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O que são as lágrimas de Syrah?

Possivelmente já ouviu alguém dizer que o Syrah tem “lágrimas”, ou até mesmo que o “Syrah chora”, e se achou que essa pessoa já tinha bebido além da conta, então está enganado.

As lágrimas de Syrah, também chamadas de pernas, arcos, abóbadas, ou ainda tecnicamente designadas por arquetes, são as gotas, ou filetes, que se formam na superfície da taça, quando agitamos um Syrah.

É comum ouvir que elas significam qualidade, doçura ou ainda que representam a viscosidade de um Syrah. Porém essas afirmações não passam de mitos equivocados. O facto é que elas são o resultado do efeito de Marangoni, nome dado em homenagem ás investigações do físico italiano Carlo Marangoni na década de 1870.

O fenómeno ocorre porque o Syrah integra dois componentes principais – água e álcool (etanol) – e estes dois componentes têm uma velocidade de evaporação e uma tensão superficial bem diferentes. Resumidamente, quando agitamos Syrah o efeito de capilaridade faz com que ele suba nas paredes da taça. Como o álcool evapora mais rapidamente que a água, a película de Syrah presa nas paredes torna-se cada vez mais aquosa, e como a tensão superficial da água é mais elevada que a do álcool, cria-se uma diferença de tensão que atira o Syrah para cima, formando um anel. Como as moléculas da água tendem a se agrupar, o anel “rompe-se”, formando gotas, que devido a força da gravidade vão escorrer e criar o efeito de lágrimas.

Desta forma concluímos que as “lágrimas”, nada têm a ver com a qualidade, ou viscosidade do Syrah. Elas são o resultado da diferença de velocidade de evaporação e de tensão superficial entre a água e o álcool, logo quanto mais elevado for o teor alcoólico, mais lágrimas o Syrah terá e mais lentamente irão descer pela taça. A humidade e temperatura da sala, também influenciam e se, por exemplo, estiver a beber um Syrah em frente à lareira, vai reparar que o efeito de Marangoni é mais acentuado.


 

A questão da moderação

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“A embriaguez não provoca os vícios: limita-se a pô-los em evidência” Séneca

Nós, que escrevemos sobre vinhos e especificamente sobre Syrah, salientamos, sempre que temos oportunidade, a importância de valorizar a qualidade em detrimento da quantidade. Interessa mais beber um Syrah extraordinário do que beber em excesso!

Por isso é que é importante apelar à moderação no consumo de Syrah, beber pouco mas bem, com subtileza, eventualmente fazer a sua harmonização com a comida enfatizando o lado gastronómico. Portanto de forma alguma apelamos ao abuso. Beber e apreciar Syrah está longe de ser o motivo para o problema da alcoolemia.

Vários estudos médicos sugerem que beber moderadamente, para os homens, significa duas taças de vinho ao dia. Já para as mulheres, o consumo moderado limita-se a uma taça diária. Mas vale ressaltar que essa definição de duas taças diárias para o homem, e uma para as mulheres, nem sempre foi assim, apesar de hoje parecer um razoável consenso.

No século XIX, por exemplo, o médio inglês Francis Anstie ficou famoso por propor qual seria o limite de consumo diário de álcool sem prejuízo para  a saúde: a recomendação era que as pessoas não excedessem o equivalente a “três ou quatro copos de vinho do Porto por dia”, sem fazer distinção entre homens e mulheres.

Já em 1979, o Colégio Real de Psiquiatria do Reino Unido considerou que “uma garrafa de tamanho padrão de vinho constituía uma directriz razoável de consumo diário”.
Em 1987, na Austrália, o Conselho Nacional de Pesquisa Médica e de Saúde recomendou limites de 4 taças de vinho diárias aos homens, e duas taças às mulheres. Mas, em 2001, ajustando as suas directrizes, a recomendação foi alterada para duas taças diárias, independente do sexo.

