Mais do que nunca os aditivos são usados na confecção de vinho em todo o mundo. O que explica o facto de o vinho ser hoje melhor do que nunca! Será? É sobre isto que vamos divagar hoje.
O verdadeiro problema é que nenhum fabricante de vinho quer admitir o uso de aditivos, qualquer que seja a circunstância. Mas fomos levados a pensar neste assunto quando ouvimos dizer que por vezes se usa Goma Arábica nos vinhos menos caros, e mesmo assim elogiámos o resultado final. Preocupante!
A Goma Arábica, às vezes chamado de goma de guar, é um subproduto da Acácias e ajuda a lidar com taninos desagradáveis em vinhos tintos que de outra forma se apresentariam rudes e pouco apurados. É também largamente usada na produção de muitos alimentos.
A nível de aditivos em geral, existe o muito usado Sulfuroso, mas são poucos os produtores que admitem o uso de aditivos. Geralmente a conversa começa sempre com algo do tipo, ‘Só entre nós…’. Mesmo nas nossas muitas visitas a adegas, se estão lá os volumes de aditivos, eles nunca são mostrados, encontrando-se em algum lugar secreto longe da vista. Há apenas um aditivo apresentado com orgulho: os barris de Carvalho Francês! Este sim utilizado nos vinhos mais caros, cujo aditivo natural, resultante do contacto com o vinho, e que vem da madeira, produz aquela melhoria que os torna especiais. Existe de facto uma certa ‘caixa negra’ com todos aqueles elementos que se juntam ao vinho para o melhorar, por assim dizer. O objectivo será beneficiar o consumidor, para que o vinho tenha aquela coisa especial que certamente não vem da uva em si.
No caso da casta Syrah, a nossa casta, não estamos a ver como seja possível melhorar o que já é excelente. Mesmo no Syrah biológico, que por lei é obrigado a ter um controle estrito sobre os aditivos, os resultados são sempre acima da média.
Nos últimos anos tem-se falado muito sobre a ampla utilização de um aditivo chamado ‘mega roxo’ na produção de alguns vinhos tintos topo de gama. O objectivo é apenas escurecer a cor, e nós achamos que no fundo o aroma final fica alterado, e isto sim achamos muito negativo.
Todo este tema pode ser bastante ambíguo e polémico. Quando utilizados de forma adequada os aditivos podem levar uvas medíocres a produzir vinho de baixo custo de qualidade aceitável. Já nos foi dito que o vinho hoje em dia é exageradamente manipulado, elevando a qualidade dos vinhos de gama baixa. Achamos que o uso de aditivos no mundo do vinho devia ser assumido e mesmo divulgado, como aliás o é em toda a indústria alimentar.
Na verdade, cada um deve estar orgulhoso por ter feito o uso adequado de algo que torna o vinho mais apetecível para todos os consumidores. Goma Arábica pode realmente deixar um vinho com um pouco mais de doçura em relação às uvas utilizadas, mas se a alternativa não era muito atraente, não é o consumidor que fica a beneficiar, e a adega a ganhar?
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