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Um rio corre através de grande lugares de Syrah…

Vale de Lobos, Quinta da Ribeirinha, 100% Syrah, Tejo, 2011

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Antes de vir aqui falar deste Vale de Lobos, começámos por ter uma agradável e muito proveitosa conversa com Rui Cândido, administrador da Quinta da Ribeirinha, localizada na Póvoa de Santarém, e produtora do syrah Vale de Lobos. O ano analisado é o de 2011, embora, como previamente referimos na nossa secção de “Novidades”, já tenha saído a safra de 2013, que, apesar de ainda não a conhecermos, nos deixou bastante satisfeitos. Ao contrário de outros syrah portugueses que da mesma maneira que apareceram logo desapareceram deixando pouco rasto, o Vale de Lobos já mostrou que está para durar e além do mais com grande qualidade!

A vinificação realiza-se com vindima manual. As uvas, previamente seleccionadas com um rigoroso controlo de maturação, foram a seguir devidamente desengaçadas. Fermentou na cuba rotativa, onde se procedeu à curtimenta após a fermentação alcoólica. O resultado tem 14 % de graduação alcoólica e segundo o produtor “veste granada intenso e toca alguns instrumentos, saltando notas a baunilha, especiarias e ligeiro torrado num tom elevado.”

O syrah Vale de Lobos existe desde a safra de 2001, e teve mais cinco até 2013: 2003, 2005, 2008 e 2011. Nas primeiras safras a produção era de 6000 garrafas. As últimas foram já de 10000!

A paixão pelo vinho e a dedicação constante à actividade vitivinícola vem atravessando a família Cândido desde há várias gerações. José Cândido, o patriarca da Família, desenvolveu desde cedo a actividade profissional como agricultor, tendo sido o vinho a sua principal paixão e fonte de rendimento. Como produtor de vinhos, naturalmente, de uma forma por vezes empírica, desempenhou múltiplas funções ao longo do processo: viticultor, vinificador, armazenista e por fim, vendedor. Era unicamente sua a responsabilidade pela qualidade do vinho produzido assim como o contacto com os apreciadores os seus potenciais clientes. Mais tarde, já em 1995, a actividade de José Cândido teve um novo desenvolvimento; o seu filho Joaquim Cândido, médico, igualmente um apaixonado pela vitivinicultura, decidiu apoiar a actividade do Pai prosseguindo com a plantação de novas áreas de vinha, construindo uma adega própria e, acompanhando a evolução tecnológica, aplicando métodos científicos no processo de produção.

Pouco tempo depois, dois dos seus filhos, Mariana e Rui, respectivamente economista e bioquímico de formação, completaram a equipa, que hoje assume as funções de administração da empresa.

A Quinta da Ribeirinha tem hoje um corpo fixo de mais de 15 trabalhadores, reunindo competências e experiência nas várias vertentes: na produção na vinha, na transformação na adega, no engarrafamento e embalagem e nas áreas de gestão e comercialização.

As vinhas estão plantadas em solo argilo-calcário, clima mediterrâneo seco com exposição da vinha a sul. As vinhas crescem em sistema de produção integrada em que o uso dos químicos é mínimo, salvaguardando assim o ambiente e a saúde humana. A quinta encontra-se num processo de reconversão gradual da vinha velha de forma a melhorar a qualidade e a produção.

As castas existentes são Trincadeira Preta, Touriga Nacional, Aragonez, Fernão Pires, Verdelho e Alicante Bouchet. Com menor dimensão a Quinta da Ribeirinha tem uma variedade significativa de castas em talhões individualizados, tais como o Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc,Chardonnay e Gewurztraminer.

Segundo os dados simpaticamente fornecidos pelo Rui Cândido, a Quinta da Ribeirinha produz no total meio milhão de litros de vinho por ano em que somente 10% é destinado ao mercado interno. No caso do “nosso” syrah a percentagem é ainda menor. Somente 5% está destinado ao consumo interno.

No sentido de acompanhar a tendência para a internacionalização da economia, a empresa preocupou-se desde cedo na criação de parcerias nos mercados externos com vista à exportação dos seus produtos.

Os principais destinos dos vinhos da Quinta da Ribeirinha têm sido sobretudo no continente americano, com particular ênfase para Brasil, Canadá e E.U.A. e no continente africano, Angola, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé e Príncipe. Mais recentemente a quinta alargou os seus mercados para a China.

No que respeita ao mercado Europeu as exportações estão distribuídas por vários países, tais como Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Noruega, Inglaterra, França e Espanha.

