Category Archives: Diversos

150!

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Pois é verdade… depois de anunciarmos hoje o Salira, da Adega Cooperativa de Lagoa, 2005, a lista oficial dos Syrah da nossa terra atingiu este número redondo de 150!

Quando, a 1 de Outubro de 2014, começámos esta aventura de vir aqui contar a história dos Syrah portugueses, tínhamos conhecimento de um número deles que não chegava aos 100. A seguir, fruto da nossa investigação incansável, o total rapidamente ultrapassou esse limite, e continuou a aumentar.

Fomos tendo conhecimento de Syrah que existiu mas entretanto esgotou-se, de outros que existindo viemos a conhecer e, claro, durante este período apareceram mesmo novos Syrah em novidade absoluta. Para nós a descoberta de um novo Syrah, seja em que circunstâncias for, é sempre uma suprema alegria, para não dizer mesmo uma festa… que venham mais, sempre mais e melhor, se tal for possível!

O nosso agradecimento vai como sempre de forma desmedida para todos aqueles que, como paixão, sapiência e total entrega, produzem este néctar do qual alguém disse, “Bebei Syrah… ele é a vida eterna!”


 

A importância do Terroir

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Regressados do Vale do Rhône onde estivemos nos últimos dias e do qual iremos brevemente dar mais notícias para todos os apreciadores da casta Syrah, vamos recordar esta história em que o protagonista é Phillippe de Rothschild, a propósito da questão sempre presente da importância do Terroir. Isto por causa das diferenças entre O Hermitage e o Crozes Hermitage, duas das sub regiões que integram o Vale do Rhône ou entre a sub região de Cornas e de St. Peray e isto só para dar um exemplo.

Consta que, certa noite, anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de “Mouton Rothschild”, safra 1928. O empregado de mesa, em vez de trazer a garrafa para mostrar ao cliente, traz o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar. O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir o aroma, fecha os olhos e cheira o vinho. Inesperadamente, franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente:
– Isto aqui não é um Mouton de 1928!
O empregado de mesa assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é. Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chefe de mesa e o gerente do hotel, que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928. De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.
– O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente modestamente, e fui eu que fiz esse vinho.
Consternação geral.

O empregado de mesa então, de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:
– Desculpe, mas não consegui suportar a ideia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante. Afinal, o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma e o esmagamento das uvas faz-se na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.
Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o empregado de mesa pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:
– Quando voltar para casa esta noite peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha dois orifícios do corpo dela muito próximos um do outro e faça um teste de olfacto. Você perceberá a subtil diferença que pode haver numa pequeníssima distância geográfica!


 

8 e tantas óptimas razões para começar a beber Syrah!

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  1. É um aliado do coração e da próstata masculina…
  2. Melhora a função cognitiva…
  3. Reduz o risco de cancro…
  4. É um aliado na luta contra a gordura…
  5. Limpa o palato e combate as bactérias bucais…
  6. Liberta endorfinas…
  7. É um prazer que se sente na alma e acalma a mente…
  8. E por aí adiante…!

Que mais precisa de incentivos para começar a beber Syrah?


 

Évora Wine, 4 e 5 de Junho, 2016

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Estamos na Praço de Giraldo, em Ebora Liberalitas Iulia, a nossa Évora, assim denominada pelos Romanos quando aqui chegaram. Cidade desta forma vetusta, no coração do Alentejo, herdeira de rico e variado património histórico e cultural, erguido ao longo dos séculos. A cidade foi praça-forte que alicerçou, no Além-Tejo, a formação do novo reino de Portugal durante a reconquista cristã do século XII. Após consolidação das fronteiras com Castela, vários Reis aqui fixaram a sua corte. O património histórico e artístico que hoje se preserva na cidade resultou de certa forma dessas longas permanências da monarquia portuguesa por estas terra. O conjunto monumental que é o legado da cidade está na base da classificação de Évora como Património Cultural da Humanidade, que lhe foi atribuído em 1986.

