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A região dos grandes Syrah portugueses…

Humanitas, Vinha das Virtudes, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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O Syrah Humanitas nasceu predestinado para vencer!
Ainda antes de ir para o mercado já tinha conquistado duas medalhas: uma nacional, outra internacional (no concurso Syrah du Monde, o mais importante para um monocasta Syrah). É verdade que as medalhas valem o que valem mas também é verdade que não podem ser menosprezadas. O Humanitas – mas que nome bem inspirado! – de 2013 é ainda um vinho jovem mas com uma grande capacidade de evolução. O Blogue do Syrah já o provou por três vezes nestes últimos meses sempre com efeitos ascendentes. Imaginem bebê-lo daqui a meia dúzia de anos?

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O nome, na sua etimologia latina, é uma das sete virtudes do poema épico Psychomachia, que significa batalha da alma, foi escrito por Prudêncio – Poeta Romano que viveu de 348 a 410 e fala sobre a batalha das boas virtudes contra os vícios malignos.

O enólogo é o mestre Pedro Baptista que está também ligado à Fundação Engenheiro Eugénio de Almeida e é responsável pelo Syrah Scala Coeli já aqui apresentado. A designer é Rita Rivotti, que trata da imagem dos vinhos que agora chegam ao mercado.

Só foram feitas 2100 garrafas, com um grau alcoólico de 14,5%. As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor densa e concentrada, aromas maduros de frutos vermelhos e pretos à mistura com a frescura de bosque e sensações mentoladas. Tanino assertivo e boa acidez que escondem por completo o álcool elevado.”

A vinha está implantada em solos de origem granítica, beneficiando também da exposição a norte, que proporciona maiores amplitudes térmicas e noites mais frias que a generalidade do Alentejo. As produções serão sempre baixas e orientadas unicamente para a qualidade até porque a vinha só tem 2,5 hectares.

Vinha das Virtudes

O proprietário, o muito simpático José Rodrigues, um empresário de Setúbal, amante de Syrah como nós, tinha o desejo de plantar uma vinha onde pudesse fazer vinhos de qualidade. Podia ter escolhido Setúbal, o que seria natural, mas inteligentemente optou pelo melhor sítio onde, com alguma garantia de sucesso, poderia fazer um Syrah, assim como outros vinhos, naturalmente, com qualidade elevada. Escolheu o Alto Alentejo, mais precisamente o distrito de Évora.

Foi em 2011 que descobriu o refúgio ideal. Uma propriedade no Alentejo, a cerca de 10 kms de Évora, situada numa zona de paisagem protegida pela Rede Natura 2000, que o encantou de imediato. A casa do Monte da Ribeira era a única edificação a pontuar a propriedade. Começou por adquirir um tractor e algumas alfaias para apoio do assento agrícola e o seu espírito inquieto não sossegou enquanto não concretizou o desejo de plantar uma vinha. Não é fácil fazer uma vinha e produzir vinhos e ter um lugar no mercado, mas apesar de José Rodrigues ter sido avisado, não quis desistir e foi à luta. Plantou então, entre Abril e Maio de 2012, 2,5 hectares de vinha com castas que sempre apreciou: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e naturalmente a nossa Syrah. Depois, chamou o arquitecto Jorge Fragoso Pires para lhe desenhar uma adega funcional e contextualizada.

A adega está situada em território abrangido pela Rede Natura 2000, que visa proteger as espécies e os habitats mais ameaçados da Europa. Foi concebida segundo exigentes critérios de racionalidade técnica e funcional e está preparada para resistir às inevitáveis evoluções do processo produtivo. A uva é seleccionada manualmente no amplo alpendre exterior, para ser admitida na nave industrial, e a transferência das massas é feita por gravidade, de um modo natural.

A cave de envelhecimento é semi-enterrada, para assegurar a correcta evolução dos vinhos em ambiente termo-higrométrico adequado. O “layout” complementa-se com o laboratório, outras instalações técnicas e uma cuidada zona social onde se realizam as provas de vinho, e outras reuniões, com ampla vista sobre a quinta. De tal cuidado e rigor só poderia sair algo de qualidade superior, como fica comprovado!

