Monthly Archives: November 2017

Casal das Freiras, Agrovalente, 100% Syrah, Tejo, 2016

Não foi há muito tempo que apresentámos o Casal das Freiras de 2015 e eis que a nova colheita de 2016 já está disponível no mercado!
Seria provável torcer o nariz a um Syrah tão novo, ou seja, da vindima anterior. No entanto outra coisa aconteceu em termos de palato. Este Syrah tem uma fruta muito vincada, viva, expressiva, para tão curto tempo de estágio. Parece mais um Syrah de 2015, ou mesmo 2014, e não tanto de 2016. E esta reflexão é o elemento mais impressionante que este Syrah do distrito de Santarém, concelho de Tomar, freguesia da Madalena, tem para mostrar!

Priveligiando a singularidade, este Syrah monovarietal foi elaborado com uma selecção das melhores uvas da casta Syrah, onde sobressaem as notas dominantes que a caracterizam: “os aromas de fruta preta, como os mirtilos, ameixas e amoras, conjugados com o distintivo paladar do chocolate e leves notas de especiarias associadas à pimenta preta. Resulta um vinho encorpado, de cor granada, com bom equilíbrio de acidez e taninos suaves, realçados num final expressivo e prolongado”. Tem 13,5% de graduação alcoólica, como aliás a colheita anterior. O proprietário e produtor é o simpático José Vidal, e a enologia está a cargo da Teresa Nicolau. Mais uma senhora a dar-nos Syrah, sempre aquele sentimento de estar em presença de uma outra sensibilidade que não a masculina!

Com uma secular tradição vitivinícola e em terras que outrora foram da Ordem de Cristo, encontra-se a Quinta do Casal das Freiras. As suas vinhas estão implantadas em solos argilo-calcários de declive suave e ondulado com exposição a sul, predominando as castas nacionais. Vinificadas por métodos tradicionais, estas uvas dão origem a um vinho taninoso, encorpado e aromático. Com origem em antigo foro da Ordem de Cristo (século XV) é propriedade da família desde o século XIX. Com 180 Hectares esta Quinta inclui ainda searas, olival e floresta além dos 16 hectares dedicados à vinha.

Tal como aconteceu com o Casal das Freiras 2015, “é um Syrah que se bebe com prazer e que tem uma relação qualidade/preço muito considerável!” Esta nova colheita, superior à anterior, só poderá reafirmar o que aí se disse!
Citando o escritor Francisco Trindade: “Aquele que recebe os seus amigos e não tem um cuidado especial com o Syrah, não merece ter amigos ! »
Podendo fazer um pequeno brilharete perante os convidados e não gastando muito dinheiro, esta é uma óptima proposta !

 

Classificação: 17/20                                                                          Preço: 4,75€

Vale das Areias, Sociedade Agrícola da Labrugeira, 100% Syrah, Lisboa, 2012

Foi na garrafeira Algés com Sabores que tivemos conhecimento da nova colheita do Syrah Vale das Areias, 2012! Já aqui tínhamos falado da colheita de 2011 e aqui da colheita de 2010.
E que bom que este Syrah continua!

Feito pela Sociedade Agrícola da Labrugeira, que produz e engarrafa vinho na antiga região da Estremadura, sendo a própria designação herdada da vinha mais antiga da família, situada no Vale das Areias, entre a capela dedicada a São Jorge e a Serra de Montejunto, Alenquer. A paixão pela vitivinicultura foi passando de geração em geração, pelo que nos anos 90, fruto da vontade em aperfeiçoar a herança dos antepassados e das novas exigências do mercado, começou a modernização das vinhas e da adega, datada de 1930.
Os cachos são recolhidos manualmente que são depois seleccionados para pequenas caixas individuais. Posteriormente, desengaça-se e esmaga-se suavemente as bagas, sendo a vinificação realizada em separado, casta por casta, parcela por parcela, em cubas de inox com controlo rigoroso e individual da temperatura (adaptável às características de cada mosto). A maceração nas cubas é prolongada, para que todos os componentes fenólicos sejam extraídos. Em seguida, o vinho fica em estágio, em barricas de carvalho francês de qualidade, entre 6 a 12 meses. Finalmente é engarrafado, aguardando ainda na adega, em novo estágio, de 3 meses, até ser lançado no mercado. O vinho é exportado para a Alemanha, Bélgica, Holanda, Polónia, Suécia e Suíça.