Assim como a margarina e os ovos, que ora são homenageados, ora são incriminados, o que se entende por consumo moderado também varia de acordo com a cultura e o conhecimento científico que se tem, à determinada época, e em determinado local.
De qualquer maneira, o conceito de consumo moderado está baseado no equilíbrio da relação entre maiores benefícios para a saúde, e menores riscos. Quem consome Syrah, moderadamente e com responsabilidade, desfruta sempre de todos os prazeres que ele proporciona.

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A moderação no consumo de álcool não é uma ideia nova. Essa preocupação sempre esteve presente na história da humanidade, e do vinho. Segundo a Bíblia, Noé teria sido o primeiro homem a plantar uma vinha. E também o primeiro homem a beber vinho. Mas infelizmente, também, o primeiro homem a embriagar-se. Aí entra uma outra história, presente no Midrash, literatura judaica que explica a Tora Escrita (ou Pentateuco, que são os cinco primeiros livros bíblicos, de autoria atribuída principalmente a Moisés). Quando Noé plantou a vinha, o diabo teria  aproveitado a situação, matando quatro animais (um cordeiro, um leão, um porco e um macaco), e teria derramado o sangue deles nas raízes da vinha.O efeito do álcool no nosso cérebro, seria, segundo o Midrash, resultado disso.
Um pouco de vinho deixa-nos como um cordeiro: mais inocentes, mais dóceis, mais amistosos. Ao bebermos um pouco mais, nos sentimos fortes como um leão, mais audaciosos e orgulhosos. Se formos um pouco além da conta, agimos como porcos, caindo para o chão. O exagero, em compensação, faz com que nos comportemos como macacos, fazendo macaquices sem nenhum juízo.

O Midrash utiliza o episódio da embriaguez de Noé para discorrer a respeito dos riscos do consumo de álcool em demasia. E não pense que isso acontece só com os outros. Precisamos sempre estar atentos quanto à moderação. Vale a pena lembrar que Noé não era um homem qualquer, ele era um homem extremamente virtuoso, e por isso mesmo, o escolhido e poupado do dilúvio, por Deus, o que quer dizer que numa pequena falta de atenção o deslize pode acontecer!


 

Fazer um brinde com uma taça de Syrah!

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O brinde é tido como um momento importante entre os amigos, seja por algum motivo especial ou simplesmente pelo acto em si de brindar à saúde de alguém. Os motivos podem ser mais que muitos, mas é suficiente desejar sempre as melhores coisas com quem se está a brindar!

Existem muitas histórias sobre a origem deste tradicional hábito, algumas baseadas em factos históricos, outras em lendas místicas, mas o facto é que todas elas não passam de mera especulação, não havendo uma prova real sobre a sua origem.

Uma dessas histórias conta que uma vez, no Monte Olimpo, houve problemas entre os Deuses. Os sete sentidos tinham sido convidados para uma festa por Dionísio, o Deus do vinho, mas mesmo as bebidas mais deliciosas que o mordomo Baco servia com mão pródiga não deixavam todos satisfeitos. Os sentidos – pelo menos seis deles – expressaram satisfação em poder contribuir para as sessões do vinho.
A animação cativava os olhares e encorajava as pessoas a dançar. O sentido do Tacto passou muito tempo bebendo goles de vinho, trocando opiniões com a Fala que ia tomando notas – tratava-se de uma dupla de escritores especializados em vinho. O sentido do Paladar estalava os lábios e mostrava expressões satisfeitas depois de engolir, olhando desdenhosamente para o sentido da Visão que segurava um copo contra a luz do sol, e do Olfacto, que fazia ruídos com alguma intensidade cheirando alguma fruta ou flor deliciosa.

