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Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Já antes tínhamos aqui apresentado o outro Syrah da Herdade Monte do Outeiro, Pinhel, por acaso do mesmo ano, 2009. Hoje viemos para falar do seu irmão gémeo, com o epíteto de Reserva. E com esta palavra aposta no rótulo, o conteúdo da garrafa muda, e muito. Qual a diferença entre os dois Syrah Monte Cruz? Esta é uma questão decisiva!

Estamos a falar de um Syrah mais graduado em termos alcoólicos, tem 14,5%, enquanto que o Monte Cruz sem ser reserva tinha 14%! As notas de prova na garrafa dizem-nos que possui “fruto maduro, notas ligeiras balsâmicas e tostadas. Na boca o fruto surge acompanhado de bons e firmes taninos. Mostrando um final longo e persistente.”

Quando este Syrah Reserva chegou até nós, foi recebido de certa forma com pouco entusiasmo, devemos de o confessar, porque francamente não estávamos à espera de grande diferença em relação ao outro que não era Reserva, mesmo sendo a diferença de preço muito apreciável!

Este é um assunto importante e vamos falar dele como merece. São dois vinhos da mesma vinha, portanto são as mesmas uvas, o mesmo terroir, mas a intervenção humana é completamente distinto, nomeadamente em todo o processo que dá origem ao estágio, quer em barrica, quer em garrafa, e isso vai fazer toda a diferença no resultado final. Desde o princípio, esta nossa aventura pelo mundo dos Syrah portugueses rapidamente nos fez concluir que o trabalho humano na confecção desta bebida tem uma percentagem de importância de pelo menos 70%. Hoje temos essa convicção mais forte do que nunca. O terroir é importante, sem dúvida, a qualidade das uvas é importante, seguramente, o clima, a localização, as características meteorológicas desse ano, etc, são importantes, mas a intervenção na adega e o que se segue depois é seguramente o mais importante. O Monte Cruz Reserva 2009 é a prova disso mesmo.

É um vinho excepcional, ao contrário do outro Syrah seu irmão, que não era mais do que um bom Syrah. Este Reserva Monte Cruz é extraordinário logo ao primeiro trago e é isso que imediatamente impressiona. Um só trago deste Syrah faz-nos automaticamente perceber que se trata de um Syrah topo de gama!

Eis pois que nas proximidades da Vila de Portel, Herdade Monte do Outeiro, se produzem vinhos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente. Quem os conhece diz que são vinhos de colheita seleccionada, de aroma perfumado, complexidade elegante e persistente, tudo por nós corroborado e confirmado com sumo deleite.

Infelizmente terminamos com um parágrafo menos abonatório sobre um tema lateral a isto tudo, porque mais uma vez somos de repetir o que já foi dito anteriormente sobre a Sociedade Agrícola Monte Cruz, Lda, a proprietária da Herdade Monte do Outeiro, que não pratica qualquer tipo divulgação a nível de marketing e partilha de informação nas novas tecnologias, em relação quer à propriedade quer em relação aos seus vinhos. E quando dizemos que não pratica qualquer tipo divulgação, isto quer dizer, mesmo nenhuma! A empresa, pela mão de Maria Cruz, veio, num comentário ao nosso artigo anterior sobre o respectivo Syrah, dizer que o mais importante é fazer bons vinhos, que eles próprios fazem o seu próprio marketing e não há melhor publicidade do que a “boca a boca” e o agrado dos clientes, e que o código QR na garrafa, que os smartphones podem ler, dá acesso à ficha técnica. Disse e está dito, mesmo assim continuamos a achar que uma presença na Internet, com informações sobre a quinta, as vinhas, os Syrah, é importante, quanto mais não seja para podermos retirar algumas imagens de um lugar onde se faz tamanho néctar. Assim como está, vai a garrafa, fotografada por nós, e apenas texto a seguir. Pobre de iconografia, mas é o que há! Fomos convidados pelo muito amável dono da Quinta a fazer-lhe uma visita, quem sabe um dia destes aceitamos o convite e fazemos nós próprios as fotografias que tanto apreciaríamos já hoje.

O poeta persa Rumi dizia “Ou me dão mais Syrah ou deixem-me em paz”. Se o Syrah não for este Reserva Monte Cruz, mais vale mesmo arranjar uma boa alternativa… Perfeitamente!

