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Quando abre uma garrafa de Syrah, o empregado de mesa de um restaurante de qualidade entrega a rolha ao cliente. Porquê?

Vamos a um restaurante e pedimos Syrah, claro!

Trazem-nos a garrafa escolhida, mostram o rótulo para que possamos conferir que foi exactamente aquela a garrafa pedida… é esse mesmo, confirmamos. Abrindo a garrafa com um saca-rolhas,  o empregado entrega-nos a rolha. Porquê? O que se pode inferir dela naquele momento?
Muita gente pensa que a rolha é entregue ao cliente só por delicadeza, talvez. E o cliente a maioria das vezes o que faz é cheirar a rolha, sem saber que mais fazer!

Pois bem, a resposta é esta:
a inspecção da rolha permite conferir, em directo e rapidamente, o estado de conservação do Syrah, sobretudo se houve contaminação do conteúdo, como se pode ver na imagem!

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O liquido percorreu toda a altura da rolha, como se pode ver, e um pouco do que transbordou, secou e formou a coroa escura em redor na parte de cima da rolha. No caso desta, a parte de fora já estava seca, mas poderia até mesmo ainda estar húmida, não importa.

É quase certo que, assim como aconteceu com o liquido em questão, o nosso muito desejado Syrah havia entrado em contacto com o oxigénio exterior, e estaria certamente avinagrado. Não é como se fosse vinagre puro, mas sim como se tivessem pingado algumas gotas de vinagre dentro da garrafa.

Qual a chance de tal acontecer? Uma em mil? Uma em dez mil, provavelmente, mas acontece, acreditem. E se isto ocorrer no restaurante, certamente há todo direito de pedir para trocar a garrafa, sem mais delongas. Aliás, em qualquer restaurante com serviço sério e a devida atenção para com o cliente, no caso por exemplo de vinho avinagrado, o sommelier logo ali nem deveria esperar o cliente fazer a exigência, levaria logo a garrafa embora, e traria outra.

Como já temos visto em fábricas de rolhas, a indústria tem investido fortemente na melhoria da qualidade de seu produto, para que este e outros problemas sejam cada vez mais raros. Mas acontecem, e por isso ainda nos podemos cruzar com este tema.

E se encontrarem uma rolha assim, na dúvida, recusem a garrafa sem mesmo tocar o conteúdo, que no nosso caso seria uma lástima infindável, sobretudo se fosse exemplar único, mas é a vida!


 

Jaime Quendera, O Imperador do Syrah

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Jaime Quendera é o mais prolífico enólogo de Syrah em Portugal!

A sua área principal de actuação vitivinícola é a Península de Setúbal, mas estende os seus conhecimentos de enologia às regiões vizinhas, Alto Alentejo e Tejo.

Se falarmos de vinho em geral, Jaime Quendera é muito provavelmente o enólogo português responsável pela maior quantidade de garrafas produzidas anualmente. Uma estimativa por alto do Blogue do Syrah apontará para cerca de vinte e cinco milhões de garrafas produzidas em cada ano, sobre as quais a última palavra depende deste homem.
É por isso que nos merece o epíteto de Imperador!

Vejamos os Syrah que ele fez, por área vitivinícola:

Península de Setúbal:

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Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões

Classificação: 16/20                                           Preço: 4,99€

 

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Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões

Classificação: 18/20                                   Preço: 2,49€

 

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Ermelinda Freitas, Casa Ermelinda Freitas

Classificação: 16/20                            Preço: 8,99€

 

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São Filipe, Filipe Palhoça

Classificação: 16/20                                                Preço: 5,99€

 

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Quinta do Alcube

Classificação: 17/20                                          Preço:

 

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Cascalheira, ASL Tomé

Classificação: 15/20                                           Preço: 3,50€

 

Alto Alentejo:

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Herdade das Mouras, Herdade das Mouras de Arraiolos

Classificação: 16/20                                                     Preço: 2,20€

 

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Castelo de Arraiolos, Herdade das Mouras de Arraiolos

Classificação: 15/20                                                                 Preço: 3,80€

 

Tejo:

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Quinta da Lapa

Classificação: 15/20                                                     Preço: 8,50€

Jaime Quendera é licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade de Évora, e pós-graduado em Marketing de Vinhos pela Universidade Católica do Porto. Desde criança que foi habituado ao ambiente do vinho, pois o pai e o avô tinham adegas.