O grande problema que existia até agora é que este Syrah não tinha distribuição garantida na Grande Lisboa. A única hipótese era encontrá-lo no hotel da quinta. A partir de agora, com esta colheita de 2012, é possível ir ao seu encontro na garrafeira Algés com Sabores, em Algés!

O Syrah, com 13,5% de teor alcoólico, apresenta “cor granada intenso, aroma intenso, complexo, com notas de baunilha e pimenta preta num conjunto bem casado com a madeira. Com bastante estrutura, envolvente e final longo, com taninos bons finais.”
Estagiou um ano em madeira de carvalho francês e americano, após vindima manual. Foi feito de acordo com o inovador sistema de produção agrícola integrada, de forma a salvaguardar, a longo prazo, os recursos naturais e meio ambiente. Como já tinha acontecido antes, optou-se por um rendimento baixo por hectare (através de podas severas e de mondas de cachos) e uma produção integrada, em cumprimento com as normas agro-ambientais. Este Syrah está garantido pelo menos até à safra de 2013. O enólogo de serviço é Raul Martins.

Diz um provérbio italiano que:
«Existem cinco boas razões para beber Syrah: a chegada de um convidado, a sede do momento e a futura, o bom sabor do Syrah e não importa mais nenhuma outra razão.»
Aí está algo que pode ser aplicado ao Syrah Vale das Areias de 2012.
Nós já não temos dúvidas!

 

Classificação: 17/20                                                    Preço: 15,00€

E se 85% de um Syrah fosse água?

Pois, Syrah é sempre Syrah, mesmo que seja em solução a 15%!

Mais uma vez a curiosidade vem do lado da ciência, sempre rigorosa e analítica, que diz ser um Syrah e, por conseguinte, o vinho todo, composto pelos seguintes elementos:

Álcool – 13% (valor médio)
Aqui vem um elemento de peso. Todos identificamos a presença do álcool no vinho, quer pela positiva quer pela negativa. Este surge no momento da fermentação quando os açúcares da própria uva se transformam em álcool. A sua percentagem varia de Syrah para Syrah entre os 13% e os 15%, existindo mesmo o que chegam aos 17%.

Glicerol – 1%
O Glicerol é uma espécie de álcool ligeiramente açucarado que é obtido durante a fermentação do mosto. A sua presença proporciona um vinho suave, gordo e untuoso, ou seja, a viscosidade. É graças a este elemento que podemos apreciar as lágrimas existentes no copo. Quanto mais glicerol, mais lágrimas encontramos.

Ácidos – 0,5%
O ácido do vinho é medido pelo PH e tal como muitos alimentos, os vinhos podem ser mais ou menos ácidos dependo da casta e região.

Açúcar – 0,4%
A concentração de açúcar é o que vai determinar se um vinho é seco ou doce. Na teoria, um vinho seco não tem açúcares residuais e um vinho doce pode atingir os 200 gramas por litro. O açúcar costuma variar entre 0 e 10 gramas por litro.

Fenólicos – 0,1%
Os fenólicos, de uma forma geral, contém os elementos únicos do vinho. Determinam essencialmente a cor, os aromas, e os famosos taninos que proporcionam a estrutura do vinho. São na verdade a prova que a influência de um pequeno elemento pode alterar tudo.

Água – 85%
E por fim regressamos ao princípio, a água, fonte de vida, que é de facto o grande elemento presente na composição do vinho. É sabido que em muitos países que não contém água potável, beber vinho reduz o risco elevado de contaminação. Uma das histórias ancestrais sobre o nascimento do vinho fala da sua importância por ser uma bebida mais segura que a água.

Da próxima vez que faltar água, bebe-se Syrah!