A nossa citação de hoje é do castelhano Miguel Torres que diz:
“Qualquer homem inteligente pede um Syrah que agrade às mulheres!”
Somos de achar que o Humanitas cumpre este desiderato!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 16,00€


 

Cortes de Cima Syrah, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Costuma-se dizer que não há duas sem três! E no caso dos Syrah de Cortes de Cima é mesmo verdade.

Hoje vamos apresentar o terceiro Syrah na sequência que escolhemos para Cortes de Cima. Já falamos do Homenagem a Hans Christian Andersen e do Incógnito. Hoje é a vez do Syrah gama de entrada, simplesmente chamado Cortes de Cima Syrah. Dos três é o menos empolgante mas nem por isso desce do patamar electivo. Há quem diga que é pouco interessante, e aqui discordamos. Tudo o que vem daquela região mítica não pode deixar de ser acima da média. O que lhe está por detrás já foi por nós contado nos textos anteriormente referidos.

Há aqui sim um aspecto que queremos enfatizar: o preço elevado para a gama que representa. Respondem os representantes da propriedade com a história, com a procura e com as vendas que esgotam os stocks. Outros Syrah de qualidade têm preços bem mais simpáticos porque não se chamam “Cortes de Cima” e não carregam o fardo de terem sido o motor da implementação da casta Syrah no Alentejo e daí a projecção que ganhou no resto do país. Temos de aceitar a argumentação. Adiante.

Este Syrah de 2012 é a 17º vindima. Depois de um inverno frio e seco e de uma primavera também fria e seca, chegou um verão excepcional. Todos conduziram a uma apanha de qualidade! Este vinho foi produzido exclusivamente a partir da casta Syrah. As uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, e alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano até altura do engarrafamento em Julho de 2013. A data de lançamento foi Julho de 2014.

As notas de prova que escolhemos dizem que tem “aromas a fruta com caroço e de bago preto, com notas de baunilha e especiarias. No paladar é sumarento e bem equilibrado por taninos densos que proporcionam uma excelente estrutura.” A graduação alcoólica é de 14%.

A colheita, produção e engarrafamento foram feitos na propriedade familiar. A produção total foi de 50.220 garrafas.

Neste último ano o Blogue do Syrah teve a possibilidade de apreciar, sempre com enlevo, várias garrafas deste Syrah, mas do ano 2002, e que está ainda impecável de nariz e de boca, com possibilidade de evolução positiva. Constantemente somos de confirmar que a nossa casta de eleição envelhece mesmo muito bem!

Ainda sobre a questão do preço dos Syrah em Cortes de Cima, e para terminarmos por hoje será bom lembrar Thomas Jefferson quando diz: “Não há nenhum país bêbado onde o vinho é barato”!

 

Classificação: 16/20                                                     Preço: 13,00€

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Incógnito, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Chegámos hoje a um momento alto no Blogue do Syrah, porque se há um Syrah capaz de atingir o espaço sideral mitológico, esse Syrah só pode ser o Incógnito! Mesmo estando a falar de acontecimentos que ocorreram nos últimos vinte anos, que quando falamos de Syrah em Portugal é tudo muito recente, este Syrah é já um mito vivo!

Vamos explicar como foi que tudo isto aconteceu, justificando o preço exorbitante que o Incógnito atinge, embora o seu produtor pouco se preocupe com isso, pois é um Syrah que se esgota safra após safra, e já lá vão onze, até esta que aqui nos traz, de 2011.

