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A região dos grandes Syrah portugueses…

Telhas, 95% Syrah, 5% Viognier, 2011, e Terras D`Alter, 85% Syrah, 15% Viognier, 2006 (esgotado), Terras D’ Alter Companhia de Vinhos, Lda, Alentejo

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Eduardo Galeano, escritor uruguaio que faleceu faz agora uns dias, dizia que “Todos somos mortais, até ao primeiro beijo e à segunda taça de syrah.”

Assim começados, ouve-se dizer com frequência que o Alentejo é uma região produtora de vinhos de elevada qualidade. E é verdade, obviamente o mesmo se aplicando aos syrah alentejanos!

Alter do Chão e Fronteira é por onde hoje estamos, para conhecer, além do nosso néctar preferido, a envolvência histórica e geográfica que deu origem a dois syrah, um dos quais infelizmente já esgotado! Mas se algum dos nossos leitores souber ainda onde o encontrar, ou o tenha provado, que nos diga de sua justiça…

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., é constituída pelas Sociedade Agrícola das Antas, Sociedade Agrícola do Monte Barrão (empresas com enorme tradição agrícola no Alto Alentejo, distrito de Portalegre) e pela Sociedade Pink Living, pertencente ao enólogo Peter Bright. Aquelas duas Sociedades decidiram aliar-se e, para complementarem o seu projecto, criaram uma forte ligação a Peter Bright, que tem um vasto curriculum no mundo da produção e comercialização internacional de vinhos.

Terras de Alter, Companhia de Vinhos, Lda., utiliza as uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora também se abasteça nas produções do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas.

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O plantio da vinha nesta região remonta ao período romano, como atestam vestígios datados dessa época, nomeadamente grainhas de uvas descobertas nas ruínas de São Cucufate, perto da Vidigueira, e alguns lagares romanos. A utilização de talhas, destinadas à fermentação do mosto e ao armazenamento do vinho, é ainda visível em algumas das suas adegas.

Situado na zona sul do país, o Alentejo é uma região essencialmente plana, evidenciando alguns acidentes de relevo, não muito elevados, mas que o influenciam de forma marcante. Caracteriza-se por condições climáticas acentuadamente mediterrânicas, apresentando, no entanto, várias zonas de microclima continental.

Terras de Alter tem como objectivo lançar no mercado internacional um vinho alentejano de qualidade. Os mercados alvo são essencialmente Europa e Estados Unidos.

A sua missão é ser uma empresa de cariz familiar com vinhos de qualidade e presença internacional, reconhecida pela sua excelência e focada no desenvolvimento de marcas premium portuguesas, como é o caso do nosso Syrah.

Os solos caracterizam-se pela sua diversidade, variando entre os graníticos de “Portalegre”, os derivados de calcários cristalinos de “Borba”, os mediterrânicos pardos e vermelhos de “Évora”, “Granja/Amareleja” e “Moura”, e os xistosos de “Redondo”, “Reguengos” e “Vidigueira”. Tendo em consideração a especificidade da cultura, a qual está circunscrita a pequenas áreas geográficas bem definidas, a vinicultura no Alentejo é, em termos económicos, um sector da agricultura de primordial importância para os cerca de 3.000 viticultores da região, sendo a sua principal fonte de rendimento.

No Alentejo, a área média de vinha por exploração, é superior à média nacional. Aos 0,9 ha de vinha/exploração no Continente, correspondem 5,4 ha de vinha/exploração no Alentejo.

A vinha Terras de Alter é estruturada segundo o conceito novo mundo e desenhada com o contributo da Universidade de Fresno na Califórnia. As vinhas são plantadas utilizando modernos sistemas de condução e irrigação, facilitando o seu tratamento e garantindo a sua qualidade.

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A adega está localizada muito perto dos produtores de uva, o que permite um tempo mínimo entre a vindima e o inicio da laboração. A escolha de todo o equipamento foi feita segundo os princípios mais modernos, com o objectivo de se conseguir produzir de acordo com os conceitos do novo mundo já mencionados.

A adega tem a possibilidade e versatilidade para poder laborar segundo processos de alta qualidade, com vindima manual, selecção de uvas à entrada, controlo altamente rigoroso de temperatura e outros aspectos que possibilitam a produção de excepção. Tanto pode trabalhar em cubas de quantidades consideráveis para os nossos vinhos mais correntes, como pode trabalhar em cubas de fermentação muito pequenas, que permitem o tratamento de lotes reduzidos mas de elevadíssima qualidade. É esta versatilidade que permite conseguir lotes de tempero que afinam ou complementam os vinhos de topo.

Peter Bright é o Enólogo dos vinhos Terra de Alter. Com origem Australiana, a viver em Portugal desde 1982, é dinâmico, empreendedor e o seu lema é “experimentar mas não misturar estilos”.

As castas Terras de Alter tintas, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah e Cabernet Sauvignon, conferem aos vinhos um tom rubi e um aroma frutado e persistente, num conjunto muito equilibrado. Por seu lado, as castas brancas, Arinto, Roupeiro, Antão Vaz, Alvarinho, Verdelho e Viognier, surpreendem pela sua cor citrina e pelo frutado fino e fresco, num conjunto muito apetecível.

