Category Archives: Alentejo

A região dos grandes Syrah portugueses…

Planura, Unicer Vinhos S.A., 100% Syrah, Alentejo, 2010

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Hoje apresentamos o Syrah Planura, produzido pela Unicer Vinhos, que é simplesmente a maior empresa portuguesa de bebidas, com uma estratégia multimarca e multimercado, cuja actividade assenta sobretudo nos negócios das Cervejas e das Águas engarrafadas. Estão, igualmente, presentes nos segmentos dos refrigerantes, dos vinhos, e bem, como aqui se vai perceber, na produção e comercialização de malte e no negócio do turismo, detendo dois activos de referência na região de Trás-os-Montes: os Parques Lúdico-Termais de Vidago e Pedras Salgadas.

A Unicer está presente de Norte a Sul do país, conta com 1350 colaboradores, possui 13 estabelecimentos que incluem centros de produção de cerveja, de sumos e refrigerantes, e de vinhos, assim como centros de captação e engarrafamento de água, além de vendas e operações. A Unicer exporta 150 milhões de litros, tem 90.000 camiões de transporte para 50 países.

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Planura é um vinho Regional Alentejano que resulta de um rigoroso controlo de qualidade vitícola e enológico, dando origem a vinhos harmoniosos e equilibrados. O enólogo de serviço é Filipe Sevinate Pinto. A graduação alcoólica é de 14,5%. As notas de prova dizem que tem “aroma frutos negros maduros e notas ligeiras de especiarias. Madeira ligeira. Na boca alguma acidez e taninos ainda presentes. Fruta negra madura, quase em compota. Especiarias ligeiras e madeira intensa de sabor mas equilibrada em proporção. Enche meia boca. Final médio.”

O Syrah veio encontrar no clima quente e seco da região alentejana, condições óptimas para o desenvolvimento de vinhos de perfil ímpar, simultaneamente maduros e frescos, muito diferentes nas suas características dos obtidos desta mesma casta noutros locais como na região francesa do Ródano, onde inicialmente teve maior expansão. Apresenta cor intensa, grande distinção aromática, com predominância de aromas a chocolate, compotas e algumas notas fumadas. A sua estrutura de taninos confere uma prova cheia, frutada e elegante.

Região de ondulantes planícies, o Alentejo apresenta uma paisagem relativamente suave e plana que se estende por quase um terço de Portugal continental.

Só a Serra de São Mamede, a norte da denominação, se diferencia do padrão. Os solos alternam entre o xisto, argila, mármore, granito e calcário, numa diversidade pouco comum. O clima é claramente mediterrânico, quente e seco, com forte influência continental.

O Alentejo encontra-se dividido em oito sub-regiões, Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira, agrupadas em três grupos distintos. Portalegre é a sub-região mais original, com solos predominantemente graníticos, influenciada pela frescura da Serra de São Mamede. A paisagem oferece inúmeras parcelas de vinhas velhas, plantadas nas encostas íngremes da serra, beneficiando de um microclima único que confere frescura e complexidade.

Borba, Évora, Redondo e Reguengos personificam a identidade alentejana, terra de equilíbrio e harmonia, na proporção certa entre frescura e fruta, energia e suavidade. As sub-regiões de Granja-Amareleja, Moura e Vidigueira, no Sul da denominação, oferecem vinhos mais quentes e suaves, com terras pobres e secas, onde a vinha sofre com a dureza do clima e a pobreza dos solos.

Terminamos citando o grande poeta, dramaturgo, novelista, cientista, homem de estado e encenador, considerado a maior figura literária da cultura alemã, Johann Wolfgang von Goethe:
“O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes.”

O Syrah nomeado Planura pode muito bem conduzir por esse alegre caminho de probidade!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,99€

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QP., Marcolino Sebo, 100% Syrah, Alentejo, 2011

De regresso ao Alentejo, zona onde a nossa casta preferida brota em toda a sua pujança, para ir ao encontro da casa Marcolino Sebo, que produz um Syrah de classe, como se vai ler, o Quinta da Pinheira.

O grande enólogo francês Émile Peynaud, autor do clássico livro sobre a arte da degustação Le Goût du Vin, que já morreu neste século em que estamos, dizia “beber vinho não é um prazer solitário, mas comunicativo.”

