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Produção de Vinho aumenta 13%

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Hoje dois pequenos apontamentos com dado que retirámos do Instituto da Vinha e do Vinho.

A primeira diz que a produção da nossa bebida preferida aumentou 13%, com o volume total a ultrapassar os 7 milhões de hectolitros.

A continuação das condições climáticas favoráveis, antes e durante a vindima, potenciou o aumento da produção, traduzindo-se num acréscimo de mais 5% face ao previsto (8%), que foi também acompanhado em termos qualitativos e vai contribuir para uma melhoria nos stocks de vinho e potenciar o aumento das exportações de vinho nacionais, resultando também numa diminuição das importações

A situação em Portugal segue a tendência das estimativas divulgadas por Bruxelas para a Europa que aponta para um aumento de 3% da produção, com a Itália, na qualidade de maior produtor europeu de vinho, a prever um acréscimo de 13% face à campanha anterior (+5,6 milhões de hectolitros).

Seguindo esta lógica seremos de esperar que também o nosso Syrah se apresente em alta a todos os níveis. Cá estaremos para o receber de paladar aberto!

 

A outra nota de hoje fala do novo regime de autorizações para plantação de vinha, que é aplicável no período de 1 de Janeiro de 2016 a 31 de Dezembro de 2030. Este novo regime prevê anualmente a atribuição graciosa, aos produtores, de autorizações para novas plantações de vinha.
Com a publicação do Despacho n.º 3071/2016, de 29 de Fevereiro foram fixadas, a nível nacional e para o ano de 2016, as regras e os critérios de elegibilidade e de prioridade e os procedimentos administrativos a observar na distribuição de autorizações para novas plantações de vinha.

Estas novas autorizações são válidas por três anos após a data da sua concessão, não sendo este prazo prorrogável.

Continuando a nossa lógica implacável, e para concluir, também aqui esperamos que mais e mais casta Syrah seja plantada, mais produção venha ao de cima, sempre com mais e mais qualidade… assim seja!


 

The Wine Show

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Vagueando por aí mundo cibernético adiante, fomos encontrar o projecto de uma prometedora série inglesa sobre Vinho. A qualidade ITV, e toda a subtileza e sofisticação que se pressente, desde logo fazem adivinhar algo a não perder e que desde já aguardamos ansiosamente!

Estão previstos 13 episódios, e as filmagens decorrem pelo mundo inteiro, sobretudo por onde há bom vinho. A capitanear toda a excelência do percurso estão os actores ingleses Matthew Goode, que recentemente vimos na inolvidável série Downton Abbey, e Matthew Rhys que conhecemos por exemplo de mais um série que deixou memória Brothers and Sisters.

Tendo como base de apoio uma casa maravilhosa em Itália, aos dois actores juntam-se os especialistas Joe Fattorini e Amelia Singer, e o percurso estende-se ao mundo da culinária, aliado constante do mundo vinícola. De uma forma lúdica e apelativa são assim apresentados a quem aprecia vinho o melhor que existe a vários níveis, cultural, gastronómico, turístico, etc.

Com toda a certeza, assim queremos acreditar, a nossa casta favorita, Syrah, terá lugar de destaque, e quando isso acontecer esses serão os episódios que não vamos perder de que maneira for!


 

A grande maioria dos consumidores não entende as notas de degustação

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Uma pesquisa realizada pela One Poll, do Reino Unido, concluiu que mais de metade dos entrevistados não compreendem o conteúdo das notas de degustação dos vinhos. No total, 55% manifestaram que as descrições não ajudam a entender as características do vinho.

De acordo com a pesquisa, que contou com a participação de mil adultos, os consumidores do Reino Unido pensam que as descrições são mais “pomposas” do que úteis. Cerca de dois terços dos participantes disseram que nunca percebem os mesmos aromas do vinho que sugere o rótulo, e apenas 9% afirmaram olhar as críticas antes de escolher uma garrafa.

Há alguns termos, porém, que são úteis para os consumidores. Entre os mais elogiados estão, por exemplo, “fresco“, “suave“, “ácido“, “aveludado” e “terroso“, enquanto as menos úteis foram “estrutura firme“, “língua impactante“, “inquietante” e por aí fora tudo o que siga para o campo da abstracção.

Além disso, sete em cada dez pessoas responderam que dizer o sabor de uma fruta é a melhor maneira de descrever um vinho e que é muito útil quando se recomenda uma harmonização. Por fim, quase a metade dos entrevistados disseram que as descrições do vinho poderiam melhorar com palavras descritivas e comparações mais modernas.

