Monthly Archives: March 2018

Vidigueira Syrah, Adega Cooperativa da Vidigueira Cuba e Alvito, 100% Syrah, Alentejo, 2015

Foi em Janeiro do ano passado que fizemos uma primeira apreciação deste Syrah do Baixo Alentejo e na altura ficamos muito contentes por surgirem novos Syrah nesta parte do Alentejo. A verdade é que o Syrah da Adega Cooperativa da Vidigueira evoluiu e evoluiu muito bem! É por tal motivo que estamos de novo a falar dele: a avaliação sofreu alteração!

Como foi dito na altura este é um Syrah para uso diário!
De melhor qualidade hoje que ontem e um Syrah a ter presente com regularidade porque a relação qualidade/preço alterou-se para melhor na visão do consumidor! As notas de prova dizem que tem “Cor violácea de grande concentração.Aroma a frutos do bosque com notas de menta, na boca apresenta uma grande complexidade com nuances de chocolate preto e baunilha, final longo, fresco e muito persistente.” Tem 14% de graduação alcoólica e o enólogo de serviço é Luís Leão.

A Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, C.R.L., constituída por escritura pública em 1960, iniciou a sua actividade em 1963. É o resultado do sonho, esforço e trabalho da maioria dos viticultores das regiões de Vidigueira, Cuba e Alvito, assente na experiência da tradição e no reconhecimento da reinvenção, sustentado por uma qualidade reconhecida e rememorada. Entre os efectivos vitícolas da Adega contam-se as melhores castas autóctones, mantidas por várias gerações, das quais se distingue a casta Antão Vaz, igualmente conhecida como «casta da Vidigueira», produtora de um branco que está na origem do reconhecido Branco do Alentejo.
São várias as castas que contribuem para a especificidade dos vinhos da adega da Vidigueira: Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Castelão, Moreto, Alicante Bouschet e agora syrah (castas tintas) e Perrum, Roupeiro, Manteúdo, Arinto e Antão Vaz (castas brancas), no entanto, é esta última que tem conferido à sub-região vitivinícola da Vidigueira um maior reconhecimento. Até recentemente, não foram encontradas vinhas velhas da casta Antão Vaz fora da sub-região da Vidigueira, uma casta autóctone mantida pelos produtores da região e produtora de um vinho único. Não se sabe ao certo a origem do nome da casta Antão Vaz, mas curiosamente era este o nome do avô de Luís Vaz de Camões, poeta que celebrou os descobrimentos e a descoberta de Vasco da Gama.

O escritor Georges Courteline disse, de uma maneira simples e eloquente :
“Mais vale beber demasiado Syrah bom, que pouco e ruim. »
Este Syrah da Vidigueira, ano 2015 faz parte desse lote a partir de agora!

 

Classificação: 17/20                                                         Preço: 8,95€

Qual o melhor Syrah do mundo?

Será o Syrah vencedor do Concurso Syrah du Monde?
E o melhor Syrah de Portugal, será o escolhido por nós  anualmente?

Claro que já tivemos muitas oportunidades de provar algum do melhor Syrah do mundo, ou pelos menos assim o considerámos, ou nos foi dito por outrem, em várias ocasiões memoráveis.

O melhor Syrah do mundo terá de ter aquele algo indescritível, aroma forte, límpido no copo, deve prolongar-se na boca de forma longa e crescente. Apetece logo estender o momento, permitindo aquela mutação de elementos que se vão misturando mas ao mesmo tempo se vão individualizando e aumentando. A sua memória traz felizes lembranças. Depois, passando a coisas mais mundanas, os considerados defeitos estarão ausentes, permitindo o seu uso por vários dias depois de aberto.

Aquele Syrah precioso, o melhor do mundo, é o nosso Syrah, aquela garrafa, única, na nossa posse. É tudo o que a rodeia e de que nos apropriámos, recordações, sentires, momentos de companhia, talvez, tudo junto, formando um todo que ficará pela vida fora, e de que falamos sempre que possível. São coisas vivas, profundas, que ficaram de ter convivido com aquela garrafa, que provavelmente guardamos em local especial.

É com o melhor Syrah do mundo que queremos brindar às coisas melhores da vida, cada um que escolha a sua!

 

Homenagem a Hans Christian Andersen, Cortes de Cima, 100% Syrah, Alentejo, 2011

Dois anos e quatro meses após a primeira recensão sobre este fantástico Syrah aqui, voltamos hoje ao seu convívio para darmos conta da sua evolução neste espaço de tempo. E que evolução! Está muito melhor, como pudemos comprovar pela degustação de uma nova garrafa em duas refeições e em dois dias distintos!

