Category Archives: Alentejo

A região dos grandes Syrah portugueses…

Monte da Colónia Rosé, Monte da Colónia, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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O jantar de Natal teve este ano como aperitivo, antes de um superlativo Humanitas como prato principal, este Rosé do Monte da Colónia.

Esta herdade, com um total de 600 hectares, de que já apresentámos o Syrah propriamente dito, tinto, como é devido, foi fundada em 1980 pelos pais dos actuais gestores da empresa, que com muita ambição e espírito de equipa decidiram arriscar e erguer uma ideia que  ainda hoje se mantém no mercado. Sediados em Vale de Seda/Fronteira, são essencialmente uma quinta multivalente de cariz familiar mas virada para a inovação em várias área de negócio, tendo como base a produção e transformação de produtos cultivados no próprio local, azeite, azeitonas de conserva e vinhos, bem como a criação de gado bovino e ovino.

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A escolha do nome Monte da Colónia está ligado ao nome original da propriedade e sua vocação primeira, sendo usado nos produtos azeite, azeitonas e vinho, como instrumento de marketing do turismo rural e vice-versa. Em 2009 foi aberta uma loja, junto do lagar, da adega e a fábrica de azeitonas de forma a comercializar não só os produtos próprios como também os de outros produtores, procurando sempre produtos diferentes e de qualidade, produtos regionais, gourmet, Dop, biológicos, e ainda dando a possibilidade de quem visita a loja poder usufruir de um ambiente acolhedor, atendimento personalizado, respirar o ar puro do campo e o verde das vinhas.

O nosso Rosé de hoje, feito integralmente de Syrah, o segundo de que temos conhecimento em Portugal, sendo o outro o Lybra Rosé do Monte D’Oiro, de que já falámos, apresenta uma graduação de 13%, e dizem os produtores que se trata de um “Vinho fresco com óptima presença aromática, acidez bem integrada e final de boca muito agradável . Ideal para acompanhar entradas frescas, peixes grelhados e mariscos.” Nota-se o cheirinho da nossa casta favorita na sua devida extensão, dadas as características aligeiradas na confecção de um rosé, e dentro do que se considera uma bebida suave e fresca cumpre bem a sua função, embora não cheguemos ao ponto de o considerar um expoente maior na sua categoria. Não iremos desprezar novas safras, sobretudo se vierem um pouco mais apuradas de profundidade rosada.

Alguém disse que Rosé é para meninas! Nós acrescentaríamos que talvez uma bela menina e um belo dia de sol à beira-mar sejam o momento ideal para trazer ao convívio este Monte da Colónia Rosé…

 

Classificação: 15/20                            Preço: 3,75€

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Castelo de Arraiolos, Herdade das Mouras de Arraiolos, 100% Syrah, Alentejo, 2014

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Aqui estamos com muito enlevo a apresentar um novo Syrah da Herdade das Mouras – já é o segundo, ver o primeiro aqui – de Arraiolos e confeccionado por Jaime Quendera, um enólogo que não precisa de apresentações, tal é o número de Syrah que tem já no currículo.

O consumo pode ser imediato ou durante os próximos 6 anos. A graduação alcoólica é de 13,5%. Seleccionámos as notas de prova  que falam de “um Syrah de cor vermelho rubi. O paladar é encorpado e com final de boca elegante.”

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O projecto Adega das Mouras começou no ano de 2000, com a compra das terras por parte de um empresário de Lisboa, Henrique Neves dos Santos. A herdade tem na totalidade mais de 300 ha, estando uma grande parte ocupada com vinha. A herdade tem um verdadeiro mar de vinhas com mais de 226ha, sendo uma das três maiores vinhas contínuas da Europa, que ficou completa entre 2004/2005. As cepas mais velhas são de 2002, ano em que se começou a plantar a vinha que hoje lá existe. Entre 2000 e 2002 arrancou-se vinha para produção de uva de mesa que já lá existia e estudou-se o terroir específico da Adega das Mouras , de forma a preparar-se o solo para plantação de vinho e decidir-se as castas indicadas. Mestre Colaço do Rosário, já falecido, foi a peça fundamental nessas decisões. A casta Trincadeira representa 45% da vinha, mas existe ainda Aragonez, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah,  evidentemente, Tinta Caiada, Pinot Noir, Tinta Caiada, Tempranillo e Alicante Bouschet como castas tintas. Como castas brancas foram escolhidas 4 exclusivamente Portuguesas: Verdelho, Perrum, Antão Vaz e Arinto.

