All posts by Raul PC

Salira, Adega Cooperativa de Lagoa, 100% Syrah, Algarve, 2005

salira_garrafa

O Blogue do Syrah, com a ajuda sempre inestimável da Garrafeira Estado de Alma, lá descobriu um novo Syrah, neste caso do Algarve: Adega Cooperativa de Lagoa, de nome Salira, e do ano de 2005.

Basicamente trata-se de uma curiosidade histórica, visto que está esgotado faz muitos anos, como não é difícil de perceber!

Há uma pequena confidência que é necessário fazer. Durante muitos e muitos anos sempre pensámos que o mundo vitivinícola em Portugal acabava no Alentejo, na fronteira com o Algarve. Para chegar a esta conclusão bastou na altura ter bebido dois ou três vinhos em momentos diferentes, todos eles da Adega Cooperativa de Lagoa, para chegar a esta conclusão tenebrosa: o Algarve não tinha préstimos em termos vitivinícolas. Hoje as coisas são muito diferentes. Há trinta anos, por exemplo, não havia Syrah, e nos outros vinhos fizeram-se mudanças incríveis. Já nem sequer  a Adega Cooperativa de Lagoa existe! A Única, Adega Cooperativa do Algarve, resultou da fusão, em 2008, das Cooperativas de Lagoa e Lagos, visando potenciar o melhor dos vinhos algarvios e manter viva a tradição vinícola da região. Apesar dos seus 64 anos, a Adega Cooperativa do Algarve continua a fazer história.

Lagoa 1

O Salira Syrah é, tanto quanto foi possível apurar, a única colheita de monocasta Syrah feita pela Adega. A prova disso é que por exemplo o Salira 2009 é um blend com Aragonez, Crato Preto, Syrah e Touriga Nacional.

Este Syrah tem 13% de graduação alcoólica e percebe-se que o tempo passou por ele com amplitude. Na cor, assim como no nariz e obviamente na boca, percebe-se que tem bem os 11 anos que o rótulo diz ter. Está muito interessante para um Syrah geriátrico. Não sabemos quanto tempo mais demorará a começar uma evolução descendente.

Lagoa 2

Por isso é melhor não hesitar. Se este Syrah despertou interesse ao leitor, o Blogue do Syrah dá-lhe uma dica: a garrafeira Estado de Alma tem lá ainda umas três ou quatro garrafas. É de aproveitar!

Platão escreveu, colocando na boca de Sócrates, o seguinte:
“O Syrah molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente… Syrah reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga… Bebido moderadamente em pequenos goles de cada vez, Syrah beijará os pulmões como o mais doce orvalho da manhã… Syrah não viola a razão, convida-nos gentilmente a uma agradável alegria.”
Aproveitem e façam o dito com este Salira Syrah… enquanto houver!

 

Classificação: 16/20                            Preço: 8,50€


 

Da colina do Hermitage … até à mesa de Michel Chapoutier!

O Norte do Vale do Rhône não chega a ter 100 Kms, e vai desde Vienne a Valence, por baixo de Lyon.
É onde se situa o reino de uma casta intensa e muito aromática: a casta Syrah, por nós tanto amada, que tem aqui o seu território de eleição!
E é mais precisamente em Tain l`Hermitage, que o nome de Michel Chapoutier predomina e ecoa por todo o lado (como bem comprovou o Blogue do Syrah quando lá esteve), ultrapassando fronteiras e chegando ao outro lado do mundo.

Neste vídeo que hoje apresentamos, Michel Chapoutier quer mostrar como se pode compreender a terra, ou melhor, o terroir do qual pretende ser um intérprete fiel. Nesta colina do Hermitage, vamos descobrir como algumas parcelas podem expressar a mesma casta de forma diferente.
A vinificação, como é entendida por Michel Chapoutier , é uma filosofia em si. O amor à terra e o respeito pelos homens que a trabalham levaram-no naturalmente a evoluir para a biodinâmica desde 1991. A riqueza e a eloquência do viticultor fazem o resto. É uma paixão desmedida e que partilhamos.

Um lição de 20 minutos que vale mais que 1000 aulas de enologia!


 

Quinta de São João, Pinhal da Torre, 100% Syrah, Tejo, 2008

s_joao_garrafa

Este é um dos grandes Syrah de Alpiarça e do Tejo.
aqui tínhamos apresentado a colheita de 2007 e também já conhecíamos a de 2009. Mas esta de 2008 que acabamos de sorver em toda a sua dimensão voltou a superar as expectativas.
Evoluiu de tal maneira que hoje, passados oito anos, estamos perante um topo de gama. Assim mesmo, com todas as letras!

A Pinhal da Torre não surpreende de todo! É deles o célebre Syrah da Quinta do Alqueve, de 2001, que apresentamos aqui e infelizmente esgotado!

O Syrah da Quinta de S. João “apresenta uma cor granada, fruta ligeiramente mentolada, baunilha, cacau tostado, especiarias, tenso e complexo, muito afinado com taninos redondos, boa acidez e macio, encorpado e final longo.” A graduação alcoólica é de 14,5%. O enólogo deste Syrah é António Saramago.

