O vinho e o Paradoxo Francês

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Não, ao contrário do que muitos leitores que começaram a ler este texto podem pensar, o chamado Paradoxo Francês não tem nada a ver com o facto da selecção francesa ter perdido a final do campeonato europeu de futebol a favor da selecção das quinas!

Aquilo que fica para a história com a designação de “Paradoxo Francês” prende-se com o facto de a população francesa, que consome uma alimentação muito rica em gorduras saturadas, por exemplo queijo e carne em grande quantidade, ter uma quantidade de doenças cardiovasculares muito inferior à dos outros países do norte da Europa ou dos EUA. Isto seria, dito assim, incompreensível, pois só as populações que habitualmente consomem muito pouca gordura saturada apresentam uma incidência igualmente baixa de doenças cardiovasculares.

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A razão para este paradoxo reside, afinal, no consumo regular de vinho tinto. O vinho tinto é muito rico em resveratrol e outros polifenóis que são antioxidantes muito eficazes na prevenção do desenvolvimento da aterosclerose e, portanto, de todas as doenças cardiovasculares. A população dos países do norte da Europa consume preferencialmente cerveja e logo não tem esta capacidade protectora antioxidante.

O Blogue do Syrah já fez variadas referências à importância do resveratrol e dos outros polifenóis para a saúde, que podem ser lidas nos artigos que referenciamos a seguir.

As virtudes benéficas do vinho, e do Syrah, sobretudo, vêm sendo discutidas em diversos meios científicos, e foi a divulgação do Paradoxo Francês, em 1991, que despertou a atenção sobre o assunto. Esta expressão ficou famosa a partir de 17 de novembro de 1991, devido ao programa “60 Minutos”, da Rede CBS. Durante esse programa de televisão dos Estados Unidos, o cientista francês Serge Renaud (1927-2012), mostrou que estudos epidemiológicos à escala mundial demonstravam que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronárias que os americanos, sendo que os franceses são mais sedentários, fumavam mais e consumiam mais gorduras saturadas.

Diante dessa constatação, observou-se que o consumo moderado de vinho poderia ser a explicação para esse facto. O paradoxo foi posteriormente publicado na revista The Lancet, uma das revistas médicas mais bem conceituadas no mundo, o que contribuiu para o aumento do consumo de vinhos tintos, principalmente nos Estados Unidos e que deu origem a uma série de estudos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde humana. Essa informação causou grande impacto. Até então, o que a ciência nos ensinava é que ingerir bebidas alcoólicas era tão prejudicial quanto fumar. Com esses dados o conceito científico teria que ser mudado!

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Passados mais de 20 anos, milhares de pesquisas confirmaram os dados do Dr. Renaud. Inúmeros estudos explicam os mecanismos pelos quais essa protecção acontece e evidenciam outros efeitos favoráveis do vinho, como a longevidade e a protecção neurológica. Nos vinhos já foram identificados aproximadamente de 200 polifenóis e cerca de 95% tem origem nas cascas e sementes das uvas.  E é por isso que os vinhos tintos são considerados melhores para a saúde, pois são fermentados em contacto com a casca, o que permite maior extracção de substâncias benéficas ao organismo humano. De qualquer modo todas as bebidas alcoólicas, se consumidas em excesso, aumentam a exposição a uma vasta gama de factores de risco. Nesse sentido, o vinho também causa problemas quando consumido além dos limites. O Blogue do Syrah já o tinha explicitamente referido, por exemplo, aqui.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de uma taça diária de vinho (em torno de 100 ml). Porém não existe uma regra fixa que estabeleça o limite de consumo de álcool por pessoa, pois isso depende de uma série de factores inerentes ao indivíduo, como idade, sexo, estado emocional, e o próprio limite de tolerância ao álcool. Estudos feitos a partir do Paradoxo Francês mostram que é possível juntar ao prazer de beber Syrah muitos benefícios para a saúde. Mas para isso é necessário que se faça junto com as refeições, de maneira regular e moderada, e somente se não houver contra indicação ao consumo de bebidas alcoólicas.

Temos dito!


 

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