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Quantos copos de syrah se deve beber para parecer mais atraente?

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Parece uma pergunta despropositada, mas não é. Segundo um estudo desenvolvido pela Escola de Psicologia da Universidade de Bristol, e publicado no Science Daily, basta beber um copo de syrah para o sexo oposto nos achar mais atraente.

A investigação, citada pelo site da revista Time, teve como base a observação de 40 homens e mulher heterossexuais. Os voluntários tinham que observar três imagens da mesma pessoa – uma tirada enquanto estava sóbria, outra após ter ingerido 250 mililitros de vinho (o equivalente a um copo grande) e uma outra depois de beber 500 mililitros de vinho (dois terços de uma garrafa).

A fotografia que mostrava o indivíduo após ter bebido 250 ml de vinho foi considerada a mais atraente. Em segundo lugar ficou a imagem do mesmo indivíduo sóbrio.

Os investigadores afirmam que em causa está a cor rosada que surge no rosto após termos bebido um pouco de álcool, bem como o relaxamento dos músculos e os sorrisos espontâneos – que mostram uma atitude positiva.

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A conclusão deste estudo pode gerar alguma discussão entre os leitores, assim esperamos, mas uma coisa é certa: os investigadores concordam que se deve beber um copo por dia, e apenas um, pois além do assunto principal deste nosso texto, o consumo de álcool deve ser feito de uma forma moderada!


 

Bento dos Santos, o prolífero do Syrah!

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Bento dos Santos é simplesmente um dos grandes senhores do Syrah em Portugal.

Para além da enorme qualidade que se percebe em cada Syrah que sai da sua Quinta, o que o distingue sobremaneira é a diversidade que, nestes vinte anos de Syrah, já lhe conhecemos. Trouxe a casta directamente de França, do Vale du Rhône, para Alenquer, para a sua Quinta do Monte d´Oiro. A importância deste enólogo é de tal ordem que ainda hoje é demasiado cedo para sabermos com precisão o alcance de toda a sua influência nos demais produtores de Syrah em Portugal.

São seis os Syrah da sua responsabilidade que foram criados na Quinta de Alenquer:

Homenagem a António Carqueijeiro, Syrah (94%) e Viognier (6%) (esgotado)

Reserva d´Oiro,  Syrah (94%) e Viognier (6%)

Lybra, Syrah (100%)

Vinha da Nora, Syrah (100%) (esgotado)

Syrah 24, Syrah (100%)

Syrah Rosé, Syrah (100%)

Claro que preferimos os Syrah a 100%, como sempre dizemos, e é nessa direcção que nos batemos, mas nenhum deles pode, ou deve, ser ignorado. Na devida altura falaremos mais em pormenor destes Syrah e da Quinta que os produz.

José Manuel Bento dos Santos é engenheiro Químico Industrial pelo Instituto Superior Técnico desde 1970. Iniciou a sua carreira profissional no Barreiro, como quadro da CUF, essa grande escola de engenharia e gestão. De Chefe de Produção da Metalurgia do Cobre passou, ao fim de poucos anos, para Director do Marketing de Metais tendo, nessas funções, corrido mundo. Foi docente universitário regendo as cadeiras de Metalurgia e de Gestão de Empresas. Fez parte do Conselho de Administração de várias empresas e, em 1981, fundou a Quimibro, uma empresa broker de metais única no género em Portugal e líder de mercado.

A partir de 1990, deu início ao ambicioso projecto vitivinícola da sua Quinta do Monte d’Oiro, em Alenquer, de onde, logo desde a primeira colheita (1997), têm saído vinhos de grande gabarito e prestígio não só nacional como internacional.

Desde muito cedo que foi notório o seu profundo interesse pelo sentido do gosto, dedicando toda a vida ao culto da gastronomia na sua forma mais pura, e da própria culinária, onde aplicou os seus conhecimentos à descoberta das harmonias perfeitas entre vinho e comida. Nas suas contínuas viagens teve a oportunidade de frequentar os mais famosos restaurantes e de contactar e praticar com grandes cozinheiros de todo o mundo. Ao mesmo tempo teve o privilégio de conhecer e provar os vinhos mais requintados. Iniciou a sua colecção de vinhos há mais de 30 anos, participando activamente nos leilões do Christhie’s ou da Sotheby’s e ainda através do contacto directo com alguns dos mais reconhecidos produtores mundiais.