 

Classificação: 20/20                                                    Preço: 29,50€


 

Dicas de etiqueta para servir e apreciar devidamente um Syrah!

Muitas vezes elevado ao estatuto de “néctar dos deuses”, não é de estranhar que, por isso, o mundo dos vinhos seja um do que apresenta mais regras de etiqueta com características muito próprias. Desde a abertura da garrafa, passando pela sua degustação,até aos próprios brindes, estas dicas têm um simples propósito: garantir um maior prazer em todo o maravilhoso ritual que compõe a apreciação de um copo de Syrah, no nosso caso.

Aqui vão algumas dessas regras.

  • Sempre que puser a mesa, certifique-se que o copo do vinho é colocado à direita do copo da água – esta é a sua posição correcta em qualquer mesa.
  • Quando servir vinho a alguém, saiba que a quantidade que deita no copo depende sempre do vinho que está a ser servido: 1/3 do copo no caso do vinho tinto, ½ copo no caso do vinho branco e ¾ do copo no caso do vinho espumante.
  • Ao terminar de servir um copo de vinho, deve rodar ligeiramente a garrafa enquanto a afasta desse copo – não só fica bem, como vai evitar que o vinho pingue para a mesa.
  • Sempre que beber vinho do seu copo, deve olhar para o mesmo, ou seja, para o próprio copo, em vez de olhar para a pessoa com quem está a conversar, por exemplo.
  • Pegue sempre no copo de vinho pelo seu pé: para além de evitar sujar o copo com dedadas, mantém o vinho fresco (no caso do vinho branco ou vinho espumante) e permite observar a cor e a claridade do vinho (nomeadamente no caso do vinho tinto).
  • Quer seja o seu aniversário, casamento ou outra festa qualquer, se alguém lhe estiver a fazer um brinde, não beba o seu vinho até o brinde terminar – sorria e erga ligeiramente o seu copo de vinho enquanto ouve.
  • Quando estiver efectivamente a brindar com outras pessoas, deve olhar cada pessoa nos olhos enquanto faz tchim-tchim (os franceses são da opinião que quem não o fizer, estará sujeito a sete anos de azar!) e, claro, deve tocar individualmente com o seu copo de vinho no copo de vinho de cada pessoa que estiver a participar no brinde, mas sem cruzar os seus braços sobre os braços de outra pessoa. Conhecia esta regra de etiqueta do mundo dos vinhos?
  • Esta dica vai um pouco contra e a favor da etiqueta para o consumo correcto de um copo de vinho: se estiver a usar batom e quer evitar que o mesmo não marque o seu copo de vinho (já sabemos que esteticamente isso não fica nada bem!), passe a língua rapidamente pela zona do copo por onde vai beber antes de saborear o vinho… mas faço-o sem ninguém ver!

É da responsabilidade do anfitrião da festa ou do jantar, manter os copos sempre com a quantidade correcta de Syrah – ninguém quer ter na mão um copo de vazio… de Syrah!

Bom proveito…e bons Syrah!


 

Monte da Colónia, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Desde Fronteira,  distrito de Portalegre, chega-nos este Syrah de 2012, de nome Monte da Colónia. É o terceiro Syrah que existe em Fronteira, os outros dois são o Monte da Cal e o Telhas, e mostra as características desta nossa casta exposta às soberbas condições edafoclimáticas da região, onde as vinhas do Monte da Colónia estão instaladas.

A vindima manual foi feita no inicio de Setembro, seguido de desengace total e esmagamento. A fermentação foi feita em cuba de inox com curtimenta e controlo de temperatura a 27ºc. A desencuba e prensagem são ligeiras, executadas em prensa vertical. Segue-se a fermentação malolática e por fim filtragem e engarrafamento, que foram realizados em Julho de 2013.

É um Syrah de qualidade que será certamente candidato ao prémio de melhor Syrah de 2015 na relação qualidade/preço, visto que custa em Lisboa menos de seis euros.

A empresa foi fundada em 1980 pela geração anterior, na altura uns jovens com fortes espectativas de futuro, muita ambição e espírito de equipa que decidiram arriscar, erguendo uma empresa que ainda hoje está no mercado, essencialmente de cariz familiar, onde as grandes decisões são tomadas por dois irmãos.

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O objectivo fundamental da empresa é o da produção e transformação de produtos cultivados no próprio local, azeite, azeitonas de conserva e vinhos, bem como a criação de gado bovino e ovino.

