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Syrah: a bebida dos Deuses?… sem dúvida!

Hoje fica ouver (ouvir e ver) esta picardia satírica e divertida ao mundo dos vinhos, na sequência do texto nós publicado faz uns dias, feita pelo canal youtube Por Trás da kg, conduzida pela jornalista gastronómica Ailin Aleixo, criadora do site Gastrolândia. Tamos aí…


 

Prova cega de Syrah: o Julgamento de Lisboa!

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Houve o Julgamento de Paris, agora haverá o Julgamento de Lisboa.

Assim mesmo como se afirma e irá fazer história: vai realizar-se uma Prova Cega de Syrah, organizada pelo grupo Cegos por Provas e com o nosso inteiro aval, estando em confronto uma amostragem de Syrah produzido em Portugal contra uma outra amostragem de Syrah produzido no resto do mundo… vai ser memorável!

Serão cerca de 18 os Syrah presentes, criteriosamente escolhidos e, como habitualmente, cada provador pontuará cada um de 0 a 20, com meios pontos. Contaremos com a presença de enólogos e produtores que trabalham directamente com esta casta e que farão uma breve apresentação da mesma.

O acontecimento terá lugar no moderno e elegante Tabik Restaurant, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Durante a prova, serão servidos vários acepipes, em completa harmonia com os Syrah em cima da mesa.

Participar na prova custará 15€ por pessoa e haverá o limite de 40 provadores.
As inscrições deverão ser feitas para cegosporprovas@hotmail.com. Só assim serão válidas.

Que ganhe o melhor!

Não faltem e continuem atentos.


 

Quinta da Lapa, 100% Syrah, Tejo, 2010

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Acabámos de degustar este Quinta da Lapa, que já conhecíamos, mas que não visitávamos faz tempo.
E não é que continua a sua evolução de modo bem positivo?

A Quinta da Lapa está implantada na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo, onde vinho, cultura e história correm juntos desde os primórdios da Lusitânia.
O perfil dos vinhos Quinta da Lapa é, a um tempo, mineral e profundo, conseguindo aliar uma excelente maturação fenólica a uma grande frescura, quando normalmente isso só se consegue com vinhedos de altitude.

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A Quinta da Lapa conta com 27 hectares de vinha em exploração, dividida em talhões com idades compreendidas entre 6 e 15 anos. A orientação mais frequente das fiadas é nascente-poente, o que permite, quando se aproxima a vindima, uma maturação óptima dos bagos. Os dias são muito quentes mas à noite instala-se sempre a frescura, trazida pela brisa atlântica que ao longo de todo o ano se faz sentir.

As notas de prova do enólogo dizem-nos que tem “excelente cor. Aroma com notas de frutos pretos e especiarias típicas do Syrah. Bom volume de boca com taninos presentes, mas macios. Final longo.”

A fermentação é feita em cubas de inox com temperatura controlada. O estágio foi de 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano. Tem uma longevidade garantida pelo produtor de 8 anos. A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo de serviço é mais uma vez, e isto apesar de não estarmos  na Península de Setúbal, Jaime Quendera!

As instalações de vinificação são contíguas à casa da quinta, e permitem a manipulação total das uvas e massas vínicas, desde a vindima até ao engarrafamento. A proximidade das vinhas é um factor importante para a qualidade da matéria-prima, reflectindo-se na qualidade final dos vinhos. A base tecnológica instalada permite o controlo total da temperatura, em todas as fases, bem como dos tempos óptimos para cada perfil de vinho que se procura produzir.

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As vinhas de castas brancas da Quinta da Lapa foram plantadas em 1992, enquanto a plantação das tintas aconteceu em 1997. O sistema radicular das videiras está nesta altura estabilizado, conseguindo-se resultados consistentes de ano para ano, tanto em termos de maturação fenólica como na expressão do terroir da quinta. Fica pois reunido um leque interessante de castas portuguesas, a que se juntam algumas internacionais, definindo bem a vocação internacional dos vinhos, ao mesmo tempo que se afirma o grande valor patrimonial das uvas autóctones.

Plínio  o velho dizia: “Com o vinho se alimentam as forças, o sangue e o calor dos homens.”

Com este Syrah da Quinta da Lapa isso é perfeitamente possível!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 8,50€


 

 

Quando abre uma garrafa de Syrah, o empregado de mesa de um restaurante de qualidade entrega a rolha ao cliente. Porquê?

Vamos a um restaurante e pedimos Syrah, claro!

Trazem-nos a garrafa escolhida, mostram o rótulo para que possamos conferir que foi exactamente aquela a garrafa pedida… é esse mesmo, confirmamos. Abrindo a garrafa com um saca-rolhas,  o empregado entrega-nos a rolha. Porquê? O que se pode inferir dela naquele momento?
Muita gente pensa que a rolha é entregue ao cliente só por delicadeza, talvez. E o cliente a maioria das vezes o que faz é cheirar a rolha, sem saber que mais fazer!