É Vice-Presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Conselheiro Gastronómico da Chaîne des Rôtisseurs, Cavaleiro da Confraria do Vinho Porto, membro da Académie des Psycologues du Goût , Chevalier des Entonneurs Rabelaisiens e Chevalier du Tastevin. Recebeu da Presidência da República Portuguesa o grau de Comendador da Ordem de Mérito Agrícola (2006) e foi condecorado pelo Ministro francês para a Agricultura e Pescas (2007). Em 2008, recebe o mais elevado reconhecimento da Chaîne des Rôtisseurs (a Medaille d’Or ) e ainda, do Ministério da Economia e Inovação, a Medalha de Mérito Turístico.

É autor dos livros “Subtilezas Gastronómicas – receitas à volta de um vinho” (Assírio & Alvim, 2005) – inspirado no primeiro vinho branco da Quinta do Monte d’Oiro –, “O Sentido do Gosto” (Livros d’Hoje, 2008) e “Allgarve Gourmet ” (Prime Books, 2008), publicando ainda artigos regulares sobre gastronomia e vinhos em revistas da especial idade e outros meios de comunicação. Profere diversas conferências sobre estas temáticas no país e no estrangeiro e foi o docente responsável pelo seminário “O Sentido do Gosto” destinado aos alunos do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do IST.

É igualmente autor e apresentador de duas séries televisivas, de larga audiência, em vários episódios sobre os temas do vinho e da gastronomia: “Segredos do Vinho” (SIC, 2004) e “O Sentido do Gosto” (RTP, 2007-2009).

Voltamos ao ponto de partida: no que diz respeito ao Syrah, José Manuel Bento dos Santos conjuga qualidade e diversidade. É um dos maiores especialistas (a par de António Saramago, de que já falámos anteriormente) a fazer Syrah em Portugal!

Não é a primeira vez que dizemos isso e não será certamente a última: se o Syrah português é tão bom e de reconhecida qualidade superior, isso deve-se em primeiro lugar aos homens que o fizeram e depois, naturalmente ao “terroir” onde ele é feito! Exactamente e por esta ordem!


 

Alentejo eleito melhor região vinícola do Mundo

Alentejo eleito melhor região vinícola do Mundo

O vinho alentejano está de parabéns.

Isto porque o nosso Alentejo foi eleito a melhor região vinícola do mundo, de acordo com uma votação promovida pelo USA Today, o maior diário norte-americano, e pelo portal para viajantes 10Best que é conhecido pelas suas populares votações sobre diversos tópicos relacionados com o mundo das viagens. Superou outros 19 concorrentes, entre os quais nomes sonantes no universo vínico, como Champanhe (França) e La Rioja (Espanha).

O concurso terminou no passado dia 4 de Agosto. A tão aguardada vitória — o destino luso estava na liderança no que a votos diz respeito — foi confirmada esta quarta-feira.. Em competição estavam 20 candidatos pré-selecionados, escolhidos pelos peritos em vinho Frank Pulice e Kerry Woolard, colaboradora que descreve a região assim: “Quando a maior parte das pessoas pensa em Portugal, pensam imediatamente no Douro. Mas rume para sul até ao Alentejo e não ficará desapontado. Adegas, hotéis de serviço completo, excelentes restaurantes e, claro, vinhos formidáveis”. O destino, o único português em competição, é tido como uma região rural que potencia uma viagem no tempo. Além disso, e segundo Kerry, é conhecido pelos “vinhos tintos robustos” e por fazer chegar à mesa comida “rústica e autêntica”.
O top 5 fica completo com Okanagan Valley na Colúmbia Britânica, Maipo no Chile, Marlborough na Nova Zelândia e Croácia.

