De novo aqui estamos a divulgar Coisas de Vinho, a tertúlia sobre Vinho e tudo à volta, desta vez sob o tema Beber vinho em família! Não faltem…
Só uma nota breve, sobretudo de agradecimento a todos os que nos acompanham nesta aventura pelos caminhos do Syrah que se faz em Portugal, pois, segundo o contador oficial do Blogue, atingimos e ultrapassámos o Milhão de visitas! Não é o Milhão do Euromilhões mas estamos muito orgulhosos do percurso trilhado até este momento.
Muito obrigado a todos, leitores e produtores, e até ao próximo Milhão!
Hoje a ideia em modo desvairado é fazer vinho de forma artesanal com as uvas cá de casa, por exemplo a latada na varanda que produz uvas de mesa mesmo docinhas, ou aquelas da tapada lá de trás, que também não são de se deitar fora. Como será pois este vinho?
Portanto estamos a falar de plantar, colher, esmagar, fermentar… será assim tão fácil?
Fácil até pode ser, mas e os solos, e o clima, e os cuidados a ter, como obter mosto de qualidade para fazer vinho a sério? Cada tipo de solo, mesmo com uvas iguais, e até mesmo na mesma região, produzirá vinhos completamente diferentes. E as uvas precisam de sofrer, mesmo, solo pouco fértil, clima inclemente, pouca água na altura certa, etc. E se não houver frio a noite e calor durante o dia, a uva não terá boa acidez, e a concentração de taninos, no caso dos tintos, também fica ameaçada.
Bem, mas dá ou não para fazer vinho em casa!?
Claro que dá, mas para garantir uma qualidade mínima, apesar de todo prazer que isso possa dar, talvez seja mais fácil e barato ir até uma garrafeira, falar com quem sabe, e comprar uma garrafa de Syrah à séria, e degustar uns quantos mais que houver por lá, e que enorme enlevo que isso é. Acredite!
Foi um final de tarde bem passado em Algés, no Algés com Sabores, de Jorge Antunes, que ultimamente tem levado a cabo uma série de acontecimentos vínicos relevantes, e que na última sexta feira dia 2 de Dezembro recebeu os vinhos da Vinha das Virtudes, de Évora.
O motivo principal da nossa presença foi o Humanitas Syrah 2014, que já conhecíamos há uma semana, e que foi apresentado pelos dois principais responsáveis da Vinha das Vitudes: o produtor José Rodrigues e o director comercial e relações públicas Jorge Eusébio.
Ficam as imagens, feitas pelo Jorge Antunes.
Continuando no reino dos estudos Universitários, neste caso a UCLA, Califórnia, e no que a Syrah diz respeito, neste caso falamos de Syrah biológico, ou orgânico, como é conhecido no resto do mundo, lemos que as uvas produzidas sob processos biológico produzem Syrah com gosto mais apurado.
Estudadas que foram 74.000 garrafas de vinho da Califórnia, todos os que tinham certificação biológica ficaram quase sempre acima da média em relação aos demais.
Magali Delmas, da UCLA, que dirigiu o estudo, afirma que a agricultura biológica tem ‘pequenos, mas significativos efeitos positivos sobre a qualidade do vinho’. Como na Califórnia se produz 90% do vinho que se vende nos Estados Unidos, a amostragem é pois muito significativa. Estudos semelhantes também apontam para estes resultados em França, por exemplo.
Foram consideradas não só a produção biológica como também a adega, em que a adição de sulfitos é reduzida ao mínimo.
No caso de Portugal, já várias vezes referimos a superior qualidade de alguns Syrah biológicos aqui produzidos. A listagem completa pode ser consultada neste nosso artigo anterior.
Se estivéssemos pois em Caldari di Ortona, na dita região, poderíamos ter vinho grátis de uma fonte pública, instalada por uma vinícola local, a Dora Sarchese, que funciona 24 horas por dia. A ‘fontana di vino’ fornece vinho tinto e basta carregar num botão para sermos servidos
Todos podem usar a fonte livremente, embora exista principalmente para matar a sede dos que fazem o Caminho de Santiago em peregrinação, que por ali passa.
Caldari di Ortono pertence à região demarcada de Montepulciano d’Abruzzo Colline Teramane, mas a Dora Sarchese não revela que tipo de vinho alimenta a fonte.
Milhares de pessoas percorrem o Caminho de Santiago entre Roma e Ortona todos os anos, portanto imagina-se que o fontanário tenha muito público.
De qualquer maneira a ideia não é original, fontes de vinho por toda a Europa já existiram em tempos. Veneza teve uma na praça de S. Marcos durante o Carnaval. Em 1520, durante o encontro de Henrique VIII de Inglaterra e Francisco I de França, uma fonte de vinho grátis foi instalada no local para ser usado pelos participantes à conferência.
Em Abruzzo, a Dora Sarchese enfatiza que a fonte de vinho tinto não é para as pessoas se embriagarem, mas que foi criada por consideração com a cidade e os peregrinos. E nós aqui a imaginar se o que sai da torneira for Syrah, então…!