Os vinhos da Pinhal da Torre foram distinguidos com 90 pontos (em 100) por Mark Squires, um dos mais influentes críticos mundiais, numa apreciação publicada no site do grande especialista Robert Parker. Isto explica porque os Estados Unidos já valem 10% da produção da Pinhal da Torre.
Actualmente, os vinhos produzidos pela Pinhal da Torre podem ser encontrados em 18 países: Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, China,Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça.
A Pinhal da Torre fica situada em Alpiarça, em plena região do Tejo, e dedica-se à produção de vinhos a partir de várias castas portuguesas e não só. A Quinta de São João tem uma área de 22 hectares dos quais 19 são de vinha. Nela ficam localizados os escritórios, a Adega, onde são produzidos todos os vinhos, e a sala de barricas, inaugurada em 1947.

s_joao_adega

Desde a selecção das uvas, na vinha e na adega, e do método de vindima, que é totalmente manual, à poda em verde ou a hora da colheita das uvas, que ocorre somente nas horas mais amenas, para evitar que o calor afecte a qualidade das fermentações, todo o processo de produção é meticulosamente respeitado para poder proporcionar vinhos com sabor diferenciado e qualidade elevada. A adega dispõe de 4 lagares para pisa a pé, 7 cubas, tipo argelinas, únicas em Portugal pela sua arquitectura, cubas de fermentação para tintos e para brancos, todas com controlo de temperatura, duas salas para estágio em barricas e duas para estágio de garrafas, assim como uma linha de engarrafamento, rotulagem e embalagem.

O enólogo Luís Sottomayor disse:
“Os grandes vinhos revelam-se logo à nascença, mas os vinhos superiores, aqueles que ficam para escrever e contar histórias, esses precisam de provar que merecem um lugar na garrafeira e passar o teste do tempo”.
Pode muito bem ser neste caso o Syrah da Quinta de S. João.
Atirem-se a ele sem reservas!

Classificação: 18/20                            Preço: 24,90€


Curso sobre Vinhos – Jancis Robinson Wine Course – Syrah /Shiraz

 

O Jancis Robinson Wine Course é um curso sobre vinhos, ministrado por Jancis Robinson, uma das mais famosas e respeitadas Master of Wine da actualidade.

Este é o episódio que nos interessa, por estar aqui em destaque a nossa bem amada Syrah/Shiraz.

No vídeo poderá ver nomes conhecidos do mundo do vinho e muito particularmente do mundo que nos interessa: Syrah!

 


 

Herdade dos Pimenteis, 100% Syrah, Algarve, 2013

pimenteis_garrafa

É com desmesurado prazer e costumeira alegria que damos a conhecer um novo Syrah, desta vez do meridional Algarve.
Não se trata de uma nova colheita.
É um Syrah novo de raiz!

A Herdade dos Pimenteis fazia tempo que andava a ameaçar.
A proprietária, Ana Pimentel, tinha no final do ano passado avisado o Blogue do Syrah de que algo iria acontecer do nosso agrado! Até o nosso comparsa Jorge Cipriano, do Clube de Vinhos Portugueses, e que regularmente anda pelo reino dos Algarves em visitas vinícolas, nos avisara: “Preparem-se para o Syrah da Herdade dos Pimenteis!”

pimenteis_herdade

A expectativa era portanto naturalmente alta e por dois motivos bem presentes. Primeiro porque já tínhamos boas memórias sobre a qualidade dos vinhos que se produziam nesta herdade! Segundo, porque os Syrah algarvios, apesar de não existirem em quantidade, sempre deram boa conta de si no conjunto dos Syrah portugueses. É um Syrah que ainda tem muito que evoluir, o que é sempre um dado interessante, porque como se sabe o Syrah evoluiu muito favoravelmente, pelo menos até sete a nove anos.

As notas de prova do produtor e enólogo Paulo Fonseca dizem-nos que tem “um aspecto límpido, com uma cor rubi intensa. O aroma é fino, elegante, sugerindo frutos vermelhos bem maduros e algumas especiarias. Equilibrado de taninos suaves mas estruturados.” Final prolongado, acrescentamos nós, e com o tempo esse alongamento irá sendo mais acentuado. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. Foram feitas cerca de 7000 garrafas!

A Herdade dos Pimenteis é um projecto com mais ou menos uma dúzia de anos, situa-se em Portimão, a 5 km do centro da cidade e ocupa 40 hectares do Morgado da Torre, na Penina. Os solos argilo-calcários têm grande tradição na cultura da vinha que se faz aqui há várias gerações. Os vinhos que produz apresentam-se aos seus consumidores sob o slogan “Após gerações perdidas renascem as vinhas do Algarve!”. É verdade que os vinhos do Algarve durante muito tempo, demasiado tempo diríamos nós, andaram um tanto ou quanto perdidos e a qualidade deixava a desejar. Hoje a realidade é totalmente diferente e em relação aos Syrah, que é o que nos interessa, o consumidor não deve ter qualquer receio no confronto de qualidade entre um Syrah algarvio e o de uma outra qualquer região do país!

pimenteis_vinha

Os hectares de vinha existentes agora encontram-se em produção integrada compondo-se de castas seleccionadas tais como: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Tinto Cão e Moscatel Branco e claro Syrah que dão o vinho de excelência que aqui se produz. Os vinhos Herdade dos Pimenteis são o resultado de uma vindima manual. Na adega a fermentação ocorre mediante um controle de temperatura rigoroso, que cria os vinhos finais concebidos actualmente por Paulo Fonseca.

