Category Archives: Alentejo

A região dos grandes Syrah portugueses…

Pulo do Lobo, Sociedade Agrícola de Pias , 100% Syrah, Alentejo, 2013

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Este novo Syrah do Alentejo, território por nós sempre enaltecido, foi recebido pelo Blogue do Syrah com abundante entusiasmo. É o primeiro Syrah da Sociedade Agrícola de Pias, e desde já recomendamos a sua continuidade, cujos vinhos conhecíamos de longa data, até porque a região entre Serpa, Pias e Moura é sobejamente conhecida por nós desde o século passado, devido a permanência regular.

Por isso, quando no final do ano passado soubemos com surpresa deste Syrah, uma coisa ficou logo garantida: sempre que viéssemos a Serpa este Syrah teria que ser haurido por nós, mesmo porque no local é de fácil aquisição.

As notas de prova dizem da sua “cor granada. O aroma é ligeiramente floral frutos vermelhos e chocolate preto. No paladar tem um sabor pronunciado a frutos silvestres e mirtilos. Potente, com taninos marcantes. Final persistente.”

É um Syrah que, não sendo mais que mediano na sua consistência geral, cumpre com galhardia o seu lugar na escala qualitativa. Na respectiva elaboração foram utilizadas técnicas de vinificação tradicionais. O envelhecimento é muito breve. Trata-se de um vinho novo, mesmo bastante novo. A longevidade prevista pelo produtor é de 5 anos. Tem uma graduação alcoólica de 14%. Chamamos ainda a atenção para o rótulo, de design muito bem conseguido e de grande impacto.

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A Sociedade Agrícola de Pias teve o seu início em 1973 pelas mãos de José Veiga Margaça, há 40 anos, quando adquiriu um conjunto de propriedades entre Serpa e Moura fundando a sociedade. A sua paixão pela enologia e o conhecimento das terras alentejanas fez o resto.

Hoje, com um conjunto de herdades que somam 800 hectares e 30 colaboradores dedicados à produção de vinho e azeite na freguesia de Pias, a Sociedade Agrícola continua nas mãos da família que a criou, e são os filhos e netos de José Veiga Margaça que mantêm vivos a tradição e os valores por ele inaugurados.

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Localizada no extremo oriental do Alentejo, a vila de Pias é reconhecida pela qualidade dos seus vinhos. Elaborados com castas da região, exercem um forte apelo entre inúmeros apreciadores que os dão a provar como um segredo bem guardado. Este sucesso originou algumas formas menos próprias de homenagem: nem todos os vinhos que se intitulam “de Pias” são feitos em Pias. Por isso, se deseja conhecer as características únicas do “terroir”de Pias deve saber se o vinho em causa é produzido pela Sociedade Agrícola de Pias, onde se produzem os originais e verdadeiros vinhos de Pias.

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Construída sob orientação do arquitecto Filipe Nobre Figueiredo, a adega da Sociedade Agrícola de Pias tem adoptado a melhor tecnologia para assegurar o controlo de qualidade dos vinhos.

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A sua integração no recinto em que funcionam a loja e os escritórios da empresa, bem como a circunstância de se localizar dentro da própria vila de Pias, garante aos apreciadores e visitantes um contacto muito próximo com os processos de elaboração e os vinhos. Em redor da vila de Pias, na margem esquerda do rio Guadiana, localizam-se os 800 hectares da herdade da Sociedade Agrícola de Pias, distribuída por cinco propriedades: o Monte Branco, o Monte Velho de Cima, o Monte Velho de Baixo, o Monte da Parreira e o Monte da Torre.

Shakespeare, o William, se não houver outro, o vate de Stratford-upon-Avon, escreveu que “O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.”

Venha o Syrah de Pias desempenhar esse papel são os desejos do Blogue do Syrah, que as dúvidas existenciais do ser ou não ser ficarão momentaneamente resolvidas no final do repasto, é um supor!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 5,95€

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Alfaraz, Herdade da Mingorra, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Alfaraz é nome de um cavalo de batalha vindo das arábias. É por onde começamos hoje, para falar de um Syrah com um nome de origem árabe, logo, muito provavelmente, só poderia ser do Alentejo!

