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Onda Nova, Adega do Cantor, 100% Syrah, Algarve, 2009

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Hoje tivemos necessidade de vir ao Algarve, e com todo o gosto o fizemos, para dar a conhecer mais um syrah destas bandas. Estamos em Albufeira, para conhecer a Adega do Cantor. O Cantor em causa é inglês, e teve a sua época áurea nos idos de 60 do século passado, começando a sua carreira associado ao famoso grupo The Shadows. Estamos a referir-nos a Sir Cliff Richard. Conheceu e apaixonou-se pelo Algarve faz mais de 40 anos. O sonho de plantar uma vinha nesta sua propriedade, chamada Quinta do Moinho, foi a inspiração para os vinhos Vida Nova e Onda Nova, em cuja produção ele próprio faz questão de estar envolvido integralmente.

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A Adega do Cantor fica situada na Guia, a escassos quilómetros a noroeste de Albufeira, no centro do Algarve. Foi construída para produzir os referidos vinhos, a partir de três Quintas em redor: a Quinta do Moinho, a Quinta do Miradouro e a Quinta Vale do Sobreiro. O objectivo é produzir o melhor vinho que a região oferece, combinando técnicas de produção tradicionais com outras mais modernas e inovadoras.

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A Adega localiza-se no topo da Quinta do Miradouro e oferece vistas deslumbrantes sobre as vinhas e o mar. A par da produção de vinho, oferecem visitas guiadas às vinhas e adega, com provas, e a oportunidade de comprar vinho e uma diversidade de produtos de merchandising.

Deste nosso Syrah fizeram-se três safras: a primeira, de 2006, a de 2007 e esta de 2009 francamente melhor do que a anterior. Fizeram-se 20000 garrafas a partir de 10 hectares de vinha.

As notas de prova dizem-nos que em termos de  “Visual: cereja preta e escarlate; Cor: consistente da borda ao centro, boa viscosidade; Olfactivo: perfume elegante a violetas, groselha e mirtilo elevado por notas profundas a canela, pimenta branca e anis; Gustativo: paladar intenso com nuances a frutos vermelhos e pretos, acentuado por especiarias e pimenta, acrescentando ainda taninos domesticados que conduzem a um final suave. Pode ser consumido já, mas irá evoluir e melhorar significativamente em garrafa nos próximos 3 a 5 anos.” A graduação alcoólica é de 14%. O enólogo responsável pelo projecto é Ruben Pinto.

O objectivo na Adega do Cantor é produzir vinhos que consigam reflectir o calor, cor e diversidade da região; vinhos que possam acompanhar a fantástica cozinha local. Este vinho é elaborado a partir de uvas colhidas manualmente a partir de blocos seleccionados de vinhas da casta Syrah, como teria de ser, e fermentado em lagares com imersão da manta robotizado. A maturação ocorre numa combinação de barricas de carvalho Francês e cubas de aço inox por um período de 18 meses antes do seu lançamento.

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A Adega do Cantor tem capacidade para 200 toneladas e foi construída em colaboração com a Castle Rock Logistics, uma empresa Australiana especializada em projectos e gestão de adegas. O projecto levou 18 meses a ser desenhado em computador e 10 meses a construir. A Adega foi concebida modularmente, de forma a ser facilmente ampliada para albergar 300 toneladas.

O ano de 2009 aqui em causa foi repleto de actividade quer nas vinhas quer no processo de vinificação, dando origem a uma colheita com a qualidade e o equilíbrio desejado. A poda de Inverno terminou no final de Fevereiro, surgindo quase de imediato os primeiros rebentos nas videiras de Verdelho e Alicante Bouschet.

A floração foi contínua, sem qualquer percalço, resultando em copas bem formadas pela altura da frutificação. O crescimento e maturação da fruta foi equilibrada até à altura da vindima. Esta iniciou-se com a casta Verdelho na 2ª semana de Agosto. Pela 3ª semana verificou-se um pico de altas temperaturas o que provocou um amadurecimento precoce da uva, levando a  que o processo de apanha fosse acelerado para posterior vinificação imediata, evitando assim uma concentração elevada de açúcares que se traduziriam em valores elevados de álcool.

A combinação desta rápida acção e a proximidade da costa, que de alguma forma neutralizou a vaga de calor, levaram a que não tivéssemos sido tão afectados como outras regiões. A qualidade da fruta foi elevada, tendo-se conseguido níveis de açúcar e a maturação dos taninos pretendida, sem grande significância a nível de doenças. O processo de vinificação prolongou-se até ao final de Outubro. Foi a partir desta conjuntura que se obteve este Syrah que convidamos todos a degustar.