Kimmi Raikonen o homem do desporto automóvel disse:
“Não se deve deitar fora aquilo que foi feito para se beber.”
Eis uma verdade insofismável em relação ao Syrah da Herdade dos Pimenteis.

Aprovado com distinção, vamos por ele, acompanhem-nos!

 

Classificação:17/20                                           Preço: 9,00€


 

O vinho e o Paradoxo Francês

french_paradox_2

Não, ao contrário do que muitos leitores que começaram a ler este texto podem pensar, o chamado Paradoxo Francês não tem nada a ver com o facto da selecção francesa ter perdido a final do campeonato europeu de futebol a favor da selecção das quinas!

Aquilo que fica para a história com a designação de “Paradoxo Francês” prende-se com o facto de a população francesa, que consome uma alimentação muito rica em gorduras saturadas, por exemplo queijo e carne em grande quantidade, ter uma quantidade de doenças cardiovasculares muito inferior à dos outros países do norte da Europa ou dos EUA. Isto seria, dito assim, incompreensível, pois só as populações que habitualmente consomem muito pouca gordura saturada apresentam uma incidência igualmente baixa de doenças cardiovasculares.

french_paradox

A razão para este paradoxo reside, afinal, no consumo regular de vinho tinto. O vinho tinto é muito rico em resveratrol e outros polifenóis que são antioxidantes muito eficazes na prevenção do desenvolvimento da aterosclerose e, portanto, de todas as doenças cardiovasculares. A população dos países do norte da Europa consume preferencialmente cerveja e logo não tem esta capacidade protectora antioxidante.

O Blogue do Syrah já fez variadas referências à importância do resveratrol e dos outros polifenóis para a saúde, que podem ser lidas nos artigos que referenciamos a seguir.

As virtudes benéficas do vinho, e do Syrah, sobretudo, vêm sendo discutidas em diversos meios científicos, e foi a divulgação do Paradoxo Francês, em 1991, que despertou a atenção sobre o assunto. Esta expressão ficou famosa a partir de 17 de novembro de 1991, devido ao programa “60 Minutos”, da Rede CBS. Durante esse programa de televisão dos Estados Unidos, o cientista francês Serge Renaud (1927-2012), mostrou que estudos epidemiológicos à escala mundial demonstravam que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronárias que os americanos, sendo que os franceses são mais sedentários, fumavam mais e consumiam mais gorduras saturadas.

Diante dessa constatação, observou-se que o consumo moderado de vinho poderia ser a explicação para esse facto. O paradoxo foi posteriormente publicado na revista The Lancet, uma das revistas médicas mais bem conceituadas no mundo, o que contribuiu para o aumento do consumo de vinhos tintos, principalmente nos Estados Unidos e que deu origem a uma série de estudos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde humana. Essa informação causou grande impacto. Até então, o que a ciência nos ensinava é que ingerir bebidas alcoólicas era tão prejudicial quanto fumar. Com esses dados o conceito científico teria que ser mudado!

french_paradox_3

Passados mais de 20 anos, milhares de pesquisas confirmaram os dados do Dr. Renaud. Inúmeros estudos explicam os mecanismos pelos quais essa protecção acontece e evidenciam outros efeitos favoráveis do vinho, como a longevidade e a protecção neurológica. Nos vinhos já foram identificados aproximadamente de 200 polifenóis e cerca de 95% tem origem nas cascas e sementes das uvas.  E é por isso que os vinhos tintos são considerados melhores para a saúde, pois são fermentados em contacto com a casca, o que permite maior extracção de substâncias benéficas ao organismo humano. De qualquer modo todas as bebidas alcoólicas, se consumidas em excesso, aumentam a exposição a uma vasta gama de factores de risco. Nesse sentido, o vinho também causa problemas quando consumido além dos limites. O Blogue do Syrah já o tinha explicitamente referido, por exemplo, aqui.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de uma taça diária de vinho (em torno de 100 ml). Porém não existe uma regra fixa que estabeleça o limite de consumo de álcool por pessoa, pois isso depende de uma série de factores inerentes ao indivíduo, como idade, sexo, estado emocional, e o próprio limite de tolerância ao álcool. Estudos feitos a partir do Paradoxo Francês mostram que é possível juntar ao prazer de beber Syrah muitos benefícios para a saúde. Mas para isso é necessário que se faça junto com as refeições, de maneira regular e moderada, e somente se não houver contra indicação ao consumo de bebidas alcoólicas.

Temos dito!