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António Maçanita, mais um enólogo dos nossos, e que só sabe fazer Syrah topo de gama!

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Desde a segunda metade dos anos 90 que existe Syrah em Portugal.
O Blogue do Syrah tem feito o seu papel na divulgação dessa história.
Como já dissemos várias vezes, em terras lusitanas produz-se algum do melhor Syrah do mundo!
Como o Syrah é feito por pessoas, é natural que o Blogue do Syrah divulgue quem colocou o Syrah português nas bocas do mundo e são os principais responsáveis pelo aparecimento deste espaço de apresentação e divulgação.

Na sequência de artigos anteriores sobre os enólogos do Syrah em Portugal, cabe-nos hoje a honra de apresentar António Maçanita, que é, nem mais nem menos, o mais jovem mestre na arte milenar de fazer Syrah, e como está comprovado só sabe fazer Syrah topo de gama.

Aqui vão eles.

Brett Edition, Herdade do Arrepiado Velho, 100% Syrah, Alentejo
(várias safras) Classificação: 18/20

Cem Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo
(várias safras) Classificação: 18/20

Mil Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2013
(Até agora) Classificação: 20/20

Vejamos cada um em pormenor.

 

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Brett Edition, 100% Syrah, Alentejo

Trata-se de um Syrah revolucionário que repugna uns e deixa de boca aberta outros como foi o nosso caso:
O “Brett” título, nome curto para designar a levedura «Brettanomyces/Dekkera», tem a capacidade de produzir determinado tipo de aromas, que se tentam descrever falando em suor de cavalo, cabedal e outros. Defeito ou virtude é parte da composição do aroma dos grandes clássicos de sempre e é, por muitos, apelidado como a “complexidade do velho mundo”. No entanto, é por outro lado, também, considerado por muitos um escandaloso defeito. Esta edição do Brett é um desses casos em que a natureza decidiu tomar liderança na enologia, estagiando parte do vinho nas barricas da edição anterior. E é aqui que reside a explicação: um Syrah ‘infectado’, de modo natural, pela levedura Brettanomyces. O resultado é um néctar multidimensional, produzindo o “Brett” níveis de complexidade aromática, que só seriam possíveis com vários anos de garrafa, mas mantendo ainda toda a fruta.

 

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Cem Reis, 100% Syrah, Alentejo

O CEM REIS Syrah congrega em si dois aspectos que, como consumidores apaixonados pela casta, muito prezamos. Em primeiro lugar porque se trata de um Syrah de qualidade superior. Em segundo, e ao contrário do que é habitual, a maior parte da produção fica e é consumida em Portugal.
O CEM REIS Syrah teve a sua primeira edição em 2005 com 8000 garrafas. As safras seguintes de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 assistiram ao aumento gradual mas consistente da produção até se atingir as 15000 garrafas nas últimas safras e igualmente na última de 2013.

 

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Mil Reis, 100% Syrah, Alentejo

Não há muitos Syrah assim!
Este Mil Réis Syrah, primeira safra, e não sabemos para já se haverá uma segunda, é um Syrah estratosférico, planando na sua atmosfera para além deste mundo!
Quando começámos esta aventura em favor dos Syrah portugueses, já sabíamos mais ou menos ao que vínhamos, mas o percurso continua a surpreender-nos, pois temos encontrado vários Syrah de uma qualidade incrivelmente excepcional.
Este é mais um!
E a cada novo Syrah extraordinário mais nos convencemos que o tempo que dedicamos a este Blogue é amplamente recompensado.
Não tenham dúvidas: apesar de se poder pensar que o seu preço é algo exagerado quem o beber tirará todo o proveito da sua excelência e não terá motivo para se arrepender!
Perguntámos a Mollet, quando o encontrámos este ano na mostra de Vinhos do Alentejo, em Belém, o porquê do preço… a resposta foi simples: “Já o bebeu?”
Fica na história como um dos cinco melhores Syrah que alguma vez foram feitos! Vale 20!!!