O Syrah da Quinta da Pinheira pode muito bem fazer as honras de apresentação da casta Syrah, entre outros, naturalmente, na defesa da qualidade da casta em Portugal.

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A casa Marcolino Sebo é uma empresa familiar que está ligada à área da viticultura há mais de 30 anos, sendo a sua constituição oficial datada de 1975.

Ao longo deste tempo e espaço houve uma dedicação em pleno à viticultura, sendo as uvas entregues na Adega Cooperativa de Borba, mas com o crescente aumento da área de vinha e o sonho do proprietário da empresa – Marcolino Sebo – de produzir o seu próprio vinho surgiu o projecto de criar uma adega própria.

Foi no virar do século XX, no ano 2000, que Marcolino Sebo, contando com 130 hectares divididos por sete parcelas de vinha situadas entre Borba e Estremoz, caracterizadas pelos solos argilo-calcários e argilo-xistosos, começou a vinificação das suas uvas, tendo o engarrafamento e comercialização do seu vinho ocorrido no ano de 2001. A área encontra-se dividida por cinco parcelas, entre as quais: a Quinta da Pinheira, Monte da Vaqueira, Monte do Estevalinho, Herdade da Cerca e Herdade do Olival.

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E é precisamente na Quinta da Pinheira, como já se percebeu, que encontramos este nosso bem amado Syrah, sendo a partir daí que todas as acções são coordenadas. A freguesia é Arcos e o concelho é Estremoz. Esta quinta para além de Syrah tem também Verdelho.

As notas de prova dizem-nos que se trata dum vinho “de cor vermelha púrpura e aroma complexo de frutos pretos madutos, especiarias, cacau e baunilha. Após um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho francês, sobressai um vinho denso com forte estrutura e taninos suaves, com final de prova prolongado.” Tem uma graduação alcoólica de 15%.

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De referir ainda que o Syrah da Quinta da Pinheira é exportado para a China com o nome de   Infinitae Syrah, nome eloquente de que gostamos, mas ao contrário do que inicialmente chegamos a pensar, trata-se do mesmo Syrah numa outra garrafa e com outro rótulo.

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A adega Marcolino Sebo conta com um edifício moderno com traça Alentejana bem marcada, onde se utiliza a tecnologia moderna baseada em métodos tradicionais antigos, onde se produz o vinho. Em termos materiais tem cerca de 60 cubas das mais diversas capacidades, perfazendo uma capacidade total de 1.400.000 litros. Em termos humanos conta com uma vasta equipa de trabalho, desde o trabalho de campo até à comercialização do produto final, passando pela enologia com o apoio do enólogo: Engenheiro Jorge Santos. A cave da adega encontra-se semi-soterrada, o que lhe confere uma temperatura ambiente e humidade constantes durante todo o ano e proporcionando um ambiente ideal para o envelhecimento de vinhos.

Estamos pois conversados sobre o Syrah Quinta da Pinheira, que é pouco conhecido mas com uma grande garra e uma qualidade de se lhe tirar o chapéu, para nosso comunicativo prazer… é para isso que cá estamos!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 12,90€


 

Monte do João Martins, Miraldino Filipe Mendes & Cª, Lda, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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O Monte do João Martins situa-se no Norte Alentejano, freguesia de Carreiras, entre Portalegre e Castelo de Vide, e junto ao maciço da Serra de São Mamede, ponto mais alto de Portugal a sul do rio Tejo. E que bem que se anda por aqui.

Trata-se de uma zona privilegiada não só pela riqueza do seu vasto património natural, paisagístico, arquitectónico, cultural, com também religioso e gastronómico, o que a torna numa região de grande apetência turística.

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O Monte do João Martins, inserido numa região do nosso país culturalmente muito rica, como se referiu, guarda, entre os seus muros de pedra, segredos milenares. Escondidos entre o montado de sobreiros e formações rochosas, podemos observar desde logo alguns importantes vestígios megalíticos, como algumas mós neolíticas, onde se moíam os cereais para fazer farinha há milhares de anos. A par desse passado longínquo, falar do Monte do João Martins no presente, implica falar dos testemunhos da presença do homem nos nossos dias.

Temos a Silvicultura: depois do grande incêndio de 2003 na Serra de S. Mamede, que devastou toda a herdade foram plantados 80.000 sobreiros em sistema intensivo, o que em termos ecológicos e do meio ambiente é um investimento fundamental para a região.

