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Comenda Grande, Monte da Comenda Grande, 100% Syrah, Alentejo, 2013

Quem espera sempre alcança”!
Desde 2015 que pacientemente esperávamos pela saída deste Syrah, Comenda Grande de seu nome, cuja anterior colheita de 2009 tanto nos entusiasmou!
Com o ano de 2013 o Syrah Comenda Grande volta a ver a luz do dia, para nosso imenso deleite.

O nome “Comenda” significa um antigo benefício honorífico concedido a eclesiásticos ou a cavaleiros de ordens militares. Este Syrah irá ser uma grande comenda para quem tiver a oportunidade de o degustar.

Do concelho de Évora, pois claro! Tem uma graduação alcoólica de 15,5%, ao contrário do anterior que tinha 15%. O enólogo foi Francisco Pimenta. Teve um estágio de 12 meses em barricas novas de 225 litros de carvalho Allier e de 8 meses em garrafa. As notas de prova oficiais dizem que tem uma “cor granada densa e viva, aroma intenso e complexo onde sobressai a fruta madura e passas de ameixa, mas também um ligeiro floral e a sensação das madeiras de estágio. Ao sabor, revela-se macio, com grande estrutura, onde se destacam os taninos marcantes, sendo contudo fresco num final de boca prolongado e persistente.” Para preservar ao máximo todas as suas características este vinho não foi filtrado nem sujeito a estabilização tartárica pelo que, com o tempo, poderá vir a apresentar ligeiro depósito.

O Monte da Comenda Grande é constituído por 43 hectares de vinha entre brancos, tintos, rosés e espumantes. A exploração agrícola da Comenda Grande foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugénio de Almeida (hoje Fundação Eugénio de Almeida) e filha de Gertrudes de Almeida Margiochi e de Francisco Simões Margiochi.

Herdada por Maria Madalena de Noronha e seu marido João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes de Noronha Lopes, pelo seu marido António Lopes e pelos filhos. Compreendendo uma área de 750 hectares, a exploração tem vindo a acompanhar a reconversão da agricultura alentejana, tendo realizado diversos investimentos de vulto nesse sentido. Assim, a par da reconversão de parte do sequeiro em regadio, não só reforçou as áreas de floresta, privilegiando o sobreiro (Quercus Suber), como plantou um moderno olival em cerca de 30 hectares para além de 43 hectares de vinha já referidos.

O jornalista Philippe Bouvard escreveu que “Percebi que tinha concordado em não ser imortal quando comecei a beber os meus velhos Bordeaux.” Como não temos ilusões em relação à imortalidade dizemos:
Bebam sem esperar muito o Syrah da Comenda Grande até porque poderá acabar num instante“!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 20,90€


 

HT, 100% Syrah, Tiago Cabaço Wines, Alentejo, 2015

Estamos perante a terceira colheita do HT de Tiago Cabaço Wines, do ano de 2015, de Estremoz.

A primeira safra, de 2013, foi o Syrah com que começámos esta aventura de contar a história (passado, presente e futuro), dos Syrah portugueses. Por isso temos um especial carinho por este Syrah!

Mas vamos debruçar-nos sobre o HT!
Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata duma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de Syrah cujo cultivo o resultado está à vista. Um Syrah novíssimo de 2013 com 14% de graduação alcoólica de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem possibilidade de evoluir com o tempo devido, em garrafa.

Em todo o texto argumentativo, é nossa opinião que no final deve ser deixado um argumento forte. E este é mesmo muito forte. Trata-se do preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em supermercado! É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada. Quem disse que não é possível comprar um Syrah de baixo custo e simultaneamente poderoso?

Petrónio, que foi um escritor romano, mestre na prosa da literatura latina, escreveu que “O bom vinho deve ser apreciado aos goles.”
É o caso deste HT, 100% Syrah, do Tiago Cabaço de 2015.
Trata-se de um bom Syrah!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 3,74€


 

Brindar ao Ano Novo, toda a história!

Ou toda a história sobre este acto de brindar à saúde do que quer que seja fazendo bater os copos com bebida uns nos outros entre os convivas.

Tudo começa nos tempos idos de Luis XIV, em França, com o “Affaire des Poisons”, portanto o “Caso dos Venenos”. Houve um crime primeiro, depois outros, pessoas importantes da época estiveram envolvidas e segui-se uma grande investigação policial.

E então foi assim: Henriqueta Stuart de Inglaterra, amante de Luis XIV, morre pouco depois de ter bebido um copo de água com chicória! Logo aparece a suspeita de envenenamento, alguém que estive contra a aliança entre França e Inglaterra. A polícia, com Gabriel de la Reynie liderando a equipa, começa pois a investigar. Mas sem sucesso. Um ano depois mais duas mortes misteriosas ocorrem, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Arcebispo de Paris, confessor do Rei.

