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Protestar com Syrah

Faits divers que se encontra por aí, e este fala de um produtor de vinho australiano que decidiu fazer o seu protesto pessoal usando umas das garrafas com Chardonnay da sua vinha.  Portanto estamos em presença de um suposto “Fuck Him” em forma de vinho, exibindo assim de forma original o seu desacordo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desta forma, em bom português, para ele será uma trampa, especialmente contra a sua visão de não aceitar imigrantes e discriminar minorias.

Segundo o enólogo da casa, Nic Peterkin, da L.A.S Vino, este Chardonnay é um dos melhores vinhos que já fez, independentemente da mensagem política. O design do rótulo exibe uma composição gráfica com a efígie do actual presidente norte-americano.

Criativa também a forma como o vinho é descrito: feito de “vinhas importadas da França sob irrigação israelense, cuidadas por um tractor italiano, com uvas escolhidas por um grupo de irlandeses, alemães, estonianos e coreanos sob a supervisão de um sul africano”. A garrafa custa 55 dólares australianos e só é vendida na própria vinícola.

O que nos perguntamos é, porquê usar vinho para falar de política e seus protestos? Marketing? As vendas seguramente estão asseguradas. Quanto a Syrah, francamente não gostaríamos que fosse usado para este fim, mesmo que a causa seja justa ou devida.

HT, Tiago Cabaço Wines, 100% Syrah, Alentejo, 2017

Estamos perante a quinta colheita do HT de Tiago Cabaço, do ano de 2017, Estremoz.
A primeira safra, de 2013, foi o Syrah com que começámos esta aventura de contar a história (passado, presente e futuro), dos Syrah portugueses. Por isso temos um especial carinho por este Syrah!

Mas vamos debruçar-nos sobre o HT. Em primeiro lugar, o nome: diz-nos o próprio produtor que se trata de uma homenagem à Herdade do Trocaleite, onde passou a infância, e onde estão plantadas 6 parcelas de Syrah cujo cultivo o resultado está à vista.
Neste caso um Syrah novíssimo de 2016, com 13,5% de graduação alcoólica, de “cor rubi compacta, com taninos finos mas poderosos e com um final de boca longo e elegante.” Não poderíamos estar mais de acordo. Acrescentemos, unicamente, que tem grandes possibilidades de evoluir muito positivamente em garrafa.

De referir, e destacar, como sempre o preço, que se situa abaixo dos quatro euros, quando comprado em mercados de grande superfície ou mesmo não tão grande! É obra, tendo em conta os seus congéneres de mercado e devido à qualidade demonstrada.
Quem disse que não é possível comprar um Syrah simultaneamente poderoso e de baixo custo?

O escritor Luis Fernando Veríssimo escreveu:
“Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna. Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como “doce”, “amargo”, “ácido”, etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura.”

Então se tudo é literatura fiquemos por aqui e vamos continuar a beber o nosso HT, 100% Syrah, do Tiago Cabaço de 2017.

 

Classificação: 16/20                                                    Preço: 3,89€

Vinhas antigas produzem melhores vinhos?

Houve-se falar muita vezes, quando se visita um produtor, de vinhas velhas, muitas vezes com mais de 100 anos. E isso percebe-se pelas raízes e pela estrutura do tronco e cordões, cada vez mais complexos e volumosos.

Produzem estas videiras melhores frutos? As vinhas de Shiraz, plantadas durante a década de 1860 em algumas partes da Austrália, continuam a produzir frutos intensos, saborosos e equilibrados. Com um sistema de raízes expansivo e madeira substancial, estas vinhas, que se adaptaram ao ambiente por um longo tempo, são em certa medida mais resistentes à seca e condições climáticas extremas. Vinhas envelhecidas ficam mais propensas a doenças e danos, e a sobrevivência de vinhas velhas releva-se frágil, apesar dos esforços para prolongar a sua vida.

Manter velhas vinhas na produção comercial nem sempre é viável economicamente. Há um ponto em que a manutenção da videira se torna excessivamente caro. A taxa de declínio depende de muitos factores, incluindo variedade de uva, porta-enxerto, susceptibilidade à doença, práticas do vinhedo e factores ambientais. Em Bordeaux, as videiras maduras são frequentemente substituídas após 35 anos, período que é considerado por muitos como a vida comercial de uma videira e equivalente a uma geração humana.

As vinhas velhas não produzem necessariamente melhor fruta. Uma videira comparativamente jovem, porém, madura (entre 10 e 30 anos) plantada em local adequado e bem gerido, pode produzir uvas muito requintadas como testemunhado em alguns dos mais famosos terroirs por todo o mundo.

Mercado do Vinho da vila de Cascais, 2018

Foi neste último fim de semana entre 27 e 29 de Abril que aconteceu o Mercado da Vila de Cascais!

O Blogue do Syrah tinha que estar presente, dado que estiveram neste mercado oito produtores de Syrah dos trinta e quatro produtores com as melhores sugestões de vinhos para o Verão.

Eis as fotos mais significativas deste momento que fica para a história de mais uma feira do vinho em Portugal!