Falando sobre o syrah principal aqui em causa, a composição do Telhas é de 95% Syrah e 5% Viognier. A Vinha situa-se na Herdade das Antas. O Telhas provém do sector mais elevado da vinha, o qual se caracteriza pelo austero solo granítico e o seu terroir único.

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E como sempre o Blogue do Syrah não pode deixar de enfatizar a sua posição declarando que preferirmos os syrah a 100%, apesar de compreendermos e aceitarmos a escolha de cada enólogo, que no caso deste Telhas consideramos uma escolha feliz, e que deu excelentes resultados. Mas o convite fica feito em forma de manifesto, segundo o nosso lema:

100% Syrah, sempre!

Voltando à nossa região de hoje, este é o local onde outrora terá existido uma Vila Romana, facto sugerido pelos diversos fragmentos em terracota e telhas aí encontradas.

As duas castas presentes no syrah de hoje co-fermentaram com leveduras autóctones em pequenos reservatórios abertos e com manta submersa. A fermentação foi concluída em barricas novas de carvalho americano acompanhada de battonage. Seguiu-se a fermentação maloláctica e estágio em barrica durante 24 meses.

As notas de prova dizem-nos que na “cor é vermelho intenso com centro púrpura.O aroma tem nariz perfumado com notas de violetas, pimenta moída, carne assada e alcatrão.O paladar mostra sabores exóticos de madeiras e especiarias orientais com uma envolvente de frutos vermelhos maduros. Final muito saboroso com notas de cedro e baunilha.”

As safras foram até agora quatro: A primeira em 2008 (a última safra do Terras d`Alter tinha sido em 2006) seguiu-se a safra de 2009, em seguida em 2010 e a actual que ainda está no mercado de 2011.

A grande diferença do Terras D`Alter de 2006,  esgotado há muito, é que de syrah tinha só 85% e os outros 15% eram de Alicante Bouschet (aos olhos da lei é um monocasta, apesar de discordarmos), bem diferente da composição do actual Telhas como se pode ver e degustar.

Vamos pois beber em direcção à imortalidade um Telhas Syrah 2011, à memória de Eduardo Galeano!

 

Telhas Syrah

Classificação: 17/20                                                                                            Preço: 20,00€

 

Terras D`Alter Syrah

Classificação: Esgotado (O Blogue do syrah não o conheceu)              Preço: 8,00€

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Senses Syrah, Adega Cooperativa de Borba, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Continuamos no Alentejo e continuamos bem, porque hoje vamos falar do syrah feito pela Adega Cooperativa de Borba: Senses Syrah de seu nome, do ano de 2011, em nossa opinião superior à safra anterior de 2010.

Este syrah é apresentado da seguinte maneira: “Aspecto límpido, cor granada com profundidade. Boa intensidade aromática, evidenciando frutos pretos, bolo inglês e chocolate. Sabor macio, com acídulo a bombom de ginja, taninos encorpados com ligeira tosta e grande untuosidade no longo final de boca. “ A graduação alcoólica é de 14%.

Depois de lermos isto e de termos degustado o syrah em causa -que é sempre o mais importante – como é possível não concordarmos com aquele que é justamente considerado o pai da moderna medicina, Pasteur, quando diz que “O syrah (dizemos nós) é a mais sã e higiénica das bebidas”?

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Não é a primeira vez que apresentamos syrah feitos por adegas cooperativas. Já aqui apresentámos o syrah da Adega de Pegões, os dois syrah da Adega de Reguengos de Monsaraz aqui, e agora este Senses Syrah, que não fica atrás dos anteriores em qualidade. A adaptação e a reconversão privilegiando mais a qualidade do que a quantidade que algumas das mais importantes adegas cooperativas fizeram nestas duas últimas décadas marcam indelevelmente uma parte importante da revolução vitivinícola de que somos testemunhas.

A área vitícola da Adega de Borba são 2.200 ha, dos quais, 70% são castas tintas e 30% castas brancas, com um aumento nos últimos anos da introdução de novas castas de qualidade: Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Tinta Caiada / Arinto,  Antão Vaz, Roupeiro e a nossa Syrah.

O Alentejo é uma extensa área, essencialmente rural, e com uma baixa densidade demográfica, oferecendo uma qualidade ambiental excepcional e uma paisagem preservada: imensas planícies ondulantes povoadas de vastos olivais e vinhedos, extensos montados de sobro e azinho, parques naturais, zonas de caça e albufeiras.

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O Alentejo é a principal região agrícola de Portugal, representando quase metade da superfície agrícola utilizada do continente, tendo como grande aptidão vinhos de qualidade e tipicidade. Em termos de mercado nacional de vinho de qualidade engarrafado, com Denominação de Origem Controlada ou Vinho Regional, o Alentejo representa uma cota de 42%.

Fundada em 1955, a Adega de Borba foi a primeira de uma série de Adegas constituídas no Alentejo, com o incentivo da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o sector não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional. De facto, não fosse esse empurrão decisivo dado pelo referido organismo estatal, que assim permitiu uma organização comercial e de transformação para os vinhos do Alentejo, a cultura da vinha teria desaparecido completamente da região, pois todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do País era uma política mais que consolidada para a época.