Mas o que hoje nos trouxe aqui, mais uma vez, e sempre com enorme prazer, foi o encontro anual na cidade dos produtores de vinho do Alto Alentejo, onde, todos sabemos, se produz algum do melhor Syrah do mundo.

Provar, degustar, falar com quem sabe, inquirir de novidades, elogiar, e claro, como sempre, rogar por mais, sempre mais e melhor Syrah! Uma festa… assim começamos, mais as nossas apoiantes, neste espaço de absoluto encanto.

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Quase todos os produtores por nós anunciados anteriormente estavam presentes, ficando por comparecer a Carmim, por falta de comerciais, foi o que nos disseram.
Podiam estar muitos mais presentes, mas não estiveram, e foi pena. Quem sabe para o ano… não faltem!

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O Blogue do Syrah pronto para o embate… vamos a isso!

 

Começar em grande... Dona Dorinda, com o nosso amigo Vitor Conceição... orgânico e superlativo!
Começar em grande… Dona Dorinda, com o nosso amigo Vítor Conceição… orgânico e superlativo!

 

Há Syrah por aqui, mas não compareceu na amostragem...!
Há Syrah por aqui, mas não compareceu na amostragem… mas nós sim!

 

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Adega Herdade das Aldeias, uma das grande novidades da encontro… Aldeias de Juromenha 2012!

 

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A festa continua, na melhor companhia possível… outra novidade: Senses Syrah 2013! Em frente, sempre.

 

Mais um havia mas já não há, logo nunca poderia estar presente... o divino Scala Coeli... para quando mais?
Mais um havia mas já não há, logo nunca poderia estar presente… o divino Scala Coeli de infinita memória… para quando mais?

 

Nem Tiago nem Syrah... mas há, só que não havia!
Nem Tiago nem Syrah… mas há, só que não havia! Adiante…

 

Este Syrah e esta garrafa que nós tanto amamos... e a simpatia do costume!
Este Syrah e esta garrafa que nós tanto amamos… e a simpatia do costume… terapia!

 

Há?... bem, haver há, mas neste momento só em papel... não chega!
Há?… bem, haver há, mas neste momento só em papel… não chega, mas já é alguma coisa… promessas, promessas!

 

Haveria de haver, mas havia?... não!
Haveria de haver, mas havia?… não… entendido!

Ficam ainda algumas imagens do ambiente que se vive aqui por Évora este dias, onde a Queima das Fitas pelos alunos da famosa Universidade local ainda veio dar mais colorido, embora negro, a todo o espaço urbano.

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Ainda houve tempo de participar na aprendizagem da gastronomia local, com o chef Rui Fialho, do célebre restaurante local com o mesmo nome, as nossas apoiantes em pleno requinte sápido!

Até para o ano, se os Deuses quiserem!


 

Évora Wine – A grande mostra de Syrah do Alto Alentejo!

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A terceira edição do ÉvoraWine está quase a chegar!
Este ano realizada em lugar nobre, a Praça do Giraldo, no centro da cidade!
É já nos próximos dias 4 e 5 de Junho!

O Blogue do Syrah estará presente em peso, de armas e bagagem, para fazer reportagem completa… Para conversar com os produtores e com os enólogos presentes… Para continuar o incentivar a produção deste nosso maravilhoso Syrah… para tentar convencer outros a produzirem pela primeira vez!

O evento de dois dias irá juntar mais de trinta produtores e cerca de 180 vinhos! Uma dezena deles será monocasta Syrah, para nosso enlevo!

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Uma iniciativa que apresenta também um programa que promove o casamento entre vinhos e gastronomia. Na agenda de actividades, como se pode ver, destaque para as apresentações de cozinha com o chefe Rui Fialho (Restaurante Fialho – 4 de Julho) e o chefe Pedro Carvalho (Restaurante Piparoza – 5 de Julho).

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A entrada é livre e o participante terá apenas de adquirir um copo de prova, como é habitual, a preço de custo.