Gabriel de la Reynie

Ao investigar a morte de um oficial do exército, a polícia encontra, por mero acaso, na sua casa uma colecção de venenos bem conhecidos, arsénio, cicuta, etc. E várias cartas para a sua amante, a Marquesa de Brinvilliers , onde se relatava a participação dos dois em vários atentados bem sucedidos. Logo se percebeu haver por ali uma rede bem organizada a ordenar os envenenamentos por razões que só se podiam adivinhar. A dita Marquesa entretanto desaparece, mas é encontrada num convento na Bélgica. Extraditada para França, sob tortura acaba confessando vários crimes, mas sem revelar nomes. Foi decapitada em frente ao Hotel de Ville, em Paris.

Marquise de Brinvilliers

Anos mais tarde, a polícia prende mais alguns suspeitos, tomando conhecidos de mais nomes envolvidos na conjura, entre eles Catherine Deshayes, apelidada La Voisin, especialista em magia negra e artes ocultas. Catherine era convidada famosa nos salões da alta aristocracia parisiense e proprietária de uma farmácia  onde vendia misteriosas poções e outros produtos secretos. Era também praticante de abortos, missas negras, orgias, feitiçarias e rituais com sacrifícios humanos. Dirigia também uma rede de agentes que incluía alquimistas, bruxas, padres de missas negras e charlatães da pior fama.

La Voisin

O verdadeiro escândalo rebentou quando o investigador conheceu os nomes dos clientes da La Voisin. Todos pessoas famosas, sobrinhas de cardeais, ministros, princesas, duquesas, duques, marqueses e poetas. Perante isto havia que prevenir o Rei que obviamente ficou paralisado de horror com as atrocidades que aconteciam no seu reinado. Foi então criada a comissão para lidar com todo este “Caso dos Venenos”.

Claro que La Voisin, em 1680, foi condenada a uma sentença atroz, onde lhe cortaram as mãos, sendo queimada viva em praça pública, mais uma vez em frente ao Hotel de Ville.

Mas a história continua, que falta o que nos interessa. A filha de La Voisin revela que a sua mãe fornecia várias poções venenosas para Madame de Montespan, amante preferida do Rei e mãe de seus 4 filhos, reconhecidos e apadrinhados. Montespan, com ciúmes de outra amante, teria encomendado a morte do rei e da sua jovem amante. Os dois crimes só não foram realizados porque La Voisin foi presa antes. Louis XIV interrompeu as investigações pois daí para a frente tratava-se de segredos da corte. Todos aqueles que souberam da ligação de Madame de Montespan e a bruxa foram enviados para prisões distantes de Versailles. Madame Montespan foi exilada para bem longe. Todos os documentos que a incriminavam foram queimados pelo próprio Luis XIV, após a morte da sua ex-amante em 1707.

Madame de Montespan

Pois bem, por causa desta longa história, quando o champanhe foi introduzido na corte de Louis XV criou-se o hábito do brinde: a pessoa olhava fixamente para os olhos de quem tinha servido a bebida, batia o copo de modo a provocar uma troca de gotas do líquido entre os dois copos e dizia: saúde!

Só no final do século XIX estas desconfianças começara a desaparecer.
Mas o brindar fazendo tilintar os copos quando se brinda permanece até hoje.

À saúde, com bom Syrah, livre de venenos.
E bom Ano Novo!


 

Syrah, Natal, Pecado, e o segredo da Uva

Hoje, que estamos perto do Natal, em vez de colocarmos a citação no fim, como é habitual, a mesma vai no princípio:

“Considera com indulgência os que bebem até à embriaguez. Lembra-te de que tens defeitos maiores.”
Omar Khayyám – (1048/1131). Matemático, astrónomo, filósofo e poeta iraniano. Um dos cientistas mais influentes da idade média.

Neste Irão actual, é proibido usar a palavra ‘vinho’ em documentos oficiais, livros, revistas, etc. E logo quando foi o Irão um dos primeiros e mais importantes produtores de vinho no médio oriente desde os inícios da humanidade. E o nosso bem amado Syrah deve provavelmente o seu nome a uma cidade Iraniana, Shiraz.

Outro facto relacionado com esta região e o Natal, diz que um grupo de cientistas da Universidade de Ariel, na Cisjordânia anunciou que está a tentar recriar o vinho que se bebia há 2 mil anos, para “recuperar e poder sentir no próprio paladar o sabor, o aroma, a cor e a textura que sentiu Jesus Cristo em sua época.” Para isso, o primeiro passo é a recuperação da Dabouki, a casta com a qual era elaborado o vinho da época. O processo ocorre através de transferência de material genético de sementes de uvas antigas para uvas actuais, algo tipo Jurassic Park, mas sem a parte do Tiranossauro Rex. A pesquisa inclui também a análise de tonéis feitos com barro, encontrados nas ruínas de diversos templos judaicos. Esse grupo de cientistas já conseguiu produzir vinho a partir da uva Maaravi, uma variedade considerada extinta e que era cultivada no leste de Belém, por volta do ano 220 d.C.