As notas de prova incluídas na garrafa dizem-nos que possui uma “mistura de frutos selvagens de bago vermelho, tosta de madeira, carne e notas de alcatrão. No paladar é complexo, com um forte paladar de fruta silvestre madura e um equilíbrio cativante. Suave no início, mostrando-se firme ao longo da prova, excelente estrutura de taninos e uma agradável frescura, com boa acidez a contribuir para um longo e persistente final.” Segundo o seu produtor vai manter-se grandioso pelo menos 10 anos. Safras anteriores do Incógnito já mostraram que a longevidade deste néctar está muito acima da média. Tem uma graduação alcoólica de 14,5%. O estágio foi feito em barricas de carvalho francês. A colheita, produção e engarrafamento é feito na propriedade familiar. Foi engarrafado sem filtração nem colagem em Julho de 2012. A produção total foi de 14.400 garrafas.

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Mas vamos então à história fantástica por detrás deste Syrah. E vamos dizer mesmo mais: não temos dúvidas ao afirmar que se esta história tivesse acontecido em outro lugar mais mediático, Estados Unidos, por exemplo, Hollywood já se teria encarregado de fazer um longa metragem… e que grande filme seria!

Vamos começar. Era uma vez um açoriano, da ilha Graciosa, Francisco Correia, que um belo dia de 1888, emigrou para os Estados Unidos, onde foi barbeiro e cortou o cabelo a muitos cowboys famosos, como Wyatt e Virgil Earp. Teve dois filhos e duas filhas e o mais velho dos quatro teve mais filhos e netos. Uma das netas chamava-se Carrie, que se veio a casar com um dinamarquês, Hans Jorgensen.

Engenheiro mecânico, Hans fez fortuna na Malásia, onde conheceu Carrie e, um dia, quis tornar-se viticultor, coisas do destino. Compraram um barco e começaram a viajar pelo mundo à procura do local ideal para plantar a sua vinha. Depois de terem visitado várias regiões do mundo, nomeadamente França (Vale do Rhône) e Espanha, de que não gostaram particularmente, chegaram a Portugal. Foi aí, aqui, cá, que os Jorgensen descobriram o que procuravam, perto da Vidigueira, sul de Portugal. Carrie achou a paisagem muito parecida com a da sua Califórnia natal, e o clima mediterrâneo bem diferente da fria Dinamarca de Hans.

Tinham chegado a Cortes de Cima, onde, em 365 hectares de terra, não havia uma só videira e onde apenas se produziam cereais, e com uma bela área coberta de oliveiras centenárias. Mas o clima e a simpatia das pessoas foram suficientes para decidirem concretizar ali o sonho de uma vida. Estávamos em 1988. Cem anos depois de Francisco Correia ter ido à procura do sonho americano, o destino colocava Carrie no país de origem do seu bisavô à procura do seu sonho lusitano!

Antes de plantar as vinhas, em 1991, o seu real objectivo quando comprou as terras, Jorgensen fez-se valer dos conhecimentos de engenheiro mecânico, que havia desenvolvido durante os 21 anos em que trabalhou numa fábrica de processamento de óleo de palma na Malásia, para dotar a futura vinha de uma infra-estrutura apropriada, de uma rede eléctrica e uma barragem para irrigação do vinhedo. Ao mesmo tempo, preciso e obsessivamente preocupado com os pormenores, Hans Jorgensen foi atrás dos conselhos de técnicos locais e de especialistas estrangeiros, para saber quais as castas a plantar. Ao contrário de toda a tradição vinícola daquela zona, que só tinha variedades brancas, plantou 50 hectares de castas tintas como aragonês, trincadeira, além de, seguindo as recomendações do viticultor australiano Richard Smart, e indo contra a regulamentação estabelecida, Syrah.

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Por isso é que se trata de um vinho histórico, porque foi o primeiro Syrah a ser produzido no Alentejo. Estávamos em 1998, quando a casta ainda não era permitida na região. Daí o nome provocador dado ao vinho, era um Syrah incógnito.

Na época, a casta Syrah não fazia parte das variedades autorizadas na designação Vinho Regional Alentejano (o que só veio a acontecer em 2002), obrigando Jorgensen a comercializar o vinho sem explicitar a casta no rótulo. Contudo, apesar de a casta Syrah não ser identificada, no contra-rótulo era dada uma pista, mais precisamente um acróstico, para quem soubesse ler na vertical e decifrar o enigma:

Select fruit from
Young vines, well
Ripened,
And hand
Harvested.