As notas de prova dizem-nos que “apresenta cor intensa, aroma acentuado a compotas de frutos vermelhos, acidez equilibrada, taninos firmes e persistentes.” Teve doze meses de estágio em madeira de carvalho francês. Tem uma graduação alcoólica de 14%.

Nas terras quentes do Baixo Alentejo, a escassos quilómetros da cidade de Beja, há uma das mais antigas culturas vitícolas da região. São vinhas com décadas de história, que Henrique Uva preserva e rentabiliza há anos, e as quais sempre quis valorizar como produtor independente.

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Em 2004 concretizou-se o sonho, com o projecto a dar pelo nome de Henrique Uva / Herdade da Mingorra. A Adega está devidamente enquadrada nos 1.400 hectares de uma paisagem que chega a ser exuberante, tal é a diversidade de culturas e fauna, com várias bacias hidrográficas a funcionarem como autênticos oásis. A Adega assume-se como um autêntico lugar de culto. Um espaço onde a modernidade e a funcionalidade convivem, de forma indelével, com as técnicas mais tradicionais.

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O resultado só podia ser vinho de qualidade, consistente, profundo, algum inovador até, e com uma boa relação qualidade/preço, fruto do trabalho de uma equipa dinâmica e empreendedora, liderada pelo enólogo Pedro Hipólito. A excelência da cultura vitícola, bem como as condições estruturais e humanas do projecto, têm constituído o segredo do sucesso. Os vinhos têm sido alvo das considerações dos críticos no que toca à qualidade, e as vendas, tanto a nível nacional como nos mercados de exportação, têm vindo a aumentar.

No total são 1.400 hectares de área, referente a três propriedades: Herdade da Mingorra, Sociedade Agrícola do Barrinho e Herdade dos Pelados. Para além dos 135 hectares relativos à vinha, 200 hectares são de olival com rega, 125 hectares de regadio por “pivot” e os restantes de cultura tradicional e floresta.

Situada em plena Herdade da Mingorra, a Adega tem uma área de 2.000 m2, apenas vinifica uvas próprias e trabalha processos de vinificação de vários níveis. No total, o investimento foi superior a dois milhões e meio de euros, com o condão de ter sido estudado de modo a preservar as técnicas tradicionais, ainda que em perfeita consonância com a mais alta tecnologia.

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Os registos comprovam que na propriedade há vinhas plantadas há quase 30 anos, uma salutar raridade na região. Em termos vitícolas, a área está distribuída da seguinte forma: 60 hectares de vinha velha, com cerca de 30 anos, das mais antigas de que há registo no Alentejo e das primeiras a serem plantadas e organizadas em talhões, aramadas e separadas por castas. Tudo com arte e rigor.

O compositor austríaco Gustav Mahler disse que:
Uma taça de Syrah vale mais que todas as riquezas da terra.
Essa taça de vinho pode bem ser, para começar, um Syrah denominado Alfaraz!

 

Classificação: 15/20                                                     Preço: 7,00€

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Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Estamos em Évora, ao lado da Quinta da Cartuxa, um terroir abençoado por Deus e bonito por natureza, que nos trouxe o fantástico “Scala Coeli” já por nós analisado, para apresentar ao mundo português um Syrah a 100%, e ainda por cima biológico, que nos deixou em completo êxtase, pela maravilha do conjunto que representa: aroma, cor, e aquela simplicidade complexa de paladar, que nos leva para além do mensurável. Mas atenção: é preciso algum tempo e pelo menos duas garrafas bebidas com amigos, para chegarmos à conclusão de que estamos perante o culminar da perfeição em termos de um vinho tinto.

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E agora, antes de contarmos a história do Dona Dorinda, deixem-nos cumprir um desabafo: estamos prestes a concluir que o concelho de Évora poderá muito bem ser o lugar cimeiro dos Syrah portugueses. Vejam bem: Grande Comenda, de que falaremos brevemente, Scala Coeli, que já referimos, Humanitas, que sairá brevemente e agora este transcendente e elegante Dona Dorinda. Muitos Syrah topo de gama num único concelho, é obra!