Portanto temos um país, Irão, que renega a sua relação com as raízes do vinho e outro tenta resgatá-la.

Numa degustação técnica moderna e de nível internacional, os profissionais falam de aromas, sabores e defeitos do vinho que são regidos por normas de organizações internacionais. A WSET, por exemplo, é uma organização internacionalmente reconhecida no mundo do vinho e suas fichas de degustação são uma das mais utilizadas nos meios profissionais do vinho.

Como classificar pois vinhos desta natureza, recriados a partir de castas de outras eras? Vamos pensar nisto este Natal, enquanto degustamos o nosso Syrah preferido, que sim é uma casta também ancestral! Como dizia o nosso sábio Omar:

“Ah, encha a taça: de que vale repetir
Que o tempo passa rápido sob nossos pés:
Não nascido no amanhã, e falecido ontem,
Por que angustiar-se frente a eles, se o hoje pode ser doce?”

Continuando a falar de vinho nesta quadra natalícia, este nosso néctar de eleição faz parte da liturgia cristã representando o sangue de Jesus Cristo – na verdade o próprio Cristo, na Ceia Pascal (ou Santa Ceia), disse solenemente que “este é o meu sangue”. Mais do que isso, o vinho aparece frequentemente na Bíblia Sagrada, por exemplo na história de um Noé embriagado, ou nos tempos de Abraão, quando o vinho contribuiu para o incesto que resultou em gravi­dez das filhas de Ló. Na Bíblia o vinho e pão são citados como o sustento essencial do corpo. As palavras encontradas nas Sagradas Escrituras que representam vinho são yayin e tirosh, termos do hebraico, utilizado para escrever quase todo o Antigo Testamento e oinos, termo grego, idioma usado predominantemente para escrever o Novo Testamento. “Yayin” é a palavra mais comum, um termo usado 141 vezes no Antigo Testamento e “tirosh” ocorre 38 vezes no Antigo Testamento, referindo exactamente o produto não-fermentado da videira, algo como um suco de uvas. Voltando ao tema inicial, não seria interessante saber que tipo de vinho era bebido pelos antigos cristãos, através da recriação desse mesmo vinho?

Para descobrir o sabor deste vinho, especialistas estão a analisar uma série de sementes de uvas da época e traços em fragmentos de potes de barro utilizados para o armazenamento de vinhos, materiais encontrados em templos judeus antigos. No momento, com base em testes prévios já realizados foram identificados 120 tipos diferentes de uvas do antigo Israel. Desse total, em colaboração com vários produtores de vinho, os cientistas determinaram que 20 delas seriam adequadas para a produção de vinho, mas este trabalho ainda pode demorar. Quem sabe se a disputa entre Israel e Palestinianos, pois os trabalhos estão a decorrer na Cisjordânia e nas Colinas do Golã. Quem sabe não é este o vinho que finalmente vai ser usado para brindar a paz?

Falamos pois de uma bebida que acompanha a evolução da humanidade. E a variedade dominante era precisamente Syrah, originária da Pérsia, como frequentemente referimos. A alta sociedade romana tinha uma  preferência pelo vinho branco e doce, mas os moradores das regiões palestinianas preferiam vinho tinto. As menções bíblicas ao vinho, são sempre relacionadas ao vinho tinto. Segundo os historiadores, após a colheita as uvas eram pisadas por escravos. Após a fermentação, vinhos diferentes eram produzidos para estratos diferentes da sociedade. Adicionava-se mel, água, ervas, especiarias, além de pó de mármore, clara de ovo, etc. A maior parte dos vinhos era exposta em fumeiro, o que daria um sabor defumado típico. O vinho das celebrações religiosas eram sempre os mais apurados e bem envelhecidos. Qual era o sabor desse vinho? Talvez um dia se possa saber isso.

Aqui ficam pois a nossa reflexão natalícia. Os nossos leitores que forem à Missa do Galo esta quadra podem in loco meditar sobre o que aqui se disse, ao som de um Te Deum sacramental, e um Syrah para comemorar o nascimento de Cristo!


 

Pedro Baptista, enólogo de Syrah do Alto Alentejo

Desde a segunda metade dos anos 90 que se produz Syrah em Portugal.
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação desse percurso por terras lusas.
Já dissemos várias vezes que em Portugal se produz algum do melhor Syrah do mundo!

Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah fale de quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo, já que são eles os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos que fazem Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar Pedro Baptista, que tem no seu currículo dois Syrah, cada um com duas colheitas. Não parece ser muito para mais de duas décadas como “fazedor de vinhos” (winemaker), mas trata-se de dois topo de gama e daí o nosso imenso interesse e admiração!

