Category Archives: Alentejo

A região dos grandes Syrah portugueses…

Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo, 2009

brett_garrafa_2

Na zona de Sousel, Alentejo, aparece-nos, da planície a perder de vista, um Syrah de uma qualidade acima da média, sobre o qual olhar e paladar se alongam… e com um nome enigmaticamente inglês!
Fomos à procura de respostas.

brett_casas

Em primeiro lugar a explicação para este nome. O “Brett” do nosso título, nome curto para designar a levedura «Brettanomyces/Dekkera», tem a capacidade de produzir determinado tipo de aromas, que se tentam descrever falando em suor de cavalo, cabedal e outros. Defeito ou virtude é parte da composição do aroma dos grandes clássicos de sempre e é, por muitos, apelidado como a “complexidade do velho mundo”. No entanto, é por outro lado, também, considerado por muitos um escandaloso defeito. Esta edição do Brett é um desses casos em que a natureza decidiu tomar liderança na enologia, estagiando parte do vinho nas barricas da edição anterior. E é aqui que reside a explicação: um Syrah ‘infectado’, de modo natural, pela levedura Brettanomyces. O resultado é um néctar multidimensional, produzindo o “Brett” níveis de complexidade aromática, que só seriam possíveis com vários anos de garrafa, mas mantendo ainda toda a fruta.

brett_videiras

O mestre deste resultado é António Maçanita, enólogo sobejamente conhecido no mundo vitivinícola português. O Brett Syrah tem as seguintes notas de prova: “Cor ruby- violeta, concentrado. Nariz exuberante, caixa de cigarro, couro, especiarias e groselhas pretas. Ataque redondo, suave e rico. Boa frescura e persistência no final de prova.” Tem um teor alcoólico de 14,5%, com 16 meses de estágio em barricas de carvalho francês.

A qualidade começa nos solos xistosos e na vinha, cuidada e respeitada durante todo o ano. As castas foram plantadas em duas fase. A primeira fase Touriga Nacional (42%) e Syrah (18%) e numa segunda fase , cerca de 4 anos depois as restantes: Cabernet Sauvignon (24%) e Petit Verdot (16%); e as castas brancas – Antão Vaz (22%), Chardonay (8%), Viognier (30%), Verdelho (15%) e Riesling (15%).

Todas as uvas são vindimadas à mão, seleccionadas em mesa de escolha à entrada na adega, e a vinificação decorre a temperatura controlada. Em regra, os tintos fazem curtimenta de 20 a 30 dias e estagiam, no mínimo, 9 meses em barricas de madeiras seleccionadas para a obtenção do perfil pretendido para os vinhos.

Com um perfil diferenciado em relação à grande maioria dos vinhos da região, numa aliança entre a tradição das castas alentejanas e traços de uma enologia moderna e jovem, os vinhos do Arrepiado marcam a diferença pelo seu carácter arrojado, mas de qualidade superior.

brett_herdade

E agora um pouco de história sobre a Herdade do Arrepiado Velho. Sousel, a cerca de 40 km de Portalegre, no Alto Alentejo, viu nascer um espaço havia muito abandonado. O monte alentejano do séc. XIX foi construído de acordo com a arquitectura tradicional da região, magnificamente conservado, pleno de espaços de rara beleza. Com uma área total de cerca de 100 hectares, a barragem destaca-se entre vinhas e olival, num misto de cores e tranquilidade, como só o Alentejo consegue oferecer. O conjunto destas características faz com que a Herdade do Arrepiado Velho se integre na Rota de São Mamede – um dos três caminhos da rota dos vinhos do Alentejo.

brett_vinhas

Decorria o ano de 2002 quando os 33 hectares de vinha foram plantados de raiz, num terroir que combina, de forma rara, solos xistosos de acentuados declives com temperaturas amenas e abundância de água, características naturais indicadoras de grande potencial. David Both (viticultor) e António Maçanita (enólogo) juntaram os seus conhecimentos, inovação e dedicação, seleccionando, com elevado critério, as castas a plantar, e criaram a já apelidada “Vinha dos 100 pontos”. A partir de 2012, a vinha passa a ficar a cargo de Nuno Ramalho, viticultor actual. Apesar de já haver o projecto para uma adega nova, a já existente está equipada com a mais avançada tecnologia disponível e devidamente dimensionada para a actual produção de vinhos únicos e sedutores, que nascem a partir de enologia moderna combinada, de forma sublime, com a tradição.

brett_adega

E vamos pois entrar no enlevo deste Syrah, misturando nos eflúvios degustativos as palavras de Byron, um dos nossos poetas de eleição, que dizia:
“O Syrah consola os tristes, rejuvenesce os velhos, inspira os jovens, alivia os deprimidos do peso das suas preocupações.”