Temos a Agro-Pecuária: com um efectivo de 600 ovelhas merinas do Norte Alentejano que pastoreiam em prados permanentes que cobrem toda a herdade, contribuindo uma vez mais para a melhoria do meio ambiente, e para a produção de carne de borrego.

E temos naturalmente a Vitivinicultura: com uma pequena área de vinha, 5,5 hectares, com castas tintas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Aragonez e brancas, Alvarinho, Arinto e Viognier, fazem-se na adega que foi construída no Monte, os melhores vinhos de quinta brancos e tintos que têm merecido algum reconhecimento dos consumidores, bem como das revistas da especialidade.

Porquê o nome de João Martins?

João Martins, lavrador, nascido por volta de 1481 e morador nos “Montes do Carreiro” (hoje Carreiras, no concelho de Portalegre), foi nomeado em 1511 pelo rei D. Manuel I “besteiro do monte”, competindo-lhe assim a segurança da população residente no seu meio rural. A herdade que terá recebido o seu nome reserva, entre os seus limites, dos vestígios humanos mais remotos dessa parte do Norte Alentejano, entre os quais se destacam mós neolíticas, uma anta e restos de povoamento da Alta Idade Média, nomeadamente os denominados chafurdões. Possui ainda vestígios de construções mais recentes talvez do século XV.

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E é neste monte do concelho de Portalegre que encontramos um Syrah de qualidade superior, em nosso entender, com uma produção limitada a 1200 garrafas, cabendo ao Blogue do Syrah a garrafa número 989. É um Syrah com uma graduação alcoólica de 14,5%, e as notas de prova dizem-nos que “é um vinho de aromas e frutos silvestres e especiarias. Na boca tem frutos pretos em harmonia com notas de baunilha e tostados. É equilibrado, perfil persistente e complexo.”  Estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. No Monte do João Martins o conceito de Reserva pretende seleccionar todos os anos a casta que melhor se evidenciou. A distinguida de 2011 é justamente a nossa casta Syrah!

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A Adega está planificada de forma concisa e muito funcional. Tem uma forte ligação entre os métodos tradicionais de vinificação na região com a tecnologia necessária às melhores práticas enológicas disponíveis. Sendo a matéria prima, uva, tratada com o máximo respeito, as vindimas são feitas pela manhã em caixas  de 12 a 15Kg transportadas para a adega que se encontra lado a lado com a vinha. As vinificações são feitas em lagares de inox com temperaturas controladas. A adega possui também uma zona destinada ao estágio do vinho em barricas e também em garrafas.

A especificidade do clima, os solos graníticos, definidores de um distinto terroir, e a altitude, propiciam uma maturação das uvas equilibrada, originando vinhos frescos, aromáticos e com taninos longos. Tendo em vista assegurar a homogeneidade e a elevada qualidade de todas as uvas destinadas à produção do vinho, a vinha é monitorizada e gerida com extremo cuidado.

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A Região vitivinícola da “Rota de S. Mamede” coincide em parte com a área abrangida pelo Parque Natural da Serra de S. Mamede. É uma região de alguma altitude, sendo que possui um microclima específico. O coberto vegetal é factor de diferenciação para com as outras zonas do Alentejo. A vinha em solos na sua maioria de origem granítica, proporcionam vinhos com características bem definidas, diferenciados dos provenientes das outras regiões alentejanas. Aqui, predominam os vinhos tintos, carregados de cor, com intensidade aromática, na boca frescos com taninos longos do qual este Syrah é modelo!

“Um bom vinho é poesia engarrafada” dizia o escritor escocês Robert Louis Stevenson, e o presente Syrah é um bom exemplo disso mesmo, que se prova e degusta como se de um poema se tratasse, métrica e rimas perfeitamente conjugadas!

Classificação: 18/20                                                     Preço: 17,00€

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Monte da Cal, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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No Alentejo estamos para mais uma vez apresentarmos um Syrah de qualidade, e que não deixa os seus pergaminhos por mãos alheias. Trata-se, como já perceberam, do Syrah de Monte da Cal. “O Monte da Cal Syrah tem aromas a frutos maduros a amora e cereja preta. Na boca tem corpo e taninos bem integrados. O final é longo.” A graduação alcoólica é de 13,5%.

