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Um Syrah mau é sempre um mau Syrah!

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Um mau Syrah será sempre um mau Syrah!
Pensamos que esta máxima, se é totalmente verdadeira para um Syrah, é também verdadeira para um qualquer vinho!
Um vinho mau é sempre um mau vinho. Falamos aqui em termos de envelhecimento em garrafa, pois novas safras da mesma marca e terroir obviamente serão diferentes, para melhor, ou pior!

Nós gostamos de falar daquilo que sabemos e é por isso que aqui no Blogue do Syrah não fazemos política mas tratamos de questões culturais. No princípio deste mês, no Porto, em conversa com o amigo Carlos Ramos, do grupo Cegos por Provas, falávamos naturalmente de futebol… (o leitor mais atento já percebeu que é mentira)… falávamos, claro está, de Syrah, e vinho também, quando a dado momento o Carlos Ramos dizia que o Blogue do Syrah dava notas muito altas. Defendemos a nossa posição, por um lado com a alta qualidade dos Syrah portugueses, e também explicando que  já tínhamos dado notas muito baixas a alguns Syrah.

Em relação às notas altas gostamos de argumentar citando Robert Parker, que é muito provavelmente o mais conhecido e o mais influente crítico de vinhos da actualidade, que disse, há algum tempo, numa recente entrevista à publicação “The Drinks Business“: os críticos de vinho que não conseguem dar pontuações perfeitas (os famosos 100 pontos) para vinhos que as merecem, é  “porque se estão a esquivar dessa responsabilidade“. Mais à frente, na mesma entrevista, afirmou: “Quando, na sua análise mental, um vinho é o melhor exemplar que você já provou daquele tipo em particular, você tem a obrigação de dar-lhe uma pontuação perfeita“. E concluiu, acrescentando que aqueles que são incapazes de atribuir uma pontuação perfeita a um vinho que lhe faça jus, são “irresponsáveis“. Concordamos neste aspecto com Robert Parker, e é por isso que não nos eximimos a dar a nota máxima a Syrahs que a merecem.

Mas também existe a outra face da moeda, ou seja, as  várias notações baixas que o Blogue do Syrah já deu! Aquele Syrah que embora seja bebível, é de qualidade fraca, mas não envergonha totalmente a casta que diz representar! E também existe Syrah muito fraco ou mesmo intragável, ou aqueles que não são bebíveis, mais, nem são dignos de serem considerados vinho, quanto mais Syrah! Percorrem tranquilamente o Blogue que os vão encontrar…

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Mas devemos confessar que que do Porto regressámos a pensar se em relação a certos Syrah não teremos sido demasiado exigentes! Então, na semana seguinte partimos à procura de um desses Syrah que tinha sido muito mal classificado! A nossa escolha recaiu sobre o Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha, 100% Syrah, Lisboa, 2012! Há um ano custou-nos 4,50 euros. Desta vez um pouco mais barato, 3,95 euros, mas a questão não era essa! Tudo o que dissemos há um ano se mantém integralmente:
“Infelizmente não é o primeiro Syrah a merecer uma crítica tão negativa por parte do Blogue do Syrah. E mais uma vez não o fazemos de ânimo leve. Mais uma vez insistimos na nossa isenção, estando apenas ao serviço do grupo dos consumidores ao qual pertencemos. Já o dissemos e repetimos: se um Syrah nos espanta e encontramos características extraordinárias não temos problema nenhum em o afirmar a plenos pulmões, não tendo com isso algo que ganhar a não ser o prazer de revelar algo tão fantástico, e se for possível em primeira mão. Mas o que nunca desejamos que aconteça voltou a acontecer, pela segunda vez.
O Syrah Mundus da Adega Cooperativa da Vermelha só tem uma coisa a seu favor, o nome, Mundus, uma designação forte do ponto de vista do marketing, mas isso só não chega! OSyrah Mundus é elaborado sem brio, de Syrah como o entendemos nada tem, e como tal é considerado pelo Blogue do Syrah como inclassificável na bitola 14 a 20, e portanto nada mais nos resta que atribuir-lhe, não sem tristeza, um 0!
Segundo as notas de prova este Syrah “é um vinho estruturado, com aromas a frutos vermelhos sobremaduros conjugados com a madeira. Na boca apresenta-se macio e estruturado.” Ao beber este Syrah tudo isto se revela falso! É uma coisa de mau gosto, no sentido literal, que chega a dar engulhos de estômago. Não fomos capazes de beber mais do que uma taça em dois dias distintos.”