 

António Maçanita é pois, segundo o Blogue do Syrah, o principal enólogo português da sua geração, criando Syrahs que são consecutivamente reconhecidos nas competições e publicações de maior prestígio. Fundador e proprietário da FITAPRETA, António Maçanita é também enólogo consultor de variadíssimos produtores de vinho há mais de 13 anos através de sua empresa de consultoria Wine ID.

Filho de pai açoreano e mãe alentejana, tal facto explica em parte a sua ligação quer ao Alentejo como quer aos Açores na elaboração de vinhos.

Natural de Lisboa, onde nasceu em 1979, teve o seu primeiro contacto com vinhas aos 4 anos, brincando nas vinhas durante a vindima, bebendo sumo de uva fresco das cubas e pisando a pé as uvas na adega de um primo.

Aos 18 anos a sua vida era mais caça submarina e surf do que propriamente estudar. Inicialmente pensou em ir para Biologia Marinha, mas um professor convenceu-o a escolher Ciências Agronómicas, um grau mais genérico que poderia ser utilizado para estudos mais avançados. Inscreveu-se no curso mas por alguma razão enganou-se nos códigos e acabou por entrar para Engenharia Agro-Industrial que incluía Enologia. E foi assim que um capricho do destino o levou para o caminho da enologia.

Na universidade o entusiasmo pelas vinhas foi imediato, levando-o a envolver-se na plantação de uma vinha nos Açores, seguido de estágios em Napa Valley, primeiro em Merryvale (2001) e depois em Rudd Estate (2002). Terminado o seu curso trabalhou na adega D’Arenberg, Austrália (2003) antes de decidir ir para a meca da enologia em Bordéus. Para o conseguir fez um acordo com um clube de rugby local e em troca arranjariam um estágio num produtor de vinhos local.
Enquanto aguardava a decisão, terminou a vindima de 2003 num produtor que é hoje uma referência no mundo dos vinhos, a Malhadinha Nova. Chegou a noticia que tinha conseguido o estágio em França e partiu para o Chateau Lynch Bages em Bordéus.

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Em 2004 criou com o sócio David Booth a empresa FITAPRETA Vinhos, em que o seu primeiro vinho, o Preta 2004 foi galardoado com o “Trophy Alentejo no IWC em Londres” prémio atribuído apenas uma vez antes em 22 anos de concurso. Desde então os prémios têm sido diversos na crítica internacional, tanto na FITAPRETA como nas várias adegas e produtores de vinho do Sul das quais é consultor de enologia.

Desde de 2006 que trabalha com diversos chefes de cozinha em projectos de harmonização de vinho e comida leccionando desde 2010 a Disciplina de “Harmonização de Vinhos” para chefes de cozinha na Escola Hoteleira de Ponta Delgada. É ainda convidado todos os anos para leccionar uma aula no Mestrado de Enologia e Viticultura no ISA e na licenciatura em Empreendedorismo, assim como para diversos seminários internacionais. Desenvolveu vários projectos de produção portugueses em regiões improváveis, a partir de castas em extinção, de adegas em quase falência, que se tornaram projectos vencedores e de prestígio internacional.

Comunicador natural, António Maçanita desdobra-se em percursos pelo mundo, promovendo a sua Empresa FitaPreta Vinhos, participando em vários programas de televisão, que vão desde a culinária a temas empresariais.

A revista Visão publicou não há muitas semanas um artigo sobre os vinhos dos Açores, e de António Maçanita em particular, assinado por Manuel Gonçalves da Silva e com o título Vinhos dos Açores – Uma história Singular. António Maçanita publicou esse texto num grupo sobre vinhos do Facebook e ao qual o Blogue do Syrah teve a possibilidade de escrever esta pequena missiva:
“Caro António Maçanita, faça vinhos no Pico, no fim do mundo ou nas terras do demo, mas não deixe de fazer Syrah! Esta semana voltámos a beber o Brett Edition desta vez de 2007 e estava fantástico!! O 100 Reis continua a ser uma referência que tem que manter! O 1000 Reis é o melhor Syrah de 2015 segundo o Blogue do Syrah! Faça todos os vinhos que entender e puder mas não pode nem deve desistir dos Syrah nomeadamente do Alto Alentejo! Um abraço!!”