O Alentejo de acordo com o USA TODAY é “esta intrigante região rural situada a duas horas de Lisboa é como uma viagem de volta no tempo para os amantes do vinho. O terreno diverso detém olivais e vinhas, aldeias pitorescas, prados cheios de flores e florestas”. É ainda referido que a comida no Alentejo “é rústica e autêntica, aproveitando ao máximo o estilo de vida agrário na região”.

Entre os 20 candidatos pré-selecionados, escolhidos por Kerry Woorlard e Frank Pulice, dois peritos do sector dos vinhos, o Alentejo era o único representante de Portugal.

Para a presidente da CVRA -Comissão Vitivinícola Regional Alentejana- Dora Simões, “é uma distinção importante para o Alentejo e também para o país, que tem impacto muito positivo no potencial de notoriedade que a região pode obter nos mercados internacionais; o facto de os leitores terem preferido o Alentejo a regiões tão famosas como a Borgonha, Champanhe, Rioja ou o Piemonte, vem também dar um grande impulso ao trabalho que é desenvolvido na promoção do vinho e do enoturismo no Alentejo, quer internamente, quer junto de mercados externos estratégicos”.

O Alentejo é a região líder no mercado nacional – quer na quota de mercado em volume (44,9%) quer em valor (46,7%), segundo os dados ACNielsen, na categoria de vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG. Os Vinhos do Alentejo juntam 263 produtores e 97 comerciantes numa área total de vinha de 21 970 hectares, sendo que a área total de vinha aprovada para DOC Alentejano é de 11 371 hectares.

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Perante todos estes dados, qual a interpretação que o blogue do syrah apresenta?
Não nos podemos esquecer que a revolução vitivinícola que se operou em Portugal nos últimos 20 anos pode ter várias aspectos a salientar, sem dúvida que sim, mas o mais importante e verdadeiramente revolucionário a ter presente foi a introdução da casta syrah no sul do país e que se foi espalhando depois pelo norte.

Hoje a syrah é a quarta casta mais plantada no território nacional, e a zona com mais syrah do país é justamente o Alentejo, com 39 syrah declarados nestes 20 anos, para além de existirem blend alentejanos com percentagens variáveis de syrah na ordem das centenas.

Mark Squires uma autoridade no mundo dos vinhos escreveu no site de Robert Parker em Dezembro de 2007 que “Alentejo has always had some flagships, the region is developing an exciting group of wineries that can act as additional standard bearers and adding them to existing stalwarts like Cortes de Cima.”

Nos syrah alentejanos e na classificação atribuída pelo blogue do syrah temos dois syrah com nota de 19, sete com nota de 18 e dez com nota de 17. No total são 19 syrah muito bons ou, se quisermos dizer de outra maneira, de elevadíssima qualidade. Mas os onze syrah avaliados com a nota 16 não são obviamente desprezíveis, muito pelo contrário.

Muitos consumidores que só têm presente as marcas comerciais dos vinhos que bebem e não as castas envolvidas na feitura dos mesmos não fazem a menor ideia do syrah presente nos vinhos alentejanos que adoram e bebem. Lembra-me um pouco por analogia a mesma situação quando o Alicante Bouschet foi introduzido no Alentejo, faz mais de cem anos, mas os produtores não o mencionavam nos rótulos das garrafas, com vergonha de admitirem que usavam uma casta francesa na elaboração de vinhos alentejanos a par de castas tipicamente locais como a Trincadeira e o Aragonez (esta vinda há mais tempo ainda da vizinha Espanha).

Resumindo e concluindo: O Alentejo foi eleito a melhor região vinícola do Mundo e não temos que nos admirar com esse facto!
Só temos que o compreender e o incorporar na nossa cultura vinícola.

Podemos, por isso mesmo, passar a consumir, apreciar e degustar mais syrah!


 

Porque é que o Vinho dá Sono?

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Além de reduzir o risco de doenças cardíacas, prevenir o acidente vascular cerebral, combater o envelhecimento prematuro e lutar contra várias formas de cancro, o vinho tinto também ajuda o corpo a obter o descanso que precisa para se recuperar da rotina diária.

Um estudo de cientistas italianos da Universidade de Milão, publicado há alguns anos no Journal of the Science of Food and Agriculture, descobriu uma grande presença de melatonina em algumas variedades de uvas viníferas.