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A Adega das Mouras de Arraiolos é um projecto empresarial privado. Localizada no município de Arraiolos, histórica Vila do Alentejo, conhecida pela sua tradição secular de fabrico de tapetes bordados à mão, com o mesmo nome da terra, a Herdade das Mouras de Arraiolos é um testemunho vivo de uma nova geração de produtores que enriquece as mais genuínas tradições.

Apesar de ser uma empresa ainda pouco conhecida no mercado, inclui as referências Castelo de Arraiolos, Conde de Arraiolos, Mouras de Arraiolos, Moira´s, Monte das Parreiras, Maria da Penha, Talha Real, Vinha da Mouras, Adegas das Mouras, entre outras. A aposta vai para a venda em quantidade nas grandes superfícies, não sendo por isso de surpreender que a adega tenha sido projectada, precisamente antes da vindima deste ano, para ter uma capacidade de produção de perto de 3 milhões de litros e de armazenamento cerca de 5 milhões.

O brasileiro João Filipe Clemente escreveu: “Você não pediu para nascer e, salvo raríssimas exceções, morrerá contra a sua vontade. Então, trate de aproveitar o intervalo entre esses dois momentos da melhor maneira possível; beba bons Syrah e coma bons pratos compartilhando-os com bons amigos.”

O Syrah Castelo de Arraiolos é um Syrah novo, não muito complexo, fresco, para um tinto, e com uma relação qualidade/preço muito generosa, gostámos muito.
Este também está aprovado!

Classificação: 15/20                                                                 Preço: 3,80€


 

Mil Reis, Herdade da Maroteira, 100% Syrah, Alentejo, 2013

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Não há muitos Syrah assim!
Este Mil Réis Syrah, primeira safra, e não sabemos para já se haverá uma segunda, é um Syrah estratosférico, planando na sua atmosfera para além deste mundo!

Quando começámos esta aventura em favor dos Syrah portugueses, já sabíamos mais ou menos ao que vínhamos, mas o percurso continua a surpreender-nos, pois temos encontrado vários Syrah de uma qualidade incrivelmente excepcional.
Este é mais um!

E a cada novo Syrah extraordinário mais nos convencemos que o tempo que dedicamos a este Blogue é amplamente recompensado.

Este enorme Syrah, como o seu irmão mais velho, o Cem Réis, é feito por mestre António Maçanita, um nome que só por si, e tendo em conta a quantidade de Syrah extraordinários que já fez, merece só por si um texto de divulgação do seu trabalho nos Syrah do Alentejo! Será para breve, prometemos, porque António Maçanita merece!

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A Herdade de onde saiu esta preciosidade, Maroteira de seu nome, é uma propriedade agrícola pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesas estabelecidas na Região do Alentejo, Portugal, faz mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, no sopé da Serra d’Ossa, 20km a sul de Estremoz e 35km a norte de Évora, a Herdade da Maroteira dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, numa lógica de sustentabilidade agro-silvo-pastoril.

Oito anos após o lançamento do premiado Cem Reis e seguindo uma tradição de qualidade, surge esta edição limitada de Mil Reis Syrah, 3652 garrafas, nem mais nem menos, colheita de 2013, 18 meses de estágio em carvalho francês e americano, mais 6 meses de repouso em garrafa, segundo se lê na garrafa. Vindima manual muito selectiva, em caixa de 20kg. Transporte para adega em camião de frio.

As notas de prova que escolhemos falam de um Syrah de ”Cor violeta escuro concentrado. Nariz exuberante, notas quentes de frutos pretos com notas mentoladas, terminando com notas a amêndoas tostada da barrica. Na boca o ataque é cheio, redondo quente e carregado de aromas. Estrutura firme com boa persistência.” Foi degustada a garrafa com o número 407, e com uma graduação alcoólica de 15,5%.

Quando o Blogue do Syrah falou do 100 Réis de 2012, no dia 5 de Fevereiro de 2015, escrevemos na altura: “E por último a grande confidência que generosamente Philip Mollet nos agraciou. Um projecto vinícola que foi pensado há 8 anos e que verá a luz este ano. A produção do Syrah que poderá ser “o Syrah de 2015 : o “MIL REIS”! No próximo mês de Março será engarrafado e ficará em garrafa durante 6 meses. Verá o dia lá mais para o fim do ano. Que ninguém tenha dúvidas, algumas dessas garrafas virão para os editores do Blogue do Syrah. A grande questão que se coloca é a seguinte: será capaz o MIL REIS, e tendo em conta os critérios pelos quais nos pautamos na classificação dos Syrah, conseguir a pontuação máxima, ou seja, 20 valores? Teremos que esperar até ao fim do ano para poder responder, mas todos os amantes do Syrah sairiam beneficiados se isso acontecesse…”