 

Os Syrah Biológicos Portugueses

Todos os Syrah portugueses biológicos que existem no mercado já foram apresentados individualmente aqui no Blogue do Syrah. É importante agora fazer a revisão da matéria dada, para que todos os interessados, e são cada vez mais, possam ter acesso num único texto a todos os vinhos biológicos da casta Syrah que se fazem em Portugal e já são em número significativo! Se novos Syrah biológicos aparecerem entretanto, este texto será devidamente actualizado.

São no total 10 Syrah biológicos, todos de peso! Dois deles são Alentejanos, um deles é da Beira Interior e os outros sete são de Lisboa! Dito de outra maneira: sete décimos dos Syrah biológicos feitos em Portugal são da região vitivinícola de Lisboa! É obra! Três deles são de Alenquer, da Quinta do Monte d`Oiro.

Aqui vão eles.
(É só apontar o rato para a garrafa e seguir a rota para o artigo completo, se o desejarem.)

 

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Dona Dorinda, Quinta Nossa Sra. da Conceição, 100% Syrah, Alentejo, 2012

Vindima manual nocturna. Maceração carbónica a frio cerca de 12 meses. O envelhecimento esse foi feito em carvalho francês, pois claro, durante 12 meses. As notas de prova dizem-nos que tem um “aroma intenso a amora silvestre, taninos bem integrados e suaves, com notas de especiarias e folha de tabaco, característica da casta Syrah. Corpo elegante, equilibrado com um final prolongado.”
As práticas de agricultura biológica, integradas sempre que possível com Agricultura biodinâmica, revelaram-se uma verdadeira experiência de novas, ou ancestrais melhor dizendo, técnicas de produção, visando sempre a preservação da natureza como um todo sustentável. Alinhada com as estrelas, a vinha com cerca de dois hectares, (embora entretanto mais hectares tenham sido plantados) encontra-se instalada em forma de “meia-lua”, chamando a si as boas energias que o Universo tem para nos oferecer.


 

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Herdade dos Lagos, Soc. Agrícola Herdade dos Lagos, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2012

Hoje trazemos ao nosso convívio o Syrah da Herdade dos Lagos, concelho de Mértola. É um vinho feito em regime de agricultura biológica. Não tem químicos, nem pesticidas! Trata-se de um vinho regional alentejano, cuja produção foi de 12000 garrafas.“Apresenta cor rubi intensa. Aroma frutado a ameixa madura. Cheio, redondo, complexo, boa acidez, terminando longo.” Em suma, qualidade plena e assegurada!
Foi vinificado pelo processo tradicional de curtimenta em lagares inox com temperaturas de fermentação a cerca de 28ºC. Teve um estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. A longevidade prevista é de 8 anos. O blogue do Syrah prevê pelo menos 12 anos! Apresenta um teor alcoólico de 14,5 %.


 

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QC, 100% Syrah, Quinta da Caldeirinha, Beira Interior, 2009

Primeira safra de Syrah desta quinta localizada nos confins do mundo, onde nem o Google Maps a reconhece, e por vezes nem o contacto por telemóvel é possível, tão remota é a sua localização no Douro superior…
“Aroma a amora e compota. Vinho com cor granada, bem estruturado e equilibrado”. Saiu um Syrah com um teor alcoólico de 13,5%, aromático, denso e complexo no sabor. Uma bebida superior! E quem é que fez este néctar? Foi feito a seis mãos. Jorge Roda o produtor, Aida Roda a responsável pela vinha e finalmente Jenny Silva, mestre em Enologia!
Uma característica muito peculiar desde Syrah é que se trata dum vinho biológico, o que significa que é isento de pesticidas e químicos. Por lei o ácido sórbico e a dessulfuração não são autorizados e o teor de sulfitos no vinho biológico tem de ser inferior, no mínimo, em 30-50 mg por litro ao do seu equivalente convencional.