A sua carreia começou em 1994, como Assistente de Enologia de João Portugal Ramos, na Cooperativa de Pegões e, em 2000, Jaime Quendera passa a responsável de Enologia desta adega. É enólogo da Casa Ermelinda Freitas, na região de Setúbal, desde 1998. É responsável de enologia nos vinhos Ti Bento, Marcolino Freitas e filho, Quinta de Alcube, Felipe Jorge Palhoça, José Bento Freitas, entre outros.

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Jaime Quendera é também o responsável pela enologia da Fundação Stanley Ho, da Fundação Oriente e Quinta da Lapa, da Herdade do Pombal (Estremoz) e Adega das Mouras (Arraiolos). É o Perito Português de Enologia na UE pela CONFAGRI desde 1995 e pertence ao júri do Concurso Mundial de Bruxelas desde 2006. Ao longo da sua carreira, Jaime Quendera recebeu mais de mil prémios nacionais e internacionais nos mais prestigiados concursos de vinho, entre os quais se destacam: “Melhor Vinho Tinto”, no Vinalies de Paris 2008; concurso dos enólogos Franceses, com o vinho Syrah 2005 da Casa Ermelinda Freitas; Medalha de Ouro e Melhor Vinho Tinto Português no China Wine & Spirits Challenge 2006, na China, com o vinho “Adega de Pegões – Colheita Seleccionada Tinto; e Medalha de Ouro e Melhor Vinho Tinto Português no China Wine Awords 2014, na China, com o vinho “Casa Ermelinda Freitas Touriga Nacional 2011.

Uma última questão a salientar no enólogo Jaime Quendera é a relação qualidade/preço dos seus Syrah! Todos eles se encontram no patamar de até dez euros, mas a qualidade é quase sempre acima da média.

Só como nota relembra-se que na prova cega realizada o ano passado em que o Blogue do Syrah participou activamente, o Syrah Adega dos Pegões ficou em oitavo lugar no total de vinte e seis Syrah, e era o Syrah mais barato de todos.
De impressionar qualquer um!
O mérito é todo do engenheiro Jaime Quendera!

Sobre aquele que foi chamado o melhor vinho do mundo, aqui fica o destaque…

 

Sobre a Região da Península de Setúbal e o nosso homenageado de hoje…

 

E mais este que fala de os chineses elegerem o Syrah 2012 da Adega de Pegões como melhor vinho português do ano…


 

Homenagem a José Pombinho, um grande amante da casta Syrah e dos Syrah portugueses

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Foi com uma grande mágoa que o Blogue do Syrah  teve conhecimento do desaparecimento prematuro do José Pombinho, alentejano de Elvas, mas a viver em Évora há anos!

Não tivemos a possibilidade de conhecer o José ao vivo, mas trocamos desde o nascimento do Blogue do Syrah imensa correspondência com ele, tendo como tema constante a nossa paixão comum pela casta Syrah e pelos Syrah portugueses! O Blogue do Syrah acaba de perder um dos seus mais eminentes leitores e apoiantes, que desde a primeira hora mostrou um grande interesse e carinho pelo projecto do Blogue do Syrah.
Já está reservado um Syrah alentejano topo de gama para ser aberto e bebido em homenagem ao José Pombinho.
Está a ser um fim de semana muito triste!