E por falar em Espanha vem a propósito aquele provérbio espanhol que diz que “para o vinho ter gosto de vinho, deve ser tomado com um amigo”.

No mercado interno, a Quinta da Ribeirinha tem comercializado os seus produtos através de uma rede de pequenos distribuidores podendo encontrar os vinhos da Quinta na grande maioria dos restaurantes da região de Santarém, bem como noutras regiões do país mas sempre ao nível da restauração. A primeira e única vez que o encontrámos foi precisamente numa área de serviço por ali perto, na auto-estrada Lisboa-Porto.

Era importante que o Vale de Lobos syrah pudesse também estar em garrafeiras nomeadamente de Lisboa, porque ficaríamos todos a ganhar, tendo em conta a qualidade que este syrah já mostrou e as possibilidades de crescimento!
Valeria a pena!

Classificação: 16/20                                           Preço: 13,00€

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Quinta de S. João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2007 Quinta do Alqueve, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2001 (esgotado)

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A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. Na sua adega – ícone da região – vinifica exclusivamente uvas próprias oriundas das suas Quinta de São João e Quinta do Alqueve que deram origem aos dois Syrah aqui apresentados, o de 2001 infelizmente esgotado e o de 2007 ainda disponível.

A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

A Quinta do Alqueve tem uma área de 36 hectares de vinha e um Chalet do início do século passado, que actualmente se encontra em reconstrução.

Nestas quintas estão plantadas as seguintes castas: Castas Brancas – Fernão Pires, Chardonnay, Arinto e Viognier, Castas Tintas – Touriga Nacional, Tinta Roriz, Trincadeira, Castelão, Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Tinta Francisca, Souzão e naturalmente o nosso Syrah.

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada.

A Pinhal da Torre diferencia-se, também, por aplicar rigorosos processos de vinificação e exigir um estágio nas melhores barricas, tendo sido ainda pioneira na utilização de linguagem Braille nos rótulos das suas garrafas.

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A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.
Possui, ainda, um pequeno Museu Rural, alusivo ao vinho e à vinha, e uma sala de provas. Toda esta infra-estrutura assenta numa área de 4000m2.

Os vinhos da Pinhal da Torre foram distinguidos com 90 pontos (em 100) por Mark Squires, um dos mais influentes críticos mundiais, numa apreciação publicada no site do grande especialista Robert Parker. Isto explica porque os Estados Unidos já valem 10% da produção da Pinhal da Torre.

Actualmente, os vinhos produzidos pela Pinhal da Torre podem ser encontrados em 18 países: Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, China,Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça.

O Syrah da Quinta de S. João, cujo enólogo foi António Saramago, “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.”

O vinho é vinificado pelo processo tradicional de curtimenta, com ligeira maceração, tendo estagiado em barricas de carvalho francês, não tendo sido filtrado.
O teor de álcool é de 14%  e o produtor adverte que a longevidade é de 15 anos. Sinceramente acreditamos que pode ser mais. E isto não é um simples acto de fé. O syrah da Quinta do Alqueve, que é de 2001, do qual o ano passado ajudámos a degustar 3 garrafas, mostrou-se que podia perfeitamente ficar mais tempo em garrafa.

O que é mesmo pena é que esteja esgotado, salvo alguma garrafa perdida por aí, e que tenha deixado de ser produzido. O Syrah passou para a Quinta de S. João e mostra possibilidades de evolução, sendo igualmente um grande Syrah, embora não chegue às alturas do seu antecessor…

É habitual apresentarmos uma história ou uma citação a propósito do que estamos a relatar. Hoje quero dizer-vos algo que é meu. No início do ano, pensando nestas coisas, tive como que uma epifania e apresento aqui este pensamento para o início de 2015:

Beber Syrah torna-nos melhores… e bons! Mais humanos!

Quinta de S. João
Classificação: 17/20                            Preço: 20,00€

Quinta do Alqueve
Classificação: 19/20                            Preço: 31,00€


Syrah do Tejo (24)

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Hoje apresentamos a lista dos Syrah do Tejo, zona que anteriormente fazia parte da região vinícola da Estremadura juntamente com a região de Lisboa. São dezanove no total, e como é possível verificar, estão já seis Syrah esgotados.

Possui Syrah de grande nível como é o caso da Quinta da Lagoalva de Cima, Grande Escolha ou o Quinta de S. João, sem esquecer o Quinta do Alqueve infelizmente já desaparecido.