E com isto recordamos uma frase de Winston Churchill, que para além do seu charuto emblemático era um bom copo: “Tirei mais proveito do álcool do que o álcool tirou de mim!”
Não tenham dúvidas: apesar de se poder pensar que o seu preço é algo exagerado quem o beber tirará todo o proveito da sua excelência e não terá motivo para se arrepender!
Perguntámos a Mollet, quando o encontrámos este ano na mostra de Vinhos do Alentejo, em Belém, o porquê do preço… a resposta foi simples: “Já o bebeu?”

Fica na história como um dos cinco melhores Syrah que alguma vez foram feitos!

Vale 20!!!

 

Classificação: 20/20                                                     Preço: 55,00€


 

Monte Cruz, Herdade Monte do Outeiro, Reserva, 100% Syrah, Alentejo, 2009

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Já antes tínhamos aqui apresentado o outro Syrah da Herdade Monte do Outeiro, Pinhel, por acaso do mesmo ano, 2009. Hoje viemos para falar do seu irmão gémeo, com o epíteto de Reserva. E com esta palavra aposta no rótulo, o conteúdo da garrafa muda, e muito. Qual a diferença entre os dois Syrah Monte Cruz? Esta é uma questão decisiva!

Estamos a falar de um Syrah mais graduado em termos alcoólicos, tem 14,5%, enquanto que o Monte Cruz sem ser reserva tinha 14%! As notas de prova na garrafa dizem-nos que possui “fruto maduro, notas ligeiras balsâmicas e tostadas. Na boca o fruto surge acompanhado de bons e firmes taninos. Mostrando um final longo e persistente.”

Quando este Syrah Reserva chegou até nós, foi recebido de certa forma com pouco entusiasmo, devemos de o confessar, porque francamente não estávamos à espera de grande diferença em relação ao outro que não era Reserva, mesmo sendo a diferença de preço muito apreciável!

Este é um assunto importante e vamos falar dele como merece. São dois vinhos da mesma vinha, portanto são as mesmas uvas, o mesmo terroir, mas a intervenção humana é completamente distinto, nomeadamente em todo o processo que dá origem ao estágio, quer em barrica, quer em garrafa, e isso vai fazer toda a diferença no resultado final. Desde o princípio, esta nossa aventura pelo mundo dos Syrah portugueses rapidamente nos fez concluir que o trabalho humano na confecção desta bebida tem uma percentagem de importância de pelo menos 70%. Hoje temos essa convicção mais forte do que nunca. O terroir é importante, sem dúvida, a qualidade das uvas é importante, seguramente, o clima, a localização, as características meteorológicas desse ano, etc, são importantes, mas a intervenção na adega e o que se segue depois é seguramente o mais importante. O Monte Cruz Reserva 2009 é a prova disso mesmo.

É um vinho excepcional, ao contrário do outro Syrah seu irmão, que não era mais do que um bom Syrah. Este Reserva Monte Cruz é extraordinário logo ao primeiro trago e é isso que imediatamente impressiona. Um só trago deste Syrah faz-nos automaticamente perceber que se trata de um Syrah topo de gama!

Eis pois que nas proximidades da Vila de Portel, Herdade Monte do Outeiro, se produzem vinhos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente. Quem os conhece diz que são vinhos de colheita seleccionada, de aroma perfumado, complexidade elegante e persistente, tudo por nós corroborado e confirmado com sumo deleite.

Infelizmente terminamos com um parágrafo menos abonatório sobre um tema lateral a isto tudo, porque mais uma vez somos de repetir o que já foi dito anteriormente sobre a Sociedade Agrícola Monte Cruz, Lda, a proprietária da Herdade Monte do Outeiro, que não pratica qualquer tipo divulgação a nível de marketing e partilha de informação nas novas tecnologias, em relação quer à propriedade quer em relação aos seus vinhos. E quando dizemos que não pratica qualquer tipo divulgação, isto quer dizer, mesmo nenhuma! A empresa, pela mão de Maria Cruz, veio, num comentário ao nosso artigo anterior sobre o respectivo Syrah, dizer que o mais importante é fazer bons vinhos, que eles próprios fazem o seu próprio marketing e não há melhor publicidade do que a “boca a boca” e o agrado dos clientes, e que o código QR na garrafa, que os smartphones podem ler, dá acesso à ficha técnica. Disse e está dito, mesmo assim continuamos a achar que uma presença na Internet, com informações sobre a quinta, as vinhas, os Syrah, é importante, quanto mais não seja para podermos retirar algumas imagens de um lugar onde se faz tamanho néctar. Assim como está, vai a garrafa, fotografada por nós, e apenas texto a seguir. Pobre de iconografia, mas é o que há! Fomos convidados pelo muito amável dono da Quinta a fazer-lhe uma visita, quem sabe um dia destes aceitamos o convite e fazemos nós próprios as fotografias que tanto apreciaríamos já hoje.