Como exemplo ilustrativo do que dissemos, reproduzimos uma das muitas conversas que tivemos ao longo destes últimos dois anos. Esta é datada do dia 11 de Setembro de 2015. O José iria gostar!…

José Pombinho,
obrigado pelo seu mail!
Já leu a adenda ao texto da Quinta do Caldeireiro?
Vamos ter novo Syrah no final de 2016!
Agora é só saber esperar…
Quanto ao Grande Comenda, também falei com o Nuno Lopes que me disse que o syrah só iria para o mercado para o próximo ano!
É assim, as coisas boas precisam de tempo, e nós enófilos, precisamos de ter muita paciência…
 Um abraço
e até breve!
Francisco Trindade

Caro Francisco Trindade
 O último post sobre o Quinta do Caldeireiro, soube-me a “tirar-me as palavras da boca” …
Para mim, foi a iniciação aos Syrah’s e, de tal maneira marcante, que virou contágio .
Sou amigo do José Abelha e do irmão Baltazar; soube por este – que me ofereceu uma caixa para provar –  da existência do néctar , e que o irmão estava a vender ( em saldo – 5£€ a caixa , para um mínimo de 3 cx ! ) o resto da produção . Esta foi a promoção final do vinho que chegou a estar a 17/18 € na loja que o José Abelha tinha com o irmão.
Provado o dito, espalhei pelos meus colegas aqui da Universidade e “rebentámos” autenticamente com 1000 e muitas unidades; de tal modo que, quando em Janeiro de 2014 procurei por mais e porque  já não tinha ( família, amigos, etc ), o José Abelha diz-me : “ desculpa lá amigo, mas temos apenas 60 garrafas e decidimos que vão ficar para a família … “.
Portanto, duvido que ainda exista algum exemplar deste vinho. Mas para mim, não por ser o primeiro, ele figuraria como nº1 de tudo o que vou provando :
 1 – Caldeireiro
2 –  Cortes de Cima – Incógnito
3 – Cortes de Cima – Anderson
4 –  D. Dorinda 2011
5 –  Maroteira – Cem Reis
6 – Comenda Grande
7 –  D. Dorinda 2012
 Sempre discutível, naturalmente …
E .. vamos ver o que aí vem, Mil Reis, Comenda Grande,etc
 De fato esta região é fantástica para a produção de bons vinhos desta ( e doutras ) castas!
 Ainda quanto a esta vinha da Quinta do Caldeireiro, o José Abelha ( família Câmara Manoel ) alugou-a ao enólogo do vinho ( Manuel Ferreira ) que agora produz, naquela e noutras vinho próprio. Hei-de contatá-lo para “apalpar” a situação.
 Abraço, amigo !
 Obrigado por continuarem com esta vossa contribuição para o conhecimento colectivo daquilo que é BOM !
 José Pombinho


 

Vinho: são os aditivos sempre algo negativo?

Mais  do que nunca os aditivos são usados na confecção de vinho em todo o mundo. O que explica o facto de o vinho ser hoje melhor do que nunca! Será? É sobre isto que vamos divagar hoje.

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O verdadeiro problema é que nenhum fabricante de vinho quer admitir o uso de aditivos, qualquer que seja a circunstância. Mas fomos levados a pensar neste assunto quando ouvimos dizer que por vezes se usa Goma Arábica nos vinhos menos caros, e mesmo assim elogiámos o resultado final. Preocupante!

A Goma Arábica, às vezes chamado de goma de guar, é um subproduto da Acácias e ajuda a lidar com taninos desagradáveis em vinhos tintos que de outra forma se apresentariam rudes e pouco apurados. É também largamente usada na produção de muitos alimentos.

A nível de aditivos em geral, existe o muito usado Sulfuroso, mas são poucos os produtores que admitem o uso de aditivos. Geralmente a conversa começa sempre com algo do tipo, ‘Só entre nós…’. Mesmo nas nossas muitas visitas a adegas, se estão lá os volumes de aditivos, eles nunca são mostrados, encontrando-se em algum lugar secreto longe da vista. Há apenas um aditivo apresentado com orgulho: os barris de Carvalho Francês! Este sim utilizado nos vinhos mais caros, cujo aditivo natural, resultante do contacto com o vinho, e que vem da madeira, produz aquela melhoria que os torna especiais. Existe de facto uma certa ‘caixa negra’ com todos aqueles elementos que se juntam ao vinho para o melhorar, por assim dizer. O objectivo será beneficiar o consumidor, para que o vinho tenha aquela coisa especial que certamente não vem da uva em si.