Alguns deles ainda puderam ser por nós apreciados, e no caso de outros sabemos que brevemente poderá haver novidades. Noutros casos, infelizmente, o ano indicado é mesmo o último, pelo menos para já…

Nos Syrah onde estiver mencionado mais do que um ano significa que os conhecemos, o que não quer dizer que não haja outros anos.

 

5º Elemento, Quinta das casas altas, 2011

5 Outeiros, 2014

Bridão, Adega do Cartaxo, 2012

Cabeço Alto, 2010

Casa da Atela, 2007

Casaleiro, Reserva, Enoport, 2006 (esgotado)

Companhia das Lezírias, 2008

Dom Hermano, Quinta do Casal Monteiro, 2006 (esgotado)

Enigma, 2012

Gemelli, Rui Reguingua, Tejo, 2006 (esgotado)

Ninfa, 2003  (esgotado)

Paciência, 2003, 2007

Quinta da Lagoalva de Cima, 2010, 2000

Quinta da Lapa, 2010

Quinta de S. João, 2007

Quinta de S. João Baptista, 2009

Quinta do Alqueve, 2001 (esgotado)

Quinta do Côro, Sardoal, 2013

Quinta do Sampayo, Agroseber, 2004 (esgotado)

Quinta dos Penegrais, Reserva, 2011

Quinta Vale de Fornos, 2007 2012

Tributo, Rui Reguingua, Tejo, 2012

Vale de Lobos, 2011

Vidigal, 2008 (esgotado)


 

Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

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E hoje estamos na região vinícola do Tejo para apresentar um grande Syrah:
Quinta da Lagoalva de Cima, 2010.

A Quinta estende-se pela margem sul do Tejo, desde perto da vila de Alpiarça até cerca de onze quilómetros da cidade de Santarém.

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Façamos um pouco de história. Em 1834, a Quinta da Lagoalva é comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1º conde da Póvoa. Em 1841-42 todos os bens passam para Dona Maria Luisa Noronha de Sampaio, que se casa em 1846 com Dom Domingos António Maria Pedro de Souza e Holstein, 2º Duque de Palmela, revertendo a partir dessa época os bens para a Casa Palmela.

Sucessivamente em poder dos seus descendentes, as terras são desde 1950 até hoje pertença da Sociedade Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima SA.

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A Quinta tem uma longa tradição como produtora de vinhos, que remonta a 1888, ano em que esteve presente na Exibição Portuguesa de Indústria. Com uma área de sete mil hectares aproximadamente, as suas principais produções são o vinho, o azeite, a cortiça, a floresta, cereais, vacas e ovelhas, e o cavalo lusitano. A produção anual ronda as duzentas e setenta mil garrafas e os cinquenta hectares de vinhas da Quinta da Lagoalva estão implantados nos melhores “terroirs” do Tejo, e são constituídos pelas castas nacionais e mundiais com as melhores aptidões, enologicamente comprovadas.

E é aqui que entra o nosso Syrah!

Feito pelos enólogos Diogo Campilho e Pedro Pinhão, o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima, cuja primeira safra é de 1994, provém de pequenos talhões cujas uvas seleccionadas são vindimadas à mão para caixas, e chegam à adega ainda durante a manhã. Após 3 dias de maceração pré fermentativa, a fermentação alcoólica ocorre em lagares de inox a 24ºC. As massas são espremidas em prensa hidráulica e a fermentação malo-láctica ocorre em barricas (novas e 1º ano) de carvalho Francês, onde estagia doze a catorze meses.
As safras seguintes deram-se nos anos de 1997, 2000, 2005, 2008 e a presente de 2010.
Apenas feito em anos excepcionais, este vinho de cor granada e aroma intenso tem no nariz segundo os seus produtores “notas de especiarias, fruta preta madura e tabaco. Na boca tem profundidade, taninos elegantes e um final longo.”
Como dizia Roland Betsch, segundo a nossa versão: “No Syrah está verdade, vida e morte. No Syrah está aurora e crepúsculo, juventude e transitoriedade. No Syrah está o movimento pendular do tempo. No Syrah se espelha a vida.”

Não foi divulgado nem a quantidade de garrafas que foram feitas, nem quando será a próxima safra. Sabe-se que é exportado para vários países como Canadá, Brasil, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Reino Unido e também para Macau. Isto significa que deve haver poucas garrafas disponíveis, o que explica a grande dificuldade em as encontrar. Tentem na garrafeira Estado d`Alma, mandando reservar.

E vale a pena porque se trata de um Syrah fabuloso!

Classificação: 18/20                            Preço: 28,50€

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