Segundo o produtor “acompanha bem peixes assados no forno, carnes vermelhas grelhadas ou estufadas, caça não muito condimentada e queijos bem estruturados.”

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A Herdade de Monte da Cal, propriedade localizada no concelho de Fronteira, Norte do Alentejo, dispõe actualmente de uma área de 100 hectares de vinha, plantada com as castas tintas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Touriga Nacional  e naturalmente Syrah e as brancas Antão Vaz, Viognier, Arinto e Chardonnay. Paralelamente, a empresa, integrada no grupo português Global Wines, compra uvas a diversos viticultores na região. A moderna adega foi inaugurada em 2008, bem como as instalações de enoturismo, um elemento fundamental para reforçar a visibilidade dos vinhos. O projecto visa produzir quantidades importantes de vinhos de qualidade, com preços competitivos, para além de alguns topo de gama, direccionados a nichos de mercado.

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Falando um pouco mais da história desta herdade, em 2003 a Dão Sul avançou com a produção de vinho na Herdade Monte da Cal, em S. Saturnino, concelho de Fronteira. Mas a aposta da Herdade Monte da Cal na região não passa apenas pela produção de vinhos. Em 2007, iniciou-se a construção de uma nova adega, desenhada não só para a produção de vinhos de qualidade mas também para disponibilizar todas as condições para a realização dos mais variados eventos associados ao enoturismo, desde visitas à adega, vinhas, provas e cursos, entre outros. A arquitectura e a decoração deste novo espaço estão profundamente marcadas por influências árabes, relembrando um dos povos mais influentes na cultura portuguesa, particularmente no Sul do País, e traduzindo-se numa envolvente fresca e acolhedora.

Fundada em 1990, a Global Wines alia a confiança no potencial dos vinhos portugueses à aposta no enoturismo. O Dão foi o berço dos primeiros sucessos, lançando as bases deste projecto ambicioso.

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Hoje o espírito empreendedor e a experiência acumulada da Global Wines presidem a um universo de regiões tão distintas como a Bairrada, Douro, Lisboa, Dão, Vinho Verde e Alentejo. E estende-se além fronteiras, no Brasil. O sucesso da Global Wines assenta na reconversão de vinhas e no cuidado processo de vinificação em adegas concebidas de raiz.

O terroir do Norte Alentejano permite fazer vinhos mais frutados, concentrados e com uma acidez mais elevada. A vinha foi preparada para vindima mecânica adega foi dimensionada acima da produção actual, já a pensar na expansão de vinha futuramente.

Rodeada pela tranquila paisagem norte alentejana, a estrutura insere-se perfeitamente dentro do imaginário de um local calmo e de tradição, onde cada dia se passa sem pressas e com tempo para desfrutar o que de melhor a vida tem.

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E para acabar a citação que se impõe, com a nossa devida alteração, por quem sabe o que diz, de Fernando Cortês:

“O Syrah é um produto aliciante e, quando falamos dele, ficará sempre algo por dizer.”

Por aqui nos ficamos então, que o que ficou por dizer será lido numa taça de ambrosíaco Monte da Cal!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 9,90€

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Monte da Ravasqueira, 97% Syrah, 3% Viognier, Alentejo, 2012

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Em Arraiolos, Alentejo, flanando pela planície cor de ouro, matizada de verde, sobreiros e rebanhos, vamos encontrar hoje um Syrah elegante e profundo, mas sem a complexidade que tanto apreciamos, especialmente nesta região, devido certamente à inclusão de 3% de Viognier, tão do agrado dos franceses do Vale do Rhône. Para nós, Blogue do Syrah, sempre que se nos depara algo diferente do 100%, a palavra a usar é infelizmente, mas claro que aceitamos a opção do enólogo, com a devida ressalva.

Trata-se da primeira safra deste Syrah que assim veio enriquecer a marca Monte da Ravasqueira. Foi a  vindima de 2012 que deu origem ao primeiro vinho destas duas castas produzido no Monte da Ravasqueira.

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97% Syrah, 3% Viognier, é o rácio, logo é um Syrah legal, que acontece sempre que há na sua composição pelo menos 85% da casta maioritária. As uvas de Viognier foram vindimadas tardiamente e congeladas à espera da vindima de Syrah. Foram deixados apenas dois cachos por cepa de forma que as uvas de Viognier ganhassem concentração aromática. O Syrah é originário da parcela Vinha das Romãs, mas de zonas distintas, e seleccionadas para o perfil deste vinho.