O poeta persa Rumi dizia “Ou me dão mais Syrah ou deixem-me em paz”. Se o Syrah não for este Reserva Monte Cruz, mais vale mesmo arranjar uma boa alternativa… Perfeitamente!

 

Classificação: 20/20                                                    Preço: 29,50€


 

Monte da Colónia, 100% Syrah, Alentejo, 2012

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Desde Fronteira,  distrito de Portalegre, chega-nos este Syrah de 2012, de nome Monte da Colónia. É o terceiro Syrah que existe em Fronteira, os outros dois são o Monte da Cal e o Telhas, e mostra as características desta nossa casta exposta às soberbas condições edafoclimáticas da região, onde as vinhas do Monte da Colónia estão instaladas.

A vindima manual foi feita no inicio de Setembro, seguido de desengace total e esmagamento. A fermentação foi feita em cuba de inox com curtimenta e controlo de temperatura a 27ºc. A desencuba e prensagem são ligeiras, executadas em prensa vertical. Segue-se a fermentação malolática e por fim filtragem e engarrafamento, que foram realizados em Julho de 2013.

É um Syrah de qualidade que será certamente candidato ao prémio de melhor Syrah de 2015 na relação qualidade/preço, visto que custa em Lisboa menos de seis euros.

A empresa foi fundada em 1980 pela geração anterior, na altura uns jovens com fortes espectativas de futuro, muita ambição e espírito de equipa que decidiram arriscar, erguendo uma empresa que ainda hoje está no mercado, essencialmente de cariz familiar, onde as grandes decisões são tomadas por dois irmãos.

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O objectivo fundamental da empresa é o da produção e transformação de produtos cultivados no próprio local, azeite, azeitonas de conserva e vinhos, bem como a criação de gado bovino e ovino.

Actualmente com um lagar de azeite de extracção a frio altamente modernizado, que veio substituir o tradicional lagar de prensas, onde não só se labora a azeitona própria, oriunda dos olivais do Monte, como também de alguns olivicultores da região.

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Com uma área de 600 hectares, e diversificadas características, são assim exploradas diversas espécies vegetais e animais, destacando-se a espécie bovina e ovina, das espécies vegetais podemos destacar os 100 hectares de olival composto por diversas qualidades de azeitona.

Planícies a perder de vista, um céu que adormece glorioso, casas brancas debruadas a azul, com janelas para a tranquilidade, e os melhores sabores! Falamos, claro está, do Alentejo, seduzidos pelo Monte da Colónia. A herdade, situada em Vale de Seda, concelho de Fronteira, produz vinho, azeite e azeitonas com a chancela da região. E, para bem da nossa boca, a tradição por aqui permanece!

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Relativamente à Vitivinicultura, praticada apenas nos últimos 14 anos, mas por sinal muito bem concebida, uma vez que lentamente tem conseguido adquirir todo o equipamento necessário para que se possa fazer todo o processo desde a vindima, fermentação, engarrafamento, rotulagem, sistema de frio, enfim, o Monte da Colónia tem todo o equipamento necessário de modo a facilitar não só o processo, como o trabalho. Em média a empresa produz 100 mil litros de vinhos tintos divididos em várias referências (tinto normal, colheita seleccionada, monocasta Syrah, alicante bouschet e reserva e bag in box), 10 mil litros de branco uma monocasta arinto, 6 mil litros de vinho rosé Syrah, ocupando assim uma área de 20 hectares de vinha com as castas, aragonez, cabernet sauvignon, arinto, alicante bouschet , castelão, Syrah, trincadeira, verdelho, etc., tudo conjugado sob batuta e o saber do enólogo Rui Vieira.

Marcel Pagnol disse que “Quando o vinho é engarrafado, ele deve ser bebido … especialmente se é bom”.

Temos aqui um bom exemplo com o Syrah Monte da Colónia!