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Continuemos. Tudo começa quando um casal constituído por um holandês, Winkelman, e uma norte-americana, Dorinda, nome de origem indígena, decidem há mais ou menos uma década vir passar férias à nossa Lusitânia. Conhecem, entre outros lugares, Évora, e ele, já com uma grande paixão pelos vinhos do Vale du Rhône, decide comprar um terreno, que liga com a cidade, para plantar uma vinha. Conhecem um alentejano de quatro costados, Vítor Conceição de seu nome, “um bom moço” como só os alentejanos costumam dizer, que mete mãos à obra e realiza o sonho do ecléctico par: dar vida a uma vinha com 85% de Syrah e 15% de Viognier, como manda a tradição francesa.

A primeira safra ainda se consegue encontrar por aí, já na sua ponta final, pois quase toda ela, à excepção da cidade de Évora, foi para o mercado externo principalmente para a cidade de Nova York para abastecer dois restaurantes de luxo em que a Dona Dorinda é vendido a 90 dólares a garrafa. Agora, e durante sabe-se lá quanto tempo, também se vende na garrafeira Estado de Alma. Quem ficar com água na boca de nos ler, pode correr para lá em busca de um néctar para lá do imaginável.

E agora alguns dados sobre a vinificação. Vindima manual nocturna. Maceração carbónica a frio cerca de 12 meses. O envelhecimento esse foi feito em carvalho francês, pois claro, durante 12 meses. As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.”

As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um todo sustentável. Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, (embora entretanto mais hectares tenham sido plantados) encontra-se instalada em forma de “meia-lua”, chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer. Notável!

O produtor indica na ficha técnica que o prazo de evolução do Dona Dorinda é de 10 anos. Neste momento não conseguimos imaginar o que será por essa altura, mas há uma coisa que por experiência sabemos: este Syrah vai ter seguramente uma longevidade muito superior a 10 anos. Não temos dúvidas sobre isso!

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Com uma tiragem maior, este Syrah poderia tornar-se um verdadeiro ícone nos Syrah do mundo. Para nós é já uma referência que não podemos dispensar!

Umas palavras também para o design da garrafa, de um cuidado extremo, que, segundo os produtores, demorou muitos meses a conceber, até chegar a este requinte de graça e estilo muito próprios. Gostamos imensamente.

Duas pequenas notas são necessárias ainda.
A primeira, um agradecimento público ao José Pombinho, de Évora, leitor assíduo do Blogue do Syrah, que nos alertou em primeira mão para a excelência do Dona Dorinda, um muito obrigado.
A segunda para dizer que a Quinta de Nossa Senhora da Conceição não se vai ficar por aqui. A segunda metade do ano promete ser de bom augúrio! É que está previsto a saída de duas safras do Dona Dorinda: a de 2011,ou seja, a anterior a esta que analisamos e a novíssima de 2013. A concretizar-se esta intenção, podemos ter de concluir que este pode ficar para a história como o “ano Dorinda”!

Este é de facto um texto pleno de pontos de exclamação, pelos melhores motivos.
E mais um: reparem na relação qualidade-preço!

Habitualmente o Blogue do Syrah apresenta uma citação dum autor minimamente consagrado para acompanhar o Syrah analisado. Hoje apresentamos a nossa própria reflexão pessoal, influenciada pela degustação de um Dona Dorinda celestial, que deixa marca indelével e sagrada:

“O Syrah é o único objecto religioso!”

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 16,95€

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Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Neste soberbo Alentejo, mais uma vez e sempre, onde só há Syrah de qualidade, encontramos perto da Vila de Portel, Herdade Monte do Outeiro, o Syrah Monte Cruz, do produtor Manuel Bernardino Cruz. Syrah a 100%, graduação alcoólica de 14%. Conhecem-se duas safras, a presente, que está em análise, e a de 2006. As notas de prova dizem que em termos de “aroma no nariz sobressam notas de especiaria e frutos pretos. Em termos de paladar os taninos estão bem equilibrados e conferem uma boa estrutura.”