Após 3 décadas de resistência, em que só o grande valor das castas regionais e a excelência das condições naturais permitiram que a produção de vinho no Alentejo se mantivesse, chegou-se finalmente aos anos oitenta, em que todo o potencial da região para a produção de vinho pode ser avaliado e confirmado pelo Consumidor. Beneficiou a região do facto da produção estar associada a Adegas de grande dimensão, e desta forma mais rapidamente se apetrechou em termos tecnológicos que outras regiões do País, dando o salto para os vinhos engarrafados de qualidade, numa altura em que o consumidor passou a ser mais exigente e a privilegiar mais a qualidade que a quantidade. É verdade que a constituição da região demarcada do Alentejo e a criação de estruturas técnicas associativas que rapidamente divulgaram novas tecnologias junto do viticultor foram essenciais em todo o processo.

A euforia que os vinhos do Alentejo têm vivido nestes últimos anos, resulta, pois, de um longo trabalho quer na vinha, com a selecção das melhores castas e dos melhores solos para a sua produção, quer na Adega com o aperfeiçoamento de técnicas e apetrechamento de equipamentos, muitas vezes sem grande visibilidade, numa época em que o pulsar da região se fazia mais noutras direcções que não a produção de vinho.

Hoje a Adega de Borba reúne 300 viticultores associados que cultivam cerca de 2.000 hectares de vinha, distribuindo por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.

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E tem vindo a crescer e a modernizar-se constantemente ao longo de mais de 5 décadas, ocupando 2 áreas distintas, a original de 12.000 m2 e a mais recente com 140.000 m2 onde está localizada a nova Adega.

Em 2011 foi feito um investimento de 12 milhões de Euros na construção de um novo centro de vinificação para vinhos tintos e armazenagem de granel, e armazenagem e expedição de produto acabado, depois de em 2004 já se ter investido num processo de modernização que ascendeu a 8 milhões de Euros.

A capacidade de vinificação ascende assim a 1.200 Toneladas/ dia de uva, com uma capacidade total de fermentação de 6.000 Toneladas. Em termos de armazenagem de vinhos a granel, a capacidade da Adega de Borba é neste momento de 350.000 hl. Com o novo armazém de produto acabado e expedição a capacidade de armazenagem ascende a 7.000 paletes.

O centro de vinificação possui tecnologia de ponta tanto na área de software de gestão como nos equipamentos. Dispõe de cubas com diferentes tecnologias de fermentação: verticais com e sem pisa mecânica, horizontais rotativas, lagares, etc. Possui igualmente um espaço especial para estágio de vinhos de qualidade em barricas e em garrafas, um local privilegiado com escavação em rocha de mármore tão tradicional da região de Borba. O repouso e descanso reforçam o afinamento dos futuros vinhos Premium com designativo de qualidade Reserva e Garrafeira, tais como os vinhos engarrafados nas marcas Adega de Borba, Montes Claros, Adega de Borba Reserva “Rótulo de Cortiça” e Senses, antes de serem colocados no mercado.

A Adega de Borba possui 3 linhas de engarrafamento, instaladas em ambiente de sala limpa com controlo ambiental, completamente automatizadas e com capacidades e características muito amplas que permitem dar resposta às solicitações dos diferentes mercados em termos de qualidade e diversidade de produtos.

As matérias-primas mais sensíveis, como as rolhas e rótulos são armazenados num espaço com humidade controlada. Quanto aos produtos acabados, são armazenados por secção em função do tipo de vinho e do seu destino.

Partimos deixando o convite à descoberta de mais este superlativo syrah, assim como da sua região de origem, sempre um deleite!

 

Classificação: 16/20                                           Preço: 7,00€

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Carmim Syrah e Monsaraz Syrah, CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Estamos no Alentejo profundo, não para falar de um syrah, mas de dois. E não fazemos a coisa por menos! Estando nós no Alentejo obviamente que os syrah que vos vamos apresentar não são de fraca qualidade, na realidade nenhum é, muito pelo contrário!

São os dois da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, uma terra genial que nos deu, nestas duas décadas de syrah em Portugal, vários syrah verdadeiramente exuberantes. São os dois do mesmo ano mas são diferentes. Apesar da qualidade do Monsaraz syrah, a nossa preferência foi para o Carmim syrah apesar deste até ser mais barato (boa notícia para o consumidor!)

As notas de prova do Monsaraz Syrah dizem-nos que se “apresenta-se com uma cor rubi, com aromas de fruta preta madura e algumas notas de baunilha, coco e chocolate, em boca é amplo, fresco com taninos firmes e um final de prova prolongado.”  Tem 14% de graduação alcoólica.

As notas de prova do Carmim Syrah dizem-nos que “se apresenta de cor rubi carregado, aroma de frutos vermelhos, com notas de especiarias e café. Na boca é encorpado, macio, equilibrado com um final de prova prolongado.” Tem 14,5% de graduação alcoólica.

A CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz – foi criada em 1971 por um grupo de 60 viticultores. Trinta e sete anos depois, a qualidade dos vinhos CARMIM impõe-se aos apreciadores.

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A CARMIM possui actualmente cerca de mil associados e produz 24 referências de vinhos dos brancos aos tintos, dos jovens aos reservas, passando pelos licorosos, rosé ou espumantes. A CARMIM também produz aguardente e azeites de reconhecida qualidade.

