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Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Quinta Vale de Fornos, 100% Syrah, Tejo, 2012

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Hoje estamos na Azambuja para apresentar o Syrah da Quinta Vale de Fornos, um vinho de cor granada, que segundo as notas de prova tem “um aroma complexo a fruta confitada, pimenta e chocolate. Apresenta-se com uma boca bem estruturada por taninos aveludados e elegantes. Complexo, apresenta notas varietais de trufa e especiarias. Termina persistente e com um bom retronasal.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.Três safras viram até agora a luz do dia: as de 2005 e 2007, e esta, em análise, de 2012.

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A Quinta Vale de Fornos situa-se no concelho da Azambuja, em pleno coração do Ribatejo, beneficiando de uma excelente localização e de uma deslumbrante envolvência paisagística.

A Quinta Vale de Fornos é hoje o resultado da história que ao longo dos séculos por ali passou, consolidando a sua responsabilidade cultural. Comprada por Dª Antónia Ferreira (a Ferreirinha) para oferecer à sua filha, por altura do casamento desta com o 3º Conde da Azambuja, esta propriedade foi palco de vários episódios históricos, onde figuraram tão ilustres nomes como Napoleão e Cristovão Colombo.

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Diz-se que nesta propriedade estiveram alojadas as tropas de Napoleão durante as invasões Francesas e pelos seus vinhedos terá também passado Cristovão Colombo a caminho da casa de D. João II em Vale do Paraíso, para comunicar ao Rei a descoberta do Continente Americano.

Sendo uma propriedade de 200 hectares que alia a herança histórica e a tradição cultural ao lazer, aos eventos e, principalmente, à produção de vinhos, a Quinta Vale de Fornos torna-se um espaço único para quem a visita, onde impera a sintonia entre as suas diversas valências, entre elas o Enoturismo e Eventos.

Com uma tradição que remonta ao século XVIII, o objectivo da Quinta Vale de Fornos é internacionalizar a sua esfera comercial, preservando os seus valores culturais e as características próprias dos seus produtos. Dispondo de uma imponente casa senhorial, cuja traça e cor, características das paredes, sempre foram mantidas, a propriedade goza de uma forte tradição, tanto pela antiguidade e pelo património, como pela ligação a ilustres famílias da Nobreza.

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A Quinta de Vale de Fornos foi adquirida pelos presentes proprietários em 1972 a D. Pedro de Bragança.

O Syrah da Quinta Vale de Fornos é um daqueles vinhos com peso histórico a que ciclicamente apetece regressar, até para podermos dizer como Homero: “O Syrah pode iludir o conhecimento dos sábios e fazer os sérios sorrirem e brincarem.”
Fica dito!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 11,00€

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Quinta do Côro, 100% Syrah, Tejo, 2011

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Hoje estamos na região vinícola do Tejo, anteriormente chamada de Ribatejo, para conhecer um Syrah feito por uma empresa familiar, à semelhança de tantas outras que se podem encontrar com muita frequência por todas as regiões vitivinícolas do País.

Situada num  terroir característico do Ribatejo, esta propriedade possui 80 hectares de área total e tem implantados cerca de 20 hectares de vinha em micro-clima excepcional, onde as castas, Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah encontram condições únicas para a produção de bons vinhos, com estrictas regras de protecção ambiental.

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As notas de prova deste Syrah dizem-nos que tem “cor rubi, aromas com notas de menta fresca e frutos de bosque maduros, toque de especiarias finas e madeira bem integrada. A boca é bastante equilibrada com taninos maduros de excelente qualidade e final com muita persistência“. Tem uma graduação alcoólica de 14%.

A vindima manual para caixa de plástico decorre durante a terceira semana de Setembro, com escolha em mesa vibratória antes do desengace. A fermentação dá-se em lagar inox de pequena capacidade à temperatura de 24ºc, com pré-maceração durante 3 dias. O estágio faz-se em barricas novas de carvalho francês (70%) e americano(30%), durante 9 meses. O vinho não é filtrado antes do engarrafamento, podendo criar ligeiro depósito natural.

A Quinta do Côro fica situada junto à Vila do Sardoal, distando, em linha recta, 6 Km do rio Tejo.

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Esta Vila florida do Sardoal existe desde tempos remotos. Vale a pena contar um pouco da sua história, já que é também o local onde nasceu um dos co-autores do Blogue do Syrah. Acompanhem-nos!