Literalmente: “frutas seleccionadas de vinhas jovens, bem maduras, e colhidas à mão”. Dessa colheita inicial de ‘Incógnito’, em Cortes de Cima, consta que só há… 4 garrafas! Para reforçar, Jorgensen ainda colocou a frase atribuída a Bob Dylan “To live outside the law, you must be honest”, que em tradução livre significa “Para viver à margem da lei, tem que se ser honesto”. Ou num tom ainda mais ético: “Só se pode viver à margem da lei se formos honestos”.

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A utilização de castas autóctones, verdadeiro património vitivinícola de Portugal e factor importante para se diferenciar no concorrido e estereotipado mercado internacional, foi, contudo, no princípio, um impedimento para o país ter a sua qualidade reconhecida pelos consumidores dos grandes centros urbanos, até pela dificuldade de conseguirem pronunciar os nomes – imaginem um americano tentando dizer “touriga nacional”, “trincadeira”, “alicante bouschet”. Jorgensen havia de comentar sobre as feiras internacionais em que participava no início da sua aventura vitivinícola, em que o público chegava a passar diante de seus vinhos e muitos voltavam atrás ao perceberem que existia um Syrah. Não foi com essa intenção que ele concebeu o Incógnito, mas não há dúvida que ajudou a divulgar as outras marcas que Cortes de Cima possui.

O sucesso alcançado pelo vinho “fora da lei” provou que a nossa casta Syrah se adaptou espectacularmente bem ao clima alentejano, fazendo com que o próprio Jorgensen ampliasse a área plantada por essa variedade em Cortes de Cima. O Incógnito, no entanto, continuou a ser produzido a partir apenas da vinha original, o talhão 9C, que ocupa parte do topo de uma colina e tem um solo particularmente calcário, formando uma mancha branca no terreno. Isso faz toda a diferença, ao conferir uma frescura particular que equilibra a maturação que o clima local instila na alma de um Syrah que habita no Olimpo dos néctares de culto.

Terminando por onde começámos, seria fantasioso desejar outro preço que não o sabido para uma garrafa que nos chega, não de uma montanha, mas de uma tão sagrada planície!

 

Classificação: 19/20                                                     Preço: 65,00€

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Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

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Havia muito que era devido começarmos a falar de Cortes de Cima e, claro, dos seus Syrah. Até que chegou a sua hora, que tudo acontece quando tem de ser.

Antes disto houve questões importantes que quisemos colocar a quem de direito e que não estavam respondidas no site oficial da herdade ou em qualquer dos outros lugares habituais. Já em 2013 tentámos um primeiro contacto telefónico. Nessa altura não havia ainda Blogue do Syrah e as tentativas foram infrutíferas. Em Agosto de 2015 estávamos a 50 km de Cortes de Cima e voltámos a telefonar. O simpático José Eduardo, que atendeu o telefone, o homem da informática de Cortes de Cima entre outras coisas, já conhecia o Blogue do Syrah e conseguiu que fossemos recebidos nesse mesmo dia com a dinâmica e empenhada assistente de enologia Helena Sardinha. Aos dois um obrigado especial do Blogue do Syrah, ainda mais porque na véspera de sermos recebidos tinham começado as vindimas em Cortes de Cima, e sabemos bem de como a vida de uma propriedade agrícola é bem complicada na época das vindimas, seguramente a altura mais importante do ano!

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Falar de Syrah no Baixo Alentejo é falar obrigatoriamente de Cortes de Cima. Quando ainda por cima lá existem três Syrah! Se exceptuarmos a Quinta do Monte d`Oiro, de que iremos falar brevemente, Cortes de Cima é a propriedade agrícola que tem mais Syrah em simultâneo. E que igualmente apresenta maior continuidade durante mais safras de todo o país. Só isso chegaria para marcar a diferença. Mas há uma outra questão ainda mais importante: são todos de classe superior, diríamos mesmo mais, são todos especiais e empolgantes!