Os vinhos da CARMIM já foram distinguidos com mais de duzentos e cinquenta prémios em vários concursos nacionais e internacionais. Recentemente o Espumante Monsaraz, uma das novidades mais recentes da empresa, foi galardoado com o Prémio Nacional Embalagem Alimentar e Bebidas 2007, atribuído pela Alimentaria Lisboa 2007 pela sua incorporação de linguagem Braille no rótulo.

A qualidade da matéria-prima, oriunda de uma região de denominação de origem, é uma das mais-valias desta Cooperativa; a par do capital humano e de um complexo agro-industrial de 80.000m2 dotado da mais alta tecnologia. Existe uma capacidade de recepção de um milhão e duzentos mil quilos de uva por dia, engarrafamento de quinze mil garrafas por hora e armazenamento até trinta e dois milhões de litros, o que transforma a CARMIM na maior adega do Alentejo e numa das maiores do País!

As fortíssimas taxas de investimento verificadas nos últimos anos traduzem o grande esforço de investimento efectuado na CARMIM, nomeadamente em termos de modernização tecnológica da adega, mostrando claramente que esta tem sido uma prioridade estratégica nas políticas seguidas pelas últimas Direcções. Com um dos mais modernos parques agro-industriais do país, localizado no coração de uma importante sub-região vitivinícola do Alentejo, esta empresa representa não só uma contribuição efectiva para o Produto Interno Bruto do País, através de uma elevada taxa de Valor Acrescentado Bruto, como também um dos principais motores de desenvolvimento sócio-económico da região, potenciando o aproveitamento e atracção de novas possibilidades no domínio do turismo.

Por outro lado, a produção de azeite, o enoturismo e a internacionalização dos seus vinhos são áreas prioritárias e nas quais a empresa tem investido e vai continuar a investir.

A CARMIM detém 7 marcas, todas elas já bem conhecidas do grande público, de onde se destacam Terras D’El Rei, Reguengos DOC e Monsaraz DOC.

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O vinho Monsaraz tinto passou, aliás, a estar incluído na oferta a bordo dos aviões da TAP e nos lounges e salas VIP dos aeroportos nacionais. Fruto de uma parceria entre a companhia aérea nacional e a Cooperativa, a marca Monsaraz tinto está presente em todos os percursos TAP, na sua classe turística. Em terra ou no ar, o vinho Monsaraz é mais um cartão de visita da transportadora aérea nacional, levando os sabores e aromas do Alentejo aos milhares de passageiros da TAP.

CARMIM é a principal empresa do concelho de Reguengos de Monsaraz e um dos principais motores de desenvolvimento económico-social da região, assegurando o bem estar e a qualidade de vida dos associados e respectivas famílias.

O sucesso da CARMIM é, acima de tudo, o sucesso dos seus associados e é desta relação que resulta a forte dimensão social que a empresa representa para a região. Com o advento de Alqueva, o concelho de Reguengos de Monsaraz tem sido alvo de uma reestruturação profunda a nível de infra-estruturas turísticas, com o aparecimento de empresas de agro-turismo e operadores turísticos.

A área geográfica da sub-região vitivinícola de Reguengos abrange todas as freguesias do município de Reguengos de Monsaraz, que são, Reguengos, Corval, Monsaraz, Campo e Campinho e ainda parte das freguesias de Montoito e S. Vicente do Pigeiro de municípios limítrofes. A topografia de uma maneira geral é de encosta ligeira e planície e a exposição dominante das vinhas é sul.

Quanto às castas tintas a Carmim produz a Trincadeira e a Aragonez;  A Castelão, a Moreto, a Alicante Bouschet, a Carignan, a Syrah naturalmente, a Tinta Caiada, a Cabernet Sauvignon, a Alfrocheiro e a Touriga Nacional.

Nas castas brancas a Síria, a Rabo de Ovelha, a Diagalves, a Manteúdo, a Perrum, a Antão Vaz, a Arinto, o Alvarinho, o Gouveio e a Fernão Pires.

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Dos cerca de 3.600 ha de vinha cadastrada, mais de 85% são em cultura extreme, havendo o cuidado de distribuir as castas por talhões, o que permite a optimização das vindimas no que respeita à maturação. A área existente é constituída por 79% de castas tintas e 21% de castas brancas.

A exportação representa 7% do volume de vendas total, em quantidade e em valor, e existem acordos de parceria celebrados com 34 distribuidores internacionais, espalhados por países como Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia, República Checa, Suiça, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Canadá, E.U.A., Brasil, Venezuela, Índia, Japão, Macau, Austrália.

Já Rabelais, no século XV, escrevia que “O syrah alegra o coração do homem. Jamais homem nobre odiou o syrah”.
Estes exemplos de syrah servem este propósito com toda a nobreza… dissemos, tendo dito!

Carmim Syrah

Classificação: 16/20                            Preço: 8,99€

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Monsaraz Syrah

Classificação: 15/20                       Preço: 12,00€

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Herdade do Esporão, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Estamos em Reguengos de Monsaraz: terra de vinhos mas sobretudo uma terra de Syrah. E são vários os Syrah que nasceram aqui. Hoje falaremos de um deles, associado a uma marca bem conhecida: a Herdade do Esporão.