As notas de prova dizem-nos que possui ”Cor negra e densa. Nariz com mescla de pimentas, frutos vermelhos maduros, alcatrão e leve pêssego e damasco. Mineral, cheio de volume, taninos em constante equilíbrio com a acidez viva e vibrante. Complexo com notas de moca, café e bolacha. Taninos finos constantes com prolongamento mineral e mentolado.” O teor alcoólico é de 13,5%.

Ligado há várias gerações à família José de Mello, o Monte da Ravasqueira está localizado no concelho de Arraiolos, a uma hora e pouco de distância de Lisboa, ocupando uma vasta área de paisagem tipicamente alentejana, cuja gestão e exploração é assegurada pela Sociedade Agrícola D. Diniz, SA.

Dotado de excelentes condições geológicas e climáticas para a produção de vinho, o Monte da Ravasqueira foi objecto de um forte investimento na plantação de vinha, bem como em equipamentos enológicos e instalações meteorológicas e fitossanitárias.

Os investimentos realizados compreendem igualmente um conjunto de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento de um projecto de enoturismo.

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Assumindo o compromisso de produzir vinhos de qualidade distintiva, o Monte da Ravasqueira desenvolve também um conjunto de outras actividades ligadas à cortiça, azeite, mel, criação de gado bovino e engorda de porco preto alentejano.

Herdade da Ravasqueira, vinho, herdade dos Mello

O Monte da Ravasqueira oferece uma grande diversidade de vinhos resultante de 29 talhões de vinhas. Dispõe, no âmbito do seu projecto de Enoturismo, de uma importante colecção particular de arreios e atrelagens de diferentes épocas e estilos da coudelaria que existiu, durante largos anos, no Monte da Ravasqueira.

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Inspirada em Napa Valley, na Califórnia, a adega do Monte da Ravasqueira está dotada da mais avançada tecnologia. É totalmente gerida através de um programa informático desenvolvido por especialistas locais. Dispõe também de sala de reuniões e sala de provas.

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A herdade dispõe de uma área total de vinha de 45 hectares, a maioria dos quais plantados em solos argilo-calcários com afloramentos graníticos. Este tipo de solos tem médio poder de retenção de água em profundidade, sendo extremamente necessário, mesmo nos meses de maturação, efectuar rega gota-a-gota de forma a garantir um adequado fornecimento de água e sais minerais, o que constitui um factor essencial e crítico para a qualidade das uvas do Monte da Ravasqueira. Faz parte da Rota dos Vinhos do Alentejo.

Herdade da Ravasqueira, vinho, herdade dos Mello

Com uma produção anual de cerca de 1.000.000 garrafas, o Monte da Ravasqueira realizou a sua primeira vindima em 2001, comercializando actualmente no mercado nacional e de exportação as marcas Prova, Calantica, Fonte da Serrana e Monte da Ravasqueira.

Exporta para vários países da Europa e do mundo como por exemplo Alemanha, Bélgica, Irlanda, Pólónia e Reino Unido. Fora da Europa exporta para Cabo Verde e Angola. Estados Unidos, Canadá e Brasil são outros países para onde o Monte da Ravasqueira exporta. Também para vários destinos na Ásia.

Vem aqui a propósito referir a excelente presença na Internet por parte da herdade, com um site pleno de informação actualizada, imagens com boa resolução, fáceis de descarregar, como se pode ver, facilitando desta forma muito o trabalho cá dos escribas, que se interessam não só pelo Syrah em si, como por toda a história, cultura e técnica por detrás de cada garrafa. Um exemplo a seguir por outros produtores.

Pedro Pereira Gonçalves, Enólgo, Monte da Ravasqueira, vinho

Foi pois assim que soubemos que as vinhas, com uma média de idade de dez anos, são conduzidas em cordão bilateral com o objectivo de optimizar a exposição solar, a maturação e a qualidade das uvas. Uma das particularidades dos vinhos brancos do Monte da Ravasqueira é o facto de serem todos vindimados à mão para caixas de 20 kg, permitindo vindimar um mesmo talhão duas vezes, apanhando uvas mais frescas em termos de acidez mais cedo e uvas mais maturadas com outro perfil aromático, uns dias mais tarde. Este procedimento permite a obtenção de diferentes lotes na adega. Toda a vinha está plantada em encostas com declive variável, o que proporciona uma variabilidade de equilíbrios e que permite, todos os anos, seleccionar as melhores zonas para cada vinho que se pretende produzir.