Actualmente com um lagar de azeite de extracção a frio altamente modernizado, que veio substituir o tradicional lagar de prensas, onde não só se labora a azeitona própria, oriunda dos olivais do Monte, como também de alguns olivicultores da região.

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Com uma área de 600 hectares, e diversificadas características, são assim exploradas diversas espécies vegetais e animais, destacando-se a espécie bovina e ovina, das espécies vegetais podemos destacar os 100 hectares de olival composto por diversas qualidades de azeitona.

Planícies a perder de vista, um céu que adormece glorioso, casas brancas debruadas a azul, com janelas para a tranquilidade, e os melhores sabores! Falamos, claro está, do Alentejo, seduzidos pelo Monte da Colónia. A herdade, situada em Vale de Seda, concelho de Fronteira, produz vinho, azeite e azeitonas com a chancela da região. E, para bem da nossa boca, a tradição por aqui permanece!

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Relativamente à Vitivinicultura, praticada apenas nos últimos 14 anos, mas por sinal muito bem concebida, uma vez que lentamente tem conseguido adquirir todo o equipamento necessário para que se possa fazer todo o processo desde a vindima, fermentação, engarrafamento, rotulagem, sistema de frio, enfim, o Monte da Colónia tem todo o equipamento necessário de modo a facilitar não só o processo, como o trabalho. Em média a empresa produz 100 mil litros de vinhos tintos divididos em várias referências (tinto normal, colheita seleccionada, monocasta Syrah, alicante bouschet e reserva e bag in box), 10 mil litros de branco uma monocasta arinto, 6 mil litros de vinho rosé Syrah, ocupando assim uma área de 20 hectares de vinha com as castas, aragonez, cabernet sauvignon, arinto, alicante bouschet , castelão, Syrah, trincadeira, verdelho, etc., tudo conjugado sob batuta e o saber do enólogo Rui Vieira.

Marcel Pagnol disse que “Quando o vinho é engarrafado, ele deve ser bebido … especialmente se é bom”.

Temos aqui um bom exemplo com o Syrah Monte da Colónia!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 5,85€


 

O Cheiro do Vinho

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Vagueando este Domingo por alguns pensamentos, vamos falar de vários termos que podemos usar para designar a subtileza de um vinho quando nos aproximamos dele: perfume, odor e, principalmente, “aroma” e “bouquet”, que designam os cheiros agradáveis que o vinho pode libertar.

O cheiro do vinho depende da uva, da terra, da sua idade e do seu estado de conservação.
É muito importante diferenciarmos buquê, (aportuguesamento do vocábulo francês) de aroma, e dar o correcto significado para cada um deles.

Os especialistas costumam diferenciar o buquê de três formas básicas:

  • O primeiro grupo diz que vinho branco tem aroma e vinho tinto tem buquê, uma vez que, normalmente, os vinhos brancos são bebidos jovens e, por isso, não conseguem criar essa característica, mas claro que existem excepções.
  • O segundo grupo de especialistas afirma que o buquê é percebido pelo olfacto e aroma por via retronasal, quando o vinho está na boca para consumo e poderíamos dizer que nesse caso temos o “aroma de boca”.
  • O terceiro grupo que é o mais comum, diz que o aroma é um princípio odorante libertado pelas substâncias vegetais dos vinhos jovens, que se pode respirar, e buquê é o cheiro adquirido pelo envelhecimento.

Logo, os vinhos mais jovens agradam pelo aroma e os envelhecidos pelo buquê. É subtil e não merece discussão entre os convivas.

Podemos continuar o estudo com os aromas primários (preexistentes na uva) e os secundários (criados na fermentação) mas, sinceramente, esse assunto merece um vinho para acompanhar…e no nosso caso só pode mesmo ser um Syrah!

Consultem o Blogue do Syrah e façam a vossa escolha…

À nossa!


 

2 momentos audiovisuais descontraídos e engraçados…

…como fazer vinho gasoso em casa!

 

…as 10 técnicas mais inventivas para abrir garrafas de vinho!

E havendo tentações, aqui fica o aviso do costume: não façam isto em casa!