Nós aqui no Blogue do Syrah não somos muito de abstraccionismos e jogos de palavras quando de trata de falar de um Syrah. Geralmente usamos uma linguagem simples e concreta, e a maior parte das vezes citamos o enólogo ou produtor, que esse sim tem uma visão bastante concreta do seu produto!

Como dizia Mark Twain “Não há padrões quando se trata de provar um Syrah… O paladar de cada bebedor é o seu padrão, e a maioria não pode decidir por ele, em menor grau que seja, o efeito supremo do seu próprio padrão!”


 

Os sabores elementares de um Syrah

Quando provamos um Syrah de que gostamos muito, sentimos imediatamente aquela sensação de prazer e anestesia geral, parece que o mundo se deteve e a única coisa relevante naquele momento é o líquido vínico que passeia pelas nossas papilas gustativas e desce garganta abaixo.
Depois desse momento de êxtase expressamos de um modo empolgado: Mas que Syrah! Que Syrah espectacular! Isso acontece graças ao sabor do Syrah.

As sensações gustativas revelam inicialmente quatro sabores elementares do Syrah: doce, salgado, ácido e amargo. Porém existe o quinto sabor, que é o ápice da sensação de ”delicioso”, que os asiáticos já conhecem por Umami. A sensibilidade cutânea transmite sensações tácteis (adstringência, aspereza e maciez ou untuosidade), térmicas e dolorosas, que poderíamos definir como complementares; o olfacto por sua vez fornece o aroma, que é o componente mais importante do gosto, pois é o que mais influencia o carácter e determina a qualidade. Todas estas sensações são percebidas quase ao mesmo tempo, e por isso muitas vezes é difícil analisar, separar e atribuir cada uma delas a uma determinada modalidade sensorial.

Para conseguir tirar o máximo proveito de um Syrah, existem técnicas que ajudam a sentir melhor os sabores, e com isso, ter uma melhor experiência na hora da degustação.
Uma dica básica é deixar o Syrah passear livremente pela boca, observando atentamente as diferentes sensações em cada região da língua e das mucosas. Estas sensações são os quatro sabores elementares do Syrah, e quem sabe, o tal Umami.

1. O sabor doce
No Syrah, o sabor doce é provocado não só pelos açúcares residuais (frutose e glicose), mas também pelo álcool e pela glicerina (glicerol). Estas substâncias são melhor percebidas na ponta da língua e na fase de ataque (primeira fase da análise gustativa, logo que o Syrah entra em contacto com a boca) e são reconhecidas não apenas por sua doçura, mas também porque provocam sobre as mucosas da boca uma sensação táctil de maciez e untuosidade.

2. O sabor salgado
É um sabor raramente encontrado nos Syrahs. É descrito, às vezes em Syrahs de regiões muito próximas ao oceano.

3. O sabor ácido
Proveniente, no caso dos Syrahs, dos ácidos próprios da uva (tartárico, cítrico e málico) ou dos ácidos provenientes da fermentação alcoólica (succínico, láctico e acético). Estas substâncias são percebidas nas bordas laterais da língua, também na fase de ataque e reconhecidas pela salivação fluída e abundante que provocam.

4. O sabor amargo
Os taninos podem provocar uma sensação de amargor discreto (em Syrahs jovens de boa qualidade) que é melhor sentido no fundo da língua, ou mesmo nenhum amargor (se estes taninos forem muito finos e maduros). O amargo intenso e desagradável é, sempre que presente, um defeito ou uma doença do Syrah.

5. O sabor Umami
Palavra japonesa que significa “saboroso” ou “delicioso”. Ocorreu nos últimos dez anos uma grande evolução na compreensão do gosto. A ciência ocidental identificou os quatro sabores básicos tradicionais: doce, amargo, salgado e ácido, determinados pelos receptores cognitivos do gosto. A tradição culinária manteve que, da união desses quatro sabores surgiriam todos os outros. Na Ásia, tradicionalmente sempre existiu a noção de cinco sabores elementares: o doce; o amargo; o salgado; o ácido e o picante (pimenta quente). Este quinto gosto aparece referenciado na literatura chinesa pelo menos a partir do terceiro século d.C. No Japão, o gosto “Umami” substituiu o quinto sabor – picante – e é considerado um dos sabores básicos, com um receptor próprio na língua. Em 1908, Kikunae Ikeda da Universidade Imperial de Tokyo, intrigado pelo sabor incomum a caldo de carne adocicado, foi o primeiro cientista a identificar o sabor umami como um sabor distinto. Isolou e identificou pelo menos um elemento do gosto de umami – o aminoácido glutamato.
Umami” é associado com uma experiência da qualidade perfeita de um gosto. Diz-se também envolver todos os sentidos, não apenas o do gosto. Entretanto, já foi isolado e caracterizado o receptor do gosto de umami por Nirupa Chaudhari e respectivos colegas, na Universidade de Medicina da Escola de Miami.