Produzido exclusivamente a partir da casta Syrah, como tinha de ser, as uvas foram rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, com um alargado período de maceração das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano, maturou assim até ao engarrafamento, em Julho de 2012. A graduação alcoólica é de 14%. As notas de prova que escolhemos falam de “aromas de frutos de bago escuro, groselha, mirtilos e cássis. Elegante no palato, revela fruta distinta e saborosa com madeira de qualidade bem integrada. Equilíbrio notável, boa estrutura de taninos, longo e persistente.” Nós acrescentaríamos a plenitude cultural, união de literatura em forma de subtil néctar com eflúvios de planície alongada sobre o horizonte setentrional. A colheita, produção e engarrafamento é feita na propriedade de Cortes de Cima. A tiragem foi de 12300 garrafas. O Homenagem a Hans Christian Andersen teve até ao momento 7 safras. A de 2003, 2004, 2007, 2008, 2009, 2012 e a presente em análise de 2011. Estas constância de safras são a melhor prova do êxito deste Syrah que foi elaborado para ter uma vida curta, de um só ano comemorativo, mas que está aí para durar, sendo assim uma interminável e merecida homenagem, para nossa grande exultação!

“Dai-me Syrah para apagar as marcas que o tempo faz!” dizia o grande ensaísta, orador e poeta americano Ralph Waldo Emerson, fonte quase inesgotável de sabedoria, ou melhor ainda se o dizer for no idioma original: “Give me Syrah to wash me clean of the weather-stains of cares”.
Mas se o Syrah for esta benfazeja Homenagem a Hans Christian Andersen, as marcas do tempo e da vida irão sendo apagadas muito mais alongadamente!

 

Classificação: 19/20                                                 Preço: 28,50€

Herdade dos Lagos, Soc. Agrícola Herdade dos Lagos, Lda, 100% Syrah, Alentejo, 2005

Apesar de já termos falado deste Syrah a propósito da colheita de 2006 aqui e da colheita de 2012 aqui, hoje vimos falar da colheita de 2005, que não conhecíamos, e pensávamos que estaria de todo esgotada. Mas Tiago Paulo, da garrafeira Estado de Alma, faz de vez em quando milagres e lá conseguiu “ressuscitar” umas quantas caixas que foi desencantar sabe-se lá aonde e que tem disponível para quem quiser beber este néctar com treze anos de idade, que está belíssimo ou não tivesse sido feito por António Saramago que dispensa outras apresentações!

O Syrah da Herdade dos Lagos, que fica no concelho de Mértola, é pois um Syrah regional alentejano, cuja produção foi de 7000 garrafas. “Apresenta cor rubi intensa. Aroma frutado a ameixa madura. Cheio, redondo, complexo, boa acidez, terminando longo.”
Foi vinificado pelo processo tradicional de curtimenta em lagares inox com temperaturas de fermentação a cerca de 28ºC. Teve um estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. A longevidade prevista era de 8 anos! Já vai em 13 anos e acreditem ainda vai resistir mais uns anos! Irá? Apresenta um teor alcoólico de 14,5 %.
Em cerca de 25 hectares crescem as castas Syrah (a estrela internacional), Aragonez (conhecida na Espanha como Tempranillo), Touriga Nacional (uma uva tradicionalmente usada no vinho do Porto) e Alicante Bouschet (do intenso jogo decor).

A Herdade dos Lagos é propriedade de Horst Zappenfeld, empresário alemão com interesses na área do transporte de carga por via marítima exporta mais de dois terços da sua produção anual de vinho para terras germânicas. Cerca de 70% do vinho é vendido para a Alemanha e também para a Suíça. O restante vai para o mercado nacional, onde não se trabalha com as grandes cadeias de supermercados, à excepção do Intermarché, mas há consumidores que adquirem os vinhos e o compram através das garrafeiras e dos restaurantes. Localizada próximo da localidade de Vale de Açor, na freguesia de Alcaria Ruiva, a Herdade dos Lagos perde-se de vista e por lá é possível encontrar gado e olival (80 hectares), além do maior alfarrobal de Portugal (260 hectares) e 25 hectares de vinha e onde trabalham a tempo inteiro doze pessoas. Em 2011 saíram da herdade perto de 130 mil garrafas, num total de 100 mil litros de vinho, e nos anos seguintes a produção teve valores semelhantes, sendo que cerca de 70% se destina à exportação, sobretudo para a Alemanha e para a Suíça.

Fernando Pessoa, nas Canções de Beber, escreve o seguinte:
‘Sob os ramos que falam com o vento,
inerte, abdico do meu pensamento.
Tenho esta hora e o ócio que está nela.
Levem o mundo: deixem-me o momento!’
Deixem-nos então mais uns momentos em paz e sossego enquanto degustamos o Syrah 2005 da Herdade dos Lagos!

 

Classificação: 17/20                                                      Preço: 7,50€