 

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Cepa Pura, Quinta do Montalto, 100% Syrah, Lisboa, 2013

Na região vinícola de Lisboa, em atitude ecológica, estamos hoje aqui para apresentar um Syrah biológico, na sua primeira safra, de 2013. Cepa Pura! – o nome é atraente- um Syrah de 14,5% de graduação alcoólica, elaborado pela Quinta do Montalto. Obtido a partir de uvas seleccionadas, teve um estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. É um Syrah fresco, de bom aroma, com fruta madura e um perfil arredondado. Apreciámos o bom equilíbrio de boca, com taninos suaves e uma boa vocação gastronómica, certamente adequada em elevado grau para acompanhar um bom repasto de ingredientes igualmente biológicos.
Não descurando as preocupações ambientais, todas as culturas na Quinta do Montalto são, desde 1997, conduzidas e tratadas obedecendo às normas de Agricultura Biológica com o controlo da ECOCERT-PORTUGAL, ou seja, não são utilizados adubos químicos, herbicidas, insecticidas, fungicidas e outros produtos químicos de síntese.


 

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Humus, Quinta do Paço, 90% Syrah, Lisboa, 2010, 2011

No entanto, o Syrah presente na garrafa é de qualidade superior, e “abafa” completamente a tinta barroca, como geralmente acontece. Esta safra que está esgotada e será brevemente substituída pela safra de 2011, e tem uma percentagem diferente desyrah e tinta barroca: 90% de Syrah contra somente 10% de tinta barroca. Daí no nosso título estar o Humus de 2011 e não o anterior. Prevê-se um melhor desempenho, logo uma melhor classificação.
De cada safra foram feitas 2000 garrafas. Metade fica no mercado interno e a outra metade vai para exportação. Este Syrah tem um estágio de 12 meses em barricas de carvalho. As notas de prova dizem-nos que possui ”toques de amora e groselha, complementadas por fumados e mineral. O paladar tem uma boa estrutura, frescura e vigor. Taninos firmes e integrados.”


 

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Cortém, Vinhos Cortém, 100% Syrah, Lisboa, 2010

O que nos regozija sim é que estes nossos amigos decidiram, e muito bem, fazer um Syrah. Dizem as notas de prova que é “encorpado, proveniente do clima marítimo e fresco da nossa região, que apesar de intenso é fresco e agradável ao palato e exibe o toque fino e profundo da casta“. Tem 14.5% de graduação alcoólica, e em 2014 ganhou uma medalha de ouro no Berlin Wine Trophy. Bebe-se com alma e paixão, sorvendo aromas e histórias.
Outra particularidade interessante diz respeito ao design das garrafas. Cada ano é pedido a um artista que exponha o seu trabalho nos rótulos dos vinhos produzidos, e no caso do Syrah 2010 o escolhido foi George Farmer, um pintor e músico inglês que reside na Alemanha.


 

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Pynga, Vale da Capucha, 97% Syrah, 3% Viognier, Lisboa, 2012

Fazia já algum tempo que tínhamos conhecimento da eminente chegada deste novo Syrah, de Lisboa, produção biológica, concelho de Torres Vedras, do produtor e enólogo Pedro Marques. Foram várias as vicissitudes na obtenção deste Syrah, que agora já nada importam, interessa sim dizer que quando tal foi conseguido ficámos muito surpreendidos, pela positiva. O primeiro Syrah de Pedro Marques foi uma aposta ganha.
Agora é preciso divulgá-lo, como merece, e o Blogue do Syrah está aqui para dar a sua contribuição. Não é Syrah a cem por cento, como gostamos, mas adiante.
As notas de prova que escolhemos falam de um “vinho com carácter e personalidade vincada. As vinhas gozam de influência marítima o que confere às uvas uma frescura e equilíbrio singulares.” A graduação alcoólica é de 14 %.