Todos os sentidos estavam ocupados – com excepção de um. Esse último sentido não estava a beber e dirigiu-se a Dionísio com modos de quem vai protestar. “Eu fico sempre de fora! Toda a gente aqui obtém alguma coisa do vinho, mas eu não: como é que eu posso ouvi-lo?”. Porque se tratava do sentido da Audição.
“Claro que pode!”, disse Dionísio jovialmente. “Vai a uma adega quando o vinho estiver a ser feito; o gorgolejar, os sons das ondulações, tudo isso deverá dar-te prazer.”.
“Mas eu não posso simplesmente ficar lá!”, objectou a Audição. “Vocês todos se divertem à volta da mesa; a menos que alguém parta um copo ou caia bêbado, não há nada para mim aqui!”. Dionísio tomou um copo da bandeja de Baco, que acotovelou a Audição, que pegou outro.
“Agora ouça! Quando as pessoas se reunirem para desfrutar do vinho, elas farão isto” – e ele ergueu o copo batendo-o levemente contra o da Audição, de modo que os dois tilintaram agradavelmente. “Ouviste?”, disse o Deus do vinho. “Seja copo contra copo, caneca contra caneca, jarro contra jarro, essa é a música daqueles que gostam de vinho! Saúde!”. O sentido da Audição ficou surpreso e andou por ali batendo com o copo contra todos os outros.

Mas há erros graves que se devem e podem evitar ao fazer um brinde. Eis os mais habituais, embora o que é mais importante ao fazer um brinde, e ainda por cima com um Syrah, é a sinceridade com que é feito!

  • Jamais bata na taça para chamar a atenção de todos. É deselegante.
  • Se estivermos a ser brindados, devemos primeiro ouvir e só depois agradecer.
  • Não colocar nunca a mão na taça e muito menos beber durante o brinde – é considerado falta de respeito.
  • O brinde nunca deve ser lido, mas dito de improviso. Se tem receio que a memória o possa atraiçoar, deve fazer um brinde breve.
  • Aliás, um brinde deve mesmo ser curto, apenas o suficiente para conter a homenagem e breve na medida certa para assegurar o divertimento.
  • Nunca brindar à sua própria saúde!
  • Retribua o brinde se for brindado pelo anfitrião.
  • Só pode fazer um brinde se a sua bebida for alcoólica e de preferência Syrah, pois claro.
  • Qualquer outra bebida não alcoólica não serve. De boas intenções está o mundo cheio…
  • Pode brindar a mais de uma pessoa. A toda a família ou a toda a sua equipa, por exemplo.
  • Não seja o primeiro a tomar a dianteira. O anfitrião deve ser o primeiro a fazer o brinde.

Dito isto um brinde à saúde de todos, se possível com um Syrah português topo de gama… e já agora mais um brinde agradecido a todos os que fazem Syrah em Portugal!


 

Inauguração da novíssima Garrafeira Estado D’Alma, Rua Alexandre Herculano nº 45 A, Lisboa

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Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Chico Buarque

Foi assim a inauguração, na quinta-feira passada, da nova extensão da garrafeira Estado D’Alma, uma grande festa que durou várias horas, com mais de 400 pessoas, segundo dados não oficiais, que fizeram questão de marcar presença para tornar este acontecimento memorável.

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Muitos produtores, muitos enólogos, muitos enófilos, incluindo o Blogue do Syrah, como não podia deixar de ser, muitos estrangeiros até, enfim, muito público em geral unidos pelo mesmo princípio de ao comemorar a inauguração desta nova loja da Estado D’Alma, Garrafeira Vintage, e desejar a toda a sua equipa capitaneados pela dupla Tiago Paulo e Susana Paulo muitas felicidades na promoção, divulgação e venda daquilo que melhor se faz em Portugal e fora de portas no que diz respeito ao suco de Baco!

Produtores presentes identificámos:

E que andou por ali bebendo o Blogue do Syrah? Syrah, com toda a certeza, entre outras coisas de qualidade de que é importante deixar aqui testemunho.

De António Saramago Vinhos o tinto Dúvida de vinhas velhas que impressionou pela garra e concentração.