O Syrah contém tipicamente um a quatro gramas de aminoácidos por litro. Sendo o umami um sinónimo da perfeição no gosto, existem enólogos que conseguem o aparecimento do sabor umami nos seus Syrahs, pelo uso de métodos artesanais: a fermentação ou envelhecimento em madeira, engarrafamento sem filtração, e envelhecimento em adegas/caves subterrâneas com temperatura e humidade controladas. Somente passados três a dez anos é que estes “Syrahs lentos” são comercializados. Normalmente são muito apreciados pelos adeptos do “Slow Food”.

Vai uma taça de Syrah com gosto a umami? Venha ela, ou elas!


 

Vinho ultrapassa sol e mar como maior atributo turístico de Portugal!

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Hoje falamos de um estudo do Instituto do Turismo, de 2014, que em inquérito internacional apurou que o maior potencial turístico do nosso pais é o vinho!

O vinho, seu cultivo, comércio e industria surge assim associado a Portugal como de grande interesse a nível de operadores turísticos. É por aí que devemos ir, diz-se.

Visita-se assim Portugal pelas praias, clima, gastronomia, cultura, urbanismo histórico, e agora também se promove o turismo enológico e vinícola. Concordamos plenamente.

Portanto já não é só mar e sol, os especialistas falam de um país agradável e especial, e que mesmo por entre grandes turbulências económicas e sociais, as oportunidades continuam a surgir.

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O turismo ligado à actividade vinícola surge cheio de atractivos. Rotas do vinho e das regiões, turismo de habitação em lugares aprazíveis e de paisagem variada de norte a sul, produtos gourmet, degustação de safras, tudo isto é mais que suficiente para atrair quem deseja fugir da rotina e conviver com a natureza em plena tranquilidade.

Da nossa parte, o mundo maravilhoso do Syrah em Portugal oferece-nos múltiplos prazeres para viajar cá dentro e apreciar uma bebida que na nossa terra se aproxima de uma excelência que não encontraríamos em mais algum lugar por do planeta. Por isso os nossos leitores por esse mundo fora ficam convidados a percorrer as rotas do Syrah por terras lusitanas. Qualquer informação necessária é só perguntar!


 

Os 10 melhores Syrah portugueses de sempre!

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O que nos motivou agora e hoje a escrever este texto foram os vários artigos publicados nestas duas últimas semanas, por variados grupos e publicações, apresentando a lista dos 10 melhores vinhos portugueses de sempre!

Claro que imediatamente nos demos conta, e isto é apenas referir o facto, não envolve qualquer ressentimento, gostos são gostos, que nessas várias listas de  melhores vinhos de sempre não figurava um único monocasta Syrah… não pode ser mas foi!

Desse modo, decidimos então fazer a nossa lista, não sobre os 10 melhores vinhos portugueses, isso seria redundante e nada original, mas sim sobre os 10 melhores Syrah portugueses de sempre, que disso sabemos nós! Diga-se de passagem que se trata de uma lista bem mais interessante, pelo menos para nós, obviamente!

Entre os dez escolhidos, metade são alentejanos, todos eles do Alto Alentejo! São de facto cinco Syrahs extraordinários, como tivemos oportunidade de mostrar na análise feita a cada um. A outra metade, todos eles igualmente excelentes, estão distribuídos por cinco regiões vitivinícolas. Um do Douro, um outro da Beira Interior, um da Bairrada, outro do Tejo, antigo Ribatejo, e finalmente o último do Algarve!

Aqui estão, apresentados de modo totalmente aleatório!

 

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1- Mil Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2013

 

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2- Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

 

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3- Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2009

 

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4- Scala Coeli, Adega da Cartuxa, 100% Syrah, Alentejo, 2010

 

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5- Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo, 2007

 

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6- Quinta da Romaneira, 100% Syrah, Douro, 2011

 

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7- QC, 100% Syrah, Quinta da Caldeirinha, Beira Interior, 2009

 

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8- Quinta do Valdoeiro,100% Syrah, Bairrada, 2010

 

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9- Quinta da Lagoalva de Cima, 100% Syrah, Tejo, 2010

 

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10- Quinta do Francês, Quinta do Francês Patrick Agostini, Lda. 100% Syrah, Algarve, 2011

 

É preciso ter bem presente que esta lista é provisória. Pode ser revista em qualquer altura, como é natural, e se isso acontecer só pode significar que terão aparecido novos Syrah verdadeiramente fantásticos. Isso será bom para nós, em primeiro lugar e também para os consumidores!

Só assim podemos amplamente entender a frase do sábio Eurípedes:
“Onde o Syrah falta não há lugar para o amor!”