Eis a lista dos produtores de Syrah presentes neste evento:

  • Dona Dorinda
  • Fundação Eugénio de Almeida
  • Adega de Borba
  • Herdade São Miguel
  • Solar dos Lobos
  • Marcolino Sebo
  • Comenda Grande
  • Tiago Cabaço Wines
  • Carmim

Lá nos encontraremos!


 

A minha paixão pelo vinho: Syrah! – por John Stimpfig

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Depois de lermos este texto em inglês, que nos foi indicado pelo amigo Paulo Pimenta, a quem desde já agradecemos, achámos que valia a pena fazermos a sua tradução integral para português. O director do site Decanter explica porque coloca os vinhos produzidos a partir da casta Syrah num pedestal acima dos outros todos.
Este é o nosso texto de hoje, com a devida permissão.


“Recentemente pediram-me para escolher uma casta – dominante ou em vinho blend – para beber o resto da minha vida. A minha resposta foi imediata e sem hesitação: Syrah/Shiraz. Para mim é a casta maior de todas.

Porquê Syrah? Porque não? Para mim, um Syrah tem o perfume e a frescura de um Pinot Noir sem os entulhos da adega. É também mais suave e generoso que um Cabernet. Com efeito, ocupa um lugar abençoado entre esses dois rivais.

Estou disposto a confessar que o meu coração prefere as variantes ao estilo do norte do Rhône. Mas não recuso um grande Syrah Australiano, particularmente se for confeccionado por alguém como Ben Glaetzer. O seu Amon Ra ou The Bishop são sempre bem-vindos à minha mesa sempre que quiserem.

Claro, actualmente é um erro referir apenas os Syrah da Austrália. Principalmente quando preferimos alguns do meus Syrah favoritos como Penfolds St. Henri, Clonakilla, Jim Barry’s Armagh e muitos outros. Como Huon Hooke já disse, pelo menos 25 regiões vinícolas Australianas produzem excelente Syrah, desde Hunter até Swan Valleys, de tal forma que nenhum outro país produz tal vastidão de Syrah em terroirs tão diversificados. Mais, há também magníficos Syrah na Tasmânia. E há uma boa razão pela qual a casta Syrah ocupa grande parte da vinha por estas terras: é uma casta quase infinitamente deliciosa de se beber.

Na terra da grande nuvem branca, o Syrah kiwi é quase tão bom como os seus parentes do Norte do Rhône. De facto, segundo Bob Campbell, até a Nova Zelândia possui Syrah com a mesma similitude floral, pimenta e frutos vermelhos como muitos do seus parceiros do hemisfério norte. Enquanto a Africa do Sul continua a fazer alguns Shiraz estupendos, muitos produtores começam a colocar Syrah na etiqueta seguindo a tradição do Rhône. Nos Estados Unidos, Califórnia e adegas em Washington começa a seguir-se a rota ao estilo Syrah. O mesmo acontece no Chile e Argentina, onde os vinhos são mais elaborados e redondos. Como diz Peter Richard: o Chile consegue fazer Syrah Rhoniano com uma agudeza difícil de igualar.

E não podemos esquecer o Syrah que nasce nas suas origens. Com toda a felicidade, o Rhône permanece como a meca indisputável do Syrah. Aí, numa faixa de 65km ficam as super estrelas Cote Rotie, Crozes-Hermitage, Hermitage, St. Joseph and Cornas. Todas juntas, produzem sem sombra de dúvida vinhos maravilhosos, que oferecem sublime qualidade e carácter a preços inacreditáveis, comparados com os Burgundy ou Bordeaux.

Claro, sendo um confesso fanático por Syrah, eu teria que dizer isto, claro.”


Nós aqui no Blogue dos Syrah portugueses só lamentamos que Stimpfig não tenha mencionado Portugal, talvez por desconhecimento… vamos arranjar maneira de lhe dar a conhecer algum do melhor Syrah do mundo, que brota em terras lusitanas, ele não haverá de discordar!