Da Quinta do Gradil o espumante Castelo do Sulco com uma relação qualidade preço que nos deixou em sentido! Do Syrah fabuloso desta quinta de Lisboa, nem vê-lo e porquê? Porque esgotou, segundo um dos seus responsáveis Joaquim Coelho devido ao texto elogioso do Blogue do Syrah! Se foi mesmo assim ficamos contentes e tristes ao mesmo tempo. Contentes, porque fica provado que há espaço no mundo dos vinhos em Portugal para produzir e consumir monocasta Syrah e em tempo recorde! Tristes porque aquele Syrah com a data de 2013 já não nos vai passar de novo pelo estreito! Mas damos aqui a novidade em absoluto!! O próximo Syrah da Quinta do Gradil vem a caminho e estará disponível, nomeadamente na Garrafeira Estado D’Alma ainda este ano! Ainda bem! Ficamos aliviados e felizes!

Da Quinta de Lemos o seu monocasta Alfrocheiro que nos “obrigou” a dupla dose!

Dos Vinhos do Porto Sandeman um Porto Tonic feito e servido pelo sommelier  David Rosa que nos convenceu logo à primeira!

Da Quinta do Pinto o seu Syrah/Merlot que já conhecíamos faz muito, mas é sempre um prazer superlativo estar na sua presença!

Mas para nós nada ultrapassou o Syrah de Cortes de Cima, Homenagem a Hans Christian Andersen, e ainda para mais servido pelo Hamilton Reis: sempre um prazer desmesurado poder trocar algumas palavras sobre a sua experiência de enólogo!

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E como poucos vão ler este texto até aqui, logo estamos à vontade, fazemos aqui acto de premonição: a garrafeira Estado D’Alma, com a equipa de luxo que actualmente possui (e ninguém está esquecido que  por exemplo um dos seus quadros, o sommelier João Chambel, foi considerado ainda há pouco tempo como o melhor do ano), adicionando mais esta valência arrisca-se a muito brevemente poder vir a ser considerada garrafeira do ano! Nem mais nem menos!

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Fica ainda uma nota curiosa sobre esta última imagem, para que se olhe o estado de alma, diremos nós, estado de concentração, com que o Carlos Jorge responsável de loja aqui evidencia! Mesmo com as miúdas giras que estavam à sua frente não perde a concentração nem por um momento! Eis muito bem o que pode vir a ser utilizado em aulas de Psicologia e Comportamento Humano como exemplo ilustrativo da capacidade de concentração por alguém muito bom no trabalho que desempenha!

Da nossa parte fica o convite para que façam uma visita a esta nova e excelsa garrafeira no centro de Lisboa!


 

Hotel Lindenwirt – Que tal dormir dentro de um barril?!

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Que tal hospedar-se dentro de um barril?

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Vamos a isso, pois um hotel na Alemanha, o Lindenwirt Das Weinhotel, em Rüdesheim am Rhein, propõe isso mesmo, um quarto dentro de barris de 6000 litros! E com duas camas, salinha e quarto de banho… um luxo.

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Claro, a degustação de vinhos na adega do hotel está incluída. No nosso caso, falta uma condição para a estadia ser perfeita: que a adega tenha Syrah à disposição do cliente!


 

Como abrir uma garrafa de Syrah com uma chave

Ter uma garrafa de Syrah para beber e não ter um saca-rolhas à mão é um pesadelo que queremos bem longe. Felizmente, existe este truque, executado com a uma chave normalíssima, que funciona muito bem, e não há muito perigo de arruinar a chave no processo.

Este vídeo explica todo o processo de como retirar uma rolha de uma garrafa de vinho com uma ferramenta que todos temos no bolso.

E olhando bem podemos ler parcialmente o rótulo da garrafa, Cotes… du Rhone, com toda a certeza, logo trata-se mesmo de um Syrah gaulês!