Hoje não iremos falar do Syrah da gama de entrada, também não falaremos ainda do topo de gama da casa e que foi o primeiro Syrah que Cortes de Cima produziu e que tem uma história incrível que iremos contar outro dia, mas do Syrah do meio, digamos assim, que foi o primeiro dos três que conhecemos.

A história conta-se desta forma singela: quando começou a nossa aventura de descobrir e divulgar os Syrah portugueses, este Homenagem foi dos primeiros a surgir na nossa investigação, mesmo também por se encontra largamente disponível em cadeias de hipermercados, e desde logo o nome suscitou enorme surpresa e curiosidade. Conhecíamos o escritor de contos para crianças Hans Christian Andersen mas não compreendíamos o porquê de um vinho alentejano ter o nome de um escritor dinamarquês. Como se diz em bom vernáculo: “Não batia a bota com a perdigota”. E isso levou-nos a investigar a história por detrás deste nome. Aí ficámos a saber que o produtor de Cortes de Cima, Hans Kristian Jorgensen, reparem na similitude dos nomes, é originário da Dinamarca e que se estabeleceu em Portugal com a mulher Carrie Jorgensen nesse ano já longínquo de 1988, e mudou o mapa dos vinhos alentejanos para sempre. Este Syrah foi na altura um desafio lançado pela embaixada da Dinamarca em Portugal para comemorar o 2º centenário do nascimento do supracitado escritor de contos infantis, Hans Christian Andersen (1805-1875). Três Dinamarqueses, Hans Kristian Jorgensen, o viticultor e enólogo de Cortes de Cima, juntamente com a sua prima, a artista gráfica Karen Blincoe, e a sua filha, a artista Anna, uniram-se para criar um vinho muito especial, e logo 100% Syrah, como nós gostamos que seja!

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No ano de 1866, Hans Christian Andersen viveu três meses em Portugal, país ao qual chamou o “paraíso terrestre”, vá-se lá hoje compreender porquê. O texto contido na parte da frente da etiqueta que costuma acompanhar o Homenagem foi retirado do conto “O Sapo”, escrito durante a sua estadia em Portugal. Para assinalar este evento, foi criada a Fundação “HCA-abc”, instituída em nome de H. C. Andersen, com a finalidade de permitir que crianças e jovens de todo o mundo, tenham a oportunidade de aprender a ler e escrever. Para ajudar o objectivo humanitário desta Fundação, a Cortes de Cima faz uma doação por cada garrafa vendida. Beber este Syrah é também um acto filantrópico!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas.

O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo,  mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida ficarão apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 18/20                                                     Preço: 30,00€

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O Blogue do Syrah na rota dos Syrah do Alto Alentejo!

Foi uma sortida muito proveitosa, esta que o Blogue do Syrah realizou ao Alto Alentejo, na demanda de alguns Syrah que daqui saíram durante 2015!

De Lisboa, fomos directamente para Estremoz, onde o Syrah tem grande presença e onde existe um número considerável de monovarietais da casta que nos interessa e encanta.

Mas antes disso uma paragem pelo castelo de Évora-Monte para olharmos a imensidão quase infinita do Alto Alentejo.

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Já em Estremoz as vinhas por onde passámos estavam lindas, viçosas de se ver.

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Na hora de almoço… onde deveríamos almoçar? Obviamente no restaurante “São Rosas” da produtora e cozinheira afamada Margarida Cabaço. Duplamente afamada! Pela cozinha e pelos Syrah.