Aqui vão eles:

Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo
(2006 e 2010)
Classificação: 19/20

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo
(2013 e 2014)
Classificação: 18/20

Vejamos cada um em pormenor.


Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo

E regressamos de novo ao Alentejo para apresentar um Syrah que nos leva directamente ao céu, quase literalmente. Scala Coeli é o nome, que em latim significa “escada para o céu” . Este é justamente um daqueles syrah que nos faz dizer que os melhores Syrah do mundo se encontram em Portugal.
Syrah que deve o seu nome ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mais conhecido por Mosteiro da Cartuxa, local onde os monges Cartuxos permanecem em silêncio e oração. Produzido a partir das melhores vinificações do ano, foi produzido pela primeira vez em 2005.
Scala Coeli surge no cume deste nosso mito, e é um nome desde há muito ligado a Eugénio de Almeida. Trata-se de um convento, mesmo à saída de Évora, abandonado no início do século. Vasco Eugénio de Almeida recuperou-o e devolveu-o à Ordem dos Monges da Cartuxa, sendo hoje um convento de clausura e silêncio. Na sua história conta-se ainda  ter sido em tempos a Escola Agrária e Agrícola. Este bonito convento serviu de inspiração para um grande vinho, que tem sido feito todos os anos com castas diferentes: o famoso Scala Coeli, da Cartuxa.
Chegando ao que mais nos interessa, o Syrah Scala Coeli foi feito por duas vezes: em 2006 com 14,5 de graduação alcoólica e em 2010 com 15,5 de graduação alcoólica. Por detrás deste néctar está Pedro Baptista, o enólogo premiado da Fundação, reconhecido pela qualidade e solidez dos vinhos que assina. Diz a ficha técnica que “As uvas passaram por um processo de maceração pré-fermentativa a frio, seguida de fermentação alcoólica à temperatura de 28ºC e de maceração prolongada. Período de encuba total de quarenta dias e estágio de quinze meses em barricas novas de carvalho francês. De cor granada, apresenta um aroma intenso e elegante. Na boca apresenta uma excelente estrutura com taninos suaves, boa acidez, terminando com ampla sensação de volume.”

 

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo

O Syrah Humanitas nasceu predestinado para vencer!
Ainda antes de ir para o mercado já tinha conquistado duas medalhas: uma nacional, outra internacional (no concurso Syrah du Monde, o mais importante para um monocasta Syrah). É verdade que as medalhas valem o que valem mas também é verdade que não podem ser menosprezadas. O Humanitas – mas que nome bem inspirado! – de 2013 é ainda um vinho jovem mas com uma grande capacidade de evolução. O Blogue do Syrah já o provou por três vezes nestes últimos meses sempre com efeitos ascendentes. Imaginem bebê-lo daqui a meia dúzia de anos?
O nome, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.
Só foram feitas 2100 garrafas, com um grau alcoólico de 14,5%. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”
A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. As produções serão sempre baixas e orientadas unicamente para a qualidade até porque a vinha só tem 2,5 hectares.
O proprietário, o muito simpático José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora.


Essência do Vinho TV – Um Dia de Vindimas com Pedro Baptista

Pedro Baptista estudou Enologia na École Supérieure d’Oenologie de Montpellier, França.
Iniciou os seus trabalhos na Fundação Eugénio de Almeida na vindima de 1994 e em 2002 no Monte dos Perdigões.

A ligação de Pedro Baptista a Granadeiro já data dos tempo da Fundação, visto que Henrique Granadeiro, desde 2001 na liderança do projecto Granadeiro Vinhos, esteve antes à frente da Eugénio de Almeida no lançamento de vinhos muito celebrados, casos dos Cartuxa ou Pêra-Manca. Actualmente é o responsável máximo pelos vinhos de ambas as empresas. E como não há duas sem três é também desde há uns quantos anos o enólogo da Vinha das Virtudes de Évora.

Em Janeiro de 2010  a revista “Wine – A Essência do Vinho”, atribui ao Enólogo da Fundação Eugénio de Almeida  – Pedro Baptista – o prémio “Enólogo do Ano”.

Conhecemos Pedro Baptista na última edição do Vinho e Sabores, na antiga FIL, no mês passado, onde percebemos ser um homem simpático, um tanto ou quanto introvertido, mas que revela uma sageza muito subtil. É não só um dos grandes enólogos de Syrah como do vinho em geral, especialmente de um dos dois vinhos portugueses mais carismáticos dentro e fora de portas, o Pêra Manca!

Estamos ansiosos, mas tranquilos, aguardando o próximo Scala Coeli, assim como o Humanitas de 2015.
Estamos seguros de que valerá a espera!