A melatonina é um hormónio que “avisa o corpo que é hora de dormir”, além de ser um potente antioxidante e desintoxicante das nossas células.

A pesquisa foi realizada com 8 diferentes cepas, todas provenientes de controlados vinhedos do Instituto Experimental de Viticultura, em Treviso, situado no nordeste da Itália. Infelizmente nenhuma delas foi Syrah.

As castas utilizadas foram Nebbiolo e Barbera, por serem as principais variedades do Piemonte. Sangiovese, pela sua relevância na Toscana. Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, pela importância na produção mundial e finalmente Croatina e Marzemino, duas uvas locais.

A concentração de melatonina percebida pelos pesquisadores foi maior na cepa Nebbiolo, seguida pela Croatina e Barbera. Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Merlot apresentaram índices considerados medianos, enquanto Marzemino e Cabernet Franc apresentaram apenas vestígios do hormónio. O que se concluiu com esse estudo, é que o álcool presente no vinho pode não ser o único responsável pelo efeito relaxante que essa bebida proporciona. E, talvez, um copo de vinho tinto antes de dormir tenha mais vantagens do que imaginamos.

Um dos cientistas responsáveis Marcelo Iriti, acredita que os valores de melatonina no vinho tinto poderá ajudar a regular os padrões de alternância entre sono e vigília. Diz ele especificamente: “O teor de melatonina no vinho poderá ajudar a regular os padrões de sono-vigília, tal como acontece com a própria melatonina produzida pela glândula pineal nos mamíferos”, afirma Iriti num comunicado.

Mas, como a ciência só vive e evolui a partir da permanente interrogação (não é por acaso que é irmã gémea da filosofia), é importante referir o outro lado da moeda: alguns especialistas recomendam evitar o consumo de bebidas alcoólicas antes de dormir, pois o álcool poderia prejudicar o sono profundo, mantendo algumas pessoas somente nos estágios mais leves de sono. Dessa forma, é bom ficar atento para ver qual é a reacção específica do seu corpo, antes de decidir o que é melhor para cada um de nós.

Não é a primeira vez que o vinho tinto – e as uvas que lhe dão origem – são apontados como benéficos para a saúde. Estudos anteriores já tinham indicado que o consumo moderado de vinho tinto poderia diminuir a taxa de “mau colesterol” no organismo e até ajudar a prevenir a doença de Alzheimer.

Já não há dúvidas de que o vinho tomado ao deitar torna o sono mais repousante e reduz a quantidade de tranquilizantes e pílulas para dormir. Finalmente, sempre se soube que o metabolismo e a absorção do álcool pelo fígado, 30g por hora, é muito mais lenta com vinho do que com outras bebidas. Como o vinho é sempre tomado lentamente e às refeições – com o estômago cheio a absorção é ainda mais lenta – os níveis de álcool no sangue não atingem proporções intoxicantes, como acontece com os destilados.

O Copenhagen Heart Study, uma pesquisa que envolveu 13.000 pessoas durante dez anos, concluiu que aqueles que consumiram até seis cálices de vinho por semana durante o período de avaliação, tiveram somente 40 por cento da taxa de mortalidade daqueles que não beberam. Ficou também demonstrado que cerveja e destilados não forneceram tal protecção.

O Dr. R. Curtis Ellison, Chefe de Medicina Preventiva e Epidemiológica da Escola de Medicina da Universidade de Boston diz que os dados científicos são claros: “O consumo moderado de vinho está associado com um risco bem menor de doenças do coração e derrame, as principais causas de morte nos EUA.” Pode-se portanto concluir que não beber vinho é em si um factor de risco!

Apetece terminar esta reflexão relembrando o soneto do vinho do Jorge Luís Borges:

 Em que reino, em que século, sob que silenciosa 
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular idéia de inventar a alegria?

Com outonos de ouro a inventaram. O vinho
Flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.

Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto

Outrora o cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história 
Como se esta já fora cinza na memória.


 

António Saramago, o enólogo do Syrah

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Há o Saramago das letras e há o Saramago do Syrah!

