Uma das faces da ditadura é a estupidez e a ignorância! E vem mesmo a propósito contar uma pequena história, que não vem nos livros e são sempre as melhores, contada há muitos anos por Emídio Santana a propósito de um anarquista que estaria a ser vigiado pela polícia política do Salazar, a Pide de má memória, e que numa bela noite às duas da manhã decidiu invadir a casa onde morava à procura de elementos incriminadores, quando um pide descobriu um dicionário Larousse e disse: “É russo, é russo” e prenderam-no.
É verdade que em relação à estupidez e à ignorância também se pode dizer isso da democracia representativa embora por outras razões que não cabem aqui analisar. Já Einstein dizia que: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não tenho a certeza absoluta”.
Mas vamos à nossa história de hoje. A palavra “vinho” tornou-se alvo de censura no Irão. Novas normas em vigor no país procuram “proteger” a cultura nacional, proibindo a impressão da “palavra maldita” nos novos livros publicados. A informação é do jornal britânico The Telegraph.
Explica do alto do seu poder despótico o ministro iraniano Mohammad Selgi: “Quando os livros são registados, a nossa equipa precisa primeiro ler página por página para ter a certeza de que não é necessária nenhuma mudança editorial para estar de acordo com os princípios da Revolução Islâmica. É preciso censurar qualquer alinhamento com a cultura ocidental ou insulto contra o profeta.” As orientações foram lançadas a pedido do atual “líder supremo” do clero iraniano Ayatollah Ali Khamenei. Aparentemente pediu ao Ministério da Cultura para desenvolver livros, filmes, videojogos e brinquedos que “contenham a invasão da cultural ocidental no Irão, culpada por destruir a identidade islâmica”. Responsável pela permissão de livros do Ministério da Cultura e do Guia Islâmico, o ministro Selgi terá feito inúmeras declarações do tipo nos últimos meses. Ironicamente, uma delas para a revista iraniana “Shirze”, sediada na cidade habitualmente associada à origem do nome da uva “Shiraz”. Como consequência, acabou sendo criticado pelo presidente do clero iraniano, Hassan Rouhani.
Apesar de considerada, nesta circunstância, parte da “invasão cultural do ocidente”, o vinho sempre teve uma forte ligação com a cultura pré-islâmica. As suas origens muitas vezes remetem à Pérsia e o país certamente já possuiu uma grande cultura de vinho no seu passado. Desde a Revolução Islâmica, em 1979, é proibido o consumo de bebida alcoólica no Irão.
O que os iranianos não devem esquecer, apesar de anónimo, é que: “O mais humilde ser humano, ao experimentar ou oferecer um vinho, perpetua tradições milenares e realiza um acto ritual”.