Pois bem, a resposta é esta:
a inspecção da rolha permite conferir, em directo e rapidamente, o estado de conservação do Syrah, sobretudo se houve contaminação do conteúdo, como se pode ver na imagem!

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O liquido percorreu toda a altura da rolha, como se pode ver, e um pouco do que transbordou, secou e formou a coroa escura em redor na parte de cima da rolha. No caso desta, a parte de fora já estava seca, mas poderia até mesmo ainda estar húmida, não importa.

É quase certo que, assim como aconteceu com o liquido em questão, o nosso muito desejado Syrah havia entrado em contacto com o oxigénio exterior, e estaria certamente avinagrado. Não é como se fosse vinagre puro, mas sim como se tivessem pingado algumas gotas de vinagre dentro da garrafa.

Qual a chance de tal acontecer? Uma em mil? Uma em dez mil, provavelmente, mas acontece, acreditem. E se isto ocorrer no restaurante, certamente há todo direito de pedir para trocar a garrafa, sem mais delongas. Aliás, em qualquer restaurante com serviço sério e a devida atenção para com o cliente, no caso por exemplo de vinho avinagrado, o sommelier logo ali nem deveria esperar o cliente fazer a exigência, levaria logo a garrafa embora, e traria outra.

Como já temos visto em fábricas de rolhas, a indústria tem investido fortemente na melhoria da qualidade de seu produto, para que este e outros problemas sejam cada vez mais raros. Mas acontecem, e por isso ainda nos podemos cruzar com este tema.

E se encontrarem uma rolha assim, na dúvida, recusem a garrafa sem mesmo tocar o conteúdo, que no nosso caso seria uma lástima infindável, sobretudo se fosse exemplar único, mas é a vida!


 

Jaime Quendera, O Imperador do Syrah

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Jaime Quendera é o mais prolífico enólogo de Syrah em Portugal!

A sua área principal de actuação vitivinícola é a Península de Setúbal, mas estende os seus conhecimentos de enologia às regiões vizinhas, Alto Alentejo e Tejo.

Se falarmos de vinho em geral, Jaime Quendera é muito provavelmente o enólogo português responsável pela maior quantidade de garrafas produzidas anualmente. Uma estimativa por alto do Blogue do Syrah apontará para cerca de vinte e cinco milhões de garrafas produzidas em cada ano, sobre as quais a última palavra depende deste homem.
É por isso que nos merece o epíteto de Imperador!

Vejamos os Syrah que ele fez, por área vitivinícola:

Península de Setúbal:

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Adega de Pegões, Cooperativa de Pegões

Classificação: 16/20                                           Preço: 4,99€

 

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Vinhas de Pegões, Adega Cooperativa de Pegões

Classificação: 18/20                                   Preço: 2,49€

 

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Ermelinda Freitas, Casa Ermelinda Freitas

Classificação: 16/20                            Preço: 8,99€

 

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São Filipe, Filipe Palhoça

Classificação: 16/20                                                Preço: 5,99€

 

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Quinta do Alcube

Classificação: 17/20                                          Preço:

 

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Cascalheira, ASL Tomé

Classificação: 15/20                                           Preço: 3,50€

 

Alto Alentejo:

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Herdade das Mouras, Herdade das Mouras de Arraiolos

Classificação: 16/20                                                     Preço: 2,20€

 

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Castelo de Arraiolos, Herdade das Mouras de Arraiolos

Classificação: 15/20                                                                 Preço: 3,80€

 

Tejo:

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Quinta da Lapa

Classificação: 15/20                                                     Preço: 8,50€

Jaime Quendera é licenciado em Engenharia Agrícola pela Universidade de Évora, e pós-graduado em Marketing de Vinhos pela Universidade Católica do Porto. Desde criança que foi habituado ao ambiente do vinho, pois o pai e o avô tinham adegas.

A sua carreia começou em 1994, como Assistente de Enologia de João Portugal Ramos, na Cooperativa de Pegões e, em 2000, Jaime Quendera passa a responsável de Enologia desta adega. É enólogo da Casa Ermelinda Freitas, na região de Setúbal, desde 1998. É responsável de enologia nos vinhos Ti Bento, Marcolino Freitas e filho, Quinta de Alcube, Felipe Jorge Palhoça, José Bento Freitas, entre outros.

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Jaime Quendera é também o responsável pela enologia da Fundação Stanley Ho, da Fundação Oriente e Quinta da Lapa, da Herdade do Pombal (Estremoz) e Adega das Mouras (Arraiolos). É o Perito Português de Enologia na UE pela CONFAGRI desde 1995 e pertence ao júri do Concurso Mundial de Bruxelas desde 2006. Ao longo da sua carreira, Jaime Quendera recebeu mais de mil prémios nacionais e internacionais nos mais prestigiados concursos de vinho, entre os quais se destacam: “Melhor Vinho Tinto”, no Vinalies de Paris 2008; concurso dos enólogos Franceses, com o vinho Syrah 2005 da Casa Ermelinda Freitas; Medalha de Ouro e Melhor Vinho Tinto Português no China Wine & Spirits Challenge 2006, na China, com o vinho “Adega de Pegões – Colheita Seleccionada Tinto; e Medalha de Ouro e Melhor Vinho Tinto Português no China Wine Awords 2014, na China, com o vinho “Casa Ermelinda Freitas Touriga Nacional 2011.