Se em termos de qualidade estamos perante um Syrah que merece todo a nossa consideração e envolvimento, fica no ar mais uma vez a fastidiosa crítica: a Sociedade Agrícola Monte Cruz, Lda, a proprietária da Herdade Monte do Outeiro, não pratica qualquer tipo divulgação a nível de marketing e partilha de informação, em relação quer à propriedade quer em relação aos seus vinhos, nomeadamente ao Syrah 2009. E quando dizemos que não pratica qualquer tipo divulgação, isto deve ser entendido no sentido literal . Nenhuma! Absolutamente nenhuma! E depois não nos venham alardear que o “negócio” está em crise! Esta sociedade detentora do Syrah monte do Outeiro, não tem site, não tem blogue, não tem sequer presença no Facebook, não está presente em nenhuma outra rede social. Não há como saber detalhes sobre a Herdade, os vinhos, ficha técnica, e por aí adiante. Não há nada em discurso directo sobre esta sociedade e este Syrah. O que há é em sítios informativos, o nome da sociedade, a morada, nº de telefone, para o qual ligámos, em vão, e nº de fax. Mais nada!

Como é que é possível deste modo o público consumidor e amante de Syrah, e deste em particular, ter informação para além do que vem na garrafa? É muito difícil desta forma escrever sobre este Monte Cruz. Nenhuma empresa que se preza pode sobreviver muito tempo se pratica este tipo de postura em termos de mundo digital. E é pena porque este Syrah merecia mais e melhor!

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E pronto, resta-nos falar um pouco de Portel, formosa vila do Distrito de Évora, sede de um município que inclui a agora famosa aldeia de Alqueva, em cujas proximidades se localiza a Barragem com o mesmo nome, e que originou a criação do maior lago artificial da Europa com cerca de 250km2 e quase 1200kms de margens. Estamos pois entre a vasta planície alentejana e a serra de Portel. O castelo, sobranceiro à vila, ergue-se majestoso no cimo de uma colina e foi construído na sequência da doação da vila por D. Afonso III a D. João Peres de Aboim, em 1261, por favores prestados, e pela sua amizade e fidelidade ao Rei.

É assim que proximidades da Vila de Portel, muitos séculos depois, na Herdade Monte do Outeiro, que se produzem vinhos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente. No mercado podemos encontrar, para além do Monte Cruz Syrah 2009, o Monte Cruz Tinto 2007 e Monte Cruz Antão Vaz 2009. Quem os conhece diz que são vinhos de colheita selecionada, de aroma perfumado, complexidade elegante e persistente. Quem somos nós para discordar.

Napoleão Bonaparte, mais conhecido pelas suas facetas de político e militar, além de amante tumultuoso, era também um enófilo de fino recorte, e nessa qualidade deixou escrito a seguinte verdade:

“Claramente os prazeres que o vinho oferece são transitórios. Mas assim são também os do ballet ou o de uma apresentação musical. Os vinhos inspiram-nos e acrescentam muito ao prazer de viver.”

O Syrah Monte Cruz, só por si, consegue esse objectivo!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 12,09€


 

Margarida, Margarida Cabaço, 96% Syrah, 4% Viognier, Alentejo, 2008

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Se algum dos nossos leitores chegou a pensar, dadas as últimas publicações, que o Blogue do Syrah já teria apresentado todos os grandes Syrah de Portugal, desengane-se, que ainda falta uma mão cheia deles.

Aqui está hoje um, que é o Syrah de Margarida Cabaço, e que desde já podemos dizer tem algumas particularidades únicas.

Primeiro é o facto de ser um Syrah não a 100%, como é de nossa preferência, mas sim a 96%, já que os restantes 4% são Viognier, como é consensual. Mas espantoso é o facto de que as uvas Syrah de Estremoz abafam de tal modo a casta branca que esta passa despercebida comparativamente com outros Syrah cuja composição é semelhante.

Em segundo lugar é um Syrah que, sem ser a 100%, obtém da nossa parte a classificação de 18 em 20. Com nenhum outro Syrah nas mesmas circunstâncias tal tinha acontecido.

Finalmente é um Syrah feminino, e aqui a nossa vertente marialva tem de dar o braço a torcer: estas duas senhoras, Margarida Cabaço e Susana Esteban,  percebem do ofício da vinha melhor que muitos criadores de vinho do sexo oposto.

