

Essa garrafa pode bem ser ciclicamente o Syrah do Vale dos Barris, apesar de tudo!

 

Classificação: 14/20                                                  Preço: 3,84€

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Monte Alegre, Quinta do Monte Alegre, 100% Syrah, Setúbal, 2012

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De volta à península de Setúbal, mais precisamente em Fernando Pó, terra visitámos não faz muito, onde está localizada a Quinta do Monte Alegre, para darmos a conhecer um Syrah da adega Xavier Santana, detentora da Quinta do Monte Alegre. Syrah este cujas notas de prova nos dizem possuir “fruta preta densa, notas químicas de alcatrão, cacau tostado, num todo intenso e imponente. Encorpado e texturado, com acidez alta bem integrada, taninos finos bem envolvidos, tudo franco, bem feito, directo.” Syrah do ano de 2012, tem uma graduação alcoólica de 14%.

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A Adega Xavier Santana foi fundada em 1926 por Xavier Santana precisamente, empresa que permaneceu em seu nome próprio até à década de 70, quando foi constituída em Sociedade Familiar com a designação actual de XAVIER SANTANA SUCESSORES, LDA. A actividade comercial da empresa centrou-se inicialmente na produção e comercialização de vinhos em barril e na preparação de azeitonas de mesa, na sua adega localizada na vila de Palmela, até aos dias de hoje. Em 1990, a conjuntura de mercado proporcionou o investimento da empresa no engarrafamento dos vinhos como aposta na sua expansão a vários níveis, sustentada pela relação superior de qualidade/preço dos seus produtos. Com o engarrafamento dos seus vinhos, a Xavier Santana apresentou-se ao consumidor com a marca de vinho de mesa Casta Rica, à qual se seguiu a marca Xavier Santana para vinho generoso, e mais recentemente, as marcas Terras da Vinha e Quinta do Monte Alegre, vinhos de Indicação Geográfica ‘Península de Setúbal’ e ‘Palmela D.O.’ respectivamente – os quais vieram a assinalar um novo patamar evolutivo na história da empresa.

Infelizmente por aqui nos ficamos de informação disponível sobre este produtor. Resta o principal, que se as Escrituras já diziam “O bom vinho alegra o coração dos homens”, não nos podemos esquecer que Petrónio, escritor da antiga Roma, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável e autor de Satíricon, dizia igualmente, e com toda a sabedoria, que “O bom vinho deve ser apreciado aos goles”, e isso basta!

Então olhem, mais um gole de Syrah da Quinta do Monte Alegre, para ser apreciado e alegrar o coração de quem lê e de quem não lê as Escrituras, mas sabe o que bebe!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 4,40€

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