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E aqui destacamos o topo de gama Margarida Syrah 2008, do qual já demos conta aqui. Pela cozinha, reparem o que foi o almoço: Sopa de tomate alentejana, bochechas de porco preto acompanhadas por migas de espargos e lombo de porco com ameixas e puré de maçã. O vinho tinha que ser da casa até por simpatia, naturalmente um Monte dos Cabaços. Uma nota curiosa a realçar: O Blogue do Syrah não conhecia o Monte dos Cabaços, nem tinha que conhecer até porque se trata de um blend, mas ao primeiro golo dissemos: este blend tem Syrah! Perguntamos ao empregado dos vinhos quais eram as castas que compunham este vinho e ele limitou-se a dizer o que estava escrito no rótulo: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet!, mas também dizia no rótulo “e outras castas”. Quando perguntei à Margarida, confirmou efectivamente que o Blend Monte dos Cabaços tinha uma percentagem, que não quis partilhar, de Syrah!

Syrah, tu já não me enganas!!

Deixando Estremoz para trás, zarpámos para Elvas, onde pernoitamos, não sem antes termos admirado as inúmeras vinhas que pontuam o caminho.

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No dia seguinte a portuguesa Olivença era o destino.

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Após a visita cultural que se impunha ao único baluarte não resgatado ao Império Castelhano, o regresso a Elvas onde a preparação psicológica para o outro dia se fez com Bacalhau dourado à moda de Elvas e plumas de porco preto, no restaurante “O Lagar”. Blends típicos alentejanos, a acompanhar, para contento de todos os participantes.

No dia seguinte após a visita demorada ao centro histórico saímos rapidamente de Elvas pois o destino era Ebora Liberalitas Júlia hoje em dia com o nome de Évora, o grande destino que suscitou toda esta movimentação e ao fim e ao cabo a escrita deste texto. O Blogue do Syrah faz aqui uma pausa para fazer uma premonição:

Atenção aos tambores!…

Aqui vai: Évora poderá muito bem tornar-se num futuro próximo a grande capital do Syrah português. O número de Syrah classificados pelo Blogue do Syrah com notas de nível superior no concelho de Évora é o mais elevado do país, comparativamente a outras zonas.

Quando estes pergaminhos estiverem bem firmados, Évora como capital do Syrah poderá lançar-se para ao mundo, com gravidade rejubilante o dizemos!

O restaurante Mr. Pickwick recebeu-nos pois de braços abertos e presenteou-nos com Borrego assado no forno com Batata assada. A acompanhar mais Blends típicos alentejanos, sempre com toques de Syrah aqui e ali. Que não passe pela cabeça de ninguém tentar listar analiticamente os blends alentejanos que contenham uma percentagem de Syrah. Se alguém pouco ajuizado tentar a façanha não terá hipótese de fazer mais nada o resto da vida, e temos muitas dúvidas que consiga concluir o empreendimento. É que são milhares! Mas adiante.

O momento alto desta visita, na perspectiva do Blogue do Syrah, era a visita à Quinta de Nossa Senhora da Conceição, mesmo à saída de Évora, no caminho de Arraiolos, logo a seguir à Herdade da Cartuxa.

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O grande objectivo era conhecer o espaço físico, social e mental da Quinta, sem mais rodeios, até porque os franceses há muito tempo que numa só palavra explicaram tudo isto e chamaram-lhe “terroir”, do território que produz um Syrah a 100%, o Dona Dorinda, que obteve a mais alta classificação atribuída pelo Blogue do Syrah, como se pode confirmar aqui.

Na ausência de Victor Conceição, a passar umas merecidas férias em ilhas portuguesas, fomos recebidos por Luís Caeiro, que não deixou por mãos alheias os pergaminhos da Quinta. Foi uma visita de luxo, com um anfitrião sabedor, que respondeu a todas as questões sobre Syrah, sobre a quinta e até sobre energias positivas, como já antes tínhamos contado. A Quinta de Nossa Senhora da Conceição tem no total 27 hectares e uma produção de raiz orgânica e com bastante água, aqui indispensável.

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Um pomar, um olival, uma horta onde se produz um pouco de tudo, até beldroegas, que no final trouxemos para Lisboa, com as quais fizemos uma sopa com esse mesmo nome, mais um queijo de cabra curado, e a acompanhar, Syrah, obviamente. A vinha tem 2,2 hectares em forma de meia lua e foi plantada em Abril deste ano uma nova vinha que será enxertada para syrah no próximo ano com 1,8 hectares.