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Margarida Cabaço é a produtora cujo nome é marca do topo de gama monovarietal que produz. Em cada ano é escolhida a casta que mostrou potencialidades capazes de fazer um grande vinho. Por exemplo o Margarida que se encontra no mercado com mais facilidade é o de 2009 feito a 100% da Alicante Bouschet. Em 2008 tinha cabido a vez ao Syrah. Safra única até agora pelo menos.

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A enóloga de serviço é a Susana Esteban. Não é o primeiro Syrah que esta galega radicada em Portugal faz, já aqui falámos dela a propósito do Solar de Lobos, e por isso merece que o Blogue do Syrah muito brevemente lhe dê a atenção devida!

O Margarida Syrah 2008 foi vinificado em lagar e estagiado parcialmente em barricas de carvalho francês; fresco, fruta evidente, fumado, notas especiadas, estruturado ainda com os taninos por domar, final longo, gastronómico. Uma surpresa espantosa! As notas de prova dizem que se trata de um Syrah “complexo e austero, ameixa preta, especiarias. Muito carácter na boca vigorosa, seca, com sugestões de alcatrão e bagas esmagadas. Excelente acidez e frescura de conjunto.”  A graduação alcoólica é de 14,5% e teve uma produção de apenas 4.200 garrafas. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês usadas. “Em 2008 elegi a casta Syrah como base para este vinho. As uvas foram vinificadas em lagar com pisa pé e fizeram estágio em barricas de carvalho francês” palavras da própria Margarida Cabaço.

A grande falha é que infelizmente O Monte dos Cabaços, casa mãe do nosso Syrah de hoje, não tem site ou qualquer outro meio de informação onde aqui os felizes escribas possam ir beber matéria complementar informativa. Senhores produtores, façam Syrah genial, sim, sempre e em primeiro lugar, mas depois partilhem informação… aqui fica o reparo construtivo!

Assim mesmo lá conseguimos repenicar por aqui e por ali algo mais que contar. Cá vamos.

Margarida Cabaço plantou as primeiras vinhas em 1992, vendendo sempre as uvas a produtores de vinho da região. Em 1994 faz nascer o restaurante São Rosas, em Extremoz, para partilhar outra das suas paixões: a culinária. O São Rosas é um dos melhores restaurantes do Alentejo. As bochechas de porco preto com migas de pão é um prato simplesmente imperdível, embora a metade vegan do Blogue do Syrah seja lesta em discordar. Mas isso são contos que não são para aqui chamados. É necessário reservar um espaço para as deliciosas sobremesas com doces conventuais. Começando a perceber a importância da união comida e vinho, e curiosa de ver o resultado final, resolveu começar a transformar as uvas que produzia em vinho.

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Surgiu assim o Monte dos Cabaços, em 2001, laborado em adegas de 2 amigos. Com uma tiragem inicial de 50.000 garrafas, o vinho teve imediatamente grande sucesso e a partir de então foram surgiu mais um rótulo além do Monte dos Cabaços Branco, o .Com, tendo este último a participação do filho mais velho de Margarida Cabaço, Tiago Cabaço, que hoje tem uma produção independente de belos rótulos e safras, um dos quais um Syrah, que já foi apresentado aqui, aliás foi com esse mesmo Syrah que começamos esta aventura bloguista.

Neste momento as suas vinhas situadas na aldeia de Arcos, a 6 km de Estremoz, ocupam 30 hectares que dão origem a aproximadamente 100.000 garrafas entre branco e tinto. As uvas são provadas e escolhidas na vinha seguindo os mesmos princípios com que escolhe os produtos para confeccionar os pratos que faz no São Rosas. A vindima é manual e parte da uva é pisada em lagar, sendo a restante fermentada em cubas. Os melhores lotes vão para barricas novas de carvalho francês, e após um estágio de 10 a 12 meses poderão dar origem a um reserva, quando a qualidade o justifica. O Monte dos Cabaços produz vinhos encorpados, com uma estrutura equilibrada onde se privilegia a fruta fresca e o maduro arredondado pela madeira. Após o sucesso do vinho Monte dos Cabaços, foram lançados os vinhos Margarida branco e tinto, uma justa homenagem a esta senhora.