Passado praticamente um ano somos capazes de afirmar exactamente o mesmo, o que nos leva ao ponto de partida!
Se um vinho mau é sempre um mau vinho, um Syrah mau é sempre um mau Syrah, ou seja, não melhora com o tempo!

Como dizia o grande Aquilino Ribeiro:
“O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos.”

Nós aqui no Blogue do Syrah não produzimos Syrah, também não o engarrafamos, apenas o amamos, e quando o servimos aos amigos escolhemos sempre o melhor,  servido com paixão!!!


 

Caroline Frey: Uma mulher que dá cartas no mundo dos vinhos franceses

“Dans le vin, pas obligé d’être une multinationale pour exister”

Caroline Frey é a proprietária e enóloga do Chateau La Lagune no Haut-Médoc e da casa Jaboulet Elder na Côtes-du-Rhône. Conversão orgânica , conquista de mercados estrangeiros, e por aí adiante, ela vai detalhando os projectos que tem em curso, nesta entrevista que vale a pena ouvir!


 

Da colina do Hermitage … até à mesa de Michel Chapoutier!

O Norte do Vale do Rhône não chega a ter 100 Kms, e vai desde Vienne a Valence, por baixo de Lyon.
É onde se situa o reino de uma casta intensa e muito aromática: a casta Syrah, por nós tanto amada, que tem aqui o seu território de eleição!
E é mais precisamente em Tain l`Hermitage, que o nome de Michel Chapoutier predomina e ecoa por todo o lado (como bem comprovou o Blogue do Syrah quando lá esteve), ultrapassando fronteiras e chegando ao outro lado do mundo.

Neste vídeo que hoje apresentamos, Michel Chapoutier quer mostrar como se pode compreender a terra, ou melhor, o terroir do qual pretende ser um intérprete fiel. Nesta colina do Hermitage, vamos descobrir como algumas parcelas podem expressar a mesma casta de forma diferente.
A vinificação, como é entendida por Michel Chapoutier , é uma filosofia em si. O amor à terra e o respeito pelos homens que a trabalham levaram-no naturalmente a evoluir para a biodinâmica desde 1991. A riqueza e a eloquência do viticultor fazem o resto. É uma paixão desmedida e que partilhamos.

Um lição de 20 minutos que vale mais que 1000 aulas de enologia!


 

Curso sobre Vinhos – Jancis Robinson Wine Course – Syrah /Shiraz

 

O Jancis Robinson Wine Course é um curso sobre vinhos, ministrado por Jancis Robinson, uma das mais famosas e respeitadas Master of Wine da actualidade.

Este é o episódio que nos interessa, por estar aqui em destaque a nossa bem amada Syrah/Shiraz.

No vídeo poderá ver nomes conhecidos do mundo do vinho e muito particularmente do mundo que nos interessa: Syrah!

 


 

O vinho e o Paradoxo Francês

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Não, ao contrário do que muitos leitores que começaram a ler este texto podem pensar, o chamado Paradoxo Francês não tem nada a ver com o facto da selecção francesa ter perdido a final do campeonato europeu de futebol a favor da selecção das quinas!

Aquilo que fica para a história com a designação de “Paradoxo Francês” prende-se com o facto de a população francesa, que consome uma alimentação muito rica em gorduras saturadas, por exemplo queijo e carne em grande quantidade, ter uma quantidade de doenças cardiovasculares muito inferior à dos outros países do norte da Europa ou dos EUA. Isto seria, dito assim, incompreensível, pois só as populações que habitualmente consomem muito pouca gordura saturada apresentam uma incidência igualmente baixa de doenças cardiovasculares.

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A razão para este paradoxo reside, afinal, no consumo regular de vinho tinto. O vinho tinto é muito rico em resveratrol e outros polifenóis que são antioxidantes muito eficazes na prevenção do desenvolvimento da aterosclerose e, portanto, de todas as doenças cardiovasculares. A população dos países do norte da Europa consume preferencialmente cerveja e logo não tem esta capacidade protectora antioxidante.