O Sardoal, enquanto povoação, é antiquíssimo, sendo que em alguns locais do concelho têm sido encontrados vestígios da presença do Homem desde tempos muito longínquos.

Do período da ocupação romana também ficaram alguns sinais como, por exemplo, um troço de calçada romana junto ao Casal da Graça, a sul de Valhascos, que alguns historiadores pensam ser medieval, e um outro pequeno troço, próximo da ponte de S. Francisco.

Dos árabes, ainda que não se conheçam vestígios da sua presença, é seguro que aqui permaneceram durante muito tempo, uma vez que este povo conquistou Abrantes aos Godos em 716 e que só em 1148 é que D. Afonso Henriques tomou a Praça de Abrantes.

Dada a proximidade e a relação de vizinhança que sempre existiu entre Sardoal e Abrantes, não é difícil de acreditar que tenham ocupado o que é, hoje, o concelho de Sardoal. Em 1313, no documento mais antigo que existe no arquivo municipal, a Rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, dirige-se já aos juízes e procuradores do concelho de Sardoal, concedendo, ao lugar do Sardoal, diversos privilégios. Desde então, quase todos os reis de Portugal dedicaram a sua atenção ao Sardoal, sabendo-se que em 7 de dezembro de 1432, aqui nasceu a Infanta D. Maria, filha de D. Duarte e de D. Leonor, sua mulher, que morreu no dia seguinte.

Em 22 de setembro de 1531, D. João III, por sua vontade expressa e sem ninguém lho requerer, por carta dada em Évora, elevou o lugar de Sardoal à categoria de Vila e, em 10 de agosto de 1532, por carta dada em Lisboa mandou-lhe demarcar um novo termo, mais de acordo com a nova categoria e decretando que a partir de 1531, o Sardoal passasse a ser totalmente independente em relação a Abrantes, passando a ter jurisdição própria e apartada em todas as áreas do poder municipal.

De facto, o século XVI pode considerar-se o “século de ouro” da história do Sardoal. Em 1509 foi fundada a Santa Casa da Misericórdia de Sardoal; por volta de 1510 foram pintados os Quadros do Mestre do Sardoal, que se encontram na igreja Matriz; entre 1507 e 1532 são representados os autos de Gil Vicente que contêm referências ao Sardoal, entre os quais a “Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela” e o “ Auto do Juiz da Beira”; em 1531, D João III eleva o lugar de Sardoal à categoria de Vila, demarcando-lhe um novo termo em 1532; em 1551 é construída a igreja da Misericórdia; em 1571 foi fundado o convento de Santa Maria da Caridade, dos Franciscanos Menores da Província da Soledad.

Sabe-se, também, que muitos sardoalenses participaram nos Descobrimentos e nas conquistas de África, da Índia e do Brasil, situação a que não seria estranho o facto de o Senhorio do Sardoal pertencer aos Almeidas (família dos Condes de Abrantes) que ocupavam, nesse tempo, os mais altos cargos de governação do reino. Bastará recordar o facto de D. Francisco de Almeida, 1º Vice-Rei da Índia, ter sido comendador do Sardoal.

Refira-se, por curiosidade, a tradição popular transmitida de geração em geração, que diz que os freixos que ladeiam a escadaria do convento de Santa Maria da Caridade foram trazidos da Índia, na segunda viagem de Vasco da Gama. Confirmada está, também, a participação de muitos sardoalenses na fatídica jornada de África de D. Sebastião em que muitos morreram ou ficaram cativos, na batalha de Alcácer-Quibir, como se pode verificar em diversas escrituras pelas quais foram vendidas diversas fazendas para pagamento do resgate dos que se encontravam em cativeiro.

Também aqui se fizeram sentir os reflexos das riquezas vindas do Brasil nos finais do século XVII e nos princípios do século XVIII, a que não será alheio o facto de ter sido um sardoalense, D. Gaspar Barata de Mendonça, ter sido o 1º arcebispo da Baía e primaz do Brasil, que se encontra sepultado num rico mausoléu no altar-mor da igreja de Santa Maria da Caridade, o qual por razões de saúde, nunca chegou a deslocar-se ao Brasil, o que não impedia que recebesse as rendas e benefícios inerentes às suas elevadas funções episcopais. A referida riqueza reflete-se no riquíssimo retábulo de talha dourada e no revestimento de azulejos da capela-mor da igreja Matriz de Sardoal.