2011 é um ano reconhecido como memorável para todas as regiões vinícolas Portuguesas. A Primavera e o Verão com temperaturas mais amenas que o habitual trouxeram intensidade, equilíbrio e frescura aos vinhos.

O Syrah da Herdade do Esporão é feito com vinhas de 13 anos. Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho americano, seguidos de mais 18 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Fez-se uma pequena produção de cinco mil litros, o que deu qualquer coisa como 6600 garrafas. As notas de prova dizem-nos: “Nariz compacto, com notas evidentes de tosta, e ligeiras notas de café torrado. Revela fruta negra madura com taninos musculados e acidez que conduz a um final bastante persistente.” Várias foram as safras deste syrah anteriores: houve a de 2010, 2009, 2008.Conhece-se igualmente a de 2004.

A Herdade do Esporão começa uma nova vida a partir de 1973, como vamos explicar. Tem actualmente uma produção global de 9 milhões de litros de vinho anual. Vende-se por todo o mundo. É um dos empórios do vinho português. A herdade possui um total de 194 castas, embora só 37 estejam em plena produção. Estas 37 variedades fundamentais correspondem às castas que melhor se adaptaram à região do Alentejo, muita das quais se encontram na região desde tempos longínquos.

A Herdade do Esporão alberga um terroir único, fruto da aliança entre um clima muito particular, regulado e amenizado pelo grande lago central, com os diferentes tipos de solo, e um vasto património vitícola constituído por castas autóctones, castas oriundas de outras regiões e castas internacionais. A paisagem tipicamente mediterrânica é composta por suaves planícies ondulantes que ocupam um pouco mais de 1.800 hectares de área total, 450 hectares dos quais ocupados com vinha e cerca de 80 hectares ocupados com olivais. O clima é particularizado pelas grandes amplitudes térmicas anuais características dos climas mediterrânico-continentais, suavizados pela grande massa de água do lago central. Beneficiando de muitas horas de sol, os solos muito pobres dividem-se em derivados de xistos argilosos e granitos derivados de rochas eruptivas. A Herdade do Esporão decidiu inovar, ensaiando um número elevado de castas pouco conhecidas em Portugal. A lista é extensa, e inclui nomes como Uva Salsa, Tinta do Bragão, Arinto do Interior, Larião, Amor-não-me-deixes, Carrasquenho ou Rabigato Francês, bem como castas internacionais de nome pouco vulgar como Ahmeur bou Ahmeur, Chasselas, Feteasca Alba ou Müller-Thurgau.

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Desde a sua fundação em 1267, os limites geográficos da Herdade do Esporão têm-se mantido praticamente inalterados, apesar de este ter sido um lugar de sangrentas batalhas e de feitos heróicos, ao longo de quase nove séculos de existência. Soeiro Rodrigues, juiz da cidade de Évora, terá sido o primeiro dos muitos proprietários, entre os quais se incluem o mestre de Santiago Rodrigues de Vasconcelos, o Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos, que terá erigido a Torre do Esporão, e dos condes de Alcáçovas, que mantiveram a propriedade na família até 1973, ano em que venderam a Herdade do Esporão a José Roquette e Joaquim Bandeira. No centro da Herdade do Esporão erguem-se os três monumentos históricos da propriedade: a Torre do Esporão, o Arco do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, esta última ligada a um intenso e devoto culto popular na região que leva as gentes da terra em procissão sempre que a chuva tarda em chegar. A Torre do Esporão, símbolo de afirmação na sociedade e exibição de poder militar, é uma das torres mais importantes na ilustração da transição da Idade Medieval para a Idade Moderna em Portugal. Terá sido edificada pelo Morgado já referido antes, entre os anos 1457 e 1490, datas que correspondem, respectivamente, ao momento da posse do morgado e ao seu falecimento. Esta atribuição é do historiador José Pires Gonçalves, que teve em conta o projecto arquitectónico de implantação da Torre. Álvaro Mendes de Vasconcelos vinha de uma família nobre em ascensão ligada à poderosa Casa de Bragança – era cavaleiro da casa do Duque de Bragança e regedor da cidade de Évora. Entende-se, assim, a construção da Torre do Esporão como um sinal visível de erupção da pretensão aristocrática. Esta era uma necessidade de afirmação da nova linhagem que, entre outros sinais, tinha por hábito erguer uma torre ou casa forte como verdadeiros símbolos da sua afirmação na sociedade. A função primeira deste tipo de torres era a de habitação, mas nos finais do século XV as torres que existiam em Portugal dificilmente serviriam de morada permanente, uma vez que as suas dimensões eram muito reduzidas. Podiam também ter sido refúgios seguros para pessoas e bens, em caso de extrema necessidade. Mas, antes de tudo, eram um símbolo de senhorio e poder militar. A importância que as torres medievais voltaram a adquirir no final da Idade Média verifica-se essencialmente na existência da referida Ermida de Nossa Senhora dos Remédios: a sua presença indica não só que os seus possuidores tinham começado a fazer mais uso das torres espaçosas, mas também que existia uma certa sacralização do espaço em que se erguiam. Desenhando um quadrilátero de 14,40m por 10,9m, a planta da Torre do Esporão apresenta dimensões pouco usuais – é relativamente mais larga, quando comparada com construções antecedentes ou mesmo contemporâneas. No entanto, mais tarde, acabou por servir de modelo a outras torres, o que demonstra bem a influência que teve em posteriores construções de torres no Alentejo.