Uma última questão a salientar no enólogo Jaime Quendera é a relação qualidade/preço dos seus Syrah! Todos eles se encontram no patamar de até dez euros, mas a qualidade é quase sempre acima da média.

Só como nota relembra-se que na prova cega realizada o ano passado em que o Blogue do Syrah participou activamente, o Syrah Adega dos Pegões ficou em oitavo lugar no total de vinte e seis Syrah, e era o Syrah mais barato de todos.
De impressionar qualquer um!
O mérito é todo do engenheiro Jaime Quendera!

Sobre aquele que foi chamado o melhor vinho do mundo, aqui fica o destaque…

 

Sobre a Região da Península de Setúbal e o nosso homenageado de hoje…

 

E mais este que fala de os chineses elegerem o Syrah 2012 da Adega de Pegões como melhor vinho português do ano…


 

Homenagem a José Pombinho, um grande amante da casta Syrah e dos Syrah portugueses

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Foi com uma grande mágoa que o Blogue do Syrah  teve conhecimento do desaparecimento prematuro do José Pombinho, alentejano de Elvas, mas a viver em Évora há anos!

Não tivemos a possibilidade de conhecer o José ao vivo, mas trocamos desde o nascimento do Blogue do Syrah imensa correspondência com ele, tendo como tema constante a nossa paixão comum pela casta Syrah e pelos Syrah portugueses! O Blogue do Syrah acaba de perder um dos seus mais eminentes leitores e apoiantes, que desde a primeira hora mostrou um grande interesse e carinho pelo projecto do Blogue do Syrah.
Já está reservado um Syrah alentejano topo de gama para ser aberto e bebido em homenagem ao José Pombinho.
Está a ser um fim de semana muito triste!

Como exemplo ilustrativo do que dissemos, reproduzimos uma das muitas conversas que tivemos ao longo destes últimos dois anos. Esta é datada do dia 11 de Setembro de 2015. O José iria gostar!…

José Pombinho,
obrigado pelo seu mail!
Já leu a adenda ao texto da Quinta do Caldeireiro?
Vamos ter novo Syrah no final de 2016!
Agora é só saber esperar…
Quanto ao Grande Comenda, também falei com o Nuno Lopes que me disse que o syrah só iria para o mercado para o próximo ano!
É assim, as coisas boas precisam de tempo, e nós enófilos, precisamos de ter muita paciência…
 Um abraço
e até breve!
Francisco Trindade

Caro Francisco Trindade
 O último post sobre o Quinta do Caldeireiro, soube-me a “tirar-me as palavras da boca” …
Para mim, foi a iniciação aos Syrah’s e, de tal maneira marcante, que virou contágio .
Sou amigo do José Abelha e do irmão Baltazar; soube por este – que me ofereceu uma caixa para provar –  da existência do néctar , e que o irmão estava a vender ( em saldo – 5£€ a caixa , para um mínimo de 3 cx ! ) o resto da produção . Esta foi a promoção final do vinho que chegou a estar a 17/18 € na loja que o José Abelha tinha com o irmão.
Provado o dito, espalhei pelos meus colegas aqui da Universidade e “rebentámos” autenticamente com 1000 e muitas unidades; de tal modo que, quando em Janeiro de 2014 procurei por mais e porque  já não tinha ( família, amigos, etc ), o José Abelha diz-me : “ desculpa lá amigo, mas temos apenas 60 garrafas e decidimos que vão ficar para a família … “.
Portanto, duvido que ainda exista algum exemplar deste vinho. Mas para mim, não por ser o primeiro, ele figuraria como nº1 de tudo o que vou provando :
 1 – Caldeireiro
2 –  Cortes de Cima – Incógnito
3 – Cortes de Cima – Anderson
4 –  D. Dorinda 2011
5 –  Maroteira – Cem Reis
6 – Comenda Grande
7 –  D. Dorinda 2012
 Sempre discutível, naturalmente …
E .. vamos ver o que aí vem, Mil Reis, Comenda Grande,etc
 De fato esta região é fantástica para a produção de bons vinhos desta ( e doutras ) castas!
 Ainda quanto a esta vinha da Quinta do Caldeireiro, o José Abelha ( família Câmara Manoel ) alugou-a ao enólogo do vinho ( Manuel Ferreira ) que agora produz, naquela e noutras vinho próprio. Hei-de contatá-lo para “apalpar” a situação.
 Abraço, amigo !
 Obrigado por continuarem com esta vossa contribuição para o conhecimento colectivo daquilo que é BOM !
 José Pombinho