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No caso da casta Syrah, a nossa casta, não estamos a ver como seja possível melhorar o que já é excelente. Mesmo no Syrah biológico, que por lei é obrigado a ter um controle estrito sobre os aditivos, os resultados são sempre acima da média.

Nos últimos anos tem-se falado muito sobre a ampla utilização de um aditivo chamado ‘mega roxo’ na produção de alguns vinhos tintos topo de gama. O objectivo é apenas escurecer a cor, e nós achamos que no fundo o aroma final fica alterado, e isto sim achamos muito negativo.

Todo este tema pode ser bastante ambíguo e polémico. Quando utilizados de forma adequada os aditivos podem levar uvas medíocres a produzir vinho de baixo custo de qualidade aceitável. Já nos foi dito que o vinho hoje em dia é exageradamente manipulado, elevando a qualidade dos vinhos de gama baixa. Achamos que o uso de aditivos no mundo do vinho devia ser assumido e mesmo divulgado, como aliás o é em toda a indústria alimentar.

Na verdade, cada um deve estar orgulhoso por ter feito o uso adequado de algo que torna o vinho mais apetecível para todos os consumidores. Goma Arábica pode realmente deixar um vinho com um pouco mais de doçura em relação às uvas utilizadas, mas se a alternativa não era muito atraente, não é o consumidor que fica a beneficiar, e a adega a ganhar?

Quem sabe mais do que nós sabemos e contámos que diga e comente.


 

O Julgamento de Paris

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1976!
Foi há 40 anos que aconteceu um dos episódios considerado pelos enófilos como um dos mais emblemáticos do mundo dos vinhos e que ainda hoje é recordado. Foi a Degustação de Paris de 1976, que ficou para a história com o nome de O Julgamento de Paris.

Vamos contar essa história mas na perspectiva do Blogue do Syrah, o que equivale a dizer que vamos levantar algumas “lebres” nunca antes levantadas. Porque foi sem dúvida uma degustação histórica que se tornou um marco para a indústria do vinho na Califórnia e abriu espaço para os vinhos do Novo Mundo.

O Museu Nacional de História Americana Smithsonian abriga na sua colecção duas célebres garrafas de vinhos: os vencedores da degustação às cegas de Paris!

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Um Stag’s Leap Wine Cellars Cabernet Suvingnon, de 1973, para os tintos e um Chateau Montela Chardonnay, de 1973, para os brancos. Especialistas franceses elegeram esses dois vinhos como os melhores, superando os mais famosos vinhos franceses. Tal resultado teve grande impacto sobre o mundo do vinho e ampliou as suas barreiras, antes confinadas aos limites da França, alcançando regiões como a Austrália a América do Sul e naturalmente a América do Norte.

Mas apresentemos os factos, ou seja, a história tal e qual como ela aconteceu.
Em 24 de Maio de 1976, uma degustação de vinhos em Paris mudou para sempre a visão do mundo sobre os vinhos da Califórnia. A degustação foi organizada por Steven Spurrier, um inglês comerciante de vinho que era dono de uma loja e de uma escola de vinhos no centro de Paris. Localizada perto dos escritórios da IBM, muitos dos estudantes da L’Academie du Vin eram norte-americanos que trabalhavam na França.

Spurrier ficou intrigado com alguns dos Cabernets e Chardonnays da Califórnia que os seus alunos traziam à loja. Curioso para ver como esses recém-chegados se sairiam contra os vinhos franceses feitos a partir do mesmo tipo de uva, organizou uma degustação às cegas em comemoração das actividades do Bicentenário Americano em Paris. Os jurados franceses escolhidos para o evento tinham credenciais profissionais impecáveis. Foram feitas duas degustações às cegas: a primeira com Chardonnays da mais alta categoria e a segunda com vinhos tintos Cabernet Sauvignon.