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Devido ao passar do tempo, a Torre do Esporão perdeu o seu esplendor. Tratando-se de um monumento marcante do património português, o Esporão tomou a iniciativa de lhe restituir a dignidade perdida. A autorização do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) para a sua reabilitação foi obtida, e o Esporão, por sua conta e risco, iniciou o processo de reabilitação deste monumento nacional em 2003, tendo recuperado a sua antiga grandeza e importância. É o edifício mais importante e representativo de todo o conjunto que compõe a Herdade. No rés-do-chão da Torre pode visitar-se um Museu Arqueológico, onde estão expostos diversos achados arqueológicos da região.

Isto tudo se conta também porque no logotipo da Herdade a torre aparece com todo o destaque, servindo com toda a relevância a divulgação da marca.

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A Herdade do Esporão beneficia de um clima mediterrânico-continental, com exposição solar intensa, com uma média anual de 300 dias de sol. O clima é também caracterizado por grandes amplitudes térmicas anuais, com Verões muito quentes e secos e Invernos curtos e chuvosos, com consideráveis amplitudes térmicas diárias. Estas características definem profundamente, a fauna, a flora, a paisagem, a arquitectura e as gentes do Alentejo. A Herdade do Esporão apresenta todas as características de uma paisagem tipicamente mediterrânica. São vários os hectares de montado de azinho que aqui estão presentes. A azinheira, espécie com distribuição mais alargada na zona mediterrânica, domina a paisagem do Esporão, fazendo parte de um ecossistema que alberga espécies tão importantes como a cegonha-negra ou a lontra que vagueia pela ribeira da Caridade, uma ribeira importantíssima para anfíbios e mamíferos desta Herdade. A albufeira existente na propriedade, com 120 hectares, construída para servir as necessidades típicas de um clima deste tipo, é hoje em dia, um ecossistema totalmente natural, já visitada por cerca de 90% das aves de todo o Alentejo e a “casa” de patos, mergulhões, galinhas-de-água, lontras, entre muitas outras espécies. É aqui, entre montados, olivais e vinhas que se podem encontrar todas as características de uma paisagem mediterrânica.

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Se as vinhas são o pulmão da Herdade do Esporão, a adega é o coração que palpita ao ritmo da vindima e da sequência dos trabalhos definidos pelo calendário e pela equipa de enologia. A equipa de enologia do Esporão é liderada pelo Luso-Australiano David Baverstock, uma referência na enologia portuguesa, que tem dado um contributo decisivo para a afirmação nacional e internacional dos vinhos do Alentejo. A equipa de enologia completa-se com os enólogos Luis Patrão, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos tintos, e a Sandra Alves, a quem estão atribuídas responsabilidades na elaboração dos vinhos brancos e rosés. A mesma equipa é responsável pelos vinhos da Quinta dos Murças no Douro, a que se junta o Australiano Michael Wren durante os meses de Julho a Outubro.

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O grande túnel de barricas do Esporão, por si só uma das atracções turísticas da Herdade do Esporão, ao assemelhar-se na sua estrutura a um túnel de metro com os seus quinze metros de largura, está firmemente enterrado a doze metros de profundidade, permitindo assim que se mantenham as melhores condições de temperatura e humidade de forma natural, sem necessidade de regulação de temperatura de forma artificial e sem custos energéticos e ambientais. Neste longo túnel de descanso repousam aproximadamente 1.500 barricas bordalesas de 225 litros cada, das quais cerca de 70% são de carvalho americano e as restantes de carvalho francês. Cerca de 30% do parque de barricas é renovado periodicamente a cada três ou quatro anos. Para além do grande túnel de barricas existem ainda nichos laterais onde se guarda e estagia o vinho já depois de engarrafado, para além de uma garrafeira onde se guarda um acervo o histórico das nossas melhores colheitas.

Nada melhor para acabar esta digressão do que citar o filósofo grego Heráclito quando dizia: “É melhor esconder a ignorância, mas é difícil fazê-lo quando nos descontraímos em redor do Syrah!”

Classificação: 18/20                                           Preço: 24,50€

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Herdade dos Lagos, Soc. Agrícola Herdade dos Lagos, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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E voltamos de novo ao Alentejo, sempre com enorme regozijo. Tem mesmo que ser! É que se trata de uma combinação perfeita: Syrah e Alentejo!

Explique-se: os grandes syrah (com excepções, que torna tudo mais “aliciante”) encontram-se aquém e além Tejo. Isto é uma verdade, se não a cem por cento, pelo menos a noventa!

Hoje trazemos ao nosso convívio o syrah da Herdade dos Lagos, concelho de Mértola. É um vinho feito em regime de agricultura biológica. Não tem químicos, nem pesticidas! Trata-se de um vinho regional alentejano, cuja produção foi de 12000 garrafas. “Apresenta cor rubi intensa. Aroma frutado a ameixa madura. Cheio, redondo, complexo, boa acidez, terminando longo.” Em suma, qualidade plena e assegurada!