É por aí que vamos!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 18,50€

brett_ft_1 brett_ft_2


 

Herdade São Miguel, Casa Agrícola Alexandre Relvas, 100% Syrah, Alentejo, 2010

Clipboard01

A Herdade de São Miguel foi adquirida por Alexandre Relvas em 1997, e está situada no concelho de Redondo, possuindo cerca de 175 hectares de área total, dos quais 35 são de vinha plantada em solos franco-argilosos, derivados de xisto. Existem ainda 97 hectares de sobreiros, plantados entre 1998 e 1999. No restante espaço o pessoal da Herdade dedica-se à criação e preservação de espécies autóctones portuguesas em vias de extinção, tais como o ‘Burro de Mirandela‘ e o ‘Garrano do Gerês‘, em tempos grandes auxiliares agrícolas, e que hoje estão em vias de extinção devido à mecanização da agricultura.

miguel_vinha

Tendo um terço da área e apenas um décimo dos habitantes de Portugal, o Alentejo caracteriza-se pelo seu clima ensolarado, pela sua beleza natural única e pela genuinidade dos que lá habitam. É neste território de  vastidões que este Syrah viu a luz do dia.

A sub-região de Redondo está situada no centro Alentejano, dentro dos limites do Distrito de Évora, aos pés da Serra d’Ossa. Esta vila deve a D. Afonso II o seu primeiro foral, concedido no ano de 1250. Não foi esquecida por D. Dinis que aí mandou edificar um Castelo em 1319, do qual restam hoje apenas duas portas, duas torres e alguns excertos de muralha.

Numa região, por excelência de produção de vinho, especialmente tinto, a Vila de Redondo é ainda famosa pela sua olaria tradicional, pelo seu azeite e pela produção de ovinos. A zona caracteriza-se por uma clima quente e seco no Verão e rigoroso no Inverno. A pluviosidade média anual á de 540 mm.

A Casa Agrícola Alexandre Relvas também possui a Herdade da Pimenta que foi adquirida em 2011.Tem 170 hectares. A vinha ocupa 65hectares de terra, 10 dos quais em campo experimental. Os solos são maioritariamente Argilo – Arenosos de Origem Granítica com afloramentos de Granito. O restante espaço é utilizado para a criação de ovelhas Merino Branco e Cavalos de Desporto.

Dado o crescimento e busca de complexidade e genuinidade dos vinhos, a Casa Agrícola Alexandre Relvas tem vindo ao longo dos anos a estabelecer acordos de fornecimento com viticultores alentejanos, tendo neste momento vários pólos de produção, todos eles no norte alentejano, privilegiando solos esqueléticos de preferência xistosos e graníticos.

miguel_adega

A Herdade São Miguel foi projectada e construída em 2003 num estilo minimalista, esta adega está situada no centro das vinhas da Herdade. Foi pensada para transformar 500.000 quilos de uvas anualmente. Nesta adega todo o trabalho é feito artesanalmente de forma a preservar ao máximo a genuinidade da uva.

A adega da Herdade da Pimenta foi construída em 2009, e foi pensada para a produção de vinho em larga escala respeitando ao máximo a qualidade da matéria prima. A arquitectura da adega foi decidida de forma a integrar da melhor forma o edifício na paisagem. Toda a adega é revestida a cortiça o que favorece o isolamento térmico, estando equipada com tecnologia de ponta. Neste momento está preparada para a transformação de 2,5 Milhões de quilos de uvas por ano.

A Casa Agrícola Alexandre Relvas é um dos grandes produtores de vinhos do Alentejo. Gere 350 hectares de vinhas e produz três milhões de garrafas de vinho e exporta para mais de 30 países.

O Syrah da Herdade São Miguel foi sujeito a vindima mecânica durante a noite, seguida de desengaço total.  A maceração pré-fermentativa a frio decorreu durante 48h. A fermentação propriamente dita deu-se a temperatura controlada (22-28ºC) em cubas de inox. Segui-se a maceração pós-fermentativa durante 5 a 10 dias. Por fim veio a fermentação malolática em cuba inox com aduelas de carvalho francês. Teve um estágio de 6 meses em barricas igualmente de carvalho francês.
Syrah tem assim uma graduação alcoólica de 14%. As notas de prova apontam para uma “cor rubi com reflexos violetas. O aroma é complexo a frutos vermelhos e casca de laranja com notas de tostado. O paladar é redondo, rico e volumoso. Acidez equilibrada e taninos fino. Final longo e complexo.” Que nós confirmamos, de olhos largamente fechados, para lhe retirar os eflúvios em pleno deleite sensitivo.