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Daqui a 3 anos teremos um total de 4 hectares a produzir em pleno e aí a produção já poderá alcançar valores ainda hoje distantes.

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Tivemos oportunidade de provar vários bagos de uva Syrah em sítios diferentes da vinha e o nosso espanto foi total porque estando nos princípios de Agosto a uva estava doce como nunca pensámos que pudesse estar, quando ainda faltavam várias semanas para o tempo nobre das vindimas.

A seguir seguiu-se uma prova do Dona Dorinda Syrah 2012 que apesar de o conhecermos bastante bem é sempre “um momento alto” bebermos uma nova garrafa, cuja safra, ainda por cima está quase a acabar.

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A visita ao Alto Alentejo estava na sua ponta final. Faltava o regresso a casa e a convicção de que o concelho de Évora tem um futuro glorioso como produtor de Syrah de altíssima estirpe!…

O enólogo americano Robert Noecker escreveu:
“O meu único arrependimento na vida é não ter bebido champanhe suficiente.”
Parafraseando poderíamos dizer que a vida será excepcional se no fim pudermos dizer:
“O meu único arrependimento na vida é não ter bebido Syrah suficiente.”
Mas estamos a fazer um esforço para contrariar esta afirmação, todos os dias da nossa vida!


 

Herdade do Meio, 100% Syrah, Alentejo, 2004

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Mais um Syrah alentejano, mais um infelizmente esgotado. É de mestre António Saramago, mas que já não tivemos oportunidade de conhecer, daí que não tenha classificação.

Bem no coração do Alentejo, junto a Portel e a 25 quilómetros da Barragem do Alqueva, estende-se a Herdade do Meio, onde hoje se produzem, os três mais reconhecidos produtos tradicionais da região: o vinho, o azeite e o porco preto.

A área total da Herdade do Meio é de 69 hectares, dos quais 25 hectares são de vinha – 80% de castas tintas e 20% de castas brancas. Existem ainda 12 hectares de olival. O restante terreno está dedicado ao montado, com cerca de 200 porcos pretos, alimentados à base de bolota e em total liberdade.

As notas de prova que escolhemos dizem que tem “cor escura e aromas algo escondidos ainda, mas muito vivo, com leves notas frutadas e especiaria, no paladar está muito jovem mas já mostra complexidade e estrutura, madeira de qualidade e ligeiro couro, taninos marcantes e fruta mais vistosa, cheio de elegância, grande capacidade de longevidade e final longo e persistente.” Tem uma graduação alcoólica de 13,5%. O rótulo diz-nos que este Syrah foi produzido numa quantidade limitada de 6.200 garrafas. Teve um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês.

Uma das coisas verdadeiras que Mussolini disse, e por analogia nossa, foi que: “Os que bebem Syrah, vivem mais do que os médicos que o proíbem” O Syrah Herdade do Meio está esgotado, mas há outros tão bons e mesmo melhores!

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P.S. Depois deste texto estar escrito e pronto para publicar recebemos para nosso gaudio o email de um leitor do Blogue do Syrah, Gonçalo Jesus, a chamar-nos a atenção para a existência de uma garrafa deste Syrah bem escondida na loja gourmet do El Corte Inglês, de Lisboa. Zarpamos para lá com uma escolta de motociclos da GNR para mandar parar o trânsito à nossa passagem (não foi bem assim…mas podia ter sido) e lá conseguimos ao fim de tanto tempo de procura uma garrafa deste Syrah do mestre Saramago! Valeu a pena pois em prova cega com um Syrah australiano de 2002, o Fighting Flat da Redbank, de King Valley, o Syrah de Portel ganhou por KO! Um obrigado muito especial ao leitor Gonçalo Jesus e só é mesmo pena que este Syrah não tenha tido continuidade. Mas nunca se sabe!

 

Classificação: 18                                                 Preço: 22,50€