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O Algarve é uma região excelente para a produção de vinhos frutados. As brisas do mar temperam o abrasador sol algarvio, enquanto os solos calcários limitam a água, criando as condições ideais para a maturação de uvas de alta qualidade para vinho.

A seguir se especificam algumas características e histórias das três quintas  do Sir de Sua Majestade.

Quinta do Moinho
A plantação da vinha de Sir Cliff Richard, na Quinta do Moinho, iniciou-se entre 1997 e 1998, tendo sido alvo de intensos estudos pelo eminente viticultor australiano Richard Smart. A plantação consiste de 3,5 ha da casta Syrah, oriunda de Vale de Rhône, França, 2,5 ha de Aragonês, proveniente da Península Ibérica e conhecida em Espanha como Tempranillo, 1,4 ha de Trincadeira, do sul de Portugal e 0,5 ha de Monvedro, também do sul de França. A Quinta do Moinho utiliza os mais modernos sistemas vinícolas, que incluem gestão de área foliar, um sistema de posicionamento vertical das varas e rega gota-a-gota. As videiras fixaram-se rapidamente e o resultado é uma vinha auspiciosa e sadia.

Quinta do Miradouro
Existe desde o princípio de 2001, com as mesmas características da Quinta do Moinho. A vinha consiste de 5ha de Shiraz, 4ha de Aragonês e 1ha de Alicante Bouschet, Teinturier (uma uva vermelha viva) do sul de França, que produz vinhos especialmente bons nas condições certas, como é o caso de Mouchão, no Alentejo. A vinha da Quinta do Miradouro é também a primeira no Algarve a aplicar o Smart-Dyson, o sistema de latada inovador do Dr Richard Smart, que divide verticalmente a área foliar, permitindo um substancial aumento da área total da superfície da parra e melhorando as condições de luz na zona de frutação.

Vale do Sobreiro
A nossa mais recente vinha, existe desde 2004 e, mais uma vez, tem as mesmas características das outras duas vinhas. Abrange 3 ha de Syrah, cuja selecção foi, pela primeira vez, feita através de clonagem, de forma a obter-se a melhor fruta nesta envolvente. Os restantes 2 ha foram plantados com Verdelho, as nossas primeiras uvas brancas oriundas de Portugal e que está a ser vinificado, com grande sucesso na Austrália.

A maior parte do trabalho nas vinhas é feito manualmente. A gestão prossegue de uma forma sustentada, com utilização de produtos agrícolas suaves, num programa destinado a prevenir o aparecimento de eventuais doenças nas vinhas, evitando as formas mais agressivas de tratamento. A vindima é feita cuidadosamente à mão. Tudo em conformidade com uma política de produção de vinhos de excelência.

E já que é de cantores e canções que também estamos a falar, acabemos este texto citando um tema dos The Beatles, grupo contemporâneo de Cliff Richard, We Can Work it Out: “A vida é muito curta e não há tempo/Para agitação e luta meu amigo – Life is very short, and there’s no time/For fussing and fighting, my friend.”

Vamos lá então beber tranquilamente e em paz, ao sol do Algarve, o nosso Syrah da Adega do Cantor, este Onda Nova, que se quer mesmo uma boa onda!

 

Classificação: 15/20                                           Preço: 8,50€

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Quinta da Tôr, 100% Syrah, Algarve, 2013

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E é sempre com muita alegria que rumamos ao Algarve para apresentar mais um syrah de safra única, da Quinta da Tôr, ano de 2013, região de Loulé, mais precisamente a 7 kms da capital do concelho.

Quinta de 11 hectares, que foi há 3 anos adquirida pelo casal Mário e Elsa Santos, que possui igualmente uma empresa de equipamentos hoteleiros – a Turinox. A quinta já possuía vinha antiga, que foi recuperada. Com os investimentos apropriados em termos de maquinaria produziu-se um syrah com um total de 3200 garrafas. Os enólogos foram Pedro Mendes e Joachim Roque. A graduação alcoólica é de 14,5%.

Lá mais para o fim do ano está garantido novo syrah com mais ou menos o mesmo número de garrafas. No Algarve e na quinta é vendido a 5 euros. O preço que foi pago em Lisboa foi superior a esse valor, como indicamos no final.

Temos sim de referir que este produtor não possui presença digital, pelo que é difícil adquirir informação sobre o mesmo e seus produtos.  O que soubemos foi de viva voz em conversa telefónica.

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Este syrah apresenta “boa concentração no cor, ruby intenso. No aroma estão presentes as frutas vermelhas e especiarias onde sobressaem notas de cassis e pimenta. Tinto muito dinâmico e concentrado. Com carácter e clara aptidão gastronómica.”