Dito isto, só falta mesmo acabar em beleza com uma citação que se aplica muito bem ao nosso Syrah de São Miguel. Dizia o escritor Clifton Fadiman que “Uma garrafa de vinho pede para ser compartilhada;  jamais encontrei um apreciador de vinhos avarento. “

Classificação: 16/20                                                     Preço: 10,50€

miguel_ft


 

Santa Vitória, Casa de Santa Vitória, 100% Syrah, Alentejo, 2012

garrafa_vitoria

Bebo o vinho do teu corpo
Devagar como se a boca
Fosse uma flor onde o tempo
Desenha um mapa da vida

Corre o vinho do teu corpo
Nos lençóis da madrugada
E há carícias debruçadas
À janela do silêncio

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede

E provo o vinho do teu corpo
Gota a gota e beijo a beijo
Como quem recolhe o sonho
De entre os dedos de um sorriso

Corre o vinho do teu corpo
Nos regatos do luar
Que hão-de vir desaguar
Mansamente nos meus braços

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo
Devagar e quase a medo
Na surpresa dos segredos
Copos cheios de prazer

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede

Gota a gota beijo a beijo

Pablo Neruda, e a sua poesia, é um dos nossos companheiros de andanças aqui no Blogue do Syrah.
Syrah rima com poesia!
Bebo o vinho do teu corpo, Santa Vitória… poderia ser este o mote para falarmos sobre mais um syrah alentejano, de qualidade acima da média.

Os Syrah por estas bandas são densos, corpulentos, de cor carregada e duradouros, plenos de poesia, poderíamos acrescentar. Um clima quente e seco é indispensável ao florescimento e frutificação desta uva tinta. Ao contrário de outras castas, há nela uma estreita relação entre a sua poda severa e a eventual qualidade do vinho.

O Santa Vitória Syrah é de safra única, com uma tiragem de 3300 garrafas, e tem  graduação alcoólica de 15%. Estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado sem filtração. As notas de prova apontam “aromas frutados, notas de ameixas pretas, cassis, chocolate preto e especiarias.”

casa_vitoria

Os vinhos da Casa Santa Vitoria são produzidos a partir de 3 vinhas: Encosta, Albernôa e Juliana. Situam-se na Herdade da Malhada, em Santa Vitória, no concelho de Beja. No encepamento as castas tintas são: Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet e Baga. As castas brancas são: Verdejo, Sauvignon Blanc, Viozinho, Antão Vaz, Arinto e Chardonnay.

As vinhas giram à volta da adega, permitindo que as uvas aí cheguem rapidamente sem sofrer alterações durante o percurso, sendo processadas logo após a sua chegada. A plantação da vinha teve início no ano 2000. Com o objectivo de potenciar a qualidade das uvas, sempre que necessário são feitas mondas de cachos, operação que na práctica significa retirarem-se cachos da videira para melhorar a qualidade dos cachos que ficam.

vinha_vitoria

Numa área total de vinha de cerca de 127 hectares, as castas tintas compreendem cerca de 105 hectares e as brancas 22 hectares. Foram escolhidas as mais nobres castas nacionais e estrangeiras, que melhor se adaptam ao “terroir“. O estágio em barricas de carvalho de elevada qualidade, promove a passagem de alguns componentes da madeira (taninos e compostos aromáticos) para o vinho, conferindo-lhe complexidade e elegância.

Combinando características únicas e claramente diferenciadas dos restantes parceiros neste sector, a Casa de Santa Vitória oferece grandes vinhos e uma cuidada oferta de gastronomia regional.
Aprecie-se a sua apresentação em vídeo.

A vinha foi plantada nos solos mais pobres, com declives suaves e uma exposição dominante a Sul. O clima é caracterizado por Primaveras temperadas e Verões quentes mas com noites frias. Estas amplitudes térmicas diárias permitem atingir um ponto óptimo de maturação mantendo, no entanto, a elegância na justa medida.