Voltando ao que nos traz aqui hoje, embora o mercado seja essencialmente nacional, os vinhos “Quinta do Côro” já foram distinguidos, várias vezes, em concursos internacionais.

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A adega actual, reconstruída em 2002, tem capacidade para 200 000 litros, com equipamentos modernos, em aço inox, que copiam os antigos, com tanques e pisa.

Na Quinta do Côro produzem-se ainda, há cerca de 30 anos, vários doces e compotas, (Marmelada Quinta do Côro; Geleia de Marmelo; Cubos de Marmelada e Figos Delicias de Pingo de Mel), que se encontram disponíveis na maior parte das lojas Gourmet, espalhadas pelo País. A Quinta possui no espaço do antigo lagar de azeite, recuperado como pequeno museu Agro-Industrial, uma sala de provas, com capacidade para 40 pessoas. Existem duas casas rústicas, com capacidade para alojar 8 a 10 pessoas. Ostenta ainda uma árvore gigante, e um sobreiro centenário, tido de interesse público.

E quando estiverem a beber uma taça deste nosso Syrah carregado de história, lembrem-se do que dizia o escritor Claude Tillier: “Comer é uma necessidade do estômago; beber Syrah é uma necessidade da alma.”

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,50€

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Quinta da Lapa,100% Syrah, Tejo, 2012

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“Deixe-nos celebrar a ocasião com Syrah e palavras doces”, dizia Plauto, dramaturgo romano, no século II antes de Cristo. Assim damos início a mais um texto sobre a nossa bebida de eleição.

Reparem que basicamente andamos pé cá pé lá, ou seja, Aquém Tejo ou Além Tejo. Estivemos no Alentejo da última vez, agora voltamos ao Tejo. E que enorme prazer é este ziguezague constante, porque aqui nestas duas regiões encontra-se a grande maioria dos Syrah que conhecemos.
E quando se fala em Syrah nós dizemos: presente!

Hoje estamos na Quinta da Lapa, para falarmos do respectivo Syrah, a 100%, como gostamos e preferimos.

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A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O grande e caprichoso rio Tejo assume nesta região particular esplendor histórico, tanto por ser elo de ligação com Lisboa, como por ter sido ele próprio via de comunicação e comércio com toda a Europa. Os castelos templários e as grandes planícies de cultivo são disso testemunho.

As cheias e a força do rio fizeram com que ao longo dos tempos as terras essencialmente argilo-calcárias coleccionassem elementos raros como conchas e seixo rolado. Este aspecto define, quase só por si, a assinatura da Quinta da Lapa, havendo contudo ainda que lhe acrescentar a alternância dos dias tórridos e manhãs muito frescas no Verão, quando as uvas estão a robustecer-se para a vindima.

O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, por isso, a um tempo mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

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A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos.

A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

Conhecemos duas safras. A de 2010, e a actual de 2012. A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é Jaime Quendera.

Falemos agora um pouco da Quinta da Lapa. O lugar existe há mais de 300 anos e tem uma história condizente com esta temporalidade.

D. Lourenço de Almeida, governador de Pernambuco, filho do Conde de Avintes e oficiante na Ordem de Cristo, personifica grande parte da alma deste lugar único.

A casa da Quinta da Lapa acrescentou em 2011 uma nova página à sua história tricentenária ao assumir uma orientação mais voltada para públicos exteriores.
Eventos de empresa, casamentos e festas, e ainda a actividade do enoturismo criaram porta franca na propriedade. No processo de recuperação e restauro, tentou manter-se intacta a zona nobre do edifício principal – salas e capela -, enquanto nas áreas envolventes do pátio central se procurou criar zonas de grande conforto e flexibilidade.
O resultado foi a criação de onze suites, uma grande sala de eventos, e a preservação de um património de matriz espiritual de antiguidade considerável, que ultrapassa a própria capela. Falamos por exemplo de um painel de azulejos evocativo de Nossa Senhora da Lapa, datado de 1733, de características únicas.

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, refletindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

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As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

As palavras doces de Plauto já foram referidas e glosadas, vamos agora celebrar a ocasião sorvendo o néctar divino da nossa Lapa de hoje!

Classificação: 15/20                                                     Preço: 8,50€

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Companhia das Lezírias, 100% Syrah, Tejo, 2008

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Do Tejo, mais um syrah, desta vez da Companhia da Lezírias. Tínhamos de chegar aqui algum dia!  A Companhia das Lezírias, fundada em 1836, sendo a maior exploração agroflorestal do País teria que ter o seu syrah!