 

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Reserva, Quinta do Monte d’Oiro, 94% Syrah, 6% Viognier, Lisboa, 2012

Temos em primeiro lugar o Reserva, que existe desde 1997, (o Blogue do Syrah teve um exemplar desse ano nas mãos, durante a já referida e memorável visita) que é para a Quinta o Syrah que não pode deixar de ser produzido. Tem 4% de Viognier (em co-fermentação) e é o Syrah mais parecido com os Syrah franceses do Vale do Rhône, considerada a referência a nível mundial.
Olhar para esta garrafa é sentir o tempo apurado em eflúvios ancestrais!
A tiragem corrente tem 14% de graduação alcoólica e produzem-se em média 24 mil garrafas. É o seu Syrah de marca! As notas de prova que escolhemos dizem que é um vinho de “Rubi concentrado, negro. Aroma frutado com predominância para as ameixas pretas bem maduras e frutos do bosque, ligeiras notas tostadas e de especiarias finas. Elegante na boca, revela um conjunto equilibrado entre a fruta e a madeira bem integrada, taninos aveludados, acidez correcta, final muito prolongado e distinto.” Teve um estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, das quais 40% eram novas.


 

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Syrah 24, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011

Apenas se produzem 900 garrafas por safra, e com 14% de graduação alcoólica, mais um vez referida à safra actual. A designação 24 provém do facto das uvas terem origem numa parcela de vinha com esse número. Complexo, com notas de frutos pretos e sugestões de compota, chocolate, especiarias e uma sugestiva e discreta presença de barrica de alta qualidade. Um vinho muito atraente, moderno, com belíssimos taninos, acetinado na boca. Este vinho foi elaborado a partir de uma seleção massal de Syrah, plantada na parcela 24 de somente 2 hectares e proveniente de vinhas velhas (com mais de 60 anos) da região francesa de Hermitage. A grande variabilidade genética nesta parcela, origina, assim, um vinho de extrema complexidade. “Estamos perante uma vinha perfeita de Syrah”, afirma Grégory Viennois, o experiente enólogo francês que acompanha a vitivinicultura da Quinta do Monte d’Oiro. Tem sido desde o seu lançamento alvo de integralmente merecidas pontuações bastante elevadas pelos maiores especialistas.
O nosso SYRAH 24, produzido por José Bento dos Santos na Quinta do Monte d’Oiro, já recebeu por três vezes (2007, 2009 e 2011) a classificação de 93 pontos pela prestigiada Wine Advocate, de Robert Parker (o mais famoso crítico de vinhos do mundo), o que o coloca entre o grupo de vinhos portugueses a que Parker atribuiu uma pontuação igual ou superior a 93.


 

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Lybra, Quinta do Monte d’Oiro, 100% Syrah, Lisboa, 2011

Continuando hoje a falar de uma quinta abençoada, vamos seguir com o respectivo Syrah gama de entrada, o Lybra, com uma graduação alcoólica de 13,5%, e do qual são produzidas em média 15 a 20 mil garrafas por safra. O estágio é de 10 a 12 meses em barricas de carvalho francês. As notas de prova escolhidas dizem que se trata de um Syrah “Cor rubi intensa e nariz marcado pelos aromas de frutos pretos e do bosque, bem como delicadas notas de especiarias e alguma madeira, na boca é um vinho equilibrado, de taninos polidos e um volume e estrutura de expressão média, conta com um paladar frutado e especiado, além de ligeiramente vegetal, terminando com um final de boca de comprimento e persistência medianos.”


 

E é tudo em termos de Syrah biológicos! Esperemos que este ano possam surgir novos Syrah biológicos porque juntam o melhor de dois mundos.

Aqui sim pode aplicar-se a máxima muito falada entre os enófilos e que nós adaptamos com natural desfaçatez: “Quando li que o Syrah fazia mal deixei de ler!”


 

E se o Syrah também servisse para fazer ginástica?

Eis a aventura fantástica de uma jovem californiana, April Storey. Estamos no século XXI, reputações já não se constroem na livrarias e literatura, nos teatros, no cinema, na televisão, na música, com grandes obras culturais, no valor ético e humanístico, hoje reputações dizem-se de virais, algo torna-se viral, ou seja, alguém faz um vídeo caseiro, coloca nas redes sociais… e as visualizações são aos milhões, não importa mais nada, tornou-se viral, temos sucesso, é o novo sonho das multidões!