No extremo Sul de Portugal Continental, o Algarve é uma zona bem definida, um compartimento com feições características, conferidas pela proximidade do mar, pelo clima, pela vegetação natural e pela cultura marcada pela longa ocupação árabe.
A região demarcada do Algarve data de 1980, produzindo vinhos tinto, branco, rosado e licorosos.
Os vinhos brancos e tintos caracterizam-se pelos aromas a frutos bem maduros e sabor aveludado e quente.
Os vinhos regionais da região Algarvia caracterizam-se por serem macios, pouco acídulos e ligeiramente alcoólicos, sendo os tintos de cor definida ou granada e os brancos de cor palha.
Incluído no Vinho Regional Algarve produz-se também nesta região um vinho licoroso, de grande tradição, com a indicação geográfica Algarve.

No Algarve existem quatro Denominações de Origem (Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira), ainda que a maior parte do vinho seja vendido sob a designação de Indicação Geográfica.

Para além das castas tradicionais, principalmente as tintas Castelão e Negra Mole e as brancas Arinto e Síria, nos últimos tempos têm obtido grande sucesso as variedades da Touriga Nacional e principalmente a nossa Syrah, uma casta de renome internacional, que se adaptou muito bem às condições climáticas particulares do Algarve.

Os novos projectos, todos em vinha ao alto, apostam na tinta Aragonez, na Touriga Nacional e na branca Verdelho, juntamente às castas internacionais mais prestigiadas como Chardonnay, e a já referenciada Syrah.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Lagos” abrange os concelhos de Aljezur (parte das freguesias do mesmo nome, Bordeira e Odeceixe), Vila do Bispo (as freguesias de Raposeira, Sagres e Vila do Bispo e parte das freguesias de Barão de São Miguel e Budens) e Lagos (freguesias de Luz, Santa Maria e São Sebastião e parte das freguesias de Barão de São João, Bensafrim e Odiáxere).

Os vinhos tintos são aveludados, pouco encorpados, com aroma frutado e pouco acídulos e quentes. São abertos de cor, apresentando um tom rubi que, com o envelhecimento, adquire o tom topázio.

Castas recomendadas
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Negra Mole, Trincadeira e Castelão, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante Bouschet, Aragonez, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Monvedro e Touriga Nacional.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Portimão” abrange o concelho de Portimão (freguesia de Alvar e parte das freguesias da Mexilhoeira Grande e Portimão).

Os vinhos tintos são aveludados, encorpados, com aroma frutado e pouco acídulo, notando-se o álcool. Apresentam cor rubi definida que, com o envelhecimento, adquire um tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Trincadeira e Castelão, no conjunto ou separadamente, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Monvedro, Syrah e Touriga Nacional.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Lagoa” abrange os concelho de Albufeira, Lagoa e Loulé (freguesias de Almansil, Boliqueime, Quarteira, São Clemente e São Sebastião e parte das freguesias de Alte, Querença e Salir) e Silves, as (freguesias de Alcantarilha, Armação de Pêra e parte das freguesias de São Bartolomeu de Messines e Silves).

Os vinhos tintos apresentam uma cor rubi que, com o envelhecimento, adquire um tom topázio. São aveludados, encorpados, frutados, pouco acídulos e quentes. Fáceis de beber, evoluem muito bem e têm grande longevidade.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole e Trincadeira, no conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% do encepamento. Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Castelão, Monvedro, Moreto, Syrah, Touriga-Franca e Touriga Nacional.

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A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Tavira” abrange os concelhos de Faro, Olhão, São Brás de Alportel (parte da freguesia do mesmo nome), Castro Marim (parte da freguesia do mesmo nome), Tavira (freguesias da Luz e Santiago e parte das freguesias de Conceição, Santa Catarina, Santa Marta e Santo Estêvão) e Vila Real de Santo António (a freguesia de Vila Nova da Cacela).

Os vinhos tintos são aveludados, encorpados, com aroma frutado e pouco acídulo. Apresentam tom rubi definido que, com o envelhecimento, adquire o tom topázio.

Castas recomendadas
Tintas
Negra Mole, Castelão e Trincadeira, em conjunto ou em separado, com um mínimo de 70% de encepamento; Alicante-Bouschet, Aragonez, Cabernet-Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional.

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Voltemos por fim ao nosso syrah somente para dizer que a continuidade está garantida e lembrando o que dizia Fernando Pessoa:
“Boa é a vida, mas melhor é o vinho”
E nós dizemos:
“Boa é a vida quando acompanhada de syrah!”