Os valores relativos à insolação são muito elevados, aproximadamente 3000 horas/ano, particularmente no trimestre que antecede as vindimas, contribuindo para a perfeita maturação das uvas e qualidade dos vinhos. São de facto condições marcadamente favoráveis à síntese e acumulação dos açúcares e à concentração de matérias corantes na película dos bagos, originando vinhos macios, com muito corpo e cor.

Os melhores vinhos estagiam em barricas de carvalho francês numa cave com controlo de humidade e temperatura, possibilitando uma maturação adequada. Na Adega é onde tudo acontece: a vinificação, o controlo de qualidade, o estágio, o engarrafamento e o armazenamento.

adega_vitoria

A Casa de Santa Vitória é uma empresa, propriedade do Grupo Vila Galé, focada na produção e comercialização de vinhos e azeites alentejanos de qualidade superior. Fundada em 2002, e fruto de uma paixão pelos produtos ligados à terra, esta empresa representa um investimento que pretende proporcionar um contacto directo com o que de melhor se produz no Alentejo.

Acabamos como começámos, acariciando os sentidos sorvendo este Santa Vitória gota a gota, como se fossem beijos…

Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Gota a gota beijo a beijo!

Classificação: 18/20                                                     Preço: 18,00€

ft_vitoria


 

Vila Santa, João Portugal Ramos, 100% Syrah, Alentejo, 2013

garrafa_vila_santa

No Alentejo, mais precisamente em Estremoz, de novo, para conhecermos um Syrah de superior qualidade, e que nos vai ficar na vinícola memória: o Vila Santa Syrah, do enólogo João Portugal Ramos.

Em pleno coração do Alto Alentejo, os solos derivados de xisto e argilo-calcários, bem como o clima de influência continental, permitem obter reduzidas oscilações qualitativas e vindimas sem chuva, condições ideais para uma cultura vitivinícola de excepção.

Foi este o local eleito por João Portugal Ramos para fazer os seus próprios vinhos, após a longa carreira como enólogo de sucesso, consultor de algumas das principais regiões vitivinícolas de Portugal.

logo_vila_santa

Foi em Estremoz que João Portugal Ramos criou a sua empresa e fez o seu primeiro Syrah, que vai na sua quarta edição, a melhor de todas, afiançamos nós! A primeira safra foi em 2008. A segunda em 2009. A terceira em 2011 e a quarta em 2013, esta que está hoje aqui em escrutínio.

É desta maneira que o enólogo apresenta a nossa menina: “Casta tinta de qualidade, apresenta cachos e bagos pequenos, uniformes e com bons taninos, que dá origem a vinhos densos, encorpados, de cor carregada, com boa capacidade de envelhecimento, potenciando o desenvolvimento do aroma.” E o que nos é dito sobre as notas de prova? Pois o seguinte: “Uma grande concentração aromática destacando-se notas minerais, especiarias e ainda algumas sugestões a chocolate amargo e fruta madura. É um tinto potente, elegante e macio, com taninos compactos e grande persistência final.” Tem uma graduação alcoólica de 14%. O estágio foi de  6 meses em pipas novas de carvalho americano e francês.

nome_vila_santa

Depois de um longo percurso por todas as principais zonas vitivinícolas do país, em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros hectares de vinha em Estremoz, onde reside, dando início ao seu projecto pessoal. Foi este o local eleito por João Portugal Ramos para fazer os seus próprios vinhos. A primeira vindima realizou-se em 1992, sendo 1997 o primeiro ano em que foi vinificada nas novas instalações. Dado o sucesso do projecto, foram sucessivamente ampliadas.

Para os tintos foram escolhidas as castas Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Castelão, Alicante Bouschet e, ainda, Cabernet Sauvignon, Syrah, Petit Verdot e Merlot, embora em menores quantidades.

vila_santa_adega

Os brancos, nascem das castas Antão Vaz, Arinto, Roupeiro, Verdelho, Sauvignon Blanc, Alvarinho e ainda Viognier.

João Portugal Ramos elabora a sua arte a partir de uvas provenientes de 600 hectares de vinhas, entre próprias e arrendadas, sendo os técnicos de viticultura responsáveis por toda a sua orientação programática: escolha das parcelas, selecção das castas, acompanhamento das vinhas e marcação da data da vindima. As parcelas de vinhas estendem-se de sul a norte do Alentejo, com altitudes compreendidas entre as cotas 150 e os 400 metros, sendo a grande maioria ao redor de Estremoz. Os tipos de solos dominantes são predominantemente de origem xistosa, pardos mediterrânicos, argilocalcários e uma pequena área de argilosos.