Há pessoas que ao ler o título deste texto, já nos estão a querer crucificar por um título demasiado restritivo quando se fala desta figura ímpar no panorama vitivinícola português. O engenheiro António Saramago não é somente o enólogo do syrah, obviamente. É um mestre, que leva décadas tratando o vinho por tu, todo o tipo de vinhos, desde os tintos de várias castas, aos brancos, aos moscatéis, em Setúbal, no Alentejo, etc, etc.

Mas é preciso dizê-lo frontalmente: falamos dele porque fez vários syrah de qualidade. E só estamos a falar dele por causa dos Syrah, o nosso tema de eleição. Haverá outras pessoas que poderão estar a pensar que o engenheiro António Saramago não é o único a fazer syrah de qualidade. É verdade que não. Poderão pensar no Hans Kristian Jorgensen enólogo e proprietário de Cortes de Cima que tem no seu currículo três syrah de suprema qualidade (que ainda não tiveram o espaço a que têm direito no Blogue do Syrah mas lá chegaremos) ou outros, como José Bento dos Santos, proprietário da Quinta do Monte d´Oiro, que tem no seu currículo não um, não dois, não três mas vários Syrah produzidos nesta quinta de Lisboa.

Mas apesar da mestria na feitura de Syrah por estes dois mestres, António Saramago fez vários Syrah de qualidade um pouco por todas as empresas e Herdades por onde passou e isso faz uma diferença acrescida em relação aos mencionados. Vamos dar quatro exemplos:

Quinta do Alqueve, Pinhal da Torre, 100% Syrah. (esgotado)

Quinta de S. João, Pinhal da Torre, 100% Syrah.

Aldeias de Juromenha, 100% Syrah.

Tapada dos Coelheiros, 100% Syrah.

Herdade dos Lagos, Reserva, 100% Syrah.

Herdade do Meio, 100% Syrah. (esgotado)

António José Ribeiro Saramago nasceu em Vila Nogueira de Azeitão a 27 de Março de 1948.

Desde muito cedo que demonstrou paixão pelo mundo do vinho, não sendo alheia a influência do seu pai, José Maria Saramago, adegueiro na empresa José Maria da Fonseca durante 42 anos.

Essa paixão leva-o a abandonar o curso industrial de mecânica e a ingressar, no ano de 1962, no laboratório da José Maria da Fonseca, pela mão do Engº António Porto Soares Franco, uma das referências da enologia portuguesa da altura.

Em 1973, passa a chefe de serviço do Departamento de Enologia da Empresa, tendo como consultor o Prof. Manuel Vieira, outro grande mestre da enologia nacional e docente no Instituto Superior de Agronomia.

Em 1974, parte para França, onde inicia a sua formação em Enologia, Viticultura, Conservação e Estabilização de Vinhos, na prestigiada Faculdade de Enologia da Université Victor Segalen – Bordeaux 2.

Em 1982, é convidado para enólogo responsável da Cooperativa Agrícola de Granja, onde tem um papel preponderante na modificação da estrutura da adega e do perfil dos vinhos, destacando-se os famosos “Garrafeira Granja/Amareleja” e “Terras do Suão”, galardoados a nível nacional e internacional.

Em 1991, fruto do seu sucesso com os vinhos da Granja, é convidado para trabalhar na Adega Cooperativa do Fundão. Aí, deixa também a sua marca, transformando os vinhos “Praça Velha” numa referência nacional.

Nesse mesmo ano inicia aquele que é, talvez, o seu projecto mais emblemático –Tapada de Coelheiros.

Ao desafio de Joaquim e Leonilde Silveira de criar uma empresa de referência no Alentejo, António Saramago respondeu com um conjunto de vinhos que, pela sua qualidade, se tornaram uma marca do próprio Alentejo.

É a partir deste momento que a sua carreira adquire maior reconhecimento mediático, quer na imprensa especializada, quer na própria enologia portuguesa, permitindo-lhe abraçar outros projectos em várias regiões do país.

Com mais de 200 prémios conquistados, muitos dos seus vinhos têm sido sobejamente apreciados pela imprensa nacional e internacional da especialidade, destacando-se nesta última Jancis Robinson e Robert Parker.