 

Artefacto, 100% Syrah, Alentejo, 2010 -Revisitado Luís Duarte, o enólogo que entrega o “ouro ao bandido”

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Este é o segundo texto que escrevemos sobre o Syrah Artefacto, de 2010, do enólogo e produtor Luís Duarte.
Se já aqui contamos uma das peripécias que passámos por ser impossível encontrar este Syrah de Reguengos de Monsaraz em Portugal, os sobressaltos continuam, pois tal como foi aí dito, há dois anos que tentávamos de alguma maneira adquirir pelo menos uma garrafa deste Artefacto, sem sucesso.
Isto porque simplesmente este Syrah não se encontra disponível em território nacional. Mesmo as várias vezes, e foram várias nestes dois anos, que chegamos telefonicamente à fala com o produtor, não houve grande interesse da sua parte em libertar algumas garrafas para ser por nós avaliado. Até mesmo a intervenção da garrafeira Estado d`Alma, sempre diligente nestes assuntos e reforçando o interesse, foi infrutífera.

Hoje gostaríamos de relatar a continuação desta aventura que também aconteceu este ano e a propósito deste Artefacto.

O Blogue do Syrah está presente em várias dezenas de grupos Facebook ligados à temática do Syrah. É óbvio que ao longo de muitos meses fomos desenvolvendo relações de conhecimento à volta do tema com muitas pessoas que não conhecemos pessoalmente. Uma dessas pessoas foi Roberto Simon Neto, administrador do grupo Vinhos da Terra, que tem mais de 3500 membros, todos activos e conhecedores. Este grupo é brasileiro e sediado em Salvador da Baía.
Em Março deste ano vemos uma imagem do Artefacto Syrah, com legenda do Roberto, a perguntar se o Blogue do Syrah o conhecia. Ficamos obviamente siderados pela pergunta, pois era o único Syrah português do mercado sobre o qual não podíamos opinar. Quando lhe perguntamos onde é que tinha tido acesso ao Artefacto a resposta veio rápida:
“No supermercado ao fundo da minha rua.”
Nem queríamos acreditar. Contamos a história do Artefacto ao Roberto, do que aqui se passava, para gáudio geral, que imediatamente se disponibilizou a trazer-nos uma garrafa quando viesse a Lisboa. Generosidade brasileira no seu melhor e alegria incontida da nossa parte.

Em Setembro passado não veio o Roberto mas veio a sua irmã, Beatriz Simon, que generosamente e sem nos conhecer de lado algum, se dispôs a trazer-nos o nosso muito desejado Syrah Artefacto. Feita a entrega em mão, eis que o tão famoso estava em poder. Finalmente!
Vejam bem a volta que ele deu até chegar à nossa mesa!

Como tivemos oportunidade de referir no texto anterior, a maneira como o produtor distribui este Syrah é um erro crasso, pois só se preocupa com o mercado externo e descura completamente o mercado interno.

O concelho de Reguengos de Monsaraz tem vários Syrah, já todos apresentados pelo Blogue do Syrah, e pensávamos que este seria um Syrah bom como os outros bons Syrah do concelho mas que eventualmente não estaria a um nível de qualidade superior.

Quando chegou a altura de finalmente o podermos apreciar integralmente, e ao fim de dois anos de procura intensa pelo Artefacto, que nos levou a Luanda e agora a Salvador da Baía, ficamos extasiados! É que este Syrah era tão somente um topo de gama, e o que escrevemos na altura sem conhecimento de causa podemos agora afirmar com todas as letras, pois dizemos com enfâse que possui “cor ruby intensa. Aroma a fruta preta madura, especiarias, algum cacau e um toque balsâmico / mentolado. Boca redonda e fresca, focado na fruta, com taninos domados. A madeira confere-lhe uma boa estrutura estando perfeitamente integrada no conjunto. Apresenta um final sumarento e de boa persistência.”

Diríamos hoje, cinco anos após ter sido feito, que tudo isto se confirma de um modo superlativo! Trata-se de ouro vinícola e aqui a nossa crítica vira-se de novo contra o enólogo, Luís Duarte, que é de facto mestre a fazer vinhos, mas que tem tão pouca consideração pelos seus conterrâneos. Daí o nosso subtítulo: O enólogo que entrega o “ouro ao bandido”!

D. Cooper disse uma vez que “O Syrah estimula o apetite e dá sabor aos alimentos. Promove as discussões, a euforia e pode transformar uma simples refeição em um evento memorável!”

Este Syrah tem a ver com tudo isto, como acabamos de contar!

 

Classificação: 18/20                                                Preço: Oferta