Com 18 mil hectares não tem comparação com nenhum nenhuma empresa do ramo, herdade ou quinta. A Companhia das Lezírias é a maior exploração agro-pecuária e florestal existente em Portugal, compreendendo a Lezíria de Vila Franca de Xira, a Charneca do Infantado, o Catapereiro e os Pauis (Magos, Belmonte e Lavouras).

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A Lezíria está compreendida entre os rios Tejo e Sorraia e é dividida pela Recta do Cabo (E.N. 10 entre Vila Franca de Xira e Porto Alto) em Lezíria Norte e Lezíria Sul.

A Lezíria Norte é constituída por cerca de 1.300 hectares explorados indirectamente (rendeiros). A Lezíria Sul ocupa perto de 5.000 hectares, dos quais cerca de 2600 ha estão arrendados e 2.200 ha são explorados directamente pela CL, sendo quase 1900 ha para pastagens e cerca de 320 ha de arroz.

No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz, em Catapereiro, uma média de 330 ha de milho, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. O arroz cultiva-se igualmente nos Pauis de Magos, Belmonte e Lavouras, mas só este último, com uma área de 240 ha, é explorado directamente. No total, a área destinada ao cultivo de arroz em solo da CL ronda os 1500 ha. No que diz respeito a exploração directa, a Companhia faz ainda, em Catapereiro, uma média de 250 ha de milho, 140 ha de vinha e 70 de olival, e 3050 ha de prados permanentes biodiversos, na Charneca. A Charneca do Infantado e os Pauis perfazem uma área de cerca de 11.500 hectares.

A Companhia das Lezírias passou por várias transformações ao longo da sua existência, sendo nacionalizada em 1975 e tendo passado, em 1989, a Sociedade Anónima de capitais exclusivamente públicos. Desde 1997, a Companhia das Lezírias vem consolidando a sua situação, quer sob o ponto de vista tecnológico, quer financeiro, baseada numa filosofia de desenvolvimento sustentado. A partir do dia 2 de Agosto de 2013, a Companhia das Lezírias passou a gerir a Coudelaria de Alter e a Coudelaria Nacional.

O início da actividade vitícola da Companhia das Lezírias remonta ao ano de 1881, ano em que se instalou a vinha na charneca de Catapereiro. Essa área foi crescendo até 1934, ano em que a vinha atingiu o seu máximo expoente – cerca de 400 ha. As castas dominantes na altura eram o Periquita (Castelão) e o Bastardo.

Com o passar dos anos, a vinha foi sendo reestruturada, tendo a Companhia das Lezírias actualmente cerca de 130 ha de vinha, dos quais 65% da área é composta por castas tintas e os restantes 35% por castas brancas.

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Entre as castas tintas, a variedade Alicante-Bouschet é maioritária, seguida pelas castas Castelão, Trincadeira, Aragonez, Touriga-Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Touriga-Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão. As castas brancas instaladas são o Fernão Pires, Trincadeira das Pratas, Arinto, Roupeiro, Tália, Verdelho e Vital.

Na vinha, tem-se vindo a efectuar uma grande reestruturação, sem menosprezar as castas nacionais, mas instalando também outras castas que tão bem se adaptam na região vitícola.

Quanto aos vinhos, a gama está organizada da seguinte forma: os vinhos com a denominação “Companhia das Lezírias” são englobados na Denominação Do Tejo e elaborados essencialmente a partir das castas Castelão, no caso do tinto, e Fernão Pires, no caso do vinho branco. Os vinhos tintos desta gama são estagiados em madeira nova de carvalho americano e francês, reunindo um conjunto único de tipicidade dentro da região Tejo em que se insere.

Os vinhos regionais possuem a designação “Catapereiro”, sendo um lote das várias castas regionais instaladas na nossa vinha. No caso do regional tinto, e em anos em que tal se justifique, é seleccionado um pequeno lote de vinho que vai estagiar em pequenas barricas de carvalho francês, sendo depois engarrafado à parte, dando origem ao “Catapereiro Escolha”. Estes vinhos são mais encorpados possuindo um potencial de guarda superior aos outros tintos produzidos na Companhia das Lezírias.

Os vinhos de mesa são vendidos sob a denominação “Senhora de Alcamé” sendo elaborados a partir de lotes de vinhos produzidos pela CL que não entram nas restantes marcas comerciais.