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Foram escolhidos o melhor da França: Château Mouton-Rothschild como um dos Cabernets, e o Puligny-Montrachet Les Pucelles da Domaine Leflaive’s nos Chardonnays. Ninguém jamais acusou Spurrier de ter sido tendencioso na escolha dos franceses.
A degustação aconteceu num hotel no centro de Paris, onde foram reunidos 6 dos melhores rótulos de Napa Valley para cada tipologia (branco Chardonnay e tinto Cabernet Sauvignon) e para os Franceses foram escolhidos quatro vinhos tintos de Bordeaux e quatro vinhos brancos da Bourgogne. Os jurados estavam entre os melhores degustadores da França: “ la créme de la créme”!

Spurrier escolheu os melhores, incluindo o co-proprietário do Domaine de la Romanée-Conti, Aubert de Villaine, e sommeliers de restaurantes três estrelas como Tour d’Argent e Taillevent. Havia apenas uma mulher no júri: Odette Kahn, editora da revista La Revue du Vin de France, a mais famosa publicação francesa sobe vinhos ainda hoje no activo.

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A ordem dos vinhos foi entregue ao correspondente da revista TIME em Paris, George Taber. Foi o único jornalista que aceitou cobrir o evento pois todos os outros que foram convidados recusaram estar presentes.

Os vinhos brancos foram degustados em primeiro lugar que como se sabe é uma espécie de regra nas competições de vinho. E o impensável e improvável aconteceu. Na categoria de vinhos brancos o Chateau Montelena Chardonnay 1973 da Califórnia superou os homólogos franceses. Os jurados franceses ficaram muito surpresos. Como poderiam vinhos excepcionais virem de outro lugar que não do legítimo terroir francês?

Segundo o relato do jornalista presente, a segunda parte da degustação, com os vinhos tintos foi bem diferente. Os jurados estavam agitados, estavam conversadores e pareciam confusos. Os juízes de um lado da mesa diziam ter certeza que tinham provado um vinho francês, enquanto o outro lado jurava que o vinho em questão vinha da Califórnia.

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As notas da degustação de vinhos tintos foram um pouco estranhas. O júri dava notas ou muito altas ou muito baixas dependendo da certeza que tinham sobre a origem do vinho.
Quando Spurrier anunciou os resultados da degustação dos tintos, a Califórnia mais uma vez saiu vencedora, o Stag’s Leap Wine Cellars Cabernet Sauvignon 1973 – a primeira colheita produzida com uvas provenientes de vinhas com apenas três anos de idade – foi julgado o melhor. O Cabernet havia superado quatro Bordeaux topo de ranking, incluindo Premier Crus como Château Mouton-Rothschild e Château Haut-Brion.

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Tanto na competição de brancos como na de tintos, o Napa Valley ficou com o primeiro lugar. E este foi o Julgamento de Paris.

Recomendamos os nossos leitores a verem o filme cuja portada está no principio deste nosso texto, com a saudoso e enorme Alan Rickman, uma delícia para qualquer amante de Syrah, vinho e não só. Aqui ficam mais algumas versões dessa mesma capa do filme.

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E já agora, para que a história fique contada até ao fim, exactamente 30 anos depois destes acontecimentos, no dia 24 de maio de 2006, jurados europeus e americanos, simultaneamente em Napa Valey e em Londres, degustaram exactamente os mesmos vinhos de 30 anos antes. O resultado foi a vitória ainda maior da Califórnia: os cinco vinhos mais bem pontuados eram de Napa Valey. Os vinhos californianos conseguiram passar pelo teste do tempo. Mais uma vez, foi o Julgamento de Paris 30 anos depois!