Nada disto interessa, claro, estamos aqui hoje para falar da nossa amiga, salvo seja, April, que resolveu fazer ginástica com garrafas de vinho, assim como flexões em grande estilo enquanto bebia vinho de uma taça com palhinha. Só classe. Foi a fama, destaque em jornais, televisão, e por aí adiante… um autentico vírus, hidratação vinícola. Vejam com os próprios olhos.

Queremos é imaginar se tudo isto fosse executado ao som gustativo e videologico de um bom Syrah, o efeito muscular seria ainda mais enfatizado, mesmo que fosse pela palhinha, com todas as propriedades terapêuticas que reconhecemos na nossa bebida favorita.

Haveremos de experimentar e quem sabe, tornar o nosso Syrah viral!!!


 

Que bebe o Blogue do Syrah quando se encontra para uma comezaina?

Esta hoje é fácil!
Bebe cerveja? Bebe vinho? Bebe outras coisas perniciosas que andam por aí? Claro que não…

Bebe Syrah, evidentemente, como se pode ver!

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E que Syrah!!!

No comer, existe a divisão eterna entre a metade Carnívora e a metade Vegan no Blogue do Syrah, sempre em coexistência pacífica e tolerante. Os Syrah escolhidos combinaram perfeitamente com o menu da noite. Assim o ‘Shepperd’s Pie’ vegetal ombreou com galhardia ante o Arroz de Pato da outra parte. Para terminar em beleza, houve um consensual Tiramisu, onde a facção Vegan passou temporariamente a vegetariana!

Do que se bebeu, a nota máxima vai para o Esporão de 2002, Alentejo, que Syrah!, absolutamente superlativo, envelheceu de forma vetusta, como é de esperar de um Syrah. Fez estágio em carvalho americano, e logo no aroma se percebeu a profundidade temporal, os frutos maduros bem apurados, chocolate, de intensa complexidade, verdadeiramente rico e concentrado no paladar… inesquecível! Pena ser já difícil, ou mesmo impossível, de encontrar. Foi uma despedida que fica na memória.

Dos estrangeiros no cardápio, achámos o Australiano superior ao Francês.

Austrália é terra de grande Syrah, onde é casta maioritária. O Shiraz Lehmann de Barossa Valley, oferta de um nosso seguidor, primou pela robustez e generosidade, com aromas ameixoados e um certo chocolate intenso, onde o estágio de 12 meses se notou da forma positiva. Não é português mas deu boa réplica.

O gaulês, adquirido em Estrasburgo numa garrafeira junto à Catedral onde o Syrah tinha lugar de destaque, não se revelou à altura dos seus companheiros de mesa, mesmo ostentando Grande Reserva no escaparate. Embora de um rubi profundo e intenso no nariz em frutos vermelhos e alguma especiaria, nem a boca ampla o salvou de o considerarmos um Syrah mediano. No entanto a região onde nasceu arroga-se de grandes pergaminhos. Diz o produtor que a casta foi introduzida na Gália durante o século III, e é entre Lyon e Avignon que desenvolve toda a sua expressão aromática intensa. Quem somos nós para discordar… mas discordamos.

Foi assim!


 

 

NASA ajuda a definir a Geórgia como o berço do Vinho!

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Tivemos conhecimento desta notícia recentemente, publicada em Janeiro passado no site Hvino News, e que diz estar a NASA (National Aeronautics and Space Administration, Estados Unidos) a ajudar a Geórgia a determinar se foi por lá que nasceu o vinho.

Faz muito que Sakartvelo, conhecida por cá como Geórgia, reclama estar na origem do que hoje chamamos vinho. Agora pretendem reconhecimento científico para este pleito.

