
O brinde é tido como um momento importante entre os amigos, seja por algum motivo especial ou simplesmente pelo acto em si de brindar à saúde de alguém. Os motivos podem ser mais que muitos, mas é suficiente desejar sempre as melhores coisas com quem se está a brindar!
Existem muitas histórias sobre a origem deste tradicional hábito, algumas baseadas em factos históricos, outras em lendas místicas, mas o facto é que todas elas não passam de mera especulação, não havendo uma prova real sobre a sua origem.
Uma dessas histórias conta que uma vez, no Monte Olimpo, houve problemas entre os Deuses. Os sete sentidos tinham sido convidados para uma festa por Dionísio, o Deus do vinho, mas mesmo as bebidas mais deliciosas que o mordomo Baco servia com mão pródiga não deixavam todos satisfeitos. Os sentidos – pelo menos seis deles – expressaram satisfação em poder contribuir para as sessões do vinho.
A animação cativava os olhares e encorajava as pessoas a dançar. O sentido do Tacto passou muito tempo bebendo goles de vinho, trocando opiniões com a Fala que ia tomando notas – tratava-se de uma dupla de escritores especializados em vinho. O sentido do Paladar estalava os lábios e mostrava expressões satisfeitas depois de engolir, olhando desdenhosamente para o sentido da Visão que segurava um copo contra a luz do sol, e do Olfacto, que fazia ruídos com alguma intensidade cheirando alguma fruta ou flor deliciosa.
Todos os sentidos estavam ocupados – com excepção de um. Esse último sentido não estava a beber e dirigiu-se a Dionísio com modos de quem vai protestar. “Eu fico sempre de fora! Toda a gente aqui obtém alguma coisa do vinho, mas eu não: como é que eu posso ouvi-lo?”. Porque se tratava do sentido da Audição.
“Claro que pode!”, disse Dionísio jovialmente. “Vai a uma adega quando o vinho estiver a ser feito; o gorgolejar, os sons das ondulações, tudo isso deverá dar-te prazer.”.
“Mas eu não posso simplesmente ficar lá!”, objectou a Audição. “Vocês todos se divertem à volta da mesa; a menos que alguém parta um copo ou caia bêbado, não há nada para mim aqui!”. Dionísio tomou um copo da bandeja de Baco, que acotovelou a Audição, que pegou outro.
“Agora ouça! Quando as pessoas se reunirem para desfrutar do vinho, elas farão isto” – e ele ergueu o copo batendo-o levemente contra o da Audição, de modo que os dois tilintaram agradavelmente. “Ouviste?”, disse o Deus do vinho. “Seja copo contra copo, caneca contra caneca, jarro contra jarro, essa é a música daqueles que gostam de vinho! Saúde!”. O sentido da Audição ficou surpreso e andou por ali batendo com o copo contra todos os outros.
Mas há erros graves que se devem e podem evitar ao fazer um brinde. Eis os mais habituais, embora o que é mais importante ao fazer um brinde, e ainda por cima com um Syrah, é a sinceridade com que é feito!
- Jamais bata na taça para chamar a atenção de todos. É deselegante.
- Se estivermos a ser brindados, devemos primeiro ouvir e só depois agradecer.
- Não colocar nunca a mão na taça e muito menos beber durante o brinde – é considerado falta de respeito.
- O brinde nunca deve ser lido, mas dito de improviso. Se tem receio que a memória o possa atraiçoar, deve fazer um brinde breve.
- Aliás, um brinde deve mesmo ser curto, apenas o suficiente para conter a homenagem e breve na medida certa para assegurar o divertimento.
- Nunca brindar à sua própria saúde!
- Retribua o brinde se for brindado pelo anfitrião.
- Só pode fazer um brinde se a sua bebida for alcoólica e de preferência Syrah, pois claro.
- Qualquer outra bebida não alcoólica não serve. De boas intenções está o mundo cheio…
- Pode brindar a mais de uma pessoa. A toda a família ou a toda a sua equipa, por exemplo.
- Não seja o primeiro a tomar a dianteira. O anfitrião deve ser o primeiro a fazer o brinde.
Dito isto um brinde à saúde de todos, se possível com um Syrah português topo de gama… e já agora mais um brinde agradecido a todos os que fazem Syrah em Portugal!