Considerando que “os grandes vinhos começam na vinha” e que “todo o seu sucesso resulta de um trabalho de equipa”, a sua versatilidade permitiu-lhe criar vinhos produzidos em regiões tão distintas como a Bairrada, Beira Interior, Ribatejo, Península de Setúbal e Alentejo, sendo por isso considerado como uma das referências da enologia portuguesa contemporânea.

No ano de 2000, associa-se a Joaquim Teixeira da Costa para criar o projecto Porto da Bouga Vinhos. Exclusiva do grupo Jerónimo Martins, nasce a marca Herdade do Porto da Bouga Reserva que, com o passar dos anos se posiciona como um dos vinhos mais vendidos pela cadeia Pingo Doce, especialmente devido a uma espectacular relação qualidade-preço.

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Em 2002 cria a empresa António Saramago-Vinhos, juntamente com a sua esposa Ausenda e os seus dois filhos, Nuno e António.

Em 2008 é distinguido como “Enólogo do Ano” pela revista Néctar.

Em 2009, internacionaliza a sua carreira levando para o Brasil toda a sua arte e conhecimento, através do projecto “Além Mar”, da Vinícola Villaggio Grando, no estado de Santa Catarina.

Em 2011 distingue-se como o melhor enólogo português no ranking “Top Winemaker” do concurso Wine Masters Challenge.

Em 2012 comemorou 50 anos de carreira.

É confrade membro da Confraria dos Enófilos do Alentejo e da Confraria dos Enófilos da Beira Interior.

É membro fundador da Associação Portuguesa de Enologia.

É um dos maiores especialistas a fazer Syrah em Portugal!


Um fim de semana em Bordeaux a degustar Syrah!

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Foi este um fim de semana prolongado, passado na cidade mítica do vinho: Bordeaux!

Trata-se da região vinícola mais importante de França, e, para muitos, do mundo. Possui mais de 30 mil marcas comerciais de vinhos distribuídos por 13 mil quintas e herdades, a que os franceses chamam carinhosamente “château”.

A região dos vinhos de Bordeaux produz 660 milhões de litros de vinho por ano que são exportados para todo o mundo!

E foi neste ambiente alucinante que passámos três dias com o objectivo de visitar a cidade e as suas garrafeiras.

A visão mais extraordinária e inesperada que tivemos foi à saída do terminal, mas ainda dentro do complexo do aeroporto, quando nos deparámos com uma vinha! Um autêntico monumento vivo à origem da força mítica do nome Bordeaux!

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Uma daquelas imagens que irá perdurar por muito tempo!

Não nos perguntem a casta plantada porque não dava para ver. Em Janeiro a vinha não tem folha e muito menos uva. Ainda tentámos perguntar a algum funcionário que por ali passasse mas os únicos que passaram enquanto tirava fotos ao “monumento” foram três militares das forças especiais armados “até aos dentes”. Não quisemos arriscar e meter conversa não nos fossem eles tomar por algum grupo terrorista…

E aqueles três dias foram passados a vasculhar as garrafeiras da cidade desde as mais pequenas, de bairro, como a “Cousin & compagnie,” a “Vins et Plus,” a “Caviste Le Comptoir” e a “Vinotheque Bordeaux” até às maiores como a “Arte t Vins,” a “Bordeaux Magnum”, a “Badie” a mais imponente e finalmente a “Maison du Vin de Bordeaux.”

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Mas como os nossos leitores já estão a imaginar, não foi atrás dos Bordeaux que íamos… Andávamos era atrás de syrah! E encontrámos vários… e bons!

Os “Hermitage,” os “Crozes Hermitage,”os “Côtes du Rhône” os “Saint Joseph,” os “Côte Rotie”estavam lá! Não digo que estavam lá todos obviamente, mas estavam lá muitos!

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E provámos e degustamos e bebemos, sempre com enorme deleite!

Mas a grande conclusão a retirar desta viagem vinícola de três dias por terras de França é que os syrah portugueses metem mesmo em sentido os seus congéneres franceses. Sem margem para dúvida!

A existência deste blogue tem como objectivo primeiro martelar nesta tecla!

É o que iremos continuar a fazer!