Eis os vinhos degustados em 1976 e respectivas pontuações:
Vinhos Brancos:
•    Chateau Montelena 1973, Napa Valley/Calistoga (132)
•    Meursault-Charmes 1973, Roulot (126.5)
•    Chalone Vineyards 1974, Monterey County/Soledad (121)
•    Spring Mountain 1973, Napa Valley/Spring Mountain (104)
•    Beaune Clos des Mouches 1973, Joseph Drouhin (101)
•    Freemark Abbey 1972, Napa Valley/Rutherford (100)
•    Batard-Montrachet 1973, Ramonet-Prudhon (94)
•    Puligny-Montrachet 1972, Les Pucelles, Domaine Leflaive (89)
•    Veedercrest 1972, Napa Valley/Mt. Veeder (88)
•    David Bruce 1973, Santa Cruz Mts. (42)
Vinhos Tintos:
•    Stag’s Leap Wine Cellars 1973, Napa Valley (127.5)
•    Château Mouton-Rothschild 1970 (126)
•    Château Haut-Brion 1970 (125.5)
•    Château Montrose 1970 (122)
•    Ridge Cabernet Sauvignon ’Mountain Range’ (Montebello) 1971, Santa Cruz Mts. (105.5)
•    Château Leoville-Las-Cases 1971 (97)
•    Mayacamas 1971, Napa Valley/Mayacamas Mts. (89.5)
•    Clos Du Val 1972, Napa Valley (87.5)
•    Heitz Cellars ’Martha’s Vineyard’ 1970, Napa Valley/St. Helena (84.5)
•    Freemark Abbey 1969, Napa Valley/Rutherford (78)

E chegamos finalmente à questão principal que nos trouxe aqui hoje: qual o interesse que esta história fascinante, sem dúvida, pode ter para o Blogue do Syrah?
Repare-se que na célebre prova cega de 1976 não esteve um único Syrah, nomeadamente do Vale do Rhône pelo lado francês. Também é verdade que do lado californiano nenhum Syrah esteve presente. Nos tintos a luta foi entre vinhos da casta Cabernet Sauvignon, e isso quer se queira quer não, limita obviamente as extrapolações que se queiram fazer e foram de facto feitas ao longo destes quarenta anos!
Especulemos um pouco: se estivessem presentes na degustação de 1976 vinhos feitos exclusivamente da casta Syrah o resultado teria sido similar? Os vinhos californianos teriam ficado à frente dos vinhos franceses como realmente aconteceu? A Califórnia tinha já na altura Syrah, no entanto estiveram ausentes do embate. A história não pode ser alterada mas pode ser refeita.

Que tal confrontar Syrah português com Syrah internacional?
Talvez isso possa acontecer mais cedo do que se pensa. Quem sabe em breve acontece um novo julgamento de ‘Paris’, eventualmente dando pelo nome de… Julgamento de Lisboa!

Continuem ligados.


 

Vinho pode proteger contra perda auditiva

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As pesquisas até agora não tinham sido conclusivas quanto a este tema, mostrando que o vinho pode ter efeitos quer positivos quer negativos em relação ao aparelho auditivo no corpo humano.

Mas segundo um novo estudo, publicado pelo jornal “Alcohol”, o consumo de vinho conduz a uma diminuição da perda auditiva em homens e mulheres. Entretanto, o efeito da cerveja parece intensificar o transtorno, já que aumenta o teor de ácido úrico no corpo, o que está relacionado ao funcionamento do ouvido interno.
“Perda auditiva é considerado algo inerente ao processo de envelhecimento. Contudo, a nossa pesquisa mostrou que isso pode ser evitado”, declarou o Dr. Sharon Curhan, do Hospital de Boston, em entrevista ao Wine Spectator.

Para o estudo, foram acompanhadas 65,424 pessoas, entre as idades 27 e 44. Os resultados mostraram que beber cinco ou mais cervejas por semana faz aumentar em 15% o risco de desenvolver perda auditiva. Em contrapartida, quem bebia cinco ou mais copos de vinho por semana apresentava um risco menor em 16% de desenvolver o mesmo transtorno.
“O ouvido é muito activo metabolicamente. É necessário ter um suprimento adequado e consistente de sangue, assim como um mecanismo efectivo que o proteja de processos de oxidação”, afirmou Curhan, explicando ainda que o vinho é um antioxidante natural e um promotor de fluxo sanguíneo, funções estas muito importantes no aparelho auditivo.

Se for Syrah então nem se fala… o som da vida eterna permanecerá audível por muito mais tempo!