Actualmente a casa produz os rótulos: Monte dos Cabaços Branco, Margarida Branco, Monte dos Cabaços Tinto, Monte dos Cabaços Reserva Tinto e Margarida Tinto. E todos têm um toque especial: os desenhos estampados nos rótulos são todos da própria Margarida Cabaço. É um design simples mas de grande efeito visual. Gostamos muito!

No outro dia disseram-nos que das sobras de vinho ainda se pode fazer cubos de gelo. Ficámos abstrusos… O que são sobras de Syrah?

Se for o Syrah da Margarida, sobras é coisa que nunca haverá, afiançamos!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 20,00€


 

Bombeira do Guadiana, Herdade da Bombeira, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Mais um Syrah a 100%, do Alentejo, que não nos deixa indiferentes, pois claro! O concelho de Mértola tem também o seu Syrah! Não é só Estremoz ou Borba… se virmos bem, encontramos Syrah no Alentejo de norte a sul, e qualidade é coisa que está presente em todas as veredas, valados e planícies!

Um grupo de amigos, amantes da natureza, os proprietários da Herdade da Bombeira, entenderam em 1999 plantar 18 hectares de castas tintas, numa zona com solos privilegiados, onde logo se adivinhou um terroir de altíssimo potencial.

Em 2000 conclui-se a plantação, em 2003 produziu-se  os primeiros vinhos, em 2005 o primeiro rosé, entre 2009 a 2011 é concluída a plantação de 3,5 hectares de uva branca e em 2012 é produzido o primeiro vinho branco.

Numa procura constante de conhecer e compreender o potencial produtivo do terroir, pretende-se fazer evoluir os vinhos . O projecto tem tido o seu sucesso devido ao interesse constante dos clientes pelos vinhos da Herdade da Bombeira, que se situa no Concelho de Mértola, na margem direita do Rio Guadiana, a 3 quilómetros a sul dessa linda vila alentejana, estendendo-se ao longo de 2 quilómetros da sua margem.

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A Herdade da Bombeira com os seus 700 hectares, possui uma várzea ao longo do rio com cerca de 20 hectares onde os solos de características xistosas se misturam com os aluviões do Rio Guadiana proporcionando as condições ideais para a implantação da Vinha. O Clima desta zona não sendo continental também não é de características marítimas. O mar fica a 50 quilómetros a Sul e a 100 quilómetros a Oeste mas a proximidade da Serra do Caldeirão e do Rio Guadiana tornam o clima mais ameno do que na generalidade das terras vinícolas do Alentejo.

A influência do rio Guadiana é fundamental provocando um microclima que influencia a humidade relativa. Evita as geadas, faculta uma água com qualidade ímpar devido à corrente ecológica com origem na barragem do Alqueva.

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As castas inicialmente escolhidas foram as alentejanas: Trincadeira e Aragonês, com cerca de 6 hectares cada e as internacionais: Cabernet Sauvignon e Syrah com cerca de 3,5 hectares cada. A plantação da vinha ocorreu nos anos 98 e 99 tendo sido vendidas no mercado as primeiras produções de uva. Após análise do comportamento das castas na zona e a conselho do  enólogo residente Bernardo Cabral, decidiu-se em 2002 substituir, e muito bem na opinião do Blogue do Syrah, cerca de 2,5 hectares de casta Aragonês por Syrah, e em 2006 o restante por Alicante Bouchet  cerca de 3,5 hectares.

Sobre exactamente o que nos traz aqui hoje, as notas de prova falam de um Syrah “especiado e bem maduro, algum chocolate, fruto intenso, boca com volume algum calor num final longo e picante. Um tinto com franqueza e generosidade de formas. Taninos sedosos e redondos, termina prolongado e medianamente persistente.”

Tem uma graduação alcoólica de 14,5%.

A nossa citação de hoje refere-se a uma escritora brasileira, Carolina Salcides, que escreveu:
“O vinho é um composto mágico: mata a sede, mata a vontade, mata a saudade. Faz nascer o calor, acende a paixão, desperta o amor. Traz luz para a vida, sabedoria, bom gosto, desejo. Alegra a mesa, acorda o homem, solta a mulher…”

O Syrah da Herdade da Bombeira é um desses compostos mágicos, de fragrância meridional!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 11,00€

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