De acordo com David Magradze, o chefe do Departamento da Agência Nacional do Vinho e Viticultura do país, o resultado final será conhecido em 2016, embora tenha sido inicialmente prevista para Dezembro de 2015. A pesquisa científica requer um processo a longo prazo até que os resultados finais possam ser publicadas.
“O primeiro resultado de modelos enviados para o laboratório da NASA mostrou um vestígio de ácido vinícola que se pode encontrar actualmente em  marcas de vinho europeus. Já chegaram entretanto mais amostras e a pesquisa estará concluída até final do ano. Declarar a Geórgia como berço do vinho será um fenómeno importantíssimo para a região, que vai fazer subir o interesse do mundo pela Geórgia “, disse Magradze. O governo da Geórgia começou a trabalhar no projecto em Janeiro de 2014.

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Vários outros centros científicos internacionais, além da NASA, estão também envolvidos no projecto, com a Pennsylvania State University, Universidade de Montpellier, Universidade de Milão.

“Temos a certeza de que a Geórgia vai ser considerada o berço do vinho, mas os modelos precisam ser reconhecidos e confirmados pelos principais cientistas do mundo”, disse Levan Davitashvili, presidente da Associação Vinícola da Geórgia. “Nós não estamos interessados em provar que a confecção de vinho nasceu na Geórgia”, insiste David Lordkipanidze, diretor do Museu Nacional da Geórgia, em Tbilisi. “Esse não é o nosso objectivo. Há melhores perguntas a fazer. Por razão se começou a fazer vinho? Como se espalhou por todo o mundo antigo? Como se faz a ligação das castas de hoje com a uva selvagem original? Estas são as questões verdadeiramente importantes.”

De certeza nos próximos tempos haverá mais notícias sobre esta questão. Sem esquecer que precisamente a casta Syrah era dominante naqueles tempos!


 

Mulheres que bebem vinho possuem uma líbido mais desperta! Imagine-se então se for uma taça de Syrah?!

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Muitas pesquisas já foram feitas relacionando o consumo moderado de bebidas alcoólicas e a melhoria de saúde.

Um estudo, feito pela Universidade de Florença, em Itália, vem desta vez falar da relação entre vinho e actividade sexual pelo lado feminino, comprovando que as mulheres que consomem uma taça de vinho tinto diariamente têm uma vida sexual mais activa do que aquelas que não bebem mais que água, digamos. Empiricamente já se sabia ser o vinho um poderoso afrodisíaco, mas claro, com isto da ciência e afins fica sempre tudo mais credível.

O estudo foi publicado no ‘Journal of Sexual Medicine’ e consiste basicamente numa pesquisa realizada com  800 mulheres em idade adulta, divididas em três grupos distintos de consumo: vinho tinto, bebidas alcoólicas em geral e abstémias. Com base nesse universo foi feito um questionário com perguntas referentes ao interesse feminino por sexo. Para controle do estudo, obviamente as mulheres que “tomaram” mais que 2 taças diárias foram excluídas do resultado final, pois poderiam estar mais para o lado ébrio, e assim o teste seria duvidoso.

Chamado de Índice de Função Sexual Feminina, sobre o teor das parâmetros ficamos só pela imaginação, concluiu-se, sem surpresa, que as mulheres que consumiam uma ou duas taças de vinho foram as que mostraram mais desejo sexual. E as abstémias perderam para as que ingeriam todo tipo de bebidas alcoólicas.

Os médicos que realizaram o estudo concluíram que possivelmente há uma ligação potencial entre a ingestão de vinho e uma sexualidade mais aflorada, suspeitando até que  os componentes químicos do vinho podem aumentar o fluxo de sangue nas zonas erógenas do corpo, beneficiando o estímulo da função sexual.

É a ciência mostrando que vinho consumido moderadamente não faz mal algum, controla o stress, colesterol e agora anuncia que a vida sexual pode ficar ainda mais activa!

Como dizia Benjamin Franklin: “Mulheres e vinho, jogos e fraude, fazem pequena a riqueza e grande a necessidade.”

Chega de filmes para adultos visto na clandestinidade ou brinquedos esquisitos guardados a sete chaves em locais secretos. A questão é puxar de um bom vinho, todos os dias, se aprouver, para aumentar a libido feminina… Vamos a isso, cavalheiros!

Se for uma taça de Syrah, recomendação nossa, então o efeito pode ser exponencialmente maior, somos de o assegurar… E mais não dizemos!