Foi vinificado pelo processo tradicional de curtimenta em lagares inox com temperaturas de fermentação a cerca de 28ºC. Teve  um estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. A longevidade prevista é de 8 anos. O blogue do syrah prevê pelo menos 12 anos! Apresenta um teor alcoólico de 14,5 %.

Em conversa telefónica com Carlos Delgado, agrónomo e responsável pela produção da Herdade dos Lagos, e que já tínhamos tido a oportunidade de conhecer o ano passado na Feira dos Vinhos na FIL, em Lisboa, ficamos a saber o historial do syrah na Herdade.

Fizeram-se 6 safras: 2004 e 2005 com 7000 garrafas, 2006 com 24000 garrafas, 2008 com 12000 garrafas, todas do mestre António Saramago. Em 2010 e devido a uma grande encomenda específica para a Alemanha toda a safra foi acondicionada em garrafas de 1,5 litro e de 3 litros. 2700 garrafas da primeira e cerca de um terço da segunda. A presente safra de 2012, com 3500 garrafas é de agricultura biológica (daí a quebra da quantidade) e é do enólogo Carsten Heinemeyer.

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E agora um pouco de história vinícola local.

A produção agrícola é desenvolvida em 1000 hectares, seguindo os princípios da agricultura biológica certificada, como já referimos, um modelo de negócio baseado na utilização eficiente dos recursos através do uso de energias renováveis e na preservação ativa da natureza. A Herdade dos Lagos pertence à família Zeppenfeld há mais de trinta anos. Ao longo do tempo, a propriedade foi alvo de muitas alterações.

A região do Alentejo está situada no sul de Portugal e era antigamente considerada o celeiro de Portugal,  pelo que a actividade principal da quinta foi sempre a agricultura.

Quando o armador de Bremen Horst Zeppenfeld, na altura capitão, se rendeu a Portugal, tinha já um sonho: cultivar vinhas e olivais. A sua família e o gerente Dietmar Ochsenreiter trabalharam continuamente para a concretização desse sonho.

Actualmente, uma área de 1000 hectares com as suas cinco barragens serve de pastagem a cerca de 1000 ovelhas, mas em primeiro plano está o cultivo da vinha, da oliveira e da alfarroba.

Na família, a filha, Antje Kreikenbaum, assumiu os departamentos de marketing e distribuição dos produtos da Herdade dos Lagos, bem como a responsabilidade de promover novas perspectivas, com o apoio do marido, o arquitecto paisagista Thorsten Kreikenbaum.

A transição para a produção biológica revelou ser um enorme desafio e uma das mais significativas mudanças na Herdade.

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Em cerca de 25 hectares crescem as castas Syrah (a estrela internacional), Aragonez (conhecida na Espanha como Tempranillo), Touriga Nacional (uma uva tradicionalmente usada no vinho do Porto) e Alicante Bouschet (do intenso jogo decor).

A diferenciação que resulta na produção de diferentes qualidades de vinho começa na própria vinha. A melhor zona está destinada aos vinhos de Reserva e é também nesta que se verifica uma poda mais intensa. A zona com mais sombra está destinada ao Rosé e ao Blanc de Noir. Dado que a sua colheita é a mais precoce e a que implica menos poda, consegue-se obter um teor de álcool mais baixo e uma boa acidez. As uvas são colhidas à mão nas primeiras horas da manhã e transportadas em frio para a adega.

Nem só de políticas macro-económicas, planos de ajustamento e programas de reformas estruturais, se fazem as relações entre Portugal e Alemanha!

O exemplo está na Herdade dos Lagos, a “meio caminho” entre Beja e Mértola e propriedade de Horst Zappenfeld, empresário alemão com interesses na área do transporte de carga por via marítima, que exporta mais de dois terços da sua produção anual de vinho para terras germânicas.

Cerca de 70% do vinho é vendido para a Alemanha e também para a Suíça. O restante vai para o mercado nacional, onde não se trabalha com as grandes cadeias de supermercados, à excepção do Intermarché, mas há consumidores que adquirem os vinhos e o compram através das garrafeiras e dos restaurantes. Localizada próximo da localidade de Vale de Açor, na freguesia de Alcaria Ruiva, a Herdade dos Lagos perde-se de vista e por lá é possível encontrar gado e olival (80 hectares), além do maior alfarrobal de Portugal (260 hectares) e 25 hectares de vinha e onde trabalham a tempo inteiro doze pessoas.

Em 2011 saíram da herdade perto de 130 mil garrafas, num total de 100 mil litros de vinho, e nos anos seguintes a produção teve valores semelhantes, sendo que cerca de 70% se destina à exportação, sobretudo para a Alemanha e para a Suíça.

A Herdade está também a pensar entrar no Canadá e nos EUA, além de querer reforçar as suas vendas na Europa.

Há um provérbio francês que vem bem agora a propósito e que diz que “na água vemos o próprio rosto reflectido. Mas no vinho, contemplamos o coração do outro.”

Façam o favor de ver o nosso coração:
“Olhe desculpe, importa-se de me trazer mais uma taça de syrah da Herdade dos Lagos?”

Classificação: 17/20                                           Preço: 11,50€


 

Alentejo eleito melhor região vinícola do Mundo

Alentejo eleito melhor região vinícola do Mundo

O vinho alentejano está de parabéns.