A Companhia das Lezírias, membro fundador da Rota da Vinha e do Vinho do Ribatejo, goza de uma localização excelente, que se repercute na qualidade dos vinhos.

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Este syrah vindo directamente da safra de 2008 com 7000 garrafas produzidas e com uma graduação alcoólica de 14,5%, visualmente  tem um aspecto límpido e cor grenada escuro. ”Possui um aroma muito intenso e complexo, com notas de café e chocolate bem combinadas com a fruta madura da casta. O sabor é rico, frutado, encorpado e com grande final.”

O escritor Hubrecht Duijker, e grande especialista em vinhos, escreveu:
“A vida é curta demais para se beber maus vinhos!”

O syrah da Companhia das Lezírias vale a pena ser bebido!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 12,50€

 

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Quinta de S. João Baptista, 100% Syrah, Tejo, 2011

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Estamos desta vez no aquém Tejo, mais precisamente em Rio Maior, para mostrarmos o syrah da Quinta de S. João Baptista. Três safras foram realizadas até ao momento. A de 2007, a de 2009 e a presente de 2011. Em 2007 foram preparadas 25.824 garrafas. Em 2009, 30.690 garrafas. E em 2011 saíram 20.000 garrafas, mas ainda com vinho disponível para novo engarrafamento de mais 20.000 garrafas.

No que diz respeito a syrah, em 2000 foram plantados 5,55 hectares, em 2004 mais 3,2 hectares, em 2007 mais 4,54 hectares. E finalmente em 2009 4,95 hectares, o que faz um total de 18,24 hectares de syrah plantados.

Do total da produção, 50% vai para o mercado externo, nomeadamente para o Brasil, Angola e Macau. Tudo isto nos foi dito por Maria José Viana, do departamento de marketing.

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Mas a grande novidade foi sabermos, com total surpresa, que o antepassado do syrah da Quinta de S. João Baptista foi o esgotado Casaleiro cuja última safra foi em 2006, como consta na nossa lista oficial. Logo, a primeira safra de 2007 do syrah da Quinta de S. João Baptista é o mesmo syrah Casaleiro de 2006! Claro que não estamos a entrar em linha de conta de que a mesma vinha dá vinhos diferentes todos os anos. A partir daí novas vinhas foram plantadas e que deram origem ao actual syrah, herdeiro natural do Casaleiro.

As notas de prova dizem-nos que: ”tem cor granada intensa com abundantes tons violáceos e inebriante complexidade aromática. No sabor é elegante, vivo e termina volumoso.” Tem 14% de graduação alcoólica.

A origem da Quinta de S. João Baptista é muito antiga, e encontra-se entre histórias de sucessões nobres, doações para ordens religiosas e mais uma mão cheia de acontecimentos.

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Foi adquirida em 1987 pelo grupo Enoport United Wines, que na altura se chamava “Caves Dom Teodósio”, e foi desde aí que se começou a investir na reestruturação da vinha substituindo vinhas velhas por castas novas, algumas das quais internacionais, como a nossa syrah.

A Quinta de S. João Baptista tem um total de cerca de 115 hectares dos quais 97 com vinha.

Das castas plantadas, a maioria são para vinhos tintos – cerca de 74 hectares – e além das castas tradicionais portuguesas, como a Castelão, Trincadeira Preta, Touriga Nacional e Touriga Franca (50%), há também várias castas internacionais aqui plantadas como a mencionada Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon (50%). Os cerca de 21 hectares de castas brancas plantadas em 1991 são as tradicionais na região do Tejo: Arinto, Fernão Pires e Malvasia (65%) e ainda castas internacionais como o Chardonnay e o Sauvignon Blanc (35%).

A Quinta de S. João Baptista localiza-se no concelho de Torres Novas, na freguesia de Brogueira, região vitivinícola do Tejo.

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A quinta possui um dos maiores centros de vinificação do grupo com capacidade para vinificar um milhão e meio de quilos de uvas. Está igualmente dotada de uma adega tradicional, que combina tradição e inovação, usando novas tecnologias como controle de temperatura em todas as cubas de fermentação.

O grande enólogo francês Émile Peynaud dizia:
“Aos amantes do vinho.
Vocês são o elo mais importante da corrente.
Se há maus vinhos, é porque há maus bebedores.
Cabe ao consumidor desencorajar os produtores de vinhos ruins”.

O syrah da Quinta de S. João Baptista não pertence naturalmente ao lote de vinhos acima mencionados…
À nossa!