E como já é habitual temos uma citação de alguém do mundo da cultura que nos deixa um pensamento ou uma breve reflexão que tem a ver com Syrah. Hoje estamos para citar a escritora de ‘Bonjour Tristesse’, Françoise Sagan: “Devemos celebrar o fim de um caso de amor da mesma maneira que celebramos a morte em New Orleans, com música, riso, dança e muito Syrah.” Se por lá houver, dizemos nós, que haverá, muito e igualmente bom, embora o nosso seja melhor, assim o achamos.

Esse Syrah poderia muito bem ser o Vila Santa, mesmo sem a morte à espreita ou amores à beira do fim!

 

Classificação: 17/20                                                     Preço: 9,90€

ft_vila_santa


 

Solar dos Lobos, Silveira e Outro, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2011

garrafa_solar_lobos

Continuamos hoje pelo Alentejo, com a garantia de estarmos bem acompanhados, como é costume!

Estamos entre Redondo e Arraiolos, para conhecer o syrah do Solar dos Lobos, safra de 2011. Syrah de qualidade e para ter sempre presente em todas as ocasiões. Tem 14% de graduação alcoólica e é 100% syrah, como deve de ser. A enóloga é Susana Esteban, sim, que as mulheres também sabem fazer bons syrah, como aqui se vai provar e comprovar!

enologa_esteban

O syrah é apresentado da seguinte maneira: “Vinho de corpo inteiro, com personalidade vincada e dentro da linha dos varietais de Solar dos Lobos. Este varietal Syrah de cor viva com notas azuis profundas, é de aroma muito intenso a fruta e chocolates negros que não tapam as notas de madeira de carvalho francês bem presentes. Dentro da harmonia do sabor denota-se volume, consistência e final de gosto profundo. É um vinho que traduz um equilíbrio perfeito na relação dos taninos com o álcool (índice de “souplesse”). O apogeu acontece aos 2 a 5 anos. Quando consumido a 18º deve maridar com iguarias de confecção prolongada mas com condimentação acentuada.”

lobos

O vinho Solar dos Lobos é resultado de uma tripla selecção de cachos e apenas provêm dos 75 hectares de vinha. A primeira selecção inicia-se perto do pintor em que se faz uma monda de cachos, seleccionando apenas os cachos que irão permitir o máximo de qualidade.

A segunda selecção acontece na vindima, em que as pessoas que vindimam estão sensibilizadas a apenas apanhar os cachos que se apresentem com um estado sanitário perfeito.

A terceira selecção é feita na entrada da uva na adega, pois esta é descarregada das caixas de 20Kg para o tapete de escolha onde se encontram 2 a 4 pessoas a retirar todas as folhas, ramos, e cachos que não possuam qualidade, por estarem verdes ou em passa.

vinha_lobos

A Herdade Vale D’Anta (25ha) fundada pelos Avós Julieta Pereira Gancho e João Rafael Coelho Gancho, situa-se junto à harmoniosa e inspiradora Serra D’Ossa (Redondo), onde o seu microclima mais fresco é tão característico. Produz essencialmente castas tintas como a rainha Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonez, Castelão, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet.

A vinha de Arraiolos (50ha), zona quente e reconhecida pelo seu potencial em fazer grandes vinhos, produz além das castas tintas, algumas castas brancas como o Arinto, Sauvignon Blanc, Antão Vaz e Chardonnay.

adega_2_lobos

Eis pois a história de uma família alentejana, com os seus antepassados ligados às terras de Alvito (Beja), tem os seus segredos e tradições encerrados no seu Brasão de Armas dos Lobo da Silveira, com origem no 1º Barão e Marquês de Alvito no séc. XV, primeiro título de barão concedido em Portugal por D. Afonso V. Cinco lobos tem este Brasão de Armas, e cinco são hoje curiosamente os seus descendentes. Cinco jovens primos que se comprometeram a levar a mensagem das suas raízes aos quatro cantos do mundo, hoje guiada pelas mãos dos irmãos Filipa e Miguel Lobo da Silveira.

E uma referência ainda à garrafa, de design muito original, como aliás são todas as que a casa produz, com um cartoon exibindo o dilema da escolha entre duas paixões… a mulher ou o syrah… Mas porquê escolher? Porque não ficar com os dois!

Então que depois de escolhido este feminino Solar dos Lobos, fica-nos para declamar a nossa alma vinícola Florbela Espanca (de seu nome de baptismo precisamente Flor Bela Lobo) e o seu soneto Errante:

Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.

Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura…

Meu coração não chega lá decerto…
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto…

Eu tecerei uns sonhos irreais…
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!

Para concluir, e somente como mera curiosidade, há quatro syrah portugueses onde o nome “Lobo” está presente. O Solar dos Lobos aqui apresentado, o Pulo do Lobo também do Alentejo a apresentar brevemente, o Vale de Lobos, do Tejo, já por nós apresentado, e finalmente o Lobo Novo de Setúbal.

Tudo lobos distintos, mas este de hoje foi o que nos obteve melhor pontuação!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 11,00€

ft_solar_lobos


 

Herdade da Figueirinha, Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2006

garrafa_figueirinha

“O Syrah dá coragem e torna os homens mais aptos à paixão.” Ovídio, um dos grandes poetas romanos do período imperial, chama-nos a atenção para esta relação entre sentimentos, sempre presente, quando se trata desta bebida corajosa e apaixonada. E assim apresentamos um syrah alentejano que obedece a esta relação. Um vinho corajoso e apaixonante, da Herdade da Figueirinha, perto de Beja.

O Syrah da Herdade da Figueirinha de 2006 é um vinho Regional Alentejano monovarietal, de uvas provenientes da Herdade da Figueirinha.

quinta_figueirinha

Apresenta cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos, madeira bem integrada, taninos redondos e acidez equilibrada. Notas de prova falam-nos de um “aroma intenso, nota de queimado/aborrachado, algum anis mentolado, fruto doce, taninos redondos, tom morno e sobremaduro, final com nota capitosa.” Possui graduação alcoólica de 14,5%.

No Alentejo há notícias da cultura da vinha e da produção de vinho desde épocas pré-romanas. A Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Lda., mantém hoje viva a tradição milenar de uma região internacionalmente reconhecida, como já aqui demos notícia, pelos seus vinhos de qualidade e carácter distinto.

A empresa dispõe no total, de cerca de 70 hectares de vinhas próprias. Na Herdade do Monte Novo e Figueirinha, foram plantados 40 hectares de vinha, exclusivamente de uva tinta, com castas de excelente qualidade, com destaque para Trincadeira, Aragonêz, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Boushet.

vinha_figueirinha

Dispõe ainda de 30 hectares de vinha, principalmente de uva branca, na Herdade das Fontes, situada na região da Vidigueira, onde se destaca a variedade Antão Vaz. As castas foram seleccionadas criteriosamente, no sentido de darem corpo a vinhos de qualidade.

Na Herdade da Figueirinha todo o trabalho é realizado com envolvimento e paixão. A qualidade do produto final depende muito de todo o trabalho de campo, efectuado ao longo do ano. Um cuidado e uma atenção especial são dedicados a todo o processo vitícola, para que as vinhas tenham as melhores condições e se desenvolvam saudavelmente.

A empresa Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, Lda., existe desde 1998. O fundador é o Comendador Leonel Cameirinha, e a gestão da empresa está a cargo do fundador e do seu neto Filipe Cameirinha Ramos.  A Herdade do Monte Novo e Figueirinha tem uma área de 300 hectares de terra plana e boa qualidade, perto de S. Brissos, a cerca de 5 km de Beja. As principais produções são a vinha e o olival. As variedades de uvas e azeitonas são cuidadosamente selecionadas para dar corpo ao vinho de alta qualidade e ao azeite, com todas as características distintivas da região do Alentejo. A Adega da Figueirinha foi construída em 2003 e é uma estrutura moderna  com a mais recente tecnologia, para atender a uma capacidade de produção anual de 800 mil litros de vinho, com uvas provenientes de 70 hectares de produção própria e de outros produtores locais. O enólogo é Filipe Sevinate Pinto. Com uma área de 170 hectares de olival, em 2006, a empresa decidiu construir o Lagar da Figueirinha, com capacidade de transformação de 8 milhões de toneladas de azeitonas, e que produz um azeite de alta qualidade. O consultor técnico para a produção de azeite é João Gomes.

adega_figueirinha

O processo de amadurecimento da uva é cuidadosamente monitorizado e a vindima é  planeada e executada no tempo ideal de maturação, sem tempos de espera até á laboração, conseguindo dos frutos todo o sabor genuíno.

Vale mesmo a pena partir em demanda deste apaixonante, e que nos enche de coragem à maneira de Ovídio, duplo S: é um Soberbo Syrah!

Classificação: 17/20                                                     Preço: 12,50€