Isto porque o nosso Alentejo foi eleito a melhor região vinícola do mundo, de acordo com uma votação promovida pelo USA Today, o maior diário norte-americano, e pelo portal para viajantes 10Best que é conhecido pelas suas populares votações sobre diversos tópicos relacionados com o mundo das viagens. Superou outros 19 concorrentes, entre os quais nomes sonantes no universo vínico, como Champanhe (França) e La Rioja (Espanha).

O concurso terminou no passado dia 4 de Agosto. A tão aguardada vitória — o destino luso estava na liderança no que a votos diz respeito — foi confirmada esta quarta-feira.. Em competição estavam 20 candidatos pré-selecionados, escolhidos pelos peritos em vinho Frank Pulice e Kerry Woolard, colaboradora que descreve a região assim: “Quando a maior parte das pessoas pensa em Portugal, pensam imediatamente no Douro. Mas rume para sul até ao Alentejo e não ficará desapontado. Adegas, hotéis de serviço completo, excelentes restaurantes e, claro, vinhos formidáveis”. O destino, o único português em competição, é tido como uma região rural que potencia uma viagem no tempo. Além disso, e segundo Kerry, é conhecido pelos “vinhos tintos robustos” e por fazer chegar à mesa comida “rústica e autêntica”.
O top 5 fica completo com Okanagan Valley na Colúmbia Britânica, Maipo no Chile, Marlborough na Nova Zelândia e Croácia.

O Alentejo de acordo com o USA TODAY é “esta intrigante região rural situada a duas horas de Lisboa é como uma viagem de volta no tempo para os amantes do vinho. O terreno diverso detém olivais e vinhas, aldeias pitorescas, prados cheios de flores e florestas”. É ainda referido que a comida no Alentejo “é rústica e autêntica, aproveitando ao máximo o estilo de vida agrário na região”.

Entre os 20 candidatos pré-selecionados, escolhidos por Kerry Woorlard e Frank Pulice, dois peritos do sector dos vinhos, o Alentejo era o único representante de Portugal.

Para a presidente da CVRA -Comissão Vitivinícola Regional Alentejana- Dora Simões, “é uma distinção importante para o Alentejo e também para o país, que tem impacto muito positivo no potencial de notoriedade que a região pode obter nos mercados internacionais; o facto de os leitores terem preferido o Alentejo a regiões tão famosas como a Borgonha, Champanhe, Rioja ou o Piemonte, vem também dar um grande impulso ao trabalho que é desenvolvido na promoção do vinho e do enoturismo no Alentejo, quer internamente, quer junto de mercados externos estratégicos”.

O Alentejo é a região líder no mercado nacional – quer na quota de mercado em volume (44,9%) quer em valor (46,7%), segundo os dados ACNielsen, na categoria de vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG. Os Vinhos do Alentejo juntam 263 produtores e 97 comerciantes numa área total de vinha de 21 970 hectares, sendo que a área total de vinha aprovada para DOC Alentejano é de 11 371 hectares.

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Perante todos estes dados, qual a interpretação que o blogue do syrah apresenta?
Não nos podemos esquecer que a revolução vitivinícola que se operou em Portugal nos últimos 20 anos pode ter várias aspectos a salientar, sem dúvida que sim, mas o mais importante e verdadeiramente revolucionário a ter presente foi a introdução da casta syrah no sul do país e que se foi espalhando depois pelo norte.

Hoje a syrah é a quarta casta mais plantada no território nacional, e a zona com mais syrah do país é justamente o Alentejo, com 39 syrah declarados nestes 20 anos, para além de existirem blend alentejanos com percentagens variáveis de syrah na ordem das centenas.

Mark Squires uma autoridade no mundo dos vinhos escreveu no site de Robert Parker em Dezembro de 2007 que “Alentejo has always had some flagships, the region is developing an exciting group of wineries that can act as additional standard bearers and adding them to existing stalwarts like Cortes de Cima.”

Nos syrah alentejanos e na classificação atribuída pelo blogue do syrah temos dois syrah com nota de 19, sete com nota de 18 e dez com nota de 17. No total são 19 syrah muito bons ou, se quisermos dizer de outra maneira, de elevadíssima qualidade. Mas os onze syrah avaliados com a nota 16 não são obviamente desprezíveis, muito pelo contrário.

Muitos consumidores que só têm presente as marcas comerciais dos vinhos que bebem e não as castas envolvidas na feitura dos mesmos não fazem a menor ideia do syrah presente nos vinhos alentejanos que adoram e bebem. Lembra-me um pouco por analogia a mesma situação quando o Alicante Bouschet foi introduzido no Alentejo, faz mais de cem anos, mas os produtores não o mencionavam nos rótulos das garrafas, com vergonha de admitirem que usavam uma casta francesa na elaboração de vinhos alentejanos a par de castas tipicamente locais como a Trincadeira e o Aragonez (esta vinda há mais tempo ainda da vizinha Espanha).

Resumindo e concluindo: O Alentejo foi eleito a melhor região vinícola do Mundo e não temos que nos admirar com esse facto!
Só temos que o compreender e o incorporar na nossa cultura vinícola.

Podemos, por isso mesmo, passar a consumir, apreciar e degustar mais syrah!