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,00€

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5º Elemento, Quinta do Arrobe, 100% Syrah, Tejo, 2012

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A primeira coisa que temos de referir sobre este syrah de qualidade é a falta de informação em formato digital. A Quinta do Arrobe não tem site, não tem blogue, não tem facebook, e o que se pode obter é unicamente por via indirecta. Apesar disso, e para nosso bem e dos nossos leitores, o produtor, por nós contactado via correio electrónico, Alexandre Gaspar, enviou-nos elementos importantes para podermos escrever este texto com o mínimo de informação pertinente. Dito isto, falemos então do que é verdadeiramente importante que é de syrah.

Temos então conhecimento de duas safras: a de 2011 e a de 2012. Esperemos que seja para continuar, como sempre, e com a nossa ajuda. Trata-se de um syrah “de cor rubi carregada. Com aromas de amora, ameixa e notas de especiaria. Na boca é encorpado, macio, equilibrado e com um final de prova prolongado.” As uvas provenientes da vindima manual foram cuidadosamente desengaçadas e esmagadas. Seguiu-se a fermentação alcoólica com maceração pelicular durante duas semanas a uma temperatura de 25ºC. O vinho acabado estagia durante cerca de um ano até ao seu engarrafamento.

A Quinta do Arrobe é um pequeno produtor do Ribatejo com 36 hectares de vinha com uva tinta e branca. Tem havido uma aposta na recuperação de castas antigas da região, como o Preto Martinho. Situada em Casével, Santarém, é uma propriedade familiar, dirigida por Maria e Alexandre Gaspar, com forte vocação exportadora que se dedica à produção de vinhos. A ligação da família ao sector vinícola teve início em 1882, resultando de uma tradição de várias gerações. O processo de internacionalização iniciou-se em 2007 e neste momento a Quinta do Arrobe já regista presença em 10 mercados, nas gamas Premium e Superpremium, que são exportadas para países como a Alemanha, Brasil, Luxemburgo, República Checa, Noruega e China.

Na Quinta das Casas Altas no coração do Ribatejo, em terrenos argilo-calcários de encosta apostou-se na ideia de produzir vinhos de qualidade, tirando proveito das condições edafoclimáticas, com total respeito pelas riquezas naturais, história e ambiente únicos da região.

Na sequência de estudos geológicos, com o objectivo de determinar os melhores locais para plantar, seleccionou-se nas castas tintas o Castelão, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Touriga Nacional  e Trincadeira. Nas castas brancas elegeu-se o Arinto, Pinot Grigio e o Fernão Pires, entre outras. Assumindo sempre o compromisso de apostar na criação das melhores condições, visionando continuamente a qualidade, investiu-se em equipamento enológico. A Quinta Do Arrobe, criada em 2011, juntou-se recentemente ao universo Quinta das Casas Altas, como reforço da estratégia de crescimento e desenvolvimento contínuo.

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A Quinta do Arrobe ganhou a Medalha de Ouro dos melhores Cabernet’s Sauvignon, no concurso Internacional dos Cabernets 2014, entre 229 concorrentes de 19 países, com o vinho 5º Elemento-Cabernet Sauvignon. “Este prémio é o reconhecimento da qualidade produzida na Quinta do Arrobe e do enorme potencial dos vinhos da região Tejo no mercado internacional”, diz Alexandre Gaspar. Esta não foi a primeira medalha recebida. Os vinhos “5º Elemento “ em monovariatais das castas Syrah e Cabernet Sauvignon foram medalhas de prata e bronze em 2014 pelo Challenge du Vin. Alexandre Gaspar, um dos proprietários, diz que “Este prémio é o reconhecimento da qualidade produzida na Quinta do Arrobe e do enorme potencial dos vinhos da região Tejo no mercado internacional”.

Para conseguir melhores resultados Alexandre Gaspar vindima à noite ou de madrugada e a vinificação decorre em lagares de inox. Todo o processo é feito de forma tradicional mas recorre às novas tecnologias quando é essencial “trabalhamos o máximo por gravidade e o mínimo com recursos de bombas”. A Touriga Nacional, Trincadeira, Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot fazem parte das castas tintas o Fernão Pires e Arinto nos brancos, ajudam a produzir os vinhos conhecidos com as marcas “Sensato”, “Oculto” e “5º Elemento”. Os vinhos estão à venda em lojas da especialidade, restaurantes ou na quinta, que, obviamente, merece uma visita.

Um syrah do Tejo a manter por perto…!

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,95€

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