Uma vez Beethoven disse:
“Depois de um árduo dia de trabalho, uma taça de Syrah é um conforto.”
Não disse exactamente assim, mas podia ter dito.
O Syrah do Monte da Ravasqueira pode ser perfeitamente uma boa opção quer para o sexo masculino como feminino. Como tínhamos que o dizer, dissemos.

E assim nos vamos por hoje, acompanhados de uma reconfortante taça de Ravasqueira formato Syrah, ainda que não integral!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 12,50€

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Pontual, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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De novo no Alentejo, para apresentar um Syrah de Alandroal, cujas notas de prova nos dizem desde logo que “apresenta uma cor intensa com reflexos violáceos. Os seus aromas estão bem definidos, frutos do bosque e nuances de especiarias, pimenta preta. Na boca revela-se um vinho muito equilibrado e denso, com uma acidez e taninos bem moldados.” A  graduação alcoólica é de 14%. O estágio é feito em barricas de carvalho Francês e Americano. Paolo Fiuza Nigra e Dinis Gonçalves são os enólogos de serviço.
Desde 2005  até esta de que aqui falamos, 2013, várias safras viram a luz do dia.

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A PLC – Companhia de Vinhos do Alandroal, Lda, foi constituída em 2000 por Paolo Fiuza Nigra, Luís Bulhão Martins e Carlos Portas. As iniciais de cada um deles deram então nome ao projecto: PLC.

Na planície ondulante do Alentejo, entre o Alandroal e Portalegre, a equipa gere com mestria 100 hectares de vinha. Plantada em solos xistosos onde as castas indígenas, e outras, potenciam a produção de vinhos de elevada qualidade, em terrenos e clima vocacionadas para a matéria prima que aqui nos traz, onde as vinhas crescem e as castas plantadas foram cuidadosamente escolhidas, com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas e vinhos.

A PLC engarrafou o seu primeiro vinho em 2001, Pontual, Touriga Nacional/Trincadeira Preta. Nos anos seguintes a PLC lança ainda o nosso Pontual Syrah, Pontual Reserva, Branco, Colheita e a nova gama Desigual, branco e tinto. A empresa trabalha com várias castas. Nas Brancas: Antão Vaz,  Arinto, Roupeiro, Verdelho, Perrum. Nas Tintas: Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouchet e Cabernet Sauvignon.

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A produção de vinhos de qualidade começa na vinha e seus cuidados, através de uma selecção criteriosa das uvas, tendo em conta o seu estado sanitário e fase de maturação. Durante a vindima e depois na adega, a uva é processada com todos os cuidados necessários para preservar toda a sua qualidade e potencial.

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A vinificação dos brancos é feita em cubas de inox,  com desengace total, prensagem a baixas pressões e poucas quantidades, decantação entre 7 a 10° C. A fermentação é controlada a baixas temperaturas, entre os 13° C e os  15° C até esta acabar.
Nos tintos a vinificação é feita em lagares de inox, o desengace é total e a maceração pré-fermentativa durante 1 a 2 dias. A fermentação alcoólica dá-se em temperatura controlada a  25° C. O estágio do vinho é feito em barricas de carvalho americano ou francês consoante a casta e vinho.

A nossa citação de hoje vai para a moderação que deve estar sempre presente quando se fala de álcool. Daí a citação de hoje não ser dum artista mas sim de um médico, Weissebach:
“O Vinho é para o homem, que dele faça uso moderado, um estimulante do apetite, um excelente auxiliar do seu estômago no trabalho de digestão, um gerador de bem-estar, um generoso dador de alegria.”

Quem diria melhor?

O Syrah Pontual é mais um elemento a exaltar a qualidade dos Syrah alentejanos. Vale a pena que se beba ciclicamente, partindo em demanda das edições anteriores,  até para avaliarmos a sua evolução de safra para safra.
Que aprazível maneira de ocupar a vida!

Classificação: 16/20                                                     Preço: 7,70€

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