Classificação:16/20                                           Preço: 8,50€


 

Quinta do Barranco Longo, 100% Syrah, Algarve, 2010

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E chegamos finalmente ao Algarve, pois claro! Era inevitável… Se alguém pensou que por aquelas bandas não haveria syrah, aqui estamos nós para o desmentir categoricamente! É verdade que não há muitos, mas os que existem são suficientes para não ficarem esquecidos. E por isso vamos hoje falar do syrah da Quinta do Barranco Longo.

Quinta esta que está localizada no coração do Algarve. O terroir, com solo argilo‑calcário, e as mais de 3000 horas de sol por ano, potenciam o atributo das uvas que, depois de transformadas, resultam em syrah de elevada qualidade.

A Quinta do Barranco Longo, situada na freguesia de Algoz, concelho de Silves, dedica-se, entre outras actividades, à produção e comercialização de vinhos de mesa e de vinhos espumantes. O projecto nasce em 2001, com a realização dos primeiros ensaios de “microvinificação”, tendo em vista a obtenção de produtos de alto calibre. Em 2003 são produzidos os primeiros vinhos “Barranco Longo Rosé”, “Barranco Longo Tinto” e “Barranco Longo Reserva”.

Em 2004 produzem-se 10000 litros e também o primeiro monocasta: “Barranco Longo Touriga nacional”. A produção triplica em 2005, ano em que surge o primeiro vinho “Barranco Longo Branco” e o monocasta “Barranco Longo Syrah”. A partir de então, e porque os vinhos foram bem posicionados e reconhecidos no mercado, esta actividade não parou de crescer. Em 2008 chegaram mais novidades.

A gama de vinhos é alargada ao primeiro espumante da região algarvia e ao primeiro vinho rosé português 100% fermentado em barricas de carvalho. A quinta está nas mãos de Rui Virgínia, que continua a aperfeiçoar o ciclo do vinho com os métodos enológicos mais inovadores.

Os vinhos estão orientados para a cadeia hoteleira e restauração, estando o seu negócio centralizado na marca “Barranco Longo”, destinada aos mercados Nacional e Internacional.

Actualmente a Quinta do Barranco Longo produz cerca de 150000 garrafas por ano e conta com uma vasta gama de vinhos tintos, rosés, brancos e espumantes.

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No que diz respeito ao nosso syrah, que é sempre o motivo maior que nos leva a falar do produtor, da quinta e das suas produções, é um vinho com 14,5% de graduação alcoólica, e uma parte importante da produção vai para o mercado externo. Bélgica em primeiro lugar, Dinamarca a seguir, e também Holanda. Foram feitas cinco safras, de 2005 a 2010. Das que conhecemos, a melhor é a de 2007, a que atribuímos a classificação de 17, e da qual terão sido feitas 7000 garrafas. Segundo a ficha técnica, que após uma conversa telefónica com a Vera Franco, assistente administrativa da Quinta do Barranco Longo, muito simpaticamente nos enviou, ficamos a saber que se trata de um syrah com “Intensa cor rubi/violácea. Maceração de 15 dias em cubas de inox, fermentação controlada com duas repisas diárias, fermentação maloláctica. Estagiou um ano em cascos de carvalho americano e francês.Com reflexos da casta, da madeira onde estagiou e do terroir, tem excelentes aromas muito intensos a frutos vermelhos maduros e boas notas a especiarias e chocolate. Com sabor varietal intenso. Está muito arredondado, fresco, charmoso, persistente, com taninos sedosos.Termina em longo e belo final.”

A este propósito desejo aqui relembrar um grande texto do escritor brasileiro Luiz Fernando Veríssimo que se intitula “Degustação de syrah em Minas” e que diz assim:
– Hummm…
– Hummm…
– Eca!!!
– Eca?! Quem falou Eca?
– Fui eu, sô! O senhor num acha que esse syrah tá com um gostim estranho?
– Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas…
– Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?!
– Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
– Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
– Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
– O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é ?
– Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então…
– E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
– O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no…
– Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
– Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens…
– Hã-hã… Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta…
– O senhor poderia começar com um Beaujolais!
– Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
– Então, que tal um mais encorpado?
– Óia lá, ocê tá brincano com fogo…
– Ou, então, um suave fresco!
– Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
– Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
– Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta…
– Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
– E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
– Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
– Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
– Mole e redondo, com bouquet forte?
– Agora, ocê pulô o corguim! E é um… e é dois… e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!…

Estamos em presença de um syrah de qualidade, como não podia deixar de ser, que por ser do Algarve impressiona ainda mais do que seria expectável, mas a realidade consegue sempre ultrapassar a ideia…!

Classificação: 16/20                            Preço: 15,50€

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