O Blogue do Syrah já fez variadas referências à importância do resveratrol e dos outros polifenóis para a saúde, que podem ser lidas nos artigos que referenciamos a seguir.

As virtudes benéficas do vinho, e do Syrah, sobretudo, vêm sendo discutidas em diversos meios científicos, e foi a divulgação do Paradoxo Francês, em 1991, que despertou a atenção sobre o assunto. Esta expressão ficou famosa a partir de 17 de novembro de 1991, devido ao programa “60 Minutos”, da Rede CBS. Durante esse programa de televisão dos Estados Unidos, o cientista francês Serge Renaud (1927-2012), mostrou que estudos epidemiológicos à escala mundial demonstravam que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronárias que os americanos, sendo que os franceses são mais sedentários, fumavam mais e consumiam mais gorduras saturadas.

Diante dessa constatação, observou-se que o consumo moderado de vinho poderia ser a explicação para esse facto. O paradoxo foi posteriormente publicado na revista The Lancet, uma das revistas médicas mais bem conceituadas no mundo, o que contribuiu para o aumento do consumo de vinhos tintos, principalmente nos Estados Unidos e que deu origem a uma série de estudos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde humana. Essa informação causou grande impacto. Até então, o que a ciência nos ensinava é que ingerir bebidas alcoólicas era tão prejudicial quanto fumar. Com esses dados o conceito científico teria que ser mudado!

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Passados mais de 20 anos, milhares de pesquisas confirmaram os dados do Dr. Renaud. Inúmeros estudos explicam os mecanismos pelos quais essa protecção acontece e evidenciam outros efeitos favoráveis do vinho, como a longevidade e a protecção neurológica. Nos vinhos já foram identificados aproximadamente de 200 polifenóis e cerca de 95% tem origem nas cascas e sementes das uvas.  E é por isso que os vinhos tintos são considerados melhores para a saúde, pois são fermentados em contacto com a casca, o que permite maior extracção de substâncias benéficas ao organismo humano. De qualquer modo todas as bebidas alcoólicas, se consumidas em excesso, aumentam a exposição a uma vasta gama de factores de risco. Nesse sentido, o vinho também causa problemas quando consumido além dos limites. O Blogue do Syrah já o tinha explicitamente referido, por exemplo, aqui.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de uma taça diária de vinho (em torno de 100 ml). Porém não existe uma regra fixa que estabeleça o limite de consumo de álcool por pessoa, pois isso depende de uma série de factores inerentes ao indivíduo, como idade, sexo, estado emocional, e o próprio limite de tolerância ao álcool. Estudos feitos a partir do Paradoxo Francês mostram que é possível juntar ao prazer de beber Syrah muitos benefícios para a saúde. Mas para isso é necessário que se faça junto com as refeições, de maneira regular e moderada, e somente se não houver contra indicação ao consumo de bebidas alcoólicas.

Temos dito!


 

São os Europeus quem mais consome o vinho português!

Os Europeus consomem mais de metade de todo o vinho português exportado!

As exportações de vinho em Portugal mostraram um desempenho favorável nos últimos anos, com as vendas para os mercados externos a alcançar cerca de 740 milhões de euros em 2015, mais 2% do que em 2014 e um aumento superior a 25% face ao valor contabilizado em 2009, segundo o estudo sobre o sector vinícola.
Em 2015, as importações mantiveram-se nos 126 milhões de euros, o que resulta num superavit comercial do sector superior a 600 milhões.
Cerca de 65% das exportações totais em valor correspondem a vinhos com denominação de origem, destacando-se o vinho do Porto, com uma participação sobre o total superior a 40%.

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Os países da União Europeia são o destino de cerca de 55% das exportações, com a França e o Reino Unido à frente da lista de países europeus a consumirem vinho português.
Em relação ao volume de produção, a campanha 2014-2015 situou-se nos 6,2 milhões de hectolitros, 0,6% menos do que na campanha anterior.

O número de empresas com actividade no sector manteve nos últimos anos uma tendência de alta, até se situar em 1.070 no fim de 2014. O volume de emprego sectorial também aumentou ligeiramente entre 2012 e 2014, passando de 8 573 para 8 827 trabalhadores.

Os operadores de pequena dimensão predominam no sector, com o número médio de colaboradores por empresa a situar-se abaixo das 10 pessoas. Só 25 empresas empregam mais de 50 trabalhadores.