 

Classificação: 17/20                                           Preço: 5,85€


 

Artefacto, 100% Syrah, Alentejo, 2010 -Revisitado Luís Duarte, o enólogo que entrega o “ouro ao bandido”

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Este é o segundo texto que escrevemos sobre o Syrah Artefacto, de 2010, do enólogo e produtor Luís Duarte.
Se já aqui contamos uma das peripécias que passámos por ser impossível encontrar este Syrah de Reguengos de Monsaraz em Portugal, os sobressaltos continuam, pois tal como foi aí dito, há dois anos que tentávamos de alguma maneira adquirir pelo menos uma garrafa deste Artefacto, sem sucesso.
Isto porque simplesmente este Syrah não se encontra disponível em território nacional. Mesmo as várias vezes, e foram várias nestes dois anos, que chegamos telefonicamente à fala com o produtor, não houve grande interesse da sua parte em libertar algumas garrafas para ser por nós avaliado. Até mesmo a intervenção da garrafeira Estado d`Alma, sempre diligente nestes assuntos e reforçando o interesse, foi infrutífera.

Hoje gostaríamos de relatar a continuação desta aventura que também aconteceu este ano e a propósito deste Artefacto.

O Blogue do Syrah está presente em várias dezenas de grupos Facebook ligados à temática do Syrah. É óbvio que ao longo de muitos meses fomos desenvolvendo relações de conhecimento à volta do tema com muitas pessoas que não conhecemos pessoalmente. Uma dessas pessoas foi Roberto Simon Neto, administrador do grupo Vinhos da Terra, que tem mais de 3500 membros, todos activos e conhecedores. Este grupo é brasileiro e sediado em Salvador da Baía.
Em Março deste ano vemos uma imagem do Artefacto Syrah, com legenda do Roberto, a perguntar se o Blogue do Syrah o conhecia. Ficamos obviamente siderados pela pergunta, pois era o único Syrah português do mercado sobre o qual não podíamos opinar. Quando lhe perguntamos onde é que tinha tido acesso ao Artefacto a resposta veio rápida:
“No supermercado ao fundo da minha rua.”
Nem queríamos acreditar. Contamos a história do Artefacto ao Roberto, do que aqui se passava, para gáudio geral, que imediatamente se disponibilizou a trazer-nos uma garrafa quando viesse a Lisboa. Generosidade brasileira no seu melhor e alegria incontida da nossa parte.

Em Setembro passado não veio o Roberto mas veio a sua irmã, Beatriz Simon, que generosamente e sem nos conhecer de lado algum, se dispôs a trazer-nos o nosso muito desejado Syrah Artefacto. Feita a entrega em mão, eis que o tão famoso estava em poder. Finalmente!
Vejam bem a volta que ele deu até chegar à nossa mesa!

Como tivemos oportunidade de referir no texto anterior, a maneira como o produtor distribui este Syrah é um erro crasso, pois só se preocupa com o mercado externo e descura completamente o mercado interno.

O concelho de Reguengos de Monsaraz tem vários Syrah, já todos apresentados pelo Blogue do Syrah, e pensávamos que este seria um Syrah bom como os outros bons Syrah do concelho mas que eventualmente não estaria a um nível de qualidade superior.

Quando chegou a altura de finalmente o podermos apreciar integralmente, e ao fim de dois anos de procura intensa pelo Artefacto, que nos levou a Luanda e agora a Salvador da Baía, ficamos extasiados! É que este Syrah era tão somente um topo de gama, e o que escrevemos na altura sem conhecimento de causa podemos agora afirmar com todas as letras, pois dizemos com enfâse que possui “cor ruby intensa. Aroma a fruta preta madura, especiarias, algum cacau e um toque balsâmico / mentolado. Boca redonda e fresca, focado na fruta, com taninos domados. A madeira confere-lhe uma boa estrutura estando perfeitamente integrada no conjunto. Apresenta um final sumarento e de boa persistência.”

Diríamos hoje, cinco anos após ter sido feito, que tudo isto se confirma de um modo superlativo! Trata-se de ouro vinícola e aqui a nossa crítica vira-se de novo contra o enólogo, Luís Duarte, que é de facto mestre a fazer vinhos, mas que tem tão pouca consideração pelos seus conterrâneos. Daí o nosso subtítulo: O enólogo que entrega o “ouro ao bandido”!

D. Cooper disse uma vez que “O Syrah estimula o apetite e dá sabor aos alimentos. Promove as discussões, a euforia e pode transformar uma simples refeição em um evento memorável!”

Este Syrah tem a ver com tudo isto, como acabamos de contar!

 

Classificação: 18/20                                                Preço: Oferta